Boot Camp

Por: Snowdragonct

Tradução: Aryam


N/T: Olá! Esse capítulo pode não ser tão longo quanto os outros, mas aposto que vão gostar! E no próximo temos a missão. Tã-tã-tãnnnnnn...


CAMPO DE TREINAMENTO

45: Um Momento de Descanso

A noite chegou rapidamente depois de os rapazes do time Wing alcançarem o topo da montanha, prevenindo-os de avançar muito mais. Recolheram seus equipamentos e continuaram após um descanso momentâneo, mas não foram longe antes de considerarem melhor encontrar um local para acampar.

Acabaram por escolher uma mata próxima de um riacho, e montaram rapidamente um acampamento completo com uma pequena fogueira para esquentar algumas rações de viagem. O plano era comer, atender os cortes e arranhões, e tirar algumas horas de sono antes de continuarem assim que o sol raiasse.

Em pouquíssimo tempo, devoraram suas porções, já que estavam todos famintos por conta do rigoroso exercício. E então, para a alegria geral, Quatre apareceu com biscoitos, barras de chocolate e marshmallows.

"Quatre, juro que se eu não estivesse tão caidinho pelo Yuy, casaria com a sua irmã!" Duo exclamou. Sentava-se em um tronco, os pés esticados para aliviar a ardência em seus joelhos feridos.

Heero sentou-se ao lado dele, colocando uma panela de água próxima ao fogo para esquentá-la. "Está caidinho por mim?" perguntou com um pequeno sorriso malicioso.

"Perdidamente," suspirou Duo, fixando um olhar descarado no rosto atraente do rapaz japonês.

O líder corou levemente, mas sustentou o olhar. "É mútuo," admitiu, dando de ombros.

"Nossa, Yuy," o rapaz de trança ofegou, sentindo o pulso acelerar ante a admissão sincera e calorosa. "Só por isso, você vai ter que me beijar de novo."

Heero sorriu. "Primeiro, deixe-me ver esse joelho ralado, Maxwell."

Duo ergueu uma sobrancelha. "Já quer tirar a minha roupa?"

Não que não seja uma ótima ideia, mas... Heero balançou a cabeça. "Acho que consigo dobrar a calça o suficiente para ver." Apontou onde o sangue finalmente atravessara o tecido, logo abaixo do joelho.

Duo suspirou pesadamente. "Como quiser." Estava prestes a colocar a perna no colo do outro rapaz para facilitar o acesso, quando ele ficou de joelhos à sua frente, e cuidadosamente enrolou o tecido. Uau... nem as minhas melhores fantasias incluíam o Heero Yuy de joelhos na minha frente... ainda.

Como se lendo aqueles pensamentos, o líder ergueu a cabeça com divertimento estampado no rosto. "Está tendo ideias?" perguntou baixo.

Um soco no estômago não teria deixado Duo tão sem fôlego quanto o tom sugestivo e suave daquela voz. Como se não bastasse, os dedos habilidosos de Heero roçavam em sua pele cada vez que enrolava a calça. Tentou, em vão, responder à altura, mas acabou boquiaberto, assistindo o rapaz expor rápido e eficientemente seu ferimento.

"Está feio, Maxwell," Heero murmurou, franzindo o cenho. "Você fez uma bagunça nesse joelho."

Duo deu de ombros, recuperando um pouco de sua compostura. "Não gosto de fazer nada pela metade."

"Bom saber," o líder falou num tom suave, pegando um pano do kit de primeiros socorros e umedecendo-o na água morna.

Duo quase grunhiu ao ouvir a frase de duplo sentido, mas a ardência do pano contra o seu ferimento o fez sibilar de dor.

"Desculpa."

Balançou a cabeça negativamente. "Tudo bem, Yuy. É só um arranhão."

O japonês assentiu com a cabeça, continuando a limpar o joelho até se certificar de que não tinha nenhuma sujeira. Em seguida, passou uma pomada antibiótica antes de enrolar gaze. "Pronto. Isso deve manter a ferida limpa, e prevenir que crie casca e fique endurecido até terminarmos o exercício e voltarmos para o campo." Olhou para o rapaz de trança. "A doutora Po vai arrancar o seu couro por isso."

