Boot Camp

Por: Snowdragonct

Tradução: Aryam


Campo de Treinamento

Capítulo Trinta: Fuga e Evasão

"Trowa, você não tocou na sua comida," Quatre notou preocupado.

"Sem fome," o acrobata deu de ombros. "Só estou... nervoso. Tenso."

"É, dá pra perceber," o loiro murmurou. "Por quê?"

O rapaz mais alto balançou a cabeça. "Não sei. Talvez seja toda essa sorte que andamos tendo essa semana. E agora Maxwell e Yuy estão em pé de guerra de novo e temos atividade em grupo amanhã." Uma expressão incomodada tomou seu belo rosto. "Tenho um mau pressentimento, Quatre."

Os olhos verde-azulados se suavizaram. "Você parece mesmo... chateado, desde que falou com o Diretor. Não tem nada errado com Nanashi, né?"

"Não!" O moreno exclamou, sentindo uma pontada de medo e culpa. Sem saber o quanto o loiro realmente conseguia captar de emoções, tentou reprimir o pavor que Kushrenada deixara nele. "Tudo ficará bem no domingo," assegurou-o, fechando os olhos cansadamente. "Assim que a Catherine levar o Nanashi, vou poder descansar em paz." E te contar o que houve e porque precisei trair o time. Por favor, Quatre, entenda!

O loiro podia perceber que algo estava errado... muito errado com o amigo. E ainda podia perceber que envolvia Nanashi. Contudo, a única explicação provável era existir a possibilidade de a adoção dar errado e obviamente Trowa não queria falar sobre isso.

Pousando uma mão reconfortante no moreno, abriu um sorriso forçado. "Se quiser conversar sobre o que está te preocupando, ficarei feliz em ouvir, a qualquer hora."

Trowa assentiu, desviando o rosto e engolindo seco. Foi um alívio ver Heero chegar com uma marmita para levar a Duo. O ex-artista circense não queria ficar a sós com a natureza empática de Quatre.

"Acha que ele vai comer, Yuy?" perguntou, duvidoso. "Ele vai é jogar na sua cara."

"Provável. Por isso Quatre é quem vai entregar," o líder respondeu prontamente, entregando a sacola para o incumbido da missão.

O loiro deu de ombros. "Duvido que ele vá comer, mas pelo menos acho que não vou acabar usando a comida como chapéu como seria o seu caso." Sua tentativa de humor foi pouco eficaz, uma vez que todos eles sentiram o grande abismo se formando no time.

"Eu fiz merda!" Heero assumiu raivosamente. "Mas tenha dó, ele tem dezessete e é da rua. Tem que ter a capacidade de superar uma bobagem!"

Os olhos de Quatre arderam em chamas e ele se levantou lentamente, inclinando-se para sussurrar para o líder. "Ele teria se não estivesse apaixonado por você, seu babaca insensível!" Retirou-se do refeitório carregando a marmita e deixando seus dois colegas infelizes para trás.

"Não olhe pra mim," Trowa suspirou, encarando o copo de suco e desejando que fosse algo mais forte. "Estou tão fodido quanto você, Yuy."

Heero não entendeu o comentário, e Trowa se levantou, seguindo o caminho de Quatre. O líder pegou seu prato intocado e jogou a comida no lixo antes de seguir os outros dois.


Duo não reagiu ao retorno dos companheiros. Encontrava-se espalhado em sua cama, obstinadamente lendo as cartas de Hilde e Howard.

Quatre colocou a marmita em cima do baú do amigo. "Te trouxe algo para comer," falou baixo, abrindo um leve sorriso.

"Tá, valeu," foi a resposta apática.

"Vai precisar de energia," o loiro continuou, encostando o queixo no colchão de onde o outro se deitava. "Hoje à noite, temos o acampamento antes de cruzar o rio."

Duo assentiu com a cabeça, sem tirar os olhos do papel a sua frente. Agora, ao invés de ler, distraidamente alisava o papel.

Heero engoliu em seco com dificuldade, vendo o rapaz de trança com uma expressão tão perdida. Não era a primeira vez que sentia vontade de bater a cabeça na parede por pura frustração. Ao invés disso, sentou-se na frente do laptop e ligou-o, tentando se concentrar na tela e falhando miseravelmente.

Trowa foi para a sua própria cama, estirando-se e olhando para o teto, esforçando-se para não pensar na ameaça do carcereiro contra Nanashi, e no que ele precisava fazer para evitar se tornar realidade.

Quatre colocou as mãos na cabeça. "Alá! Não posso aguentar vocês três!" Saiu batendo os pés, fechou a porta com força e se sentou nos degraus, onde o turbilhão de emoções era menos avassalador.

Heero se virou para Duo, ainda encarando a carta, olhos semicerrados aparentando raiva, mas úmidos, com lágrimas ameaçando escorrerem.

