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Prótese para uma deficiente de Alma

Noite alta de sexta-feira...

E lá estava eu, novamente, sentadinha numa cadeira astral, num salão repleto de defuntos, assistindo a aula de Leonora, projetada astralmente!

Viagem astral.

Viagens de Selene...

Que programão!

Ali, sentada num salão com defunto pra todo o lado...

Justo nas noites de sexta?!

Pois é...

Afinal, nerd que é nerd... também é nerd espiritual!

E na aula dessa sexta, Leonora, pra minha sorte, falava novamente do Ponto de Equilíbrio.

Legal! Consegui recuperar o conhecimento que eu tinha perdido por uma situação de força maior.

Sim: controlar a minha cabeça era realmente uma situação de força maior!

E Leonora, ensinando o Ponto de Equilíbrio, comentou que ele é diferente em cada um. Tão diferente que pode se tornar diferente até na mesma pessoa com o passar do tempo: mudar!

Que engraçado... sempre que ela dizia a palavra "diferente" naquela noite, minha mente voava direto pra Claude Shannon e sua pesquisa "Uma Teoria Matemática da Comunicação".

Leonora falava "diferente"... e lá me vinha "Claude Shannon – Matemática – Comunicação – Informação".

A aula prosseguia... ela mencionava de novo a palavra "diferente" e lá me vinha aquilo tudo...

Que coisa!

Mas... porque Claude Shannon me vinha tanto na cabeça, só de ouvir a palavra "diferente"?

Bom... eu soube dele num documentário que curti no youtube©.

Tá bom, tá bom... já sei o que você vai dizer: que ver isso no youtube© é bem coisa de garota nerd que tá sem namorado, né?

Ah, vê se pega mais leve comigo: eu até já tenho meu candidato a namorado, pô!

Mas admito... pra mim Claude Shannon era "o cara"!

Matemático e engenheiro mega doidão, tinha um jeitão rebelde que não se abaixava pra problemas complicados: ia direto na direção deles!

E foi numa dessas que ele descobriu a natureza fundamental da "informação" e do processo de "comunicação" em todas as suas variadas formas.

Claude trabalhava no laboratório de pesquisa da Bell Telephone© em New Jersey, uma mega empresa de comunicação já nos anos 1940!

Mas os caras grandões da Bell© tinham um problemão: todos os dias eles transmitiam uma quantidade enorme de informação eletrônica pra todo o mundo, em cabos imensos de cobre mais grossos do que eu! Eles transmitiam aquele monte de informação mas não sabiam como medir direito o quanto de informação tava passando pelos cabos, nem mesmo como quantificá-la.

Por isso os chefões tavam tão preocupados: a empresa inteira e toda a sua riqueza tava construída sobre uma coisa que ninguém entendia direito!

Tipo: tava construída sobre uma rocha firme?

Tava construída sobre um pântano que afunda devagar?

Tava construída sobre um buraco, com areia por cima, que desaba de uma vez só?

Que perigo colocar tua riqueza num lugar assim, toda no desconhecido! Ninguém dorme direito!

E Claude daria aos chefões, em 1948, exatamente o que eles precisavam pra ter uma boa noite de sono!

Ele pegou o conceito vago e misterioso da informação e conseguiu "destilá-lo".

Algo do tipo: pegou uma planta de cana ordinária, um capim que ninguém sabia pra que servia, e tirou dela uma cachaça destilada da boa!

Foi assim:

Claude enfiou o nariz nos papéis e começou a rabiscar... pensar... intuir... calcular... teorizar... recalcular... e publicou a receita do seu destilado em 1948 no artigo "Uma Teoria Matemática da Comunicação".

Nesse artigo estava a fundação de toda a moderna rede de comunicação do planeta e também um jeito novo de entender a linguagem falada e escrita!

Aquelas páginas dele mudariam o mundo como conhecíamos!

Amazing!

E ele não fez isso usando definições filosóficas complicadas, não!

Ele achou sim foi um jeito funcional de medir a quantidade de informação que tem dentro de uma mensagem!

A primeira coisa que ele descobriu é que, contrariando tudo o que a gente imaginava, a quantidade de informação de uma mensagem não tem nada a ver com o significado da mensagem. Nadinha!

Claude mostrou que a quantidade de informação só se relacionava, isso sim, com o quão incomum é a informação!

Incomum.

Imprevisível.

Diferente.

Sim: diferente!

