Boot Camp

Por: Snowdragonct

Tradução: Aryam


Campo de Treinamento

Capítulo 17: Empurrão Vira Atropelo

Caminhando em uma trilha, Duo refletiu: mesmo sendo uma subida de matar, teria ganhado a aposta com Heero. Preferia isso à pista de obstáculos, sem pestanejar. E não tinha nenhuma intenção de implorar pelo maldito percurso nem agora nem nunca.

Por outro lado, enquanto tirava um galho de sua trança, decidiu: a natureza era um pouco mais desordenada do que a pista de obstáculos... pelo menos, nessas condições.

Cadete Carter propunha um ritmo exaustivo, escalando com confiança pelos caminhos entrecortados da montanha facilmente, como se passeassem pelo parque. Contudo, os rapazes estavam em boa forma após duas semanas de exercícios constantes e agüentavam o tranco.

Quatre acompanhava logo atrás do Oficial, perguntando sobre a fauna e flora da selva, e Trowa seguia-o bem de perto. Duo se surpreendera um pouco ao ver a escolha de Heero de ficar atrás, achando que seu ilustre líder preferiria servir de ponteiro. Ao invés disso, o moreno de olhos azuis cobria a retaguarda, observando ao redor com aparente interesse.

Carter parou próximo a uma nascente, o sol em seu apogeu. "Certo, rapazes. Vou dar um desconto, já que é nosso primeiro exercício de sobrevivência. Vamos almoçar e montar o acampamento depois que eu mostrar como escolher um bom lugar."

Duo colocou a pesada mochila no chão. "Merda, parece que essa coisa 'tá cheia de pedras," grunhiu.

"Como a sua cabeça, Maxwell?" sugeriu Carter com um leve sorriso zombeteiro.

"Que gracinha," o jovem de trança forçou uma risada. "Dormiu com um palhaço?" Abriu seu próprio sorriso malicioso. "Quer me ensinar mais uns apelidos fofos para o querido Capitão Wuffles?"

Carter sorriu mais. "Vai sonhando. Que tal parar com a choradeira e dividir umas barras de cereais?"

"Quando vamos cozinhar sopa na fogueira?" Duo perguntou, procurando em sua mochila. "Torrar uns marshmallows [1]? Histórias de terror? Canções ao ar livre? Tinha uma banana [2]?

Quatre riu alto, mesmo Trowa ostentava uma expressão de divertimento, enquanto abria sua barra de cereal e a mordia. Heero bufou estranhamente e sentou-se num tronco, tomando um gole do cantil.

Tendo ignorado o monólogo de Duo, sentado agora ao lado do loiro, o Cadete sentou-se ao lado de Heero, olhando-o de soslaio. "Você parece um pouco – calado – Yuy. Preocupado?"

Heero balançou a cabeça, mastigando imperturbado. Entretanto, Carter continuou encarando-o esperando mais respostas. "Conservando energia," finalmente ofereceu, esperando desencorajar a aproximação amigável.

"Ah." Carter recostou-se na árvore, assistindo aos quatro jovens devorarem suas rações do meio dia e se limparem com água dos cantis.

Duo terminou primeiro, pegou um pano da mochila e molhou-o para tirar o suor de sua testa úmida. Estapeou irritado um pernilongo em seu pescoço. "Quer saber, Cadete Carter, acho que já deu de natureza por um dia."

"Mas a diversão só está começando, Maxwell. Ainda temos que localizar um local, construir abrigo, recolher madeira..."

Duo grunhiu novamente, uma mão sobre o rosto. "E o que isso tem a ver com pilotar móbile suits?"

Heero lançou um olhar severo. "Maxwell, móbile suits podem ser destruídos, desabilitados ou falharem. Saber como sobreviver em qualquer lugar em qualquer hora é parte importante de ser um soldado em qualquer exército."

Duo desafiou o líder. "Reunir informação também, Yuy."

Heero, aparentemente, percebeu a referência de Duo sobre espionar os baús do time. Seus olhos ficaram frios. "Há uma diferença entre serviço de inteligência e ser intrometido."

Quatre e Trowa trocaram uma expressão confusa. Ambos estavam cientes da tensão crescente entre os colegas nos últimos dias. Mas nenhum dos dois sabia da causa.

"Também tem diferença entre sobreviver e morrer," Duo rebateu, teimosamente.

