Capitulo 2
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As investigações continuavam silenciosas. Sarada sempre enviava ninjas de sua confiança para seguirem qualquer pista.
Não queria alarmar a Vila da Folha, ou dar a chance para que novos rebeldes se unissem a essa causa imbecil de que Uchihas não poderiam ser Hokages.
Quando seu pai lhe contou a história trágica de sua família, ela mal pôde acreditar no que ouvia, sobre como os Uchihas foram rechaçados. Mas, ao mesmo tempo, entendia os motivos. Seus ancestrais tinham sido guiados pelo ódio como marionetes, e pagaram um alto preço.
E esse era um dos motivos para seus pais sempre se orgulharem dela. Sarada era um novo começo para um Clã que teve sua honra manchada.
Mas, infelizmente, nem todos pensavam assim.
Como Hachidaime, Sarada delegava missões a novos ninjas naquela manhã, organizava papeladas, e sempre voltava aos pequenos fragmentos de pergaminhos encontrados, buscando alguma ligação com os traidores.
Ela, Nara Shikamaru – o antigo Conselheiro do Nanadaime – e o filho dele, Shikadai, catalogavam os possíveis conteúdos dos pergaminhos.
Não estava sendo nada fácil. Por serem tão antigos, e não muito usados, o trabalho estava sendo quase impossível.
Shikamaru saiu com Shikadai para comer depois da barriga do Nara mais novo roncar alto, mas Sarada optou por continuar sua busca para não perder a linha de raciocínio.
Uma leve batida na porta foi ouvida.
- Entre. – Sarada respondeu sem delongas.
- Olá, Sarada. – era Sakura, que espiou pela porta tentando ver se atrapalhava a conversa da filha Hokage com alguém.
- Olá, mamãe. – respondeu a moça, olhando rapidamente para a mãe, e logo voltando os olhos a um livro velho.
- Eu resolvi passar aqui para saber se estava tudo bem.
Sakura deu um leve sorriso preocupado.
As feições dela, apesar de mais velha agora, ainda eram bem joviais. Mesmo sendo a mãe de uma jovem adulta, as linhas no rosto dela eram mínimas.
Uma ou outra expressão mais séria é que faziam com que elas aparecessem.
Ino e algumas outras amigas de Sakura morriam de raiva, mas ela jurava de pés juntos que não usava o mesmo jutsu que sua mestra Tsunade usara para se manter jovem.
Enquanto isso, seu pai tinha linhas faciais mais duras, o que só o fazia se tornar ainda mais belo. Um homem maduro que chamava a atenção das adolescentes, e até de suas mães.
Sarada odiava esse tipo de atenção sobre seus pais. Quando pequena então, travara algumas batalhas com colegas mais ousadas que não escondiam suspiros.
Mas, com o tempo, acabou se acostumando. Principalmente porque sua melhor amiga Chouchou não saía da casa dela para admirar seu pai, e alunos da academia e ninjas de outras vilas se encantavam por sua mãe.
Era o que pagava por ser filha de Uchiha Sasuke e Uchiha Sakura.
- Eu estou bem sim, mamãe. – soltou o ar e girou o pescoço para espantar um possível torcicolo que estava dando sinais de se instalar ali – estou tentando fazer a conexão entre os pergaminhos e aqueles assassinos.
- Ainda?
- Não é algo fácil, mãe. – bufou, não escondendo a leve irritação.
- Eu sei. – Sakura suspirou e abriu um sorriso – bem, como eu soube pelo seu pai, Chouchou e Shikamaru, que você não tinha almoçado com nenhum deles, eu lhe trouxe um bento.
Sakura mostrou o embrulho em suas mãos animada tentando entregar a filha.
- Obrigada, mãe. Mas eu não tenho tempo de comer agora.
- Vamos querida, você precisa se alimentar.
- Eu não tenho tempo, mãe. Eu estou atolada com esses livros empoeirados e fedorentos, e parece que não chego a lugar nenhum. Shikamaru já saiu com Shikadai e eu não posso deixar isso aqui. Ainda há muito o que fazer e ler para me dar ao luxo de parar pra trivialidades!
Ela nem percebeu em qual momento sua voz começou a se alterar, mas quando terminou sentia-se ofegar.
Sakura se aproximou com cuidado.
