Boot Camp
Por: Snowdragonct
Tradução: Aryam
N/T: Atualização em ritmo de samba na avenida! Nesse clima de pegação do Carnaval (?) nada melhor do que mais um capítulo de Boot Camp, não é mesmo? Depois de problemas de saúde, mudança de endereço, provas, crises financeira e existencial, cá estou com um capítulo quentinho (nem precisou de formo, porque esse calor tá de matar!) que não é o melhor do mundo, MAS acontece algo muito esperado, então simbora ler!
Muito obrigada a Lis Martins (também estou com saudades! Bom ter notícias suas! Eu tento não sumir XD), Ny-chan (quem disse que quero me livrar de você?! E quem disse que você precisa ser mais normal?! kkkkkk) e a MaiMai (acho que você vai adorar esse capítulo! Que bom que você não sumiu ^_~).
Beijos e boa leitura!
CAMPO DE TREINAMENTO
44: Trabalho em Equipe
"Por que achamos que isso era uma boa ideia no papel?" Duo questionou, estremecendo por conta de uma dor em seu braço devido à escalada na encosta do penhasco.
"Você falou que nos pouparia uns 32 quilômetros de caminhada," Heero respondeu, limpando o suor da testa, e procurando outro gancho para se segurar.
"E eu já pedi desculpas por ter notado esse atalho. Será que alguém ouviu essa parte da conversa?"
"Depois de você ter feito um trabalho tão bom em nos convencer dessa ideia," o líder rebateu.
"Às vezes sou esperto demais para o meu próprio bem," o recruta de L2 resmungou, grunhindo quando seu pé escorregou, e exclamou ao bater o joelho contra a rocha, ralando-o mesmo com o tecido de sua calça. "Odeio a minha vida!" lamentou.
"Cala a boca e escala," Heero comandou desapiedado.
"Estou sangrando."
O líder olhou para baixo de onde estava, uns bons 6 metros acima. "Não vejo sangue."
"Meu joelho... debaixo da calça."
"Deixa de frescura."
"Está doendo, Yuy," falou choroso.
"Vou dar uma olhada quando chegarmos ao topo."
Olhos índigo se arregalaram. "Você vai tirar minhas calças no topo do penhasco? Yuy, seu pervertido do caralho."
"Eu só quis dizer..."
"Eu sei o que você quis dizer," riu. "Nossa, você é tão fácil de provocar, Yuy."
"E você não?"
"Depende."
"Do quê?"
"—de quem está provocando."
"Maxwell... cala boca e escala!"
Os quatro jovens alcançaram a base da montanha faltando duas horas para o pôr do sol, e decidiram tentar a escalada ali mesmo. Em retrospecto, Heero pensou, ao sentir sua mão escorregar e os dedos ralarem contra a rocha, provavelmente deveriam ter acampado e começado a escalada logo pela manhã. Contudo, tomados por ambição e determinação, estavam impacientes demais para perder tantas horas bem no início da jornada. Apesar de seus receios quando viram à longa e árdua subida, os quatro elegeram continuar com o plano ambicioso.
Agora já subiam por uma hora e meia, a luz da tarde sumindo rapidamente, e estavam a cerca de vinte e quatro metros do topo. Estavam também exaustos até os ossos, aranhados, machucados e irritados, querendo nada mais do que pisar em terra firme no cume da montanha que tão ousadamente desafiaram.
Heero ponteou na reta final, deixando Trowa para ficar na retaguarda ajudando Duo e Quatre. Apesar de seu tom rude com Duo, estava genuinamente preocupado com ele, que apanhara brutalmente há poucos dias. E, apesar de apreensivo por Trowa não estar em sua melhor forma também, sabia que ninguém era melhor para ajudar escaladores menos experientes.
O líder finalmente alcançou o topo, com Quatre apenas 6 metros abaixo, Duo acerca de 12, e Trowa mais uns 6 metros do rapaz de trança, escalando suavemente.
"Mal posso esperar para me deitar," Duo grunhiu, virando-se para cima apenas para receber uma chuva de terra no rosto, que se desprendeu quando Heero se esforçou para subir o pouco que lhe faltava. "Minto," suspirou. "Mal posso esperar por um banho... um chuveiro... qualquer coisa para tirar essa merda do cabelo!"
"Poupe saliva," Trowa lhe falou sem piedade. "Esse trecho final é o mais difícil, Maxwell."
"Fácil para você falar... Você já foi lá e já voltou."
O rapaz de olhos verdes franziu o cenho. Estudando a rocha, percebeu que o caminho de Duo puxara a corda para uma ponta afiada. Estava prestes a alertá-lo para alterar a rota para diminuir a pressão da corda, quando ouviu um grito de pânico, e assistiu a uma parte da pedra desmoronar sob o rapaz de trança, dependurando-o na ponta da corda. O movimento para frente e para trás raspou a corda na ponta afiada até que ficasse presa em uma fenda em forma de V.
