Sarada ainda não tinha voltado para casa naquela noite, e também não estava no apartamento que mantinha mais ao centro da Vila para ficar sozinha às vezes, ou quando não queria voltar para casa. Sasuke já havia notado. E se não estava no escritório do Hokage, provavelmente estaria com o jovem Yamanaka.
Ele não iria atrás dela.
Mas também não esperaria nem mais um segundo. Invocou um de seus falcões para que levasse uma mensagem à filha e para mais algumas pessoas.
Em pouco mais de meia hora, Sarada apareceu na sala do Hokage em um falcão maior, uma das invocações herdada do pai. Provavelmente estava ansiosa com o chamado.
- Papai, mandou me chamar? – disse, descendo das costas do falcão ao lado de Inojin.
Quando ela chegou, Shikadai, Shikamaru, Mitsuki e Naruto já estavam na sala.
- Mandei sim.
- Mas creio que essa reunião deva ser privada. – Mitsuki disse olhando para Inojin.
Não era segredo que havia algum tipo de relação entre a Hokage e o jovem do longo rabo de cavalo loiro. Mas Mitsuki não escondia sua preferência por Boruto, quando se tratava de sua companheira de time.
- Isto sou eu quem decide Mitsuki. Vamos papai, diga o que você descobriu.
Sasuke pegou o pequeno pedaço de papel entre as poucas provas que eles conseguiram juntar desde o início dos ataques.
- Mitsuki nos trouxe esse papel, onde está escrito "Ansatsu", e falou sobre o outro significado desta palavra.
- Obliterar. - Mitsuki concluiu.
- Sim, e com isso passamos a considerar a possibilidade de que os inimigos poderiam usar algum tipo de jutsu de desintegração para assassinar Sarada-sama – concluiu Shikadai.
- Mas não determinamos a forma como eles planejam fazer isso. – disse Inojin encostado à janela.
- Estou investigando os jutsus do Clã Hyuuga, sobre desintegração dos Oito Portões. - todos olharam para a janela da torre do Hokage de onde Boruto surgiu. – Desculpem o atraso.
- Isso porque a reunião era privada. – Inojin comentou com a voz baixa, mas o suficiente para que todos escutassem.
- Privada ou não, eu sempre sou convidado a todas as reuniões da Hokage, porque nós – apontou para ele e Mitsuki enquanto dava um passo na direção de Inojin – somos os companheiros de equipe da Sarada.
- Silêncio, vocês dois! – Sarada bateu a mão na mesa – deixem o meu pai falar.
Boruto e Inojin se encararam por mais alguns segundos, antes que Boruto caminhasse para trás de seu mestre e ouvisse o que ele tinha a dizer.
- É por isso que convoquei essa reunião. – Sasuke mostrou mais uma vez o papel onde a palavra "Ansatsu" podia ser lida - e se essa obliteração não for somente agora com um assassinato por desintegração, mas fazer Sarada desaparecer?
Shikamaru arregalou os olhos e então a compreensão o atingiu.
- O que você quer dizer com isso, Sasuke? – Naruto ainda estava com a sobrancelha erguida.
- Ele quer dizer que os inimigos estão tentando apagar a Hashidaime – o próprio Shikamaru respondeu.
- Mas qual seria a diferença disso para assassinar? – Boruto perguntou.
- A diferença que tem para o assassinato, é que eles pretendem apagar a existência da Sarada. Não é só como simplesmente matá-la, mas também fazer com que ela desapareça inclusive da nossa memória.
- Como se ela nunca tivesse existido. – Sasuke disse com frieza.
Um silêncio pesado se abateu sobre todos na sala.
Assassinar alguém já era algo condenável, mas apagar da forma como seus inimigos pretendiam parecia muito cruel.
- Faz sentido se pensarmos que eles estão tão cautelosos sobre tudo. Se fosse apenas um plano de assassinato, eles poderiam ter tentado algo quando se infiltraram na Vila ou com os traidores. – Shikadai expressava sua lógica com as sobrancelhas cerradas.
- Sim, somando isso tudo com os artefatos e pergaminhos que eles estão procurando, tem-se ainda mais força essa teoria que o plano deles é algo bem maior.
