Lou: Olá gente, vi um pessoal seguindo a história e recebi reviews, então estou postando o segundo capítulo. E respondendo o review da Giulia Lima, o Draco não começa sendo uke justamente por causa da personalidade difícil dele, mas mais pra frente ele irá se conectar mais com o Harry e os dois ficam em situação de equilíbrio. Mesmo esquema, continuem lendo, seguindo e postando reviews que eu continuo. Valeu pessoal!

Dentro do coreto, Harry caíra nos braços de Draco, atordoado pelo momento que acabaram de partilhar. Na mesma hora lágrimas começaram a cair do rosto do sonserino e uma dor inexplicável atingiu seu peito. Uma angústia desesperadora. Antes que Potter percebesse, as engoliu e respirava perto do cabelo do menino para sentir seu cheiro. Aos poucos isso fora acalmando seus ânimos e logo pôde voltar à sua velha falta de expressão facial.

Ajeitara os cabelos loiros soltando Harry do abraço. O mesmo o procurara para contato visual, mas evitou-o abaixando a cabeça, acanhado, com tons de arrependimento pelo que acabara de fazer. Havia enlouquecido? Maldito álcool... Álcool? Poderia mesmo culpar o vinho integralmente por tudo que acontecera? Teria conseguido resistir se não estivesse ébrio? No fundo ele sabia a verdadeira resposta, mas evitava-a a todo custo. Maquiar seus sentimentos era então o segredo.

Harry então, observando o comportamento do outro, se impeliu a pedir desculpas:

–Eu... Me desculpe.

Arrependeu-se no momento que disse a frase. Por que deveria pedir desculpas? Mesmo com o torpor podia sentir que fora algo verdadeiro. Não era só uma estúpida aventura de adolescente, tinha certeza disso. Pensou que Draco fosse protestar, e para sua ira obteve em resposta:

–Foi só o álcool, eu disse que grifinórios não aguentam. Bem... Eu preciso ir embora.

Ir embora? Que diabos ele estava falando? Não havia acabado de implorar para que não o abandonasse, dissera quase em prantos que não tinha mais casa? Era tudo falso? E fora ele quem o beijara, quem tomara todas as atitudes. Dera um soco na frágil madeira do coreto quando o rapaz, agora frio como a neve que caía, dera as costas e voltara para o Três Vassouras para a rede de pó de floo. Dera um olhar de nojo para Ron e Hermione em seu caminho e logo desaparecera.

Sua mão queimava com o atrito que teve no gelo. Pelo menos a dor que sentia aliviava toda a cólera que guardava dentro de si e o flagelava como espinhos venenosos. Sentou-se apoiando a cabeça nos joelhos e pôs-se a derramar lágrimas. Incontáveis lágrimas. Selvagens, sem controle, quentes como brasa. Guerreando por espaço no rosto que feriam.

Ficara ali por apenas alguns minutos que pareceram horas. Não entendia o que sentia, mas tudo o arrancava de seu próprio corpo e sua noção de realidade estava turva. Os céus sabiam que se sentia miserável. Passara da felicidade de uma hora embriagada para completa tristeza, mágoa e sei lá mais o que poderia estar experimentando.

Tentara se recuperar sem sucesso do rosto inchado pelo pranto e seguira até seus amigos. Por nenhum segundo sua mente parava de repetir a cena de Malfoy o implorando para levá-lo embora. Por um momento pensou estar com alguém que se importava, mas ora... Ele não se importava se Harry vivia ou morria, não? Deveria nunca ter-se esquecido da personalidade doentia e fria de Draco. Mas se recusava a admitir tudo aquilo por uma mentira.

–Harry... O que foi aquilo? Ron obviamente havia deduzido algo, o que o fez entender que a situação se tornara muito óbvia para ser escondida.

–Harry, você está bem? O que aconteceu lá? Hermione estava atônita com o estado do amigo.

–Não é nada, e não insistam, por favor.

–Mas Harry, você precisa –sua fala fora cortada pelo grito de Harry -Não é nada, está bem?! Me deixem em paz. Preciso... Preciso dormir.

De volta à Toca, todos se preparavam para dormir. Chegaram sem muito alarde para não acordar quem já havia voltado da festa. A cabeça de Harry parecia que iria explodir. Reprimira todos os resquícios de sentimento e eles formavam um nó muito apertado em sua garganta. Merda, como uma festa havia se tornado um evento tão desagradável? Todo o ódio que sentia por Malfoy voltara, porém manifestando-se de um jeito diferente. Ele nunca fora tão afetado por ele quanto era agora. Típico sonserino, aproveitava-se de todo momento frágil para tomar vantagem. Mas, se era isso, que vantagem ele obtivera?

Certos questionamentos acendiam a esperança de Harry e soltavam um pouco a amarração tão apertada em sua traqueia. Mas isso o fazia chorar mais. E se estivesse errado? Não queria aceitar tal possibilidade, embora ela fosse tão provável. Esfregou o rosto já machucado pelo excesso de choro com força e isso o machucou mais. Revoltava-se por chorar, por se importar com Draco, por considerar a ideia de gostar dele, de ser apaixonado por ele. Odiava-se por deixar seus sentimentos fluírem sem nenhum controle e só sentia vontade de chutar Malfoy no olho.

O que ele estaria pensando agora? Qual era o plano maligno que aquela mente escondia? O que pretendia com tudo aquilo? A falta de respostas o entristecia. Apoiou a cabeça no travesseiro e o grande estresse da noite o deixara sonolento. Concentrava-se no ritmo de sua respiração e deixava o sono tomar conta progressivamente. De olhos fechados, sentira um calor suave cutucar seu nariz.

Era um dos flocos de luz. Aqueles que havia visto antes e depois do beijo. Cutucou de leve com a ponta do dedo o pequeno floco e isso o fez sorrir. Não fazia ideia do que seria tal criatura, perguntaria a Hermione depois. Mais alguns chegaram e o envolveram e então, adormecera.

Mergulhara profundamente em um sonho. Estava no coreto novamente, beijando o rapaz que era a razão de todos os seus tormentos mais uma vez. Muitos, muitos flocos de luz brilhavam, numa luz quente, acolhedora e forte. Quanto mais se envolviam no abraço, mais os flocos se aglomeravam contra os dois. E então, mesmo com todas aquelas pequenas lâmpadas, só conseguia enxergar os olhos do menino. O menino que amava. Sim, poderia usar essa palavra. Amor. Não poderia ser outra coisa, pelo menos naquele sonho.

Draco recebera aquele olhar com alegria, enquanto passava os dedos nos cabelos negros de Harry. Dizia novamente que queria que ele o tirasse de sua casa. Dizia que nunca mais queria soltá-lo. E então os dois foram engolidos inteiramente por outro beijo e pelas pequenas luzes.

Na mansão Malfoy as coisas tinham acontecido de um jeito muito diferente.