Lou: Muito obrigado aos que postaram reviews (Morgana e uma pessoinha sem nome haha) e aos que acompanharam. Vocês me dão muito ânimo pra postar e me deixam muito felizes! Nesse capítulo rola uma treta intensa e mais lemon (bônus da Hermione divando porque sim). Então, mesmo esquema: conforme eu for recebendo reviews e acompanhamentos eu vou postando. Espero que gostem e até a próxima!

Apesar dos questionamentos, Harry não pôde evitar carregar um sorriso em seu rosto quando voltou para a Toca. Se tudo daria errado, pelo menos teria o lucro de aproveitar o bom sentimento que lhe percorria o corpo. Ao chegar, olhares estranhos deram-lhe as boas vindas. Ninguém ali estava confortável com a notícia de Harry e Malfoy, torciam para que tudo não passasse de boato. Mas o sorriso de Potter confirmava tudo.

Molly o cumprimentou com um abraço caloroso e uma carga de decepção disfarçada no olhar. Subira até o quarto de Ron para se encontrar com os amigos, já temendo o que lhe aguardava. A cada degrau que subia, seu sorriso desvanecia um pouco até sumir completamente quando chegou à porta. Bateu três vezes e sentiu seu coração pular três batidas.

–Harry! Exclamou Hermione, cheia de ansiedade na voz. Ele notou que ela teve um breve impulso de correr até ele e abraça-lo, mas segurou-se a tempo.

Gesticulando de um jeito um tanto desorientado, ela pediu:

–Nos conte, o que aconteceu lá? Ron sentou-se ao lado dela, segurando sua mão. Seus olhares esperavam claramente por uma negativa, que tudo teria dado errado, que eles não estariam juntos. Um arrepio gelado percorreu a nuca de Harry.

–Tudo está... Bem. O pai dele foi preso. Pego em flagrante lançando uma maldição Cruciatus no próprio filho.

–Mas e quanto a, bem, você sabe... Vocês dois. Dissera Ron, vacilante, porém muito sério.

Fez-se um silêncio extremamente desconfortável no quarto. As expressões antes tranquilas do ruivo metamorfosearam-se em cólera pura. Ele bufara diversas vezes e rira nervosamente. Hermione apenas abaixara a cabeça e se calara. Não ousaria ir contra Ronald porque no fundo ela mesma tinha esse sentimento, mas seu grande desgosto por conflitos entre os três a fez muda.

Weasley dera um soco na parede, tornara-se para Harry em um sorriso de indignação e disse com a voz ofegante e pesada:

–Não... Você não fez isso, não é? Com o inimigo... Você é inacreditável Harry, PORRA! De repente você esqueceu tudo? Tudo que a raça dele fez, tudo que ELE fez! Com Hermione, comigo, com você!

–Olha, ele não é mais assim-Harry tivera sua fala subitamente interrompida por um grito grave de Ron:

–O caralho! Uma vez escória, sempre escória! Não dá pra acreditar que você está nos apunhalando desse jeito, simplesmente não dá! Ainda mais por... Por ele.

E então a cólera havia contaminado Harry também.

–Eu não estou apunhalando ninguém. Ele mudou, eu sei que mudou. E você é um hipócrita, com toda aquela conversa sobre me apoiar. Sua voz era fria e pausada. Aprendera com Draco que isso podia fazer muito mais efeito do que gritar na maioria das vezes.

–Hipócrita? Não sou eu que estou dando as costas aos meus ideais e pior, aos meus amigos! Mas já que você quer tanto saber, eu disse que iria apoiar porque no fundo eu confiava em você! Sabia que não iria se deixar levar assim, que iria ao menos se lembrar de tudo. Mas você já não é você. Você é um traidor.

–Vai se foder.

Hermione derramava lágrimas. Fora abraçar-se a Ron e dissera, numa voz melancólica:

–Me desculpe, Harry. E isso era o suficiente para fazê-lo concluir precipitadamente que Hermione concordava com o que acabara de ser dito.

O Eleito sentiu todas as suas estruturas desabarem. Todo o ambiente desaparecer e ser engolido por um buraco negro. No entanto, não esboçou reação alguma. Apenas acenara com a cabeça e pôs-se a arrumar as malas, sendo observado pelos dois amigos. Ou antigos amigos. Nunca imaginou que o bem mais precioso que tinha seria destruído de tal forma. Mas não se sentia capaz de escolher. Em partes porque ele sabia que isso não seria necessário, pois ele poderia ter as duas coisas, e em partes porque algo o prendia a Draco e o deixava sem forças para abandoná-lo. Em poucos minutos deixara o quarto.

–Você viu como ele saiu daqui? Sem ao menos se importar. Ele realmente nos trocou por Malfoy, Hermione.

–Não deve ser fácil, Ron, aquelas criaturas... Indicam algo muito forte entre os dois.

–Não me diga que defende o romance dos dois? Logo você?

–Você sabe bem que não é assim. Não defendo e não gosto da ideia... Malfoy é tudo que há de mais desprezível. Mas eu não sei até onde esses flocos afetam a decisão dele. Mas em partes você está certo. Ficar com ele seria ignorar tudo que já passamos.