Informação é diferença!

Claude foi o primeiro carinha do planeta Terra que conseguiu provar, matematicamente, que a informação tá ligada com imprevisibilidade e com diferença!

Ah, não me faz essa cara! Isso não é complicado! Ora: até eu entendi!

Tudo bem... eu sou uma nerd... mas quem não é nerd também pega!

É facinho de entender matematicamente a diferença, olha só:

Tipo: notícia de jornal!

Notícia de jornal só é notícia de jornal porque é inesperada. Diferente.

Nenhum jornal vai publicar isso com destaque:

"Cachorro morde carteiro".

Isso é... previsível, chato... comum, normal...

Mas todo jornal se arrebenta pra conseguir publicar isso, com foto, entrevista e tudinho:

"Carteiro morde cachorro!"

Ou seja, quanto mais inesperada e diferente for uma notícia, mais ela carrega quantidade de informação e mais importante ela é, independente da qualidade ou do sentido da mensagem.

Por isso se as notícias do jornal de domingo forem as notícias do jornal de sábado... não tem o inesperado... não tem o imprevisível... não tem a diferença... e assim a quantidade de informação no jornal de domingo é, matematicamente, zero!

Eta jornalzinho de domingo mais vagabundo!

Era isso que Claude quis dizer... mas ele não parou por aí!

Ele foi ainda mais longe!

Ele conseguiu dar pra informação a sua própria quantidade de medida! Ninguém tinha feito isso antes!

Ah, não me venha com essa de "tá, e daí?", "quantidade de medida nem é tão importante"... por favor!

Porque quando a gente tá na frente daquela balança, sabemos muito bem que o grama é uma quantidade de medida da mais alta importância! Cada grama – pra menos, lógico! – é valiosíssima!

Então Claude mostrou que qualquer mensagem que se quisesse enviar poderia ser traduzida para um tipo de número: dígitos binários. Longas sequências de 0 e 1.

Tipo: como eu posso daqui onde estou passar a informação de um "hello" pro meu Álex, se eu tô longe demais pra ele ouvir minha voz?

Vou precisar duma maquininha que traduza o meu "hello" pra 0 e 1, que leve esse código de números até ele e que lá uma outra maquininha traduza o de novo pra "hello".

Assim, o Claude mostrou que o meu "hello" podia virar facinho nisso:

"0100100001000101010011000100110001001111"

E pode contar todos os 0 e os 1 aí em cima! Tá tudo mega certinho na sequência binária! Lógico: eu quero que meu Álex receba o meu "hello" e não o meu "hell"!

E isso... graças ao Claude!

Pois Claude logo percebeu, em 1948, que a transformação de informação em dígitos binários seria algo imensamente poderoso, tornando a informação exata, precisa e controlável.

Já pensou se não fosse exata nem controlável? Que confusão daria com meu candidato a namorado se eu não pudesse controlar e mandar pra ele meu exato "hello", mandando no lugar disso um "help"... talvez ele até pensasse que fosse pra chamar a polícia ou os bombeiros!

Por isso, dentro dessa exatidão, lá em 1948, Claude também percebeu que um único daqueles 0 ou 1 do meu "hello" formava uma unidade fundamental de informação.

Unidade fundamental... como se cad fosse um átomo de informação: a menor unidade de medida da informação.

Foi então que Claude deu um nome pra essa unidade de medida.

Ele usou um diminutivo da expressão "BInary digiT".

Claude criou o Bit!

Ai, caramba!

Megabytes, gigabytes, terabytes... todos são filhos do Claude!

Família grande...

O bit é a menor medida de informação em que você pode ter aquela diferença suficiente pra comunicar qualquer coisa que for.

E vê se presta atenção no que eu acabei de dizer: qualquer coisa que for!

Pegou a ideia?

O poder do bit está na sua universalidade, na sua versatilidade, porque qualquer sistema que tenha dois estados pode conter um bit de informação.

Hei, vê se presta mesmo atenção, ok? Eu disse dois estados!

Tipo:

Estado de 1 ou estado de 0: bate-papo eletrônico..

Estado de cara ou estado de coroa: jogo de malandro na estação de metrô de Happy Harbor...

Estado de hexagrama de linha continua ou de linha vazada: jogo de I Ching da esotérica...

Estado de búzio aberto ou estado de búzio fechado: a Mãe de Santo lendo sobre as minhas chances com meu candidato a namorado...