Duo rodou os olhos. "É só um machucadinho. Mais nada."

"Quem tivesse escutado você choramingar mais cedo, parecia que sua perna estava sendo amputada," Trowa comentou do outro lado da fogueira, onde ajudava Quatre a tostar os marshmallows.

"Eu estava com calor, cansado, suado e pendurado na ponta dos dedos," Duo o lembrou. "Claro que eu queria achar alguma coisa do que reclamar!"

Heero terminou de arrumar a perna da calça, alisando-a de volta à forma original, e analisou Duo com uma expressão carinhosa. "Algum outro machucadinho, Maxwell?"

Duo empinou o nariz. "Não."

"Ótimo." O líder se inclinou para frente e pousou um gentil beijo em seus lábios. Ante a expressão confusa que recebeu quando se afastou, abriu um leve sorriso. "Te falei depois."

"Ah é," Duo se recordou acanhado.

"Aqui, Maxwell," Trowa falou, aproximando-se e entregando ao rapaz o primeiro s'more que Quatre terminara de fazer.

"Mmm! Valeu!" Duo mordeu o doce, sua expressão de puro contentamento.

Caramba, se um doce consegue arrancar uma expressão tão eufórica do rosto dele, como ele deve ficar durante o sexo? Heero engoliu em seco, tirando à força o seu olhar do belo rosto e escondendo a reação de seu corpo, recolhendo o kit de primeiros socorros e o guardando.

"Ei, Yuy... pode pegar a minha mochila?" Duo pediu com a boca cheia de s'mores.

O líder fez o que lhe foi pedido, colocando a mochila na frente de seu companheiro de time, para depois sentar-se no tronco ao lado dele, jogando uma coberta ao redor de seus ombros.

Duo o olhou surpreso, um rápido sorriso iluminado sua face. "Ah, você quer um chamego, é?"

Heero fez uma careta para ele. "Percebi que você estava tremendo quando fiz o curativo no seu joelho."

"Ah-hã." Duo o mirou de soslaio malicioso.

"Estava sim!" insistiu.

O rapaz de trança se inclinou para mais perto, baixando o tom de voz. "Não era por causa do frio, Yuy."

A respiração cálida em sua orelha fez Heero estremecer.

"Viu o que quero dizer?" Duo acrescentou convencido. Parou de provocar o outro o suficiente para vascular sua mochila e tirar uma pequena garrafa.

"O que é isso?" o japonês perguntou suspeito.

O nativo de L2 retirou a tampa, cheirou o conteúdo, e tomou um gole. Seus olhos se acenderam. "Ah, perfeito! Conhaque de pêssego."

"Conhaque?" o líder questionou. "Não pode ter bebidas alcóolicas aqui, Maxwell! Onde conseguiu isso?"

"Eu surrupiei da despensa da cozinha," deu de ombros, bebericando novamente, e sorrindo ao sentir o doce gosto.

"Você roubou."

Duo franziu o cenho para o líder. "Eu... me apropriei dele." Tornou-se defensivo. "Olha, o chefe mantém alguns desses lá. Não vai sentir falta de umzinho só. E achei que merecíamos uma comemoração depois de detonarmos nessa competição."

"Ainda não detonamos nada," Heero grunhiu, fazendo menção de pegar a garrafa apenas para tê-la afastada de seu alcance. "E não posso ter você... debilitado aqui, Maxwell."

Duo riu com a escolha de palavras. "Debilitado? Não tenho nenhuma intenção de ficar debilitado, Yuy. Nem mesmo bêbado feito um gambá." Brandiu a garrafa. "É pequena... pensei em passar e dividir. Não tem de jeito nenhum o suficiente para deixar nós quatro de porre."

"Maxwell..."

"Duo."

Os olhos azuis se focaram nos índigo. "Duo. Não temos tempo nem o luxo de nos descuidar bebendo essa coisa hoje à noite."