- Mas, por que apagar a Sarada? Por que algo tão extremo? – Inojin perguntou saindo de seu canto.
A possibilidade de perder Sarada para o esquecimento realmente o assustava desta vez.
- Porque apagariam o legado dela. – Sasuke concluiu. – Toda a vontade de fogo passada a cada Hokage inspira os ninjas da Folha a cada geração. Quem herdou isso atualmente, foi Sarada.
- Quebrando o espírito de um líder, quebraria todos os seus seguidores. – Mitsuki completou com um sorriso óbvio.
- Então temos mais um problema – Shikamaru chamou a atenção de todos, mesmo que mal se movesse e permanecesse em sua costumeira posição de punhos virados, com os polegares e indicadores unidos de quem está pensando profundamente – isso torna Naruto um alvo também. Assim como todos os antigos Hokages.
- O que? O velhote? – Boruto caminhou alguns passos para olhar para Shikamaru.
- Foi de Naruto que Sarada herdou a inspiração e a vontade de Fogo. E foi Naruto que mudou os rumos de todo o mundo ninja.
- É verdade. O Nanadaime-sama quem construiu tudo o que temos e somos hoje. Ele é infinitamente mais importante do que eu. – Sarada disse sincera – os meus feitos não são nem um pouco comparáveis à importância que ele tem para todo o nosso sistema ninja.
- Er... Obrigada, Sarada. – Naruto coçou a parte de trás da cabeça – mas eles não vieram atrás de mim nenhuma vez. Todos os ataques deles têm sido direcionados a você.
- E aos seus pais. – pontuou Mitsuki.
- Talvez Sasuke também seja um alvo. E a raiva deles seja movida por um preconceito com Uchihas. – Shikadai disse olhando para o pai que assentiu.
- Também é possível que haja um limite de tempo que eles poderiam fazer isso. Ou algo que eles não quisessem mudar. - concluiu Sarada pensativa.
- Em todo o caso, é melhor que Sarada e Naruto fiquem sob vigilância constante. – Shikamaru puxou um cigarro do bolso – nós podemos ter descoberto o que eles pretendem fazer, mas ainda precisamos descobrir como e quando.
- Meu pai e eu iremos analisar novamente os fatos sob essa nova ótica. – disse Shikadai cumprimentando Sarada em um pedido de licença.
Shikamaru coçou a barba que mantinha agora já com um leve tom grisalho antes de se levantar.
- Foi um bom palpite, Sasuke.
- Na verdade, foi graças à Sakura que pude pensar nisso. – respondeu ele.
- Sakura-chan sempre foi muito inteligente! Só perdia mesmo para o Shikamaru. – disse Naruto com um largo sorriso.
- Deixa a minha mãe escutar isso, velhote. – Boruto cruzou os braços.
- Na-não é nada disso – Naruto abanou as mãos em direção ao filho – todos vocês sabem que Sakura-chan é como uma irmã para mim. Nós passamos por muita coisa juntos.
- Além disso, ela nunca iria querer nada com um Dobe. – Sasuke disse mantendo-se sério.
E Sarada foi obrigada a rir do ciúme camuflado do pai e de como aqueles dois, mesmo já velhos e apesar do respeito mútuo, ainda se provocavam às vezes.
- Eu agradeço a presença de todos. – ela os cortou porque a seriedade precisava ser mantida – essa reunião foi bastante produtiva, e agora temos um viés a seguir. Cumpram suas missões designadas para o dia de hoje. – disse aos mais jovens – Nanadaime-sama, por favor, sei que não é tão necessário assim porque você é bastante forte, mas cuide-se. Mandarei ninjas ficarem de guarda em sua casa.
- Pode deixar Sarada-chan! Não se preocupe comigo. O principal alvo é você. – virou-se na direção de Sasuke – cuide dela.
Sasuke apenas assentiu.
Era o que ele sempre fazia, é o que ele sempre fez.
Cuidar de sua família e da Vila.
- Obrigada, papai. – Sarada chamou a atenção dele – você realmente nos ajudou muito hoje.
- Como eu disse, a ideia partiu de sua mãe.
- Mas de onde ela teria tirado isso?
Sasuke soltou o ar, ao se lembrar da estranha conversa que teve com sua esposa.
- Não era nada demais.
Falar sobre gerações futuras com sua filha poderia levar a outras interpretações e ele não estava preparado para ver sua filha sendo mãe ainda. Ela era uma mulher agora, mas ele sempre se lembraria do dia extremamente difícil que foi o parto dela. A dor, a chuva, entrar em mais um dos nauseantes esconderijos de Orochimaru, Karin gritando para Sakura empurrar e ela empurrando ao mesmo tempo em que esmagava a mão dele... Até que ela nasceu.
Era a memória favorita dele e de Sakura. O dia em que ele se sentiu totalmente completo de novo.
Mas pensar em tudo o que passaram naquele dia trouxe algo a sua mente.
- Shikamaru! – Sasuke chamou - você disse que precisamos ficar atentos, pois não sabemos nem como ou quando eles vão atacar. Para apagar Sarada da memória de todos, você está cogitando a possibilidade de que talvez eles precisem voltar a uma época onde ela era bastante vulnerável, não é?
Shikamaru fechou os olhos por um instante, Naruto estava certo. Se Sakura estivesse ali, as dúvidas dele teriam sido lidas no instante que verbalizara. Mas Sasuke também era astuto.
- Sim. – confessou – se estamos mesmo trabalhando com a possibilidade de obliteração da Hokage, é provável que a demora deles seja para descobrir um meio de voltar ao passado e apagar os feitos dela. Talvez quando se tornou Hokage, ou quando era mais jovem e vulnerável.
- Como quando eu era criança? – concluiu ela.
Shikamaru assentiu.
Sarada pensou por alguns instantes até então ajeitar os óculos.
- Se este é o caso, precisamos descobrir qual jutsu ou ferramenta eles usarão para fazer esta viagem de volta.
- Sim, é sobre isso que Shikadai e eu vamos pesquisar.
- Mitsuki, Boruto e eu vamos traçar os eventos mais importantes da minha vida, para que possamos apontar em quais momentos eu estaria mais vulnerável e poderia ser atacada.
- Mas você pretende enviar pessoas ao passado? Isso é muito perigoso. – disse Shikamaru.
- Eu ainda não sei. – confessou a jovem – mas algo me diz que por enquanto, esse é o melhor caminho.
O dia corria com as ordens de Sarada sendo seguidas. Havia pela primeira vez um sentimento de esperança pairando entre eles. Descobrir as intenções do inimigo, por mais horríveis que fossem, dava a eles uma direção a seguir e não mais no completo escuro.
Sarada sentia isso.
Ela não teria lutado tanto e passado por tanta coisa para ser apagada agora. Ela não seria obliterada!
Enquanto caminhava pela Vila conversando com seus ninjas de guarda para enviá-los à sua casa e a casa do Nanadaime, passou pela Academia Ninja e se lembrou da conversa de sua mãe com seu pai sobre ela não sair mais com Chochou.
Tantas memórias, tantos momentos.
- O que foi? Veio dar alguma palestra chata?
O mastigar inconfundível de salgadinhos de Chochou fez Sarada sair de seus devaneios.
- Eu ainda não acredito que de todas as pessoas, você se tornou uma instrutora de academia. – disse ela provocando a amiga.
- É melhor que sair em missão toda hora e estragar minha beleza.
As duas riram.
- Eu senti sua falta, Sarada. – disse a moça que agora usava um enorme rabo de cavalo.
- Eu também. – ajeitou os óculos – mas são tantas atribulações...
- Mitsuki me disse que vocês estão enfrentando algo novo e muito perigoso.
Mitsuki e Chochou, com o avançar dos anos, superaram a implicância que havia entre eles. A própria Sarada foi quem conseguiu convencê-los a sair em um encontro duplo. Na época, Sarada e Boruto estavam juntos, e eram bons tempos quando saíam em casais para se divertir.
Mas isso também tomava tempo de Sarada. E enquanto as coisas entre Chochou e Mitsuki ficaram sérias, ela e Boruto...
- Sim, nós estamos lidando com algo que antes era impensável, mas finalmente temos uma boa pista, e a corrida agora é para evitar que eles consigam executar o plano.