"Encontre outra coisa pra incomodar, Yuy," Duo rosnou, perturbado com o olhar fixo em si. Sua voz era grave... rouca de tanto gritar obscenidades no travesseiro, Heero jamais ouvira tão fria.

O líder abriu a boca, procurando algo para dizer. Entretanto, nenhuma desculpa traria de volta a vivacidade nos belos olhos índigo e, de repente, percebeu o quanto sentiria falta. Seus próprios olhos se umedeceram, mas piscou com força, desviando o rosto do outro rapaz e se voltando para o laptop.

Trowa soltou uma risada curta, sem humor, rolando para ficar de frente para a parede, resmungando o quão perturbados todos eles eram.


O Cabo Carter encontrou Quatre ainda sentado nas escadas, tolamente esfregando uma mão no peito, como se sentisse dor. "Você está bem, Winner?"

"Tão bem quanto posso com o meu time em guerra," suspirou.

"Maxwell ainda faz planos de assassinar Yuy?"

"Faz... de modos muito horrendos, sem dúvida."

"Não o culpo," Carter admitiu, sentando-se ao lado do rapaz. "Foi bem baixo, o que Yuy fez."

"Mas evitou o Duo de quebrar o pescoço do Kyle e ir para a cadeia," Quatre concedeu.

"É uma visão otimista." O soldado perdeu a atenção no horizonte. "É certo assumir que Maxwell tinha – sentimentos – por Yuy, antes do acontecido?"

O loiro deu de ombros, não querendo revelar demais. Já se arrependia de ter revelado para Heero sobre os sentimentos do amigo, não tinha a liberdade de contar.

"Se fosse o caso," Carter pressionou, "talvez ele encontre uma justificativa para Yuy ter feito o que fez."

"Ele é esperto. Vai dar um jeito," Quatre comentou. "A pergunta é se ele vai perdoá-lo."

"É," Carter deu de ombros. "Talvez eu comece uma aposta." O olhar chocado do loiro o fez rir. "Brincadeira, Winner. Só queria te arrancar um sorriso."

Os lábios de Quatre fizeram um esforço para se erguerem. "Desculpe, Carter, é tudo o que consigo."

"Você é um bom rapaz," comentou com franqueza.

Quatre bufou, cético. "Se fosse, não estaria num reformatório."

"Bobagem. Muita gente acaba em lugares piores por cometerem erros bobos." Recostou-se na parede. "Eu não era exatamente um exemplo quando tinha a sua idade."

O loiro conseguiu um sorriso quase genuíno. "É difícil pensar em você encrencado," falou balançando a cabeça. "Você é... sei lá, tão profissional."

Carter riu. "Não diria isso se tivesse visto minha classe graduanda no nosso campo de treinamento jogando sabão na fonte da Academia."

Dessa vez, Quatre riu junto. "Não conte para o Duo," alertou, "vai dar ideias a ele."

"Acho que ele já está cheio delas," Carter considerou. "E assim que o orgulho dele sarar, vai voltar com suas pegadinhas." Levantou-se e se espreguiçou. "Vem... vamos aprontar os seus companheiros para sair. Partimos em uma hora para o acampamento."

Quatre abriu a porta para encontrar o quarto quieto como um túmulo, a não ser pela digitação de Heero.

Carter assobiou. "Para o time que ganhou todas as competições até agora, estão muito sombrios."

"Acho que estamos todos... cansados," Heero sugeriu.

"Temos uma caminhada de dezesseis quilômetros até o rio. Nesse ânimo, será um longo dia." O soldado se voltou para Duo, esperançoso. "'Bora, Maxwell, estou contando com você para animar as coisas."

Duo apenas o encarou friamente. "Vai se decepcionar," assim como eu.

"Ah, certo," o Cabo suspirou. "Oras, então não me dão escolha. Vocês têm quinze minutos para empacotar suas tralhas e se arrastarem para a pista de exercício. Movam-se!

Os rapazes se forçaram para arrumar suas coisas; troca de roupa, artigos de higiene pessoal, meias extras, casaco e sacos de dormir. Duo pegou o kit de sobrevivência do seu baú, rapidamente checando o seu conteúdo. Cerca de trinta segundos adiantados, estavam prontos e correram para a pista.

Todos os recrutas se reuniram em times, os soldados responsáveis por cada grupo, atentos logo ao lado.

"Malditas babás," o rapaz de L2 resmungou, lançando um olhar rancoroso para o monitor do time Faction.

"Calma," Quatre murmurou. "Você prometeu ao Chang, lembra?"

"Eu sei," respondeu carrancudo e analisou ao redor. "Nem tive notícia se o Jase está bem," falou por fim, começando a deixar de lado seu descontentamento com Heero.

"Lá vem o Chang. Talvez você possa perguntar."

Mas logo de cara, perceberam que não se podia mexer com o Capitão. Wufei carregava uma expressão tempestuosa.

"Mas que...?"