A risada seca de Trowa fez com que os dois discutindo se voltassem para vê-lo se aproximar e entregar um s'more para o líder. "Relaxa, Yuy. Ele está certo. Essa escalada quase deu muito errado e pelo menos eu quero comemorar." Estendeu a mão e Duo o entregou a garrafa, lançando um olhar desafiador para o líder pelo canto do olho.

O rapaz mais alto tomou um gole de conhaque, depois foi até Quatre e o ofereceu. O loiro bebericou timidamente e, em seguida, ao sentir o sabor, tomou com mais vontade. "Nossa... é bom mesmo."

Balançando a cabeça, Heero mordeu seu s'more, observando Trowa e Quatre passar a bebida entre um e outro antes de o loiro se levantar e devolver para Duo.

O recruta de trança sorriu e tragou mais uma vez. Heero suspirou resignado e estendeu uma mão pedindo a garrafa.

Duo se iluminou triunfante, entregando a bebida e assistindo. "Gostoso, não é?"

"É, Maxwell, é sim," Heero concedeu, gostando do óbvio prazer do jovem ao seu lado tanto quanto do gosto do conhaque. E até que combinava com os s'mores.

Dividiram a garrafa até cada um deles ter proposto um brinde... ao líder!... à sobrevivência!... ou dar um murro no Kushrenada na primeira oportunidade! E embora tivesse bebida suficiente para deixá-los quentes e relaxados, certamente não era para, como disse Duo, deixar todos os quatro de porre.

E quando a garrafa se esvaziou e os s'mores foram consumidos, os rapazes sentaram-se confortavelmente ao redor do fogo, aproveitando o calor afastando o frio noturno da montanha.

Trowa e Quatre estavam juntos no lado oposto dos outros dois, sentados muito próximos e conversando em voz baixa.

Por fim, as atividades rigorosas e a tensão do dia o pegaram de jeito, o olho de Duo começou a se fechar, cílios escuros encostando-se às bochechas. "O que acha que estão sussurrando?" perguntou para o líder.

"Acho que estão dividindo histórias da vida deles... falando sobre como um estava a fim do outro... e, logo em seguida, provavelmente vão descambar para os dois ficando vermelhos como tomares, segurar as mãos, beijocas tímicas e um ficar olhando perdidamente nos olhos do outro."

Duo riu, deitando no ombro de Heero e mirando as chamas dançando na fogueira. "E a gente?" falou sonhador. "Do que vamos falar?"

"Bem, podemos dividir histórias de nossa vida, mais ou menos... e sei que você é louco por mim desde que caiu do beliche em cima de mim..."

Duo balançou a cabeça. "Não... foi quando vi esses intensos olhos azuis me observando da cama debaixo. E quando foi que você se interessou por mim?"

"Igual você – à primeira vista." O líder deu de ombros. Seus lábios se curvaram num pequeno sorriso. "E para o que isso vai descambar agora?"

"Para qualquer coisa você quiser," Duo sussurrou, ajeitando-se para que seus lábios encostassem-se ao rosto de Heero.

"Qualquer coisa?"

"Qualquer coisa."

Heero virou a cabeça, capturando os lábios de Duo em um beijo, então provocou com a língua. O rapaz de trança abriu a boca, rendendo-se, e envolveu os braços ao redor do líder, derretendo-se no abraço.

Duo tinha gosto de chocolate com marshmallow e conhaque de pêssego, e Heero gemeu no beijo, deliciando-se na sensação. Fechou os olhos, aspirando a fragrância do xampu, suor e fumaça do fogo que se impregnara nos cabelos longos. Um pequeno choramingo vindo do rapaz em seus braços quando aprofundou e intensificou o beijo, fez o pulso de Heero disparar e seu corpo ferver com anseio. Nossa, como eu desejo ele!

Quando se afastaram em busca de ar, mantiveram suas testas encostadas, a respiração arfante.

"Caramba, Heero... você é incrível," Duo ofegou. Encarou os olhos na sua frente, os seus próprios escuros de excitação. "Quer ir para um lugar só nós dois?"

