Capítulo 9
A maioria dos alunos de Hogwarts sempre lamentava o início do quinto ano. Eu, por outro lado, ansiei pela sua chegada mais do que os outros anos. Aquelas férias foram as piores de minha vida, pois além de ter sido dado o início a temporada de caça a Amélia, o bolo de cartas que chegava para mim no fim da semana diminuíra.
Eu estava sem notícias de Godric's Hollow e mesmo quando Elifas tentara interceder por mim em suas cartas para Alvo, não deu resultado. Parecia que o senhor Gênio estava mesmo decidido a nunca mais voltar a falar comigo, o que provava que Elifas se enganara e ele não iria se desculpar. Segundo nosso diplomata intermediário, ele estava escrevendo para Nicolau como nunca, e de fato, um dos anúncios que vi no Transfiguração hoje fora de sua autoria.
No que concerne a mim, Alvo respondera brutalmente a Elifas que esperava que estivesse bem, mas não falaria comigo. Saber disso fez com que o meu cenário se tornasse um pouco cinzento. Em casa, Colin e Cora pareciam ter notado a minha diferença de comportamento, já que eu passava menos tempo na biblioteca ou na sala de música. Os jardins da mansão era o único lugar que estava fora dos limites de questionamento de tia Sarah, já que ela nunca os visitava. Todavia, nada a impedia de me prender quando eu me arriscava do lado de dentro. A quem eu seria vendida era incerto, mas iria acontecer cedo ou tarde.
Transações, NOM.s, problemas pessoais, tudo isso me colocou dentro de caixa fechada que me impedia de respirar e sugava toda a minha energia ao ponto de me deixar bastante instável. Elifas sempre me encontrava às lágrimas a noite no salão comunal, e sendo a pessoa maravilhosa que é, fazia de tudo para me fazer sentir melhor. Alvo, ao contrário, me ignorava o tempo todo. No trem, por exemplo, Arthur me convidou para ficar na cabine com ele e Linda, e embora eu soubesse que meu lugar era dentro de uma cabine com os dois seres mais formidáveis do mundo, concordei em ir.
_ Hora de ir. – disse Lucy, uma amiga deles da Corvinal, chamando-os para a cabine dos monitores.
_ Para onde? – perguntei ignorando os fatos.
_ A reunião de monitores. – lembrou Arthur. – Pensei que tivesse recebido um distintivo.
_ Eles não seriam tão legais. – ironizei.
_ Não seja boba, você seria uma excelente monitora. – disse Arthur. – Claro, desrespeitaria as regras mesmo assim, mas, pelo menos seria justa. Já volto. – despediu-se me dando um selinho.
E minutos depois da partida deles, Elifas veio até o nosso vagão para ver Linda.
_ Onde está o Alvo? – perguntei quando ele se sentou ao lado dela.
_ Ele é monitor agora. – revelou ele como se fosse óbvio. – Ah, sim. – acrescentou se desculpando, esquecera que eu não falara com ele durante o verão.
_ E quem está com ele? – perguntou Linda.
_ Emma Meyer... – respondeu Elifas preparando-se para a minha reação, quer dizer, eu poderia encher esse diário com coisas sobre Emma Meyer.
_ Emma Meyer vai andar pelos corredores com Alvo à noite? EMMA MEYER?! – gritei cruzando os braços. – Não existe justiça no mundo.
_ Eu realmente esperava que você fosse receber o distintivo. – consolou Elifas.
_ Eu também, todo mundo conhece você dentre todas as garotas da Grifinória. – completou Linda.
_ Parece que popularidade não é um quesito analisado por eles. – desdenhei. – Enfim, eu só queria ter dado os parabéns ao senhor Gênio.
_ Continuam brigados? – deduziu Linda.