Duo se segurou às pedras mais próximas, recuperando sua posição, e agarrou com toda a força. "Porra!" exclamou com alívio. "Queria nunca ter pensado nessa merda de plano!"
Os olhos de Trowa ainda estavam focados na corda presa, procurando sinais de que fosse se partir, e viu os fiapos se desfazendo, seu coração subiu para a boca.
"Caraca! Duo! Para! Não mova um músculo!" avisou para o seu companheiro de equipe.
Duo olhou para baixo, espantado, mas obedeceu. "O que foi, Trowa?"
"A corda está cedendo!" o ex-acrobata respondeu. Visualizou o penhasco acima de Duo, depois desceu o olhar até onde ele próprio estava. "Aguenta firme que eu estarei aí num segundo."
Duo assentiu com a cabeça, rosto pálido ao perceber sua posição precária.
Heero acabara de se acomodar no topo, e ouviu a conversa, então imediatamente começou a fixar outra corda no gancho. "Estou aprontando outra corda de segurança, Trowa. Faça o que puder para ajudar o Duo."
Trowa assentiu e escalou o mais rápido que podia. Ainda estava há alguns metros abaixo quando ouviu o som da corda se romper, e Duo escorregou, os pés arranhando a pedra. "Merda!" Conseguiu se estabilizar, segurando-se desesperadamente com as pontas dos dedos das mãos e dos pés, e viu Trowa próximo.
"Espera... estou indo!" o ex-acrobata se movia tão rápido quanto podia, e por fim chegou à mesma superfície que Duo. "Cheguei," anunciou baixo, sua voz mais reconfortante do que a expressão em seu rosto.
Duo estava pressionado contra o penhasco, as mãos trêmulas com o esforço. Trowa se ajeitou para que seu corpo estivesse contra o do companheiro de time, provendo apoio caso o agarre dele falhasse.
"Shh... calma," murmurou, ouvindo o ofego de Duo enquanto o rapaz lutava contra o pânico.
"Estou calmo," respondeu engasgado. Os olhos índigo de Duo encontraram os verdes, e tentou abrir um sorriso que não foi convincente. "Estou de boa," sussurrou vacilante.
Trowa olhou para cima, percebendo que a corda sendo descida por Heero não seria longa o suficiente. "Yuy! Você vai precisar de outra linha! Dê um nó bem firme."
O líder conferiu, percebendo o mesmo que o ex-acrobata, e xingou vigorosamente. "Tem como conectar a cadeirinha do Duo na sua?"
"A corda não foi feita para segurar dois, Yuy," Trowa responde. Porcaria de lixo do exército!
O apoio de um dos pés de Duo desmoronava aos poucos, e ele começou a escorregar novamente, mas a mão de Trowa estava firme em seu pulso, suportando boa parte do seu peso, enquanto tentava encontrar outro ponto de apoio.
"Porra, Trowa—" arfou. "Sua corda não vai segurar nós dois." Duo fechou os olhos e, por um momento, só ouviu o som de sua respiração áspera. "Me solta," sussurrou.
"Não vou soltar," o ex-acrobata respondeu prontamente. "Apoia o seu pé."
"Sua corda não vai nos segurar, nós dois vamos cair." Para enfatizar seu argumento, houve um sibilo alto de um fiapo se partindo da corda de Trowa.
"Seu pé, Duo. Tem uma pedra a quinze centímetros à esquerda do seu pé esquerdo. Encontre."
Obedientemente, o rapaz de trança lançou seu pé, mas o movimento o fez afrouxar um pouco de seu agarre. O aperto de Trowa se fortaleceu até se tornar doloroso.
"Não posso..."
"Pode sim. Vai!"
A ponta da bota de Duo enfim encontrou um pedacinho da superfície rochosa, e pôde aliviar o peso de seu pulso. "Droga, Tro, dá logo o fora daqui."
"Não escute ele," Heero avisou. "Se segurem! Estou terminando de aprontar outra corda."
"Não se preocupe." Trowa respondeu. Olhos verdes rapidamente estimando a posição de Duo. "Está bem apoiado agora?"
"A-acho que sim," falou ansioso.
O ex-acrobata soltou o pulso que segurava lentamente, certificando-se de que o rapaz estava estável, então rapidamente desengatou sua linha de segurança e alcançou a cadeirinha de Duo.
"O que está fazendo?" Quatre questionou de sua posição uns seis metros acima. "Trowa?"
"Quieto, Quat... não temos tempo de debater!"
"Você falou que não poderíamos fazer escalada livre nesse penhasco!" O loiro reclamou. "Coloque a corda de volta!"