Heero quase grunhiu alto, querendo gritar ali mesmo um "só se for agora!", mas sabia que não deviam... não aqui... não no meio de uma missão.

O rapaz de trança percebeu a hesitação, apesar de sua leve tontura por causa do conhaque. "Vamos, Yuy," encorajou roucamente. "Você sabe que quer." Mordiscou sedutoramente a orelha dele, pressionando-se ainda mais perto. "Eu quero demais."

"Eu também," o líder sussurrou. "Mas... não aqui, não agora." Estremeceu levemente. "Bom, agora seria ótimo, mas..."

Duo suspirou profundamente, enterrando o rosto na curva do ombro de Heero, os lábios pousados em sua clavícula. "Mas," murmurou cansado. "Tem sempre um mas com você."

"Não vai sempre ter," prometeu, acariciando o cabelo castanho trançado. "Juro, vamos encontrar o lugar certo e a hora certa, mesmo se eu tiver de mover montanhas para isso."

"Quer sentir a montanha se mover, Yuy?" Duo perguntou, uma de suas mãos deslizando sedutoramente pelo peito de Heero e descansando em seu colo, os dedos gentilmente acariciando a dureza lá encontrada. "Posso fazer acontecer."

Heero segurou a respiração e um grunhido escapou da garganta. "Porra, Duo! Por favor... você tem que... parar."

Duo riu, lábios e dentes traçando um caminho pelo pescoço do líder. A risada fez uma onda de calor pulsar naquela área do corpo do japonês. "Só uma palavra do que você disse me interessou. E não foi Duo, nem por favor, nem você tem que parar."

Com esforço hercúleo, Heero se afastou minimamente, segurando o queixo de seu amado enquanto gentilmente beijava aquela boca perfeita. "Hoje não, Duo," falou com dor na voz. "Você está exausto... Eu estou exausto... e quero que seja certo quando finalmente nós..."

"Transarmos?" o jovem de trança ofereceu.

"Fazermos amor," o líder corrigiu, emocionado com o estremecimento que sentiu passar pelo corpo inteiro do outro por conta de sua escolha de palavras.

"Caramba, isso soa... maravilhoso," Duo suspirou, relaxando nos braços do rapaz que o segurava, então tentou abafar um bocejo quando o cansaço do dia o alcançou mais uma vez. "Talvez você esteja certo." Seus olhos índigo continham um brilho malicioso. "Levaria a noite toda para eu fazer tudo o que quero com você, e vai amanhecer em poucas horas."

Heero quase grunhiu de novo com as ideias que vieram à mente ao contemplar esse tudo que Duo queria fazer. "Te falei que você é o lascivo," murmurou.

"É, e não espere que eu vá parar tão cedo." Duo ergueu o rosto com uma expressão direta e franca. "Eu quero você, Heero. Quero ficar com você, sentir você, sentir o seu gosto..." Seguiu essa linha de raciocínio com outro beijo que deixou ambos ofegantes mais uma vez.

"Que tal desenrolarmos o colchão e dormir algumas horas que tanto precisamos?" o líder sugeriu, tentando acalmar o impulso de agarrar Duo e se deixar levar pela tentação. "Depois de terminarmos a missão, nos limparmos e descansarmos, vou te mostrar o quanto quero aceitar sua oferta."

"Promete?"

"É. Prometo."

Após outro beijo – esse sendo gentil, longo e cheio de promessas – Duo finalmente sossegou, acalmando-se o suficiente para os dois recuperarem o fôlego e o autocontrole. Desenrolou um colchão para se deitarem e outro para servir de coberta, enquanto Heero apagava o fogo por segurança. Trowa e Quatre fizeram praticamente a mesma coisa do outro lado dos restos da fogueira, e os quatro cederam à exaustão e dormiram.


O sol estava ganhando altura no céu quando Duo sentiu uma bufada de ar frio quando Heero rolou para fora do colchão que dividiam.

"Ah, merda, Yuy!" Sentou, esfregando os olhos, Duo tentou puxar o cobertor para mais perto, mas não conseguiu recuperar o quentinho. "Não pode já ser hora."

