Boot Camp
Por: Snowdragonct
Tradução: Aryam
Nota da autora: não sei se gosto do ritmo desse capítulo, mas certas coisas precisam acontecer em certa ordem, então eu acho que tenho que aceitar. Tomei a liberdade de usar a palavra "shinnaino" que, até onde eu saiba, significa "amado" [N/T: em japonês]. Espero não ter errado completamente! (Hum, licença poética?).
Nota da tradutora: Desculpem a demora para atualizar, esse semestre foi bem tenso e a tal de VR estava apertada. Espero poder atualizar mais rapidamente daqui pra frente! (resposta aos comentários no fim)
Capítulo trinta e sete: Revelações e desculpas
Campo de Treinamento
Duo acordou lentamente e se encontrou aconchegado em cima de um corpo quente e reconfortante. Aconteceu. Eu morri e estou no céu (o que me surpreende, sempre achei que fosse para o inferno...) e estou nos braços de Heery Yuy. Que belo modo de passar a eternidade.
"Eles sempre acabam abraçadinhos, não é?" soou a voz bem-humorada de Quatre.
"Você, Quatre Winner, é um voyeur," Duo grunhiu.
A alguns passos atrás do loiro, Trowa zombou. "Você sabe o que essa palavra significa, Maxwell? Vocês dois não estão fazendo nada excitante."
"Me dá um minuto," Duo sorriu maliciosamente, virando a cabeça para que seus lábios se encostassem no ouvido de Heero. "Bom dia, amor," sussurrou atrevido.
"Mmm." Heero se remexeu e girou para o lado do rapaz com quem dividia a cama, deslizando um braço pela cintura dele. Então, seus olhos azuis se abriram e se arregalaram ao encontrarem um rosto a meros milímetros de distância. "Oh."
Duo aproveitou a oportunidade para dar um beijo na ponta do nariz do líder. "Hora de levantar." Seus olhos faiscaram travessamente. "Ou, como Tro diria..."
Heero rapidamente tampou a boca do rapaz de trança. "Não diga, Maxwell!" pediu rapidamente.
A mão de Duo deslizou pela cintura de Heero vagarosamente... sensualmente. "E se eu demonstrar?"
"Epa! Pera! Têm crianças na sala!" Quatre exclamou, afastando-se com o rosto pegando fogo. Viu a expressão divertida no rosto de Trowa virada para ele.
"Você que começou, Winner. Te falei para deixar os dois sozinhos."
Heero sentou-se, desvencilhando-se a contra gosto dos braços de Duo. "Hum, Maxwell, acho melhor nos prepararmos para a calistenia."
Duo fez um bico e também se sentou, esfregando os olhos. "Ei, 'Ro, o que estou fazendo na sua cama?"
"Você caiu no sono enquanto eu penteava o seu cabelo."
O jovem passou a mão pelos próprios cabelos compridos um pouco envergonhado. "Ah... droga. Acho que estava mais casado do que pensei." Encontrou a escova debaixo da coberta e começou a tarefa de pentear os nós formados durante a noite.
Heero achava Duo absolutamente adorável de cabelo solto, ainda mais com a ponta da língua no canto da boca ao se concentrar em tirar um nó particularmente difícil. Nossa, eu amo ele.
"Por que está sorrindo?" Olhos índigo curiosos focaram-se no rosto do líder.
"Hum, nada." Eu pensei na palavra com 'A'? Caralho! Heero levantou-se abruptamente, passando a mão pelo cabelo, transtornado. "Eu, hum, vou ao banheiro." Apressadamente, ele fez o que acabara de anunciar, fechando a porta e soltando um suspiro. Balançou a cabeça, abriu a torneira de temperatura fria e jogou água no rosto, esperando que o choque térmico trouxesse o bom senso de volta.
Quando voltou para o quarto, Duo já estava vestido, de cabelo trançado e esperava sua vez para ir ao banheiro. Ao passar pelo líder, tinha uma atípica expressão envergonhada. "Obrigado por me ajudar... com o cabelo ontem à noite."
"O prazer foi meu," Heero respondeu enfatizando a palavra 'prazer'. Ele foi agraciado com a vermelhidão tomando conta do rosto do outro rapaz e ele achou que Duo estava ainda mais fofo do que quando brigava com o nó. Trate de se controlar, Yuy. Esse treinamento não vai durar para sempre!
A manhã se passou similar a anterior e Duo ficara tão exausto quanto. Mas, teimosamente, terminou os exercícios, aguentou as aulas matinais e almoçou. Pulou a sesta e elegeu tomar um banho para ajudá-lo acordar. Ele e Quatre escaparam para os chuveiros pouco antes da pista de obstáculos, quando acharam que o vestiário estaria vazio. Duo queria toda a privacidade que conseguisse. Além do mais, queria também tempo para usar o condicionador. Ele tentou se convencer de que não era para ficar mais bonito para Heero, que parecia fascinado por seus cabelos longos. Quase conseguiu se convencer que só queria deixar mais fácil pentear caso estivesse exausto novamente esta noite. Sério.
Mas, uma hora depois, e não pela primeira vez, Duo xingou suas madeixas. Demorou-se demais para tirar o condicionador e acabou sozinho. Quatre relutara em deixá-lo, mas enquanto era permitido ao rapaz ainda machucado alguns minutos de atraso, ao loiro não era. Portanto, o jovem de trança o assegurou que estaria tudo bem, todos estariam na pista de obstáculos, e praticamente empurrou o amigo porta afora. Depois terminou de se lavar o mais rápido que conseguiu.
