Arcano 14 – A Temperança

(a)

Obedeci, imediatamente,

a ordem do Velho!

Saquei Espada 301 Sóis

mas nada dela brilhar!

O vento uivava gelado,

como um lobo devorando meu fogo!

As ondas de fria umidade

subiam do Rio d'Água Congelada

rondando minhas chamas

como tubarões sangrando minhas flamas:

sentia Medo!

(b)

De repente, meu Coração sensível

sentiu algo como um sussurro melodioso

numa pintura de beleza inacessível:

o ícone e o mantra de minha bela Oãça,

meu símbolo e estandarte glorioso!

Foi neste instante que meu Coração

tão intensamente sentiu a culminação

do Profundo Motivo que me conduziu

até à beira daquele Abismo:

momento único que em mim reluziu!

Profundo Motivo que palavra alguma pode abarcar

pois palavra mora no Reino do Oponente

e Motivo só é Profundo quando mora no Reino dos 301:

a Não-forma que à palavra jamais pode ser reduzida

pois é glorificada apenas quando Sentida!

(c)

E foi com o rosto de minha bela Oãça-Vitom em meus olhos,

com a voz de minha bela Oãça-Vitom em meus ouvidos,

que recitei de memória toda a Quinta Lição,

com toda a capacidade de minha Inteligência

e com toda a sinceridade de meu Coração!

(d)

E a Espada 301 Sóis brilhou!

Brilhou como se os 301 estivessem todos ao mesmo tempo

reunidos ao meio-dia do mais quente Verão em movimento!

Dei um poderoso grito de guerra e saltei sobre o gelo

cravando a Espada 301 Sóis sobre a fria brancura!

Gelo e Água se vaporizam de uma só vez

e eu já estava no fundo do Rio d'Água

envolto em uma imensa espiral

de ardente Fogo de 301 Cores!

(e)

Estava cercado de Água Fria por toda a parte

e não me importava com mais nada de minha sorte

pois dentro do Fogo de 301 Cores que crescia

tudo era tão quente como no Vulcão donde nasci!

Naquela espiral de Fogo ardente

eu estava mais confortável

que um bebê contente

dentro do útero que lhe acaricia!