Boot Camp
Por: Snowdragonct
Tradução: Aryam
Trinta e três: Ganhando Tempo
Campo de Treinamento
Trowa estava pronto para ir ao centro de visitas muito antes da hora e até mesmo Heero percebeu seu nervosismo.
"Droga, Barton, para com essa inquietação. Nada vai dar errado a essa altura do campeonato," o líder afirmou.
"Ele está certo," Quatre concordou. "Alá, você está uma pilha de nervos." Franziu o cenho levemente, notando como a apreensão do amigo era desproporcional à situação. "Você está preocupado com o Duo também?"
"Estou preocupado com tudo!" Trowa exclamou. "Se a Catherine se atrasar? Se o K. mudar de ideia ou se o Nanashi fizer algo errado...?" Se o ônibus para o espaço-porto vier e for embora antes do horário de visita sequer começar... Balançou a cabeça frustrado. "Odeio isso!"
"Nenhum de nós está exatamente feliz agora," Heero falou secamente, franzindo o cenho como se tentasse desvendar qual pista misteriosa capaz de inocentar Duo teria passado despercebida.
"Vou para o canil," o acrobata anunciou de repente. "Pelo menos esperando lá, não vou perder a cabeça. Esse lugar é muito... claustrofóbico."
"Quer que eu vá com você?" Quatre perguntou.
"Hoje não," o moreno alto respondeu, conseguindo ser gentil. "Não quero você do lado daquele desgraçado do K."
Heero ergueu uma sobrancelha. "O que aconteceu com ele ser seu amiguinho, Barton? Vocês se davam tão bem."
Trowa deu as costas aos companheiros. "Ele não é amigo de ninguém! Muito menos meu!"
Piscando surpreso, o líder analisou desconfiado o outro moreno. "Ele te falou alguma coisa? Qualquer coisa sobre ter armado para o Duo?"
"Ele quase sacrificou o Nanashi," Trowa respondeu grosseiramente, tentando desviar o assunto. "É razão suficiente para odiar esse cara." Passou a mão pela franja nervosamente. "Se eu não tivesse pressionado tanto pela adoção, ele já teria matado o Nanashi sem pensar duas vezes."
"É por isso que você estava tão inquieto depois de ter falado com ele naquele dia?" Quatre perguntou suavemente. "Ele falou algo sobre o Nanashi, não foi?"
"Olha... eu tenho que ir." O acrobata saiu do dormitório antes de ser interrogado.
Quatre estranhou. O medo emanado por Trowa foi sobreposto por outra emoção que não conseguiu identificar de imediato. Era familiar... sentira antes, mas não parecia própria para a situação. Era quase como...
"A faca!" Heero proferiu abruptamente, olhos cintilando. "Merda! Estava na nossa cara o tempo todo!"
"O quê?"
"O jeito de provar a inocência do Duo!" O líder apressadamente pegou uma camisa limpa e correu para o banheiro para se lavar e trocar.
"Espera! Como?" O loiro o seguiu até a porta. "Como vai provar a inocência do Duo? E dá tempo?"
"Você vai ver e dá sim!" Segundos depois, Heero abriu a porta e correu para a saída. "Vou ver o Chang. Reúna o time do Jason e vá para o campo. Se você ver o ônibus, ache um jeito de quebrá-lo! Não deixe que levem o Duo antes de eu falar com o Chang!"
"Quebrar?" O queixo de Quatre caiu. "Como não vou deixar que levem Duo? Do que você está falando?"
"Vai logo, Quatre." Heero pegou o loiro pelos ombros, encarando os olhos verde-azulados. "Você é o estrategista do grupo. Ache um jeito de sabotar o ônibus." Incerteza passou pela expressão do líder. "Não sei se estou certo. Espero que sim. Mas se eu não conseguir provar a inocência dele, vou ajudá-lo a escapar!"
"Heero!" Quatre observou embasbacado o companheiro correr pela porta. "Mas que..." Olhou para os lados e pareceu acordar. "Merda, Winner, não fique de bobeira e mãos a obra!" Calçou suas botas e foi para o quarto do time Clip seguir as instruções do líder.
Trowa terminava de colocar a coleira em Nanashi quando Kushrenada entrou no canil, cantarolando.
"Que belo dia, Barton. Está ansioso para ver sua irmã?" o Diretor perguntou com uma expressão convencida.
O acrobata se virou com cara de poucos amigos para o homem. "Para com a palhaçada, K. Fiz o que você pediu e depois que a Catherine levar o cachorro, nossa parceria acaba por aqui. Não finja que somos amigos."
Os olhos fulvos se semicerraram. "Se é assim que quer." Deu de ombros elegantemente. "O ônibus para o espaço-porto acabou de chegar. Espero estar livre de Maxwell antes do horário de visita terminar."