–Não irei me submeter àquela doninha jamais. É humilhação demais, e ele nem sequer se importa... Será que um dia ele vai entender a besteira que acabou de fazer, Hermione?

Em resposta, ela apenas o abraçou e chorou em seu peito. O ruivo também não pôde conter as lágrimas. A mágoa era uma dor terrível, ainda mais quando era causada por um amigo. Por um melhor amigo.

Sem pensar muito, Harry voltara à Mansão Black. Tentaria fixar-se de uma vez lá. Um vazio imensurável o preenchia e sua cabeça ameaçava explodir. Arremessou o corpo com força pela porta e cambaleou. Surpreendeu-se ao ser amparado por Malfoy. Incapaz de pronunciar qualquer palavra, apenas irrompeu em lágrimas. Draco o apertara em seu peito e acariciava seus cabelos, tentando acalmá-lo. Era óbvio que já havia visto o que acontecera e deduziu imediatamente que o namorado viria para lá. Tentou ignorar o leve incômodo que sentia ao saber que Potter chorando o afetava mais do que muita coisa que considerava importante.

Depois de longos minutos, Draco já achava tudo isso torturante. Harry não parava de chorar e isso fazia seu peito doer muito e sua garganta apertar-se num nó daqueles impossíveis de serem desatados. Pálido de desespero, sussurrou ao ouvido dele:

–Ei, Harry. Calma, eu estou aqui. Não precisa mais chorar, eu faço o que quiser, mas pelo amor de Merlin, pare! Sua voz tinha um tom não usual de súplica. Harry então fora tomando grandes quantidades de ar e endireitou o corpo aos poucos. O loiro pegou sua mão, sentou-se no chão e ofereceu seu colo para que deitasse. Draco era lindo visto de baixo, enquanto acariciava suas bochechas para limpar as lágrimas e carregava um olhar de dor e desespero por tê-lo visto chorar. Não evitando um leve sorriso, perguntou:

–Como você sabia que eu viria pra cá?

–Aqueles flocos servem pra algo, afinal. Eu vi tudo o que aconteceu.

–Foi terrível. Eu não quero me separar de você, e não quero me separar deles. Eu não sei o que fazer. Mais lágrimas brotaram em suas pálpebras.

Houve um longo silêncio. Harry já estava cansado de silêncios. Estava pronto para ter outra crise de choro e cólera quando Draco rompeu a reticência em voz calma, baixa e pausada:

–Eu posso... Tentar convencê-los. Mostrar como eu sou agora. Draco pareceu travar uma terceira guerra bruxa dentro de si para dizer a última frase. –Pedir desculpas.

–Você tem certeza?

–Você quer que a gente fique junto, não quer?

–Mas isso pode causar só mais transtorno, eles podem não entender e tudo isso terá sido em vão...

–Ei, calma. Desacelere. E puxou-o delicadamente pelo queixo até um beijo terno. A sensação que tivera fora completamente diferente de tudo que já sentira com o rapaz. Sentiu-se um porto seguro, uma fortaleza. Sentiu-se no controle. E isso o dava mais segurança para mostrar o que sentia. Não tanto quanto gostaria, mas dava. Encontrou então a chave para a solução de seus conflitos enquanto sentia o toque doce do beijo e a entrega do outro. Sabia que era completamente devoluto e provavelmente uma das piores opções para se escolher para guardião, mas era necessário mostrar um pouco de gratidão por tudo que recebera e força diante de toda fragilidade que mostrara. A consciência do comando da relação e dos sentimentos estar em sua mão tornava tudo mais fácil de lidar.

Depois do beijo e um breve hiato, ele dissera:

–Olhe pra mim. Você está quase livre. Vamos resolver tudo.

O sentimento que havia enchido a atmosfera daquela casa não poderia ter sido melhor. Sentir-se cuidado ao invés de encarregado de tudo era um grande alívio para Harry. Finalmente não precisaria se esforçar para receber algum afeto de Draco, ele o estava entregando de boa-vontade. Estar aos cuidados dele lhe trazia o desafogo que necessitava no momento. Ao ver uma terceira mala que não era a sua, perguntou:

–É sua? Pra que a trouxe?

–Pensei que seria bom se passássemos um tempo sozinhos.

O loiro então tomara uma postura inédita. Nunca estivera tão ativo e solícito. Fizera o jantar, tentara mantê-lo distraído o máximo que podia, ouvira quando Harry precisara falar. Ainda quieto, um pouco travado, porém ali. Presente. As mudanças iam se instaurando aos poucos e ele se perguntava o que fizera isso acontecer. E então entendeu. Malfoy apreciava e era muito acostumado com o poder. Quando estava à frente da situação, sentia-se infinitamente melhor e mais livre. Seu lado afetuoso era acentuado sem a fragilidade de espírito que sentia ao ter que se abrir, falar de si, ser confrontado. Não sabia se concordava com aquilo, mas fazia parte da personalidade dele. O melhor era fazê-lo se abrir aos poucos e sempre de vontade própria. