Boot Camp
Por: Snowdragonct
Tradução: Aryam
N/T: Desculpe pela demora! Juro que trarei o próximo capítulo logo! Vou começar a tradução do próximo ainda hoje.
Este capítulo é dedicado ao cosplay lindo de Duo da Diana Lua! S2 S2 S2
Obrigada Lis Martin por aparecer! Que saudade! S2 Também me deu muito nojo traduzir aquela cena do Duo com o Treize, eca...
E Aoi-Tsukii/Thay Zaro, amei seus comentários kkkkkkkk difícil não ter ódio pelo Treize nessa fic, né?! Mas, sem dar spoilers, pode apostar que ele vai pagar [não é tão bom quanto o Duo pisar na cabeça dele com o Deathscythe, mas ele não sai livre]! Confesso que quando essa fic estava sendo postada, também reli a cena do beijo várias vezes! Ai meu ship kkkkkk S2 Muito obrigada pela paciência e por acompanhar a tradução!
Boas festas!
CAMPO DE TREINAMENTO
Capítulo 50: Caminhos separados
Wufei, Zechs e dois oficiais de L1 estavam reunidos no escritório antes de amanhecer, discutindo a extradição de um dos prisioneiros. Os oficiais não estavam nada contentes com a determinação de Wufei em acompanhá-los e ligavam para seus superiores com intenção de protestar.
O major olhou para o chinês sobre as cabeças dos outros dois homens inclinados frente ao videofone. Sua testa franziu levemente ao perceber as manchas escuras sob os olhos de Wufei. Então, como se sentisse estar sendo analisado, os olhos escuros se ergueram para encontrar os dele, e Chang abriu um pequeno sorriso. Já passara mais tempo sem dormir, embora admitisse para si mesmo estar grato por Maxwell ter a decência de tranquilizá-lo logo cedo em troca de algumas horas de bem-vindo descanso.
O oficial de L1 com maior patente se endireitou, murmurou um xingamento e se virou para os dois militares. "Não sei como conseguiu, Merquise, mas pelo jeito vou ter que aceitar levar o Chang junto."
Zechs inclinou a cabeça. "Foi o que me garantiram," falou com fria cortesia. "E sobre a outra concessão?"
"Os colegas dele podem se despedir," o homem suspirou, percebendo que seria inútil tirar um cabo de guerra com Merquise, principalmente por algo tão simples. "Mas," acrescentou, querendo manter alguma aparência de controle, "vão ter que se encontrar ao ar livre... no campo... antes do Yuy entrar no veículo de transporte."
"Serve," o major aceitou. "Chang...?"
"Vou buscá-los," Wufei se apressou em dizer, sabendo que os rapazes estariam acordados e prontos para a calistenia. Não achou que se importariam em se atrasar um pouco.
"Vamos levar o Yuy para o campo em quinze minutos."
Os dois agentes saíram para prepararem o prisioneiro, e Wufei se virou para o major com gratidão estampada no rosto. "Isso vai significar muito para o time Wing, senhor." Mostrou um sorriso tímido. "Para mim também."
Zechs sorriu em retorno, olhos azuis claro cintilando. "Que bom que pude recompensá-lo pelo excelente trabalho que você tem feito." Contornou a mesa para ficar frente a frente com o moreno. "Você é um instrutor muito talentoso, Wufei. E é muito bom em julgar caráter. Você trouxe à tona qualidades nesses meninos que ninguém nunca tinha percebido. Estou impressionado... e não só pelo time Wing... mas com todos os seus recrutas. E com você."
Ao fim da declaração, Chang estava corado e se forçou a não desviar o rosto. "Obrigado, senhor. Tive o melhor professor."
Até mesmo o imperturbável Zechs Merquise foi pego de surpresa. "Você – Eu – fico feliz em saber," por fim, falou atrapalhado. "Sempre achei que sua habilidade como estudante tornou tudo mais fácil."
Wufei riu, contente consigo mesmo por causar um momento de desconforto no major. "Talvez," deu de ombros, permitindo-se um certo convencimento. "Podemos conversar sobre isso naquele jantar que te devo."
O major sorriu. "Fico feliz por você não ter se esquecido."
"Nunca me esqueço de uma dívida," o chinês respondeu. Mas suavizou o comentário com um olhar sincero. "E essa será uma dívida que terei prazer em pagar."
Zechs sorriu ainda mais. "Está contente pelo seu time preferido ter te vencido, Chang?"
"Muito," respondeu satisfeito. "Quase tanto quanto vou ficar em vencer qualquer coisa que o promotor jogar pra cima do Yuy." Assentiu com firmeza. "Assim que eu e Yuy voltarmos dessa piada de julgamento, ficarei encantado em ter aquele jantar com o senhor."
Zechs suspirou, balançando a cabeça. "Vá buscar os garotos para se despedirem do líder. Talvez isso acalme Maxwell e ele não tente nenhuma loucura."
Wufei riu outra vez. "Ele já tentou. Ontem à noite."
"E você frustrou os planos dele?"
A expressão de Wufei virou uma careta. "Digamos," começou diplomático, "que ele eventualmente me prometeu ficar no alojamento até o amanhecer."
"Ah." Zechs comentou misterioso. "Então não era ele que vi entrando no tubo de ventilação no centro de detenção ontem?"
Os olhos negros se arregalaram. "O quê?! Foi assim que aquele malandrinho conseguiu!" Franziu o cenho profundamente. "Mas como ele saiu do quarto? A porta e a janela estavam sendo vigiadas."
"Aí está o seu erro," aconselhou. "Você estava vigiando o Maxwell. Você devia estar vigiando o objetivo: Yuy."
O chinês ficou tentado a estapear a própria testa em frustração. Mas é claro! Fazia todo sentido agora que Zechs falara. Fulminou o major com o olhar. "Por que não o parou?"
"Porque ele é tão interessante," replicou sem remorso.
"E por que não me contou?"
"Porque você também é." Os olhos de Zechs brilharam. "Admita, Chang. Você adora como esse menino dá jeito pra tudo."
Wufei sorriu malicioso. "É divertido assisti-lo quando ele se depara com um desafio." Deu de ombros. "Na verdade, todos eles."
"Concordo plenamente."
O major segurou a porta aberta, gesticulando para o capitão sair primeiro.
Wufei murmurou um agradecimento, mas caminhando em direção ao alojamento do time Wing, teve a sensação que o outro oficial apenas fizera o gesto educado para poder se deliciar com a visão do traseiro de seu subordinado. Um olhar furtivo por cima do ombro confirmou sua suspeita, e teve que balançar a cabeça, sentindo seu rosto corar novamente. Não pensara muito sobre sua preferência sexual no passado... mas após observar o relacionamento florescendo entre Heero e Duo – e obviamente entre Trowa e Quatre – aprendera a apreciar o tipo de equidade de tal relacionamento. Sendo uma pessoa que valoriza força num parceiro – e não sendo capaz de encontrar o suficiente em uma forma feminina – Wufei começava a repensar sua estratégia romântica. Talvez o jantar com o major possa ser uma oportunidade para avaliar os méritos de tal relacionamento.
"Essa não é a hora para pensar nessas coisas," murmurou para si mesmo, franzindo o cenho enquanto abria a porta do quarto.
Os três rapazes terminavam de se arrumar, cada um de uniforme limpo, com aparência impecável, arrumados e prontos para o dever.
Duo girou tão rápido com o som da porta se abrindo que sua trança quase chicoteou o capitão no rosto. "Capitão? Podemos ir ver ele?" perguntou ansioso, olhos índigo analisando o rosto do chinês.
"Podem, Maxwell. Temos uns cinco minutos... no campo, ao lado do transporte." Deu de ombros. "Foi o melhor que Merquise conseguiu."
"Está ótimo!" Quatre exclamou. "Só queremos nos despedir... desejar sorte."
Wufei sorriu irônico. "Deseje sorte para nós dois. Eu vou com ele."
"Quê?!" Duo se surpreendeu.
"Vou junto para supervisionar a prisão do Yuy e pleitear a seu favor," o soldado elaborou. Sustentou o olhar do outro rapaz. "Vou me certificar de que nada aconteça com ele."
Duo pôde ler a desculpa subentendida nos olhos do capitão... seu arrependimento por não ter feito o mesmo por Duo no incidente pós-travessia do rio. O rapaz sorriu de forma reconfortante. "Obrigado, capitão. Vamos ficar mais tranquilos sabendo que ele está seguro."
Wufei assentiu, mandíbula firme. "Vamos indo. Não quero mantê-los esperando ou podem começar a tentar mudar as regras."
Os três rapazes rapidamente fecharam seus baús e seguiram o oficial militar para o pátio. Trowa e Quatre se apressaram na frente quando se aproximaram do campo, mas Duo se manteve ao lado do capitão.
"Sabe que fui vê-lo ontem à noite. Né, capitão?" comentou casualmente.
"Não sou idiota, Maxwell," suspirou o soldado.
"Bom, obrigado por me dar a chance de nos despedir hoje. Tro e Quat merecem."
"De nada." Wufei olhou de soslaio para o rapaz, olhos negros impenetráveis. "Acredito que você e Heero fizeram mais do que conversar?"
Duo estudou o chão no caminho. "Hum, é." Parou, olhando para o capitão. "Você sabe que a doutora disse que estou limpo depois de..." Fez uma careta. "Sei que você e Heero se conhecem há tempos e você quer protegê-lo. Mas eu nunca... eu nunca arriscaria passar qualquer tipo de... doença pra ele."
"Eu sei," Wufei falou desconfortável. "Estou mais preocupado com o – aspecto psicológico – do sexo para vocês dois."
"Não foi só sexo, capitão," o recruta de L2 o assegurou. "Tem muito mais rolando entre Heero e eu..."
"Sei que se importa com ele," Wufei concedeu.
"Eu amo ele," Duo o corrigiu, desviando o olhar e brincando com a ponta da trança, inquieto.
Chang absorveu essa informação sem comentário, apontando para os outros, e voltando a andar. Duo correu para alcançar e acompanhou Wufei em silêncio.
Heero aguardava ao lado do veículo de transporte, calmo e impassível como sempre, mesmo estando cercado por dois agentes da lei. Os outros dois já estavam nos assentos frontais do veículo esperando partirem.
"Cinco minutos, Merquise," falou o agente encarregado, cruzando os braços e encarando os detentos severamente.
Zechs assentiu com a cabeça. "Andem, rapazes, despeçam-se."
Quatre foi até Yuy, olhos claros preocupados. "Vamos trabalhar duro enquanto estiver fora, Heero. Não vamos deixar o time perder o ritmo."
"Eu sei," Heero deu de ombros. "Vocês três são os melhores."
"Tivemos o melhor líder," o loiro respondeu prontamente. "E vamos te receber de volta." Quatre se aproximou ainda mais, ignorando os olhares ameaçadores dos guardas, e abraçou Heero. "Trowa e eu vamos cuidar de Duo, prometo!" Sussurrou no ouvido do amigo.
Quando se afastou, Heero sorriu. "Obrigado, Quatre. Agradeço mais do que pode imaginar."
O loiro deu uma atípica risada irônica. "Sou empata, Yuy."
O líder riu. "Esqueci. Não dá pra esconder muita coisa de você."
Foi a vez de o acrobata se aproximar, estendendo a mão para descansá-la firmemente no ombro do líder. "Vou mantê-los a salvo custe o que custar," prometeu. "Devo isso ao time... a todos vocês, por me darem uma segunda chance."
"Você mereceu essa chance, já nos pagou e está com crédito," Heero o assegurou. "Tenho orgulho de tê-lo no meu time, Trowa."
Os olhos verdes se arregalaram com o raro uso de seu primeiro nome. "Igualmente, Heero," falou baixo. "Volte logo."
"É o plano."
Duo foi o último a se aproximar do líder, sentindo-se indigno, já que tivera tempo com ele na noite anterior. Resistiu à tentação de se jogar nos braços do rapaz, e acabou brincando com a ponta da trança, ficando tão próximo quanto podia sem ser óbvio.
Uma mão cálida se fechou sobre a dele. "Pare. Você vai ficar com pontas duplas."
A frase familiar fez Duo erguer o rosto de repente, olhos um pouco brilhantes demais. "Aw, Heero... isso é um saco," comentou com tristeza.
"Eu sei. Mas vai acabar antes de você perceber, e logo estou de volta."
"Promete?"
"Pela minha honra."
O olhar de Duo se deparou com os lábios do namorado, os índigo se desfocaram levemente, sua mente se voltou para a memória da noite anterior. "Droga, Yuy..."
"Shhh. Vai ficar tudo bem," Heero o confortou, a expressão no rosto mostrando que seus pensamentos estavam no mesmo lugar. Seu polegar acariciou as costas da mão de Duo que ainda segurava. "Vamos ter outros momentos juntos. Você tem que acreditar nisso."
"Eu quero acreditar." Mas perco todo mundo com quem me importo.
"Você não vai me perder," Yuy falou, como se capaz de ler a mente do outro.
Duo inspirou fundo, engolindo seco. "Espero que não," falou com a voz um pouco trêmula. "Acho que eu não sobreviveria."
"É, sinto o mesmo quando se trata de você," respondeu rouco, olhos azuis focados nos de Duo. "Aishiteru."
Duo pendeu a cabeça para o lado, franzindo o cenho, confuso. "Não falo muito japonês, Yuy. Vai ter que me traduzir isso aí."
"Você é espertinho," o líder rebateu, dando-lhe uma piscadela. "Pesquisa." Apertou a mão de Duo uma última vez e a soltou, virando-se e subindo no transporte.
Wufei ficou ao lado do rapaz de trança. "Significa eu te amo, Maxwell," revelou em voz baixa.
Duo ergueu o rosto rápido, olhos arregalados. Então um sorriso impossível de ser contido apareceu em seus lábios. "Sério?"
O capitão confirmou. "Não é algo que ele diria à toa."
Os olhos índigo cintilaram, mesmo com Duo baixando a cabeça, corado. "Nem eu," murmurou. Então se voltou para Chang com renovada intensidade. "Cuide dele, capitão, por favor."
"Claro," reagiu quase sentindo-se afrontado.
"E cuide-se," Duo acrescentou com franqueza.
Wufei bateu no ombro do recruta de L2. "Não precisa se preocupar comigo, Maxwell. Estarei lá para vigiar a retaguarda de Heero... não o contrário. E você, trate de se comportar."
"Eu vou," afirmou. "Prometo, vou ficar longe do Kushrenada. Vou fazer tudo que o major Merquise pedir. Não vou dar um passo fora da linha enquanto você estiver fora. Não precisa se preocupar comigo... Se concentre apenas em ajudar Heero."
Com o sorriso aumentando, Wufei puxou o rapaz para um abraço firme. "Maxwell," murmurou na orelha dele. "Se eu tivesse um filho, queria que fosse você." Quando se afastaram, ambos tinham o rosto avermelhado.
Mas Duo conseguiu abrir um sorriso brincalhão. "Vai lá, pai, antes que você perca o voo."
Wufei não provocou de volta. Apenas retribuiu com um sorriso cálido. "Estaremos de volta antes de você perceber."
"Espero que sim."
Duo foi até Trowa e Quatre, observando Chang e os outros oficiais de L1 entrarem no transporte e este passar pelo portão.
Kushrenada estava na porta do prédio administrativo com um sorriso satisfeito nos lábios. Deliberadamente encontrou o olhar de Duo, permitindo-se uma expressão convencida e maliciosa.
