Tudo aconteceu muito rápido. Rápido até demais.
A guerra tinha acabado. A batalha final foi travada e vencida pelo lado do bem. Voldemort havia sido derrotado.
O mundo bruxo finalmente estava livre daquele mal que o atormentava.
O resto dos Comensais, que não foram mortos em campo de batalha, foram mandados para Askaban.
Agora podia-se perceber um clima de paz e tranquilidade.
Mas é claro que também havia tristeza, pois as perdas deixadas pela luta foram grandes.
O castelo estava quase todo destruído. Muitos alunos feridos, outros se foram para sempre, mas claro que cada um fora marcado na história como herói.
Fred, Lupin, Tonks, já não estavam lá para comemorar a vitória.
Rony viu Lilá ser morta pelo lobisomem Grayback, o que o fez ficar possesso de raiva na hora. Ele podia não gostar de verdade dela, mas tinha um ligação com a garota.
Harry, mais uma vez, havia sobrevivido a uma maldição da morte, e graças a Narcisa Malfoy, ele havia conseguido voltar da Floresta Proibida para conseguir terminar o plano e matar seu inimigo.
Ele repassava mentalmente que deveria agradecer a ela depois.
A visão mais tranquilizante que o menino-que-sobreviveu-novamente tinha visto na vida era aquela: o corpo de Lord Voldemort estendido no chão sem vida.
Aquilo sim era uma garantia de que tudo melhoraria dali para frente.
– Sabe professor, depois de todos esses anos, depois de cada batalha que passei, nada se compara a essa última.- Harry dizia para o velho com barba grande e prateada assim como seus cabelos.
Ele estava sentado em sua cama no dormitório da Grifinória olhando para um ponto no horizonte além do vidro de uma janela remanescente.
– Achou que não fosse sobreviver a mais essa pequeno Harry?.- a voz risonha de Alvo atravessou o quarto e essa pergunta fez o moreno sorrir levemente.
– Eu nunca pensei que sobreviveria tanto, mas todas essas vezes que eu voltei para contar a história se deve as ajudas que eu tive. Devo tudo aos meus amigos.- virou o rosto para o diretor, que agora estava bem mais perto.- Ao senhor também.
– Não que tenha sido a coisa mais fácil que fiz na minha vida Harry. Sua vida teria sido diferente se eu tivesse me esforçado mais. E não foi fácil deixar você com os Durleys, porém era o que tinha de ser feito.
– Não importa mais professor. Já passou!..- o garoto deu um longo suspiro e se levantou.- Eu vou falar com o Ron e com a Mione, licença.
– Até.
Harry desceu as escadas atrás de seus amigos, mas apenas encontrou um Ronald entristecido ao lado dos irmãos. Gina, que estava ao seu lado, tina os cabelos bagunçados e os olhos vermelhos.
Ela deu um pequeno sorriso para o moreno e depois voltou-se para trás para a abraçar a mãe.
Então Harry decidiu deixar os Weasley com sua dor e sair procurado Hermione.
Mais ao longe viu o jovem Taylor conversando com alguns professores, oferecendo-lhes ajuda juntamente a madame a Ponfrey.
Enquanto caminhava pelo castelo em sua busca, ele colocou as mãos nos bolsos e sentiu um pedaço de pergaminho.
O Mapa do Maroto!
Como havia parado lá?
Desenrolou-o e tocou com a ponta da varinha.
– Eu juro solenemente não fazer nada de bom.
Passou os olhos por toda a extensão do mapa até virar uma parte e achar os pequenos passos e o nome da sua amiga Grifinória.
Ela estava no seu dormitório, nas masmorras, mas não era só ela.
Havia mais uma pessoa, a qual segundo o que mostrava o mapa, estava bem perto de Hermione.
Severo Snape!
– Achei que Voldemort fosse matar você. Fiquei preocupada!.- dizia uma Hermione nervosa enquanto passava a varinha por cima de um ferimento no abdômen de Snape.- E você ainda some Severo e me aparece assim, ferido.
Harry escutava atrás da porta do dormitório. Os dois nem ao menos se preocupavam em falar baixo, afinal todos tinham muitas coisas com o que se preocupar para se importar se uma aluna estava com um professor em seu quarto.
– Hermione, eu ja disse que não precisa se preocupar comigo. Só fui tentar ajudar a acelerar as coisas. Não queria que a batalha demorasse mais do que deveria e que mais gente se ferisse.
– Eu sei, mas isso não explica o fato de você sair numa missão suicida de acelerar as coisas.- a voz da loira era raivosa.
– Você deveria dizer isso ao Potter, afinal a vida dele toda foi uma missão suicida.- o mestre de poções revirou os olhos.- E por falar nisso, quando vai dizer a todos que estamos juntos? Não acho que eles vão aceitar que a melhor aluna de Hogwarts e heroína de guerra namore com o professor e ex-comensal da morte que todo mundo odeia.
– Eu não sei na verdade. Não me importo com o que vão dizer. Fico pensando no Ronald, ele estava estranho antes da batalha e ainda perdeu a Lilá.
– Não seja tola Hermione, o Weasley não gosta de você e terá que aceitar assim como os outros.
– Sim, mas...- a voz dela havia sumido.
– Mas o que? É o Malfoy? Sente algo por ele?.- Snape havia passado para o tom frio habitual.
– Você sabe o que eu sinto pelo Draco, mas nunca se compará ao que eu sinto por você. Eu te amo Severo.
Então a loira depositou um beijo nos lábios finos do homem a sua frente e Harry saiu a passos largos do corredor frio das masmorras.
Ele tinha ido agora para perto do lago. Seus amigos estavam ocupados com suas coisas e ele estava sozinho e ele sempre seria sozinho. Seus pais , não estavam mais com ele, seu padrinho havia sido morto. Nem mesmo Edwiges estava com ele, ela também havia sido morta.
Depois de todo o sentimento de tranquilidade e felicidade veio a dúvida.
O que vou fazer da minha vida agora?.- perguntou-se mentalmente.
Seus olhos marejaram, os olhos muito verdes, iguais aos da sua mãe.
– Refletindo sobre a vida Potter?.- Harry conhecia muito bem aquela voz arrastada, mas ela beirava um sussurro rouco.
– Não estou com paciência para suas provocações Malfoy. Se foi o que veio fazer pode ir embora.
Mas então lembrou-se de Hermione e da conversa dela com Snape. Ela gostava de Draco também. Lembrou-se também de Narcisa, então reconsiderou a presença do rapaz da Sonserina.
– Pode ficar tranquilo Pott.. Harry.- o loiro vacilou ao dizer o nome do moreno que se assustou ao ver que ele se sentava ao seu lado.
– Você sabia que Hermione estava namorando com Snape?.- Harry perguntou cuidadoso.
A expressão de decepção povoou o rosto pálido e angular de Malfoy.
– Sim testa-rachada.- ele deu um sorriso meio fraco.- Ela, bom, preferiu ele a mim. Não que eu seja uma boa escolha pra ela, mas eu gosto dela.
O pescoço do moreno virou mecanicamente e uma enorme "O quê?" estava estampado na sua cara.
– Esse mundo está mais maluco do que nunca!.- o Grifinório exclamou e soltou um suspiro pesado.
– O que pensa em fazer agora? Depois que tudo acabou.
As águas do lago se mexiam lentamente. Escuras e geladas. Uma brisa fraca soprava.
– Aproveitar a vida que nunca pude ter. Uma vida calma, pelo menos eu espero.
Tudo o que se ouviu depois foi apenas um sorriso de desdém do garoto ao lado e ele sussurrando uma pequena frase.
– Boa sorte com isso!