"Pode sim, Maxwell," suspirou o líder. "Acredito que o sol vá nascer daqui a umas duas horas. O céu já está pálido."

A voz de Trowa soou pela clareira. "Hora de levantar, Yuy?"

"É sim." Heero eficientemente empacotava seus pertences, parando apenas para cutucar Duo com o pé calçado de bota. "Anda, Maxwel!"

"Chatão," murmurou o rapaz de trança, empurrando o saco de dormir e pegando uma jaqueta de sua mochila. Todos haviam dormido de uniforme, sabendo que seria menos traumático terem de se levantar dos colchões dessa forma. Mas não diminuiu a mordida de frio do ar da montanha.

"Mas o seu chato," Heero respondeu em uma rara demonstração de humor, nunca pausando o trabalho.

Duo riu alto, ainda impressionando com a forma que o líder encontrava de sempre surpreendê-lo com demonstrações de carinho ou humor quando menos esperava.

"Vou encher os cantis no riacho e volto em alguns minutos," Heero anunciou para os outros, recolhendo os objetos. "Sugiro que usem esse tempo para se aliviarem e consumirem barras de proteína, porque vamos apertar o passo hoje."

Enquanto o líder desaparecia na floresta, Duo se perguntava como seria depois do campo de treinamento, se ele e Heero fossem para a Academia juntos. Será que sequer ficariam juntos? Os sentimentos que desenvolveram um pelo outro sobreviveria à transição ou dissiparia fora do ambiente propício à formação de laços dentro do campo? Não tinha nem certeza qual queria que acontecesse. Mesmo sabendo que os sentimentos que tinha por Heero não eram como nada experimentado antes, não estava seguro do que fazer com eles.

Quatre chegou ao lado dele, entregando-lhe uma barra de cereal. "Coma alguma coisa, Duo. E pare de pensar, droga!"

Sorriu para o loiro. "Desculpa... eu estava com pensamentos obsessivos de novo?"

"Totalmente," o loiro respondeu. Olhou por cima do ombro para Trowa, que enrolava os colchões rapidamente e com precisão. Seus olhos claros se encheram de afeto, que continuaram à mostra quando se voltou para o amigo. "Encontramos algo especial aqui, nós todos," falou. "Não se preocupe tanto com o futuro ou vai perder o aqui e agora."

"Oh, jogando o meu conselho de volta pra mim?" o nativo de L2 brincou, mastigando um pedaço da barra de cereal enquanto empacotava sua parte dos equipamentos.

"Acertou em cheio," o loiro respondeu sorrindo.

Heero voltou assim que seus companheiros de time terminaram de desmontar o acampamento e passou um cantil para cada um, aceitando a barra de cereal oferecida por Quatre. Em alguns minutos, os quatro estavam a caminho, determinados a alcançar a cabana em tempo recorde.

O atalho lhes dera um bônus, levando-os à travessia do rio quilômetros acima da rota alternativa num trecho mais estreito, apenas algumas horas após o nascer do sol. Bastou jogarem e atarem uma corda em um tronco firme para poderem se balançar por cima do córrego gelado sem perderem tempo com uma ponte de corda.

Duo estava exultante. "Eu sabia que esse atalho valeria a pena!" gabou-se, saltitando irrefreável pela trilha acidentada.

"É," Trowa respondeu divertido. "Acho que me lembro de você reclamando sobre ter mudado de ideia quando estávamos na metade da subida."

"Tá... aquela parte foi insana," admitiu. "Mas, caralho! Funcionou!"

"Não fique metido," Heero avisou, esquadrinhando a trilha à frente enquanto avançavam com rapidez. "Se nossa sorte continuar, alcançaremos o destino por volta do anoitecer. Mas aí teremos de passar pelos guardas e quaisquer emboscadas ou armadilhas que possam ter montado."

"Bom, temos as 'bombas' de pimenta," Quatre o lembrou. "Isso deve confundir e atrasar os guardas. Depois só precisaremos passar pelas armadilhas."