Estado de furado ou não-furado: bolso onde está a moeda pra máquina do cafezinho...

Estado de ligado ou desligado: on ou off no celular...

Estado de pare ou siga: semáforos da Rua 25 de Março...

Estado de contrai ou aconchega...

Todos estes sistemas podem armazenar 1 bit de informação!

Tudo: som, imagem, texto... tudo pode se transformar em bit... e ser transmitido por qualquer sistema capaz de expressar apenas dois estados... isso é muito mais do que aquele meu "hello" pro Álex!

Por isso, graças ao Claude, o bit se tornou a língua comum de toda a informação!

Sim, te juro: Claude Shannon é o cara dentre os caras pra mim! O carinha supremo!

Eu tenho até uma foto dele de 1950 no porta-retratos da minha escrivaninha! Caramba, me dizem que ele é magrinho demais, mas eu acho ele tão lindo, lindo!

Claro: smart is the new sexy!

Lógico: você acha que eu ia perder meu tempo com um cara supostamente bonito, um gostosão cretino de academia que toda vez que abrisse a boca eu tivesse que gritar:

"Cala essa boca e não fala nada, só me beija! E quietooo!"

Ah, não! Tem que ter cérebro, porque chega uma hora que ficar só beijando acaba te dando é assadura, pô! É gostoso sim um amasso bem quente mas... cansa se ficar só nisso!

Mas, isso eu te juro! Promessa de dedinho juradinho:

Se eu tivesse nascido em Nova Jersey e fosse moça-feita nos anos 1940, não importa aonde o Claude estivesse: eu ia atrás dele e... te juro: até pagava pra ir pra cama com ele! Juro, juro, juro!

Ai...

[suspiro longooo detrás desse teclado...]

Pois é...

E eu tava ainda nessas... com o Claude, a Diferença e o Bit na minha cabeça...

E nada mais no Universo parecia existir ao meu redor...

Foi quando... aconteceu!

No corredor, ao lado de onde eu tava sentada, passou um rapaz conversando com alguém, mas com uma voz tão mansa que era impossível você não se sentir atraída.

Confesso: o tom da voz dele era uma gostosura de se ouvir!

Parecia até uma música suave que te aconchegava, sabe?

Só assim mesmo pra mim me esquecer do Claude...

Passei a prestar atenção ao rapaz.

Ele passava bem devagar, falando baixinho com uma mulher bem feia da plateia que o acompanhava. Parecia que ele tava dando uma orientação pra ela, sei lá.

O rapaz era negro. Tinha uma expressão muito calma e suave no rosto.

Tava vestindo um terno amarelo e uma camisa rosa... sabe aqueles ternos e camisas lá do interior da Cochinchina, lá dos anos 1900, início do século XX?

Pois era assim a roupa dele!

Ele caminhava bem devagar e falava bem baixinho com a mulher, certamente pra não atrapalhar a aula de Leonora.

A mulher parecia meio aflita. E o rapaz falava isso com ela, na boa:

- Que é isso, minha fia! Ocê já sabe, é só prestá atenção: é coisa de Arma!

"Coisa de Arma"? Como assim?

Arma?

Ah, já saquei, ele é mesmo do interior! Todinho do interior: não só as roupas não!

Tipo: "Arma"!

"Arma": variação dialetal que dá ênfase à pronúncia de consoante oral constritiva vibrante "r" de som fraco, sobressaindo-a inclusive sobre a pronúncia de consoantes orais constritivas laterais como o "l"... então... "Arma" é "Alma"!

Putz...

Às vezes eu realmente ODEIO a minha cabeça... por que ela tinha que fazer essa escabrosa análise linguística justamente agora?!

Que saco! Ela não para de falar! Cala essa boca, cabeça! Me deixa em paz!

Mas... o que será que aquele carinha ia falar sobre Alma para aquela mulher?

Se curiosidade mata... já tô mortinha!

Permaneci de cabeça baixa, fingindo estar avoada... mas na real tava com meus ouvidinhos mega atentos à cada respiração do carinha.

Ele continuou falando e eu ouvi tudinho:

"Preste atenção, fia... atente, atente!

O povo acha que tem um Pai lá em cima que tá escoiendo tudo... Não, isso não existe não, fia! Este tipo de coisa não existe.

A Consciência Cósmica não é assim não. Não, não!

Ela não fez isso não: imagine que trabaiera Ela ficá escoiendo pra todo mundo!