E a razão para sua raiva logo se tornou aparente. O Diretor Kushrenada e uma tropa de guardas armados se posicionavam com os soldados.

"Oh." Quatre atentou-se a interação entre Wufei e o carcereiro.

"O que foi?" Duo perguntou.

"Não acho que o Capitão esteja muito empolgado com Kushrenada e os guardas vindo junto," ponderou.

"Eu também não." Duo captou a mesma troca de olhares ameaçadores entre as duas autoridades. "Huh. Vai entender. Parece até que eles se odeiam."

"Por que será..." Quatre comentou.

O jovem de cabelos compridos abriu um sorriso maroto. "Os dois querem ser o 'alfa'," teorizou. "Provavelmente estão se bicando quanto à jurisdição. O K nunca gostou de compartilhar. E aposto como Chang também não."

"Bem, nós devíamos estar sob a supervisão do Capitão Chang."

Duo não se deixou enganar. "Se acha que K deixaria esse bando de meliantes sair do perímetro sem a supervisão dos seus capangas, você é mais doido do que eu."

Quatre estava aliviado em ver que seu amigo parecia estar melhorando. E, na verdade, ao começarem a marcha, o rapaz de trança se animou, fazendo companhia ao amigo loiro. Heero cuidadosamente evitava Duo, mantendo Trowa e Carter entre eles, dando espaço para o outro.


Os recrutas, soldados e guardas chegaram ao local do acampamento ao entardecer e todos ajudaram a montar a barraca que seria o "quartel general", organizando a área para a barraca de cada time e fazendo uma fogueira no centro da clareira. Até o pôr-do-sol, o cozinheiro preparava o jantar e cada um pegava a sua porção em turnos.

Kushrenada se manteve próximo ao Capitão, mas seus guardas desapareceram para cercar o perímetro. O oficial oriental soltava fumaça pelas orelhas, mas se manteve calmo, assegurando o carcereiro de que os recrutas não iriam fugir e ainda carregavam seus GPSs nos calcanhares. Com um sorriso cético, o Diretor deu de ombros e sentou-se na frente da sua barraca, os olhos astutos nunca deixando de vigiar os detentos.

Trowa ignorou a presença o quanto pode, evitando o olhar cúmplice. Claramente, Kushrenada iria monitorar a competição para se certificar de que o acrobata cumpriria com a sua parte. O rapaz tentou se manter distraído estendendo os sacos de dormir do time Wing.

"Você está bem?" Quatre perguntou ao seu lado.

"Ótimo!" Trowa respondeu mais ríspido do que o necessário. De imediato, continuou num tom mais ameno. "Quatre, por favor... não tente me analisar, tá?" Endireitou-se. "Só estou preocupado com o Nanashi e que o K possa mudar de ideia ou que algo terrível aconteça antes da Catherine chegar."

Duo ouviu a conversa baixa e se aproximou para dar um tapinha amigável no ombro do moreno alto. "Vamos, Barton, relaxa! Nada vai dar errado."

Já deu. Trowa suspirou profundamente. "Tá bom, Maxwell. Quando você virou um otimista convicto?"

"Desde que o Quat me contou o que a irmã dele trouxe!" respondeu feliz.

Mesmo sem querer, o acrobata sorriu. "Quer dizer que agora sabemos como subornar Duo Maxwell, é? S'mores*?"

O rapaz de trança deu de ombros, com um sorriso no rosto. "É incrível o que se pode conseguir com uma ou duas barras de chocolate."

"Fez você sorrir de novo," Quatre comentou feliz. "Que bom." E ainda assim, mesmo com o seu amigo voltando a ser quem era, o loiro não sentia menos mágoa vinda dele. Percebeu que Duo era um ator de dar inveja, brincando e rindo quando, na verdade, sentia-se miserável. Perguntou-se qual a frequência disso, mas, sendo um empata, ele bem sabia. Era a primeira vez que estava ciente de o amigo esconder seus sentimentos de tal maneira. Esperava ser a última.


Ao terminarem o jantar, boa parte dos times se reuniu ao redor da fogueira para tostar marshmallows, conversar e comparar anotações das competições. O tópico preferido era o simulador de Mobile Suit, o qual havia sido apelidado de "Missy**". A opinião era praticamente unânime de que era a coisa mais legal do campo de treinamento até agora. Mesmo aqueles que, nas palavras do Capitão "vomitaram até as tripas", ainda acharam excitante.

Enquanto Duo e Quatre caçavam os ingredientes para os s'mores, Heero e Trowa se colocaram perto do fogo. Não demorou para outros se juntarem a eles, oferecendo os parabéns pela performance do time até então e jogar conversa fora.

Quando alguém se sentou ao lado de Heero, um pouco mais perto do que ele gostaria, cumprimentou a pessoa com uma expressão de mau-humor. Sua breve esperança de ser Duo, pronto para conversar, extinguiu-se rapidamente ao ver Tom, do time Shoot.