Me limitei a acenar positivamente com a cabeça. Acho que até agora eu não dei o devido crédito a Linda Doyle, quer dizer, ela é a melhor cunhada que uma pessoa poderia querer. Embora eu namorasse seu irmão, ela nunca parecia achar que ele estava sempre com a razão ou que eu deveria colocá-lo num pedestal e nunca mais falar com garoto nenhum. Era a pessoa mais incrível que poderia existir, e talvez seja por isso que Alvo e eu nunca nos preocupamos com ela e Elifas.
_ Eu sei que o que eu vou dizer aqui pode ser interpretado errado, já que você é a namorada do meu irmão. Mas, acho que você e Alvo precisam se resolver, Amélia. – disse Linda séria.
_ O que?! Não! Não temos nada para resolver... Quer dizer, é claro que eu queria poder voltar a falar com ele, mas não é como se eu quisesse ser a namorada dele.
_ Não minta para si mesma. – ralhou Linda. – Amélia, eu sei que todo mundo diz que meu irmão é um grande imbecil, mas, ele realmente gosta de você, e sei que faria qualquer coisa para vê-la feliz.
_ Mesmo abrir mão dela? – sugeriu Elifas.
_ Acredito que sim. – assegurou Linda.
_ Vou deixar vocês sozinhos por um instante. – disse saindo da cabine.
Linda tinha razão, Arthur não era um idiota... e eu conhecia muito bem os idiotas de Hogwarts. Ainda assim, eu não conseguia amá-lo completamente e eu acho que ele sabia, pois nunca hesitou em me dar os melhores presentes e toda a sua atenção – o que chegava a ser irritante às vezes – só queria tentar me conquistar. Os corredores estavam absurdamente desertos, mas as cabines estavam lotadas, exceto por uma. A antiga cabine do trio da Grifinória.
Aquele pequeno cubículo estava cheio de lembranças, e eu me lembro de quando sentei ali pela última vez, possuía a melhor vista para o caminho até Hogwarts. Se ainda fosse como nos anos anteriores, eu estaria conversando com Elifas enquanto Alvo lia um livro.
_ Amélia? – chamou Alvo abrindo a porta.
_ Alvo? – me assustei. – Desculpe, eu já estou indo. – disse saindo.
_ Mélia! – chamou Arthur vindo em nossa direção. – Ei, Dumbledore.
_ Arthur. – cumprimentou ele friamente.
_ Vamos encontrar o pessoal?
_ Claro. – concordei de pronto. – É... parabéns pelo seu distintivo.
Aquele foi o mínimo de palavras que trocamos durante o início do semestre. Os professores não foram compreensivos conosco, e a pressão sobre os NOM.s só aumentou. Eu já havia decidido o que faria com minha vida naquelas férias, e embora na família Preminger, seguimos os conceitos machistas daquela época, é bastante incomum que uma mulher Preminger fique sem algum oficio. Cornélia havia decidido que daria aulas em Beauxbaton. Quanto a mim, pretendia seguir o exemplo de meu avô e entrar para o Departamento de Mistérios e ser uma inominável. Por uma questão de curiosidade, já que muitas pessoas desconhecem nossa função no ministério e porque eram poucas as mulheres que entravam.
Pode-se dizer que essa meta de me provar foi a única coisa que me manteve sã naquele ano. Sem Alvo, também não havia Elifas, pois eu me sentia constrangida de chegar perto. Logo, minhas tardes na biblioteca se prolongavam, e eu não estava disposta para ficar com Arthur. Então me limitava a estudar e estudar, mas sem o senhor Gênio para tirar minhas dúvidas, eu não me sentia confiante o bastante com os exames.
As noites no dormitório também não eram as melhores, sem o xadrez, sem as conversas perto do fogo. Por vezes Elifas ficava comigo, sem querer deixar Alvo zangado, mas não era a mesma coisa sem uma terceira opinião. Então, mesmo quando estávamos juntos, eu me pegava pensando nas possibilidades. Se Alvo quisesse fazer as pazes comigo, mas se recusava por eu ainda estar Arthur ou se estava sentindo minha falta tanto quanto eu sentia a dele. Mesmo se Linda tivesse razão e Artie fosse entender, eu duvidava que ele fosse aceitar tudo bem.
