Capítulo 13
Quando se é jovem existem várias peculiaridades que podem inquietar a sua mente, especialmente para uma mocinha de dezesseis anos. Essa mocinha, como qualquer outra, não possuía nada em sua mente para alarmá-la enquanto estivesse em Hogwarts. As cartas vindas de casa eram escassas e de repente aquela cujas afirmações me chateavam, parecia ter deixado de se importar comigo por um momento.
A conversa com Elifas parecia ter surtido algum efeito sob a perspectiva dele sobre a viagem, pois começou a conversar mais com Linda inquirindo sua opinião a respeito do tempo que passaria fora e se estava tudo bem para ela. Para nossa surpresa, minha e de Alvo, ela se mostrava muito calma com o período estipulado de um ano e para meu divertimento, ela reclamara com Elifas se havia adiado aquela conversa com medo de ela fazer uma infinita lista de presentes de cada país que visitassem.
_ É claro que não, minha cara, foi apenas um deslize momentâneo. – desculpou-se ele sob o olhar ameaçador dela. Eu os amava como um casal, aquela química sinistra e a total subserviência de Elifas fazia daquilo uma perfeita comédia grega.
O sexto ano continuou passando normalmente, estudávamos juntos na biblioteca, furtávamos comida das cozinhas – os elfos domésticos de Hogwarts sempre gostaram de mim, claro, eu vivia ajudando-os em suas tarefas – e explorávamos todos os espaços da escola quando Alvo não estava olhando, quer dizer, qualquer movimento suspeito e ele seria deposto de seu cargo de monitor... E não queríamos perder nosso agente duplo. Alvo, por sua vez, achava-se "o injustiçado" por nunca conseguir participar dessas buscas e sempre ter que pagar de vigia.
Eu sabia como mostrar o devido agradecimento quando estávamos a sós. Tais momentos, eu percebera, passaram a ocorrer com muito mais frequência após os dois primeiros meses de aulas, e o porquê era uma questão relativamente difícil de responder. Ao menos para um casal de adolescentes incapazes de compreender a força de seus hormônios, o que era exatamente o nosso problema. Para ser mais clara comigo mesma, como eu possuía toda uma aura de incorruptível, Alvo nunca fizera movimentos muito ousados ou apressados...
_ Idiota. – comentou Gina chamando a atenção de Rony, que tivera de interromper sua leitura. – Que foi?
_ Já está sendo penoso ler isso em voz alta, sabe, até o momento o professor Dumbledore era quase um monge para mim e de repente eu tive que descobrir muito sobre as preferências dele. Eu agradeceria se não interrompesse Gina. – pediu ele com forçada polidez que fizeram Harry e Hermione sorrirem.
_ Ah, qual é, não vem pagar de santo não. Eu sei o que já rolou entre você e a Hermione, no que concerne a santidade, Dumbledore ainda é um misógino. – ralhou a ruiva rindo da expressão de "Era para ser segredo" de Hermione. – E se chateia tanto você, já está na hora de eu ler algum capítulo desse diário, passe para cá. – ponderou arrancando o livro das mãos de Rony.
... E mesmo assim, ainda conseguia provocar arrepios na minha espinha somente olhando para mim com outras intenções. Quando estávamos sozinhas, Linda e eu gostávamos de brincar sobre qual das duas seria a primeira a fazer algum tipo de safadeza com o namorado. Isso me surpreendeu muito porque eu realmente pensava que, a essa altura do campeonato, Elifas e Linda tivessem feito alguma coisa.
_ E nós temos sempre que ser os piores?! – exclamou ela cruzando os braços, indignada. – Você e o Alvo que passam as noites andando pelos corredores chamando a atenção dos monitores das outras casas, na minha opinião, vocês é que são os safados aqui. – retrucou.
_ Nós nunca fizemos nada que pudesse envergonhar a Grifinória. – rebati na defensiva.
_ Ou o nome da família Preminger. – sugeriu ela enrolando um dos fios de cabelo no dedo.
Quando Linda colocava o dedo na ferida eu sabia que não era por mal. Na verdade, ela gostava de mexer nelas apenas para que eu não ficasse em negação sobre nenhuma. De qualquer forma, ela estava certa. O fato de Alvo e eu nunca termos feito nada... não era por falta de vontade, mas porque preservar-me, como diria tia Sarah, um "botão de rosa" era de suma importância para meu dever enquanto herdeira da família Preminger. Naquela época, caso a esposa não fosse completamente pura, poderia ser trocada como uma mercadoria qualquer.
