"Foste muito querido em ter dado o urso à menina." Kensi estava com um sorriso de orelha a orelha e o seu coração estava cheio de orgulho e feliz por se ter deixado encantar por um homem assim…generoso e atencioso.
"Ela precisa mais dele do que nós os dois, afinal de contas já somos adultos." – disse Deeks observando a felicidade contagiante da menina depois de receber o urso.
Deeks não teve a infância perfeita o que o obrigou a crescer rápido demais. Mas se havia coisa que o intrigava era a felicidade das crianças com um simples brinquedo. Um brinquedo com olhos, boca e orelhas como nós, mas que não vê, não fala e não ouve. Ou será que sim? Ele deixou-se vaguear no seu pensamento nem que fosse por poucos segundos. Será que aquele brinquedo pode fazer mais do que nós imaginamos? Bem, a verdade é que pode. Pode levar as crianças, e adultos também, a deixarem-se levar pela imaginação, coisa difícil no mundo em que vivemos porque temos tendência de pensar que não há mais nada para além do que já existe. Mas há. Tem que haver! Senão chegaria a altura em que tudo o que fazemos seria como que telecomandado, mecânico e não precisaríamos da nossa cabeça. Seriamos simples máquinas. Ainda bem que não o somos senão como poderíamos inventar um mundo cheio de princesas e finais felizes, quando tudo o que vemos é tristeza e guerra? Isso é um dos aspectos positivos do ser humano. Conseguimos passar por cima das dificuldades, passar por cima daquela nuvem escura que nos impede de ver o azul do céu, travar uma guerra…pelo menos entre o nosso coração e a nossa cabeça. Somos capazes de imaginar e expressar o que sentimos sabendo perfeitamente que temos de ser racionais.
Voltando ao urso…não fala, é uma certeza, mas conta histórias de guerreiros e princesas, de conquistadores e conquistados. Ou pelo menos, é o que a nossa imaginação deseja que aconteça. Não fala, porém só os conseguimos ouvir se prestarmos atenção. Atenção essa que requer concentração e claro o ingrediente mais precioso de todos…imaginação. Só assim o nosso coração é capaz de sentir as suas palavras e a nossa cabeça capaz de as processar construindo uma história que nos faz sonhar acordados.
São apenas brinquedos, mas tal como os animais, por exemplo, também é possível criar laços com um objeto inanimado. Inanimado não para nós, para o mundo talvez. Nós temos sentimentos, os peluches não, mas desde pequenos que são esses simples brinquedos inventados pelo homem que nos ensinam a ter sentimentos. Essa palavra tão bonita - sentimento - porém nem sempre a conseguimos perceber ou explicar. Eles ajudam-nos a perceber isso, porque se estamos contentes sorrimos como o urso mas se estamos tristes parece que também o urso muda de figura, deixa de ser o mesmo naquele espaço de tempo e quando crescemos, não nos conseguimos desfazer dele porque é difícil, criamos laços.
*Por isso é que todos os ursos são feitos comum sorriso?* Sim Deeks, são. Foi uma maneira que o Homem inventou para poder espalhar a felicidade e demonstrar que até mesmo as coisas mais simples e também as menos óbvias são as que nos enchem o coração de alegria.
"Deeks. Deeks!"
"Desculpa, estava a pensar."
"Então é por isso que já cheira a queimado." Kensi não conseguiu resistir e teve mesmo que dizer aquilo apesar de ter sido da boca para fora.
"Isso foi uma indireta? Porque se foi,…autch! acho que acertaste na ferida e o meu coração ficou despedaçado."
"Deixa-te de queixar e vamos comprar uns doces para levar." – disse Kensi
"Na, na. Primeiro vamos a outra banca. Eu ainda te quero dar um urso, apesar de tudo." Deeks sorriu
"Aww que querido!" Kensi puxou-o para um beijo e Deeks levantou-a no ar. Outra vez, eram só eles que importavam. Naquele momento Kensi sentia-se como uma bailarina quando 'conquista' o ar como se fosse uma simples pena deixada à vontade do vento. Vento esse que a olhava nos olhos e gesticulava com os lábios a palavra mais linda do Mundo: Amo-te!
…
"Adoro-te, Nell."
"E eu a ti." Estavam prestes a compartilhar um beijo quando Callen, mais uma vez, lhe atirou farinha para a cara e começou a correr à volta do balcão da cozinha. Eles pareciam duas crianças a brincar às 'caçadinhas' até que Callen escorregou na farinha que estava espalhada no chão.
"Au!" – gemeu Callen
"Estás bem?" - perguntou Nell preocupada com ele mas a sua preocupação teve como recompensa…farinha. Callen riu-se mais do que alguma vez tinha rido.
