[A/N] Passado tantos meses, publiquei outro capítulo, espero que leiam e que gostem, digam-me por favor, se gostam, fazem-nos feliz com reviews acreditem. Obrigada :)

Fiquei um bocado à espreita antes de entrar, para ver onde a Pandora ia. Vi-a a ir para as traseiras da casa e segui-a até lá. Parei atrás de um arbusto e quando me apercebi do que Pandora estava a fazer, fiquei imóvel, sem saber se devia intervir. se devia ficar calada e não dizer nada, ou se devia de falar com ela a respeito disso, no dia seguinte.

5. A intervenção de Brennan

Pensei que o melhor era não fazer nada, era o mais racional a fazer. Em primeiro lugar nem devia de a ter seguido, não estava correto, embora eu quisesse falar com ela e esclarecer as coisas, estava errado eu segui-la.

Quando estava prestes a virar costas e a ir-me embora não me importando com o que ela estava fazer, ouvi uma criança. A voz de uma criança já familiar.

"Não, por favor, não me obriguem" Era Martin, estava com medo. Pandora estava não só a consumir droga, pelo a substância que observava era cocaína, mas como também obrigava Martin a fazê-lo.

Com um gesto violento, sem pensar, corri pelo maio dos arbustos, a minha mão balançou de trás para a frente com o punho fechado e acertou na cara do rapaz que estava a segurar Martin pelos braços. O rapaz soltou Martin, e ele foi correndo pela rua fora e nunca mais o vi. Quando o rapaz e Pandora olharam para mim, sabia que estava em apuros, tentei sair a correr, mas o rapaz agarrou na minha camisola, quase me esganando e apanhou-me, encostando-me contra a parede.

"Sim! Dá cabo dela Roger!" Incentivou Pandora. Agora reconhecia o nome, Roger, jogador de futebol americano na nossa escola.

Tentei me soltar com todas as forças mas ele era forte demais para mim. Vi Pandora pegar um bocado de cocaína e sorrir para Roger.

"Hmm, já percebi o que queres fazer" disse Roger sorrindo-lhe de volta.

Quando Roger me tentou meter cocaína na boca, eu fechava-a com toda a força, e num momento de tanta raiva e medo, consegui soltar-me e corri o mais rápido que pude. Corri muito, para longe, sentia lágrimas correndo pela minha face, e a minha respiração estava ofegante, de cansaço e de medo. Quando me sentia cansada de mais para continuar a correr, e quando pensei que já ninguém me conseguia encontrar, parei.

Estava no meio de uma estrada. Sentia-me perdida. Como se soubesse o caminho mas não me conseguia mover. Tudo havia acontecido tão depressa, não estava a conseguir processar tudo. Pensei que a culpa era minha pelo o que me tinha acontecido, se não a tivesse seguida nunca nada disto teria acontecido. Mas também se não o tivesse feito, Martin estaria agora a ser motivo de entretimento para Roger e Pandora. Sim, o melhor foi segui-la, para o bem de Martin, que tinha apenas 12 anos. Começava a sentir-me completamente dorida, o pescoço principalmente. Levei as mãos ao pescoço, doía muito. Sentia as marcas da camisola, e as marcas das mãos de Roger quando as segurava. Sentia também sangue na minha boca, provavelmente de Roger me ter forçado a abri-la quando me estava a tentar meter a cocaína na boca, felizmento consegui fugir naquele momento.

Deixei-me cair na estrada, cansada, dorida, triste, com medo e sem esperança. Não iria a lado nenhum com aquela família. Por muito simpáticos e boas pessoas que John e Helen eram, iriam sempre acreditar na sua filha, o que era perfeitamente normal. E eu não conseguia mais viver sobre essas circunstâncias. Também não queria mudar mais de casa. Estava farta disso. Se para mim, 3 casas foi difícil, imagino para aqueles que já viveram em mais de 10, e aqueles cujos sofriam de violência doméstica, e eu conheci alguns quando estava na segurança de menores.

Estava agora a chorar, não o queria estar a fazer, apenas mostrava de que era fraca. Não devia de estar no meio da estrada, mas eu sabia que se passasse um carro que estivesse distraído e não conseguisse parar a tempo, eu não me importava. Neste momento nada me importava. Apenas gostava de saber como estava Martin, com ele estava preocupada. Ele tinha 12 anos, eu tinha 16, conseguia bem protegê-lo se quisesse. E quero, e sinto, que neste momento a minha missão é fazê-lo. Amanha era o meu 17º aniversário. Olhei para o relógio, eram 00:01. Bem, afinal já tinha 17, e tinha apenas que esperar mais 1 ano, para que podesse sair do programa.

Vi de longe, as luzes de um carro a aproximar-se. Quando dei por ela, estava a chover. Não estava com ideia de me mover de forma alguma. Quando o carro se aproximava ainda mais, comecei a sentir medo. E o meu cérebro estava a mandar-me mover e correr para que nada acontecesse, mas o meu corpo não estava a obedecer, não sei porquê.

Quando o carro estava a poucos metros de mim, fechei os olhos não querendo assistir ao que se iria passar nos próximos segundos.

De repente senti a força de um corpo a empurrar-me para o passeio da estrada, caindo por baixo de mim e me segurando com os seus braços fortes, amortecendo a minha queda.

Senti-me com sorte. Senti que o universo tinha outros planos para mim. Fora mera coincidência aluém ter passado por ali naquele momento, e ter coragem suficiente para fazer aquilo que fez. Salvar a minha vida.

Levantei-me querendo-me certificar como estava a pessoa que tinha acabado de me salvar. Era um rapaz, talvez com 18 ou 19, não mais que 20, uma estrutura ossea magnifica e uma constituição muito musculada.

"Está tudo bem?" Perguntou ele, com uma cara de sofrimento.

"Comigo está, graças a você! Como você está? Parece com tanta dor, temos que levar você para o hospital" Ia ligar para uma ambulância, mas apercebi-me de que não tinha telemóvel. Procurei os bolsos dele por um, e encontrei no bolso direito da frente, um telemóvel velho, mas servia. Marquei "911".

"Sim, em que podemos ajudar?" Perguntaram calmamente do outro lado da linha telefónica.

"hmm, estou, estou, não sei bem onde estou, mas não longe de Washington" foi aí que reconheci, a minha antiga casa, aquela que partilhava com os meus pais, e com o meu irmão, ficava perto de uma igreja que eu bem conhecia, mas nunca tinha frequentado. "Estou muito perto da Grace Reformed Church, venham rápido, um rapaz está aleijado" olhei e observei o rapaz e vi sangue a escorrer pelo braço direito, com certeza da quedo ao empurrar-me e cair no chão. "Acho que não é muito grave, apenas tem sangue no braço, talvez precise de pontos e talvez partido o braço, não sei, venham".

"Sim senhora, estaremos aí rápido"

"Como te chamas" Perguntou ele, entre gemidos.

"Isso não importa agora, mas Temperence Brennan"

"Temperance, nome lindo" Ele tentou sorrir.

"E tu como te chamas, salvador?" Sorri.

"Seeley Booth"