Vestido e quase atrasado, foi em direção à saída onde viu Austin Pritchard encostado no batente da porta. Parou de supetão, corpo tenso, seu estômago dando nós de medo.
O outro estava sozinho — ou parecia estar — e Duo semicerrou os olhos, esperando.
"Eu, ah, queria falar com você," Austin começou hesitante.
Duo cruzou os braços, adotando uma postura de expectativa, mas fortaleceu-se, pronto caso o valentão tentasse algo ou tivesse companhia. "Sobre o quê?" perguntou friamente.
"Eu... queria me desculpar."
O queixo de Duo caiu. "Pelo quê?" perguntou confuso. Não que Austin não tivesse razões suficientes, mas a última coisa que esperava era uma desculpa por ser um completo babaca.
"Nós... eu... enchi o seu saco e do Quatre," Austin elaborou. "Só quero que você saiba que sentimos muito e não vai acontecer mais." Ele abriu um fraco sorriso. "Afinal de contas, estamos no mesmo barco, nós contra o sistema."
Os olhos índigo procuraram algum traço de mentira ou piada, mas o valentão parecia totalmente sincero. "Por que mudou de ideia?"
Austin encarou o chão, inquieto. "Barton nos contou o que houve." Ergueu o olhar timidamente. "Com você... na solitária..."
Duo empalideceu, involuntariamente dando um passo para trás. "Nada acon..." Ele parou, incapaz de contar uma mentira deslavada. "Levei umas pancadas. Grande coisa."
"E foi estuprado," Austin afirmou abruptamente, encarando o rapaz na sua frente.
O rapaz de trança tentou cobrir sua humilhação com raiva. "E você com isso? Sente muito pelo quê, por você e seus capangas não terem sido os primeiros?"
"Não!" Pritchard se apressou em negar. "Não. Não somos assim! Não faríamos isso com ninguém, nunca. Bom, eu sei que na primeira semana falei um monte de coisas, mas não era sério. Era só brincadeira, pra parecer mais macho, sabe? Você tem que admitir, você e Quatre chamam a atenção. E e meu time tentamos estabelecer, sei lá, dominância? E pegamos no seu pé porque..." Ele se calou, o rosto se avermelhando.
Os olhos de Duo se arregalaram ao compreender. Ah não, corta essa! O Austin estava interessado em mim? Em mim? "Por quê?" instigou.
Austin engoliu em seco nervosamente. "Não conta pra ninguém, tá? Ninguém do meu time sabe que eu... que eu sou..."
"Gay?" Duo completou com um sorriso. "Então você resolver tirar onda com a minha cara e a do Quatre para esconder que você é gay?"
Austin assentiu com a cabeça, encarando o azulejo. "De onde venho, ser... assim pode acabar me matando ou..."
"...ou estuprado?" adivinhou. Balançou a cabeça, relaxando um pouco. "Então você esconde a sua — orientação — agindo como um homofóbico?"
Austin assentiu mais uma vez, finalmente virando-se para Duo. "Por isso, desculpa por causa da primeira semana. Depois disso, foi meio que costume continuar. Até o Barton contar o que aconteceu com você. Eu sinto muito pelo que aconteceu, de verdade. Eu só queria que você soubesse que eu e meu time, bom, acho difícil sermos amigos, mas não precisamos ser inimigos, né?"
"Não, não precisamos," Duo concedeu, conseguindo abrir um pequeno sorriso. "Com o Diretor atrás de mim, não preciso de mais inimigos." Avançou para a porta parando a alguns passos de Austin, mas ainda sem abaixar a guarda. Já ouvira mentiras antes e levava mais do que uma conversa civilizada para ganhar a sua confiança. "Sabe, se você estava interessado, devia ter falado," brincou. "Pegar no pé de quem gosta é tão prézinho."
Austin sorriu e deu de ombros. "Na escola eu não estava interessado em outros caras. E agora? Como falei, não é algo que eu possa deixa transparecer." Ousou um flerte. "Por acaso eu não teria uma chance?"
Duo riu e balançou a cabeça. "Não vou mentir, Austin. Você até que é boa pinta, mas eu estou meio que a fim de outra pessoa."
"Yuy."
"É óbvio?" Fez uma careta de desagrado.
"Digamos que naquela luta, quando o Yuy te deu um beijo..." Austin fez um gesto como se estivesse se abanando. "Não sei se você sentiu o calor, mas eu senti!"
Duo riu. "Foi pura tortura," admitiu. "Principalmente porque não sei se Heero está interessado como eu."
Austin pareceu entender. "Se ele não estiver, bom, não se esqueça de mim." Ele abriu a porta para Duo, que sorriu e passou, quase dando de cara com Heero.
O líder estava claramente apreensivo. "Duo! Por que está demo–?" Então viu Austin aparecer na sua frente e, como um raio, Heero o prensou contra a parede, um braço apertando o pescoço. "O que você tá fazendo aqui, Austin?! Se você encostou um dedo no Duo, juro que vou arrancar a sua cabeça fora!"
Austin forçou um sorriso irônico apesar da dor, olhos fixos em Duo. "Isso... responde... sua pergunta?" ofegou, tentando respirar.