"Se o que Chang disse for verdade, terá um obstáculo final também," Heero constatou. "Temos que entrar na cabana prontos para tudo."

"Que tal entrarmos de uma forma... não convencional?" Duo sugeriu.

"Tipo?"

"Talvez por cima." O jovem de trança deu de ombros. "Poderíamos chegar no telhado e ir descendo pelas janelas e entrar por aí. Evitaríamos tropeçar em fios que ativem armadilhas ou em minas terrestres."

Os recrutas haviam treinado com 'minas terrestres' laser e 'granadas de mão', que soltam uma onda de energia em vez de uma explosão. A onda desabilita o colete eletrônico de quem estiver ao alcance, marcando-os como 'não-combatentes'. Ninguém no time Wing queria ser descuidado o suficiente para acionar uma.

Heero tinha o cenho franzido em concentração enquanto caminhava pela trilha acidentada. "O que faremos é tirar umas duas horas para vasculhar a área quando chegarmos lá," anunciou firmemente. "Observando os vigias, poderemos perceber onde as minhas e as armadilhas estão, e também a planta do local e os horários deles."

Quatre assentiu em concordância. "Uma vez que a gente saiba a rotina deles, será mais fácil decidir como desabilitar os guardas."

"Ooo... olha só vocês bancando os fodões," Duo riu, abrindo um sorriso brincalhão para o amigo loiro. Os olhos verde-azulados o encararam levemente envergonhados e o rapaz de trança rapidamente jogou um braço ao redor do ombro do amigo. "Não. Não precisa ficar com vergonha, Quat. Fodão é bom." Perdeu-se na figura de Heero à frente. "Fodão é muito, muito sexy." Lançou uma olhadela por cima do ombro para Trowa. "Né não, Barton?"

"Pra mim está ótimo." O ex-acrobata deu de ombros, os olhos verdes passeando famintos pelo corpo ao lado do rapaz de trança.

"Viu, Quat? Ele gosta de você todo durão e pronto pra ação."

"Caralho, Maxwell, tem alguma coisa que saia da sua boca que não tem duplo sentido?" Trowa repreendeu.

Quatre pareceu confuso e o rapaz de trança gargalhou. "É melhor você explicar pra ele, Tro. A mente dele não é tão suja quanto a sua e a minha."

"Duo!" o loiro protestou.

Duo empurrou o amigo na direção do outro mais alto. "Vá perguntar para o Trowa. Com certeza ele vai te explicar no que ele imaginou 'durão'."

Quatre corou furiosamente. "Não sou tão ingênuo, Duo!"

"Me agradeça depois!" Duo trotou mais rápido para se emparelhar com Heero quando a trilha se alargou, e entraram em um campo aberto gramado. "Já chegamos?" perguntou com um sorriso encapetado.

Heero apenas rodou os olhos. "Você está se divertindo demais, Maxwell." Relanceou severamente para ele. "Me fale quando estiver pronto para levar isso a sério."

Duo se recompôs na hora, embora seu sorriso permanecesse. "Serei o quão sério você quiser, ó destemido líder." Apesar de seu tom leve, realmente se acalmou enquanto discutiam os planos para a tarefa que viria a seguir.


Capitão Chang e Major Marquise supervisionaram as preparações de cada soldado com uma satisfação sombria.

"Como pode ver," Wufei contava ao seu superior, "as defesas do perímetro devem, ao menos, nos alertar da aproximação do primeiro time. Na melhor das hipóteses, as minas laser os renderão como não-combatentes."

Zechs riu secamente. "Chang, espera, sinceramente, que algum de seus recrutas passe disso?"

"Na verdade, o time do Yuy certamente passará. Eles têm o melhor estrategista do campo, um acrobata capaz de manobras criativas o suficiente para passar por qualquer uma das armadilhas, um rapaz com habilidades sorrateiras capazes de pregar peças noturnas sob o nariz dos guardas do Kushrenada e dos meus, e Heero Yuy, que conhece a mim e aos meus métodos melhor do que qualquer outra pessoa viva." Wufei assentiu com a cabeça com certa confiança. "Eles vão chegar à cabana." Seus olhos escuros se semicerraram. "Porém, não vão passar de mim," profetizou. "Eu que estarei dentro da cabana, protegendo a bandeira. No primeiro sinal de aproximação, estarei pronto para eles."

