Boot Camp
Por: Snowdragonct
Tradução: Aryam
Nota da autora: Sou a única que acha lemons incrivelmente difíceis de escrever? Quero dizer, quero que sejam BONS... não só para encher linguiça ou sexo gratuito... tem que significar alguma coisa para a história. Mas, uau... é tão difícil! Desculpem minha inexperiência para escrevê-los... e shevaleon, o armário é para você ;)
CAMPO DE TREINAMENTO
55: Reconciliações
Já passava da meia noite quando Wufei entrou no quarto do time Wing, ligando a luz para ver Quatre dormindo nos braços de Trowa. Ele franziu o cenho, confuso, esperando uma cena muito menos amigável depois do que testemunhara no refeitório.
"Winner! Barton!" Ele bateu a porta com força para acordá-los.
Quatre se sentou esfregando os olhos, então piscou para o oficial. "Capitão Chang! Oh. Você já conversou com o Duo? Ele explicou o plano?"
Wufei balançou a cabeça em negativa, o rosto abatido, recostando-se cansado contra a porta que acabara de bater. "Pra falar a verdade, acabei de conversar com a coronel Une. Depois de terminar minha reunião com Wolfe e os outros, liguei para ela querendo saber da situação do Merquise." Passou uma mão pelos cabelos negros lisos. "Quase me esqueci de vocês."
"Então eles ainda estão na cela?" Trowa perguntou, tendo acordado e se apoiado num cotovelo para ver o capitão.
Wufei assentiu com a cabeça. "Agora, querem tratar de me explicar por que vi Maxwell e Barton se pegando no refeitório?"
"É parte do plano," Quatre o informou. "O major Merquise sabia. Era para ele ter te contado."
"Bom, ele não contou. Obviamente ele foi baleado antes de ter a chance."
"Oh." Quatre franziu o cenho. "Teve alguma notícia sobre como ele está?"
"Ele saiu da cirurgia... está em tratamento intensivo. Os médicos não estão fazendo promessas," suspirou, seu cansaço e preocupação se tornando mais óbvios a cada momento que passava de pé recostado contra a porta.
"Sinto muito," o loiro falou baixo. "Eu sei que você – ele – Hum, ele foi muito legal com a gente enquanto você estava fora, e também estamos muito preocupados com ele, senhor."
O chinês assentiu cansado, fechando os olhos. "Agora me expliquem o que é esse plano."
"O major Merquise nos deixou usar o computador para, ahm, fazer reconhecimento, na biblioteca, e encontramos horários de ônibus-espaciais e transferências de prisioneiros que achamos que podem ligar Kushrenada a uma grande operação de distribuição de drogas," Quatre contou. "Mas precisamos acessar o computador no escritório dele, e ele está isolado. Duo e Trowa estão fingindo que são um casal para o Kushrenada acreditar que eu agi por ciúme quando fui até ele dedurar o plano de fuga do Duo."
Wufei bufou, cético, fixando o olhar no loiro. "Não pode achar que ele acreditou nisso."
"Você e o Heero acreditaram," Quatre respondeu franzindo o cenho.
Chang deu uma risada curta e amarga. "Acho que sim." Ele assentiu com a cabeça. "Continue."
"Enfim, está tudo pronto. Duo é nossa isca. Ele vai sair domingo à noite, depois da meia-noite. Acreditamos que o Kushrenada vai estar esperando onde ele vai passar pela cerca. E, enquanto isso, dentro de mais ou menos uma hora que vamos ganhar com isso, eu entro no escritório do K. e tento hackear o computador dele."
"Achei que vocês fossem mais inteligentes do que isso," Wufei falou com aspereza. "Existem muitos problemas com o seu plano. Kushrenada pode mandar outra pessoa para pegar o Maxwell, ou deixar um guarda no escritório, prevendo que vocês estão tramando alguma coisa. Ele pode simplesmente atirar no Maxwell enquanto ele estiver fora da cerca de perímetro e dizer que não teve escolha." Balançou a cabeça. "Não vou deixar que vocês continuem com essa façanha."
"Você tem que deixar," Quatre suplicou. "Trabalhamos tão duro para chegar até aqui! O major Merquise aprovou o plano."
"E onde ele está agora?" perguntou amargo.
"Exato!" o loiro exclamou. "Você sabe que o Kushrenada fez isso. Não pode deixar ele se safar, senhor. Não pode!"
"Ele já se safou!" Wufei rosnou. "E não vou entregar o Maxwell de bandeja pra ele!"
"Por favor!" Quatre implorou. "Precisamos fazer isso – ou ele vai se safar de tudo." Focou seu olhar mais persuasivo de cachorrinho abandonado no homem chinês. "Senhor, com você e o Heero de volta, temos uma chance maior de conseguir."
Wufei considerou por um momento, balançando a cabeça indeciso.
"Heero é muito melhor hacker do que eu, ou é o que ele diz," Quatre argumentou. "Se nós dois formos atrás desses dados, o Trowa e você podem vigiar o Duo. Você pode estar no ponto de fuga antes do Kushrenada e pegar ele no flagra antes de ele ter a chance de machucar o Duo."
"Além do mais," Trowa acrescentou, falando pela primeira vez. "Você sabe como o Maxwell pode ser persuasivo. Ele pode conseguir fazer o K. admitir os crimes que cometeu. O homem está cego de ódio. Se ele achar que tem Duo na palma da mão, vai querer se vangloriar."