"Heero, não!" Duo repreendeu, segurando o braço do líder. Seus olhos se encontraram e, encarando profundamente nos azuis, assegurou-o. "Ele não fez nada, 'Ro. Sério, estou bem."
Heero ainda voltou-se cheio de ódio para Austin, mas gradualmente aliviou a pressão na garganta. "Tem certeza, Duo? Está bem mesmo?"
"Não minto, Heero. Você sabe."
"Sei," o líder reconheceu, soltando Austin e se afastando, analisando Duo para comprovar sua condição. "Quando Quatre apareceu sozinho..."
"É," o jovem de L2 pareceu encabulado. "Eu não devia ter mandando ele ir na frente, mas eu não queria que ele acabasse fazendo algumas flexões extras só porque o meu cabelo estava me dando trabalho."
Austin discretamente se ajeitou, distanciando-se ainda mais de Heero. "Hum, Duo, obrigado." Ele estremeceu ao sentir o olhar frio do líder do time Wing em sua nuca. "Quero dizer, por ter aceitado a minha desculpa. Obrigado." Saiu rapidamente, deixando Duo sorrindo amplamente para trás.
"Você estava mesmo preocupado comigo, não estava?" perguntou para o líder de seu time.
"Eu temi que alguém..." Heero deu de ombros. "Depois de tudo pelo que você passou, não quero que se machuque de novo."
Duo bufou. "Tenha dó, Ro, não sou completamente indefeso. Quero dizer, eu estava algemado..."
"Mas Austin tem quatro no time dele. Mesmo que você seja bom em se defender, números fazem a diferença."
Dessa vez, o sorriso do jovem de L2 era genuinamente cálido. "Você se importa mesmo, né?"
Heero soltou um suspiro exasperado. "Achei que tinha deixado isso claro."
"Então eu sou mais do que um integrante do time?"
"Eu não vou nem responder, idiota."
"Também te amo, 'Ro," provocou. Entrelaçou seu braço no do líder. "Vamos, valentão. Quer me acompanhar até a pista?"
"Claro. E que tal me contar o que estava acontecendo com o Austin?" Heero não escondeu a curiosidade. "O que ele quis dizer com 'aceitar as desculpas'?"
"Ah, ele se sentiu mal pelo que me fez na primeira semana," deu de ombros, um leve franzir tomou sua testa. "Parece que o Trowa contou pra ele da solitária."
"Tivemos um desentendimento com o time do Pritchard na terça-feira... ele falou merda do tipo que você tinha merecido ter ficado na solitária e eu meio que surtei." Heero desviou o rosto, envergonhado. "Quando Barton e Winner me arrastaram pra longe dele, o Barton contou o que aconteceu... ele falou que se o Pritchard achasse engraçado, mataria ele."
Duo ergueu uma sobrancelha. "Uau. O Tro falou isso?" Surpreendeu-se. "E eu achando que ele não me suportava."
Heero balançou a cabeça. "Trowa foi solitário boa parte da vida. É difícil pra ele entender e aceitar que faz parte de um time. Quero dizer, acho que ele entende o conceito, mas não sabe bem como agir."
"É, mas eu acho que o Quat anda ajudando ele nesse aspecto," Duo notou pensativo. "Talvez eu deva me distanciar um pouco e parar de tentar deixar ele com ciúme de mim e do Quatre."
"Pode ser uma boa ideia."
Os dois chegaram bem atrasados para os exercícios e Heero teve que pagar flexões, enquanto Duo conseguiu passe livre por ordens de Chang. O rapaz de trança se lembrou do primeiro dia em que conhecera o líder, como tinha dormido demais, se atrasado e tivera que fazer flexões. Só podia ser o karma em ação, ele decidiu segurando o riso.
E, novamente, ao entardecer, Duo quase dormiu em cima do prato da janta, o corpo em processo de cicatrização exaurido pelo esforço. Seus companheiros de time se asseguraram que ele comesse o necessário e o escoltaram de volta ao alojamento.
Enquanto os integrantes do time Wing cuidavam do coração da equipe, Kushrenada ainda lamentava sua recente derrota e planejava o próximo ataque.
"Então, Norton," o Diretor comentou casualmente. "O que está tentando me dizer sobre Maxwell e Yuy?"
"Estou dizendo que eles estão fodendo, K. É óbvio pra qualquer um," Kyle zombou. "Eles se beijaram no treino de luta e hoje, na frente do vestiário, o Yuy estava com tanto ciúme que achei que ele ia matar o Pritchard. Ele e o Maxwell ainda saíram de braços dados."
"Entendo." Treize sorriu satisfeito. "Bem, isso torna tudo mais fácil. Para pegar o Maxwell, só preciso do Yuy."
"Quer que a gente entregue ele para os seus guardas, como da última vez?" Kyle perguntou, sorrindo maliciosamente enquanto sentava-se na beirada da escrivaninha.
"Não vai funcionar de novo," o carcereiro reclamou. "E não vai funcionar com o Yuy. Ele é mais esperto do que o Carroll." Passou a mão pelo cabelo enquanto pensava. "Por outro lado, ainda tenho minha carta na manga dentro do quarto deles e posso forçá-lo facilmente a plantar evidência."
"Sei lá, K. O time Wing parece bem unido desde que o Maxwell voltou da solitária," Kyle informou. "Nunca vejo o Winner sem o Barton vigiando a retaguarda dele. E o Yuy virou o guarda-costas pessoal do Maxwell."