- Querida, às vezes você precisa de um momento para si mesma, arejar, e se encontrar. Mesmo que por 5 minutos, ok?
Sakura colocou as mãos nos ombros da filha e começou a injetar chakra que relaxava os nós de tensão formados ali.
Sarada não tinha tempo para isso, mas era tão bom.
As mãos de sua mãe eram sempre mágicas. Tanto por suas técnicas curativas, como por pequenas massagens, ou as vezes só carinho. Ela admitia isso.
Sakura tirou uma das mãos, mantendo a outra infundindo chakra esverdeado, e habilmente desatou o nó do bento, pegou os hashis e os ofereceu a Sarada. Ela acabou sorrindo da insistência de sua mãe.
Mas, o cheiro e a beleza do sukiyaki que Sakura havia preparado estavam tentadores. Sarada colocou na boca e deixou sair o som de sua garganta de satisfação.
Sakura sorria.
- E então, está gostoso?
- Muito! – confessou.
- Seu pai também adora este prato, mas ele sempre me pergunta se poderíamos colocar tomates.
- Kami, não!
Sakura ria divertida. A briga de Sarada e Sasuke à mesa por causa de tomates era sempre hilária para ela.
- "A Sarada nem vai perceber, Sakura" – ela o imitou dizendo e Sarada começou a rir – seu pai jura que você odiar a comida favorita dele é pura implicância.
Sarada ria ainda mais, mesmo de boca cheia, virou-se para mãe até que conseguisse falar.
- Posso confessar uma coisa? Quando eu era criança e você me contou sobre suas coisas favoritas, eu fiquei com raiva pelo papai não ficar com a gente, e acabei jurando que odiaria tomate e nunca comeria, como se assim, pudesse punir ele.
- Não acredito! – Sakura abriu a boca chocada – e eu jurando para ele que não era. Sua moleca!
As duas começaram a rir.
- Da próxima vez, eu irei colocar o tomate escondido na sua comida. SHANNARO! – Sakura colocou uma mão na cintura e a outra fechada em punho.
- Não, mamãe! Por favor, eu realmente passei a odiar tomates.
- Tudo bem - beijou o topo da cabeça da filha – Mas, falando em coisas que você gostava, mas passou a odiar... e o Boruto?
Sarada parou de mastigar e bufou. Odiava que a mãe tocasse neste assunto.
- O que tem ele? – perguntou já sabendo o rumo daquela conversa.
- Hinata me disse que ele não consegue te esquecer. Que negou as investidas de uma moça do Clã Hyuuga. Ele ainda espera por você, Sarada. – tocou o ombro da filha.
- Olha quem está dizendo – Sarada se soltou do toque – quando você era mais nova também teve garotos que esperavam uma chance com Haruno Sakura, mas você não era obrigada a isso.
- Eu não era obrigada, mas eu também não correspondia os sentimentos de nenhum deles, porque eu só amei o seu pai por toda a minha vida. E eu sei que você tem sentimentos por ele.
- Não tenho mais! Boruto quer algo que eu não posso dar. – apertou os olhos – ele quer um relacionamento, e eu não quero isso agora. Eu alcancei o meu sonho e a minha Vila precisa de mim o tempo todo, e se ele não quer nas minhas condições, não posso fazer nada. – deu de ombros.
- E Inojin aceita as suas condições? – Sakura perguntou com a voz baixa ao contrário de Sarada.
- Sim. Inojin entende que eu não quero um relacionamento e que não tenho tempo para isso.
- Ele também gosta de você, Sarada. – juntou as mãos no colo – ele tem esperança que se estiverem juntos, ele pode mudar seus sentimentos. Mas, mantê-lo assim só vai feri-lo e magoar os sentimentos dele.
- Ele sabe muito bem o que eu quero. Se ele tem alguma esperança que as coisas mudem, não é problema meu. – Sarada jogou os hashis dentro do bento com certa força, embrulhou de qualquer maneira e se levantou do chão – partir corações deve estar no meu DNA por parte de pai e mãe, não é?!
Sakura respirou fundo e deixou os ombros caírem.
- Sarada, eu só...
- Eu tenho que voltar ao trabalho, mamãe. – interrompeu.