"Ele vai querer se vangloriar se planeja silenciar Duo permanentemente," Wufei respondeu.
"Mas você vai estar lá para prevenir que isso aconteça!" Quatre o lembrou.
Wufei andou pelo quarto e sentou-se na cama de Heero, esfregando o rosto com ambas as mãos. "Por mais que eu queira fazer o Kushrenada enfrentar a justiça, não posso arriscar—."
"Por favor!" Quatre praticamente choramingou. "Pelo menos fale com Duo e Heero antes de jogar nosso esforço pelo ralo. Eles foram os que mais sofreram pelo plano. Deixe eles escolherem se querem ir até o fim ou não."
Decidindo estar cansado e estressado demais para ser racional, Wufei concordou. "Não vou descartar a ideia," concedeu. "Vou falar com o Maxwell e com o Yuy logo pela manhã."
"Vai deixar eles presos na noite toda?"
"Já passou da meia-noite, rapazes," o oficial deu de ombros. "Eles já devem estar dormindo. E eles brigaram no meio do refeitório. Merecem uma ação disciplinar por isso, independente do motivo." Bocejou e se espreguiçou, ouvindo os estalos em suas costas e pescoço. "O Maxwell vai limpar banheiro e o Yuy vai descobrir o quão tedioso é trabalhar na cozinha."
"Mas foi um mal-entendido..."
"E os dois exageraram," respondeu rápido e direto. "Não vou permitir que eles fiquem no mesmo cômodo até eu ter certeza que aprenderam uma lição de maturidade." Levantou-se e fez movimentos circulares com os ombros para soltar os músculos. "Vejo vocês nos exercícios matinais." Lançou um olhar sério para os rapazes, e um pequeno sorriso. "Fico feliz em saber que a cena no refeitório foi só um teatro. Odiaria pensar que o Maxwell não leva o relacionamento com o Yuy tão a sério quanto ele dizia."
Trowa bufou. "Sério? Você devia ter visto o quanto ele protestou ter que me beijar. Dá pra ver que o Yuy é o único pra ele."
"Que bom ouvir. Vamos torcer para o Heero estar disposto a esquecer que viu você enfiando a língua na boca do namorado dele."
Trowa estremeceu de leve, percebendo que, parte do plano ou não, ele realmente beijou Duo na frente do Heero. E Yuy não perdoava fácil. Nem gostava de dividir.
Wufei riu ao ver o temor no rosto do jovem. "Relaxa, Barton. Vou conversar com ele de manhã. Quem sabe ele só te mutile."
Os olhos verdes se semicerraram com o tom brincalhão. "Que bom que o senhor acha isso engraçado, senhor."
"Barton, agora eu tenho que ir. Ou a realidade do que está acontecendo aqui pode me alcançar. Boa noite, rapazes." Wufei fez um gesto com a cabeça e saiu para dormir o quanto podia antes do toque de alvorada.
A maioria dos recrutas estava na calistenia quando Wufei decidiu fazer uma visita a Duo e a Heero. De acordo com os soldados de plantão, eles ficaram quietos depois de se cansarem de bater nas portas e soltarem xingamentos, embora um dos guardas tenha ficado impressionado com a variedade do vocabulário sujo de Duo. Haviam colocado os rapazes em celas em cantos opostos para não poderem se provocar.
Quando a porta se abriu, Duo sentou-se de uma vez, obviamente acordado. "Capitão Chang!" falou aliviado. "Caramba, é tão bom ver você! Tem que me ouvir... eu não estava traindo o Heero. Eu nunca faria isso com ele!"
Wufei ergueu uma mão para silenciá-lo. "Conversei com o Winner, Maxwell. Sei da história toda."
"Ainda bem!" Duo falou aliviado.
Wufei analisou o rosto do rapaz, vendo os círculos escuros ao redor dos olhos e o que pensou que poderiam ser traços úmidos de lágrimas limpadas se não o conhecesse bem. Talvez fossem apenas hematomas resultantes da luta contra Heero. O roxo escurecendo em sua mandíbula e ao redor de um olho eram evidências mudas da seriedade da briga.
"Você dormiu pelo menos um pouco, Maxwell?"
"Como poderia com o Heero me odiando?" Duo perguntou triste, desviando o olhar.
"Ele não te odeia. Só está chocado... magoado."
"Eu sei. Não era para ele ter visto aquilo," insistiu. "Se soubéssemos que vocês estavam vindo, eu teria desistido do teatrinho na hora." Olhou para o militar com uma expressão pesarosa. "Contou para ele sobre o plano?"
"Ainda não. Queria conversar com você primeiro." Wufei suspirou. "Se eu soubesse que você não dormiria, teria vindo mais cedo." Ele se sentou ao lado do jovem, colocando uma mão reconfortante em seu ombro. "Sinto muito."
"Tudo bem. Eu só... quero resolver essa situação."
"Bom, ainda tem a questão da briga de vocês dois."
Duo franziu o cenho de leve. "O Heero que começou... não eu. Mas quando ele não quis escutar... não me deixou nem tentar explicar... bom, perdi a cabeça também." Ergueu o rosto com uma expressão pesarosa. "Quero dizer, se fosse ao contrário, eu não teria partido pra porrada logo de cara."