A agonia por estar me sentindo solitária somente aumentava, até que em uma noite de Quinta-feira, uma pequena chama de luz se acendeu para mim. Eu acabara de voltar da cozinha, e ao chegar ao salão comunal, dei de cara com um monte de cartões de explicação sobre meus livros. Todos os assuntos nos quais estava com dificuldade explicados por uma conhecida caligrafia fina e inclinada. Meus olhos se encheram de lágrimas ao reconhecer a letra de Alvo me contando sobre os poderes curativos de uma planta com tentáculos. Eu pensava que ele não se importava, mas a verdade era outra e a prova estava bem ali.
_ Harry! – chamou a senhora Weasley, interrompendo a leitura dele com Rony e Hermione.
Era Sábado e a amiga tivera permissão para sair de Hogwarts. Estavam com o diário só havia poucos minutos, mas já fora tempo suficiente para saberem que aquele fora o pior capítulo tanto para eles quanto para Amélia. Ninguém entendia mais do que Harry, que lembrava-se de seu quarto ano, em que Rony deixara de falar com ele e Hermione tentava equilibrar sua atenção entre os dois.
_ Sim, senhora Weasley. – respondeu o garoto.
_ Estávamos indo até a estação para pegar Gina, vocês querem vir?
_ Vamos dar um tempo. – disse Rony.
_ É, vamos então. – concordou Harry.
Já iria fazer um mês que não via a namorada, ela estava numa espécie de turnê com as Harpias de Holyhead e não escrevia muito para os amigos ou para o namorado, o que deixava Harry frustrado. Contudo, quando Gina saltou para fora do trem na Estação King's Kross, a frustração do garoto passou para felicidade plena.
_ Sentiram minha falta? – provocou ela abrindo os braços para receber os abraços de todos.
_ Mas é claro, Ruivinha. – disse Harry sendo o primeiro a alcançá-la.
_ Como foi a viagem, querida? – perguntou a senhora Weasley aproximando-se da caçula.
_ Ah, a senhora sabe, pouco trabalho e muita bagunça. As garotas do Harpias realmente sabem como dar uma festa da vitória. – respondeu Gina abraçando Hermione e Rony. – E então, ele tem te dado muito trabalho?
_ Não mais do que nos últimos dez anos. – brincou Hermione.
_ Engraçadinha, Mione, muito engraçadinha. – zombou Rony.
_ Puxa, eu estava morrendo de saudades de vocês. – disse Gina tornando a abraçar Harry.
_ Por que ela fala em nós, quando quer dizer o Harry? – indagou Rony mirando a mãe.
_ O amor é assim mesmo, querido. – brincou a senhora Weasley.
_ Eu realmente não quero ir para casa agora, que tal uma voltinha por Londres? – sugeriu Gina.
_ Eu topo! – concordou Harry. – Vamos?
_ Claro. – concordaram Rony e Hermione.
_ Muito bem, vocês quatro. – interrompeu o senhor Weasley. – Vamos levar a bagagem para casa e vocês curtam a cidade, mas voltem antes do jantar. Molly vai reunir todos para dar as boas vindas a Gina.
_ Pode deixar papai. – respondeu a ruiva acenando para seus pais. – Eu não aguentava mais ficar longe do senhor eleito. – brincou Gina.
_ E eu da minha campeã. – completou Harry beijando-a.
_ A-aham. – interrompeu Rony. – Nós ainda estamos aqui.
_ Rony, não seja chato. – ralhou Hermione.
_ Vocês me deixaram nessa situação durante semanas, está na hora de retribuir. – lembrou Harry.
_ Certo, mas eu não quero fazer isso aqui na estação. – comentou Gina. – Vamos para o centro.
Londres estava começando a ser decorada para o natal e ficava ainda mais linda nessa época do ano. Harry e Gina caminhavam na frente de Rony e Hermione, e conversavam sobre a temporada de jogos das Harpias.
