Lou: Pra pessoinha que deixou a review, muito obrigado! Esse capítulo aqui é um dos melhores na minha opinião porque é o primeiro lemon da fanfic, então ele tem um lugarzinho especial no meu coração hahaha. E mesmo esquema de sempre, se houver alguma review ou acompanhamento eu posto mais um capítulo, até a próxima e espero que gostem! :)
Harry apresentou certa resistência ao beijo inicialmente, mas não pôde resistir por muito tempo. Sentiu-se dissolver por dentro envolvido naquele beijo. A falta que tinha dele era imensa, mesmo sem sequer passar um dia sem vê-lo. O velho sentimento de acolhimento e conforto fizera Draco transbordar e buscar a boca do outro com mais desejo. Pararam apenas depois de vários momentos. Encarando um ao outro, riram da situação em que estavam. Brigando, quando o óbvio era que se gostavam e queriam ficar juntos. Mas aquelas pequenas criaturas causavam muita insegurança. Assumir um compromisso eterno pra quem ainda é tão jovem é extremamente difícil. Harry fora o que deixara transparecer isso primeiro:
–Quanto aos flocos... Eu não sei o que fazer.
–Calma. O fato de existir um laço entre nós não nos deixa obrigação nenhuma. Continuaremos com isso se quisermos. Vamos devagar.
Harry nunca havia imaginado a situação por esse ângulo. Claro que existem laços que permanecem eternos. Ouvia sempre histórias de trouxas que amaram pra sempre alguém que conheceram na infância e então nunca mais se viram. Aquilo poderia funcionar. E caso não funcionasse, bastava voltar à rotina de antes. Evitou expressar aquele pensamento em voz alta para não ouvir ironias sobre comportamento dos trouxas.
–Você realmente quer continuar com isso? Perguntara Harry, deixando esvair um pouco de sua insegurança.
–Olha, eu sei que não sou amável, não precisa me dizer. Mas eu realmente não estou mentindo. É algo que me faz sentir bem e eu não vejo mais motivo para evitar. Minha vida e meu futuro não estão mais em risco.
–Você é desprezível. Dissera em um meio sorriso. Draco riu em resposta. Sentaram-se juntos e Harry perguntou:
–Como você e sua mãe estão? Depois de tudo que aconteceu com seu pai.
–Creio que as coisas vão funcionar melhor enquanto ele estiver em Azkaban. É muito melhor viver sem temer seu próprio pai. Mas depois que ele voltar, bem, eu não sei o que vai acontecer. Talvez a gente fique sem nada. Ele jamais irá nos perdoar.
Potter segurou firme a mão do outro. Apesar de não estar estampado no rosto de Draco, sabia como aquilo o afetava. Perder tudo que mais prezava na vida. Eram motivos desprezíveis os dele, não negava, mas que escolha tinha a não ser acatar e internalizar tudo que o diziam desde bem pouca idade? Não se tinha muito que fazer com um pai como aquele a não ser calar-se e obedecer.
–Nessas horas percebo como somos diferentes. Constatou Malfoy. –Quem um dia iria imaginar nós dois juntos? Por anos isso seria pra mim um dos meus maiores pesadelos.
–É muito pior pra mim, acredite.
–Eu sei que não sou a pessoa mais amável do mundo, mas você também não é um mar de rosas.
–Somos dois desprezíveis então.
Muitos risos seguiram a última afirmação.
–Eu deveria ir embora, já que foi pra isso que você me chamou aqui. Já resolvemos tudo. Malfoy observou atentamente a raiva se apoderar do rosto de Potter enquanto dizia isso. E então continuou:
–Mas eu não estou com vontade de ir embora.
–Se você tentasse ia receber uma azaração tão poderosa que iria se arrepender de ter nascido. Ameaçou Harry.
Draco não podia negar que estava um pouco desconfortável com aquilo. Nunca havia demonstrado sentimentos daquela forma e isso lhe causava estranhamento intenso. Não havia compreendido ainda o que sentia, ou ao menos nem tentava compreender. Levantou-se e anunciou:
–Estou com fome. Seu pedido foi tão repentino que nem tive tempo de comer algo antes de sair.