"Heero nem sempre reage bem quando sofre uma decepção," Wufei explicou com calma. "Os sentimentos dele por você são tão profundos que a racionalidade manda lembranças e pula pela janela. E quando ele te viu, ficou muito magoado."
"Eu sei."
O militar franziu o cenho. "Você precisa entender que, mesmo depois de esse mal-entendido ser esclarecido, pode não conseguir um perdão instantâneo e incondicional dele."
Duo grunhiu, escondendo o rosto nas mãos. "Droga, Chang... o beijo com o Trowa não significou nada. Foi só uma atuação."
"Mas você o beijou. E pelo que andei ouvindo por aí, não foi só uma vez."
"Foi tudo pelo Kushrenada, para a fofoca chegar até ele que eu e o Trowa estávamos juntos. Era o único jeito de garantir que ele acreditaria quando o Quatre me dedurasse."
"Ah, sim. Sobre o plano –," Wufei começou com frieza. "—é perigoso demais."
A expressão de Duo era de desespero. "Capitão... não pode nos fazer desistir. Trabalhamos tão duro!"
"Não posso permitir que você seja isca numa armadilha meia boca! Kushrenada pode te dar um tiro e se justificar!"
"Não pode!" Duo argumentou. "Eu pesquisei. A lei diz que se eu não estiver armado, ele não pode usar força letal."
"Não significa que ele não vai usar."
Os olhos índigo faiscaram. "Aí você o condenaria por assassinato."
Wufei jogou as mãos para o alto. "Mas você estaria morto!"
"Valeria—."
"Se ousar dizer que valeria a pena, vou usar você como saco de pancadas nas aulas de artes marciais a semana inteira!"
"Estou disposto a correr o risco," Duo se corrigiu. "Trabalhamos tanto para chegar até aqui. Olha o que eu fiz com o Heero!"
"E morrer pelas mãos do Kushrenada resolveria alguma coisa para ele?" o chinês questionou.
O rapaz de trança desviou o olhar, dando de ombros. "Se Heero não me perdoar, eu não vou ter muito pelo que viver."
Wufei o agarrou pelos ombros e chacoalhou de leve. "Não fale uma besteira dessas, Maxwell! Não pode basear o valor da sua vida na aprovação de outra pessoa. Heero não se apaixonou por alguém grudento e dependente como uma criança; ele se apaixonou por você. E foi a sua independência e a força da sua personalidade que o conquistaram. Ele não acharia essa carência nem um pouco cativante."
Duo ergueu o rosto, teimoso. "Eu não me importaria se ele fosse carente por mim," murmurou.
"E ele é," Wufei o assegurou. "Não importa o quão magoado ou nervoso ele esteja agora, ele se lembrará do quanto precisa de você e irá te perdoar. Mas, até lá, você precisa ter perspectiva e se manter focado no treinamento."
"O que eu preciso é ver o Kushrenada pagar pelo que fez," Duo afirmou. "E eu ia adorar poder ser quem vai cobrar a dívida."
"Eu também," Wufei admitiu.
"Então não nos faça desistir!" o rapaz de trança pediu. "Nos ajude."
Wufei franziu o cenho pensativo. "Vou fazer o seguinte: vou esperar para tomar a decisão final até ter conversado com o Heero e analisado os relatórios diários do major Merquise. Ele deve ter tomado notas da ideia do seu plano." Encarou o rapaz com um olhar penetrante. "Você não perguntou dele."
"O que tem para perguntar?" Duo falou amargurado, seu olhar caindo para o chão entre seus pés. "Um filho da puta atirou nele – provavelmente um guarda escolhido a dedo pelo K. Outro assassinato para colocar na conta dele junto com o Lowe."
"Ele não está morto."
A cabeça de Duo se ergueu de supetão, e ele encarou espantado o militar. "Não está? Mas ele parecia... Quero dizer, caramba. Ele tomou três tiros!"
Wufei conseguiu abrir um pequeno sorriso. "Zechs é um homem particularmente forte, Duo, tanto física quanto mentalmente. A última notícia que tive do hospital foi que ele está em condição grave após uma cirurgia bem-sucedida de remoção das balas e reparação dos ferimentos."
"Ele vai sobreviver?" o jovem recruta perguntou descrente.
"Não vou afirmar com certeza," respondeu cauteloso. "Mas estou esperançoso."
Duo de repente jogou os braços ao redor do militar, que pôde sentir o recruta trêmulo de alívio. "Que bom, Fei. Estou tão feliz por você não ter perdido ele!"
"Eu...?" Wufei franziu o cenho, incerto do quanto Duo sabia.
"É, você," sussurrou rouco. "O cara é louco por você, Chang. E você seria um idiota em não dizer para ele que sente o mesmo."
Wufei se afastou, olhos negros analisando o rosto do jovem. "O que te faz pensar—?"
Duo sorriu. "Está estampado no seu rosto agora. E o jeito que você falou o nome dele já diz tudo. Você está caidinho pelo gatão do major."
"Não estou caidinho, Maxwell. Apenas vamos jantar juntos eventualmente."
"É o que você pensa," provocou. Encarou o militar fixamente. "Estou feliz em saber que ele vai se recuperar. Você merece alguém como ele."
Wufei se remexeu inquieto. "Isso é assunto para outra hora. Nesse momento, Maxwell, nosso foco precisa ser em conseguir levar você e seu time até o fim sem mais incidentes."
"E encontrar evidências para prender o K., né?" Duo insistiu.
"É o que eu mais quero," Wufei se levantou e se espreguiçou. "Vá à enfermaria e peça para a doutora Po dar uma olhada nesse olho roxo, enquanto eu converso com o Heero."
"Posso ir com você?"
"Não. Você vai se apresentar ao tenente Wolfe para ir fazer faxina no banheiro assim que a médica terminar de te examinar."
"Mas—."
"Não!" A expressão de Wufei se suavizou apenas um pouco. "O Yuy ainda deve estar um pouco volátil. Não quero vocês dois juntos até ambos terem esfriado a cabeça. E você revidou o soco."
"Mas é claro. Isso se chama autodefesa."
"E sabendo do nível emocional em que ele deve estar agora, quer mesmo se aproximar dele de novo?"
Duo grunhiu, escondendo o rosto nas mãos. "Eu só quero... tocar nele. Só pra saber que ele é real, sabe? Que isso tudo não é só um sonho bizarro e louco." Ergueu a cabeça com uma expressão suplicante.
"Você é quem quer continuar com esse plano mal cozido," Wufei ressaltou. "Se eu deixar, significa que você não vai poder tocar no Yuy em público até tudo estar acabado ou o Kushrenada vai perceber que é uma armadilha."
"Mas que merda, nós não sabíamos que vocês estavam de volta," Duo reclamou. "Era para ter acabado antes disso."
"Mas não acabou. E tomei providências de mudar o alojamento do Yuy... antes de conversar com Winner e Barton. Acho que, pelo bem do teatrinho, devemos manter essa mudança."
"Quer dizer que não vou nem falar com ele até depois de amanhã à noite?" Duo perguntou, perdendo o ar.
"Vou repassar para ele qualquer mensagem que quiser." Wufei analisou o rapaz. "Tem certeza que quer dar continuidade nisso? Desista do plano e Heero pode voltar para o alojamento de vocês essa noite."
"Porra!" Duo exclamou irritado, andado de um lado para outro inquieto. Virou-se com uma careta para o chinês. "Você está deixando tudo mais difícil, sabia?"
Wufei assentiu calmo.
Duo inspirou profundamente trêmulo. "Que seja do seu jeito, Chang. Enquanto tiver uma chance de você nos deixar continuar com nossa missão, vou seguir o plano." Ele segurou com firmeza a frente da camisa do militar. "Mas diga a ele...! Por favor, Chang. Diga pra ele que sinto muito. Diga que eu... amo ele?"
Wufei assentiu com a cabeça mais uma vez. "Vou dizer. E ele terá bastante tempo para pensar no seu pedido de desculpas enquanto estiver trabalhando na cozinha."
Duo abriu um fraco sorriso. "Melhor do que limpar banheiro."
"É, mas você já teve sua vez na cozinha. Precisa ampliar os horizontes, rapazinho." Wufei sorriu satisfeito. "Vá lá, Maxwell. A doutora Po está esperando."
Suspirando e com uma continência hesitante, Duo saiu do centro de detenção, notando um soldado ASMS emparelhar-se com ele assim que pisou fora, obviamente tendo sido instruído a se assegurar de que ele chegasse onde deveria.
Como esperado, a doutora Po lhe deu bronca ao examinar seu rosto. Contudo, ela lhe deu alta para o serviço no banheiro e deixou o guarda escoltá-lo para onde estava o tenente Wolfe.
Aproximava-se do almoço, ainda sem notícias do capitão Chang ou dos outros integrantes do time Wing. Os dois remanescentes haviam lavado a roupa suja, mantendo um silêncio sepulcral em público para os outros detentos continuarem a pensar que ainda estavam brigados. Depois, limparam o quarto e, em voz baixa, discutiram o plano para a missão da noite seguinte, caso Duo e Heero tivessem sucesso em convencer Wufei a deixá-los continuar.
Por fim, foram para o refeitório, andando separados, deixando claro que não estavam juntos.
Trowa entrou primeiro, ignorando os olhares hostis dos outros rapazes enquanto cruzava o campo. De canto de olho, viu Kushrenada atravessando o pátio, com o óbvio propósito de interceptar Quatre. Não havia nada que o rapaz alto de olhos verdes pudesse fazer a não ser continuar em seu caminho.
Austin esperava ao lado da porta quando Trowa entrou, e falou com escárnio: "Sozinho, Barton? Que milagre".
Trowa apenas lhe lançou um olhar breve e se adiantou.
"Dorme de olho aberto, Barton. Se o Yuy não te pegar, outra pessoa vai," o rapaz alourado avisou em tom ameaçador.
Ben percebeu a ameaça e se colocou entre eles com um olhar questionador para Trowa. "Cadê o resto do seu time, Barton?"
Trowa deu de ombros. "Dois ainda estão presos até onde sei e o Winner não está falando comigo – por razões óbvias." Virou-se, com intenção de se manter no papel de renegado.
Enquanto isso, Kushrenada interceptara Quatre, encontrando-se com ele no pé da escada do refeitório. "Tem um minuto, Winner?"
