Resumo: Tinha 17 anos quando o conheci, pensava ter perdido tudo, mas ele salvou-me do desespero.
N/a: Bem, como eu já tinha dito tenho muitas ideias para esta fic, embora nunca tenho escrito uma, esta é a minha primeira. E como não sabia se alguém ia ler, não pensei muito nos próximos capítulos, mas como tive um bom review decidi continuar. Sei que um é muito pouco, mas já fico contente que alguém tenha lido. Peço por favor, se mais alguém ler que deixe review mesmo se não gostarem, digam que não gostaram, e se gostaram melhor, eheh. obrigada, tenham uma boa semana :)
2. A tentativa de um novo começo
Acordei e olhei pela janela, estava a amanhecer, olhei para o relógio eram 5.30h, tentei dormir de novo, mas não consegui. Revirei-me na cama centenas de vezes. Levantei-me dei dezenas de voltas à cama e acabei por me sentar. Passado isto eram quase 7h, o que significava que o meu despertador iria tocar em alguns minutos. Era domingo e seria o dia em que eu iria mudar-me para uma outra casa, conhecer uma nova família. Já havia passado 1 mês desde que toda esta confusão começara. Eu comecei a perder as minhas esperanças de alguma vez os meus pais voltarem e tudo seria normal de novo.
1 Mês é pouco tempo mas com tudo isto a passar-se eu sentia como já se tivessem passado anos e nada acontecia.
Visto que a minha escola ficava perto do sítio onde eu dormia, continuei a frequentá-la. As pessoas que sabiam da minha existência durante a primeira semana não sabiam de nada que se tinha passado. Eu não tinha dito a ninguém, eu fazia de tudo para que não descobrissem, mas com o passar do tempo eles acabaram por descobrir. Era impossível não reconhecer uma foster child. Com roupas velhas e repetidas durante vários dias, uma mochila velha… E mesmo a expressão das crianças quando são foster kids muda, é como se num momento nada estivesse mal, e no outro nada estivesse bem. Naquele local as pessoas não reagiam bem com foster childs. Gozam-nas, fazem-lhes bullying, roubam-lhes… Com sorte ainda não me haviam feito nada de grave. Apenas mandaram uma ou duas bocas num ou noutro dia.
Quando estava perdida em meus pensamentos, o despertador tocou, e como não queria acordar ninguém, desliguei-o logo. Levantei-me da cama, calcei umas meias, e de seguida fui lavar a cara e os dentes. Cheguei-me à beira do saco do lixo preto com as minhas roupas e alguns pertences e peguei numa camisola cor de laranja um pouco suja e rota e como era na parte de trás, vesti um casaco de malha por cima e não se via, vesti umas jeans de ganga escuras e as minhas sapatilhas que usava todos os dias. Peguei no meu colar que usava todos os dias que a minha mãe me tinha dado no dia que eu completei os meus 15 anos, tinha um golfinho, animal cujo a minha mãe adorava e eu havia também me apaixonado por eles, não só pelo significado que eles tinham para mim, mas também pela sua beleza.
Peguei no saco de plástico preto, pu-lo às costas, parei em frente a um pequeno espelho que tinha à beira da cama, fiquei uns segundos a olhar para aquele novo "eu", e por fim suspirei. Eram 7.45h quando fui ter com a assistente social, ela explicou-me, pela centésima vez como tudo iria acontecer. Muitos assistentes sociais já tinham falado comigo, mas Jane, era a única que realmente se preocupava com as crianças, então sentia-me muito sortuda por tê-la no meu caso, pelo menos alguma coisa que corria bem. Eu via os outros miúdos com assistentes sociais que não se importavam com eles, e nem lhes explicavam nada, apenas os empurravam e os mandavam para as casas que calhasse sem querer saber dos nossos sentimentos. Mas felizmente a Jane era super responsável e simpática.
- Temperance! Chegas-te cedo, era só preciso estares aqui às 8:20h- disse ela com um sorriso na cara.
- Eu sei, mas despachei-me mais depressa do que pensei.
- Bem, como já conheces-te o casal, e já foste lá casa, e está tudo arranjado, podes ir já.
- Ótimo…- disse eu mesmo que não o achasse, ótimo era a minha verdadeira família lembrar-se de mim. O casal, Helena e John, pareciam muito simpáticos, mas mesmo assim, não me sentia entusiasmada.
Fomos de carro, demoramos muito tempo, pareceu-me umas duas horas. Comecei a ficar preocupada pois iria com certeza ficar muito longe da escola, embora não tenha amigos muito chegados, é sempre chato para mim ter que me adaptar a uma nova escola. Senti o carro a abrandar e parar em frente a uma casa grande, com três andares, um jardim perfeito e um cão à porta. Na nossa direção vinha o casal que tivera conhecido, a sorrir. Quando saí do carro sorri também, embora só queria chorar.
Foi muito rápido para mim o que se passou a seguir. Fui para dentro da casa, arrumei as minhas poucas roupas nuns armários, tive uma conversa com a família, almoçamos e depois fui para o meu quarto. Era estranho, estava quase vazio, tinha uma cama, duas mesinhas de cabeceira, uma cómoda e um pequeno armário, com nada lá dentro. As paredes estavam vazias e tinha apenas uma pequena janela, o quarto era escuro, e àquela hora não dava sol nenhum daquele lado. Estava a pensar na minha vida, e como seria entrar a meio do ano numa outra escola, quando John me chamou:
- Temperance! Vem cá baixo, temos aqui alguém que queremos que conheças.
Eu desci, e quando lá cheguei vi uma bela rapariga, de cabelo loiro, corpo robusto, olhos azuis, um uniforme de claque e um sorriso na cara. Eu sorri também, não querendo ser mal-educada.
- Tempe, esta é a Pandora, a nossa filha, tem a mesma idade que tu, por isso o mais provável é ires para a turma dela. Eu e a Helen vamos para a cozinha, fiquem um pouco à conversa.
Eu não disse nada, apenas continuei a sorrir e a olhar para ela. Por fim ela andou até à minha beira, puxou duas cadeiras, sentou-se numa e fez sinal para eu me sentar na outra.
- Então é assim, eu gostei da ideia de ter uma irmã foster child, na minha escola as pessoas não gozam com elas, por isso não tens que te preocupar. Eu quero muito ter uma amizade contigo, mas como vês sou uma "menina da claque" e sou tipo popular. Por isso não vamos poder ser "bff's" na escola, mas eu falo contigo na mesma, e em casa podemos tentar ter uma relação mais chegada.- Acabou ela ainda com um sorriso na cara.
Bem, podia ser pior, e por acaso, foi bem simpática, e o que ela disse sobre a popularidade é bem verdade. E tive um alívio enorme quando ela disse que não gozavam com foster childs.
- Combinado!- Disse eu, sorrindo também- e se quiseres eu faço de conta que nem te conheço na escola, eu sei como são os alunos com a popularidade lá na escola, e a minha vinda para tua casa, não tem que atrapalhar a tua vida.
- Não tens noção como é a popularidade, obrigada por compreenderes, a sério.
Continuamos na conversa durante umas horas, até que John e Helen nos chamaram para jantar.
O jantar foi muito agradável, a comida estava ótima, tivemos uma conversa perfeitamente normal. No fim do jantar a Pandora foi mostrar-me o resto da casa. A casa era enorme, maior até que aquela que partilhara com a minha família. Pandora disse que a casa não era deles, eram dos avós que faleceram e lhes deixaram. Às 22h fomos todos para a cama, porque, no dia seguinte, segunda-feira, seria o meu primeiro dia de aulas numa nova escola…
