N/a: Bom, mesmo só tendo uma leitora. E minhas amigas também lendo. Eu vou continuar a escrever porque gosto de fazê-lo. Neste capítulo inspirei-me muito no episódio 3 da temporada 2 e vão perceber porquê se lerem. Obrigada à pessoa que me fez aquele review, obrigadaaa ! Mais uma coisa: B&B wedding more like AWWW PERFECTION s2

3. "O Primeiro dia de aulas"

Estava parada em frente à entrada da escola, com a mochila às costas. Apenas olhava para ela… Era uma escola normal, típica americana. Pandora havia-me dito que as pessoas não eram de gozar com foster kids então eu estava confiante. Pandora já tinha saído de casa quando eu me preparava, disse que tinha um treino da claque antes da primeira aula. Então fui a pé sozinha, e parei à entada onde eu estava nesse momento. De repente o toque de entrada invadiu os meus pensamentos, então teria mesmo que entrar porque não queria chegar atrasada à primeira aula.

Entrei, confiante, e ao entrar ouvi algo que me confundiu e que me ofendeu bastante.

- Olhem outra foster crap para juntar aos que já temos aqui!

Olhei em direção ao rapaz. Alto, magro, musculado com o equipamento de futebol americano. Ao lado dele estava uma rapariga, bonita, loira a rir-se imenso, era Pandora.

Olhei para ela com um olhar confuso e triste. Ela imitou-o e depois começou a rir-se de novo mas com mais intensidade.

Como não queria confusões apenas andei em direção aos horários que estavam afixados numa das paredes e fui procurar a sala. Quando finalmente encontrei a sala, 10 minutos depois do toque, já ninguém estava nos corredores.

Estava prestes a bater na porta quando ouvi alguém a chorar. Virei a cabeça nas duas direções e não vi ninguém. Tentei procurar de onde vinha o som, e quando o choro se intensificava eu sabia que estava perto.

Ergui a cabeça e vi um menino, com o máximo de 12 anos, pequeno, cabelo liso e loiro sujo. Fiquei a olhar para ele, até que ele me visse. Quando me viu levantou-se e correu, perdendo-o eu de vista ao fundo dos corredores.

Decidi não tentar procura-lo e entrei na sala.

- Olá, desculpem, é esta a aula da professora Susan Clark de matemática?

- Sim, deves ser a aluna nova. Estás quase 20 minutos atrasada para aula menina!

Enquanto a professora dizia isto ouvia risinhos vindos do fundo da sala. Era o tal rapaz que me insultara de manhã. Estava no meio de umas raparigas a fazer piadas sobre mim eu supunha, e as raparigas à volta dele riam-se e faziam gestos estranhos com o corpo.

- Menino Jared, tem alguma coisa a dizer?

- Não, não tenho professora Clark. – dizendo isto, ele sentou-se corretamente e virando-se para a frente, calado, mas ainda com um sorriso gozador na cara.

- Bem, turma, esta é a Temperance Brennan, nova aluna. Podes sentar-te querida.

Só havia um lugar de bago, ficava entre as primeiras filas. Sentei-me, retirei os meus livros e cadernos. Primeiro comecei a tentar processar tudo que estava a acontecer. Pandora aparentava ser muito simpática, e tinha-me dito que esta escola era diferente e que tratava os foster kids como iguais. Decidi deixar aqueles pensamentos para depois e concentrar-me na aula.

Tentei sobreviver ao resto do dia sem ter que falar com ninguém, e sem ter que responder às ameaças e ofensas das pessoas. Tentei também durante todo o dia procurar o tal rapazinho que eu vi a chorar, mas não o vi.

Estava na aula de química quando tocou para o almoço. Nunca gostava das horas de almoço, sabia como iria ser. Ou iria sentar-me numa mesa num canto sozinha, ou com o resto dos nerds ou foster kids que eram gozados tanto como eu. Na outra escola, sentava-me quase sempre sozinha, só às vezes é que uma colega do clube de ciências e mais um foster kid que lá andava, se sentavam comigo. Não falávamos uns com os outros, apenas nos lançávamos pequenos olhares. Olhares que retravam a nossa dor que era igual.

Saí então da sala, e o professor chamou-me quando estava quase a atingir a porta.

- Temperance?

- Sim, professor?

- Nós temos um clube de ciências físico-químicas, e notei que você fez todos os exercícios corretos e vi na sua ficha que era a melhor do seu ano. Gostaria de fazer parte do nosso clube?

- Sim, por mim pode ser. Em que dias é?

- Quartas, todas as semanas, uma hora depois das aulas. Posso contar consigo já para esta semana?

- Sim, terei que falar com meus… educandos, mas em princípio quarta lá estarei.