Quatre parou, cruzando os braços devagar e olhando ao redor para se certificar de não haver ninguém prestando atenção em sua conversa particular. "Quer compartilhar alguma coisa, diretor?"
Kushreanda soltou uma risada fria. "Foi uma baita cena ontem à noite no refeitório. Deu para perceber que o Maxwell não esperava o Yuy de volta tão rápido."
"Nenhum de nós esperava." O loiro deu de ombros, observando o diretor com cuidado. "Não é problema meu."
"Não, claro que não. Não foi você que foi pego traindo, né?"
Quatre balançou a cabeça, fazendo uma careta. "Quer encerrar esse assunto? Prefiro não ser visto conversando com você."
"Eu só queria confirmar que nada mudou." Os olhos fulvos encararam o loiro de modo significativo.
"Assumindo que o Chang o solte, espero que o Maxwell dê no pé como planejado." Abriu um pequeno sorriso malicioso. "Senão ele pode esperar o Yuy acabar com o que começou ontem. E por mais que eu gostaria de ver isso, não acho que ele seja idiota o suficiente para arriscar ficar." Deu de ombros despreocupado. "De qualquer forma, ele vai ter o que merece, não vai?"
O diretor balançou a cabeça. "Você é uma cobrinha venenosa mais fria do que eu esperava, Winner. Poderíamos ter feito grandes coisas juntos se seus colegas de time tivessem te passado a perna antes."
Quatre lançou um olhar intimidador para o homem. "Vai se foder." Girou em seus calcanhares e subiu os degraus do refeitório, sem olhar para trás.
Apenas após ter entrado, inspirou trêmulo, grato pelas portas fechadas entre ele e o homem para quem estava interpretando um papel desagradável.
"Quatre!" Ben correu até ele, pousando uma mão companheira em seu ombro. "Vamos. Guardamos uma cadeira para você e já peguei seu almoço."
"Obrigado," Quatre falou desanimado, sem ousar olhar para Trowa, sentado notavelmente sozinho comendo em silêncio.
"Pode ser a última vez que a gente pode ficar junto," Ben comentou baixo. "O capitão Chang disse que vai mudar o Yuy para o nosso quarto... para manter a paz." Seu rosto se transformou numa carranca. "Bem que eu queria saber o que está acontecendo."
"Você vai saber... logo," Quatre prometeu, abrindo um breve e, o que esperava ser, reconfortante sorriso. "Enquanto isso, obrigado pela companhia."
Sentaram-se à mesa e o almoço se passou em relativa calma, com soldados ASMS vigiando tudo de perto, e sem sinal dos outros dois membros brigados do time Wing.
Era o meio da tarde quando Duo terminou de esfregar cada centímetro quadrado de aço cromado e porcelana das latrinas, e sentia-se tão sujo quanto o lugar estava antes de ele começar a limpeza.
"Ficou bom, garoto," Wolfe elogiou, inspecionando o trabalho, enquanto Duo se recostava contra a parede, bocejando de cansaço.
"Merda," murmurou para si mesmo. "Se eu não dormir essa noite, não vou dar conta de amanhã."
O militar parou em seu tour pelo banheiro, olhando para a figura largada ao lado da porta. "Ei, Maxwell. Por que não vai tomar uma ducha e trocar de uniforme? Depois eu te levo ao refeitório pra você almoçar."
"Tarde demais. Perdemos a hora do almoço," Duo ressaltou, limpando o suor com a manga da camisa.
"Aposto como conseguimos alguma coisa para você comer."
De repente, Duo deduziu que Heero ainda poderia estar trabalhando na cozinha e endireitou-se com renovada energia. "Agora que você falou, eu estou mesmo morrendo de fome. Que tal pularmos direto para a comida?"
O tenente o olhou com divertimento. "Não é um saco quando não conseguimos decidir o que queremos mais...? Dormir, comer ou estar limpo?"
"Pode apostar!" Duo concordou, pensando que o que ele realmente queria eram cinco minutos sozinho com Heero... para saber se Chang explicara o mal-entendido e se o rapaz ainda o amava. "Mas eu filtrei minhas opções, senhor. E o que eu quero primeiro é ir ao refeitório."
"Está decidido." O oficial militar abriu a porta, guiando-o para o campo de terra, e Duo seguiu-o apressado, ainda imaginando como conseguiria escapar de sua babá por tempo suficiente para ver Heero.
Contudo, a sorte estava com ele. Uma vez que Wolfe convenceu o cozinheiro de fazer um sanduíche para Duo, ele fez o garoto se sentar à mesa com a comida mais um copo de leite, e se retirou para se reportar ao capitão Chang.
"Fique aqui até eu voltar, tá?" ele avisou, olhando para os lados assegurando-se de que Duo e o cozinheiro ASMS eram os únicos ali.
"Não sairei desse prédio, senhor," Duo prometeu.
"Ótimo, porque o Chang está muito preocupado com o que os cretinos dos funcionários da prisão podem fazer. Ele deu ordens para ninguém andar sozinho." O tenente balançou a cabeça. "Se o escritório do Chang não fosse menos de vinte metros daqui, eu não iria até lá sozinho. Mas quero avisá-lo que você fez um ótimo trabalho nos banheiros e merece uma folga pro resto do dia."