_ E quanto ao nome da família Doyle? – indaguei a ela.
_ Já escrevi a meus pais contando sobre Elifas e que se eu não me casar com ele vou fugir para a Albânia. Claro, não usei esses termos, mas deixei claro que as intenções dele são nobres e que vamos nos casar muito em breve. – disse ela com os olhos brilhando.
_ Eu queria tanto poder estar tão confiante. – murmurei virando para o outro lado, observando o time da Corvinal treinar.
_ Mas pode, tenho certeza de que sua tia vai escolher alguém legal... Soube que o garoto dos Malfoy não é tão ruim... Ei, você pode se casar com um Potter. – disse tentando me animar.
_ Para tia Sarah, ele poderia ser um trasgo e ainda assim eu teria que me casar com ele. – brinquei fazendo Linda rir.
_ Do jeito que você fala, ela até parece um monstro. – gracejou ela.
Não lembro qual foi a minha expressão ao ouvir isso, mas, Linda parecia um pouco preocupada.
_ Ela...
_ O que? Não... quer dizer, ela nos ama, mas, a sua própria maneira. Quando meus pais morreram, ela mesma se ofereceu para cuidar de mim e dos meus irmãos. Ninguém nunca precisou pedir nada a ela... Claro, acho que foi devido a amizade que tenho com meu primo, o filho dela, Colin. De qualquer forma, nunca nos ensinou a matar trouxas e ainda assim não é completamente adepta a eles. Às vezes parece ter uns cem anos.
_ Ela parece minha tia Margaret. – comentou Linda. – Só que... quase não a vemos, ela vive na Suécia... mal casamento... Fico feliz de Elifas gostar da Inglaterra. – acrescentou pensativa, o que me fez rir.
Ainda naquela tarde, aconteceria o jogo entre Corvinal e Sonserina. É claro que eu estava torcendo pelos corvinos, tanto que me responsabilizara pela festa de comemoração no dormitório da Grifinória... Mas não convidara os corvinais, seria apenas a minha demonstração de ódio pela serpente, com a ajuda dos leões apenas. Descemos até o campo para nos posicionarmos em nossos lugares de sempre, Alvo com as bandeiras, Elifas com os binóculos e eu com meus xingamentos prontos para uso.
As partidas de Quadribol em Hogwarts nunca pareciam durar o suficiente, isso quando comparadas as histórias em que apanhadores passavam dias na busca pelo pomo de ouro, mas, seria esperar demais do nosso diretor. Enfim, assistíamos a partida e ao mesmo tempo fazíamos comentários inteligentes sobre os jogadores e a narrativa de Frank Müller, o pior narrador de jogos de Quadribol do século. Ainda hoje não consigo entender porque Hadassa nunca cedeu essa posição a um dos meus subordinados, eles teriam sido devidamente imparciais.
De fato, nunca entendi o receio que alguns professores faziam as minhas sugestões. Talvez eu fosse um pouco impulsiva, mas isso não justificava duvidar de cada passo meu. Enfim, estou adiando o assunto mais importante dessas páginas, então, saltaremos direto para ele. Após a vitória da Corvinal – o que era óbvio – todos os leões seguiram para o dormitório gritando e comemorando a derrota das serpentes. Woods combinara comigo que deixaria tudo pronto para a nossa chegada, a comida, a bebida e até daria um jeito de enfeitiçar as paredes para que houvesse música... o que eu suspeito que tenha sido com a ajuda de Alvo. Quando chegamos, tudo o que foi preciso fazer fora aumentar a música e começar a badernar.
Se a professora Hadassa ficasse sabendo, eu seria expulsa. Mas fomos bastante precavidos em colocar um abaffiato na sala, caso ela passasse, ficaria completamente imune ao nosso barulho. Sendo assim, retiramos os sofás e começamos a dançar. De alguma forma, Elifas conseguira colocar Linda para dentro e estava dançando como um louco com ela, uma das cenas mais engraçadas da minha adolescência. Alvo, por sua vez, se mostrava um exímio conhecedor dos passos bruxos, bem como um excelente improvisador. E as atrações não pararam por ali, também conseguimos roubar uma das bandeiras da Sonserina... e ateamos fogo nela... sem colocar fogo no dormitório também.