Ela não é burra, Ela é mais inteligente. Que que ela feiz? Ela disse isso..."

Ele fez uma pausa... e eu quase pirei! Vamos, continue, please, please!

Ah, maravilha! Ele continuou mesmo!

"Disse isso: ocê tem arbítrio pra ocê escoiê. Cê vai escoiê.

Eu não escoio nada não. E tem que sê porque tem muita coisa que Eu criei, tudo é muito diversificado.

Então ocê tem que tê uma consciência com arbítrio pra dizê: 'Não! Vô escoiê o que tem a vê comigo, com meu Eu Único!'

E a Consciência Cósmica ainda deu um apareio pra ajudá a gente, que é a Alma: ela sente o que é bão.

Tudo que cabe bem em nóis a gente sente confortáver, né? 'Ai, coisa boa!'

Tudo que a gente qué pegá pra gente que não serve pra nossa individualidade, dói, fica mal, sente ruim, é que nem roupa que num serve, aperta, dói.

Então a dor é pra dizê: 'Nãaaaooo serve! Não é por aí'.

E os prazeres, a ideia de aconchego, a ideia de senti bem: 'é esse o tamanho!'

A Vida fez isso: tudo que é ruim, não é pra nóis. Tudo que é bão é porque serve em nóis.

E é bom pra nóis... porque pro outro é diferente, né?

Por isso ocê gosta de comê nabo e o outro tem nojo de nabo. Por quê?

Porque é diferente, ué! A química é diferente, o metabolismo é diferente, o funcionamento é diferente, tudo é diferente..."

Sei lá porque, mas quando eu ouvi esse papo de nabo... me deu um enjoo no estômago... argh!

Eu odeio nabo!

Senti até aquele gosto mega horrível na minha língua... blarg!

E sei lá porque, enquanto sentia esse gosto escabroso na minha língua, me veio na cabeça uma notícia de web que eu tinha lido faz um tempinho...

Língua eletrônica!

Tipo... pesquisadores da Indústria de Alimentos conseguiram construir um aparelho com uma série de sensores eletrônicos capazes de decodificar e medir sabores.

Pode?!

Uma coisa que eu achava tão impossível de se imitar eletronicamente, como o sabor... uma sensação, um sentido tão mais complexo que a visão... e os caras já tinham conseguido digitalizar isso e transformar em dados!

Que coisa...

Sentido do paladar... sensação do paladar... sensação... sensório... senso...

Sei lá... agora minha cabeça tava pulando entre línguas e sensações de línguas... e você pode crer: uma língua bem treinada é capaz de cada sensação...

Foi nesse instante que aconteceu!

Aconteceu aquele momento!

O momento em que minha mente congelou!

Congelou!

Tudo parou dentro da minha cabeça!

Apenas senti uma coisa mega estranha em mim... isso é difícil de descrever... essa coisa...

Mega difícil de descrever... uma coisa que girava em torno não das palavras, mas dos sentidos destas palavras...

Não, não eram pensamentos... era uma coisa muito diferente de pensamento, uma coisa que apenas me tocava com um sentido sobre estas palavras:

"Diferença"

" dói"

" contrai"

"aconchega"

" expande"...

De repente essa mesma coisa em mim me tocou com os sentidos destas outras palavras:

"Teoria Matemática da Comunicação"

"BInary digiT" – Bit

"aparelho"

" contrai"

" expande "

"abre – fecha"...

E senti também duas frases de Claude Shannon... pareciam que as palavras dele dançavam dentro de mim, num bailar com uma sensação de sentido nos seus passos que iam num crescente:

"O bit é a menor medida de informação em que você tem diferença suficiente pra comunicar qualquer coisa que for."

"Tudo pode se transformar em bit... e ser transmitido por qualquer sistema capaz de expressar apenas dois estados."

"bit"

"diferença suficiente"

"comunicar"

"apareio"

"qualquer coisa que for"

"apenas dois estados"

"estado de contrai ou aconchega"

"apareio"

"bit"

Ai!

Não pode ser!

Mas é!

É!

Ai, caramba!

A Alma é...

É isso, é isso:

A Alma é um aparelho que funciona segundo um conceito matemático: um código binário!

A Alma é um sistema que se comunica através de um código de dois estados: binário!

A Alma é um sistema informatizado que opera com 1 bit!

Cyber-Alma!