- Ainda bem que as coisas estão melhorando. – Chochou soltou o ar e abriu um novo pacote de salgadinho – estou até nervosa com essa tensão.
- As crianças têm sofrido muito? – Sarada perguntou realmente em um tom de pesar.
- Elas temem perder suas casas, sua família... Quando estudam História dos Hokages e como as coisas eram naquela época. Principalmente quando chegamos à parte sobre o Ataque da Kyuubi, com a infância do Nanadaime e o Clã Uchiha.
- Meu pai não era muito a favor que estudassem sobre o nosso clã, mas acho justo que todos os clãs sejam mencionados.
Chochou comprimiu os olhos e fez uma cara de quem tinha uma fofoca para contar.
- As meninas adoram ver as fotos do seu pai no livro dos Grandes Ninjas. – tapou um dos lados da boca.
– Argh! Me poupe, Chochou!
- Mas todas querem ser como a sua mãe.
Sarada sorriu.
- Minha mãe é incrível mesmo, não é. – o tom em sua voz era doce – quem diria que a insegura e inútil Haruno Sakura sem um grande clã com Kekkei Genkais famosas se esforçaria tanto ao ponto de se tornar a maior kunoichi e uma das novas Sannins. – suspirou – Ela foi minha inspiração.
- A sua mãe é incrível mesmo. Mas – Chochou estudou a amiga que ainda tinha os olhos abaixados presa em bons sentimentos – outro dia ela veio aqui dar uma palestra sobre a importância dos iryounins, e depois quando perguntei de você, ela disse que quase não te via mais. Parecia bem triste.
Sarada bufou.
- A mamãe quer que eu seja a garotinha dela para sempre. Eu estou em casa quase todos os dias, mas acontece que ser Hokage é um trabalho em tempo integral. Não posso parar pra ficar jogando conversa fora, ou tomando chá com ela...
- Ou relacionamentos. – Chochou completou e Sarada olhou estupefata para ela.
- Chochou! – revirou os olhos.
- Inojin tem esperanças, você sabe. E Boruto...
- E todos são grandes o suficiente para lidar com isso.
- Chouchou-san eu preciso... – a porta se abriu para o lado de fora da Academia onde as garotas estavam e de lá saiu um Metal Lee afoito, que parou assim que viu quem acompanhava a colega de trabalho – Sara... Digo Ha-Hachidaime-sama. – fez um cumprimento respeitoso.
- Olá, Metal. – Sarada cumprimentou sorrindo.
Ele também era um dos Sensei agora, de um time recém-formado.
- Diga, Metal. – Chochou respondeu preguiçosa mastigando seu salgadinho.
- Eu preciso dos formulários dos meus novos alunos. – ele falava olhando para Sarada.
- Está na segunda gaveta da minha mesa. Pegue lá. – disse ela o dispensando e já se virando na direção de Sarada novamente.
- O-obrigado! – os olhos dele subiam e desciam rápido quando encontravam os de Sarada.
- Metal! - Sarada o chamou - seu pai está em missão novamente, mas prometeu me falar mais sobre a técnica dos Oito Portões. - Sarada se lembrava das palavras do pai sobre a importância de aprender a se defender.
E se o jutsu de desintegração era mesmo baseado no jutsu do Clã Hyuuga de desintegração dos Oito Portões, Rock Lee era sua melhor chance de tentar contrapor aos efeitos desse ataque.
- Ah... claro. Podemos. - ele respirou fundo - só me deixe resolver estes formulários do meu novo time e estarei ao seu dispor.
-Claro!
O jovem não respondia, apenas olhava para ela com um leve rubor.
- Você está fazendo um bom trabalho, Metal. – Sarada disse complacente.
- Obrigado, Sarada-sama. – e assim ele saiu ainda mais constrangido dali.
- Você sabe que ele ainda tem uma quedinha por você, não é? - disse Chochou com um tom irônico depois que Metal se afastou.
- Não começa.
- Ele só não tinha coragem de se declarar.
- Ele só é tímido, Chochou.
- Não é não. – ela balançou a cabeça divertida – e sabe o que eu soube? Que o pai dele era apaixonado pela sua mãe e declarou isso para todos.
Sarada deixou os ombros caírem.
- Eu já sabia.
