Boot Camp

Por: Snowdragontct

Tradução: Aryam


N/T: Diana, muito obrigada pelo apoio! Sobre o outro capítulo, eu também esqueço várias coisas e só vou lembrando conforme vou traduzindo XD A cena do Heero sendo preso eu lembrava de um jeito diferente, enfim, coisas da memória... O Wufei é um abusado chamando o Duo de "filhote", né? Kkkkk Que bom que está gostando da tradução, fico muito feliz com elogio =^.^

Esse capítulo é muito especial para a história como um todo! Boa leitura!


CAMPO DE TREINAMENTO

49: Promessas

Após os rapazes retornarem tarde de um jantar sombrio, Duo não tentou fingir que fazia nada além do planejado: preparar-se para entrar na cela de Heero.

"O que, exatamente, você acha que vai conseguir?" Quatre perguntou de braços cruzados e uma expressão firme enquanto observava Duo enfiar coisas na mochila.

"Eu tenho que ver ele," Duo respondeu, sem contar seu verdadeiro plano: ajudar Heero a fugir e se afastarem o máximo possível do Campo Peacecraft e dos policiais de L1.

"Só isso? Depois vai voltar direto para cá?" Quatre pressionou.

Duo abriu um meio sorriso. "Bom, achei que ele e eu poderíamos dar uma rapidinha antes."

Trowa riu. "Deixa ele ir, Quat."

Olhos azul-esverdeados se semicerraram. "Você não está ajudando, Trowa. Se ele for pego próximo das celas, pode ser mandado para L2, enquanto o Heero vai para L1." Quatre suplicou para o amigo. "É o que você quer?"

"Nem a pau," Duo respondeu de pronto. "Mas não vou deixar Heero sair dessa base sem eu ver ele primeiro." Parou, virando-se determinado. "Muitas coisas ficaram sem ser ditas entre Heero e eu. E preciso falar algumas para ele. Essa pode ser minha única chance."

"O capitão falou que tentaria nos deixar vê-lo."

"Eles vão levar ele embora logo de manhã," o rapaz de trança respondeu. "Não temos tempo."

"Não deixe para amanhã..." Trowa concordou.

Duo semicerrou os olhos para o moreno alto. "Esperava mais resistência de você, Barton. Qual é?"

"Você já é grandinho, Duo. Já tem responsabilidade para arcar com os próprios erros," Trowa respondeu. "Eu, de todas as pessoas, não tenho direito de julgar as decisões dos outros." Deu de ombros. "Além do mais, não tem como te parar."

"Pode apostar que não." Duo fechou a mochila e a jogou em seu baú, cerrando a tampa. Então se virou para os companheiros. "Preciso que cubram pra mim quando o Chang aparecer."

"E como vamos fazer isso?" Quatre questionou com um traço de sarcasmo.

"Quat, você sabotou um ônibus no meio do campo em plena luz do dia," Duo o lembrou. "Com certeza consegue pensar numa maneira de não deixar o Chang puxar a coberta da minha cama e achar um monte de travesseiros."

Trowa passou o braço ao redor da cintura de Quatre. "Acredito que podemos bolar alguma coisa," o ex-acrobata falou com um grande sorriso.

Quatre se contorceu um pouco, virando-se. "Não o encoraje, Trowa! Ele deveria largar isso pra lá e deixar o capitão resolver tudo. É arriscado demais..."

Trowa colocou os lábios no pé do ouvido do loiro. "Tem coisas que valem a pena se arriscar," ele falou.

Duo sorriu e apontou para o beliche "Todo mundo na cama. Chang vai aparecer para nos checar a qualquer momento... podem apostar." Desligou as luzes e subiu na própria cama, enrolando-se na coberta e fingindo dormir.

De fato, menos de vinte minutos depois, a porta se abriu sem fazer barulho, e o capitão Chang caminhou em silêncio pelo quarto, indo direito para o beliche do garoto de trança. Uma pequena lanterna providenciava luz suficiente para ver que o rapaz estava mesmo ali.

"Sei que não está dormindo, Maxwell," sussurrou.

"Nenhum de nós estamos," Quatre falou de onde estava deitado.

Duo se apoiou em um cotovelo e sorriu para o capitão. "Desconfiei que você apareceria, senhor. Na verdade, achei que viria mais cedo. Eu poderia estar a meio caminho do centro de detenção se tivesse saído no toque de recolher."

"Eu estava vigiando a porta e a janela," Wufei revelou. "Não tem outra saída."

Duo não viu razão para contar das tábuas soltas no chão do banheiro sob um velho tapete e o conveniente espaço grande o bastante para rastejar. "Então volta para a sua vigilância e me deixa dormir," sugeriu. "Sei quando sou derrotado, capitão."

"Sabe?" perguntou cauteloso. Os olhos escuros de Wufei penetrou os índigo. Então, abruptamente, puxou a coberta e arregalou os olhos quando viu que o rapaz usava apenas camiseta e cueca.