- Tudo bem. – Sakura se levantou ajeitando a calça branca – Você quer ir para casa hoje, eu e seu pai vamos fazer...
- Não. Vou para o meu apartamento.
Sakura se constrangeu por ser cortada de novo.
- Bom, eu vou indo. – tentou caminhar até a filha para um abraço, mas antes que sequer se aproximasse, Sarada abraçou uma pilha de livros sobre a mesa e voltou para os pergaminhos e livros ao chão.
- Até mais. E por favor, feche a porta.
Sarada mal escutou os passos da mãe ou viu a porta ser fechada.
Tinha trabalho demais a fazer.
Amava a mãe, mas não queria ouvir de novo o que ela deveria fazer ou não com a sua vida amorosa ou a falta dela.
Fora sim apaixonada por Boruto, foi dele seu primeiro beijo. Mas, quando finalmente se tornou Hokage, achou que um relacionamento atrapalharia o bom andamento de seu governo, e não queria perder tempo e cabeça com isso.
Ela e Boruto brigaram muito por essa razão.
Ainda lembrava dele derramando lágrimas dizendo que a amava demais, e pedindo para que eles se dessem uma chance. Partiu seu coração dizer que não, e eles se desentenderam.
Até que Boruto, depois de dias em silêncio, disse que não abandonaria seu posto de ser o ninja por trás dela, o braço direito, assim como Sasuke foi para o seu pai.
E eles concordaram em serem apenas isso, pelo bem da Vila.
Já Inojin havia se declarado para ela anos antes e sempre voltava a falar de seus sentimentos.
Sarada disse a ele sobre sua decisão de não ter relacionamentos, mesmo depois de uma noite que passaram juntos e de ter sido com ele a sua primeira vez.
Eles conversaram muito, e ele concordou que seriam apenas um caso.
Inojin era atraente.
Tornou-se um loiro alto, manteve-se usando vestes que deixavam seu abdome de fora, exibindo músculos definidos, e um rabo de cavalo que passava da cintura.
E era bom de cama.
Para Sarada, aquilo estava ótimo.
Mas, ela sabia que ele tinha esperanças. Apesar de não se culpar, já que ele sabia as condições dela e concordou com isso, ao contrário de Boruto.
A decisão era dele.
Odiava quando sua mãe a questionava com isso. Ela tinha assuntos bem mais importantes a tratar.
Sarada tentou reler alguns dos pergaminhos e as anotações que fizera, na intenção de se concentrar novamente.
Mas, logo ouviu uma nova batida na porta.
Bufou, esperando que não fosse sua mãe novamente.
- Entre.
Boruto entrou sem fazer muito barulho. Estava com sua costumeira capa cobrindo todo o corpo.
Quando eram mais novos, ele disse que queria ser um ninja como Sasuke, que era tão forte quanto o Hokage mas atuava como um braço direito.
Sarada só não imaginava que até no modo de se vestir ele adotaria como a capa que seu pai usava.
E isso o deixava extremamente charmoso.
Ele ainda tinha algo de espalhafatoso como o Nanadaime, mas na maior parte do tempo mantinha-se sério.
Os anos que passaram fizeram bem a ele também. Estava mais forte, com um queixo quadrado imponente, e uma cicatriz no olho que o deixavam charmoso, assim como os lábios, que ela havia beijado um dia.
Mas, os olhos azuis eram o que ela mais gostava.
Sarada soltou o ar de vez balançando a cabeça. Precisava desanuviar a mente desses pensamentos desnecessários.
- E então? - perguntou.
Boruto se aproximou.
- Nada foi encontrado no país das Ondas. – as feições em seu rosto aparentavam a frustração - Havia um relato de que eles passaram por lá, mas se passaram não deixaram nenhum tipo de rastro.
- Entendo.
Sarada não duvidava das habilidades dele. Mas, às vezes queria ela mesma sair em investigação.
- E Mitsuki? Teve algum sucesso ? - perguntou ele.
Sarada apoiou as mãos no joelho, e depois jogou os papéis ao chão antes de se levantar.
Ele e sua equipe, encontraram alguns pergaminhos muito antigos, tanto que nem sabemos bem do que se tratam. E os bastardos ainda os queimaram.
- Malditos! - Boruto apertou o punho - escaparam de novo!