"Ei, vocês vão deixar a gente participar da conversa?" Carter franziu o cenho. "Qual o problema aqui?"

Os olhos índigo focaram-se nas folhas espalhadas no chão, Heero deu de ombros. "Só tivemos uma divergência de opiniões," explicou calmo.

Carter suspirou, balançando a cabeça. "Não tem espaço pra divergências no time, rapazes. Vocês precisam resolver na conversa. Cheguem a um acordo e deixem para trás." Deu de ombros discretamente. "Sei que parece simples e batido, mas é como deve ser."

"É, vamos tomar seu conselho em consideração," Duo murmurou relutante. Ousou olhar para Heero, este virado para o outro lado carrancudo.

Continuaram a caminhada e, até o meio da tarde, Carter os mostrara como avaliar um terreno baseado na distância da água, abrigo natural, proteção contra chuva ou enchente, e como poderiam defendê-lo. Enquanto Quatre foi buscar água e Duo foi procurar lenha, Trowa, Carter e Heero se ocuparam em construir um refúgio com ramos de pinheiros e lona.

Duo se surpreendera o quão longe do campo precisou ir para encontrar madeira seca. Atravessando um pequeno morro, logo encontrou troncos caídos facilmente de serem quebrados em tamanhos manuseáveis. Mesmo assim, levara um certo tempo para recolher uma pilha considerada o suficiente para o primeiro carregamento. Conhecendo seu nobre líder, voltaria ainda várias vezes para juntar madeira para a noite inteira.

Enquanto trabalhava, certificou-se de ainda poder ouvir os sons do acampamento, pois, como notara na vinda de ônibus no primeiro dia, não era especialista em sobrevivência na selva. Não queria nem considerar o que aconteceria se acabasse separado dos outros.

Repentinamente ansioso com tais pensamentos, Duo virou-se de supetão para voltar. Quando o fez, quase trombou com Heero. O líder o segurou pelos braços rapidamente, evitando a colisão.

"Olhe pra onde anda," advertiu asperamente, sentindo a tensão nos braços do jovem de trança.

Duo se deixou examinar o rosto de Heero, tentando ver além da máscara de indiferença. Pensava, antes do terrível incidente de 'espionagem', que as atitudes de Heero para com ele se abrandavam. Todavia, desde então, não vira... ou não se permitira ver. Ficara tão raivoso com o líder por causa da chantagem, que era difícil se lembrar da atração sentida por ele desde o dia no qual se conheceram.

Ou, pelo menos, era até pensar o quão gentil fora de Heero deixar aquela estúpida barra de cereal em seu travesseiro para não comer mais biscoitos para cães. E agora, com os dedos do moreno de olhos azuis suavemente massageando seu bíceps, ambos se encarando, queria largar todos aqueles troncos e derreter naqueles braços.

Até se recordar do pesadelo...

Então, seus músculos se tencionaram, será que Heero escolheu esse momento para exigir o pagamento pelo silêncio? Fechou os olhos, suspirando resignado, forçou-se a não se mover... a não se afastar.

Heero viu as emoções mudarem no rosto a sua frente e sabia exatamente no que ele pensava. Seu agarre nos braços esguios se apertou. "Duo..." Sua voz saiu mais rouca do que pretendido... estava nervoso com as presunções do colega de equipe.

Duo estremeceu, assustado, mas logo se tornou desafiador. "Tudo bem, Yuy!" rosnou entre dentes cerrados. "Vá em frente-"

Heero respondeu soando como um rugido de raiva. "Seu imbecil!"

"Devo ser mesmo," Duo retorquiu. "Inferno, acha que eu estaria nessa merda de 'campo de treinamento' se eu tivesse meio cérebro? Ainda mais pra entregar minha bunda de bandeja-"

Os olhos de Heero flamejaram, suas mãos apertando ainda mais, lutando contra a vontade de estapear o rapaz. "Mas que desgraça, Maxwell, você não tem idéia do que está-"

"Heero? Duo!" a voz de Quatre interrompeu, acompanhada pelo próprio loiro aparecendo pela trilha.

Heero, sem mais palavra, empurrou Duo fazendo-o recuar um passo, soltando o agarre ameaçador. Deu meia volta, passando por Quatre rapidamente. "Aqui em cima," murmurou, voltando para o acampamento.

Quatre continuou, encontrando-se com o amigo, olhos azul-esverdeados preocupados. "Nem tente me dizer que não há nada errado, Duo."