Duo ergueu uma sobrancelha. "Procurando alguma coisa, Chang? Entra na fila. O Heero é VIP por enquanto."

Um tom avermelhado tingiu a face do oficial, e ele jogou a coberta no garoto. "Achei que... tinha certeza que..."

"...eu estava totalmente vestido e pronto para dar uma escapada?" Duo completou para ele. "Acha que sou tão idiota assim?"

Não tão idiota quando eu esperava. Wufei recuperou a compostura logo e franziu o cenho. "Gostaria que você me prometesse não sair desse quarto esta noite, Maxwell."

"E eu gostaria muito de fazer essa promessa," o rapaz de trança respondeu.

"Mas...?"

"Mas você está me vigiando mesmo assim, então obviamente não acreditaria na minha promessa."

"Tenho que ter certeza," o chinês rebateu. "Sei que Heero significa muito para você e que faria loucuras para poder vê-lo."

"Você não tem ideia do que ele significa pra mim," Duo respondeu baixo com o rosto sério. "Ele significa tudo. Sem ele, eu não teria chegado tão longe no treinamento."

"Demonstre o quanto e fique longe de problemas."

Duo abriu um sorriso cansado. "Prometo que vou me esforçar ao máximo para ficar longe de problemas. Que tal?"

"Isso não me diz nada." Wufei suspirou. "Basicamente, está me prometendo que vai tentar não ser pego."

"Você me conhece tão bem," respondeu pesaroso. "Faça o que tem que fazer, capitão. Deixa eu descansar, tá?"

Murmurando xingamentos chineses, o capitão saiu com passos silenciosos do quarto.

Trowa riu baixo. "Boa, Maxwell. Ele sabe muito bem o que você vai fazer e mesmo assim não sabe como te parar."

Quatre franziu o cenho de leve. "Não entendo por que ele não colocou um soldado aqui para nos vigiar."

"Ele quer me dar uma chance," Duo sorriu. "Não acha que vou conseguir, mas quer me deixar tentar... Se eu for longe o suficiente, ele pode justificar me jogar numa cela até o Heero ir embora."

"Entendi." Os olhos de Quatre semicerraram. "O capitão é um homem complexo," notou.

"Nem tanto," Duo deu de ombros, descendo e pegando suas roupas debaixo do travesseiro na cama desocupada de Heero. "Ele gosta de jogos de estratégia. Aprendi muito sobre ele com Heero." Vestiu rápido as roupas e as botas.

"Então para ele é tudo um jogo?" o loiro perguntou cético.

"Para mim também é," Duo o informou. Abotoou a camisa e abriu um sorriso reconfortante para o amigo. "Bem... nem tanto. Ver Heero não é um jogo... mas chegar até ele é."

"Agh… vai me fazer vomitar, Maxwell," Trowa grunhiu. "Você tá tão apaixonado pelo Yuy."

Duo o encarou olho no olho. "É, estou sim," admitiu.

Trowa teve a decência de se surpreender com a confissão. Então sorriu. "Fico feliz por vocês dois."

"Valeu." Duo pegou a mochila do baú e foi até a cama de Quatre. "Enfiei meu travesseiro debaixo da coberta para parecer que estou ali. Não vai enganar o Chang por um segundo. Você tem um plano de distração se ele voltar?"

Trowa deu uma risada sombria. "Tenho um plano infalível." Se inclinou no canto da cama e deu uma piscadela para Quatre, que corou.

"Agh! Informação demais!" Duo riu.

"Tá bom," Trowa brincou. "Você falou que vai ver o Yuy para transar antes de ele ir embora e agora está cheio de pudores comigo e com o Quatre dando uns amassos fazendo barulho alto o suficiente para assustar o Chang?"

Quatre arregalou os olhos. "Vamos fazer o q-quê?"

Duo se inclinou e sussurrou na orelha do loiro. "Vocês vão trepar que nem coelhos," previu. Deu um beijo rápido e recatado na bochecha do amigo. "Quase estou com inveja," suspirou, endireitando-se. Lançou uma expressão séria para Trowa. "Você é muito sortudo, Barton. E se não fazer o Quatre feliz, vou pessoalmente acabar com a sua raça." Com um sorriso demoníaco, foi até o banheiro. Trancou a porta – caso Chang entrasse, poderia fingir estar passando mal.

Em seguida, Duo ergueu as tábuas que tinha afrouxado antes, com delicadeza as colocou de lado. Jogou sua mochila pelo espaço revelado e a seguiu.

Deitado de barriga para baixo, progrediu por baixo da construção até chegar num canto sem janelas, pensando que Chang vigiaria menos esse lado. Esperou seu coração se acalmar e sua visão se estabilizar, então afrouxou parte da grade e se espremeu para fora.

De lá, escondeu-se nas sombras e seguiu seu caminho para o centro de detenção. Já formulara um plano. Anos de invasão e roubo o ensinaram que as pessoas raramente olham para cima. Foi simples escalar a calha no canto de um prédio e andar na ponta dos pés silenciosamente pelo telhado até chegar à grade de ventilação.