"Oras, então precisamos separá-los, não é?" sugeriu o carcereiro. "O que pode ser difícil, considerando como Chang administra esse lugar. Mas notei que quando alguém está trabalhando na cozinha, geralmente fica sozinho." Acendeu-se uma faísca em seus olhos. "Acho que sei o método perfeito para dividir e conquistar o time Wing." Pousou uma mão amiga no ombro de Kyle. "Amanhã, no jogo de baseball, provoque Maxwell até que ele te agrida. Acha que consegue?"
Kyle riu. "Com as duas mãos nas costas, vai ser moleza. Sabe o Frank, o guarda que estuprou ele? Ele me contou tudo... o que ele falou e fez. Só preciso sussurrar no pé do ouvido do Maxwell e ele vai querer me matar."
Kushrenada pareceu extraordinariamente satisfeito. "Quando Chang mandar Maxwell para trabalhar na cozinha como punição, será mais fácil atrair o Yuy. Uma simples mensagem de que algo aconteceu com a namoradinha dele e ele virá correndo."
"Quer que eu e meu time cuidemos dele?"
"Não, tenho os meus próprios guardas pra isso. Não me ajudaria se você fosse expulso. Preciso de você como informante. Além do mais, os guardas sabem exatamente como ferir sem deixar evidência." O Diretor mal podia se conter de excitação. "Consiga mandar o Maxwell para a cozinha e me deixe cuidar do resto."
Quatre acordou no meio da noite, estranhando o beliche chacoalhar. Levantou-se, estremecendo com a brisa fria entrando pela janela, e examinou a cama de cima.
Trowa tremia violentamente, enrolado na coberta, o rosto encharcado de suor e pálido como o lençol no qual se deitava.
"Oh, Alá, você está doente, Trowa." O loiro esticou a mão para tocá-lo, mas foi rejeitado bruscamente.
"Me deixa em paz!" o jovem acrobata resmungou, escondendo-se ainda mais na coberta.
"Trowa, você está terrível. Precisa ir para a enfermaria."
"Não!"
Quatre sentiu uma onda de dor emanando do acrobata junto com um medo paralisante. "Vou buscar o Duo..."
"Tarde demais," Duo apareceu atrás do loiro, coberta ao redor dos ombros. Heero vinha logo atrás.
"Graças a Alá! Ele está doente, Duo, e não quer me deixar ajudar."
O rapaz de trança se recostou no beliche, braços cruzados. "Ele não está doente, Quat." Olhou para o moreno alto já sabendo do que se tratava.
Trowa tentou se sentar, mas acabou segurando o estômago, grunhindo de dor, enrolando-se em posição fetal.
"O que quer dizer?" Quatre perguntou. "Olha pra ele, ele está pálido, suando, tremendo, sentindo dor..."
"É, abstinência tem dessas coisas, não é, Tro?" Duo perguntou baixo.
Trowa apenas se irritou. "Vai se foder, Maxwell!"
Heero voltou-se para Duo acusatoriamente. "Esqueceu de me dizer alguma coisa, Maxwell?"
"Você não estava sendo muito legal comigo no dia que encontrei as drogas," deu de ombros. "Depois de você fazer todo aquele drama por eu ter fuçado nas coisas dos outros, não quis compartilhar."
O líder o fulminou com o olhar. "Você teve muitas chances depois disso!"
"Me distraí," Duo respondeu sério.
Decidindo que o assunto poderia ser discutido mais tarde, Heero focou sua atenção no acrobata. "O que andou tomando, Barton?"
"N-nada," Trowa resmungou, virando o rosto.
"É, esse é o problema," Duo comentou. "Mas você estava tomando analgésicos muito fortes, não estava?"
"Vai se foder, Maxwell," Trowa rosnou novamente ainda mais enraivecido, lembrando-se como o órfão de L2 descobrira seu vício. "Se tocar nas minhas coisas de novo, eu te mato."
Duo deu de ombros, virando-se para o líder. "Achei os remédios no baú dele. Ele me contou os detalhes depois, quando estávamos discutindo sobre o K. Falou que era por conta do ombro que machucou a um tempo atrás e os exercícios estavam piorando a dor."
"Você deveria ter ido ao médico," Heero reclamou. "Você poderia ter mandando todos nós para a cadeia se encontrassem drogas no quarto."
"Você falou que ia largar essa porcaria duas semanas atrás," Duo comentou, franzindo o cenho. "O que aconteceu com parar gradualmente como tinha planejado?
Quatre parecia chocado. "Por quê, Trowa? Por que começou a tomar esse remédio?
"Nem todo mundo cresceu rico e mimado," Trowa balbuciou entre estremecimentos. "Eu tinha que trabalhar no circo, com o ombro doendo ou não. E quando começou a doer de novo, eu precisava de um alívio."
O loiro se afastou, magoado, mas a mão de Duo pousou em seu ombro para confortá-lo. "São as drogas falando, não o Trowa," comentou baixo, tendo tido experiências prévias com pessoas passando por abstinência. "Não deixe te afetar, Quat. Ele vai dizer coisas piores antes de melhorar."
"O que aconteceu com o fornecedor, Barton?" Heero perguntou friamente.
Trowa deu de ombros como pôde e começou a se levantar.