O rosto do jovem recruta se avermelhou de raiva, e abaixou a cabeça, virando-se para encontrar o major o observando. "Não deixe ele te provocar, Maxwell. Quem ri por último, ri melhor, e seremos nós. Prometo."
Duo assentiu, embora não parecesse muito convencido.
"Vou acompanhar você e seu time até a calistenia para explicar o atraso," o major ofereceu.
"Meu...?" Duo balançou a cabeça. "Esse é o time do Heero."
"Até ele voltar," Zechs esclareceu, buscando com cuidado as palavras, "você será o líder do time, Maxwell. Ordem do capitão Chang."
Duo indagou seus amigos: "tudo bem com vocês?"
"Claro," Quatre confirmou.
Trowa balançou a cabeça afirmativamente, evitando comentar. Haveria tempo para tirar sarro do novo líder relutante mais tarde.
"Excelente," o oficial militar falou, fingindo, apenas para ser educado, que a opinião dos outros dois importava. "Espero que o time Wing termine os exames finais e o teste do simulador em grande estilo."
"E depois vamos poder fazer o Kushrenada pagar?" Duo perguntou com uma faísca perigosa nos olhos.
"Sem dúvida alguma." O major assegurou o novo líder com uma mão em seu ombro enquanto caminhavam para a calistenia, e o jovem recruta pareceu desconfiado. Mas apenas encontrou olhos azuis divertidos. "Sem flerte, Maxwell," o oficial murmurou. "Só tenho olhos para um homem e, por mais que você seja bonito, não é você."
"Chang?" Duo adivinhou certeiro.
O major deu de ombros sem se comprometer, deixando sua mão cair. "Não é da sua conta."
"Ele é meu guardião," Duo o lembrou. "Tenho um interesse pela felicidade dele."
Um leve sorriso passou pelas feições nobres. "Ele estava certo. Você é rápido." Ergueu uma sobrancelha. "O que preciso fazer para ter você do meu lado?"
"Prove que é digno do Chang e serei seu maior aliado."
"Só isso, é?" perguntou irônico.
"Se o capitão conseguiu ganhar minha confiança, você também consegue," replicou. "Assumindo, claro, que você realmente é digno dele."
"Não sou," afirmou autodepreciativo. "Não acho que alguém possa ser. Mas quero a chance de tentar."
Duo o espiou. "Evite que Kushrenada persiga qualquer recruta, e vou estar inclinado a falar bem de você," concedeu.
"Qualquer recruta?"
"Não é só com o nosso time. Kushrenada odeia toda a ideia do Campo Peacecraft. Ele pode atacar qualquer um... e, sinceramente, tenho amigos aqui além dos meus companheiros de time."
Zechs riu deliciado. "Maxwell, gostaria de ter gravado tudo. Você é o melhor testemunho do que esse campo de treinamento pode fazer por delinquentes juvenis!"
Quase chegavam e Duo ainda tentava decidir se devia se sentir insultado pelo comentário. Não se considerava nenhum garoto propaganda para delinquentes reformados, mas, por outro lado, admitia que antes do treinamento não se importaria com o que acontecesse aos seus outros colegas recrutas. Estar isolado naquele contexto com eles o mostrara que amizade valia a pena. Descobrira um novo gosto pelo conceito de trabalho em equipe, tanto dentro quanto fora do seu próprio time. Apenas não percebera que a descoberta seria tão óbvia para alguém de fora. Aparentemente, era, já que tanto Chang quanto Merquise haviam mencionado seu progresso.
Suspirou profundamente, seus pensamentos voltando para a situação de Heero, e imediatamente sentiu a mão de Quatre em seu ombro. "Vamos tê-lo de volta, Duo. Chang e Merquise prometeram... e acredito neles."
"Valeu, Quat.
Heero se virou com cautela para ver a expressão de Wufei enquanto o transporte passava pelos portões. "Tem certeza que deixar o Merquise no comando foi boa ideia? Afinal de contas, os recrutas aprenderam a respeitar você, a confiar em você. E você sabe que o Kushrenada tem métodos sujos."
"Não se preocupe, Yuy. Deixei o major a par de tudo. Ele sabe todos os dados pertinentes de cada recruta e sabe de cada absurdo que o Kushrenada já aprontou." Fez um gesto decisivo com a cabeça. "Ele fará um excelente trabalho em minha ausência."
Heero fez uma careta, lembrando-se de como o major olhara para Duo quando se conheceram – os comentários subentendidos e quase-flerte. "Não gostei do que ele falou para o Duo no refeitório," revelou com sinceridade.
Wufei riu. "Não se preocupe, velho amigo. Aquele garoto só tem olhos para você." Mirou nos olhos azuis. "Ele me falou que te ama."
"Hai. Ele me falou também." Heero sentiu uma pontada de dor ao se recordar de deitarem abraçados na cama da prisão quando Duo admitiu seus sentimentos. Não que ele já não tivesse adivinhado antes, mas foi diferente ouvir as palavras.
"E você falou a mesma coisa para ele," Wufei ressaltou. Balançou de leve a cabeça. "Quando isso aconteceu?"