Naquela altura, pegou seu canivete e o usou para tirar os quatro pregos, para levantar a grade do duto. Quando as luzes vigilantes de rotina fizeram sua varredura, ele se achatou contra o telhado, segurando a respiração até passarem. Só então se levantou e se abaixou no tubo, rastejando até encontrar uma abertura.

De sua posição alta, podia ver embaixo um corredor com apenas uma única luz distante acesa. Duas figuras estavam sob a sombra do lado de fora da porta, que devia ser a de Heero. Virou à direita, empurrando-se com os cotovelos e pés até encontrar a próxima abertura e poder olhar para a cela escura.

Com os olhos ajustados à falta de luz, podia distinguir bem as silhuetas. Uma cama, uma privada e pia... e sob a coberta uma protuberância. Enquanto observava, a pessoa debaixo da coberta se moveu e se sentou, olhando ao redor como se procurasse por alguma coisa.

"Duo?"

A voz baixa o fez estremecer surpreso, e o som que sua reação causou, atraiu a atenção da pessoa, que olhou diretamente para o duto.

"Mas que...?" Heero olhou para cima, seu rosto sombreado, mas aqueles olhos cintilantes eram inconfundíveis.

"Ei, amor," Duo sussurrou, passando o canivete pela grade. "Quer desparafusar a tampa para eu entrar?"

"Não... Duo, você tem que ir... se for pego..."

"Não vou embora até conversarmos," o recruta de trança afirmou com uma voz que Heero reconheceu como sendo resoluta.

"Tá." Ele pegou o canivete e, em poucos segundos, desparafusou a tampa do duto.

Duo rastejou pela abertura, abaixando as pernas primeiro e saltando no chão sem fazer barulho. "Ei, querido. Cheguei," sussurrou, endireitando-se e sorrindo quando os braços de Heero o envolveram. "Ah, essa era a recepção que eu queria."

O líder o abraçou apertado por alguns momentos, aspirando a essência de seu cabelo, o leve cheiro de sabonete e roupas limpas... assim como o cheiro de poeira do duto misturado ao perfume único de seu namorado. "Duo… você é louco... Mas, caramba, é tão bom poder ter você nos meus braços."

"Igualmente," respondeu suave. Relutante, Duo se afastou e ficou de joelhos.

"O que está fazendo—?" perguntou alarmado com a voz estrangulada.

Os olhos índigo se voltaram para cima e um piscou. "Não é o que você está pensando... mas bem que seria legal. Talvez mais tarde, amor."

Heero sentiu a perna de sua calça subir alguns centímetros e as mãos de Duo mexendo com a sua tornozeleira. Então o rapaz de trança riu triunfante, abrindo o aparelho e se levantando.

"Aqui. Você é um homem livre, Yuy. Pelo menos será assim que vazarmos daqui e despistarmos alguns guardas. E cachorros. E o exército do Chang." Duo puxou Heero e lhe deu um beijo profundo.

Enquanto Heero se deliciava com a sensação da língua de Duo contra a dele, e a sensação ainda mais deliciosa do corpo encostado no dele, forçou-se a se separar para empurrar o rapaz de trança alguns centímetros. "Do que você está falando, Duo?"

"Vou te tirar daqui," o jovem de L2 prometeu como se fosse óbvio.

"Não pode!" Heero protestou num sussurro quase inaudível, olhando inquieto para a porta. "Duo, se formos pegos, você vai ficar na cadeia por tanto tempo que nunca mais vamos nos ver."

"Então é melhor não sermos pegos." Duo o silenciou com outro beijo, pressionando-se contra ele para que o líder sentisse a excitação do rapaz de trança. Quando Duo partiu o beijo, descansou a testa na do japonês. "Caramba, Yuy... se não nos apressarmos, não vou conseguir correr quando a gente precisar," ofegou contra os lábios do outro.

"Não quero passar o resto da vida fugindo..." Heero começou.

"Que resto da vida?" Duo questionou. "Não vai nos levar mais do que uns dois dias para despistar nossos perseguidores e achar um lugar para recomeçarmos."

Heero balançou a cabeça. "Não, Duo. Wufei vai me ajudar a resolver esse problema. Eu só tenho que aguentar firme. Vai ficar tudo bem.

Foi a vez de Duo balançar a cabeça. "Que merda, Yuy! Estou preso no sistema a vida toda. Não pode confiar que eles vão fazer a coisa certa."

O líder se afastou e se sentou na cama, colocando as mãos na cabeça. Parte dele acreditava em Duo. A acusação de assassinato seria difícil de contradizer. Na pior das hipóteses, seria o fim da linha para ele. E fugir de tudo para começar uma vida com Duo era tentador.

Mas então imaginou como seria essa vida. Teriam de estar sempre fugindo... sempre se escondendo... e não teriam um momento de sossego. E o sonho de frequentarem a Academia ficaria no passado. Não haveria volta uma vez que tomassem esse caminho.