"Não vou," o jovem de L2 respirou fundo, arrepiando-se. Resistiu a vontade de esfregar os braços onde certamente haveria marcas no dia seguinte. Voltou seus olhos profundos e sombrios para o amigo. "Quando eu estiver pronto para falar, Quat, vai ser o primeiro a saber." Seu tom não dava espaço para discussão.

"'Tá certo," suspirou Quatre, percebendo não chegar a lugar algum o confrontando agora. Sentia a teimosia vinda do outro e decidira dar-lhe espaço para se acalmar. "Venha... vamos fazer uma fogueira e ver se conseguimos fazer uns marshmallows com as barras de proteína e leite em pó," brincou, descendo o morro.

Duo riu contido, seguindo. "Usar a barra de proteína é... nojento!"

"Ah, mas até que tem aquela cobertura de chocolate..."

"Na verdade, é uma cobertura tipo-chocolate sintético de sabor artificial," Duo ressaltou, o típico humor gradualmente substituindo a tensão.

Quando retornaram ao acampamento, Duo parecia ter voltado ao normal, brincando e provocando seus companheiros como sempre. Evitou Heero sem deixar óbvio e ajudou Carter a fazer uma grande fogueira, o que fez surgir a pergunta se ele já fora acusado de incêndio criminoso. Sorriu malicioso e assegurou Carter de que não... era apenas uma habilidade em desenvolvimento.

Por fim, eles realmente cozinharam em volta do fogo, e Quatre notou o apetite baixo de Duo. Pensando nisso, o rapaz de trança não comia com seu voraz apetite a semana toda, deixava sobras mesmo dizendo estar morto de fome antes. Considerando seu estado emocional, não era de se surpreender, mas o loiro se preocupava mesmo assim.

Então, após limparem tudo, sem encontrarem marshmallows, Quatre achou pó de cacau no pacote de suprimentos e misturou com leite em pó e água para fazer uma bebida relaxante noturna.

Finalmente enrolados nos sacos de dormir, Duo fez questão de estar ao lado do amigo loiro, e essa segurança foi suficiente para dormir tão rápido quanto os outros.


A viagem de volta foi rápida e, na metade de sexta-feira, estavam no acampamento. Após o almoço e de banho tomado, tiveram aula de engenharia básica de móbile suits.

Entre a aula e o jantar, Trowa quis ir ver seu adorado Nanashi, e os outros o acompanharam. Até mesmo Heero parecia se compadecer com o grande cachorro amigável.

Participaram de um jogo de frisbee, com Nanashi alegremente saltando para pegar o disco de plástico fazendo-os correr pelo campo.

Sem fôlego e exaustos, sentaram-se para descansar e Nanashi passeava entre eles colecionando carinhos e abraços de todos os quatro.

Duo olhou ao redor da cabeçorra do pastor, um braço jogado no pescoço peludo. "Tro', esse é o melhor cachorros de todos, sabia?"

"É, eu sei," Trowa sorriu genuinamente, relaxado. "Queria que fosse meu."

"Ainda bem que pode vir vê-lo enquanto estamos aqui," Quatre falou.

A expressão de Trowa era saudosa. "É, o K está sendo muito legal em me deixar passar tempo aqui."

Duo o olhou alerta. "Falando nisso, Tro'." Franziu profundamente o cenho. "Kushrenada não faz nada sem razão. Ele está armando uma."

O artista circense rodou os olhos. "Só porque você não consegue lidar bem com ele, Maxwell-"

"Não consigo lidar com ele...?" Duo ecoou. "Puta que o pariu, Trowa, o desgraçado tentou me eletrocutar no primeiro dia aqui! Ele é um filho da puta vingativo!"

"Não do meu ponto de vista."

"Então talvez você devesse olhar por outro lado," Duo continuou. "De algum lugar mais próximo da realidade!"

"Ei, vocês dois, parem!" Heero ordenou com um olhar ameaçador. "Esse argumento é sem propósito."

"Concordo!" Quatre se intrometeu. "Por que vocês dois não deixam isso pra lá?"

"Eu adoraria," as palavras de Duo eram frias, ele ainda acariciava as orelhas do cachorro. "Mas Trowa precisa abrir os olhos e ver o manipulador que K é."

"Você é paranóico, sabia?" Trowa rosnou. "Ele te fez de exemplo, e daí? Você que começou fazendo piadinhas."