"Parvo! Eu preocupada contigo e tu a fingir." – disse Nell entre o riso porque ela não conseguia ficar indiferente à alegria contagiante dele.
"Ai Meu Deus! Ah ah ah ah! Eu aleijei-me no cotovelo, mas não era o suficiente para parar a brincadeira."
"Pois, só que para nossa sobrevivência é melhor pararmos ou um de nós ainda se aleija a sério." – alertou Nell
"Tens razão. Vamos arrumar esta confusão ou quando chegarem, eles ainda pensam que passou um furação pela cozinha." Callen riu mais uma vez e Nell não conseguiu esconder o riso.
…
Deeks já tinha conseguido um urso de peluche para Kensi. Não era tão grande como o anterior, mas a intenção é que conta.
"Agora vamos comprar os doces para podermos voltar para casa."
"Eu só espero que quando chegarmos a casa não esteja virada do avesso." – brincou Deeks
"És tão mauzinho."
"Obrigado." Ambos sorriram
"Boa tarde. Eu queria (…)doces americanos
"São 7 dólares, por favor." – disse o comerciante. Kensi cutucou Deeks que estava a leste.
"Ai é para pagar?" Brincou Deeks mas Kensi só revirou os olhos. "Quanto é?"
"Sete dólares, senhor."
"Aqui tem e continuação de bom negócio!" – desejou Deeks
…
"O bolo está no forno e eu acho que é melhor irmos tomar banho antes que eles nos vejam que nem bonecos de neve." Nell falou num tom mais alto, pois Callen começou a dirigir-se à sala enquanto ela tirava o avental.
"Já fomos tarde demais." Kensi e Deeks entraram em casa e ficaram espantados a olhar para eles os dois.
"O que é que se passou com vocês?" – perguntou Kensi surpresa quando os viu naquele estado.
"Parece que o tufão 'farinha' passou por vocês." – disse Deeks enquanto pousava os sacos.
"Acertaste! Estávamos a fazer um bolo e deu nisto." Callen respondeu sempre a lembrar-se da brincadeira e a tentar não rir.
"Nós vamos tomar um banho. Kensi faz-me um favor, quando o bolo estiver pronto tira-o do forno." – pediu Nell
"Ok, podes deixar. Vão lá."
Enquanto Callen e Nell tomavam banho, Kensi esteve a preparar o lanche juntamente com Deeks. Havia bolo, bolachas, (….)
"Eu bem digo, que me podia habituar a isto." Callen começou logo a petiscar vendo o que havia na mesa posta no jardim, e Kensi vendo-o bateu-lhe na mão.
"Ainda não estamos sentados." Kensi tentou parecer séria mas era impossível e começou a rir. Callen na brincadeira levantou os braços.
Foi um final de tarde muito bem passado. Como, é claro, estavam entre amigos. Ninguém queria sair daquele ambiente para ir fazer o jantar por isso encomendaram comida italiana. É de imaginar que um jantar com aqueles quatro não era jantar sem haver macacada. Todos começaram a contar piadas e Deeks não deixou de reparar no sorriso da sua 'dama'. Era o sorriso mais bonito que ele já tinha tido oportunidade de ver e vislumbrar. Era um sorriso sincero e por vezes malandro, mas não era o caso. O brilho nos olhos de Kensi enquanto sorria assemelhava-se ao brilho da lua à noite, capaz de iluminar tudo o que esteja à sua volta. No caso da lua é impossível vermos a sua face oculta, mas com Kensi, Deeks conseguia perceber perfeitamente que por detrás daquele sorriso se encontrava uma mulher sofrida, mas com garra suficiente para ultrapassar todos os problemas e por isso está neste momento a sorrir. Deeks acredita que de cada vez que ela sorri, uma nova estrela nasce no céu.
"Alguém está a fim de ir dar uma volta? Dançar um bocadinho?" – perguntou Callen
"Vais-nos desculpar, Callen, mas hoje vamos ficar em casa, porque eu estou morta depois do parque de diversões." Desculpou-se Kensi com um olhar cansado
"Não faz mal, eu percebo. E tu, Nell vens?"
"Não ficas chateado comigo, pois não?" – perguntou Nell esperando a resposta de Callen
"Claro que não, por amor de Deus. Se não te apetece ir tudo bem. Sendo assim eu vou-me vestir para ir beber um copo." Nell subiu com Callen
"Desculpa não ir mas não me apetece mesmo."
"Não faz mal, Nell. Tudo bem. Eu também só vou beber um copo e volto. Não vou demorar muito." Callen dei-lhe um beijo
"Ok. Vai lá então." – disse Nell dando-lhe um beijo logo de seguida
"Até logo, pessoal!"
"Tchau!" Pareciam todo um coro
"Bem, meninos eu vou dormir. Boa noite!"