"Como vou saber?" Heero suspirou. "Talvez tenha sido amor à primeira vista. Alguma coisa aconteceu no momento em que pus os olhos nele."
"Então não se preocupe em perdê-lo para ninguém mais," Wufei sugeriu. "Além do mais, o major quer Duo apenas por sua aptidão com mobile suits. Ele já me falou isso mais de uma vez." Seus olhos negros assistiam as árvores passando pela janela. "E tenho um jantar marcado com ele para depois de vocês graduarem."
Heero surpreendeu-se. "Fei, eu não sabia que você... você é...?"
Wufei deu de ombros. "Não faço ideia, Yuy. Mas vejo como você e Maxwell interagem, e existe um certo apelo na ideia de ter um parceiro que se iguala em força e inteligência."
"Mas ele não tem uma patente mais alta que a sua?" questionou não-tão-inocente.
"Falei força e inteligência, Yuy. Não patente," respondeu na defensiva. "Não é como se eu tivesse escolha quanto ao jantar. Foi uma aposta que perdi quando vocês tomaram a bandeira de mim."
Heero jogou a cabeça para trás e gargalhou, confundindo todos os quatro agentes de L1 presentes, incapazes de entender sobre o que ele estaria rindo. "Ah, Fei, agora entendi porque você ficou tão puto!"
O soldado enfureceu-se. "Não fiquei puto, e aprendeu essa palavra com o Maxwell? Não é sua típica escolha de palavras."
"Aprendi muito com Maxwell... com Duo," Heero afirmou com um tom de aviso. "E uma dessas coisas foi nunca deixar uma chance escapar pelos seus dedos. Sugiro que aproveite o seu jantar e fique atento para as oportunidades que aparecerem."
Wufei sorriu de volta. "Isso soa mais como você, Yuy, pelo menos no fraseado. E se eu soubesse o quanto vocês aprenderiam uns com os outros, teria deixado de lado minhas dúvidas desde o primeiro dia." Os olhos negros estavam claros e ansiosos. "Se Maxwell te ensinou a agarrar as oportunidades e você o ensinou a pensar antes de agir, foi a combinação perfeita colocá-los no mesmo time."
O sorriso singular de Heero era nostálgico. "Concordo que somos uma combinação perfeita."
Wufei riu. "Você está tão apaixonado, Yuy. Nunca pensei que veria Heero Yuy, metido machão, caidinho de amor."
"Espera só," o recruta comentou calmo. "Quando você e o major virarem um casal, vou ter ampla oportunidade para te provocar."
O capitão o encarou. "Não recomendo. Ainda tenho maior patente que a sua."
"Por enquanto." Heero não tinha nenhuma intenção em ser um soldado medíocre. Sabia que quanto mais subia na hierarquia, mais as promoções ficavam escassas e demoravam mais a acontecer. Era inteiramente possível alcançar seu amigo de infância.
"Um passo de cada vez," Wufei falou sóbrio. "Vamos resolver essa bobagem em L1 e te levar de volta para o time antes que Maxwell surte."
Major Merquise fez os recrutas trabalhando sem parar naquele primeiro dia, apenas para mantê-los ocupados e prevenir uma obsessão com a enrascada de Heero. Foram da calistenia para o café da manhã e para as aulas quase sem folga de entremeios. À tarde, enfrentaram a primeira leva de provas dissertativas seguido de horas no simulador.
Foi um grupo de garotos cansados que acabou no refeitório, pegando a comida apáticos quase exaustos demais para comer. O time de Jason ficou perto do time Wing o dia todo para dar suporte moral desde que ouviram sobre a situação de Heero. Até o jantar, a fofoca havia se espalhado para outros times e, em uma repentina demonstração de apoio, o grupo de Austin sentou-se a mesma mesa de Duo e seus companheiros. Mesmo assim, o humor era, no mínimo, sombrio.
"Acha que o Yuy já chegou em L1?" Mickey perguntou.
Austin silenciou o companheiro com um olhar fulminante.
"Quieto," Richie enfatizou, relanceando Duo, que remexia a comida pelo prato.
"Tudo bem," o recruta de L2 falou cansado, mostrando um fraco sorriso. "Heero vai voltar logo. O Chang prometeu."
"Então que tal você comer um pouco desse cozido?" Trowa incentivou, cutucando o garoto de trança com o cotovelo. "Sabe como Yuy se preocupa com seus hábitos alimentares."
Duo concordou com a cabeça, forçando-se a comer uma garfada.
Quatre sorriu para Trowa, congratulando-o em silêncio. "Conversei um pouco com o major Merquise," o loiro contou. "Ele exigiu uma autópsia completa no corpo do Odin Lowe. Vão tentar provar que ele foi assassinado no hospital, então não tem como ser culpa do Heero."
"Mas e se foi culpa dele?" Ben perguntou, franzindo o cenho. "E se a única causa que encontrarem for a que levou o cara para o hospital em primeiro lugar?"
Duo o mirou, olhos flamejando de raiva. "Não importa!" rosnou. "O desgraçado mereceu."
"E Chang vai contar tudo para o tribunal!" Quatre interviu logo. "Você sabe disso, Duo. Ele vai levar quantas testemunhas precisar para provar que Heero não teve escolha... que qualquer coisa que ele tenha feito contra Lowe foi autodefesa."
Trowa relaxou na cadeira, apreciando todos ao redor da mesa. "Deixando o caso do Yuy de lado," falou, sua voz calma cortando pela tensão. "Precisamos ficar atentos contra o Kushrenada. É óbvio que ele tem rixa com todos nós... ele é como um abutre esperando a chance de descer para o abate. Ele já tentou mandar o Duo pra cadeia e conseguiu com o Heero... além do mais, ele é responsável pelo ferimento do Jason e provavelmente pela sabotagem da pista de obstáculos."
Austin concordou, inclinando-se para frente. "Richie era amigo de um dos moleques do Kyle, e ouviu que o diretor estava tentando fazer com que todos os detentos falhassem para poder acabar de uma vez com essa ideia de campo de treinamento."
"Então ele usou o time do Kyle para o trabalho sujo?" Quatre perguntou com frieza.
"Para algumas coisas," Austin deu de ombros. "Acho que foi mais o Kyle sozinho que era o lacaio fiel do diretor." Voltou-se para o rosto de Duo. "Você fez a melhor coisa mandando o Kyle pra fora daqui."
Duo retornou uma expressão neutra. "Não fiz por nenhuma razão nobre, Austin. O filho da puta não calava a boca sobre a solitária, e eu não queria ouvir mais."
Austin bufou. "Me lembra de não te irritar, Maxwell."
Seu tom de voz conseguiu arrancar um meio-sorriso do garoto melancólico. "Você já me irritou, Pritchard. Por que acha que teve um presentinho de merda dentro das suas botas?"
"Acho que você pegou leve com a gente," o ex-inimigo brincou.
Duo ficou sério. "Você não passou dos limites como o Norton."
"Mas quase," admitiu. "E ainda peço desculpas por isso."
"Não precisa." Maxwell deu de ombros. "Águas passadas não movem moinhos."
O rosto de Quatre se tornou pensativo. "Não necessariamente, Duo," corrigiu. "Se Austin sente que nos deve... Acho que devemos deixa-lo nos ajudar a derrubar o Kushrenada quando chegar a hora."
Os olhos índigo se voltaram surpresos para o loiro. "Quer cobrar favores, Quat?"
"Todos," respondeu sem hesitar. "Vamos precisar de toda a ajuda disponível."
"E terão," Ben declarou com firmeza. "O que pudermos fazer para ajudar, considerem feito."
Quatre sorriu quase timidamente. "Lembro bem até onde você pode ir para ajudar um amigo," comentou grato.
Tanto Ben quanto Adam coraram, desviando o olhar um do outro. Nenhum dos dois queriam recordar da sessão de amassos improvisada para distrair os guardas enquanto Quatre sabotava o ônibus. "Huh, é," Ben por fim murmurou. "Sobre isso... pode jogar pra debaixo do tapete, Winner? Queremos fingir que nunca aconteceu."
"O que nunca aconteceu?" Austin insistiu.
"Nada!" Ben e Adam latiram uníssonos.
Quatre riu, sabendo que apenas os seus companheiros de time haviam escutado a história toda. E por mais que pudesse se tornar ótimo material de chantagem, era grato demais aos dois para ter coragem de humilhá-los. "Meus lábios estão selados," prometeu. "Mas vou cobrar essa oferta de nos ajudar. De alguma forma, precisamos provar que Kushrenada está por trás dos desastres desse campo."
"Prefiro provar que ele está por trás da morte de Lowe," Duo declarou sem emoção, apunhalando um pedaço de carne cozinha com o garfo com ferocidade como se fosse o próprio diretor.
"Pode ser muito difícil fazermos essa conexão," Trowa suspirou, franzindo o cenho, pensativo.
Quatre o encarou também pensativo. "Conexão..." ecoou. Seus olhos começaram a brilhar com mais convicção. "É isso!"
Duo ergueu o rosto para ver seu amigo. "Desvendou o mistério, Quat?"
Contudo, o loiro balançou a cabeça. "Tive uma ideia. Só uma ideia." Inclinou-se para frente, descansando os cotovelos sobre a mesa, e os outros rapazes se aproximaram, quase se amontoando. "Sabemos que a morte do Lowe foi convenientemente próxima ao aniversário de dezoito anos de Heero. Podemos deduzir, uma vez que Kushrenada nunca saiu do campo, que ele deve ter alguém para fazer o trabalho sujo."
"Sabemos disso," Duo falou cansado.
"Se ele nunca saiu, como entrou em contato com esse assassino?" Quatre perguntou convencido.
"Video-fone." Os olhos de Duo se arregalaram. "Registro de ligação?"
"Exato!" o loiro confirmou satisfeito. "Tem de haver um registro de ligações."
"Mas os policiais precisariam de causa provável para puxar os registros," Trowa ressaltou.
"Foda-se," Duo deixou escapar. "O K. ficaria com a pulga atrás da orelha se os policiais aparecessem fuçando procurando motivo para um mandado de busca." Ele empurrou sua cadeira para longe da mesa. "Podemos hackear os registros nós mesmos, se Merquise nos der tempo na biblioteca."
"Eles monitoram o que fazemos online," Quatre frisou.
"Está sugerindo que o Merquise nos deixe hackear o K.?" Trowa perguntou.