"Ei, Yuy. Mandou bem na luta hoje," foi sua forma de saudação.

Heero grunhiu de modo reservado. Ao seu ver, tinha sido um grande desastre.

"Você deu uma sova no Norton."

Com o comentário, o líder do time Wing conseguiu se orgulhar. "Foi a melhor parte do dia," admitiu.

"Confesso que fiquei um pouco surpreso." Tom espiou por cima do ombro onde Duo e Quatre se aproximavam. "Hum..." ele franziu o cenho, baixando a voz. "Achei que Maxwell fosse... ahn... gay."

Heero o respondeu com um olhar nada amigável, erguendo uma sobrancelha e se perguntando para onde ia essa conversa.

Tom continuou como se alheio à expressão ameaçadora do jovem ao seu lado e do fato de que o protagonista do assunto estava próximo o suficiente para ouvi-lo, assim como Trowa definitivamente estava. "Mas quando você o beijou, ele pirou..." falou, perplexo. E então, gentilmente, pousou a mão em cima da de Heero. "Se Maxwell não está interessado, Yuy, eu estou."

O líder quase saltou do seu lugar, embasbacado, mas controlou seus reflexos, e encarou a mão por cima da sua, olhos arregalados. "Hum..." as palavras escaparam e ergueu o rosto bem a tempo de ver Duo os observando e se virando apressadamente. "Merda," murmurou para si mesmo.

"O que disse?" Tom perguntou, apreciando o líder a sua frente esperançosamente, sem notar Trowa, logo atrás, curvado para frente, ambas as mãos cobrindo o rosto e ombros chacoalhando denunciando a gargalhada silenciosa.

Não que o acrobata achasse que fosse realmente engraçado, mas a ironia da situação era demais.

Heero cuidadosamente retirou sua mão debaixo da de Tom, ainda mirando as costas de Duo. Porra, Maxwell, vira pra cá! "Hum, obrigado pelo... ahn... elogio, Tom. Mas eu, eu estou bem ocupado, sendo líder e tal."

"Ah é, sem tempo para vida social." Tom, aparentemente sem perceber a indireta, sorriu de modo reconfortante. "Me avise quando encontrar tempo," sugeriu.

Heero jurou ver os ombros de Duo ficarem tensos. Ele deve ter escutado tudo o que esse idiota do Tom tagarelou.

"Eu, uh, vou me lembrar disso," Heero respondeu, instantaneamente se arrependendo do encorajamento implícito. Merda, merda, merda! Levantou-se de supetão. "Tenho umas coisas para fazer, para a competição. Com licença." Deu um passo na direção de Duo, mas mudou de ideia e foi para os sacos de dormir, certo de que não conseguiria cavar ainda mais a sua cova se tentasse.

Tendo reprimido sua última risada, Trowa respirou fundo, limpando os olhos e, levantou-se também para seguir o líder. Irônico? Não, mais que isso... trágico.

Duo e Quatre se acomodaram um do lado do outro, com biscoitos organizados, chocolates no lugar e os marshmallows tostando em espetos. Além da dor de ter visto Tom dando em cima descaradamente do líder do time, Quatre detectava uma profunda melancolia vinda do amigo.

"Essa é uma das coisas mais legais que já fizeram por mim, Quat," o rapaz de trança falou baixo, sua expressão alegre substituída por um cansaço contemplativo.

O loiro se aqueceu internamente. "Você é o meu melhor amigo, Duo. Você merece."

O nativo de L2 balançou a cabeça. "Você tem sido um amigo melhor do que eu sou para você... com todos os meus balanços de humor, altos e baixos." Fixou os olhos índigo em Quatre. "Obrigado."

"Uma mão lava a outra," insistiu. "Você tem vigiado a minha retaguarda desde o primeiro dia."

"E você aguenta a minha chatice desde então," acrescentou. Voltou-se para a floresta escura além da luz do fogo. "Eu só... aprecio tudo o que tem feito por mim, Quat. Nunca se esqueça disso."

O loiro franziu o cenho, estranhando a escolha de palavras. Soava quase como um adeus. Mas antes de poder pedir explicação, fumaça começou a sair de um dos marshmallows e o pegou rapidamente para evitar ficar flambado. "Aw, torrou!" Após chacoalhar o doce até apagar a chama, analisou o exterior chamuscado. "Que pena, esse está arruinado."

"De jeito nenhum!" Duo insistiu, tirando o doce do espeto e meticulosamente retirando a camada negra. Com os dedos grudentos, colocou o que sobrou do marshmallow em cima de uma das barrinhas de chocolate e imprensou entre dois biscoitos. "Em L2, aprendemos a não desperdiçar comida," falou sabiamente, dando uma mordida.

Seu rosto imediatamente se acendeu em prazer, olhos fechados. "Caralho, que delícia!" exclamou de boca cheia. Virou-se para Quatre exultante. "Não sabia o quão bom realmente seria!"