Quando percebeu que amava Duo, Heero soube que queria algo melhor para o amado... algo melhor do que as ruas, uma vida se escondendo e roubando. Não queria jamais que o seu lindo namorado precisasse procurar comida em latas de lixo. E Duo trabalhara tanto, conquistara tanto no treinamento, que Heero não conseguia suportar a ideia de ele jogar tudo para o alto.

Ergueu o rosto quando sentiu o peso afundar o colchão ao seu lado da cama. "Vamos, Heero. Não dá para hesitar agora. Não temos muito tempo.

"N-não posso," por fim, suspirou o rapaz de L1. Encarou os olhos índigo. "Não quero passar o resto da vida fugindo, Duo," repetiu. "Quero passar o resto da vida com você."

Os olhos de Duo se arregalaram quando percebeu a implicação da afirmação. "C-comigo?"

"É, com você. E sem precisar fugir das autoridades… sem precisar viver nas ruas." Heero acariciou os braços de Duo, puxando-o para perto. "Você merece ser livre—ter aquele recomeço pelo qual estamos nos esforçando tanto. Não vou te deixar jogar tudo pro alto. Não vou jogar fora. Temos que fazer isso do jeito certo... do jeito legal... para não passarmos o resto da vida olhando por cima do ombro com medo."

Os olhos do outro rapaz se umedeceram com lágrimas não derramadas. "Mas e se você for condenado?" perguntou angustiado.

"Não se preocupe. Wufei vai contratar um advogado de primeira. Ele vai me ajudar a resolver isso."

"E se não conseguir?"

"Vamos cuidar disso quando chegar a hora. Por enquanto, você precisa voltar para o alojamento antes que se meta em encrenca. Acho que não suportaria ter que me preocupar com você numa cadeia em L2 enquanto lido com isso tudo."

Duo balançou a cabeça. "Não vou embora enquanto não me der algo para eu me lembrar de você até voltar."

Heero sorriu, inclinando-se para beijar o rapaz de trança, mas Duo balançou a cabeça mais uma vez.

"Não, quero algo realmente memorável," sussurrou, deslizando uma mão pelas costas de Heero e enterrando-a no cabelo bagunçado para puxá-lo para um beijo apaixonado.

Quando parou para respirar, Yuy tentou se afastar, mas sem sucesso. "Duo—você não deveria—nós não—"

"Cala a boca, Ro. Eu quero isso," Duo ofegou, pressionando-se contra o líder. "Eu te quero tanto! Quero me lembrar da sensação do seu toque—do seu gosto—do seu cheiro. Quero marcar na minha memória antes de te deixar ir."

Heero afastou a franja do rosto de Duo. "Quer que nossa primeira vez seja numa cela?"

Duo amou o som daquilo…"primeira"…significava que teria mais. Muito mais, se dependesse dele. "Não me importo," respondeu. "Não sou fresco quanto o onde e o porquê. Mas tenho uma opinião forte quanto ao quando."

"Quando?"

"É, agora."

Duo seguiu essas palavras com um beijo que fez o coração de Heero palpitar de antecipação. Mesmo enquanto a língua sedosa acariciava seu palato, explorando sua boca em cada detalhe, os dedos hábeis de Duo trabalhavam nos botões de sua camisa.

Heero respondeu segurando as mãos esguias, acariciando-as amorosamente, antes de deslizar as próprias mãos pelos braços do rapaz e soterrar os dedos nos cabelos longos, arrancando um grunhido de prazer do namorado.

"Ah, caralho, Heero," Duo ofegou, afastando para respirar. "Agora! Quero você agora. Eu preciso de você…"

"Mas e se alguém entrar?" Heero perguntou ofegante e corado.

O rapaz de L2 sorriu, dedos ainda ocupados em desabotoar a camisa. "Então provavelmente vão acrescentar estupro presumido nas suas acusações," falou, abrindo a camisa e inclinando-se para depositar um beijo no peito exposto de Heero. "Sou menor de idade, sabia?"

Duo—"

"Não tente me parar, Yuy." Os olhos índigo olharam por debaixo da franja. "Não é como se você fosse meu primeiro," revelou baixinho. "E não estou falando do que aconteceu na solitária. Eu vivi nas ruas a vida toda. Acha que não procurei conforto onde conseguia achar?" Afastou-se um pouco, franzindo o cenho. "Isso muda alguma coisa?"

"Claro que não!" Heero se apressou em dizer, segurando o belo rosto em suas mãos. "Nossa, Duo, eu não sou nenhum santo. Isso não importa."

"Boa resposta." Duo abriu um grande sorriso, capturando os lábios de Heero em outro beijo ardente.

Dessa vez, o japonês desistiu de resistir à tentação, ele estava perdendo desde o início. Ah, caramba, ele perdera há muito tempo. Tudo o que queria naquele momento era sentir cada toque—cada carícia que o rapaz estava disposto a dar—sentir a pele quente contra a dele—aquele calor apertado ao redor de sua agonizante ereção.

Já estavam na cama, e se moveram para o meio depois que a camisa de Heero caiu no chão e a de Duo a seguiu. Entre toques fervorosos e sussurros, promessas lascivas, conseguiram se livrar do resto das roupas, acabando deitados de lado no colchão para se livrarem da última peça íntima.