A decepção deve ter ficado visível na expressão de Trowa, pois o Diretor sorriu friamente. "Você não achou que eu era burro o suficiente para deixar você ficar com o cachorro antes de ter certeza do destino de Maxwell, não é?"
"Claro que não," Trowa rangeu os dentes. Guiou o cachorro para fora do canil, mas Nanashi parou, rosnando para Kushrenada e, pela primeira vez, mostrou os dentes ameaçadoramente. "Calma," o acrobata murmurou, passando a mão pelas costas do animal. Não ajudaria em nada o cão demonstrar agressividade. O rapaz jovem de olhos verdes se virou para o carcereiro com um leve sorriso. "Cães são ótimos para julgar caráter." Passou pelo homem, levando Nanashi para se exercitar, soltando um suspiro.
Quatre estava quase no quarto do time Clip quando foi barrado por nenhum outro senão Kyle Norton.
"Você está com pressa, loirinho," zombou o detento. "Pra onde vai sozinho?"
"Não tenho tempo pra você," Quatre falou sem se abalar.
"Aw, claro que tem," Kyle retrucou com um olhar predatório. "Pelo jeito você não está com o bonitinho nem o líder metido a valente pra te dar cobertura."
O loiro se decidiu rápido e, sem qualquer aviso, deu um soco bem no nariz do valentão, derrubando-o no chão. "Eu te falei," falou entre os dentes. "Não tenho tempo!" Continuou a correr para voltar a sua missão.
Chegou ao quarto do time Clip já batendo na porta. Ben abriu surpreso. "E aí?"
"Heero me enviou. Ele foi provar para o Chang que o Duo é inocente, mas precisamos impedir que o ônibus leve ele embora!"
"'Tô dentro!" Ben anunciou sem pensar, virando-se para colocar seus companheiros a par da situação.
Logo, os quatro estavam reunidos nas proximidades do campo, observando o motorista e dois guardas ao redor do ônibus.
"Qual o plano, Winner?" Ben perguntou, casualmente se encostando a um edifício como se estivesse curtindo o sol.
Quatre falou baixo, "Bem... pensei nisso enquanto ia para o seu dormitório. Um pneu furado não vai atrasá-los muito, mas se conseguirem me ajudar a entrar debaixo do ônibus, acho que consigo furar a bandeja de óleo."
"Com o quê?" Adam perguntou do outro lado do loiro, observando os arredores.
"Hum... essa é a parte complicada," Quatre murmurou, olhando diretamente para o galpão de ferramentas. "Preciso de algo afiado e de metal... como uma chave de fenda ou uma sovela."
Ben sorriu lentamente. "Posso cuidar disso," assegurou confiante, tirando o que parecia uma caneta do bolso. "É do Jason. Ele me deu depois de começarmos a nos desentender com o time do Kyle... para proteção. Parece uma caneta, mas quando destampa..." foi o que ele fez, revelando uma ponta afiada de metal. A sobrancelha de Quatre se ergueu e o rapaz deu de ombros. "Ele disse que é um truque comum em L2."
"Não me importo de onde vem o truque, contanto que nos ajude a ganhar tempo para Duo," Quatre suspirou, pegando o objeto.
"Acho que o Jase gostaria disso," Ben sorriu.
"Certo... agora, uma distração," o loiro sugeriu.
"Pode deixar com a gente," Adam anunciou, inclinando-se para sussurrar algo para Ben.
O outro olhou para o amigo desconfiado. "'Tá me tirando?"
"Não. Vai funcionar!"
"Eu sei, mas..."
"Não vai ser tão ruim assim," Adam insistiu, fazendo uma careta.
Ben deu de ombros, balançando a cabeça. "Acho que é o que Jase gostaria que fizéssemos."
Adan sorriu. "Agora sim." Ele pegou a mão do amigo. "Vam'bora, gatão" falou com uma piscadela. "Hora do show."
Quatre observou tudo confuso. "Vocês são...?"
Ben negou com a cabeça. "Não... mas vamos fazer o que puder para ajudar."
"Uau," o loiro se admirou. "Vocês são amigos de verdade."
"Jase era um ótimo líder... e ele faria de tudo para ajudar Duo. Vamos, Adam."
Segundos depois, os guardas estavam tão entretidos assistindo dois rapazes atléticos dando altos 'amassos' entre dois prédios que se esqueceram completamente do ônibus. Inclusive, se afastaram do automóvel procurando um melhor ângulo de visão enquanto Adam subia a camisa de Ben e começava a beijar o estômago do outro rapaz subindo pelo peito.
Quatre não teve problema algum em deslizar para debaixo do ônibus sem ser visto, rastejando até encontrar a bandeja de óleo, onde abriu buracos o suficiente para que nenhuma gota ficasse. Um pneu atrasaria o ônibus cerca de uma hora, mas uma bandeja de óleo perfurada precisaria de uma viagem até cidade à procura de peças, assumindo que a certa fosse encontrada e, depois, a instalação da dita cuja.