"Quer dizer que nunca tinha comido?" o loiro perguntou surpreso. Quando o amigo balançou a cabeça em negativa, dando outra mordida, surpreendeu-se. "Mas você ficou falando disso da última vez que acampamos. Do jeito que descreveu como fazer, achei que era acostumado."

"Nunca fiz isso antes," lançou um olhar de esguelha para Quatre. "Mas sempre quis."

O loiro se impressionou, contente por poder proporcionar esse momento para Duo.

O jovem de cabelo comprido colocou o último pedaço na boca, mastigou e engoliu, e repentinamente agarrou Quatre, dando-lhe um abraço. "Não sabe o quanto isso significa pra mim," sussurrou na orelha do amigo, a voz claramente embargada.

Quatre retribuiu o abraço, não precisava ser empata para perceber que o amigo precisava ser reconfortado. "Tanto quanto sua amizade significa pra mim," respondeu gentilmente.

Duo se afastou depois de um tempo, esfregando as mãos grudentas na calça um pouco envergonhado, examinando o chão até se recompor. "Eu amo você, Quat," revelou discretamente. "Quero dizer, como amo Hilde e Howard... e como amei a Irmã Helen e o Padre Maxwell." Sua expressão se tornou sombria, mas não por completo. "Espero que isso não te assuste nem nada. Eu só... queria que você soubesse que você é foda."

Quatre corou furiosamente ante o elogio sincero, seus olhos se umedeceram. "Caramba, você sabe emocionar alguém, né?" brincou. E fitou os olhos índigo firmemente. "Tenho vinte e nove irmãs, Duo... e me sinto mais próximo de você do que de qualquer uma delas." Parou um momento e sorriu largamente. "Irmãos?"

"É... gostei," aceitou, acanhado. "Que tal brindarmos mais marshmallows e comer s'mores até vomitarmos?" propôs com uma risada, tentando aliviar o clima.

"Ou... que tal comermos até quase vomitarmos?" sugeriu.

Passaram a hora seguinte comendo e dividindo com os outros que apareciam para ver o que estavam fazendo. Quatre levou um pouco para Trowa e Heero, ambos receberam apenas para agradar o companheiro, nenhum dos dois com apetite.

Era tarde quando o Capitão Chang fez sua ronda, encorajando (leia-se: ordenando) a todos irem dormir e descansar. Quando percebeu a luz da lua refletida nos olhos azuis de Heero, encarando o céu sem nuvens, o chinês suspirou e balançou a cabeça. Sabia o quão profunda eram as emoções do amigo e sabia que o seu melhor recruta continuaria a se recriminar pelo incidente da luta a noite toda.


Pouco depois da meia noite, Heero acordou assustado. Esquadrinhou ao redor, aproveitando-se do leve brilho do fogo para averiguar qualquer coisa errada.

Quando fitou o saco de dormir de Duo, estranhou, achando que tinha algo... errado.

Saindo silenciosamente do seu saco de dormir, aproximou-se para checar seu companheiro e não o encontrou. No lugar de uma pessoa, encontrou o kit de sobrevivência e uma muda de roupas, mas sem sinal de uma trança castanha.

"Merda!" sibilou, investigando entre as árvores por sinal de movimento. O que diabos Maxwell está fazendo? Essa gracinha pode mandá-lo para L2 num piscar de olhos! Seguindo essa linha de pensamento, chegou à conclusão de que essa provavelmente era a intenção de Duo. "Filho duma-" Heero examinou as pegadas de botas na grama orvalhada e foi em busca de seu colega errante.

Esquivou-se dos guardas escondendo-se nas sombras das árvores. Seguiu a trilha inevidente por alguns metros adentrando-se mais na floresta até finalmente distinguir um movimento nas pedras na beira da cachoeira. A silhueta de Duo era refletida na água pela luz da lua batendo em suas costas, ele se sentava na rocha, curvado sobre algo que ocupava sua atenção.

Quando Heero se aproximou, percebeu que ele mexia na tornozeleira. Na verdade, ouviu Duo comemorar com um triunfante "isso!" ao removê-la, recolocando o seu grampo no cabelo em seguida.

"Que porra é essa, Maxwell?" intimou, esquecendo-se de que o outro estava enraivecido com ele.

Duo endireitou-se rapidamente, mas a culpa cruzou suas faces apenas de modo transitório. "O que você quer, Yuy?"

"Quero saber o que está fazendo," Heero rosnou, aproximando-se e aprontado para o aparelho sendo segurado frouxamente pelo jovem à sua frente.

"O que parece?" retrucou, erguendo o queixo em desafio.

"Parece que você quer ir para a cadeia."

"Tipo isso," o jovem de trança deu de ombros, brincando com o GPS. "Estou dando no pé, Yuy. E, sim, se me pegarem, vou para a cadeia. A palavra chave é 'se'." Abriu um sorriso sacana. "Mas não vai ser fácil."