Foram então até a cozinha, que fora abastecida da última vez que Harry estivera lá. Tentara mudar de uma vez para lá, mas a solidão, o estigma e as lembranças que aquela casa o trazia tornavam impossível de permanecer lá por muito tempo. Draco observava minuciosamente todos os detalhes da casa. Comeram com ânimo e grande parte da energia que lhes faltava fora restituída. Muito silêncio ainda constituía a maior parte de suas conversas. Um muro alto bloqueava Draco e Harry achava muito difícil de conectar-se com ele a não ser quando se beijavam. Isso o frustrava, mas não deixava de tentar derrubar tamanha barreira.
–Isso é tão estranho pra você quanto é pra mim? Tentou, mais uma vez, estabelecer um diálogo, torcendo para que durasse por tempo suficiente.
–Certeza que até mais. A resposta fora fria e distante.
–O que você está sentindo?
–Eu não entendo muito bem, isso me causa um conflito estranho. Ter que mudar minhas convicções de repente porque tudo deixou de fazer sentido. O ódio se transformando em amor, ideologias tomando o caminho contrário. Eu não sei lidar muito bem com isso. É tão confuso e estranho.
Apesar de querer esconder o que sentia, Malfoy estava viciado na sensação que tinha quando estava perto de Potter. Não queria arriscar perder tudo. Portanto sabia que teria que falar o que se passava por sua cabeça, apenas evitava se abrir demais ao fazê-lo. Potter aproximou-se e disse, tentando passar segurança e ternura:
–Ei, saiba que eu estou aqui. Não precisa se preocupar, o que você me pediu será cumprido.
O loiro agitou-se na cadeira e tentou falar diversas vezes, mas o som falhou em meio à vergonha. Engoliu em seco e pôde finalmente dizer:
–Olha, esquece aquilo. Álcool misturado com medo... Eu não preciso realmente de tudo aquilo. Frustrado por não conseguir se expressar e ser obrigado a isso, finalizou. –Olha, só esquece isso. Tudo que importa é o agora. E tentou esboçar um sorriso para acalmar o rapaz.
–Sei que é difícil pra você se abrir.
Uma onda de cólera invadiu a imensa palidez de seu rosto.
–Não, você não sabe. Não faz ideia. Pare de me tratar como um coitado.
Isso fizera Harry recuar e Malfoy se amaldiçoar por dentro. Para quem estava tão viciado assim, ele arriscava demais perder a sua substância viciosa. Mas seu orgulho era algo enraizado nele e era por muitas vezes mais forte. Decidiu externalizar o remorso de um jeito diferente. Aproximou-se do rapaz, tocando de leve seu pescoço e rosto. O puxou mais pra perto e o envolveu novamente num beijo. Percorria devagar a mão por cada parte do corpo de Harry, atento a toda manifestação corporal dele. Ao senti-lo muito excitado, deslizara a boca até sua orelha e a mordiscou. Potter reprimiu um gemido e perguntou à meia voz:
–Malfoy?
Draco o calou com outro beijo. Era bom poder liberar tudo o que sentia sem ter que se expressar ou sair de sua zona de conforto emocional. Evitava pensar no que se passava em sua cabeça e o trazia todas as sensações que buscava. Era perfeito.
Antes que pudesse tomar dimensão da situação, os dois já estavam muito apertados um contra o outro e sua mão já deslizava pela calça do outro. Harry fez uma pausa brusca e disse ofegante:
–Aqui não.
Fora puxado pelas vestes até o quarto onde Harry dormia quando passava as noites lá. Sentou-se na cama e encarou-o com o olhar malicioso que só ele sabia fazer. Alucinara o outro, que viera agressivo e cheio de desejo até ele. Em poucos segundos Harry quase arrebentara os botões do fecho de sua calça. O toque da língua dele o fez subir aos céus. Céus, era bom. Era mais do que bom. Não tendo nenhum controle de seus gemidos, eles saíam cada vez mais altos enquanto todo seu corpo se contorcia. Agarrara o garoto pelos cabelos e gemia cada vez mais alto. Sentiu todo seu corpo formigar. Estava quase, quase...
O último gemido fora o mais alto de todos. Todos os seus músculos relaxaram e ele só conseguiu pender para o lado, morto. Sua respiração pesada não permitia que capturasse o tanto de ar que lhe faltava no momento. Nunca havia atingido um orgasmo tão intenso, e ele tinha uma vida sexual que se podia chamar muito bem ativa. Encontrando o olhar de sua substância viciosa, exclamou:
–Céus, Potter! Céus... Depois de vários minutos o ar ainda lhe faltava.