Missão cumprida! Quatre comemorou, saindo debaixo do veículo e discretamente sumindo de vista.
Heero encontrou Wufei sentado à mesa, concentrado em uma corda e alguns objetos.
"Já conversaram com você?" o rapaz de olhos azuis perguntou com um leve sorriso.
"Bem que eu queria," o chinês reclamou. "Desculpe Heero. Falhei com você e com Maxwell." Balançou a cabeça derrotado.
"Talvez você precise de um novo ponto de vista," sugeriu, tentando esconder sua excitação. "Posso?"
"Vá em frente."
Heero pegou a corda e se concentrou na ponta cortada. "Hum. Parece que foi cortada até quase o final, mas não completamente..." Passou os dedos pelas pontas, confirmando suas suspeitas. "Foi o que pensei. Ela foi serrada por uma lâmina cega."
"E daí?"
"Cadê o canivete do kit de sobrevivência?" procurou pelos itens na mesa. "Do Duo."
Wufei pegou o canivete e o entregou para o líder do time Wing. "Aqui. Mas não sei o que espera encontrar. As únicas digitais são do Maxwell e as suas. E os canivetes dos kits são idênticos. Mesmo se outra pessoa cortou a corda, pareceria igual."
"Não necessariamente," Heero falou enigmático, abrindo o canivete, deixando a lâmina à mostra, passando o polegar cuidadosamente por ela. "Ahá!"
"O quê?"
Heero sorriu triunfante, devolvendo o canivete para o Capitão. "Duo reclamou da 'porcaria de faca cega' que nos deram. Wufei, ele afiou a lâmina!"
O Capitão Chang pegou a ferramenta e analisou o objeto atentamente, testando-a em uma folha de papel para averiguar o corte. "Você está certo!" Ele pegou outra corda e a dobrou, colocando a lâmina na dobra. Com uma única puxada forte, cortou-a com facilidade. "Um corte perfeito."
"Esse canivete não cortou a corda," Heero concluiu firmemente. "Então, quando o Duo sai da solitária?"
"Droga...!" O chinês mexeu em sua gaveta até encontrar um formulário. "Vou preencher a papelada agora mesmo, Yuy." Uma expressão de preocupação surgiu em seu rosto. "Vou ligar para o Merquise. Acho que o Diretor vai oferecer resistência. Preciso de algum tipo de vantagem e acho que meu superior pode ajudar. Com sorte, se o Treize não se esconder de mim, posso tirar o Maxwell das mãos dele até o almoço." Uma faísca de pânico se ascendeu em seus olhos negros. "A não ser que o ônibus já tenha chegado!"
"Não se preocupe com isso," Heero o assegurou. "Pode até ter chegado, mas não vai sair daqui se o Winner fez o que pedi."
"Mas como ele...? Ah, não importa! Conversamos depois." Abanou a mão num gesto pedindo para Heero sair e freneticamente preencheu formulários enquanto discava o vídeo-fone.
Com um sorriso satisfeito, Heero saiu do escritório em direção ao alojamento. No caminho, viu Norton andando em direção à enfermaria com as mãos cobrindo o nariz e um filete de sangue escorrendo pelo queixo. "Esse dia está cada vez melhor."
Trowa estava na sala particular de visita com Kushrenada em um canto observando Catherine entrar.
"Trowa!" ela cumprimentou alegremente, abraçando o irmão. Olhou com preocupação para o rosto fatigado dele. "Você está horrível. Está tudo bem?"
"Está," respondeu sombriamente. "Vai ficar."
Nanashi andou em volta da garota, rabo balançando, e ela se agachou para fazer-lhe carinho. "Ele é uma graça, Trowa. E pelo que você me falou, não teremos problemas para ensinar truques. Ele pode até virar parte do show no circo!"
Sorriu tristemente. "Bem que eu queria estar lá para ajudar... mas... talvez demore um pouco."
"Tudo bem," ela o confortou, ainda parecendo preocupada. "Estaremos esperando quando você sair daqui."
O carcereiro limpou a garganta, olhando para o relógio. Ele queria estar presente para testemunhar Maxwell ser arrastado até o ônibus e ver o marginal sumir de sua vida.
"Hum, é, eu tenho que ir." As mãos de Trowa tremiam ao entregar a coleira para a irmã. "Leve ele pra casa... e tome conta dele." Abraçou a irmã e sussurrou em seu ouvido. "Esconda ele. Se o Diretor tentar entrar em contato com você, diga que ele morreu. Prometa!"
Ela se afastou, confusa, mas concordou. "Prometo."
"A vida dele depende de você," falou baixo.
"Vou cuidar bem dele, mano... te amo." Ela se virou e levou o cachorro para fora do centro de visitas.