O rapaz de trança repentinamente percebeu o que o companheiro de time estava fazendo. "Essa é a sua linha de segurança, Barton!"
"Cala a boca, Maxwell!" Trowa ordenou, deslizando a corda pelo mosquetão frontal.
"Não." Duo tentou afastar a mão do outro, mas quase perdeu o equilíbrio, e xingou consigo mesmo.
Trowa bruscamente se pressionou no rapaz de trança, prendendo-o contra o penhasco. "Para, Maxwell. Deixa eu prender isso antes que a gente caia."
Duo o encarou irritado. "Não tente ser um mártir, Barton. Não combina com você."
"Igualmente."
"Vai se foder!"
"Trowa, não!" Quatre exclamou. "Heero está emendando outra corda na linha de segurança. Aguentem firme até ele terminar."
"Não dá tempo, Quat," falou o ex-acrobata. Duo tremia com o esforço de se segurar, e Trowa achava que a força dele não aguentaria muito mais.
"Não faça isso, Trowa," Duo pediu, mas o recruta mais alto alcançou sua cadeirinha novamente.
"Cala a porra da boca, Maxwell," Trowa retrucou. "Poupe o seu fôlego para se segurar."
Duo fechou os olhos e se concentrou em manter o agarre nos apoios que encontrara. "Caralho, Trowa," sussurrou. "Não pense que pode me compensar desse jeito!"
"A vida é minha."
"Por isso mesmo... minha vida não estava em perigo... você não me deve tanto!"
"Você fala demais, Maxwell," Trowa murmurou, deslizando a corda pelo mosquetão e fixando-a na cadeirinha. "Pronto. Relaxa. Se o pior acontecer, Heero e Quatre conseguem te puxar."
"É, e me deixar viver sabendo que você se sacrificou?" o nativo de L2 perguntou amargamente, encarando o outro rapaz.
"Não estou me sacrificando," Trowa respondeu. "Vou fazer escalada livre em um apoio mais firme e esperar a corda do Heero. Ele vai mandar em um minuto."
Duo soltou um gritinho quando o encaixe de pedra onde estava seu pé esquerdo desmoronou e, em um instante, seus dedos perderam sustento e teria caído num abismo sem volta se não fosse pela corda mantendo-o pendulando gentilmente.
"Relaxa, Duo!" o ex-acrobata comandou. "Ache o equilíbrio e procure apoios para as mãos."
Quatre, agora, alcançara o topo onde estava o líder e, juntos, desceram as cordas emendadas. No instante em que Trowa pegou a ponta, voltaram sua atenção para puxar Duo pelo resto que faltava. Em poucos minutos, tinham o rapaz de trança seguro no cume, e o ex-acrobata rapidamente escalava com a corda de segurança mais uma vez presa ao seu equipamento.
Quando, por fim, juntou-se aos outros, Quatre o puxou de modo brusco para longe da beirada, abraçando-o desesperadamente. "Seu idiota sem noção!" repreendeu, seus olhos brilhando com lágrimas não derramadas. "Que ideia foi aquela?!"
Trowa parecia zonzo, e percebeu um sorriso no rosto do líder antes de ele puxar Duo de pé e o envolver em seus próprios braços.
"Quatre?" o ex-acrobata chamou, tentando se desvencilhar do abraço apertado. "Quatre, estou bem. Sério."
O loiro encontrou seus olhos verdes, tocando em um machucado superficial em seu rosto. "Você se machucou. Podia ter morrido! Tem ideia do quanto doeria se você—?" Piscou, recuperando os sentidos, e afrouxou seu aperto para o outro poder se soltar. "Desculpa. Eu só..." Virou-se, tampando o rosto com a mão. "Eu me importo, tá?!" desabafou.
Trowa piscou, lançando uma expressão perplexa para o líder, que parecia estar abraçando Duo por um tempo excessivo. O rapaz de trança ergueu o rosto, vendo a expressão perplexa. "Idiota," falou com um sorriso malicioso. "Quat está a fim de você desde o primeiro dia no campo de treinamento."
"Duo!" Quatre esbravejou, corando furiosamente.
"Que foi?" Duo afrontou. "Quer continuar suspirando pelos cantos por causa dele? Bela bosta seria se ele tivesse caído dessa porra de penhasco e morrido! Você estaria cheio de arrependimentos pelo que nunca ter disse... nem fez." Afastou-se do abraço, voltando sua atenção para o líder, com um brilho travesso nos olhos, seus lábios a meros centímetros de distância. "Pra falar a verdade, acho que devo seguir meu próprio conselho. Chega desse chove e não molha, Yuy. Chega de interrupções."
E ele o beijou.
E Heero beijou de volta, estreitando os braços e esquecendo-se do mundo. Duo gemeu por ser correspondido, e o líder aproveitou a oportunidade para aprofundar o beijo, avançando com a língua, provando a boca do rapaz de trança.