A Alma é um sistema que, com apenas 1 bit, pode transmitir qualquer informação vinda do seu Espírito, comunicada pelo seu Espírito em você!

Não apenas imagens do seu Espírito, sons do seu Espírito, textos do seu Espírito: também qualquer sensação do seu Espírito!

Sensações!

Porque se até uma língua eletrônica da Indústria de Alimentos, em sistema binário, podia decodificar a sensação do paladar...

Sensação... sensações! Senso!

Conjunto de sensos!

Alma!

Então a Alma é um sistema que opera com uma eficiência incrível: com apenas 1 bit de Quantidade de Informação ela consegue transmitir aquele Universo imenso de informação que o Espírito deseja comunicar!

Ai, caramba!

Então a Alma... é um sistema que pode ser descrito por uma Teoria Matemática da Comunicação! Uma "Teoria Espiritual Matemática da Comunicação", muito mais abrangente que a teoria materialista original de Claude Shannon!

Ai, caramba mesmo!

A-ma-zing!

Se alguém conseguir descrever isso por meio de equações, nasce mesmo "Uma Teoria Espiritual Matemática da Comunicação"!

Mas...

Talvez, pra ela nascer... até se necessite de novas ferramentas matemáticas que ainda nem conhecemos.

Sim, talvez novas ferramentas numéricas, como aquelas que aquele inglês doidão, Andrew Wiles – adoro ele! – teve que construir e aplicar pra desvendar o último Teorema de Fermat: xn + yn = zn apenas se n2 ...

Andrew precisou unir, garimpar e construir novas matemáticas, englobando a ideia e o trabalho de muitos matemáticos, tais como: Klein, Fricke, Hecke, Dirichlet, Dedeking, Langlands e Tunnel, Deligne, Rapoport, Katz, Mazur, Igusa, Eichler, Shimura, Tanyama, Frey, Block, Kato, Selmer... arfff... arfff... arfff...

Cansei de citar tantos nomes estranhos aqui... quanta gente, arfff!

Putz...

Realmente... confesso! Confesso!

Tem horas que eu realmente ODEIO mesmo a minha cabeça!

Porém...

Andrew, depois de 7 intensos anos de trabalho, conseguiu solucionar um teorema de 300 anos onde fracassaram gênios matemáticos como Gauss, Galois e Euler!

Sim, talvez a gente nem tenha ainda as ferramentas matemáticas necessárias... talvez a gente precise criar matemáticas que ainda não existem ou... sendo mais espertos ainda... apenas juntar matemáticas que já existem e assim criar uma nova!

Mas... caramba... vale a pena procurar novos Claude Shannon, novos Andrew Wiles pra criar isso!

Como vale a pena!

Porque... você já pensou nas implicações dessa Teoria? Uma Teoria Espiritual Matemática da Comunicação?!

Shannon conseguiu mudar o mundo com seu trabalho: a eficiência no fluxo de comunicação surgiu graças a ele!

O mundo se globalizou pela comunicação graças ao trabalho dele!

Foi com a teoria dele que o planeta ficou pequeno graças aos computadores, internet, celulares e fibra ótica!

E Shannon, em 1948, nunca imaginou o real tamanho da consequência de seu trabalho, o enorme impacto de mudança que sua pesquisa teria sobre o mundo conhecido até então!

Você já pensou...?

Uma Teoria Espiritual Matemática da Comunicação poderia ampliar não apenas a eficiência de celulares, de computadores, de fibra ótica, de internet... Muito mais do que isso! Poderia ampliar a eficiência no fluxo de comunicação da Alma!

Isso poderia mudar completamente o mundo como nós o conhecemos hoje!

Isso poderia até... acabar rapidamente com toda essa múltipla crise planetária (crise social, crise ambiental, crise econômica, crise política) pela qual estamos passando... essa múltipla crise que, na real, não passa de uma Crise Unificada de Falta de Fluxo de Alma!

Uma Crise Unificada de Dificuldade de Comunicação do Espírito!

Pois... e se essa teoria permitisse a construção de máquinas, aparelhos ou algo que nos ajudasse a ampliar e tornar mais eficiente esse fluxo interior de comunicação em nós mesmos?

Tipo... e se, ao invés de usarmos esses ridículos sinais de fumaça que temos usado até hoje nas mensagens de nossa Alma com a gente mesmo... usássemos uma internet melhor do que a de Wall Street?!

Esse sim seria um mega negócio!