E então estavam pressionados um contra o outro, sem qualquer pensamento a não ser explorarem os corpos expostos.

Duo deslizou os dedos com toques fantasmagóricos pelas laterais de Heero, resultando um ofego e um arrepio. "Caramba, nem sei por quanto tempo quis te sentir assim!"

"É, mas eu sei," Heero sussurrou de volta, lambendo um mamilo e sorrindo com o choramingo de prazer que recebeu como resposta. "Pelo mesmo tempo que eu queria fazer isso."

"Você pode fazer o que quiser," o rapaz de trança sibilou veemente. Enquanto Heero beijava pela barriga e deixava sua língua traçar círculos antes de afundá-la no umbigo, Duo gemia baixo. "Qualquer coisa."

Podia sentir os lábios em sua barriga se curvarem num sorriso. "Qualquer coisa?"

"É… qualquer coisa."

Heero acreditou nas palavras, permitindo suas mãos e lábios provocarem e esfregarem o que quisessem.

E quando Duo literalmente tremia de antecipação e não aguentava mais provocações, virou a mesa, rolando para ficar por cima, sendo sua vez de acariciar e se deliciar, e fazer seu parceiro se contorcer de prazer.

Adorando a sensação de poder que as respostas do outro rapaz lhe davam, Duo permitiu seus lábios viajarem para além do ventre, espalhando leves beijos pela dureza que encontrou antes de tomá-la em sua boca.

Heero ofegou surpreso e deixou escapar um grunhido gutural antes de conseguir se refrear.

Um instante depois, houve uma batida na porta e o som da voz abafada de um guarda. "Yuy?"

Jogando Duo contra a parede, de frente, Heero pegou a coberta sobre os dois e virou de lado, para o outro rapaz ficar escondido atrás dele. Bem a tempo, já que o buraco na porta se abriu e o guarda jogou a luz de uma lanterna para dentro da cela, mirando-a no rosto de Heero.

"Você está bem, garoto? Ouvi um grunhido. Parecia que você estava com dor ou alguma coisa séria."

Alguma coisa séria mesmo!

"Estou b-bem!" Heero balbuciou, piscando contra a luz e forçando um sorriso.

O guarda franziu o cenho, semicerrando os olhos. "Tem certeza? Você parece meio abalado, garoto. O capitão Chang prometeu acabar com a raça de todo mundo se acontecer alguma coisa com você. Quero saber se você está doente."

"Não. Só... comida. Me deu um pouco de dor—gás, sabe?" Heero mentiu. Ele estremeceu quando as mãos de Duo deslizando pela sua cintura e pelo estômago, descendo, provocando sua ereção. "Ah, caralho!" sibilou, baixando a mão para agarrar a de Duo com força. "Estou bem. Sério."

"Quer que eu peça pra alguém ir à enfermaria pegar um antiácido ou sei lá?"

"Não precisa," Heero rosnou, apertando a mão do Duo como um aviso quando os dedos ousados tentaram provocá-lo mais uma vez. "Sério. Obrigado. Eu bato na porta se ficar pior e mudar de ideia."

"Hum—tudo bem. Eu volto para checar em mais ou menos uma hora. Se ainda não estiver bem, chamo a médica você querendo ou não."

"É, tá, que seja," Heero respondeu, mordendo o lábio inferior com tanta força que saiu sangue quando a outra mão de Duo deslizou por baixo de sua cintura, passando por entre as coxas e segurando as formas esféricas que encontrou ali no meio.

Quando a portinhola se fechou, Heero se virou, segurando as mãos de Duo e as prendeu contra a parede sobre as cabeças dele, usando o próprio corpo para segurá-lo. "Maxwell, você foder comigo?" sussurrou fervoroso.

"Não. Quer foder você," respondeu impenitente. "Ou vice versa. Sua escolha, amor." O rapaz de trança capturou os lábios de Heero num beijo impetuoso e exigente, contorcendo-se para que suas ereções se esfregassem. "Agora, vamos mandar ver de uma vez?"

"Ah... só se for agora!" Heero grunhiu em abandono, cedendo para a paixão que não conseguia mais reprimir. Ele beijou e provocou o corpo do namorado, tocando e esfregando cada curva—gravando a sensação em suas memórias. Ambos logo arfavam e gemiam contidos, abafando os sons na pele um do outro.

Então, os dedos de Heero deslizaram pela cintura de Duo, explorando as protuberâncias da bunda que lá encontrou; o jovem de trança grunhiu impaciente, um braço indo até o lado da cama, pegando sua calça e mexendo num bolso. Pressionou um pequeno tubo na mão de Heero.

"Onde conseguiu—?" Heero pausou, ainda respirando pesado, para olhar o que havia recebido. "Bacitracin?"

"Fui ver a doutora Po depois do jantar," o rapaz de trança explicou, os olhos escuros de desejo. "Para o meu joelho. Eu—peguei emprestado—quando ela foi pegar curativos."