Pela primeira vez, não tentaram dominar um ao outro; cada um cedeu e recebeu em porções iguais, as duas bocas sendo exploradas com fascinação e desejo há muito negado. Apesar de Duo ter iniciado o beijo, era óbvio que ambos queriam avidamente... que ambos ansiavam pelo contato. E agora que haviam começado, não tinha como pararem.
"Uau," Quatre murmurou de olhos arregalados. Nunca achei que Duo teria coragem de fazer isso! Seus pensamentos foram interrompidos quando Trowa se aproximou e o puxou em seus braços, beijando-o tão apaixonadamente quanto o amigo de cabelos longos beijava Heero. O loiro, por sua vez, surpreendera-se demais para reagir a não ser fechando os olhos e aproveitando. Nossa... A inspiração do Duo é contagiante.
Quando Duo e Heero finalmente foram obrigados a voltar a respirar, separaram-se apenas um pouco, ainda abraçados, lábios roçando. "Caramba... Eu devia ter feito isso há muito tempo," o rapaz de trança ofegou. O rosto estava avermelhado, suado por causa da escalada e do perigo que passara, e a onda de paixão que a proximidade causava.
"Antes tarde do que nunca, né?" Heero comentou, olhos cintilando de emoção. "Foi um baita de um primeiro beijo, Maxwell."
"Você quis dizer segundo."
O olhar do líder flamejou. "Aquele truque idiota não conta. Isso conta. Isso é verdadeiro." Ele balançou a cabeça, expressão séria. "Achei que ia te perder." Ergueu uma mão e acariciou os lábios de Duo com o polegar.
"Não é tão fácil se livrar de mim," respondeu convencido. Duo beijou o polegar, roçou os lábios nos de Heero, depois inclinou o rosto na mão cobrindo sua bochecha. "Uau," murmurou, semicerrando os olhos em puro contentamento.
"É, uau," Quatre ecoou. Aparentemente, ele e Trowa decidiram também dar uma pausa para respirar.
"Sem querer estragar o momento perfeito," Heero falou baixo, "mas ainda temos uma corrida para vencer."
"Foda-se a corrida," Duo desdenhou levianamente, puxando Heero para mais beijo acalorado. Contudo, esse foi mais curto, embora não menos intenso, e relutantemente libertou o líder. "Tá bom, Yuy... Vamos capturar a tal bandeira para podermos continuar de onde paramos."
"Pode apostar," Heero com a voz rouca, que fez os joelhos de Duo vacilarem.
"Momento," Duo suspirou. "Sempre escolho o momento errado."
Quatre ainda encarava embasbacado Trowa. "O quê...? Quando-?"
"Desde a primeira vez que te vi," o ex-acrobata murmurou, corando. "Mas aí, depois você tomou conta de mim quando eu... você sabe... estava me desintoxicando..." Deu de ombros. "Ninguém me apoiou tanto assim antes." Dedicou um olhar para os outros dois companheiros, que já recolhiam as cordas e organizavam o equipamento. "Estou em dívida com todos vocês."
Duo voltou-se para ele, suspirou, sorriu levemente e se aproximou. "Águas passadas... tá? Companheiros de equipe se ajudam." Esticou uma mão.
Trowa analisou-a cautelosamente. "Tá falando sério? Pode perdoar o que fiz?"
"É," o rapaz de trança confirmou baixo. "Se você não tivesse me tirado do penhasco, eu nunca teria provado o pedaço do Paraíso de agora a pouco. Então... obrigado. E acho que já consigo superar as coisas ruins, beleza?"
Trowa apertou a mão estendida, mas Duo deu um passo à frente e lhe deu um meio abraço. Se não por ele mesmo, precisava fazer isso por Quatre... para deixá-lo saber que a escolha do amigo de namorados não causaria tensão em sua amizade. Para enfatizar, encontrou o olhar de Quatre sob o ombro do ex-acrobata e lhe mandou uma piscadela reconfortante.
"Obrigado, Duo," o loiro falou, aproximando-se dos dois para abraçá-los.
"Ei, pessoal..." Heero chamou a contragosto. "Que tal deixarmos o abraço de urso amigo para depois de capturarmos a bandeira?"
A expressão de Duo foi feroz, fazendo Heero instantaneamente se avermelhar. "Pode tratar de vir aqui e participar, Yuy. Depois voltamos ao trabalho," o rapaz de trança prometeu.
O líder suspirou, abandonando toda a pretensão de manter o seu 'espaço pessoal', e fez o que lhe foi pedido jogando um braço ao redor de Duo e outro nos companheiros. "Baka," murmurou, enterrando o rosto no cabelo castanho trançado.
"Mas como já falei," Duo murmurou sedutoramente, "seu baka."
Continua...