Pois foi nesse momento que lembrei de Hélène...

Lembrei de um papo que tive com ela na cozinha!

Hélène me disse que conheceu um carinha em suas viagens astrais, um tal de Ignácio de Loyola...

Sei lá quem é, mas Hélène me disse que foi um santo espanhol...

Continuei não tendo a menor ideia de quem ele era... porque desse negócio de santo e de Igreja eu não entendo é nada... Graças a Deus! Amém!

Mas Hélène me contou que Ignácio mora, no astral, numa espécie de Catedral de Cristal e que viu, certa vez, ele conversando com uns carinhas astrais esquisitos.

Hélène disse que viu Ignácio perguntando pra aqueles carinhas esquisitões – seriam eles os nerds astrais? – o que eram umas maquininhas diferentes que eles traziam.

Hélène me disse também que Loyola estava naquela noite, junto com esses nerds, ajudando uns encarnados a se comunicarem melhor com suas próprias Almas... ela me contou que, junto com aqueles nerds, também haviam outros carinhas que pareciam orientais, trabalhando com os encarnados utilizando-se de agulhas de acupuntura...

Agulhas de acupuntura...

Esse papo de "agulha" já tinha me surgido antes...

Sim!

Foi quando eu tava lá no meu quarto, tentando me comunicar com minha Alma, fixando-me na região do meu peito onde tava o timo!

Foi naquela ocasião em que eu sentia tudo tão fraquinho no meu peito como se fosse uma transmissão com "queda de sinal"...

Queda de sinal?

Hei!

Hei, hei!

Mas "hei" mesmo!

Queda de sinal... agulhas de acupuntura... timo... maquininhas... Alma...

E se... e se... e se...

E se fosse possível realmente construir um aparelho eletrônico que, ligado ao complexo Alma-timo, através de pontos de acupuntura, ampliasse o sinal de transmissão do "sim" e do "não" da Alma sentido no peito?

Uma máquina que ampliasse o sinal, deixando o sinal claro, ao invés de ser apenas aquela pressão que não dava pra discernir direito se era uma pressão "pra dentro" ou "pra fora", se era um "sim" ou ser era um "não"!

E se lá no meu quarto eu pudesse utilizar esse aparelho eletrônico, conseguindo acessar de forma mais clara, através da ampliação do sinal de transmissão, os "sim" e os "não" que a minha Alma, a minha verdadeira guia, gostaria que eu aprendesse para melhor expressá-La?

E se fosse possível construir essa maquininha eletrônica que me ajudasse a lidar com a minha deficiência?

Sim, porque eu sou uma deficiente tátil de Alma: mal posso senti-La no meu peito!

Isso mesmo! Eu sou uma deficiente sim!

Vou esconder isso de você e ter vergonha do que sou?

Porquê?

Pra fazer o tipinho hipócrita de iluminada, de santa cordeirinha, de uma fadinha da Luz, se eu não sou nada disso?!

Mentira tem hora, pô! E mentir isso é mentir pra si mesma: essa é a única mentira que jamais pode ser contada!

Não, eu não sou uma cordeirinha santinha, não mesmo! Sou uma diaba de uma corvo num milharal ou de uma coruja piando na floresta sob o manto da Lua!

Sou uma deficiente de Alma sim, e daí?

Melhor ser isso do que ser uma hipócrita que finge ser a iluminada que não é!

Peguei pesado?

Sim! Peguei mesmo!

Porque mentir pra si mesma... isso seria a coisa mais estúpida a se fazer! Porque se eu fizer isso jamais poderei resolver a situação da minha deficiência!

E eu preciso! Sinto que preciso!

Preciso conseguir sentir que ainda existe algo vivo e pulsante dentro do meu peito!

Não aceito mais que em meu peito só seja possível existir uma máquina que bombeia sangue, uma máquina oca com quatro buracos chamada "máquina cardíaca"... e mais nada além disso!

Eu preciso sentir que em mim há mais do que isso... preciso... nem que isso só seja possível com a ajuda de uma... prótese... de uma máquina.

Uma máquina que me ajudasse a deixar de ser uma máquina...

Que ironia!

Uma máquina que me ajudasse a ser novamente "gente"...

Uma prótese para deficientes de Alma...

Seria possível? Talvez!

Necessário? Sem dúvida!