Trowa suspirou pesadamente, sem olhar para o Diretor ao sair. Precisou se conter em não começar a correr quando viu o ônibus parado no campo, mas continuou caminhando, olhando por cima do ombro para ver um grupo de guardas ao redor do veículo, entretidos com uma mancha escura no chão.
Ainda dá tempo! Se eu conseguir convencer Chang, dá tempo!
Finalmente, o acrobata correu, o estômago se retorcendo em nervosismo pela confissão que estava por vir. Eles nunca o perdoariam. O que temia mais era a expressão de Quatre quando ele contasse a verdade. O loiro o odiaria pelo que fizera com o melhor amigo dele. Inferno, eu me odeio pelo que fiz!
Quando entrou no quarto, sem fôlego e rosto avermelhado por causa da corrida, encontrou Heero, Quatre e os outros três rapazes do time Clip comemorando vitoriosos. Mas quê...?
"Ele conseguiu, Trowa!" Quatre cantarolou e se jogou para abraçar apertado o amigo mais alto. "Heero descobriu como salvar o Duo! Ele não vai para L2!"
O queixo do acrobata caiu. "Mas... como? Quando?"
O loiro riu, sem conter sua alegria. "Primeiro, me diga como foi com Nanashi."
"Foi bem," Trowa respondeu logo, deixando o amigo o puxá-lo para se sentar em uma das camas. "Quatre, como Yuy provou a inocência de Duo?" Precisava saber.
"O canivete," Quatre respondeu, como se isso explicasse tudo. "Duo afiou o canivete do kit de sobrevivência. Eu fui com ele."
"E como isso prova a inocência?"
Heero se aproximou com um raro sorriso no rosto geralmente sério. "A corda foi cortada por uma lâmina cega. Tem que ter sido outro time que nos sabotou, não Duo."
Trowa se encostou contra a parede, fechando os olhos com alívio. "Nem acredito." Ouviu as vozes excitadas trocando histórias de como distraíram os guardas, atrasaram o ônibus e salvaram o dia. Pouco depois, quando seu corpo sucumbiu ao cansado e dormiu pela primeira vez em dias, Quatre colocou sua cabeça no travesseiro e jogou uma coberta por cima dele.
Wufei passara boa parte da tarde se consultando com o Major Merquise e enviando documentos por fax. Tendo juntado todo o material necessário, foi até o escritório do Kushrenada, descobrindo que o carcereiro fora até a cidade acompanhar alguém da manutenção para arrumar uma peça para o ônibus. E, mais uma vez, ninguém estava disposto a permitir acesso ao Capitão para a solitária.
Quando Chang percebeu que o ônibus ainda estava na área, abriu um sorriso satisfeito. Heero tem um belo time mesmo... e serão ótimos pilotos de mobile suit. O militar decidiu ir pegar um rápido jantar e esperar pelo Diretor.
O céu escurecia quando o Diretor retornou. Enquanto o mecânico foi trabalhar no ônibus, Kushrenada foi direto para o seu escritório saborear a janta especial que preparara como comemoração pelo dia em que se livrara de Duo Maxwell.
Wufei finalmente encontrou o carcereiro comendo em sua mesa, uma taça de vinho na mão e um charuto aceso no cinzeiro. Ele parecia um gato contente após ter comido um delicioso canário.
Hm... parece faisão assado. Wufei se antecipou em estragar uma bela refeição. "Ah, desculpe interromper," falou por educação.
"Sem problemas, Chang," Kushrenada respondeu despreocupado. "Tudo bem. Na verdade, eu ia te ver assim que terminasse." Seus olhos se semicerraram. "Alguns dos seus 'recrutas' vandalizaram o ônibus. Encontraram dez furos na bandeja de óleo." Pareceu irritado. "Perdi a tarde toda procurando pela peça na cidade."
"Nossa, que pena," Wufei deu de ombros, tentando não sorrir. Mandaram bem, time Wing!
"Felizmente, uma loja tinha a peça e o ônibus vai estar funcionando a qualquer momento." Balançou um dedo na direção do Capitão. "Sugiro que aumente a supervisão desses marginais. Não queremos outro incidente como o do rio."
"Não teremos," Wufei falou friamente.
Kushrenada se endireitou na cadeira. "Que bom ouvir isso." Encarou curiosamente o oficial da ASMS, tentando entender o motivo da visita. Mas nada poderia arruinar o seu bom humor. "O que posso fazer por você, Chang?"
"Você pode cancelar o ônibus para o espaço-porto e me deixar levar Maxwell de volta para o alojamento."
A expressão de Kushrenada se fechou e o sorriso sumiu de seus lábios. "O seu senso de humor não é lá muito bom."
"Estou falando sério. Maxwell não cortou a corda."
O Diretor colocou ambas as mãos sobre a mesa, levantando-se e se inclinando para frente de modo intimidador. "Eu discordo, Chang. Ele foi o único a ter acesso à corda e ao canivete."