"Maxwell, perdeu a cabeça?"

"Recuperei," corrigiu num tom leve. "Finalmente recuperei meus sentidos. Esse lugar já deu o que tinha que dar." Duo jogou a tornozeleira para o companheiro. "Fala 'tchau' pro Quat pra mim," pediu, dando meia volta.

Heero pegou o seu braço no ato, desviando-se por pouco do soco que veio em sua direção. "Maxwell... me ouça!"

"Não, Heero! Estou de saco cheio! Já te ouvi demais. Acreditei no seu papo furado e você só tirou onda da minha cara!" Os olhos de Duo cintilavam, com raiva ou lágrimas Heero não pode identificar.

"Desculpa! Tá? Sinto muito, caralho!" Heero perdeu a compostura. "Eu me desesperei e não sabia mais o que fazer!"

"Você podia ter me derrotado de forma justa... ou acreditado em mim. Acreditado que talvez eu tivesse autocontrole o suficiente para lutar contra o Kyle sem perder a razão!" Duo deu um passo para trás, balançando a cabeça. "Mas você fez a sua escolha... e é tarde demais para se desculpar, Yuy. A cagada está feita. Já fui feito de idiota para durar a vida toda. Então volte para o acampamento e vá brincar de soldadinho com a sua tropa de brinquedo. Tenho coisa melhor pra fazer." Virou-se novamente e, mais uma vez, Heero o puxou.

"Não faça isso, Maxwell. Não jogue tudo o que você conquistou fora porque eu fui um cretino."

Duo se desvencilhou, esfregando o braço onde havia sido tocado. "O que eu conquistei, Yuy? Só fiz merda do começo ao fim. Chang me odeia. Kushrenada quer ver minha cabeça numa estaca. Jase foi espancado por minha causa e o meu time acha que eu sou um imbecil de primeira!"

"Não achamos não!" A voz de Quatre soou por entre as árvores, tendo ele seguido o líder quando sentiu pânico ao ver que Duo desaparecera. "Nunca achei isso de você, Duo, nenhuma vez!"

O jovem de L2 fechou os olhos, fortalecendo-se. "Me deixe ir, Quat. Não consigo mais ficar aqui. Eu quero... preciso sair."

"Não tem nada lá fora, Maxwell," Heero disse. "Só árvores, montanhas e rios. Pra onde vai?"

Contemplou além da cachoeira. "Fiz uma pesquisa, Yuy. A cidade é a uns dezesseis quilômetros daqui... praquele lado. Chego até o nascer do sol."

"E depois? Você não tem dinheiro, não tem identidade e está usando uniforme de presidiário. Acha que ninguém vai notar?"

Duo baixou o rosto, a franja encobrindo-o. "Sou rato de rua, Yuy. Me misturar é o que faço de melhor. Roubo algumas roupas de algum varal... passo a mão no bolso de alguém por alguns trocados ou peço dinheiro para uma mãe de coração mole." Planejou. "Na pior das hipóteses, vou pra esquina." Lançou um olhar frio para o líder. "Sou de L2 afinal de contas."

Heero se enfureceu com a ideia. "Você não é gigolô, Duo, nunca vai ser."

Duo agia como se não se importasse. "Vai saber. Às vezes, não importa o que se quer, mas o que se precisa... para sobreviver."

"Você não precisa se vender para sobreviver!" o líder insistiu. "Você é melhor do que isso."

Jogou a cabeça para trás, soltando uma risada amarga. "Você não sabe disso, Yuy. Você não me conhece."

"Mas quero conhecer."

A trança voou quando seu dono girou para focar um olhar ardente no outro moreno. "Vai se foder!" rugiu. "Já teve a sua chance." Deu um passo para frente. "Abri meu coração pra você, Yuy. Tudo o que você tinha que fazer era me pedir com esses olhos azuis e eu teria dito qualquer coisa que você quisesse saber! Eu teria feito qualquer coisa." Sua postura se tornou defensiva... circunspecta. "Mas você sabia. E tirou vantagem na primeira oportunidade."

"Desculpa," Heero pediu de novo. "Se eu pudesse voltar e deixar você ganhar, eu voltaria!"

"Até parece!" o nativo de L2 desacreditou. "Você mente pior do que eu, Yuy. Você ainda acha que está certo... e que valeu o preço pra ganhar de mim e lutar contra o Norton."

"Pra você não ir para a cadeira, porra!" Heero postou-se cara a cara com o adolescente raivoso. "E sim, você está certo. Eu teria feito de novo! Não me importo o quanto te machuquei, valeu a pena se te manteve fora da cadeia!"

"Você não tem ideia do quanto me machucou," Duo chiou, mantendo o olhar.

"Tenho sim," o líder refutou. "Quase tanto quanto machucou a mim mesmo."