"Epa, melhor não tentar se levantar," Duo avisou.
"Vou vomitar," Trowa ofegou, descendo para no chão pesadamente e cambaleando para o banheiro.
Quatre e Duo o ajudaram até a privada e, enquanto ele se esvaziava miseravelmente, Duo voltou para o quarto.
"O que vamos fazer, Yuy?"
"Ele precisa de um médico."
"É, mas se o levarmos para a enfermaria, a doutora vai saber exatamente o que ele tem." Balançou a cabeça. "Não quero ser responsável por mandar ele para a prisão."
"Temos escolha?"
Duo mordeu o lábio inferior perdido em pensamento, observando Quatre e Trowa pela porta aberta do banheiro. "E se... dermos cobertura?"
"Como?" Heero perguntou, jogando as mãos pra cima exasperado. "Temos calistenia, aulas, trabalho..."
"É fim de semana," o rapaz de L2 o lembrou. "Podemos livrar ele de qualquer atividade... dizer que ele pegou uma gripe, não uma muito ruim para precisar de um médico. Até segunda ele deve estar quase bom."
"Achei que você não mentisse?" Heero o desafiou.
"E não minto, mas se eu falar que Trowa está com febre e vomitando, não será mentira."
"E não vai enganar um médico," o líder respondeu. "Ela vai querer vir checar e vai perceber o que está acontecendo."
"Droga." Duo fechou os olhos, pensando freneticamente.
Quatre retornou a tempo de ouvir uma parte da conversa. "Tenho uma ideia," ele anunciou. "E se você, Heero, for até o Capitão Chang e disser que Trowa está doente, mas que não quer que ele vá para a enfermaria, que preferimos tomar conta dele aqui. Pode justificar que somos um time e tomar conta de um membro doente pode ser... benéfico para estreitar nossos laços de lealdade!"
"Nossa... quanta balela," Duo sorriu. "Acha que o Chang engole essa?"
Heero deu de ombros. "Talvez... se eu falar com ele do jeito certo."
Um tom de malícia soou na voz do rapaz de trança. "Quer dizer que você vai seduzi-lo?"
"Duo!" Quatre exclamou horrorizado.
"Quê? Pode funcionar!" insistiu.
Heero estreitou os olhos. "Isso é mais o seu estilo, Maxwell," rebateu com um sorriso enigmático.
Duo o encarou de volta. "O que quer dizer? Só por que vim de L2 — não somos todos putas!"
Heero se aproximou dele, olhos cintilando. "Não era o que eu estava sugerindo, Duo. Eu nunca te insultaria dessa forma." Seu tom era calmo, enquanto sua expressão era provocadora. "Talvez eu estivesse apenas notando como você é... habilidoso em ser sedutor." A esse ponto, seu rosto estava a milímetros de distância do outro.
Duo engoliu em seco, olhos arregalados e rosto corado. "Sou?" perguntou ofegante, desejando que Heero se inclinasse um pouquinho mais e o beijasse de uma vez.
Heero sorriu. Ah, se ele soubesse o quanto...
"Hum, se vocês não se importam," Quatre interrompeu, "precisamos decidir como proteger Trowa."
Os olhos azuis do líder se voltaram para a silhueta curvada em cima da privada. "Vou ver o que posso fazer quanto a Chang logo que amanhecer."
"Ótimo... e, Duo? A doutora parece gostar de você. Se pedir com jeitinho, ela poderia dar uma olhada no Trowa sem fazer alarde," Quatre sugeriu.
"Beleza," suspirou, sentindo falta do calor do líder quando este se afastou para se encostar na porta do banheiro. "Falo com ela amanhã."
"Barton."
Trowa ergueu o rosto abatido.
"Você tem que contar a verdade sobre as drogas," Heero falou com firmeza. "Onde as conseguiu e parou com elas mesmo?"
O acrobata encarou o líder. "Acha que eu estaria vomitando minhas tripas se planejasse tomar mais?"
"Você pode ser um masoquista," Duo teorizou sarcasticamente.
"Vai se foder, Maxwell."
Duo apenas riu e foi até a pia, molhando uma toalha de rosto, entregando-a a Trowa. "Limpe-se, Barton. Quat e eu te carregamos de volta, mas para a cama de baixo dessa vez."
Trowa fez o que lhe foi pedido, fechando os olhos e apoiando-se cansadamente na parede. "Respondendo sua pergunta idiota, Yuy, eu parei de vez com os analgésicos. K iria usá-los para me subornar. Mas eu não vou fazer mais nada pra ele..." sua voz se esvaeceu de exaustão, os outros se aproximaram para ouvir.
"O Diretor era o seu fornecedor?" Heero deduziu.
O acrobata assentiu com a cabeça, concordando miseravelmente. "Eu estava comprando de um cara do time Sphere... mas descobri que o K estava por trás de tudo o tempo todo."
"Como assim, não vai fazer mais nada para o K?" Duo perguntou, completamente sério.
"Ele... Eu... Ele me fez... sabotar..."
"O time?" Quatre completou, completamente desacreditado. "Oh, Trowa." Balançou a cabeça tristemente. "Agora sei o que aconteceu com... Nanashi..."
Duo se virou confuso para o líder. "Sabe do que eles estão falando?"
Uma suspeita começou a se formar na cabeça de Heero. "Que tipo de sabotagem, Barton?" Sua voz estava rouca com uma emoção repentina e o rapaz de trança percebeu.