Destruições da propriedade da outra casa a parte, depois de tanto pular e rugir o nome da Sonserina mandando-a para o inferno, eu precisava de um banho, mas aquela altura do campeonato seria impossível sair do dormitório para esse fim.
_ Céus... eu estou derretendo. – comentei com Elifas. – E como conseguiu colocá-la aqui? – perguntei mirando Linda.
_ Como organizador dessa festa, eu tenho meus direitos. – explicou ele passando o braço pela cintura da namorada.
_ Certo, mas eu estou morrendo de calor e não tem como conseguir um banho a essa hora...
_ Poderia tentar o banheiro dos monitores. – sugeriu Alvo aparecendo atrás de mim.
_ É... é uma boa ideia. Mas, não é somente para vocês usarem?
_ Isso é mito. – murmurou Elifas.
_ Muito bem, vou buscar minhas coisas. – disse subindo até o quarto e enfiando tudo o que precisaria dentro de uma bolsinha previamente enfeitiçada com feitiço extensivo indetectável. – Vamos então.
_ Tome conta da galera. – advertiu Alvo para o casal quando nos dirigimos para a porta. Elifas apenas fez um sinal de paz e voltou sua total atenção para a namorada.
_ Num momento eles estão apenas de mãos dadas, no outro, estão se agarrando pelos cantos do dormitório. Vou ter que esterilizar aquelas poltronas. – comentei pensativa.
Alvo riu.
_ Quer ficar invisível? – sugeriu ele ao ouvir passos.
_ Claro. – e com apenas um baque, estávamos completamente camuflados.
Por sorte, era apenas o monitor da Sonserina, então, continuamos nossa caminhada até o quinto piso. Não conversávamos, o que pareceu muito estranho para mim a princípio, mas logo que chegamos o silêncio simplesmente desapareceu.
_ Vou ficar aqui no caso de alguém se aproximar e você pode ficar tranquila lá dentro. – disse Alvo abrindo as portas para mim, fazendo sinal para que eu entrasse.
_ Obrigada. – agradeci dando um rápido selinho nos lábios dele e saindo para dentro do banheiro. Alvo, porém, me puxou novamente e tornou a me beijar. – Eu fiz alguma coisa certa? – brinquei entre uma respiração e outra.
_ Só não tivemos tempo de conversar na festa. – argumentou ele sorrindo, tornando a caçar a minha boca.
_ Um minuto e eu serei toda sua. – disse me apressando para dentro.
Você não espera surpresas quando simplesmente ignora que elas possam acontecer, e a mocinha aqui esqueceu-se completamente que aquele era o dia dos namorados, pode culpar o jogo de quadribol, porque ele geralmente não acontecia em datas comemorativas, mas estávamos sem opções naquele ano. Devido a isso, eu ignorei completamente a possibilidade de meu namorado aprontar alguma coisa, consequentemente, comecei a me despir com inocência, bem devagar, entrando na banheira somente quando ela estava completamente cheia e em uma temperatura agradável.
Após alguns minutos me ensaboando, enfiei minha cabeça completamente dentro d'água para molhar o meu cabelo; ao sair e apoiar minhas costas na beira da banheira, contudo, eu senti a respiração de alguém no meu pescoço. Assustada, virei imediatamente às costas, sem no entanto, ver ninguém. A única pessoa que sabia que eu estava ali era o Alvo... ou quem sabe algum dos fantasmas de Hogwarts resolvera fazer uma brincadeira.
_ Quem está aí? – indaguei com a voz trêmula, voltando calmamente para perto da borda. Alcançara minha varinha e conseguira desfazer o feitiço de ilusão, deixando-a novamente sobre a borda e voltando a minha higiene pessoal.
Mais uma vez senti aquela respiração no meu pescoço, mas dessa vez ela não se limitou apenas aquele local e alguém – que a essa altura eu já havia desvendado quem era – começava a traçar uma linha de beijos do meu ombro até o meu ouvido. Sussurrando apenas que não poderia esperar por um minuto, Alvo continuou aquela provocação, até que insisti para que ele aparecesse. Quando o fez, percebi que já estava apenas com as roupas de baixo, mirando-me com perversidade, ajoelhado perto da borda.
Entendendo as suas intenções, enlacei seu pescoço e o puxei para dentro da banheira. Eu ri do susto que ele levou quando alcançamos o fundo e em seguida emergimos, um misto entre a satisfação e a vergonha. Então, ele pareceu ter finalmente notado que eu estava nua em seus braços e já no meio da banheira começou a mordiscar a pele à mostra, enquanto eu analisava a dele, na época, ainda inocentemente. Quando a língua dele alcançou um dos meus mamilos eu me encurvei para perto dele, reprimindo o som que iminentemente queria sair da minha boca.