Os olhos índigo se arregalaram e ele se afastou. "Não finja que o beijo teve qualquer significado pra você, Yuy. Não engulo essa." Tornou-se impaciente. "Está ficando tarde e tenho que me mandar."

Ao vê-lo se virar e acelerar o passo, Heero se voltou suplicante para Quatre, na esperança de que o empata pudesse contornar a teimosia.

"Vá atrás dele, Heero," o loiro incitou, em tom de aviso.

"Mas-"

"Vai!" Quatre mandou com firmeza e ansioso. "Vá agora ou não vai ter outra chance!" Podia sentir a indecisão do amigo de cabelos compridos e sabia haver uma estreita janela de oportunidade. Depois disso, não adiantaria mais tentar.

Heero literalmente correu atrás de Duo, alcançando-o enquanto subia o rio. "Duo, espera! Me escuta!"

"Nem pensar, Yuy!" falou por cima do ombro, acenando com desdém.

"Então você mente quando é conveniente!"

Duo parou abruptamente, encarando o outro. "Não minto, Yuy. Eu posso..."

"Tá, tá... correr e se esconder. Mas você prometeu que não o faria!"

Duo foi pego de surpresa. "Do que está falando?"

"Você prometeu," Heero o lembrou. "No outro dia, falou que não ia correr e se esconder. Falou que ia conversar comigo se tivéssemos outro desentendimento. E te peguei fugindo pra valer!"

A paciência do rapaz de trança diminuía perigosamente. "Difícil chamar o que aconteceu de 'desentendimento'," comentou de modo controlado. "Não tem discussão sobre o que você fez..."

"Mas e sobre o porquê?"

"Você já se explicou," repudiou. "Fim do debate. Fui."

"Eu fiz porque me importo com o que acontece com você!" Heero persistiu.

"Você fez porque não confia em mim."

"Fiz porque eu-" o líder parou, temeroso em deixar escapar o que estava na ponta da língua.

Duo interrompeu, no limite de seu ódio. "Não ouse!" advertiu, com mais medo das palavras prestes a serem ditas do que o próprio Heero.

"Por favor, fique."

"Yuy, seu desgraçado-"

"Fique e me dê uma chance de consertar a minha burrada."

"Não tem conserto."

Heero esticou uma mão para tocar o braço do outro, mas foi empurrada. "Por favor, não vá, Duo."

"Nossa, Yuy... desiste. Implorar não faz o seu estilo."

"Eu tiro a lama do seu cabelo sempre que quiser," ofereceu.

Duo se tornou ainda mais frio. "Você nunca mais vai tocar no meu cabelo ou eu quebro o seu braço em várias partes."

"Tá bom. Não toco mais," Heero concordou, quase estremecendo ao pensar em nunca mais ter a chance de passar os dedos nos fios sedosos. E pensar que achou poder se concentrar no campo de treinamento, pois depois teria todo o tempo do mundo para ficar íntimo de Duo. Mas agora... "Se voltar comigo, pode ser nos seus termos. É só ditar as regras."

O jovem de trança desconfiou. "Minhas regras? E se você não gostar?"

"Podemos... negociar depois," não queria exatamente dar a carta branca.

"Não gosto de como você negocia," reclamou.

"O beijo não foi uma negociação," esclareceu. "Foi um ato de desespero. Você estava acabando comigo e fiquei com medo do que você faria com o Norton, e com medo do que Chang faria com você."

"Por quê?" Duo questionou, mãos nos quadris.

Heero o observou com cautela. "Já te falei porque."

"Você me falou só o que achou necessário. Agora tente me dizer o que quero ouvir."

O líder fez cara de poucos amigos. "Se está esperando uma declaração de amor, Maxwell, esquece. Já te falei que não tenho certeza dos meus sentimentos por você." Sua expressão severa suavizou. "Só sei que tenho alguns."

"Alguns o quê?"

"Sentimentos."

Duo se mostrou claramente indeciso. "Yuy... sejamos sinceros. Está tudo uma bagunça agora. Seja lá o que estava começando... entre você e eu... foi pro espaço."

"Então o que quer comigo?" suspirou, esfregando a testa, cansado. "Quer que nossa relação seja profissional? Quer que eu seja um líder eficiente e nada mais? Eu posso... posso fazer isso."

"Eu não sei o que quero!" Duo exclamou exasperado. Seus gestos, frenéticos. "Quero fugir." Frustrou-se. "Mas... você está certo. Prometi não... não correr de você." Passou a mão pelo rosto. "Por que fiz uma promessa idiota dessas?"

"Porque você sabe que me importo," respondeu calmo. "E sinto muito por ter te magoado. Sinto muito por ter perdido sua confiança. E sinto ainda mais por ter estragado o que deveria ter sido o melhor beijo da minha vida."