Os olhos índigo se arregalaram e ele voltou-se para Trowa, esperançoso. "Fala que não foi você, Tro."
"Eu... o quê?"
"Você cortou a porra da corda?"
Heero tentou puxar Duo, mas ele se livrou e foi até o acrobata encostado na parede. "E aí, Barton? Foi você que cortou a corda? Você que me mandou para a solitária, seu traidor desgraçado?"
Trowa não conseguiu encará-lo. "Eu não sabia que colocariam a culpa em você."
"Não sabia...?" Duo se jogou em cima dele, dando-lhe um soco bem no nariz. "Seu filho de uma...! Tem noção do que fizeram comigo?! Seu bosta!" A raiva o deixou incapaz de falar qualquer outra coisa coerente, e ele continuou socando Trowa até ele cair, então passou a chutá-lo.
Trowa não tentou se defender, apenas se encolheu em posição fetal, braços protegendo a cabeça. "Desculpa... desculpa..." continuou murmurando enquanto era incessantemente atacado.
Precisou tanto de Heero quanto Quatre para conseguirem tirar o rapaz descontrolado, lívido, de cima do acrobata e, mesmo assim, sua fúria estava longe de acabar; ele lutou, debateu-se, xingando sem parar.
"Maldito, lazarento, cretino...!"
"Desculpa!" Trowa continuou pedindo, olhos úmidos. "Ele ia matar o Nanashi! Se eu não cortasse a corda, ele teria atirado nele...!"
"Do que está falando?" Heero perguntou, ainda tentando arrastar Duo para fora do banheiro.
"Kushrenada... ele ia matar o Nanashi se eu não fizesse o que ele mandasse."
Duo se desvencilhou dos braços que o seguravam, voando para cima do moreno alto, mas foi pego pela cintura no último segundo. "Você me trocou por um cachorro?!" esbravejou. "Uma porra de um cachorro?!"
"Era o Nanashi..."
"Winner, tome conta de Barton," Heero pediu, literalmente arrastando Duo para o quarto.
O órfão de L2 ainda chutava e gritava obscenidades quando Heero o jogou em sua cama. Ele envolveu o amigo em um abraço, prendendo os braços de Duo e o apertando contra o peito.
"Para, Duo!" comandou. "É tarde demais para culpar o Trowa. Apenas pare!"
Duo lutou ainda mais, a voz rouca de tanto gritar, lágrimas transbordando dos olhos. "Merda, Heero! Eu vou matar ele!"
"Shhh," Heero o acalmou, apertando-o mais e balançando-o gentilmente. "Chega. Deixa pra lá."
"Não dá..." Duo murmurou no ombro do líder, finalmente desistindo de lutar, deixando o corpo amolecer enquanto soluçava. "Não dá..."
"Dá sim," Heero respondeu suavemente. "Ele cometeu um erro, Duo... um erro."
O jovem de trança chorou ainda mais, agarrando a camisa de Heero desesperadamente.
Trowa saiu do banheiro tremendo tanto que precisava ser carregado por Quatre. Ambos pararam ao ver Duo se desfazendo em lágrimas no peito do líder.
"Nossa... me desculpa..." Trowa grunhiu, escondendo o rosto com a mão. "Sinto muito..."
"Agora não!" Heero avisou, fazendo um gesto para Quatre levar o acrobata até o beliche.
O loiro fez o que lhe foi indicado, ajudando o amigo a se deitar na parte debaixo. Pegou a coberta da cama de cima e o cobriu. "Fique deitado," aconselhou. "Vou ficar aqui."
"Merda... eu não mereço a sua ajuda," Trowa sussurrou roucamente, olhos transparecendo o seu tormento. "Me deixe sozinho."
"Não," Quatre falou firmemente. "Somos um time e vamos tomar conta de você."
"Por quê?" questionou quase sem forças. "Maxwell vai me dedurar e vou ser mandado para L2. Seria melhor deixarem me levar agora..."
"Cala a boca!" o loiro mandou. "Vê se dorme ou pelo menos descanse. E pare de pensar. Decidiremos o que fazer ao amanhecer."
O acrobata virou-se para a parede, gemendo por conta das dores no estômago, e enrolou-se sob a coberta. Quatre permaneceu ao seu lado, acariciando suas costas, murmurando palavras tranquilizadoras.
Enquanto isso, Heero fazia o mesmo do outro lado do cômodo, abraçando o jovem de L2, acariciando a longa trança e suas costas trêmulas. "Vai melhorar, Duo," prometeu num sussurro. "Você vai melhorar."
Duo balançou a cabeça, o rosto ainda enterrado na camisa de Heero. "Não... nunca vai melhorar," murmurou rouco. "Eu só quero esquecer, Heero. Esquecer tudo."
O líder balançou a cabeça levemente. "Eu queria poder te fazer esquecer," falou gentilmente. "Mas não posso. Só posso estar aqui para te apoiar e espero que seja o suficiente."
O recruta de L2 virara um peso morto nos braços de Heero, exausto pelo choque da traição... a explosão de emoções... e o derramamento das lágrimas que estava segurando a dias. "Por que ele fez isso?" murmurou fracamente, a voz quase inaudível, buscando conforto entre os braços do líder.
"Ele provavelmente achou que não tinha uma escola..." Heero tentou justificar.