Saí da sala e dirigi-me em direção à cantina. Perguntava-me se, como o professor viu a minha ficha saberia que era foster child, o mais certo era saber.

Enquanto estava a pensar sobre isto e a entrar para a cantina, ouvi outro comentário, decidi não fazer nada, mas sentia meus olhos ficarem molhados. Engoli em seco, e senti um nó na garganta, eu sei que parece estupido, pois é impossível eu, ou qualquer outro ser, ter um nó na garganta, mas naquele momento o que eu sentia assemelhava-se exatamente a isso.

Fui buscar a comida, que não parecia nada comestível, e sentei-me numa mesa que estava vazia. Fiquei vários minutos a fazer desenhos com o garfo na comida. Não tinha fome, nem conseguia comer, muito menos aquilo que se apresentava à minha frente. Decidi ir despejar a comida que tinha no tabuleiro e sair da cantina.

Estava a ir para o meu cacifo quando vi o rapazinho que tinha visto de manhã, aprecei o passa, e ele fez o mesmo, e quase que numa corrida eu consegui chegar à beira dele, mas ele continuava a correr. Chegámos ao fim do corredor e ele não tinha para onde ir, então apenas olhou para o teto com um ar assustado.

- Hey, eu não te vou fazer mal. O que é que se passa, fizeram-te algum mal?

Ele não respondeu, apenas se sentou num canto e escondeu a cabeça. Eu sentei-me ao lado dele, e hesitei quando lhe pus a mão no ombro. Ao primeiro ele estremeceu e eu pensei que ele iria começar a correr de novo. Mas depois ele olhou para mim, e eu percebi que este seria um bom primeiro passo para ele confiar em mim.

Ficámos vários minutos em silêncio, eu apenas acariciando o ombro dele. Fiz logo uma análise do rapaz. Tinha roupas velhas, livros em segunda mão… Não era preciso saber mais para eu me aperceber de que ele era um foster kid. Finalmente eu decidi quebrar o silêncio.

- És como eu, sabias?

Ele levantou a cabeça e olhou-me com um ar de interrogação.

- Uma foster child, não és? – disse eu para que ele me percebesse.

- Como é que sabes?

- Bem, pelos livros usados, a roupa, a expressão… eu conheço essa expressão tão bem como tu.

- Também estás no foster care?

- Sim…- disse-o com um tom de total tristeza.

Eu sabia que iriamos ter muito para conversar, mas aquilo seria apenas um começo. É difícil confiar-se em alguém quando várias coisas acontecem.

Eu limpei as lágrimas dele, e fiz com que ele acreditasse em mim. Com que ele acreditasse que podia confiar em mim.

Fomos interrompidos pelo toque para o início de outra aula. Despedimo-nos com um abraço e cada um foi para sei lado. Ambos saberíamos que este não seria a nossa última conversa.

No fim do dia, eu fui para casa a pé, sozinha, fazendo o mesmo percurso que fizera de manhã. Cheguei a casa e tinha Helen e John estavam sentados no sofá da sala quando eu entrei.

- Olá Temperance. A Pandora chegou há algum tempo e contou-nos que te mostrou a escola e tu adoras-te. Fico muito feliz por vocês as duas se estarem a dar tão bem.

Pandora olhou-me e sorriu-me ameaçadoramente.

- Sim, a Pandora foi incrível com o meu primeiro dia de aulas. – Disse eu querendo evitar uma discussão com Pandora.

- Ainda bem. Tens alguma coisa que nos queiras contar sobre hoje? – Perguntou-me John curioso.

- Nada acho eu… Só o professor de química perguntou-me se queria fazer parte do clube de ciências, eu disse que ia falar com vocês primeiro….

- Claro que podes ir. – Helen parecia muito contente ao dizer isso, então sorri, e dirigi-me para o andar de cima.

Estive a fazer os meus trabalhos de casa, e a revisar a matéria, depois deitei-me na cama, esperando descansar um pouco antes da hora de jantar.

Pandora entrou de rompante no meu quarto, fazendo-me desistir da ideia do descanso.

- Bem, só te quero dizer que se disseres alguma coisa aos meus pais, faço a tua vida um inferno! Sim… mais infernal do que já é e vai ser na escola.

Ela sorriu e nem me deixou falar. Fiquei para a olhar para a porta que acabara de ser fechada. Sentia que nada estava bem… Já nada estava bem há muito tempo. Os pequenos acontecimentos juntavam-se todos na minha cabeça como se fossem explodir. Eu estava quase a me deixar levar pelas emoções e desatar a chorar, mas Helen impediu que isso acontecesse quando me chamou para jantar.

Não sei como seriam as minhas próximas semanas, e os meus próximos meses naquela escola. A frase de Pandora ecoava na minha cabeça a todos os 5 minutos "Sim… mais infernal do que já é e vai ser na escola."