[A/N] Desculpem por este capítulo ser muito muito pequeno, mas vou postar outro ainda esta semana. Obrigada a angelator por estar seguindo e por estar gostando. Se mais alguém ler por favor me diga se está ou não gostando. ficaria muito agradecida. Deixem o seu review. Obrigada e aqui está o pequeno novo capítulo.
Estava no hospital, com Seeley já pronto para ir embora. Ficara à espera dele na sala de espera durante quase duas horas. Ele estava com o braço engessado e com uma expressão zangada, triste e revoltada. Fui ter com ele.
"Seeley não é?"
"Sim" respondeu, seco.
"Posso fazer algo por você? Me desculpe por favor"
"Não precisa pedir desculpa. Eu é que fui o totó que se atirou para o meio da estrada… Mas o melhor é que não aconteceu nada de grave e você não está debaixo de um carro" "Obrigada" "Vai-me dizer o porquê de estar no meio da estrada à chuva assim de noite?"
"Ohh, longa história. E já é tão tarde, já devia estar em casa"
"Quer que eu leve você? Liguei para um amigo para me vir buscar e ele pode levar você também. Onde você mora?"
"Numa casa muito perto da rua do liceu, pode deixar-me lá e eu ando até casa"
"De certeza?"
"Sim"
"Você anda lá no liceu?" Disse ele enquanto estávamos a andar para fora do hospital, sentandos agora num banco mesmo na entrada das urgências.
"Sim"
"Sério? Eu também nunca vi você lá"
"Eu já, mas nunca soube seu nome, você anda com os caras popuares né?"
"Sim… mas eles não são lá grandes pessoas.."
"Então porque anda com eles?"
"Não sei" Estranho não saber porque anda com certas pessoas. Ele parecia simpático demais para ser amigo dos populares que jogavam basketball e andavam sempre com seus casacos do time, a maltratar os outros alunos.
"Conhece a Pandora?" Lembrei-me eu de perguntar.
"Humm, sim porquê?"
"Por nada" Ficámos um bocado em silêncio até que ele decidiu falar.
"Ela não é grande rapariga. É cheerleader e tal, e é loira e tem olhos azuis, mas ela é muito má para as pessoas. Não sei como vai ser agora que tem uma foster kid em casa. pelo menos é o que se fala"
Fiquei muito surpreendida e olhei para ele com uma expressão assustada.
"Que se passa?" perguntou olhando fixamente para mim.
"Nada, nada porquê?"
"Ficou estranha assim de repente"
"Posso contar uma coisa pra você?"
"Claro que pode." Fiquei um bocado a pensar, olhando para o céu escuro, com chuva ainda caindo das nuvens e a cair fortemente no chão. Pensando se devia ou não contar para ele que era eu a foster child que falava, e era eu a foster child que estava em casa de Pandora.
"Eu sou essa foster child" disse tão beixinho, quase como um sussurro, pensei que ele não tivesse ouvido, mas quando vi o sentimento de arrependimento passar por seus olhos percebi que ele ouviu e arrependeu-se de ter falado no assunto, e senti também o seu olhar de lamentação e de pena. Pena. Não queria que ele sentisse pena. Não queria que ninguém sentisse pena de mim. Muito menos ele que salvou a minha vida.
"Lamento muito"
"Porquê?"
"Deve ter passado por muito.. E ainda por cima agora com a Pandora vivendo no mesmo teto que você.."
Quando eu abri minha boca para dizer algo um carro parou em nossa frente, abrindo o vidro e gritando algo para Seeley. "Hey! Seeley, venha!"
Ajudei ele a abrir a porta por causa de seu braço e parei em frente à sua porta.
"Que está fazendo aí fora, entre!" Ele me disse sorrindo. Com isto sorri também e entrei para o banco de trás do carro. Ele me deixou na escola, dizendo "Adeus, a gente se vê na escola, e mantenha-se forte" Eu agradeci, e corri para minha casa que ficava a 5 minutos a pé da escola.
Quando parei em frente à porta de entrada, vi tudo escuro. Não sabia se Pandora estava ou não em casa. Não sabia se Helen e John ainda estavam acordados. E com certeza teria que enfrentar um grande sermão amanhã se não fosse agora. Não sabia o que Pandora me iria fazer quando me visse.
Perguntava-me também como estaria Martin.. Porque estaria ele ali? Para onde ele foi? Seria a família dele má? Não falávamos muito sobre nossas foster families. Falávamos sobre o quão horrível era o liceu e sobre como fomos parar ao foster care.
Perdida em meus pensamentos, acordei para a realidade quando a porta abriu de repente, e vi Pandora parada olhando para mim.
Ela saiu e puxou meus cabelos encostando-me contra a porta que acabara de se fechar.
"Você tem que aprender a não se meter na vida das outras pessoas, sua foster nojenta!"
Quase que me fui a baixo ao ouvir isso, mas em vez de começar a chorar, tornei minhas lamentações em raiva. Agarrei a mão dela, torci seu braço e fui correndo para dentro, subi as escadas e fechei-me no quarto, trancando a porta.
Durante o resto da noite não ouvi mais nada vindo de Pandora, também devia de estar ainda com o efeito da droga e não queria acordar seus pais. Quando olhei para o relógio e vi que eram 5 horas da manhã, percebi assim que seria outra noite sem dormir. Outra noite ficando acordada olhando para o teto perdendo-me em meus pensamentos, me lamentando a mim própria. Ficando zangada comigo por lamentar minha vida.