"Era o que parecia," Wufei reconheceu. "Mas o canivete ao qual ele teve acesso não pode ter sido o mesmo que cortou a corda."
"Faça-me o favor!"
"O canivete que estava em posse de Maxwell no kit foi afiado. Pelo jeito, o rapaz não tinha paciência com lâminas cegas."
"Isso não muda nada."
"A corda foi cortada, ou melhor, serrada por uma lâmina cega."
"Como sabe disso?"
"Eu comparei os cortes, está tudo documentado." Wufei balançou a cabeça. "Maxwell é completamente inocente."
Kushrenada bateu as mãos na escrivaninha, fazendo a refeição e os talheres tremerem. "É tarde demais, Chang! Já pedi pelo ônibus espacial, está esperando no espaço-porto. Não posso fazer nada!" Seus olhos cintilaram em triunfo.
"Você está certo," o chinês surpreendeu ao concordar e colocou um papel na mesa, ao lado do prato. "Já entrei em contato com os meus superiores, que contataram os seus superiores. Eles me enviaram por fax esses documentos que deixam Maxwell completamente em minhas mãos." Os olhos negros pareciam perfurar o homem mais alto. "Daqui em diante, qualquer determinação do destino dele cabe somente a mim."
"Não pode fazer isso!"
"Está feito." O Capitão lançou ao Diretor um olhar fulminante. "Quando descobri que o assassinato que está tentando acusar Duo era do seu irmão, discuti o assunto com o meu superior, Major Zechs Merquise. Ele concordou que sua objetividade está em xeque e foi arranjado que os seus superiores transferissem a supervisão de Maxwell durante o programa de treinamento para mim."
Kushrenada pegou o papel com mãos pouco firmes. "Não pode estar acontecendo..."
"Mas está." Wufei tinha a postura ereta e firme. "Além do mais, se eu tiver razão para questionar o modo que trata meus recrutas, agora posso sobrepor as suas ordens e revogá-las." Abriu um sorriso feraz. "Faria a gentileza de me mostrar a 'solitária'? Quero levar Maxwell de volta antes do toque de recolher."
Kushrenada encarava os documentos, as sobrancelhas juntas em uma careta de desgosto. "Próximo ao gerador," revelou. "A estrutura de concreto dentro do anexo."
"Pode ficar com essa cópia," o chinês falou, convencido. "Tenho muitas outras." Deu as costas ao homem e se foi, mantendo os passos estáveis, lutando contra a vontade de correr.
Quando viu o edifício afastado que mais parecia um abrigo antibombas, apressou-se, mas ainda se manteve controlado ao mostrar a papelada para os guardas lhe permitirem a entrada.
Duo não se incomodou em olhar para cima quando a porta se abriu. Estava sentado em um canto, sujo, maltrapilho e desanimado, os joelhos puxados até o peito e o rosto enterrado neles.
"Vai se foder," murmurou, encolhendo-se ainda mais na quina escura entre a privada e a parede.
"Maxwell?" a voz de Wufei soou surpresa quando viu o interior da cela. Tinha cerca de dois por dois metros, paredes de concreto, chão e teto de cimento. Não havia outra entrada para luz senão a que entrava pela porta. Não tinha espaço para uma cama, apenas um cobertor, no qual o garoto se enrolara. Além da privada, sem descarga — um balde era jogado diariamente — o cubículo estava vazio. "Pelos deuses!" Wufei exclamou, virando-se enraivecido para o guarda. "Isso é desumano! Como podem manter uma pessoa nessas condições, ainda mais um garoto?!"
"Desculpe, senhor," o guarda resmungou, sem convencer. "Solitária não foi feita para adolescentes. Foi feita para conter alguém perigoso demais para ficar com os outros. Não pode ter nada que possa ser usado como arma."
O chinês se ajoelhou na frente de Duo. "Vamos, Maxwell. Vou te tirar daqui."
O detento apertou o cobertor. "Me deixa," murmurou. "O ônibus para o espaço-porto vai chegar logo."
"O transporte não vai vir," Wufei contou. "Você foi inocentado de ter cortado a corda."
O jovem hesitou, espiando por cima do trapo que o envolvia. "Que coisa," sussurrou acidamente. "Te falei que não tinha sido eu."
"Eu sei," o Capitão concordou. "Mas você tem que admitir que as evidências apontavam para você."
"Vai pra puta que te pariu. Não tenho que admitir nada," rosnou.
Chang suspirou. "Desculpe por não ter acreditado em você," rangeu os dentes, convencido de que nada menos do que um pedido de desculpas convenceria o rapaz a se mexer. "Agora vamos." Agarrou Duo pelo braço e o puxou.
O rapaz sibilou de dor, afastando-se, e lançou uma expressão irritada para o Capitão. Foi quando Wufei viu os hematomas.