"Ah." Heero mordiscou o pescoço de Duo, segurando a pele entre os dentes e chupando gentilmente até o jovem se contorcer e um grunhido escapar por entre seus lábios partidos.

"Vai me dizer que eu não devia ter—?"

O líder balançou a cabeça. "Nem aqui nem na China." Procedeu a abrir o tubo e o utilizou, deleitando-se com os sibilos de prazer sendo extraídos de seu parceiro. Na verdade, ele adorava os choramingos e a respiração pesada, por isso demorou-se, saboreando o quanto podia, até o rapaz de trança ofegar e empurrar-se contra os seus dedos.

"Caralho, Heero… para de provocar!" Duo exigiu quando já não aguentava mais. "Eu quero você dentro de mim—oh, isso é muito bom—agora!"

Heero parou as provocações, erguendo-se com as mãos até estar sobre o namorado. Seus olhos azuis queimavam com paixão ao estudarem o rosto corado repleto de desejo. "Tem certeza—?" perguntou baixo.

"Nunca tive tanta certeza na vida," a resposta foi num sussurro quase inaudível.

"Não quero te machucar—ou te assustar—" Franziu o cenho preocupado, analisando o rosto do outro rapaz para ver se encontrava qualquer sinal de hesitação ou desconforto, dolorosamente consciente do trauma recente que ele havia passado. Mas só o que viu foi desejo, afeição e até antecipação.

"Você não pode me machucar," Duo murmurou, enrolou a mão no pescoço de Heero para puxá-lo para outro beijo. "Vamos, faça amor comigo, Ro…"

E foi o que ele fez.

Fechando os olhos em êxtase, penetrou no corpo receptivo, e rendeu-se à compreensão de que estava completa e perdidamente apaixonado. Nunca sentira uma emoção tão avassaladora na vida quanto naquele momento.

"Olha pra mim, Ro." Ouviu o sussurrou suave e abriu os olhos para encontrar o olhar escurecido e amoroso olhando de volta com pura adoração. "Caramba, você é lindo."

"Tirou as palavras da minha boca..." Heero arfou, uma fina camada de suor no rosto se formando enquanto lutava para permanecer parado por um momento, esperando seu namorado estar pronto para ele se mover.

"Então toma elas de volta," respondeu provocante, e Duo o puxou para um beijo profundo e emotivo. Um momento depois, o rapaz de trança balançou um pouco os quadris, extraindo um grunhido de prazer de Heero. "Vai, Yuy… se mova."

Não precisa pedir duas vezes.

Heero se moveu, lentamente de início—com cuidado—depois com mais confiança conforme encontravam um ritmo. E se o canal apertado e sedoso não era suficiente para empurrar Heero no abismo do clímax, a visão da expressão de puro prazer no rosto de Duo—deitado em seu travesseiro, olhos semicerrados—empurraram-no. Mas foi o ofego surpreso e o prazer cego arrancado dos lábios de seu amante quando deu sua próxima estocada no ponto certo, que arremessou Heero ao abismo de uma vez por todas.

Sua mão deslizou entre eles para massagear o membro ali encontrado no mesmo ritmo que as estocadas, e sentiu o corpo do namorado ficar tenso como o dele próprio... ambos escalaram o cume do prazer como um.

A boca de Duo se abriu como se fosse gritar em êxtase, e Heero rapidamente a cobriu com a dele, beijando-o, abafando ambos os gritos quando gozaram juntos. Contudo, o japonês juraria que o som que abafou com os lábios era o seu próprio nome sendo exclamado nos efeitos da paixão, e isso o excitou tanto que pensou que iria desmaiar com a intensidade do orgasmo.

Quando a cabeça finalmente clareou, olhava para olhos índigo arregalados e umedecidos, e faces avermelhadas com excitação. Duo ainda ofegava, sua respiração quente contra a boca de Heero.

"Oh, puta que pariu, isso foi incrível," arfou com a voz fraca.

Heero assentiu com a cabeça, também com a respiração pesada, e mirava com carinho o rosto na sua frente. "Você está tão lindo agora," falou maravilhado.

O vermelho no rosto de Duo se intensificou, e seus olhos se escureceram de desejo outra vez. "Você também, Yuy," sussurrou, levantando a cabeça para poder beijar o namorado.

"Caramba," Heero murmurou, afastando-se após o beijo. "Eu poderia fazer isso a noite toda, Duo... mas você tem que ir."

O de trança balançou a cabeça. "Vem, Yuy. A palavra-chave é vem."

"Você já veio," o líder sorriu, olhando para a sujeira que fizeram na cama e neles mesmos.

"É, e quer saber?" Duo falou rouco. "Acho que finalmente transei com a pessoa certa."

"Por que diz isso?"

"Porque você estava certo... é ainda melhor do que o Simulador MS."

Heero não pode conter o sorriso. "Posso assumir isso como um elogio?"

"Claro que sim!" Duo ficou sério. "Heero Yuy, você é foda na cama."