–Acha que consegue fazer melhor? Desafiou Harry em resposta.
É claro que ele previu que Draco fosse cegado pelo desejo e reduzido a puramente seus instintos. Todo bom sonserino adorava competição, glória e qualquer chance que tivesse para derrotar e provar sua superioridade para outrem era o que mais os motivava. Convivera perto demais deles por anos, conseguira aprender algumas coisas apesar de não conseguir decodificar bem linguagem corporal e coisas similares, no que Draco era especialmente bom. Fora empurrado na cama pelo sonserino e sentiu a boca do rapaz percorrer cada centímetro de seu corpo. Desabotoava devagar sua calça, fazendo-o implorar por dentro para que ele desse logo o que queria. Ele era bom nisso e muito bom em provocar. Quando finalmente Malfoy começou a chupá-lo, quase explodiu de excitação. Contorcia todo o corpo enquanto soltava gemidos suaves, curtos e desesperados, diferente dos de Draco, que eram altos, longos e com poder de excitá-lo até perder o controle. Seu corpo todo tremia, suava, gemia por mais, queria mais, tudo que pudesse receber dele. Logo estava perigosamente perto de seu ápice. O orgasmo percorreu cada pedaço minúsculo de seu corpo e depois mal conseguia falar, se mexer, raciocinar. Aquilo o havia tirado de sua órbita. Completamente novo no assunto sexo, tinha se masturbado algumas vezes, mas nada comparado com o que acabara de sentir. Fechara os olhos e rira. Sentira Draco se aproximar.
–Acho melhor pararmos por aqui por enquanto. Sussurrou sensualmente em seu ouvido. –E então? Consegui te superar?
Harry apenas acenou com a cabeça em resposta. Ainda não conseguia falar. Colocou as roupas de volta em seu lugar e Malfoy fizera o mesmo. A distração fora tanta que mal puderam notar os flocos de luz em volta. Eles estiveram presentes em todo o momento de sexo que acabaram de partilhar. Harry, ainda deitado, rira:
–É tão estranho com essas coisas aqui. Parece que somos vigiados o tempo todo.
–Ao menos teremos algo bom para nos lembrar quando estivermos sozinhos e eles estiverem por perto. Dissera, levantando as sobrancelhas. –Depois do bom trabalho que fizemos hoje, será difícil passar a noite sem tentar reviver isso por conta própria.
–Depois de hoje, na verdade ficará difícil achar masturbação interessante. Os dois riram. –Se fizermos, não será por algo que não seja necessidade.
–Até que esse convite se transformou em um evento agradável. Bem diferente do que eu esperava. Vamos descer, você me deu fome.
Enquanto comiam novamente, começaram a conversar sobre suas experiências sexuais. Era um assunto leve, apropriado para o momento e era algo que não deixava Malfoy extremamente irritado por contar. O assunto perfeito.
–Sou o primeiro homem com quem você faz isso? Perguntou Harry.
–Não. Quer dizer, eu não sou tão fã assim de homens. Blaise e eu nos pegamos há um tempo, mais pra matar a curiosidade. Sempre preferi garotas... Pelo menos até agora. Emendou, rindo. –Mas e você, Potter? Primeira vez que faz isso com um homem?
–Na verdade... É a primeira vez que faço isso. A primeira mesmo.
–Céus, você ainda é virgem? Por Merlin, como consegue?
–Não sou totalmente, ok? Já rolaram algumas coisas, mas não iguais a hoje.
Draco não conseguiu conter a gargalhada. Jogando os cabelos majestosamente, dissera:
–O que seria de você sem mim, não é mesmo?
–Eu não sabia o quanto podia gostar de homens até, bem... Você aparecer.
Draco tomou o olhar arrogante e glorioso de sempre, e chegou perto o suficiente de Harry para ele achar que iria beijá-lo. Mas então Malfoy foi para trás e sorrira, constatando como Potter era ingênuo quando estava tomado pelo desejo. Só não esperava que ele fosse puxá-lo furiosamente para tomar o beijo que estava esperando. Não seria nada mal estar com ele, afinal.