_ São boas, mas, sem chances de serem melhores do que os Chudley Cannons. – observou Rony.
_ Quando vai começar a torcer para um time decente? – indagou Gina para o irmão. – Ah, é, esqueci, precisa ser inteligente para isso. Que sorte você tem por ter a Mione, maninho.
Harry e Hermione riram.
_ Pobrezinho, Gina. A culpa não é dele se não tem bom gosto para tudo. – disse ela dando de ombros.
_ Olha só quem está mostrando o ego. – brincou Rony passando o braço pela cintura da namorada. - Que tal irmos comer perto do Picadilly?
_ Você não ouviu o papai? Mamãe vai preparar um jantar em minha homenagem. – lembrou-o Gina.
_ Então... um passeio pelo parque? – sugeriu Rony oferecendo o braço para Hermione.
_ Tentando ser romântico?
_ Eu sou um cara romântico. – disse guiando Hermione em direção ao parque .
_ E então? O que vocês têm feito, além de aturar as loucuras do Rony? – quis saber Gina.
_ Ah, bem... estivemos ocupados com umas coisas aí. – disse Harry sem saber se contava ou não sobre Amélia para Gina.
_ Harry Potter, pode ir me contando tudo agora. – ordenou Gina.
_ Está certo, mas não pode contar para ninguém.
_ E para quem eu contaria? Com certeza Rony e Hermione já sabem. – comentou Gina dando de ombros.
_ Descobrimos mais coisas sobre o passado de Dumbledore, na verdade, sobre alguém do passado dele. – revelou Harry.
_ Dumbledore?! Mas eu pensei que Rita Skeeter tivesse escrito tudo naquele livro...
_ Nem tudo, aparentemente. – contrapôs Harry. – O nome dela é Amélia Preminger e até onde sabemos foi amiga de Dumbledore e Elifas Doge em Hogwarts, e suspeitosamente sua amante nos anos posteriores.
_ Dumbledore teve uma amante? Quem diria que havia malícia por detrás daqueles olhinhos azuis. – comentou Gina. – E como descobriram tudo isso?
_ Bem, primeiro eu achei uma carta dela no escritório dele. Fomos ver Hermione em Hogsmeade e eu queria falar com Snape... mas ele não estava. Daí eu fiquei para esperar e vi a carta. Depois fomos falar com o senhor Doge que nos entregou o diário dela com as lembranças sobre Dumbledore. No entanto, não sabemos onde ela pode estar aqui ou no mundo bruxo. – explicou Harry.
_ Bem, agora que eu estou aqui, vocês vão ter mais uma cabeça para ajudá-los. – disse Gina beijando-o. – Eu só não entendo como vocês sempre têm que estar envolvidos em algum mistério.
_ Acho que se não fosse assim, a nossa vida não faria mais sentido. – respondeu Harry.
Na Toca, a senhora Weasley realmente convidara todos para a recepção de Gina. A casa estava lotada com as crianças de Gui e Fleur, Percy e Audrey e Jorge e Angelina.
_ Quem sabe um dia não vamos contribuir com essa superpopulação. – brincou Gina com Harry depois do jantar.
_ Será um prazer.
_ Hermione me mostrou as fotos que conseguiram da senhorita Preminger. – disse Gina. – E eu li a última parte do diário... eu senti certa empatia com ela.
_ Pensei que somente eu sentisse isso por ela... a briga com o melhor amigo e tudo o mais, embora eu tenha ficado assim com Rony um ano antes do que ela. – observou Harry.
_ É, mas, bem... ela também saiu com vários outros garotos apenas para tentar afastar o fato de que era apaixonada apenas por um deles. Só que no meu caso, o meu era o melhor amigo do meu irmão. – ponderou ela.
_ E eu espero que tenhamos mais sorte do que eles...
_ Ah, pode contar com isso. – garantiu Gina piscando para ele.