- Sua mãe e seu pai são cheios de admiradores, não me espanta você ser assim também. Só não deve ter mais do que eu.
As duas começaram a rir de novo.
Chochou falava demais, mas Sarada às vezes sentia falta disso. Essa trivialidade não era nada útil em sua vida, mas às vezes era bom espairecer a cabeça de tanta coisa que ela andava enfrentando.
- Hokage-sama! – um ANBU com máscara de urso surgiu atrás dela – temos novas informações coletadas por Boruto.
- Estou a caminho. – olhou para amiga e deu um breve sorriso.
Foi bom conversar com ela. Mas infelizmente já sabia que demoraria muito até poder fazer isso de novo.
- Sarada! – Chochou chamou – arrume uns minutos para a sua mãe.
Ela assentiu.
Conseguiria sim.
Talvez sua mãe estivesse certa e cinco minutos de conversa fizessem bem para as duas. Mas não poderia ser por agora. Mas no fim de semana com toda a certeza passaria um tempo com sua mãe.
As árvores passavam em borrões esverdeados enquanto ela e o ANBU se dirigiam até o local que Boruto estava.
Mais alguns poucos metros e outra ANBU surgiu um pouco à frente, em um pedido silencioso para que parassem.
- Hokage-sama. A jovem ninja com máscara de panda cumprimentou solene.
- Qual a situação? - Sarada perguntou.
- Boruto-sama enviou um clone até nós por que conseguiu rastrear um dos nossos inimigos.
- Onde ele está? - Sarada perguntou ansiosa.
- Está a alguns quilômetros daqui. Boruto-sama pediu para que eu ficasse no caminho, porque pensou que muitas pessoas poderiam afugentar o suspeito.
Ela pensou, e realmente faria sentido. Era tão difícil encontrar qualquer pista, ainda mais algum deles vivo para que pudesse ser seguido, que era até inacreditável que eles finalmente tivessem conseguido isso.
- Me leve até eles.
A moça assentiu, e seguiu as coordenadas dadas por Boruto, assim que Sarada invocou um falcão levando um recado até a Vila.
Um clone de Boruto esperava em um ponto e se tornou o novo guia, pois o verdadeiro havia se movimentado seguindo ainda mais o suspeito.
Quando Sarada alcançou o real Boruto, ele sinalizou silêncio para eles. E apontou para frente.
Um homem mediano com máscara entregava um papel a outro bem mais alto também usando máscara que deixava um dos olhos de fora assim como o outro.
Sarada sabia que aqueles não eram os líderes, mas talvez pudessem os dar alguma vantagem caso capturassem algum deles.
Mas então, eles escutaram um baque surdo de lâmina cortando carne, e quando olharam na direção do som nauseante, era um dos ANBUs com a máscara de urso se encolhendo sobre o corpo enquanto sangue gotejava de suas costas.
- Ichiro! – a jovem ANBU chamou enquanto saltava de uma arvore na tentativa de não deixá-lo cair.
- Hmmm, olha quem está aqui! O Uzumaki covarde que deveria ter sido Hokage e a Uchiha Imunda! – um homem grande corpulento gritou em escárnio enquanto uma das lâminas que usava em formato de foice escorria o sangue recém-arrancado.
- O que vocês planejam? – Sarada vociferou.
- Ora, ora, ela acha que pode dar ordens e saber tudo assim. – bateu com as foices e as mãos no peito – pois venha arrancar de mim! Eu vou adorar retalhar essa carinha.
Pelo canto do olho, Boruto percebeu a aproximação de um dos comparsas. Era o homem mais alto que corria até eles cheio de intenções assassinas.
- Entreguem-se agora, ou sofrerão as consequências! – Sarada insistia.
O homem corpulento ria alto de forma afetada.
- Você acha que eu vou me sujeitar a ordens suas? VOCÊ NÃO É MINHA HOKAGE! – gritou.
Sarada ajeitou os óculos enquanto o homem a observava. Ela sabia que ele não se entregaria, mas talvez alguma coisa ela pudesse arrancar dele.
- Se não sou a sua Hokage, me diga então, a quem você obedece? Yuzuhira?
- Eu não obedeço àquela cadela!
- Ela parece ser superior a você. – Sarada disse com um sorriso de canto o que pareceu irritá-lo ainda mais.