"E o que exatamente você vai fazer contra quatro inimigos?"

"Pegá-los de surpresa e levá-los prisioneiros," Wufei respondeu. "Se não der certo, estou considerando jogar uma granada laser quando entrarem pela porta. Embora isso também me desabilite, fará o mesmo com eles." Deu de ombros. "Eles precisam aprender que o inimigo pode preferir destruir o prêmio a perdê-lo".

Marquise assentiu com a cabeça, passando uma mão pelo longo cabelo. "Parece que está tudo no lugar. Vou voltar para a prisão e manter um olho no Kushrenada e nos homens dele." Franziu o cenho. "Ele estava surpreendentemente bem indiferente quanto a esse exercício. Achei que ele ia reclamar por deixarmos os internos soltos na floresta desse jeito."

"Os recrutas ainda estão com os localizadores gps," o Capitão ressaltou. "Apesar de a função de choque estar desativada."

"É, mas como você lembrou, o Maxwell conseguiu "perder" a dele antes."

Uma sugestão de sorriso apareceu nos lábios de Chang. "Ele é bem engenhoso, aquele rapaz."

"Deixa um pai orgulhoso, não é?" o Major provocou.

Wufei ficou tenso quando ouviu o termo escolhido. "Não pode usar a palavra guardião?" pediu. "Me dá arrepio pensar em ser da família daquele malandrinho descarado."

Marquise riu. "Quanta bobagem, Chang. Você adoraria ser responsável por um moleque que tirou uma nota daquelas no simulador." Os olhos do homem brilharam com a lembrança. "Se dependesse de mim, eu arrastaria esses quatro do time Wing direto para a Academia. Não me importo se chegarem em último nessa corrida, eles foram feitos para a ASMS e quero vê-los em mobile suits de verdade o quanto antes."

"Eu também," Wufei concordou. "Mas não se preocupe. Eles vão ganhar essa competição." O sorriso discreto virou diabólico. "Mesmo que eles não consigam me vencer."

"Está tão seguro a ponto de fazer uma pequena aposta?" Os olhos do Major cintilaram com uma mistura de divertimento e mais algo que Wufei não conseguiu identificar, embora o deixasse um pouco desequilibrado.

Então, o oficial chinês recuperou o equilíbrio e ergueu o queixo, confiante. "E qual é a aposta?"

Continua...


Resposta aos comentários:

Lis Martins, eeeeeei! Saudades de você também, faz tempo que não nos falamos, né?! Mudei de BH, vou te passar meu whats pelo face! Eu não lembrava que a cena dos beijos era nesse capítulo [o anterior], então me surpreendi também XD Mesmo quando a Snow apela um pouco, ela sabe prender o leitor, por isso gosto das fics dela. Vou tentar não demorar tanto para atualizar! Beijos!

Diana Lua, oooooi! Obrigada por ler e comentar! Que bom te ver por aqui! Sobre o bivaque, sim, pode ser isso que você falou, mas em termos militares, é o acampamento de uma tropa; do dicionário, sobre bivaque: "[Militar] Estacionamento provisório de uma unidade militar ao ar livre (ex.: passaram a primeira noite de bivaque no sopé da montanha).". Olha, realmente tem um ou outro capítulo chato, às vezes tem um parágrafo que acho entediante e realmente empaco um pouco, mas penso que vai ser tão satisfatório quando terminar de traduzir essa fic, que vou em frente! XD "apesar de uma corda não cortar na pedra assim tão fácil..." kkkkkkkkk não é?! Para ser sincera, achei que esse capítulo [o anterior] foi meio forçado no drama para o leitor perdoar o Trowa rápido, mas ok, como você disse, liberdade poética... E o beijo compensou tudo! Beijos!