Os olhos índigo se arregalaram. "Eu comecei? Que merda, Trowa, você ouviu tudo o que ele falou! Ele estava atrás de mim desde que me viu."

"E por que, Maxwell?" Trowa o acusou com os olhos verdes. "O que você fez pra ele?"

"Eu? Pra ele?" Duo gaguejou ultrajado. "A primeira vez que me prenderam, desceram o cacete em mim, Barton. E ele ajudou!"

"'Tá, mas você não disse por quê!" Trowa pressionou.

"Porque ele achava que eu tinha matado alguém!" Duo revelou, a voz cortante.

Silencio caiu sobre eles, Heero e Trowa viraram-se surpresos para Duo.

Os olhos índigo caíram no chão, o dono deles abraçou o cachorro.

"Matou?" Trowa perguntou, tão friamente quanto a resposta dada anteriormente.

Duo enrijeceu-se.

"Oh, Trowa," Quatre suspirou, incrédulo.

Duo ergueu-se lentamente, inflamado. Deu um passo de encontro ao moreno mais alto, punhos cerrados. "Retire o que disse, Barton."

"É só uma pergunta, Maxwell. Responda."

"Vai pro inferno!" Duo rangeu os dentes. "Acha que eu matei alguém?"

"Você não negou... é por que não gosta de mentir?"

"É porque essa pergunta não merece uma resposta," Duo rosnou.

"Barton... Maxwell..." a voz de Heero era baixa, um tom distinto de advertência. "Parem com essa briga inútil."

Trowa ficou carrancudo, estalando os dedos para Nanashi vir se enrolar ao seu lado. "Não estou brigando, Yuy. Só fiz uma pergunta."

"Uma pergunta que não tinha direito de fazer!" Quatre exclamou em choque. "E você sabe a resposta, Trowa. Eu sei que sabe!"

O rosto de Duo estava avermelhado de raiva, encarando o rapaz do circo com distinto ódio. "Não, Barton... nunca matei ninguém," respondeu, quase num sussurro congelante. "E você pode ir se foder!" Virou-se e saiu, a fúria evidente em toda a sua postura.

Nanashi o acompanhou, aparentemente alheio as palavras carregadas de ardor. "Nanashi, junto!" O cão voltou, trotando para o lado de Trowa.

Quatre rapidamente se levantou, olhando com descrença para o moreno alto. Franziu a testa para Heero. "Eu vou com Duo," afirmou. "Fale com Trowa, por favor."

"Hn." Heero assistiu o loiro se retirar e voltou seu olhar penetrante para o companheiro. "Por quê, Barton?"

Trowa não conseguiu encontrar o olhar intenso e disfarçou seu desconforto passando os dedos pelo pêlo de Nanashi. "Eu não queria... acusá-lo daquela forma. Saiu sem querer," admitiu.

"Você ficou com raiva por ele falar mal de Kushrenada."

"Não é culpa minha, Yuy. Amo animais, e o K está sendo tão legal para me deixando ficar por aqui." Trowa ergueu o rosto com uma expressão dolorosa. "Não consigo odiá-lo como o Duo."

Heero assentiu em entendimento. "Mas não pode pedir para o Duo gostar dele."

"Eu... acho que não," Trowa suspirou. "Mas você tem que admitir, Maxwell parece paranóico quando se trata do Diretor. Quero dizer, você já viu o K fazendo algo com ele?"

"Não, mas você sim," Heero o lembrou.

O moreno de olhos verdes se avermelhou. Ele vira Kushrenada fazer Duo se aproximar da cerca e causando o choque. E ele não se surpreendera com o roxo na face do rapaz infligido pelo mesmo homem. "Acho que sim," aceitou.

"Você não quer que essa rixa te faça ser banido do canil," o líder notou.

"Não." Trowa olhou para o colega longamente. "Significa muito pra mim, Yuy."

"Mais do que o respeito do seu time?" Heero questionou.

Com isso, Trowa hesitou. Ele não planejara começar um ataque verbal com Duo. Mas ouvir o outro rapaz condenando o carcereiro que fora generoso com ele levantara sua ira. "Eu vou... conversar com ele... depois."

"Acho que deveria," Heero concordou. "Talvez se ele entender o quanto os cães são importantes para você, ele não considere sua relação com o Diretor uma ameaça."

"Ameaça?" Trowa perguntou surpreso. "Por que seria?"