"O quê...?" Os olhos negros se semicerraram. "Quem te fez isso?"
O guarda rondando a porta foi rápido em se pronunciar. "Ei, o garoto ficou violento quando o guarda noturno veio entregar a janta. O Diretor K já investigou..."
Wufei avançou na direção do homem infeliz, por pouco não cedendo à vontade de fazer algo que se arrependeria. "Ah é? E pode me dizer no que deu a investigação?"
"O guarda só usou a força necessária para subjugar –" O guarda foi prontamente interrompido.
"Como um homem acha necessário espancar um moleque magrelo para subjugá-lo?" questionou perplexo com a voz elevada. "Ele ainda está algemado!"
"Oh, foram ordens. 'O garoto é perigoso, as algemas ficam', foi o que K falou."
"Me dê as chaves agora!" O Capitão tomou-as das mãos do guarda, rapidamente removendo-as dos pulsos finos e jogando-as para o lado. "Bando de bárbaros desgraçados!"
Duo mal reagiu. "Que diferença faz? Você sabe que o Diretor vai me colocar aqui de novo rapidinho."
"Consegue se levantar?"
Olhou para o chão e balançou a cabeça em negativa.
Wufei se virou para o guarda mais uma vez. "Traga a médica aqui imediatamente!"
"Mas precisamos da permissão do Diretor Kushrenada para... hum, sim, senhor." O protesto do guarda foi silenciado pela aura de ódio emanada de Wufei direcionada a ele. Bateu em retirada graciosamente.
"Sinto muito," Chang falou com verdadeiro remorso. "Eu não tinha ideia das condições..." acariciou gentilmente, de modo reconfortante, os pulsos feridos.
Duo manteve o rosto abaixado. O gesto de compaixão chegou perto de fazê-lo chorar; mais perto do que o sofrimento que passara na solitária; mais perto do que a brutalidade dos guardas; mais perto do que seus companheiros de time acreditando nas acusações. Engoliu em seco, tentando manter a voz estável. "Como descobriu que não fui eu?"
"Yuy me mostrou que você afiou o canivete. Ele comprovou que a corda foi serrada por uma lâmina cega."
"Heero?" o detento perguntou incrédulo. "Mas eu achei... Quero dizer, ele agiu como se eu fosse culpado."
"Por um momento, ele provavelmente achou que fosse," Wufei explicou calmo, ajoelhando-se no chão ao lado do jovem. "Mas logo que entramos no jipe, ele já estava insistindo que você era inocente." Pegou o queixo de Duo e o forçou a encará-lo. "Me conte, qual a situação dos seus ferimentos? E não me venha com lorotas, Maxwell."
"Sei lá," suspirou. "Acho que não tenho nada quebrado."
"O que, exatamente, o guarda fez?"
"Basicamente me encheu de porrada," deu de ombros, deliberadamente tentando evitar de olhar no rosto de Chang.
"Basicamente..." Wufei ecoou, capaz de preencher as lacunas, embora preferisse que não o tivesse feito. Rangeu os dentes. "Verme nojento."
"Não se preocupe," Duo murmurou cheio de amargura. "Ainda vou conseguir terminar a competição."
"Não é o mais importante..."
"Claro que é," rebateu, finalmente capaz de encarar o Capitão. "Você não estaria se desculpando se não precisasse de mim no time do Heero para ajudar ele a ganhar. Aí você vai ter o seu queridinho Heero Yuy na sua maldita escola militar." Soltou-se da mão de Wufei e virou o rosto para a parede. "Você está pouco se fodendo pra mim. Ou pra qualquer outro aqui."
O chinês estudou o rapaz na sua frente. "Eu não me importava mesmo. De início," confessou.
Duo soltou uma risada irônica, balançando a cabeça.
"Eu estava errado," Wufei insistiu. "Conheço Heero há um bom tempo e eu queria essa oportunidade para ele... Naturalmente, eu estava preocupado com as pessoas que colocaram no time dele."
"E achou que eu ia estragar tudo... de propósito."
"Você deixou claro que não se interessava em ir para a Academia."
"E não me interesso," Duo reafirmou. "Mas não é por isso que eu vou arruinar a chance dos outros." Os olhos índigo se semicerraram. "E eu não minto."
"Eu acredito. De novo, desculpa por ter duvidado."
Duo desviou o olhar novamente, desconfortável. "Que não se repita."
Naquele momento, Dra. Po chegou com sua mala médica. Seu cabelo estava molhado, pingando na camisa. "Qual a emergência, Chang? É melhor ser bom para me tirar do – minha nossa!" Ela parou ao lado da porta, rapidamente analisando a cela sombria. "O que aconteceu com ele?" Sem esperar a resposta, ajoelhou-se na frente do jovem, examinando o seu rosto, aflita.
"Aparentemente," Wufei começou friamente, "um guarda achou justificável espancar um 'criminoso perigoso', Doutora. Por favor, seja minuciosa no seu exame e ao documentar o caso."