"Deixa comigo," o recruta de L2 sorriu. "Tenho Zechs na palma da mão." Seus olhos estavam astutos. "Afinal, ele quer namorar o meu guardião."
"Epa!" Austin se surpreendeu. "O major? E Chang?"
"Ainda não," Duo acalmou os ânimos, com uma expressão convencida para os amigos. "Mas aposto que logo."
"Caralho," o outro murmurou, balançando a cabeça.
O resto da refeição passou em relativo silêncio, enquanto os detentos matutavam como revelar evidência contra Kushrenada. Pelo menos era o que a maioria deles pensava. Duo percebeu seus pensamentos repetidamente sendo atraídos para Heero e, ao final da refeição, rangia os dentes para não gritar em frustração.
Quatre sentia a tensão crescente em seu amigo e puxou Trowa para um lado quando foram levar as bandejas. "Pode me fazer um favor, Trowa? Fique aqui com os outros por uma meia hora e me dá um tempo sozinho com o Duo?"
Barton pareceu magoado momentaneamente, e abaixou o rosto para ver seus pés. "Claro, Quatre."
O loiro deu um passo à frente, forçando o mais alto a olhar para ele. "Não é nada disso, Trowa. Você já devia saber. Duo e eu somos amigos. Só amigos. E acho que agora ele precisa de um amigo para conversar."
Trowa abriu um fraco sorriso, perguntando-se se um dia superaria seu ciúme da proximidade de Duo e Quatre. "Pode ir, Quatre. D-desculpa por ficar tão..." Balançou a cabeça. "É só que não consigo acreditar que você vá me querer quando você pode ter ele..."
Quatre riu. "Primeiro de tudo, eu não posso tê-lo. Ele está apaixonado por Heero... faz tempo." Seus olhos encontraram e seguraram os verdes à sua frente. "Em segundo lugar, eu não o quero. Quero você... faz tempo. E em terceiro lugar, não se deprecie assim, Trowa Barton. Você é um cara incrível: inteligente, engraçado e carinhoso. E estou louquinho por você. Só por você."
O acrobata não conseguiu se segurar. Puxou Quatre para um longo beijo.
O som de uma pigarreio interrompeu o abraço. "Huh, tá todo mundo olhando," Duo admoestou enquanto passava para depositar sua bandeja no balcão.
"Merda." Trowa soltou Quatre e deu um passo para trás, depois esquadrinhou o refeitório conferindo que Duo não havia exagerado. Muitas pessoas estavam mesmo olhando. "Merda," repetiu, passando a mão pelo rosto e sorrindo envergonhado. "Ahm, vejo vocês depois," resmungou, voltando rápido para a mesa, ignorando os assobios e gritos dos colegas, sentou-se e puxou conversa com Ben.
"Vamos, Duo," Quatre instigou, pegando o braço do amigo de trança e o guiando para fora do refeitório.
"O que foi?" perguntou, pendendo a cabeça para o lado de forma curiosa enquanto andavam em direção ao alojamento.
"Só quero uns minutos sozinhos," Quatre revelou. "Sei que foi um longo dia pra você... para todos nós. E quero ter certeza de que você está bem." Jogou um braço ao redor dos ombros do amigo de forma amigável.
"Sei lá, Quat," respondeu desanimado. "É que eu... nossa, sinto tanta falta dele." Então Duo abanou uma mão, tentando se recompor. "Não se preocupe comigo. Só estou cansado. Praticamente não dormi ontem, e hoje foi foda." Forçou seu sorriso patenteado. "Vou estar melhor amanhã."
Quatre franziu o cenho. "Não tem problema você se preocupar com ele. Não é culpa sua."
"É, mas temos coisas mais importantes para fazer agora," o jovem de trança insistiu. "Temos exames, treino... e provar que o Kushrenada está por trás dessa bagunça toda que o Heero está metido."
"E vamos lidar com tudo isso amanhã," o loiro o assegurou. "Por ora, não vamos nos preocupar com nada disso. Vamos pensar em coisas boas."
Duo ergueu uma sobrancelha. "Tipo o quê?"
"Não sei," respondeu exasperado. "Tipo... aquele beijo na montanha. Coisas boas assim."
Os olhos do recruta de trança se desfocaram e ele quase sorriu. "É, foi ótimo," suspirou. Então um brilho malicioso encontrou o índigo. "Não tão bom quanto ontem à noite."
Quatre corou, alarmado com o rumo da conversa. "Isso é meio, ahm, particular, não acha?"
Duo riu. "Não quer ouvir os detalhes?" brincou. Conseguiu ser sugestivo com o amigo. "E você?"
"Eu?"
"É, você. E o cara-do-circo. Como foi?"
"Como foi o quê?" o loiro fingiu inocência.
O recruta de trança rodou os olhos com uma expressão de "affe". "Sexo. Com o Trowa." Ergueu uma sobrancelha, astuto. "Sabe quem? O acrobata sexy, esbelto, bonitão, extremamente flexível com quem você estava na cama ontem à noite?"
O rosto de Quatre foi tomado por um interessante tom vermelho, e gaguejou: "N-não acho que eu d-deveria..."
"Claro que deveria," Duo reclamou. "Está conversando comigo. Eu, que insisti em juntar você com o cara-do-circo. Que estava disposto a te beijar só para deixar ele com ciúme."