"É melhor perguntar pro Maxwell." Deu de ombros. "Talvez ele seja mesmo paranóico quanto ao Kushrenada. Talvez ele tenha razão para ser. Ou talvez não. Não os vi interagindo ainda."

"Eu vi. E eles realmente se odeiam com paixão," Trowa notou.

"Obviamente, se Kushrenada acha que Duo matou alguém, ele quer vê-lo ser punido."

Trowa suspirou, olhando nos olhos castanhos de Nanashi. "Mas Duo disse que não matou, e eu acredito nele."

"Eu também," Heero completou. "Acho que devemos dizer isso a ele."


"Não acredito que ele disse isso!" Duo reclamou, andando de um lado para o outro no quarto, com Quatre o observando ansioso.

"Eu sei, Duo. Ele realmente não percebe como o Kushrenada pode ser manipulador. Quero dizer, ele chegou a me ameaçar se eu não encontrasse algo pra ele usar contra você." Balançou a cabeça. "Talvez eu devesse contar isso pro Heero e pro Trowa."

Duo parou. "Sei não... talvez fosse melhor." Ele jogou as mãos para o alto exasperado. "Eu sei que aquele maldito está aprontando alguma. Ele não é o tipo que aceita 'não'." Esfregou a testa, fechando os olhos. "Entre a merda dele e a do Yuy..."

"Quer falar sobre isso?" Quatre perguntou com cuidado. Você mencionou a típica birra Maxwell-Yuy, mas parece um pouco mais... hum... intenso do que o normal." Os olhos azuis claro estavam cheios de preocupação. "Ele fez algo no domingo?"

Duo virou-se para Quatre alarmado. "P-por que pergunta?"

"Desde que Trowa e eu voltamos da sala de visitas, você está tenso." Ele apontou para o amigo. "Olha pra você... mal come, o que é bem estranho... biscoitos caninos não contam... mal dorme..."

"Eu... nós... tivemos um desentendimento, por falta de palavra melhor." Suspirou frustrado. "Tem algo que precisamos resolver, mas..."

"Faça," Quatre comandou. "Se não pelo bem do time, faça pela sua sanidade. Você está acabado. Precisa mesmo resolver o que quer que esteja entre Heero e você."

"Eu sei," Duo concedeu. Não conseguiu evitar um fraco sorriso ante a percepção de Quatre. Sua sanidade estava em grave risco se Heero continuasse balançando o anzol por muito mais tempo. Só esperava que a empatia de Quatre não percebesse a natureza de seus pesadelos; jamais seria capaz de explicar.

"Que tal irmos jantar e nos preocupar com isso depois?" o loiro sugeriu, pressentindo Duo precisar de uma folga do estresse emocional.

"E Yuy e Barton?"

"Eles são grandinhos. Podem nos encontrar no refeitório. Ou não," deu de ombros. Esticou uma mão convidativa. "Vamos. Quero te ver comendo descentemente essa noite."

Duo suspirou, erguendo um sorriso cansado. "Claro, Quat. Por você, qualquer coisa."


Continua...


Nota de rodapé

Substituições:

[1] S'more: biscoito recheado de marshmallow com um pedaço de chocolate. Tradicionalmente tostado na fogueira, comum em acampamentos.

[2] Kumbaya: música espiritual Afro-Americana, popular em acampamentos.

Espero que todo mundo já tenha escutado (de preferência, cantado num acampamento): Tinha uma banana no meio do caminho... escorreguei... caí no espinho... doeu, ai, doeu, aiaiai... fez dodói no meu bumbum, tibum tibum...


Resposta aos comentários:

DW03; Olá, menina! Pois é, Trowa me irrita ainda mais do que o K nessa fic . O Heero confunde todo mundo com suas atitudes, mas acho que quem está confuso mesmo é ele XD Espero que goste desse capítulo! Pode considerá-lo dedicado a tu!

MaiMai! Que bom ler um recado seu por aqui! Nem me lembre de jogo, o nosso foi esquecido nas profundezas XD Obrigada pelo comentário! Espero que continue acompanhando. Beijão!

Jubs-AF; Olá! Huahuauhua adorei sua comparação com 'O Grito' XD Pra você não ficar tão ansiosa assim, aqui está um novo capítulo saído do forno. Muito obrigada pela motivação! Pode ter certeza que ajudaram. Beijos!