Arcano 21- O Mundo
(a)
Eu sou Ió-reh!
Aquele que venceu as 6 tentações,
feitas pelos 6 terríveis Monstros!
"Grrr, Roarrr, Auuu!":
os rugidos e sons tenebrosos
das Bestas-feras que derrotei!
"Pá! Zás! Cabum!":
o sons de minha Espada 301 Sóis
lhes dando uma tunda de laço!
(b)
Eu sou Ió-reh,
a sétima parte do Todo, a Mais Preciosa,
sem a qual as outras 6 partes enlouquecem:
o que era Belo vira Monstro!
(c)
Eu sou Ió-reh, filho do Fogo,
filho da Chama Eterna das 301 Cores que crepita!
O brilho do Sol, Fogo Ardente,
crepita em mim,
se reflete em mim,
tornando-se Luz
porque Eu Sou Ió-reh:
Eu Sou a Luz da Consciência!
(d)
E assim, todo vitorioso,
após a Saga de minha descida
ao Abismo do Rio d'Água Congelada,
eu regressei, eu voltei:
e adornado com a Coroa de Louros!
E, assim, todo vitorioso,
após a Glória de meu retorno,
com a benção da Senhora,
tomei Oãça por Esposa!
E assim, todo vitorioso,
escolhi os meus discípulos
que me ajudariam a estabelecer
uma Nova Consciência
a partir do que eu, Ió-reh,
descobri das Profundezas das Águas!
(e)
Esta Nova Consciência
por si mesma era um Tesouro,
e todo Tesouro necessita,
para ser bem administrado,
de uma Sala do Tesouro.
(f)
Foi assim que construí, então,
esta entesourada Sala:
fui próximo ao Vulcão onde não nasci,
mas, na Realidade, local onde apareci,
bem às margens do Rio de Fogo,
no local exato onde, pela primeira vez,
encontrei o Velho por fora
e o Velho me encontrou por dentro!
Naquele exato local, tomei o saco,
que continha Pó Mágico Ousadia,
e com punhado de Ousadia nas mãos
soprei-a sobre aquele local
e assim, em momentos,
cada momento em seu tempo,
brotou, cresceu e floresceu
meu Empreendimento!
E assim, este Empreendimento
tornou-se a sede onde se mora
eu, Ióreh, minha esposa Oãça,
meus 6 Instrumentos,
e onde Nova Consciência se desenrola!
(g)
Eis, então, Nova Consciência,
o Tesouro que eu, Ióreh,
trouxe das Águas Frias Abissais:
perder a falsa autoproteção,
falsa porque nos enfraquece,
pois aquilo que nos separa da Teia da Vida,
o Centro de Gravidade em Nós,
sempre rouba nossa Força...
(h)
Perder o falso si mesmo
para encontrar a Si Mesmo...
Entregar-se ao Outro
para libertar-se "dozotro", o falso outro,
encontrando assim o Verdadeiro Outro
que é Si Mesmo refletido,
o Centro de Gravidade de Si mesmo:
a própria Teia da Vida que sou e me envolve!
(i)
Isto é a grande transformação da Consciência:
até um momento esta pensava
apenas daquele jeito vazio de sempre,
mas depois passa a sentir de outro jeito,
um jeito cheio, repleto de Tesouros!
(j)
A consciência velha
se transforma em Nova Consciência
menos pelas provas, testes e revelações iluminadoras,
as irmãs mais novas da Família do Despertar,
e mais pelas irmãs mais velhas desta Sagrada Família:
as Lições, as Experiências e os Insights Eu-Comigo!
(k)
Foi algo assim que tentei passar
para um de meus discípulos
quando ele, curioso, me perguntou:
- Ó, Professor Ió-reh,
quando você entrou no Rio d'Água Congelada
e nas entranhas do Abismo de Trevas,
estava disposto a passar por muitas dificuldades,
estava inclusive disposto a morrer,
enfrentando os 6 Monstros Terríveis,
não movido pelos prêmios dos Chefes da Aldeia
mas movido apenas para salvar Oãça... por quê?
(l)
E eu lhe respondi assim:
- Eu estava disposto, sim,
a perder esta minha atual forma
bem antes do que até então planejava.
(m)
Oãça, todavia, me fazia sentir
que ela e eu não estávamos separados.
Eu sentia, intuitivamente,
que havia uma Não-forma que,
como um fio me unindo a ela,
fazia-a uma extensão de mim.
(n)
Mas qual não foi a minha surpresa
quando ao sair do Abismo de Trevas
eu ouvi aquela Canção:
a música dizia que tudo o que Existia,
cada pessoa, animal, planta, rocha,
estava unido a mim por muitos fios e eu unido a eles
porque encontrei o meu Centro
quando descobri que tudo estava Certo!
(o)
Foi este o momento quando, pela primeira vez,
eu me senti morando nos fios daquela Teia da Vida
e senti os fios daquela Teia da Vida morando em mim:
o Supremo Cântico de Simplesmente Existir!
A partir daquele momento
tudo ficou tão mais claro e mais fácil...
(p)
Foi assim que, juro que tentei,
me explicar ao meu discípulo.
Mas não sei se consegui...
pois a Teia da Vida dificilmente se submete
ao Reino das Palavras...
(q)
Parece, por vezes,
que é como estar no Rio d'Água Congelada:
quanto mais palavras,
menos Atenção, menos Sentir,
e mas fácil é se afogar...