"Você também, itoshii."

"Nossa, me dá tesão te ouvir falar japonês," Duo murmurou com um sorriso.

Heero grunhiu, saindo relutante de seu namorado e deixando-se cair de costas. "Queria que tivéssemos tempo de..."

"Eu sei." Duo rolou para ficar de frente para o outro rapaz, passou a mão pelos cabelos castanho-escuros bagunçados. "É só pedir que fico aqui até eles vierem te arrastar para o ônibus. Não me importo com o que acontecer."

"Por mais que eu queira, quero ainda mais que você saia daqui e volte para o alojamento antes de se meter em confusão." Heero pousou uma mão no rosto de Duo, passando o polegar sobre os lábios levemente partidos. "Tem tanto que quero te falar. Mas não agora... não aqui." Deu um beijo suave naqueles lábios que acariciava e encostou a testa na de Duo. "Espera por mim?"

"Pra sempre se precisar," Duo respondeu num sussurro.

"Obrigado." O líder abraçou o namorado, passando as mãos pelas costas dele como se memorizando com o toque cada curva e músculo daquele corpo.

O rapaz de trança ofegou, retornando o abraço desesperadamente. "Não quero largar," murmurou.

"Vai ser por pouco tempo."

"E se—?"

"Shh. Não vamos pensar no que pode dar errado. Só saiba que, custe o que custar, vou voltar para você... não importa quanto tempo leve."

Duo assentiu, fechando os olhos e tentando esconder as lágrimas. "Eu te amo."

"Eu sei," Heero falou com um sorriso gentil. "O que me surpreende. Não me sinto digno do seu amor."

O jovem de L2 corou, virando a cabeça para o lado. "Essa é novidade, alguém achar que não é digno de mim."

Heero balançou a cabeça. "Nunca se menospreze, Duo. Você é inteligente, talentoso..." Seus olhos percorreram todo o rapaz que ele tanto adorava. "...sexy até dizer chega."

"É, você também," Duo brincou.

"E por mais que eu odeie, precisamos nos vestir e te tirar daqui antes que o guarda volte para me checar ou o Fei aparecer no quarto te procurando." Franziu o cenho preocupado. "Você sabe que ele vai aparecer."

"Ele já apareceu," Duo admitiu. "E aposto como ele vai fazer outra inspeção surpresa antes de a noite acabar." Inclinou-se para outro beijo e se afastou relutante. "Você está certo. Tenho que ir."

Vestiram-se rapidamente, parando para breves toques e beijos durante o processo. Entretanto, quando os passos do guarda ecoaram no corredor, Heero apressadamente ajudou Duo a subir no duto, encaixando a tampa no lugar e apertando os parafusos antes de passar o canivete de volta para o rapaz.

"Se cuida," sussurrou, pressionando uma mão na tampa.

"Você também, Ro," respondeu engasgado.

"Vai logo!" Heero sibilou quando uma chave virava-se na fechadura e pulou na cama, acomodando-se debaixo da coberta amassada, tentando parecer inocente e sonolento.

Duo, com muito cuidado, rastejou pela passagem estreita até o telhado, refazendo seu caminho até o alojamento, soltando um suspiro aliviado quando entrou pelo túnel. Quando subiu pelo chão do banheiro, pode ouvir vozes no quarto.

"—tratar de explicar por que tem travesseiros debaixo da coberta do Maxwell em vez do próprio Maxwell?" Merda! A voz de Chang.

"—não teríamos notado nem se o quarto estivesse em chamas, senhor." A voz de Trowa soou divertida e nada arrependido.

Sem perder tempo, Duo arrancou as botas dos pés, a camisa e a calça, vestindo apenas cueca e camiseta. Enfiou as roupas descartadas no buraco no chão e recolocou as tábuas. Depois jogou o tapete por cima e conferiu se estava tudo em ordem.

"Vocês entendem que se eu e pegá-lo tentando chegar no Yuy, não vou ter outra escolha senão fazer dele um exemplo?" a voz de Chang soou desgostosa.

Duo tirou o elástico prendendo o cabelo, balançou a trança e abriu a porta, andando para dentro do quarto bocejando e esfregando os olhos. Estancou ao ver o capitão fulminando com o olhar Quatre e Trowa, ambos na cama do loiro e, até onde Duo podia perceber, usando nada além da coberta cobrindo-lhes as partes baixas.

"Perdi alguma coisa?" Duo perguntou, piscando inocente para o oficial chinês.

A face do capitão era a definição de conflito. Surpresa, vergonha e suspeita passaram por ali. "Maxwell… o quê? Você estava ali esse tempo todo?"

"Huh, acho que fiquei no banheiro um tempo." Calmo, deu de ombros.

"E você resolveu enfiar travesseiros na cama antes?" Chang questionou, olhos semicerrados.

Duo sorriu para ele. "Na verdade, fiz de propósito, Chang."

"—para poder fugir?"

"Talvez," Duo respondeu desinteressado. "Ou talvez eu só quisesse curtir com a sua cara."