"Não precisa pedir," ela rosnou. "Pode deixar."
Chang assentiu. Eles se entendiam. Recuou e deixou a mulher começar o exame preliminar, iluminando com uma pequena lanterna os olhos de Duo checando uma possível concussão, em seguida, gentilmente flexionando braços e pernas procurando ossos quebrados. Quando ela chegou às costelas, o rapaz estremeceu involuntariamente e foi onde ela focou sua atenção.
"Duo..." ela falou gentilmente, afastando a franja do rosto do rapaz. "Vou mandar trazer a maca, 'tá? Precisamos te levar para a enfermaria para você receber cuidados e fazermos mais exames."
"Posso andar," murmurou sem forças, tentando apoiar um cotovelo na beirada da privada.
"Eu preferia que você não tentasse," a doutora pediu. "Não sabemos se há ferimentos internos. É melhor você não se movimentar muito."
Sua expressão era sombria. "Moça, eu já aguentei pior. Sério. Se você e o Capitão me colocarem de pé, acho que consigo me arrastar até a enfermaria com você."
Ela se voltou incerta para Wufei, que deu de ombros. "Deixe ele tentar."
Colocando-se um de cada lado, a doutora e Chang ergueram o jovem. Para seu crédito, ele não deixou nenhuma evidência de dor passar pelos seus lábios. Apenas uma camada de suor frio na testa denunciava o que realmente sentia, e permitiu Wufei passar uma mão em seu ombro para apoiá-lo. Com a médica ajudando do outro lado, Duo lentamente cambaleou para fora da cela em direção ao centro médico.
Embora já tivesse passado muito do toque de recolher, faces curiosas se pressionavam contra janelas para assistir o trio improvável passar.
Heero xingou, virando-se para encontrar Quatre e Trowa igualmente preocupados.
"O que aconteceu com ele?" o loiro perguntou.
"Os guardas provavelmente acharam que podiam fazer o que quisessem com ele já que ia ser mandado para L2," Trowa teorizou, dando as costas à janela e deitando em sua cama. E é tudo culpa minha! Eu devia estar no lugar dele.
"Mas..." Quatre se virou incrédulo para o líder. "Como tiveram coragem? Aqui devia ser um reformatório. Por que machucariam um garoto?"
Apenas a tensão nos ombros de Heero mostrava sua verdadeira fúria. "Deixa pra lá, Quatre," requisitou. "Vamos lidar com isso depois que Duo voltar."
"Mas... se ele estiver mal, não vão mandá-lo para o hospital?"
"Vão tentar se ele deixar," Trowa comentou.
"Ele não vai deixar," Heero afirmou com certeza. Do pouco que conhecia Duo, sabia que a teimosia dele rivalizava a sua. A última coisa que iria querer era admitir derrota.
Quatre encarou a janela novamente, enchendo-se de determinação. "Tudo bem, 01... qual o plano?"
"Plano?"
"Quando tivermos Duo de volta... Como vamos nos vingar dos filhos da puta que armaram pra ele e depois ganhar essa droga de competição?
Heero arregalou os olhos, depois se voltou para Trowa, encontrando a mesma surpresa. A máscara de neutralidade retornou ao líder junto com um leve sorriso malicioso. "Não se preocupe, 04. Vamos bolar alguma coisa."
Wufei não estava particularmente ansioso para visitar o time Wing, mas sabia que eles aguardavam o quarto membro da equipe e precisava atualizá-los.
Os três o esperavam, sentados em suas respectivas camas, vigiando a porta. Então, quando a abriu, deparou-se com três pares de olhos ansiosos.
"Acredito que tenham nos visto cruzando o campo." Entrou e se sentou no canto da mesa.
"O que diabos aconteceu com ele, Chang?" Heero foi o primeiro a perguntar.
"De acordo com o guarda, ele ficou violento ontem à noite e teve que ser... subjugado."
"Até parece!" o líder exclamou.
"Eu sei, Yuy, eu sei. Até a doutora Po terminar o exame, não vou saber o quão sério foram os ferimentos ou se ele vai poder voltar para o time."
"Se?" Quatre perguntou transtornado. "Quer dizer que ele pode não voltar?"
"É uma possibilidade... mas não uma muito viável." Foi franco. "O garoto é durão e ele quer voltar. Disse que quer terminar a competição. Se a doutora concordar, vou permitir."
"E se ela não permitir?" Trowa perguntou.
"Daí ele será enviado para um hospital onde será tratado e liberado em condicional."
"De volta para as ruas de L2," o loiro comentou tristemente.
"Pais adotivos ou orfanato até ele fazer dezoito, que será daqui a alguns tantos meses," Chang explicou.
"Ou seja, de volta para as ruas," Trowa concluiu. "Já viu as estatísticas de garotos na idade do Maxwell em lares adotivos, Capitão? Eles não ficam."