- Ela não é e nunca será superior a mim, o grande Jun!
- Realmente você parece mais forte, mas não é você que estava ao lado de seu chefe e foi protegido por ele. – Sarada fez sua jogada. Só pôde presumir pelo que sua mãe disse, que o homem que atacou o hospital e fugiu com Yuzuhira deveria ser o líder.
Mas a julgar pelos dentes trincados e a expressão de inveja na face de Jun, ela havia tocado em algum ponto.
- Eu não sei por que Takeshi-sama a escolheu como braço direito, mas quando conseguirmos eu vou fatiar aquela mulher, assim como eu vou fatiar você!
O homem partiu em um ataque súbito, e arremessou uma de suas lâminas na direção dela como um gancho.
Sarada pulou girando em seu próprio eixo e a lâmina passou por ela acertando uma árvore. Ela aproveitou o instante em que Jun tentava puxar a lâmina cravada na madeira e deu-lhe um chute que ele conseguiu evitar no ultimo instante quando usou a outra foice como escudo. Mas não foi rápido o suficiente para se proteger do soco de Sarada.
O homem voou alguns metros, mesmo que ela tenha aliviado um pouco a força. Sarada não queria mata-lo. Jun era do tipo falante, poderia ser útil se capturado vivo.
Aproximou-se da jovem ANBU que ainda amparava seu companheiro, tentando diminuir o sangramento e disse algo que só a moça ouviu. Em seguida, os dois saíram e Sarada assumiu aquela posição deixando claro que ela protegeria a fuga deles.
Ela estava concentrada, mas um tilintar mais forte do choque de metal e um resmungar de Boruto fez com que ela olhasse para o lado. Boruto travava sua batalha com o homem alto que usava uma lança toda feita de aço.
E enquanto eles mediam forças, a perna de Boruto era envolvida por minerais que saíam da terra, o que provavelmente estava esmagando a perna dele.
Ela já tinha lido algo assim...
Mas, antes que pudesse pensar sobre o assunto, teve que se esquivar de um jutsu lançado por Jun, feito com um vento cortante bem direcionado, formado quando ele unia as foices e as girava com muita rapidez.
- Jutsu Tornado Cortante! – ele gritou e mais uma vez girou as lâminas.
Desta vez o vento formado foi bem maior e saiu picotando arvores e o solo como se fosse papel, o que fez com que Sarada saltasse e invocasse Aoda, a serpente violácea que por tantos anos protegeu seu pai.
Sarada calculou que invocar o falcão Garuda neste momento poderia ser mais arriscado, com as rajadas de vento.
Aoda desviava com agilidade apesar do tamanho, enquanto Jun lançava ataques de longa distância.
Sarada notou o padrão de que a cada dois giros, Jun precisava unir a ponta dos cabos de cada foice. O que lhe dava um pequeno espaço de tempo.
- Prepare-se, Aoda!
- Sim, Sarada-sama. – respondeu o réptil.
Quando Jun terminou o ataque, Aoda deu um bote rápido arremessando Sarada em sua direção e enquanto a cobra se afundou no chão, Sarada o atacou com um forte soco na mão, o que fez com que ele afrouxasse o agarre de uma das foices. E antes que pudesse segura-la de novo, Aoda surgiu debaixo dele abocanhando a mão e arma de Jun.
- DESGRAÇADA, SUA MALDITA DESGRAÇADA! – Jun gritava enquanto segurava a parte onde seu braço fora arrancado. – EU VOU ACABAR COM VOCÊ! OS SEUS DIAS ESTÃO CONTADOS SUA PUTA IMUNDA! UCHIHA IMUNDA!
Sarada se aproximou e acertou um chute em Jun fazendo seu corpo enorme voar e cair imóvel. Estava desmaiado.
Enquanto isso, Boruto usava clones das sombras para contra-atacar seu oponente com uma série de golpes com os Punhos Gentis, e assim ele conseguiu libertar sua perna e finalizar o ataque com sua espada.
- Mal... ditos... – balbuciou o inimigo, gravemente ferido e incapaz de lutar, mas antes que Boruto chegasse perto dele, seu corpo afundou na terra como se ela fosse água, antes que ele pudesse fazer qualquer coisa.
