Capítulo 11

E então elas finalmente chegaram, as provas de fim de ano. Olhando para trás agora, percebo que foi um grande erro ter me preocupado tanto com isso em vista dos problemas maiores que tinha no momento. No entanto, é claro que minha família estaria sempre lá para me dar apoio emocional: "Não me decepcione, se não..." tia Sarah tinha essa capacidade de deixar ameaças no ar, definitivamente encantadora. Então, após receber minha correspondência matinal, eu abandonei meu café da manhã e não comi nada pelo resto do dia.

_ Essa é uma nova dieta? – brincou Arthur ao me ver empurrando meu prato para longe.

_ Pelo menos assim evito de vomitar no examinador durante a prova. – respondi com um sorriso torto. – Senta aí.

_ Eu não sei qual o motivo da sua neura, Mélia. Quer dizer, você estudou muito para isso e tenho certeza que ao te examinarem eles dirão "Meu Merlin, ela vai ser uma inominável incrível, além de ser muito sexy", vão te aprovar com excelente em todas as matérias e vamos dar uma festa em sua honra... Eles vão construir monumentos em sua homenagem como a maior bruxa...

_ Tá bem, eu já entendi. – cortei rindo. – Puxa, você foi para a Corvinal porque mesmo?

_ Eu posso ser engraçado e inteligente. – retrucou ele me abraçando. – Não se preocupe, vai conseguir.

Havia momentos em que eu queria que Arthur fosse um cachorro, para eu poder ter motivos para terminar com ele e ser feliz com o Alvo. Mas nem mesmo Merlin pensaria em tudo. Ele era uma excelente pessoa e fazia de tudo por mim, como Linda bem dissera. O que fizera com que eu me sentisse pior pelo que acontecera na noite anterior. Não lamentava ter beijado o Alvo, de forma alguma, eu queria isso há tanto tempo, mas, pensar na reação de Artie quando ele soubesse fazia com que eu me sentisse suja. Minha única razão para terminar aquele namoro seria o fato de que eu não amava meu namorado... e quantos casamentos na minha família não sobreviveram mesmo sem esse sentimento?

_ Seria mais fácil para você se ele estivesse aqui, não é? – perguntou Arthur percebendo que eu estava pensativa.

_ Seria... – respondi inconscientemente. – Quer dizer, eu te contei que ele tornou a me mandar cartões de resposta, não contei?

_ Contou, mas acho que isso não basta. Queria que ele estivesse aqui para dar apoio também... acho que ele te conhece melhor do que eu...

_ Arthur... você é maravilhoso, não...

_ Amélia, eu sei que o que eu vou dizer agora pode parecer pretensioso, mas, eu acho que nunca fiz nada de errado, nada para você me odiar, então, é claro que o que acontece aqui envolve você e o seu coração, o de mais ninguém. – ele dissera. – Eu sei que você vem de uma família sangue puro tradicional, eu também, mas caramba, vamos deixar que isso estrague nossas vidas? – indagou ele olhando diretamente para mim.

_ E o que sugere?

_ Resolva esse conflito interno e quando se decidir... venha falar comigo sobre sua decisão. – respondeu solenemente, dando um beijo na minha testa e saindo.

E foi por isso que ele foi para a Corvinal.

Permaneci sozinha pelo resto do dia para pensar, andando de um lado para o outro no castelo sem qualquer senso de para onde estava indo. Os exames práticos começariam durante a tarde, às exatas quatro horas, e durante todo o tempo que os antecedeu, eu permaneci na Torre de Astronomia.

A visão das terras da escola sempre tiveram grande influência sobre a clareza da minha mente. Entretanto, ela estava tão enevoada naquela tarde... Eu já estava me sentindo derrotada, pensando que não passaria nos N. por estar tão preocupada. Bastava fechar os olhos para tornar a sentir o peso da mão de Alvo sobre a minha, e tornar a sentir como se respirar de repente não fosse importante. E então eu pensava nos meses que passei com Arthur e em como mesmo não o amando de coração, ele me fizera rir e realmente tentara fazer com que eu me apaixonasse.

_ Vamos todos nos esconder das provas. – disse Linda passando por baixo do telescópio e vindo em minha direção.

_ Oi! – cumprimentei realmente feliz em vê-la. – O que veio fazer aqui?

_ Eu estava procurando pela minha amiguinha confusa.

_ Ah, essa palavra é simplesmente perfeita para mim nesse momento. – concordei dando espaço para ela se sentar comigo.

_ Eu sei que vai se sair bem, nas duas coisas. – disse ela olhando para mim com malícia.

Eu ri com escárnio e ela tornou a me fitar.

_ Diga, você já se imaginou casando com o Arthur?

_ Quê?! Não! Você já se imaginou casando com Elifas?

_ A cada vez que ele diz que me ama e que eu sou a garota mais bonita de Hogwarts. – ela respondeu corando e de repente senti vergonha por ter respondido tão sinceramente sobre casar com Arthur. – Mas já imaginou se casando com Alvo?

_ Sinceramente? Também não... mas eu já me imaginei lutando contra bruxos das trevas com o Alvo, isso serve?

_ De certa forma sim... – respondeu ela rindo de mim. – O que eu quis dizer com isso, na verdade, foi se você já se imaginou sem essa pessoa pelo resto da sua vida e em como seria. E eu sei que sua vida seria um saco sem o Alvo...

_ Ou o seu namorado. O fato de eu querer beijar um deles não quer dizer que algo sobrepõe a nossa amizade, somos parceiros de xadrez acima de tudo.