"Eu sei," o oficial suspirou. "Só estou tentando ser honesto. Winner perguntou, eu respondi. Mas acho que é um debate sem futuro, pois não acho que Maxwell será dissuadido de voltar para o time. É muito importante para ele."
Heero não se convenceu. "Ele falou isso?"
"Falou sim. Suas ações deixaram isso claro, mesmo que não tenha dito em palavras." Wufei respirou fundo. "Ele ficará na enfermaria pelos próximos dias. Talvez volte para o alojamento até o fim de semana, se tudo for bem."
"Podemos visitá-lo de vez em quando?" Quatre indagou.
"Vou ver com a doutora, mas não posso prometer nada."
"Pelo menos diga a ele que queremos muito que ele volte," o loiro falou fervorosamente. "Por favor, fale pra ele!"
"Prometo," o Capitão respondeu. "Vou ver como ele está amanhã de manhã. Agora quero fazer uma visita ao Kushrenada para termos uma conversa sobre como os detentos menores de idade são tratados. E, conhecendo a peça, ele vai tentar dar no pé antes de eu chegar. Então, com licença."
Os três observaram o Capitão sair antes de trocarem olhares apreensivos.
"Você estava certo, Barton," Heero comentou, olhando pela janela na direção de onde estaria o quarto membro do time.
"Eu preferia estar errado." O acrobata queria poder se enfiar um buraco e morrer de arrependimento pelo que fizera. "Vou dormir agora," anunciou, tirando a camisa e jogando-a no chão. Enfiou-se debaixo da coberta, ficando de frente para a parede e passou a mão pelos olhos úmidos.
Continua...
Comentário cretino da tradutora:
Gente, sabe a história de que o canivete afiado não cortou a corda? Então, foi explicado 4 VEZES nesse capítulo. Eu acho que todo mundo, até o Nanashi, deve ter entendido. Cruzem os dedos para que ninguém mais pergunte como o Duo foi inocentado!
Resposta aos comentários:
Litha-chan, moça, me diverti muito com seus surtos consecutivos dos últimos capítulos! "com isso o gay da historia virou Heero e não o Duo? HAUHAU" Kkkkkkk olha, nós veteranas de fandom GW bem sabemos que em fics yaoi, 90% do elenco é gay XD O Treize é um vilão que dá ódio mesmo, mas agora ele não tem tanto poder assim... não que isso o impeça de azucrinar ainda mais lá pra frente ^_~ "Na verdade você me faz surtar, enquanto leio, com GW! E eu havia me esquecido o quão bom é isso." E não é? Esses meninos são uma droga viciante. Eu vivo me esquecendo também até que me pego relendo aquela fic que eu adoro e aí não quero largar mais do osso e volto a escrever/traduzir GW. E o que faz valer a pena é ter com quem compartilhar isso! Muito obrigada! Beijos!
MaiMai, "Estou sentindo que já já a fic chega ao fim i.i" Não, não! Chegamos na metade agora! XD Prepare-se, acredite se quiser, pois contando com Prólogo e Epílogo, a fic tem 65 capítulos. "Espero que venha com mais traduções maravilhosas como essa!" Não se preocupe, eu tenho uma penca de fics já preparadas só esperando a próxima Semana do Projeto Pilotos (a minha expectativa é de que aconteça em algum momento no meio desse ano, depois da minha apresentação do TCC). "mas quem mandou ser gato e parecer uma garota?" kkkkkkk Tadinho mesmo do Duo! Deve ter alguma regra oculta do universo de que ele deve ser abusado em quase todas as fics, ninguém merece! Mas coisas entre Heero e Duo vão esquentar daqui pra frente, só digo isso. Muito obrigada por acompanhar e comentar! Beijos!
Lis Martin! Em defesa da autora, ela vem cantando a bola de que o Duo seria abusado sexualmente desde o primeiro capítulo, insinuando que ele é 'bonitinho demais', coisa e tal, mas quando acontece... Não impede que a gente tenha menos dó do nosso rapazinho de trança, né? E já aviso que ainda não acabou... teremos mais revelações do tipo. Esse capítulo ainda é um pouco deprimente, mas as coisas vão começar a melhorar e tem coisas boas por vir! Espero que eu não te frustre demais com os atrasos, mas pode continuar com os puxões de orelha para que eu atualize, eles fazem toda a diferença! Sério. Quanto a fic que estou escrevendo, eu prefiro postar depois que estiver terminada (já tenho várias pela metade que estão paradas há anos XP) Eu estou com um punhado de fics para postar, me dá até aflição deixá-las engavetadas, mas com o TCC e a Illy sem pc, não tem jeito, vou ter que esperar mais um pouco... Só espero que valha a pena a espera! Obrigada como sempre pelos seus comentários e por não desistir da fic! Beijos!
