Passaram-se duas semanas desde a última vez que falei com Seeley. Após o incidente com Pandora e os rapazes nunca mais o vi com eles, nem nunca mais nos falámos. Vi-o na escola umas duas ou três vezes, e cumprimentámos-nos com um pequeno aceno mas nada mais.

Estava me preparando para uma visita que ia haver na escola a um museu sobre Antiguidades do sec. XV, e estava muito animada para isso, embora eu sabia que Pandora e os seus amigos também iriam. Tinha que admitir a mim mesma que ir ao museu não era a única coisa que me agradava, também queria ver Seeley de novo, e talvez falar com ele. Queria também ajudá-lo como ele me ajudou a mim, sabia que havia algo que ele estava escondendo e não o quis obrigar a dizer-me.

*Flashback*

"Não te olho com pena, apenas percebo a tua dor"

O que quereria dizer ele com isto? De certeza que ele não fazia parte do programa de foster care. Talvez já tinha saído? Não, ele era apenas 1 ano mais velho, o que significava que tinha 17, e não poderia ter saído, e se estivesse no programa de certeza que não vestiria essa roupa.

"Como assim percebe a minha dor? Você não é foster pois não?" Disse eu, com um tom mais rude do que aquilo que pretendia.

"Não, não... qualquer dia a gente falará sobre isso"

"Sério?"

"Sim, agora tenho de ir, mas sempre que precisar de algo me dia por favor"

"Não preciso que alguém me proteja!"

"Não foi isso que pareceu hoje não"

"Obrigada" eu disse, admitindo que precisei da ajuda dele, embora não o queria fazer.

Vi-o afastar-se de mim, o seu corpo tornando-se mais pequeno a cada minuto que passava.

*flashback*

Arrumei minhas coisas e desci as escadas, Pandora já não estava em casa, agradeci ao universo por isso. Peguei numa maçã para comer pelo caminho e apressei-me para a escola.

Estávamos no museu, olhava atentamente para as peças dos antepassados, e anotei várias coisas interessantes em meu pequeno caderno. Estava olhando atentamente para uma peça muito antiga quando senti uma mão bater em meu ombro levemente. Virei-me deparando-me com a cara de Seeley a centímetros da minha.

"Seeley!"

"Temperance" Ele olhou para mim, dando-me um sorriso bobo.

"Quer ir almoçar algo?"

"Sim, claro" Eu sorri-lhe e segui ao lado dele até um café perto do museu onde a maioria dos estudantes estavam.

Estávamos a meio do almoço e eu não me consegui conter mais e tive que perguntar-lhe o que tinha andado a pensar durante estas duas semanas.

"Seeley?"

"Temperance, eu não gosto muito que me chamem Seeley, faz-me lembrar de silly... uhm.. faz sentido?"

"Sim, faz. Uhm... Booth?"

"Muito melhor" Ele sorriu-me e eu pensei outra vez se devia ou não perguntar-lhe. Não. Não devia, mas não o conseguia conter.

"Booth... Porque disseste que percebias a minha dor?" Disse-o baixo, num timbre tão baixo que pensei que ele não me ouvira.

"Problemas em casa" Ele disse rapidamente sem tirar os olhos do seu prato.

"E... ainda tens esses problemas?"

"Não, isso era mais quando era criança"

"Quer falar sobre isso?"

"Hum..."

"Pode falar comigo se quiser... O que aconteceu quando eras criança?"

"O meu pai... uhm... batia-me" Tive que me concentrar muito nele, apenas nele, para perceber o que ele dizia, pois falava muito, muito baixo. Notava-se que estava inseguro em relação a contar-me.

"Lamento muito... E ele ainda está com você agora?"

"Não, ele abandonou a gente... a mim, e ao meu irmão..."

Notei que ele não queria mesmo falar sobre isso, e estava também me deixando desconfortável porque não sabia como reagir nem sabia como o fazer sentir melhor.

"Mudando de assunto..." disse, tentando mudar para um assunto que não o fizesse sentir assim.

"Sim"

"O que está achando da visita, gosta do museu?"

"Isto não é muito a minha onda, gosto mais de desportos e assim, sabe?"

"Eu adoro, adoro História, Biologia, Física e Química, tudo" Estava me entusiasmando com o assunto.

"Então, você sabe o que vai seguir na universidade já?"

"Sim, claro que sei, tenho isto definido desde muito nova, e vou-me tornar antropóloga... Pensei primeiro em arqueologia, mas para mim, não é tão complexo como a antropologia, e entusiasmo-me mais com isto"

Booth sorriu, e começou-se a rir, pensei que se estava a rir DE mim, mas depois apercebi-me que estava a sorrir COMIGO, pois eu também estava a sorrir, como uma boba.

O assunto sobre a escola deu muito que falar. Booth era um desportista nato, eu era uma cientista. Éramos o completo oposto, mas eu sabia que nos iríamos dar bem.

"Booth, posso pedir pra você uma coisa?"

"Sim, claro, que foi Temperance?"

Meu Deus, como eu adorava quando ele dizia meu nome, não sei porquê, fazia-me sentir segura, como se tivesse um amigo.

"Pode-me ajudar a encontrar Martin? Ele é um menino que também é foster child, e a Pandora tentou dar-lhe drogas forçosamente e desde esse dia, eu nunca mais o vi..."

"Sim, claro! Logo que chegarmos à escola, vamos encontrá-lo!"

Sorri para ele, e ele devolveu-me o sorriso. Sentia-me tão bem com ele. Só não queria que Pandora, Roger e seus amigos mo tirassem da minha vida, se isso acontecesse eu acho que perdia todas as esperanças de ter um amigo de novo.

Estávamos na escola, eu e Booth tínhamos procurado em todo lado por Martin.

"Vamos outra vez à biblioteca" Eu insisti.

"Hum... Está bem.."

Fomos à biblioteca, percorremos tudo de novo. De repente vi um sombra correr rápido para um dos corredores de livros, fui atrás da pessoa e pela pequena sombra soube logo que era Martin. Ele desistiu quando viu que eu já o tinha visto, e olhava para mim com tristeza.

"Martin... porque você anda fugindo?"

"Me desculpe Temperance, eu preciso de agradecer você por me ter salvo naquele dia, mas ando com muito medo do que Roger possa fazer de novo" Ele dizia isso num tom baixo e com uma voz fraca, pensei que ele ia chorar, mas eu sabia que ele era forte demais para deixar as lágrimas cair.

"Hey, hey , hey, Martin, eu sou o Booth, e não vou deixar aqueles palermas fazer mais nada a você ok?"

Martin, levantou a cara para olhar para Booth, eu sabia que era difícil confiar assim facilmente nas pessoas, mas ele precisava de saber que podia cofiar em Booth 100%, afinal ele salvou a minha vida.

"Sim, Martin, pode confiar em Booth, ele salvou a minha vida, e a razão de ele ter o braço ao peito engessado é por te saltado em frente a um carro por mim"

Acho que isto, ajudou com que Martin pudesse confiar em Booth, pois ele olhou para Booth com um ar mais confiante e abanou com a cabeça a dizer que sim. Sim. Que confiava.

"Obrigada por salvar Temperance"

[A/N] Oi, espero que quem leu tenha gostado. E tenho novas ideias para o próximo capítulo. Obrigada angelator agradeço imenso que você esteja seguindo, muito obrigada, e sim seu palpite estava certo, em relação a Booth, achei que como a Temperance disse a ele que era a foster chidld, ela merecia saber algo sobre ele também né? Bem se gostarem digam algo, muito obrigada :)