"Obrigado," Duo agradeceu. "Se eu puder tomar um banho depois, posso dormir feito pedra pelo resto da tarde sem esforço nenhum."
"Pode deixar que você vai." O militar olhou ao redor mais uma vez. "Fique aqui. Não vou demorar mais do que vinte minutos, no máximo."
Duo assentiu com a cabeça, observando de canto de olho o homem se retirar com passos rápidos. Então soltou o resto do seu sanduíche e focou-se na cozinha para procurar o cozinheiro.
Após se certificar de que o cozinheiro estava ocupado com suas próprias tarefas, levantou-se e, sorrateiro, foi até a porta aberta que levava ao cômodo dos fundos, onde ele descascara batatas quando foi sua vez de trabalhar na cozinha.
Entrou. Sua respiração parou quando viu Heero sentado ali descascando uma batata retirada de uma montanha de outras. Parou, aproveitando a visão dos cabelos bagunçados, olhos azuis semicerrados e o rosto como se fosse esculpido com perfeição. Nossa, ele é tão lindo.
Nesse momento, os intensos olhos se ergueram, fixando-se no rosto de Duo com um olhar indecifrável.
Com gestos muito deliberados, Heero deixou de lado a faca e a batata, limpando suas mãos em um pano de prato, antes de se levantar e se virar para o rapaz de trança.
Duo remexeu-se inquieto. Heero não respondera, e ele não tinha ideia como interpretar o silêncio cortante. Enquanto o líder se aproximava a passos lentos, pensou se Wufei não se esquecera de atualizar seu companheiro de time no plano. Ou se talvez tivesse explicado e Heero mesmo assim não estava disposto a perdoar.
O japonês agarrou seu parceiro pelos braços, puxando-o até os fundos do cômodo, e Duo ficou tenso se preparando para outro ataque. Contudo, ele abriu a porta do armário e empurrou Duo para dentro, seguindo-o, e fechando a porta atrás de si.
Estava escuro lá dentro, mas a luz entrando pelas frestas ao redor da porta oferecia iluminação suficiente. "Heero? O Wufei não conversou com você? Ele não te falou—?"
Duo foi interrompido no meio da frase quando os lábios de Heero cobriram os dele num beijo bruto e urgente e foi empurrado contra a parede pelo corpo do líder. Seus braços ainda estavam sendo apertados, mas não importava, pois ele nem sonharia em tentar fugir do ataque apaixonado. Em vez disso, abriu a boca ante o beijo agressivo, grunhindo baixo e roçando de volta os quadris até poder sentir a dureza de Heero contra a sua através das camadas de roupa.
O grunhido baixo e desesperado do japonês apenas serviu para excitar Duo ainda mais, e ele revidou com um beijo implacável, mordiscando os lábios do namorado até conseguir se afastar o suficiente para respirar.
"Caramba, Heero... você me assustou," ofegou nos lábios do outro, ainda mantendo-se pressionado contra o corpo que o prendia na parede. "Achei que não ia me perdoar."
"Parece que não te perdoei?" veio o sussurro gutural enquanto Heero deixava uma trilha de beijos em seu pescoço, mordendo onde este se encontrava com o ombro e lambendo o ponto sensível.
"Espero que esteja planejando me foder aqui e agora ou vou descer o cacete em você!" Duo ameaçou, o rosto corado e olhos escuros cheios de tesão.
"Senti sua falta," Heero ofegou quando a fricção entre seus corpos o deixou ainda mais desesperado de desejo.
"Eu também," Duo grunhiu em resposta, o joelho quase falhando quando Heero desceu uma mão do seu braço e acariciou com força sua ereção coberta. "Ah, caralho! Não para!"
"Nunca," Heero murmurou, liberando o outro braço de Duo para tirar a fita que prendia a trança, soltando as mechas de cabelo castanho. Enquanto uma mão continuava a esfregar e provocar, a outra acariciava as mechas sedosas, deleitando-se com a textura suave. "Nossa, eu amo o seu cabelo."
Duo riu, utilizando-se de sua mão livre para abrir o cinto e calça do namorado. "Também te amo, Ro." Brusco, empurrou-o, deslizando a mão dentro da calça e cueca arrancando um grunhido de prazer de Heero.
Seus lábios se encontraram outra vez, exigentes e brutos, e Heero precisou espalmar as mãos na parede atrás de Duo para se segurar enquanto o rapaz de trança o provocava. Contudo, também livrou Duo para deslizar a calça de Heero até seus calcanhares, dando-lhe acesso fácil ao alvo, e suas mãos talentosas deixaram o namorado arfando e gemendo de prazer.
"Te quero..." grunhiu o líder, cabeça jogada para trás e olhos fechados, expressão contente.
"Então me tenha," replicou com um sussurro rouco.
Os olhos de Heero se abriram quando Duo habilmente abriu a própria camisa e a jogou de lado, antes de fazer o mesmo com a do namorado. Os olhos índigo se encontraram com os azuis, sustentando o olhar enquanto terminava de desvestir a ambos, e, por fim, estavam se abraçando nus no interior apertado do armário.
"Nossa, precisamos..." a voz entrecortada de Heero parou quando ele precisou engolir.
"Não precisa," Duo falou impaciente. "Me fode logo!"
"Não quero te machucar—."
"Por que não? Eu te machuquei, não foi?"