- Você deixou que ele escapasse! – Sarada vociferou.
- Eu não podia adivinhar que ele ia afundar na terra!
- Você tinha que ter feito uma leitura melhor do seu inimigo, Boruto!
- Eu fiz, mas antes de tudo eu estava tentando não perder uma perna!
- Meu pai não teria deixado algo assim acontecer! – Boruto arregalou os olhos.
Sarada sabia que seu pai era quem Boruto mais admirava no mundo. Foi um golpe baixo, ela sabia.
- Da mesma forma que você não se considera a altura do velhote, eu não me considero a altura de Sasuke-sama! – disse ele em um tom frio.
Sarada desviou os olhos.
- Tudo bem, me desculpe. – ajeitou os óculos – mas deixar aquele homem escapar vivo pode nos atrapalhar, já que ele deve avisá-los que estamos por perto.
- Não acontecerá de novo.
Boruto se virou já se afastando e Sarada viu o leve mancar que ele tentava esconder.
- E sua perna? – perguntou preocupada – eu posso não ser boa com ninjutsu médico, mas eu posso fazer algum curativo que minha mãe ensinou.
- Não precisa.
- É claro que precisa! Você está machucado.
- Eu posso lidar com isso.
- Mas...
- Sarada! – ele se virou – não precisa fingir que se importa. Você já tem coisas demais com o que se preocupar, e eu sou só uma de suas armas, não é?
- Boruto, não é bem assim... – Sarada segurou em seu braço.
- Mas é como eu entendi. – ele se virou de novo puxando o braço das mãos dela.
Antes que Sarada pudesse dizer alguma coisa, Inojin aterrissou em uma de suas invocações em forma de desenho.
- Esse cara está te incomodando, Sarada?
- Não se refira a mim como se não me conhecesse, Inojin.
- Você quer que eu me refira como? O ex que não larga do pé?
Boruto trincou os dentes.
- Inojin, pare com isso! – Sarada disse sem muita paciência.
- Desde que eu possa te chamar de "Estepe". – Boruto respondeu.
E com isso Inojin partiu com um soco para cima dele, que Boruto conseguiu evitar e tentou devolver o ataque. Mas, antes que concluísse, Sarada surgiu no meio dos dois dando um soco no chão que destruiu tudo ao redor.
- Parem os dois agora mesmo! – disse ela furiosa.
- Foi ele quem começou! – Boruto apontou.
- Porque você não a deixa em paz, mesmo sabendo que estamos juntos! – Inojin respondeu.
- Eu não quero saber quem começou, eu estou dizendo para pararem com isso agora! – ela gritou – parem de se comportar feito crianças disputando um brinquedo! A minha vida, e as minhas decisões cabem a mim, entenderam?
- Hokage-sama. – outros três ANBU apareceram, eles foram convocados a mando de Sarada pela ANBU que fugiu, e estavam acompanhando Inojin por terra.
- Amarrem aquele homem e cuidem para que ele se mantenha inconsciente até Konoha, assim ele não poderá se matar antes que a gente consiga tirar algo dele.
- Sim, Hokage-sama.
Sarada observou a equipe ANBU sumir com Jun desacordado, e permaneceu de costas enquanto falava em um tom frio.
- Relacionamentos só atrapalham neste momento. E se quero ser uma boa Hokage, não posso perder tempo com coisas desse tipo.
- Sarada... – Inojin chamou e Boruto quase se compadeceu por ele. Sabia o que viria.
- Vocês dois, só se dirijam a mim a partir de hoje como ninjas a serviço da Vila. E nada mais.
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E aí, gostaram?
ChouChou aparecendo, garotos se estranhando, cerco se fechando,...
ai ai..
hehe
me digam o que acharam ^^
Ai gente, perdão a demora
Não sei se dá pra explicar, mas vamos tentar dar uma breve satisfação
minha demora maior foi por bloqueio, e depois as tarefas da vida né.
alguns meses eu não pude nem olhar pra cá, e as vezes quando dava não tinha inspiração.
MASSSSSS
Desculpem a demora
não abandonei a fic, nem pretendo.
um super beijo pra vocês
e até o próximo
;***
