7VERSE : SETE VIDAS
SETE VIDAS VIDA 3: DO LADO DE FORA DO ARMÁRIO DO CAÇADOR
vida 3 CAPÍTULO 2
IRMÃO DEMÔNIO
.
LA GRANDE, BLUE MOUNTAINS MOTEL
.
Sam espera pacientemente Dean completar o ritual de exorcismo. Sem qualquer resultado. Sam sorri, ainda com olhos totalmente negros.
– Você realmente não está bem, Dean. Está cansado de saber que exorcismo não resolve. Eu não estou possuído por um demônio. Eu tenho sangue de demônio correndo nas veias. Eu tenho natureza demoníaca. A única maneira de me enviar para o Inferno é me MATANDO. Como vê, é muito fácil.
– Se o meu eu desta realidade maluca não fez isso, é porque existe uma maneira de eliminar o sangue de demônio e fazer você voltar ao normal.
– Não existe outra maneira. E eu GOSTO do que sou. Eu NÃO QUERO mudar. Esse amuleto não vai protegê-lo para sempre.
– Amuleto?
Dean fecha a mão em torno do amuleto preso a uma corrente de prata em seu pescoço. Não é o que costumava usar, o que ganhara de presente de Natal de Sam. Do Sam que era seu irmão, não desse.
– Amuletos, tatuagens, nada disso vai protegê-lo de mim. Não vai conseguir se equilibrar para sempre em cima do muro.
Sam sorri e tira a camiseta, ficando só de cueca. Dean percebe que Sam não tem a tatuagem que os protege de possessão.
– O que está querendo dizer com em cima do muro?
– Está querendo saber se estou falando da sua sexualidade? NÃO, Dean. Ou, talvez esteja. Sabe muito bem que eu conheço você melhor que você mesmo se conhece. Eu conheço TODOS os seus segredinhos SUJOS. Até aqueles que você PENSA que esconde tão bem de todo mundo. Você não precisa FINGIR quando estamos só nós dois. Somos só eu e você neste quarto de motel, Dean. Esquece isso de INCESTO, de PECADO, de ERRADO. Esquece. Ninguém vai ficar sabendo.
Sam faz uma cara sacana e novamente se aproxima perigosamente de Dean, que recua até cair de costas na cama. Sam apóia um joelho na borda da cama, entre as pernas de Dean, e continua a avançar sobre ele. Dean sente a mente esvaziar, os pensamentos fugirem. Sam sustenta o corpo sobre o corpo de Dean, com os braços esticados, sem encostar nele. Os rostos estão muito próximos, mas não se tocam. Dean começa a suar frio, sua respiração fica irregular, seu coração bate acelerado. Mas, ao invés de empurrar Sam para longe, Dean apenas fecha os olhos e espera. Espera. Espera. E .. NADA.
Ao abrir os olhos novamente, vê que Sam permanece na mesma posição, acima dele, mas estampa um sorriso que logo se transforma numa gargalhada. Sam não tem mais os olhos escurecidos. Parece só um garoto feliz. Uma felicidade que ele não lembra ter visto nunca na face do irmão.
Mas, a expressão do rosto de Sam logo muda para ressentimento e raiva.
– Quero ver VOCÊ tomar a iniciativa. Quero ver você IMPLORANDO. RASTEJANDO. Vou desmascarar esse seu discurso hipócrita de incesto. Só para dizer NÃO na sua cara. Você não vai me ter NEM HOJE, NEM NUNCA.
Sam se afasta e começa a se vestir, preparando-se para sair.
Dean senta-se na cama completamente aturdido. O Trickster criara aquela realidade distorcida, mas ainda sabia quem era e como as coisas deveriam ser. Ainda era o velho Dean. Porque então deixara essa versão distorcida de seu irmão se aproximar tanto, com intenções tão claramente sexuais? Porque não o afastara com um murro, mesmo sendo o Sam? Principalmente por ser o Sam. 'Não, esse não sou eu.' Sentia que também fora afetado. 'Maldito Trickster. Se eu ainda estivesse com o Colt ... '
– Eles não vão desistir até que eu esteja morto.
– Eles? Eles, quem?
– Os caçadores. Gordon Walker.
– Gordon Walker está vivo?
– Robert Singer.
– O Bobby? Estamos fugindo do Bobby?
– Bobby? Ele te esfolaria vivo se escutasse você chamando-o de .. BOBBY.
– Bobby não seria capaz de nos machucar.
– A batida na cabeça foi forte mesmo. Não seria capaz .. VELHO MALDITO. Tudo que quero é vê-lo MORRER. Vê-lo agonizar lenta e dolorosamente. Vou devolver em dobro tudo que ele me fez passar.
Dean fica chocado com o desprezo e o ódio com que Sam pronunciou a frase.
– E, claro, John Winchester, seu pai.
– Nosso .. Meu pai está vivo?
– Não por muito tempo. Eu vou ter o PRAZER de matá-lo. Não se iluda achando que vou poupá-lo. Muito menos achando que pode me impedir. Vou matá-los a todos. Um por um. Eles não perdem por esperar.
Sam, já completamente vestido, sai do quarto, batendo a porta.
Dean permanece sentando, olhando para a porta fechada, tentando absorver o que acabara de escutar.
Então, nesta realidade, John Winchester estava vivo? Precisava falar com ele. Sentia muita falta do pai. O pai sempre fora sua referência na vida. Precisava mais do nunca da experiência e da sabedoria do pai. Precisava do seu amor.
E .. sua mãe? Sam não esclareceu o que aconteceu com Mary depois da adoção. Assistente social. É bem possível que esteja viva. Em Lawrence, talvez. Seu pai poderá esclarecer.
O que teria feito seu pai se voltar contra Sam? Mesmo não sendo o pai biológico, o criara. E, agora, o perseguia? O que mais ainda não sabia desta história?
Dean levanta e vê, da janela, Sam se afastando a pé. Pegando a estrada, na direção da cidade. No estacionamento, vê o Impala. Pelo menos, isso não mudara. Todo o resto se parecia com um grande pesadelo.
.
14.10.2013