Duo lhe deu as costas. Era muito mais fácil não acreditar em Heero quando ele não encarava aqueles olhos cheios de dor. Ah, droga, por que ele tinha que mencionar o beijo? Fora um beijo incrível. Tudo o que Duo fantasiara... até ele perceber ser uma mentira. "Você estragou tudo," concluiu. "Sabe por quanto tempo...? Ah, foda-se, deixa quieto."

"Vai voltar para o acampamento? Antes que o Chang descubra que estamos sumidos e mande nós dois para a cadeia?"

Duo riu com sarcasmo. "Ah-hã... até parece que o Chang vai te expulsar daqui. Você é a estrela dele. O 'soldado perfeito' sendo fabricado." Vislumbrou a sua tornozeleira que Heero ainda segurava. "Eu, por outro lado, sou o mau exemplo."

"Não é!" insistiu. "Chang se impressionou com você. O jeito frio dele é só fachada; sinceramente, acho que ele gosta de você."

O rapaz de L2 se mostrou descrente. "Claro. Quer me contar agora o que anda fumando, Yuy? Acho que quero um pouco. Deve ser legal viver no seu mundo de fantasia."

"Não estou brincando, Maxwell..."

"Duo," corrigiu, se adiantando intensamente. "Se eu voltar, quero que me chame pelo primeiro nome mais vezes. Não quero ser só mais um sobrenome que você grita quando está irritado, Heero."

O líder perdeu o fôlego quando notou a luz da lua batendo na face à sua frente, obscurecendo os olhos e acentuando o brilho na franja, seguindo a curva da maçã do rosto até chegar aos lábios virados para baixo, de modo depreciativo.

"O que você quer ser?" Heero, por fim, perguntou.

Amargura dominou sua expressão. "Bem que eu queria saber."

"Quando descobrir, me conta?"

"Quer dizer 'se', né?"

"Não," falou afavelmente. "Sei que cedo ou tarde, você vai saber o que quer ser para mim. E, só então, eu talvez saiba o que quero também."

"Só sei que não quero que você me faça de idiota de novo."

"Não vai acontecer. Prometo," Heero o assegurou.

"Não faça promessas que não pode cumprir," Duo aconselhou. Respirou fundo e aspirou. "Não acredito que te deixei me convencer. Vou voltar. Mas digo logo... se me zoar de novo, vou te fazer em pedaços, membro por membro." Passou perto o suficiente para o líder sentir a suave fragrância dos seus cabelos compridos.


Quatre esperava entre as sombras, onde Heero confrontara Duo. O loiro foi ao encontro deles quando os viu retornar e, embora estivesse sério, puxou o melhor amigo para um abraço.

"Nunca mais me assuste assim," pediu, pressionando o rosto no ombro do moreno de trança.

"Foi mal," Duo murmurou.

"Tem noção do que aconteceria se os guardas te pegassem? E sem a tornozeleira GPS?"

"Tenho, uma passagem só de ida para L2."

Quatre o encarou irritado. "Depois de toda aquela baboseira sobre sermos como irmãos, você teria ido embora sem nem se despedir?"

"Foi mal," repetiu, soando sincero.

"Então prove que se arrepende," Heero falou com firmeza, estendendo a tornozeleira. "Coloca isso de volta e vamos voltar logo antes que notem nosso sumiço."

Duo pegou o objeto, quase estremecendo quando seus dedos roçaram nos do outro rapaz. "Não sei se consigo fechar de novo," revelou incerto, examinando o aparelho de metal.

"Então cola essa bosta," Heero ralhou em tom baixo, atento aos arredores. "Usa um daqueles marshmallows que você tostou antes."

Duo o observou por um longo momento até finalmente rir. "Eles eram bem grudentos." Estudou seus dedos ainda um pouco melecados e distraidamente colocou um na boca, chupando o doce. Enquanto fazia isso, deliberadamente olhou para Heero de soslaio e abriu um sorriso malicioso.

"Puta que pariu!" Heero exclamou dolorosamente. Virou-se e seguiu caminho de volta para o acampamento, resmungando.

Quatre aprovou. "Você é mau, Duo."

"Um-hum," concordou. "E o senhor Yuy não perde por esperar." Lançou uma piscadela atrevida para o amigo e seguiu os passos do líder, deslizando silenciosamente debaixo dos narizes dos funcionários incompetentes de Kushrenada, retornando nas pontas dos pés para o seu saco de dormir.

Ao chegarem, Duo guardou o GPS em seu bolso, pensando em mostrar para o Capitão de manhã e dizer que estava com defeito. Não reparou que o kit de sobrevivência não estava onde ele deixara.

Continua...


Nota de rodapé:

* S'more: biscoito que se recheia com marshmallow e um pedaço de chocolate. Tradicionalmente tostado na fogueira, comum em acampamentos.

** Missy: significa "mocinha, menina", um trocadilho com a, aglutinação das palavras 'Mobile Suit Simulator'.