Quatre suspirou envergonhado. "Foi... incrível," admitiu.
Duo fez um som com a língua. "Fala sério, Quat... isso foi vago demais."
Ele fez uma expressão de desespero e o loiro franziu o cenho, estendendo seu dom empático, mais uma vez sentindo a tensão no amigo... e medo. Percebeu que Duo procurava por algo para ocupar a cabeça – qualquer coisa – que não fosse o drama de Heero. E já que era essa sua intenção quando pediu para Trowa lhes dar um tempo a sós, percebeu que deveria ir até o fim.
"Quê?" fingiu um tom aborrecido. "Você quer que descreva cada chupada?"
O rapaz de trança se virou, olhos se arregalando com o comentário repentinamente lascivo do doce loiro. "Huh... só uma descrição um pouco mais detalhada do que incrível já tá bom," pediu com menos confiança.
Quatre sorriu, apertando seu braço ao redor do ombro de Duo. "Bom, pra começar, ele beija muito bem..." falou com um tom sonhador.
"Ah é?"
"Uh-hum."
Duo semicerrou os olhos, considerando. "Achei que ele seria – sei lá – impaciente. Afinal, esperou semanas para conseguir te levar pra cama."
Quatre rodou os olhos. "Ele não declarou as intenções dele logo de cara," falou. "Na verdade, do primeiro beijo até o momento que, ahm, nós, hum..." perdeu as palavras naquela altura, lembrando-se das talentosas mãos de Trowa deslizando sob sua camiseta e acariciando suas costas.
"...transaram que nem coelhos?" Duo completou a frase.
"Não foi uma transa," Quatre protestou, tentando retornar seus pensamentos para a conversa.
"Então o quê?"
"Foi... f-fazer..."
"Oh, se me disser fazer amor, vai levar uma coça, Quat!" Duo brincou. "Foi sexo selvagem. Admita."
Quatre parou, sério, segurando Duo no lugar e virando-o para encará-lo. "Não foi, Duo!" insistiu. "Nunca me senti daquele jeito... nunca!" Decidiu virar o jogo. "Foi assim com você e com o Heero? Sexo selvagem?"
Os olhos índigo se arregalaram, e Duo hesitou. "N-não," por fim, gaguejou.
"Então o que foi?" o loiro pressionou.
Duo o encarou com olhos fulminantes. "Primeiro de tudo, Winner, tinha guardas do lado de fora, então não tinha como a gente fazer nada selvagem! Segundo, não tivemos tempo para sermos... criativos. Nós só... só..."
"Fizeram amor?" Quatre perguntou com um sorriso cúmplice.
Um tom avermelhado apareceu nas bochechas do rapaz de trança, e ele deu de ombros, fixando-se no chão. "Dá pra chamar assim... se quiser ser meloso..."
Quatre riu, passando o braço pela cintura do amigo e o guiando para o alojamento. "Bom, foi isso que Trowa e eu fizemos... só que aos gritos," confessou.
"Nossa, não consigo nem imaginar," Duo abriu um sorriso de orelha a orelha. "Você parece o tipo quietinho."
"Não quando a franja do Trowa faz cócegas no meu..." Quatre se calou, a mão tampando a boca.
"O seu o quê?" Duo exigiu saber, sua expressão completamente sacana. Abriu um sorriso perverso. "Se ferrou, Quat. Pode se preparar para me contar todos os detalhes íntimos agora." Passou o braço pela cintura do loiro, cutucando as costelas para provocar o amigo, que se remexeu e riu involuntariamente. "Bora, colega," Duo persuadiu. "Desembucha! Tudo!"
Então Quatre desembuchou... distraindo o amigo de suas preocupações contando cada beijo, cada toque, até ambos acabarem mirando o horizonte perdidos em memórias, e mais do que um pouco excitados, quando Trowa finalmente chegou ao quarto.
O acrobata de olhos verdes observou os dois, sentados lado a lado na cama de Duo, ambos com um sorriso estúpido. "Acho melhor nem saber," comentou irônico, indo até seu baú e sentando-se nele para desamarrar as botas.
"Oh, você já sabe," Duo o assegurou, a expressão vaga voltando em foco, e um sorrisinho malicioso aparecendo. Então voltou-se para o loiro com um olhar suave. "Obrigado por me fazer parar de ficar obcecado, Quat. Você é o cara."
"Disponha."
Duo não resistiu em lançar um olhar sugestivo para Trowa. "Apesar," acrescentou, "ouvindo o Quatre, você é o cara, Barton."
O acrobata não se perturbou de forma alguma, nem um pouco envergonhado pelos outros dois aparentemente terem trocado figurinhas sobre seus parceiros sexuais. "Isso só o Quatre vai saber de fato, e ninguém mais," deu de ombros.
O rosto do loiro se iluminou, e ele se jogou de sua cama para os braços do namorado, beijando-o ruidosamente.
"Awww," Duo cantarolou, tentando não demonstrar sua pontada de inveja e o quanto desejava que Heero estivesse ali para ele fazer o mesmo. "Vocês são tão fofos." Deitou em seu travesseiro, assim estava virado para o teto e não para os dois pombinhos. "Tentem não fazer muito barulho essa noite, tá?"
Continua...