_ Mas você não se contentaria somente com o jogo depois de um tempo. – gracejou Linda.

_ E eu pensei que você era pura.

_ Está tão ocupada com sua vida amorosa que ignora, para minha sorte, o que eu e Elifas fazemos quando vocês não olham...

_ Obrigada, agora além de estar confusa eu vou ter pesadelos.

Permanecemos ali conversando até a hora das provas e depois descemos juntas para a sala de testes. Alvo já estava acompanhado de Elifas esperando do lado de fora da sala, o nome da nossa examinadora era Professora Griselda Marchbanks. Uma mulher que até o fim de sua vida foi bastante exigente. Elifas foi o primeiro a ser analisado por ela e saiu da sala com um sorriso escondido, em seguida foi a vez de Alvo e ele pareceu bastante orgulhoso de si quando saiu e acenou para mim.

Quando eu entrei a sala estava silenciosa, e sem querer eu tropecei em meus pés, quase caindo. Com certeza uma excelente primeira impressão, me dirigi diretamente para diante da mesa em que ela estava e respirei fundo. Ela me pediu para realizar feitiços de quase uma vida inteira de Hogwarts, mas, que para minha sorte, eu fazia com maestria tendo em mente todo o estudo com o senhor gênio.

Por fim, no fim do exame, ela me interrompeu.

_ Consta aqui que a senhorita pretende se tornar uma inominável. – comentou olhando para mim com desconfiança.

_ Exatamente. – respondi com a voz trêmula.

_ Bem, eu não sei se seria demais... mas, um de seus colegas o conjurou com maestria... o feitiço do Patrono? – pediu com um sorriso malicioso.

Uma lembrança feliz, era disso que eu precisava. Disso e das palavras, mas estas eu já conhecia bem. Então, eu respirei fundo e tornei a erguer a varinha, parando por um minuto... Qual lembrança usaria? Num minuto de indecisão, pensei em Arthur e nas tardes que passamos em Hogsmeade...

_ Expecto Patronoum. – disse, mas sem sucesso. Apenas um jato de névoa, não o patrono corporeum que ela estava esperando.

_ Muito bem. Vejo que o talento não é algo para todos... pode...

_ Por favor, professora, eu sei o que fiz de errado, me deixe consertar. – implorei.

_ Senhorita... Preminger, não é? Mesmo que sua família seja uma das mais antigas do mundo mágico, deve aprender que nem tudo na vida pode ser consertado. Como inominável, deve aprender a aproveitar suas oportunidades...

E sem esperar que ela terminasse pensei em Alvo, em tudo e conjurei o feitiço mais uma vez. E então ela surgiu, pela primeira vez, uma enorme fênix branca, voando por toda a sala e tornando para me envolver. Os olhos de Griselda brilharam pela ousadia, mas nos nossos encontros posteriores ela se mostrou bastante orgulhosa dela. Eu, no entanto, só considerava aquilo como a chama de certeza que eu precisava. Principalmente depois que ela...

_ Engraçado, o aluno que conjurou esse feitiço possuía o mesmo patrono que você. – disse pensativa. – De qualquer forma, está dispensada. Meus parabéns, senhorita.

Sai da sala e corri para fora do castelo procurando pela única pessoa que eu queria ver. Finalmente o encontrei perto do lago negro, escorado em um dos salgueiros conversando com Wood.

_ Alvo! – gritei a plenos pulmões, sem me importar com o fato de que o lugar estava cheio. Ele voltou à atenção para mim e eu acenei, tornando a correr na direção dele, que acabou se unindo a mim naquela brincadeira de criança.

Nos abraçamos quando nos alcançamos e nos beijamos, mais desesperadamente do que da primeira vez, divididos entre rir da cara um do outro e nos beijar.

_ Amélia. – ouvi a voz de Arthur me chamando.

_ Arthur, eu... – mas ele não me deixou explicar, apenas tampou minha boca com um dedo e se voltou para Alvo.

_ Ela é realmente muito especial, Dumbledore, cuide bem dela. – disse com um aceno solene de cabeça.

_ É o que eu pretendo, Arthur. – respondeu Alvo simplesmente.

_ Eu sinceramente espero que seja feliz, Mélia. – disse sorrindo para mim.

_ Obrigada, Arthur. – e aquelas foram as últimas palavras que trocamos.

Mais tarde, quando contamos a novidade para Elifas e Linda, a reação deles foi ainda melhor. Elifas propôs um belo abraço em grupo e Linda o puxou para longe mandando ele nos deixar sozinhos, pois havíamos esperado muito tempo por esse momento.

E eu confesso que nunca amei tanto Linda quanto amei naquele dia.

_ Esse com certeza foi o meu capítulo favorito. – disse Hermione fechando diário.

_ Então deve ter sido por isso que Dumbledore me disse que não ficou surpreso pelos patronos de Snape e da minha mãe serem iguais. – comentou Harry.

_ Quando ele te disse isso? – perguntou Gina.

_ Ah... num sonho... – respondeu Harry sem querer ter que contar toda a história a namorada. – Bem, e você Rony?

_ Eu? Eu acho que deveríamos comemorar por eles indo até o Caldeirão Furado beber alguma coisa. – respondeu o ruivo.

_ Ou simplesmente podem vir me ajudar com o jantar. – disse a senhora Weasley de dentro da cozinha.

_ Ela tem razão. – concordou Hermione. – Vamos.

Gina e Harry se levantaram juntos. Ela piscou para o namorado como se dissesse "O nosso beijo foi muito melhor do que o deles." Ele, no entanto, não concordava, achava que naquele quesito, Dumbledore e ele estavam empatados.