"Não Trowa..." o rapaz resmungou, fechando os olhos. "Ele."
A garganta de Heero se fechou quando percebeu de quem Duo falava. "Merda, Duo. Como posso saber?" Apertou-o ainda mais contra si, desejando poder fazer com que ele se sentisse a salvo novamente. "Mas Wufei fez ele pagar. Você sabe."
"Não ajuda muito," respondeu com a voz abafada pela camisa de Heero.
"Eu sei."
Quatre acalmara Trowa e se aproximou dos outros dois, colocando uma mão no ombro de Duo. "Ei, como você está?" perguntou baixinho, a voz repleta de preocupação.
"Não muito bem," Duo respondeu, virando o rosto apenas o suficiente para o loiro ver sua expressão miserável.
"É, dá pra perceber," respondeu, abraçando os dois rapazes, encostando o rosto no do melhor amigo. "Estou aqui para o que der e vier, Duo. Seja lá o que precisar. Vamos cuidar de você, eu prometo."
"Eu sei, Quat," o jovem de L2 suspirou trêmulo. "Eu não sabia que podia doer tanto."
"Você foi traído. Isso dói mais do que qualquer coisa," o loiro falou, lembrando-se do choque de quando o seu pai lhe virara as costas. "Dói demais..."
Os olhos índigo piscaram quando o ele percebeu a mudança no tom de voz do loiro. "Aw... desculpa, Quat," pediu percebendo que o empata realmente compartilhava sua dor.
"Tudo bem," Quatre deu de ombros. "Não me importo. Eu só queria poder apagar a sua mágoa de uma vez."
"Tempo," Heero afirmou. "É o que faz a diferença." Ele se mexeu para Duo ficar mais confortável deitado em seu peito, mantendo os braços ao redor do corpo dele. "Prometo, Duo. Vai melhorar."
Respirando fundo dolorosamente, Duo assentiu com a cabeça. "Por enquanto, vou ter que aceitar a sua palavra," comentou cansado, esfregando os olhos. "Nossa, odeio isso," suspirou.
Quatre voltou-se para o líder. "Acho que deveria levar ele para a doutora..."
"Não!" o rapaz de trança negou veementemente com olhos levemente arregalados. "Estou bem!"
"Não está," o loiro insistiu. "E ela falou que você podia ir vê-la sempre que precisasse. Talvez ela possa te dar alguma coisa para te ajudar a relaxar." Gentilmente, ele afastou a franja úmida do rosto do amigo. "Ei... que tal nos deixar te ajudar?"
"Não quero ajuda..." veio a resposta petulante. "Sou um rato de rua, sei me cuidar."
Heero colocou a mão no queixo de Duo e ergueu o rosto dele. "Mas e se eu quiser cuidar de você?" ele perguntou suave e seriamente. Com o polegar, gentilmente limpou as lágrimas da face na sua frente. "Deixa eu te levar na médica, por favor?"
Hipnotizado pelos intensos olhos azuis, sentiu sua determinação se esvair. Virou o rosto agora avermelhado. "Tá bom," concordou. "Vamos."
O líder sorriu triunfante, inclinando-se para beijar o topo da cabeça com cabelos castanhos. "Assim é melhor," falou de modo reconfortante.
Duo relaxou ainda mais, não oferecendo qualquer resistência quando Heero o levantou para ficar de pé, envolvendo sua cintura. "Vamos arranjar ajuda pra você."
"Vejam se ela tem alguma coisa para náusea," Quatre pediu olhando para Trowa.
"Afirmativo," Heero respondeu guiando um Duo relutante até a porta. "Voltamos logo. Defenda o forte, 04."
Forçando um pequeno e cansado sorriso, Quatre assentiu.
A doutora Po atendeu a porta vestida em seu roupão, bocejando e resmungando. Mas ela parou de supetão ao ver quem a havia chamado.
"Eu sei que é tarde da noite, doutora, mas você disse que poderíamos vir sempre que Duo precisasse."
Sally ajeitou o roupão, amarrando a cinta. "Falei sim. Entrem."
Heero levou um hesitante Duo até a enfermaria. Apenas a mão firme dele em seu punho impedia o rapaz de trança de dar no pé, uma vez que ele gostaria de estar em qualquer outro lugar.
Sally o estudou curiosamente, percebendo o caminho úmido das lágrimas no rosto e os olhos vermelhos. "Parece que você está tendo uma noite ruim, Duo."
Ele concordou, distraidamente esfregando o nariz com a manga da camisa e se remexendo inquieto.
"Quer falar sobre isso?" ela perguntou maternalmente.
Ele balançou a cabeça em negativa. "Eu não estaria aqui se ele não tivesse me arrastado." Lançou um olhar ressentido para o rapaz ao seu lado.
Sally foi até o armário e o destrancou, pegando um frasco de remédios, depositando dois comprimidos em sua mão. Ela os levou para Duo com um copo de água. "Aqui, é o que eu te dei quando estava internado. Vai te ajudar a dormir."
O jovem de L2 aceitou mansamente, pegando os comprimidos e engolindo-os de uma vez.
"Eu quero que você tenha uma consulta com o psicólogo quando ele vier semana que vem," Sally acrescentou.
Os olhos índigo se arregalaram. "Estou bem!" insistiu. "É só... essa noite... foi demais."
"Pode deixar que eu cuido para que ele possa ir ver o psicólogo," Heero afirmou.