O chinês o estudou com minúcia. Então passou por ele, olhando para a porta do banheiro, esquadrinhando o pequeno cômodo. Virou-se com as mãos na cintura, encarando Duo. "Quer que eu acredite que não estava tentando escapar?"

Duo cruzou os braços, recostando-se contra o beliche dele e de Heero. "Claro que não," respondeu sem se abalar. "Mas obviamente não tem janela no banheiro, então como eu poderia ter fugido?"

Wufei olhou novamente para o pequeno cômodo e voltou-se para Duo. Balançou a cabeça, dando de ombros, rendendo-se. "Pelo jeito, não tem outras saídas que eu não estava vigiando. Mas mesmo assim..."

O jovem de cabelos compridos ergueu uma sobrancelha. "Posso voltar para cama agora, senhor? Ou quer mandar trazer um polígrafo aqui e me interrogar por algumas horas?"

Balançando a mão frustrado, Wufei dirigiu-se para a porta. "Pode ir, Maxwell. Vá se deitar e eu vou continuar a vigiar os alojamentos."

Quando o oficial estava prestes a sair, Duo sentiu pena dele. "Senhor?"

Capitão Chang parou com a mão na maçaneta e olhou por cima do ombro.

"Prometo não sair desse quarto de agora até amanhecer."

Os olhos escuros se arregalaram e depois se semicerraram. Wufei encarou Duo, que desembaraçava os cabelos castanhos longos, por um longo momento. Então notou as marcas no pescoço do rapaz, quase obscurecidos pelos cabelos. Examinou os olhos índigo, notando o olhar preguiçoso, embaçado de puro—contentamento. Você já foi e já voltou, seu moleque filho da puta! Em vez de verbalizar sua descoberta, assentiu com a cabeça. "Muito bem, Maxwell. Vou aceitar sua palavra e assumir que vai ficar grudado na sua cama pelo resto da noite." Deu meia volta balançando a cabeça e sorrindo com pesar. Pelo menos poderia liberar os outros soldados vigias e talvez ele mesmo conseguisse pregar o olho.

"Alá! Achei que ele não iria embora nunca," Quatre respirou aliviado, olhando para Duo. "O que aconteceu? Você está bem? Conseguiu ver o Heero?"

Duo abriu um sorriso do tamanho do mundo. "Hum… Eu dei uma saidinha... Estou bem... e, sim, vi o Heero, senti o gosto dele, o toque dele…"

"Informação demais!" Trowa interrompeu, tapando as orelhas de Quatre e sorrindo para o rapaz de cabelos longos.

"Posso dizer o mesmo para vocês," ressaltou malicioso, observando o casal na cama do loiro, enquanto Quatre tirava as mãos das orelhas. "Quando falei para distraírem Chang, não sabia o quão longe iriam para completarem a tarefa." Sorriu malicioso. "Na verdade eu sabia... mas... nossa."

Trowa deu uma risada curta. "Acho que o barulho que estávamos fazendo manteve ele longe por uns bons quinze ou vinte minutos a mais," contou convencido. "Só entrou quando nos aquietamos."

"Parabenizo sua resistência," Duo elogiou apreciativo. Quatre ficou vermelho, mas Trowa apenas se recostou no travesseiro com uma expressão satisfeita.

"Como o Heero está?" o loiro perguntou.

Duo se voltou para o próprio beliche. "Fantástico," suspirou, subindo na cama.

"Quis dizer, como ele está lidando com tudo isso?"

Lançou uma expressão divertida para o amigo. "Ah—quer mesmo que eu responda, Quat?"

"Oh, tenha dó, você entendeu!" Quatre bufou.

"Maxwell, para de besteira por um minuto e fala para o Quatre que o Heero está bem e confiante de que vai se livrar de todas as acusações, e que tudo vai ficar ótimo," Trowa comandou.

"É—o que ele falou," Duo deu de ombros, puxando a coberta.

"Então ele não deixou você tirar ele de lá?" o ex-acrobata perguntou de repente.

"Como sabia que eu ia tentar?" o jovem de L2 perguntou de volta.

"Você tem um histórico, Maxwell. Você foge e se esconde... lembra?"

Duo suspirou. "Pelo jeito, o Heero não quer fazer isso pelo resto de nossas vidas. Ele quer lutar essa batalha no tribunal, ser inocentado e ter o recomeço limpo que esse campo de treinamento oferece para ele. Oferece para nós."

"Ele é um cara esperto," Trowa comentou. Os olhos verdes mais cálidos. "Sortudo também."

Duo corou com o elogio. "Porra, Barton. Olha o que fala na frente do seu namorado."

"O namorado concorda," Quatre se intrometeu.

Duo jogou um travesseiro na direção dos dois, enterrando o rosto em outro. "Boa noite," grunhiu brusco. "E não façam barulho. Preciso dormir!"

"Boa noite, Duo," Quatre desejou, seu sorriso óbvio no tom de voz.

"Durma bem, Maxwell," Trowa acrescentou com carinho.

E ele dormiu.


Continua...