Afinal, não digo que mataria por uma... mas garanto que se eu estivesse numa loja que as vendesse, em plena Black Friday, e na fila de compras eu fosse informada de que restava apenas uma para se comprar... ah, te garanto que eu saía no tapa, empurrão e puxão de cabelo e todo o resto pra conseguir a minha! Palavra de Selene Stern!

Uma maquininha...

Uma prótese... seria possível?!

Afinal, já não existem algumas máquinas de próteses que a Medicina e a Biomecânica usam em pessoas que perderam a funcionalidade de partes de seu corpo?

E na Ciência da Cirurgia Cardíaca: não existe uma maquininha chamada "stent" ou "extend" que estendendo e dilatando o vaso sanguíneo deficiente permite um maior fluxo de sangue e impede o infarto?

Maior fluxo...

Seria possível... uma maquininha-prótese que, ao mesmo tempo, ajudasse a regenerar a própria parte do corpo que foi perdida através do aumento de fluxo de contato com essa própria parte: a Alma?

Seria possível... uma maquininha "extend" que estendesse a sensação de captação do sinal, emitido pela minha Alma, nas suas contrações e nas suas dilatações no meu peito?

Afinal... tudo isso que eu falei...

Tudo isso que falei parece estranho pra você?

Soou estranho pra você?

Tão estranho que seria algo do tipo...

"Isso é tão estranho

Que sequer foi pensado

E é assim que se sai da manada

Pois a Verdade não está nela!"

Ah, pois é...

E você acreditaria que tudo isso que eu lhe contei agora se passou na minha mente em um intervalo de alguns minutos, talvez segundos?

Sim... tem horas que eu realmente ODEIO a minha mente!

Ela não para nunca! Isso às vezes me exaure, pô!

Ah, minha mente... sim, ela não para quieta! Parece pulga na calcinha!

Que inferno!

Ela não para nunca!

E como isso cansa...

Mas, ainda assim, eu dou trela pra ela, pode?!

Como é que eu ainda dou atenção pra minha cabeça?

Como é que eu ainda deixo ela me carregar, heim?!

Por isso é que minha mente me carregou novamente àquela cena de Ignácio curioso com os nerds astrais e suas maquininhas... seriam elas maquininhas-prótese de Alma?

Amplificadores de sinal de transmissão de Alma?

Clareadores de sinal de Alma?

E será que aquelas maquininhas obedeciam à alguma teoria matemática? Algoritmos?

Certamente que sim! Nunca conheci nenhuma máquina que não operasse com Matemática, oras!

Porque a Matemática é uma mocinha esperta, toda metidinha, exatamente entre um palestino e um israelense. Um só fala árabe e só entende coisa de muçulmano... o outro só fala hebraico e só entende coisa de judeu! Os dois nunca vão se entender: falam línguas mega diferentes, pô!

Mas a mocinha Matemática?

Ah, mocinha esperta: ela consegue traduzir árabe para hebreu e hebreu para árabe! Só que quanto mais tosca for a mocinha, tosca como uma Geometria Euclidiana Plana, menos ela consegue traduzir... Mas quanto mais refinada for a mocinha, tal como os elegantes Atratores Estranhos, mais de árabe e hebraico ela conseguirá traduzir!

Pois é... esse árabe e esse judeu são como o Humano e a Máquina!

Humano e Máquina não conseguem papear entre si sem essa boa mocinha que traduza a linguagem de um para outro: senhorita Matemática!

Máquina e Humano... como ensinar uma máquina a marcar o passo certo de um coração humano no marcapasso?

Fácil! O humano fala para a matemática e a matemática fala para a máquina!

Como ensinar uma máquina a interpretar o sabor de um alimento para padronizar a produção desse mesmo sabor? Na chamada "língua eletrônica" da Indústria de Alimentos, lá está a famosa mocinha metidinha no meio, traduzindo esse papinho íntimo de língua...

E se pudéssemos ensinar uma máquina – assim como já ensinamos um marcapasso e uma língua eletrônica – a clarear o sinal de transmissão de "abre" e "fecha", de "aconchego" e de "desconforto" no peito via pontos de acupuntura para sabermos exatamente quando a nossa Alma quer uma coisa e quando ela não quer?

Putz teríamos uma espécie de mega internet com a nossa Guia, a Alma!

E se conseguíssemos criar essa mocinha encantadora, que traduzisse exatamente o que queremos dizer para a máquina sobre a Alma, para que a máquina nos ajudasse a ficarmos mega on line com nosso próprio Espírito?