Duo não pareceu gostar do comentário. "Não faça promessas por mim, Yuy."
"Não fiz," Heero respondeu. "Só vou pedir para o Capitão te liberar para a consulta. Fica a seu critério ir ou não."
Sally sorriu. "Pense com carinho, Duo. Vai ajudar. E uma noite boa de sono também ajuda."
Ele assentiu, cansado de discordar.
"Ahm..." Heero limpou a garganta constrangido. "Hum, Barton está com o estômago ruim, deve ser só um desconforto. Tem algum remédio para ajudar ele se sentir melhor?"
Duo encarou o chão contrariado. Bem que ele merece!
"Ele está mal? Devo ir vê–?"
"Não! Ah, ele só está um pouco indisposto. Não quero que ele saia da competição por causa de um dia ruim. Quero dizer, se ele piorar, claro que ele precisaria de um médico."
Sally estranhou o discurso repentino do quieto líder do time Wing. "Bem, se é assim." Ela pegou uma garrafa do armário. "Xarope de gengibre, muito bom para o estômago e totalmente seguro. Dê duas colheres para Trowa com um pouco de água." Ela sorriu. "O gosto é meio forte."
"Mas vai ajudar?"
"É melhor do que Dramamine para enjoo," ela deu de ombros. "Vale a pena tentar. E se ele começar a vomitar em vinte quatro horas, me avise. Ele pode precisar de cuidados e soro."
Duo bocejou, oscilando, e Heero segurou o seu braço. "É melhor levar ele de volta. Obrigado, doutora."
Ela sorriu amorosamente para Duo. "Tudo bem, Heero. E sempre que Duo ou qualquer um de vocês precisarem, podem vir."
Enquanto eles faziam o caminho de volta, Heero se aproximou do rapaz ao seu lado. "Quatre tinha razão. Ela gosta de você."
"Nossa, ela é tem idade para ser a minha mãe," respondeu entre bocejos. "E eu sou gay, lembra?"
"Não falei que ela gosta de você desse jeito. Só falei que ela gosta de você... como uma irmã."
Duo deu uma risadinha. "Como a Irmã Helen?"
"Quem é essa?" o líder perguntou, lembrando-se de ter ouvido falar dela antes.
"Ela era uma freira no orfanato."
"Ah."
"Ela que me ensinou a trançar o meu cabelo, já que não deixei que cortassem," Duo matracou, os comprimidos deixando-o mais tagarela. Pelo menos ele parecia distraído da revelação de Trowa. Tropeçou enquanto andava e Heero o segurou pela cintura para não deixá-lo cair.
Duo sorriu sonolento. "Obrigado, 'Ro." Bocejou largamente. "A doutora é legal, eu gosto dela. Mas eu amo você." Esfregou os olhos pesados, completamente alheio a expressão de choque do líder.
Você me ama? Mas então Heero balançou a cabeça e atribuiu a frase apenas como um comentário aleatório devido aos remédios.
Chegaram ao alojamento e Heero praticamente empurrou o outro na cama, com a roupa que estava, e cobriu-o com uma coberta delicadamente. Então afastou a franja de Duo de sua testa. "Durma bem, shinnaino."
Duo, por sua vez, já roncava.
O líder se virou para Quatre, sentado ao lado de um Trowa suado e trêmulo. "Como ele está?"
"Péssimo," o loiro respondeu claramente preocupado. "O pulso dele está rápido e a respiração ofegante... Talvez seja melhor chamarmos a doutora..."
"Não!" Trowa falou sem fôlego entre os dentes. "Por favor! Eu consigo."
Heero suspirou. "Deixa eu pesquisar, Quatre. Talvez eu consiga encontrar alguma coisa sobre sintomas de abstinência e por quanto tempo podem durar."
Quatre aceitou, virando o rosto com expressão chorosa para o acrobata. "Oh, Trowa, como pôde?" Pensou em tudo o que acontecera por conta da traição dele. Seu olhar cheio de lágrimas contidas se virou para Duo, dormindo tranquilamente, graças aos calmantes. "Duo," cochichou para si mesmo. "Como vai conseguir superar isso?"
Continua...
Resposta aos comentários:
Ny-chan: Me pergunto se você vai se arrepender de ter escrito "bota esse heero pra sofrer um pouco tbm" kkkkkkkk Você não perde por esperar *risada maligna* Por favor, não jogue pedra na minha casa, prometo tentar atualizar mais rápido da próxima vez! Mas pode me "apedrejar" de comentários! Ajudam mesmo, viu?! XD Pra você ter noção, eu estava com esse capítulo traduzido pela metade a meses, só agora que consegui terminar e postar T_T Obrigada pelos comentários!
Litha-chan: Pra quê review decente, pode ser indecente mesmo! "Tão juntos e nada sobe ou se sobe nada é afagado?" Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk Aiai, esses adolescentes traumatizados, o que fazer... É tão bom ver meu ódio pelo Treize e raiva do Trowa nessa fic compartilhados, o franjudo precisava de uns sopapos mesmo! O Treize nem se fala. Dessa vez acho que não precisou me caçar, né?! XD Beijos e obrigada por comentar!
Manda-chan: Que bom que resolveu voltar a ler! E muito obrigada por comentar e pelo elogio, fico muito feliz! Espero que goste desse e dos próximos capítulos ^_~ Beijos!