"Boa noite, Nell." – disse Kensi
…
"Boa noite. Eu queria um wisky." – pediu Callen
"Aqui está."
"Obrigado." Callen deslocou-se para os sofás e sentou-se. Como estava sozinho, não demorou muito até alguém ter a sua atenção nele. A mulher aproximou-se.
"Posso?"
"Claro, está livre." Callen continuou a saborear a sua bebida.
"Está sozinho?" – perguntou a mulher. Ela era morena e alta como a Kensi, mas não lhe chegava aos calcanhares.
"Estou, pelo menos aqui." – rematou Callen
"Namorada."
"Sim."
"Devia ter desconfiado que um homem tão bem parecido já tivesse namorada. Desculpe nem me apresentei. Chamo-me Katherine."
"E eu chamo-me Gregore. Prazer em conhecê-la Katherine."
Uma música romântica soou no bar.
"Eu sei que mal nos conhecemos, mas ambos estamos sozinhos e eu acho que não há mal nenhum se dançássemos."
"Penso que não haverá qualquer problema. Pelo menos eu não tenho segundas intenções." Callen sorriu e foi para a pista de dança juntamente com Katherine. Era normal que numa dança mais romântica, o par estivesse mais perto e Callen, sendo o cavalheiro que é descansou as mãos na cintura de Katherine. Ele podia estar ciente que aquela dança era uma dança casual, mas para ela não era bem assim. Katherine ficou de olho em Callen desde que ele tinha entrado no bar. Não foi a única com certeza, pois quando um homem tão bem parecido como ele entra num bar tem sempre a atenção de algumas mulheres. Talvez até daquelas que já estão comprometidas. Apesar de comprometidas, nenhuma mulher é capaz de não apreciar tamanha perfeição. Os olhos azuis captam a atenção de todos, pois para além de parecerem dois oceanos, brilham mais do que a maior e mais quente estrela do Universo e irradiam paixão por onde quer que passem. Já para não falar na maneira de andar. Callen, ou melhor G. "O Deus Grego" Callen, para Katherine era o homem mais atraente da noite. O toque das suas mãos na cintura dela, fez o seu coração acelerar. Ela sabia que ele era comprometido, contudo pode-se sempre sonhar.
...
Nell já estava a dormir por um tempo e no início ela jurava que estava a ter um sonho com o seu príncipe da pérsia, só que pelo meio
apareceu uma cara desconhecida que estava a dançar com Callen. O sonho refletia-se no que estava a acontecer no bar. Nell não se importava mas a cara misteriosa começou a olhá-lo de uma maneira que demonstrava ter mais alguma coisa em mente do que apenas dançar. Katherine aproximou-se ainda mais de Callen, colocou os braços no pescoço dele e descansou a cabeça no seu ombro.
Ele parecia não se importar e isso era o que estava a tirar Nell do sério.
O perfume de Callen estava a deixar Katherine fora de si mas ela não fez nada, não que não quisesse. Aliás, porque um homem provocador como ele só merecia que ela o agarrasse e não o deixasse ir embora.
Nell queria fazer alguma coisa, mas o sonho, ou melhor, o pesadelo era um daqueles em que ficamos a ver o que se passa, mas quando queremos agir, parece que algo nos impede.
Callen estava a dançar com Katherine, contudo o seu pensamento estava centrado na mulher que lhe roubou o coração. Ele perguntava-se se ela já estava a dormir e se sim,se estava a pensar nele como ele pensava nela.
Não aconteceu na realidade, mas no pesadelo de Nell, o homem que ela tanto amava estava a beijar outra mulher. Nell acordou em sobressalto e reparou que Callen ainda não tinha chegado a casa. A cama estava fria porque ele não estava lá para a aquecer com o fogo do seu corpo nem para a segurar naquele momento. Tinha passado pouco tempo desde que ele saiu, porém Nell já sentia a falta dos seus braços fortes envolta dela e por isso vestiu uma das suas camisas. Era bom sentir o perfume dele.
Callen chegou a casa e dirigiu-se para o quarto onde se deparou com a mulher mais linda do mundo a dormir numa das suas camisas.
"Boa noite, linda." Callen não recebeu nenhuma resposta pois Nell estava mesmo adormecida. Ele deitou-se e esperou que ela se aconchega-se nele, mas isso não aconteceu. Ele estranhou porém deixou-a estar a dormir.
...
"Bom dia, dorminhoca." Susurrou Callen ao ouvido de Nell que ainda estava a acordar.
"Bom dia." Ele aproximou-separa lhe dar um beijo mas foi afastado.
"Nell, está tudo bem?" Callen estava preocupado porque não sabia o que tinha feito para Nell o afastar assim. Ele não tem intenções de a magoar e nunca iria fazer nada para a ver triste.