Ah, eis a mocinha encantadora... Uma Teoria Espiritual Matemática da Comunicação!

Chegou a me dar uns arrepios na minha barriguinha...

Arrepios gostosos mesmo!

Porque não tem nem como você e eu imaginarmos como seria o planeta Terra daqui a alguns anos com um fluxo mais eficiente de Alma!

Porque nem o genial Shannon imaginou como seria a face dos anos 2000 quando ele pesquisou lá em 1948...

Então, nem tem como eu imaginar como será um... sei lá... 2052!?

Impossível sequer imaginar um 2052 de onde eu estou! É uma mudança muito radical que o eficiente fluxo de comunicação da nossa Alma-Espírito com a gente mesmo pode fazer!

Impossível imaginar! Vai mesmo muito Além da Imaginação©!

Eu tava... pasma!

Chocada!

Sempre achei que Alma fosse papinho das religiões... e de seus livros-marreta usados pra espancar quem é diferente, sempre com aquela velha desculpa de fazer o bem "tirando o diabo do corpo"...

A Alma não tem nada a ver com o que me berravam aqueles guris religiosos... Christian e Peter...

Quem?!

Ora, aqueles dois que lá, na minha 6° série, me surravam no pátio da escola com aquele livro de capa preta com sinal de "mais" desenhando na capa!

Peter e Christian adoravam fazer isso comigo nos recreios e na educação física em minha antiga escola, em New Bethlehen, Sul de Happy Harbor...

Maldito bullyng de escola!

Me surravam com aquele livro pra "tirar o diabo do meu corpo", achando que sabiam o que era Alma! Pode?!

Não! Aqueles babacas religiosos não sabiam porra de nada sobre a Natureza da Alma! Aqueles bullers cretinos não sabiam é porra nenhuma de nada!

A Alma não era aquilo!

Não, Alma não é papo das religiões! Aqueles dois malditos bullers da escola não sabiam era nada!

Cretinos! Estúpidos!

Que vontade enorme me deu agora de gritar isso bem na cara deles:

"Alma é papo das Ciências, seus bundões!"

Ah, pois é!

E assim...

Eu tava... em choque! Chocadíssima com tudo aquilo de "Alma", "bit" e "próteses"...

Pasma!

Não sei quanto tempo eu ficaria assim, mergulhada neste estado "Pasma"!

Selene Pasma Mode: on... forever?!

Que forever mais curtos os meus... porque foi nesse exatíssimo momento que o carinha, aquele de terno amarelo e camisa rosa, passou ao lado de mim pelo corredor.

Ele passou, ainda conversando com aquela mulher, e começaram a se distanciar!

Selene Pasma Mode: off!

Tive um impulso de levantar um pouquinho a cabeça e espiar bem camufladamente pra onde os dois tavam indo.

Foi quando aconteceu!

Aquilo!

O carinha devia ter olhos nas costas, sabe?!

Pois foi só eu levantar um pouquinho a cabeça pra dar aquela espiadinha básica... e não é que ele me encarou direto dentro dos meus olhos!?

Fitou-me firmemente nas profundezas dos meus olhos e soltou um enorme de um... sorriso sapeca e safado!

Eu fiquei mais branca do que de costume: paralisei! Não esperava por isso!

Não esperava mesmo!

Ele?

Apenas continuou caminhando pelo corredor com a mulher, dando-lhe orientações... até sumirem do meu campo de visão.

Hei...

Hei!

Aonde é que eu tô?

Que lugar é esse?

Putz!

Eu tô aqui sentada ouvindo uma aula de Leonora!

Eu esqueci completamente onde eu tava!

Que susto!

Leonora já tava falando dum assunto completamente diferente... sabe-se lá quanto do que ela falou que eu perdi!

Que horror! Para de pensar tanto, Sê!

Ai, que coisa mais de nerd mesmo: "Uma Teoria Espiritual Matemática da Comunicação"... para de viajar, garota!

Você tá demais hoje! Põe logo os pés no chão, vai! Te concentra no que a moça tá ensinando, pô!

Que saco isso... nerd não tem cura mesmo...

E foi nesse "estado de cousas" em que acabei voltando minha atenção novamente à aula só pra descobrir que... ela já tava no fim!

Putz!

Dessa vez eu me superei mesmo...

Que vergonha!

Melhor mesmo é encerrar meu post agorinha mesmo...

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