Os olhos de Heero se escureceram de raiva. "Não machucou assim!" Ele se afastou por um instante para mexer nas calças que tinha chutado para o lado, até encontrar a bacitracina que havia ficado com ele após seu último encontro com Duo.
O rapaz de trança riu. "Não acredito que ainda tem isso."
"Você deixou para trás e não vi razão para deixar na minha cama, onde alguém poderia encontrar." Fixou um olhar desejoso no parceiro. "Vem cá."
Duo se aproximou mais, e Heero o levantou para ele ficar apoiado no canto de um grande balde de cera para piso, que o posicionou na altura perfeita. "Caramba, você é bem engenhoso," Duo admirou enquanto seu namorado se colocava entre suas pernas pousando beijos em seu peito e deslizando o primeiro dedo para dentro. "Ah, caralho! Isso é... incrível."
Envolveu o pescoço de Heero com ambos os braços e a cintura esbelta com as pernas, jogando a cabeça para trás e arfando de deleite. "Mais, Ro. Quero mais!"
Heero obedeceu, introduzindo um segundo dedo, depois um terceiro, até seu namorado estar ofegando de prazer. "Quer mais?"
"Eu quero você," respondeu sem fôlego.
Duo deslizou as duas mãos pelos cabelos do namorado, movendo-se para frente de encontro ao membro que entrava, e aspirando lentamente. "Nossa!" grunhiu. "Te amo, Heero."
O japonês abraçou o rapaz de trança pela cintura, enterrando o rosto na cascata de cabelo ao redor dos dois. "Aishiteru, Duo."
O jovem de L2 riu baixo. "Você sabe que me dá tesão quando você fala japonês, Ro!" Como se eu pudesse estar mais excitado do que estou agora! Beijou o namorado com força, mesclando suas bocas tão apertado quanto o resto dos corpos, depois balançou os quadris, implorando por movimento. "Anda logo, me fo—faça amor comigo."
"O que você quiser," sussurrou, sensual, e Heero recuou e estocou, sendo recompensado por um grunhido cheio de prazer de seu parceiro.
Os gemidos e ofegos do rapaz de trança apenas aumentou seu desejo, e manteve suas mãos apertando os quadris esbeltos, puxando seu namorado para perto toda vez que estocava para frente, até o prazer acumulando sobrecarregar a ambos.
Cedo por demais, alcançaram o clímax, abafando seus gritos na pele um do outro. Em seguida, no armário apertado havia apenas o som da respiração ruidosa enquanto eles se recuperavam.
O queixo de Duo descansava no ombro de Heero, seus braços ao redor do pescoço do namorado e as pernas ao redor da cintura dele. "Sabe o quanto eu te amo, não sabe?" suspirou tentando respirar.
"É, eu também te amo," respondeu sem ar.
"Desculpa... por ontem."
"Eu sei."
"A sua expressão... Nossa, eu queria morrer, Ro."
"Eu também."
"Nunca mais quero ver aquela expressão."
"Não quero que você veja," respondeu seco. "Você é meu, Duo Maxwell. Nunca se esqueça disso."
"Nunca... e o mesmo vale pra você."
Heero afastou um pouco o rosto, olhos escurecidos buscando o rosto familiar tão querido. Acariciou como um pedido de desculpas o hematoma na mandíbula. "Desculpa por ter me descontrolado."
"Eu mereci."
Heero balançou a cabeça. "Não, Duo. Você não merece isso de jeito nenhum – de ninguém – principalmente não de alguém que te ama."
Duo abriu um largo sorriso. "Não me canso de ouvir isso, sabia?"
Com a excitação e paixão acabadas, ou ao menos temporariamente saciadas, Heero sentia o suor esfriando em suas costas e estremeceu de leve. "É melhor a gente se vestir e sair desse armário antes que alguém venha nos procurar."
"Mmm," o namorado concordou, permitindo relutante que se separassem.
Enquanto se vestiam, ainda ombro a ombro no local apertado, Heero vislumbrou seu namorado com preocupação. "Não gosto do plano que Chang me contou."
Ouviu um bufar frustrado.
"Por favor, Heero... não discuta comigo sobre isso. É algo que preciso fazer. Nós precisamos fazer."
"Mas pode te matar."
"Sou vaso ruim de L2, Yuy. Não morro fácil."
"Não significa que seja imortal."
Duo se virou de supetão, preparado para começar a ladainha de razões para continuar com o plano, mas foi puxado de encontro com o namorado e envolvido num abraço apertado.
"Sei que você tem que seguir em frente, amor," ouviu o sussurro rouco em sua orelha. "E nada que eu disse vai te fazer mudar de ideia. Só o que posso fazer é te ajudar a ter sucesso."
O recruta de trança se afastou um pouco, estudando o rosto do líder. "Vai ajudar o Quatre a hackear o computador?"
"Claro que vou... contanto que eu saiba que Trowa e Chang estarão te vigiando." Heero balançou a cabeça. "Vou me preocupar. Mas temos que fazer isso pelo Merquise, Jase e mesmo pelo Odin."
"Acha que me importo que o desgraçado que te criou foi assassinado?"
"Não – mas você se importa que o Kushrenada está por trás do assassinato."