Essa reflexão fez Draco sentir-se estúpido. Se Potter era ingênuo por deixar-se dominar por seus instintos, ele era no mínimo imaturo por deixar o orgulho tomar conta de si. Frustrou-se por não conseguir quebrar sua própria barreira e não deixar nada dominá-lo. Era constante a luta entre suas ideias, pois se seu próprio orgulho não o dominasse, outra coisa o dominaria. Não seria livre jamais para ser o senhor de si? Existia algo como um senhor de si? Tentou afastar esses pensamentos para não deixar a boa atmosfera morrer. Estava tudo bem, droga, por que insistia em questionar tudo? Decidiu não dizer nada do que pensava a Harry. Não era bom em se comunicar e falar sobre o que sentia e não iria arriscar. O silêncio era melhor.
Algumas horas se passaram e Draco não pôde evitar sentir-se ansioso por suas reflexões. Perdeu a conta de quantas vezes falhou em tentar mantê-las fora de seu pensamento. Precisava estar sozinho. Precisava refletir de uma vez e entender o que, por Merlin, estava acontecendo com ele. Manteve-se sério o suficiente para que Harry não notasse o que estava acontecendo. Depois de despedir-se, voltou para casa.
Harry sentia-se exultante. Por outro lado, o fato de ter que lidar com o imenso bloqueio de Draco o entristecia e o desanimava. Quando afinal iria poder demonstrar o que sentia livremente e ter reciprocidade? A espera o incomodava muito e o fazia perder a fé de que aquilo poderia dar certo. Um desespero mudo o atingia quando imaginava tudo dando errado. Reprimia tais pensamentos para não entristecer-se ou enlouquecer. Gostava de como as coisas estavam, apesar da dificuldade que era aproximar-se de Draco. Pensou então nos amigos e em como seria difícil fazê-los aceitar tudo caso isso funcionasse. Não podia pensar que eles aceitariam bem logo de cara.
Ron e Hermione esperavam impacientes pelo amigo. A demora estava grande e estavam se perguntando o que havia acontecido. A ideia de ver o melhor amigo em um relacionamento com o inimigo os incomodava extremamente, principalmente Hermione. Ninguém se atrevia a dizer nada, mas o cenário da situação era extremamente desconfortável e até repulsivo. Só a mera suposição de que teriam que confraternizar com Malfoy, estarem por perto, os enojava. Não só aos dois, mas a todos os Weasleys. Ron se esforçava muito para não magoar-se profundamente e achar que Harry era um traidor, mas aquilo insistia em martelar em sua cabeça repetidas vezes. Estava cada vez mais difícil fingir que o apoiaria, porque ele sabia que não iria. Ainda mais por Hermione, que tentava pensar no melhor para o amigo, sendo sempre a mais sensata. Resolveu esperar para ver como a situação se desenrolaria para então tirar alguma conclusão.
Draco voltou o mais rápido que pôde para casa. Ignorando as perguntas da mãe sobre onde esteve, trancou-se no quarto para finalmente pensar no que tanto lhe incomodava. Ao analisar toda sua vida, percebera que nunca fora dono de si. Nem mesmo seu pai, que tanto admirava por isso, fora dono de si. Seu orgulho, sua submissão às trevas, sua crueldade. Tudo o dominava. Ao refletir, toda essa necessidade de controle sobre si só o prejudicaria a atingir o que tanto prezava, que era o sentimento que tinha por Potter. Passava de algo físico, ele sabia, porque era um dos únicos que conseguia embaralhá-lo nas palavras e fazê-lo se perder. E então, novamente, o medo o dominava. O medo de se decepcionar. Maldito medo. Estava cansado, mas não era nada fácil lidar com isso. Tinha consciência do que se passava agora, mas admitir e tentar mudar eram o que o aterrorizava. Como era difícil lidar com si mesmo, por Merlin! Relações com outras pessoas eram infinitamente mais fáceis porque não precisava encarar o que acontecia por dentro de si. Mas agora era diferente. E ele estava cansando de ser tão dominado por seu medo. De ser obrigado a ter medo, a desconfiar, a se omitir. Queria poder por um momento ser quem ele realmente era. Nada além dele mesmo.
O que o deprimia era saber que não seria tão fácil assim resolver as coisas.