_ A sala está isolada pelo abaffiato, fique a vontade. – disse ele ao perceber. E eu ri, apoiando minha cabeça no ombro dele.
_ Você planejou tudo sem eu saber? – perguntei me afastando para nadar de volta a borda.
_ Feliz dia dos namorados, querida. – gracejou ele indo ao meu encontro.
_ Eu... tinha... me esquecido... – murmurei entre gemidos baixos enquanto ele dava uma atenção especial as minhas pernas submersas.
Talvez fosse o fato de estarmos ambos molhados ou porque ninguém poderia nos ouvir, não importando o quanto gritássemos, mas aquele fora com certeza um dos momentos mais eróticos da minha juventude. Não, o mais erótico. E de repente, eu o senti, bem próximo da minha virilha, e surpresa, interrompi o beijo que estava recebendo para fitá-lo nos olhos. Iríamos até o fim? Mesmo com toda a noção de dever de quase nove anos? De fato, eu não me lembrava de tia Sarah comentar se minha mãe havia mantido até o fim... mas, mamãe e papai tiveram a sorte de se apaixonarem antes do noivado, ele não veria problema se ela não fosse mais virgem.
E quanto ao misterioso noivo que tia Sarah havia escolhido para mim? Ele se importaria? Bem, independente daquelas questões que se formavam na minha cabeça, eu tornei a beijá-lo.
_ Vai doer? – perguntei quase num sopro, sentindo-o afastar minhas pernas. Murmurando palavras que eu não compreendi, ele continuou o trabalho que sua língua estava fazendo dentro da minha boca. Ele foi me invadindo aos poucos e a cada centímetro que avançava, eu suspirava, sem perder seus olhos por um minuto. Estes, outrora brilhantes, estavam escuros pelo desejo. Minhas unhas perfuravam seus ombros, mas ele não parecia se importar e mantinha seu ritmo, esperando que eu me acostumasse a cada espaço preenchido até me ter completamente.
A água quente parou de vazar da torneira quando ele atingiu seu objetivo, passando para a próxima etapa e começando a se mexer dentro de mim. Eu cruzei minhas pernas envolta da bacia dele quando me pressionou pela primeira vez e surpresa pela onda de prazer que me sacudiu, deixei um gemido muito alto escapar, o que pareceu deixá-lo bastante satisfeito. Alvo não estava com pressa, o que foi me destruindo por dentro, e manteve o ritmo vagaroso enquanto apertava minha cintura e percorria a linha da minha barriga com beijos demorados.
_ Está destruindo o botão de rosa da família Preminger, não sabe? – inquiri sem conter um gritinho ao terminar de proferir o discurso. Rindo, ele voltou a atenção mais uma vez para a minha boca.
_ Pensei que estivesse apenas ajudando-o a desabrochar. – brincou ele me beijando com voracidade.
Por fim, ele me erguera da banheira e se apressara em me deitar contra o chão. Eu não sentia a frieza das pedras, dado o calor em que estávamos. Já do lado de fora, aumentamos o ritmo das contrações, enquanto as minhas mãos, sem a timidez de antes, começavam a alisar a carne das costas dele. Fora realmente uma sorte estarmos isolados, pois a partir dali já não controlávamos mais nossos gritos. Senti-o explodir dentro de mim e não demorou para que o mesmo acontecesse comigo.
Findada aquela cena, permanecemos olhando nos olhos um do outro por um longo tempo, incapazes de nos mexermos. Não conseguia acreditar no que acontecera e mais ainda que pudesse ser tão... libertador? E ainda que estivesse cansada, sentia-me verdadeiramente pronta para outra vez, contudo, ela não tornara a acontecer naquela noite. Apressamo-nos em nos vestir outra vez e a ficar invisíveis, chegando ao dormitório da Grifinória em silêncio, todos já haviam ido dormir. Elifas daria boas risadas pela manhã.
_ É... boa noite, Mélia. – eu não pude conter uma risada frente ao nervosismo dele.
_ Boa noite, meu galante leão. – disse beijando-o uma última vez antes de subir para o quarto. Com sorte, as meninas já estariam dormindo e eu teria mais tempo para pensar que Alvo Dumbledore havia sido o primeiro homem da minha vida.