"É," Duo admitiu. "Acho que sim." Descansou a cabeça no ombro de Heero, aproveitando o calor dos braços ao seu redor. "Estamos bem agora, Ro? Você e eu?"
"Mais do que bem," respondeu baixo com o tom de voz divertido. "Não acabei de provar?"
"Mmm," Duo reconheceu, permitindo sentir-se aliviado.
"Agora vamos sair desse armário antes que o idiota do zelador venha procurar uma vassoura ou sei lá," Heero sugeriu.
Duo juntou o cabelo para trançá-lo e sorriu para o amado líder. "Você tem um baita fetiche pelo meu cabelo, Yuy."
"Tenho mesmo."
"Então pra onde foi meu elástico de cabelo?"
"Sei lá."
"Aw, caralho, Ro! Você perdeu?" Duo se inclinou e tateou pelo chão procurando o elástico.
"Desculpa. Me empolguei."
"Nunca vou achar aqui!" Duo se endireitou, ficando cara a cara com o namorado. "Yuy, às vezes você é um mala." Ergueu uma mão em aviso. "E sei o que está pensando, não abra a boca!"
Heero riu baixo, sem conseguir se segurar. "Duo, você não tem preço."
Por fim, desistiram do elástico, e Duo começou a passar os dedos nos cabelos para arrumá-lo, mas Heero o parou.
"Posso?" ele pediu, colocando os dedos na massa de mechas para penteá-las e acariciando carinhosamente.
"Mmm, sempre que você quiser," Duo murmurou, quase ronronando.
Demasiado cedo, os cabelos sedosos se desembaraçaram e o momento sereno passou. Em seguida, Heero abriu a porta e levou Duo sorrateiramente para o cômodo nos fundos da cozinha outra vez. "É melhor você voltar para onde era pra você estar agora."
"O que te faz pensar que era para eu estar em algum lugar?"
Heero apenas o encarou.
"Tá, beleza... Era para eu estar comendo um sanduíche, enquanto o tenente Wolfe me largou sozinho para ir falar com o Chang, e quando ele voltar, vai me levar para tomar um banho."
"Ótimo," Heero falou um pouco rápido demais.
"O que quis dizer com isso?"
"Sem ofensa, Duo. Mas o que esteve fazendo o dia todo? Você está cheirando a banheiro público."
Os olhos índigo se semicerraram. "Pra falar a verdade, eu estava limpando banheiro por ter brigado com você, Ro."
Outra vez, Heero não conseguiu segurar a risada.
"É... vai rindo. Você pegou a cozinha!" Duo encarou o namorado sem qualquer raiva. "Chang achou que eu tinha que ampliar meus horizontes, tentar alguma coisa nova."
Os braços de Heero o envolveram num abraço cálido, e os lábios dele acariciaram seu rosto. "Da próxima vez, vamos ter uma cama... uma de verdade... não um colchãozinho fino ou um armário apertado... e quero uma noite inteira para te deixar louco de tesão, te comer todinho e fazer você gozar tantas vezes que vai perder a conta."
O rapaz de L2 grunhiu imaginando. "Você vai me deixar duro de novo e o tenente vai estar de volta a qualquer minuto."
Ele foi puxado para um longo beijo íntimo e depois empurrado a uma distância de um braço. "Só quero você pensando no que eu vou fazer com você..."
"E como quer que eu funcione com isso em mente? Hum?"
"Disciplina, soldado. Disciplina," Heero sorriu com maldade.
O som de passos subindo nos degraus do refeitório os alertou de que o tenente estava retornando, e Duo se endireitou logo. "Merda... tenho que ir! Te amo!"
Com um apressado selinho no rosto de Heero, ele correu em direção ao salão até onde estava a mesa com sua comida. Duo se jogou em sua cadeira, enfiando o resto do sanduíche na boca assim que as portas se abriram para permitir a entrada do tenente Wolfe. Começou a engolir o leite para ajudar a descer a comida e fazer parecer como se estivesse comendo este tempo todo.
O militar olhou para Duo com suspeita. "O que andou fazendo, Maxwell? Você parece... molambento." Analisou o rapaz de cima para baixo. "O seu cabelo está solto."
"Hum, pois é," Duo murmurou. "O elástico estourou." Deu de ombros, abrindo um sorriso tímido. "De boa, eu vou tomar banho daqui a pouco mesmo, né? Posso pegar outro elástico quando passar no alojamento junto com o uniforme limpo."
O homem sorriu e balançou a cabeça. "Vão te adorar na Academia, Maxwell. Você vai contra todas as regras!"
"Ei, eu percebi o cabelo longo do Chang, sem falar do Merquise!"
"É, eu sei. Mas eles não são exatamente cadetes mais."
Duo deu de ombros. "Eles estabeleceram um precedente." Terminou o resto do leite. "Que tal irmos andando para eu poder me limpar?" É, sexo no armário do zelador já seria sujo por si só... mas depois de limpar um banheiro inteiro...? Ah, esse banho está tão convidativo...
"Claro, garoto."
Colocando seu prato no balcão, Duo viu uma cabeça com cabelos castanhos escuros bagunçados no cômodo dos fundos, e sorriu sozinho. Sinceramente, enquanto Heero o perdoasse, ele não se importava com o que poderia acontecer no plano arriscado de acabar com o Kushrenada.
Que mundo maravilhoso.
Continua...