- Eles têm sido bem espertos e cautelosos desta vez, Boruto. - Sarada mexeu nos óculos - e é isso que me intriga. Se eles têm tido tanto cuidado desta vez, é porque finalmente devem ter algum plano grande que pode realmente funcionar.
- Sarada... - Boruto se adiantou, diminuindo a distância entre eles e segurou seus ombros - Nós vamos dar um jeito. Eu prometo. - buscou os olhos dela - Eu nunca vou deixar nada te acontecer, eu juro.
Um instante se passava em que os dois seguraram a respiração. Ter Boruto tão perto de si e poder olhar em seus olhos azuis mais uma vez assim de tão perto, deixaram o corpo de Sarada em uma espécie de torpor.
Boruto também não ajudava, ao alternar entre os olhos negros como a noite e a boca dela.
O coração de Sarada batia acelerado e isto era irritante.
Ela se desvencilhou, saindo do agarre dele caminhando pelo escritório do Hokage,
- Mitsuki, apesar de tudo, encontrou algo. - ela puxava o ar tentando acalmar o peito.
- Você disse que ele não teve sucesso. - Boruto respondeu com a voz séria, já assumindo o seu lugar.
Às vezes ele precisava lembrar que era só um subordinado de sua Hokage. Um soldado e nada mais.
- Entre as cinzas, ele encontrou um pequeno fragmento escrito "Ansatsu".
- Assassinato? Mas, eles já tentaram isso antes, não? - perguntou ele confuso.
- Mitsuki acha que pode ter algo aí - ela colocou um pouco de sakê em um copo. Sua mãe dizia para ela não ser como Tsunade que escondia garrafas pelo escritório, mas admitia que pequenas doses a ajudavam a relaxar os ombros, e limpar a mente.
- Algo, de que tipo?
- Assassinato ou obliteração. Estou tentando ligar os fatos, mas eu realmente não consigo pensar em nada. - bateu com o fundo do copo na mesa - e isso é tão... frustrante!
Você é inteligente, sempre foi mais do que nós. Vai conseguir. - ele abriu um sorriso que lembrou Sarada dos velhos tempos, quando ela o achava o mais iluminado.
Eu só espero que eu, ou qualquer um descubra isso logo. - apoiou os cotovelos à mesa, hábito que herdara de seu pai - desta vez tenho um mau pressentimento sobre tudo.
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E aí chuchus gostaram?
Fic está apenas começando, e já respondendo o que acham que vão me perguntar XD: eu amo BoruSara como OTP, mas adooooro meu amado crackship InoSara
Eu disse que voltaria em Fevereiro, mas tive contratempos
Vou dizer o mesmo que falei para leitoras de Irmão do Itachi
Eu disse que demoraria e talz
Que ia escrever Ansatsu
Mas gente, meus planos mais uma vez tiveram de ser mudados
Além de todas as dificuldades rotineiras que tenho pra atualizar, ainda tivemos uma situação inesperada
Como muitos sabem, apesar de ser mineira, moro em Vitória no Espírito Santo a anos.
E muitos de vocês devem ter visto o pandemônio que vivemos aqui com a paralização da polícia.
Foram dias horríveis, que eu nunca desejo pra ninguém.
Todo barulho dava medo, mas o silêncio era ensurdecedor.
Teve dia que tranquei todas as janelas e porta do quarto e me trancar no quarto por horas no calor, por que haviam invasões de prédios.
Tiroteios, assaltos, arrastões, sequestros, corpos na rua, IML lotado ...
Uma cidade sem lei, você tem medo de chegar na janela.
O pânico e a paranoia foram inimigos constantes.
Foi um pesadelo.
Por que eu tô falando isso?
Dois motivos:
- As atualizações e atrasos além do normal. Por que bem, não tinha cabeça pra isso
- Desabafo. O que passamos foi algo que nunca vamos esquecer. E só quando ficou muito ruim e começaram a comparar com o filme "Uma noite de crimes" é que grande mídia e Governo enxergaram a gente. Se não fosse as redes sociais, talvez demorassem ainda mais.
Mas enfim, era um desabafo ^^
Agora estamos nos recuperando 3
Um beijo pra vocês , obrigada pelo carinho
Todos os reviews lindos *~*
Espero realmente que gostem dessa minha nova história
Beijinhos
E até a próxima
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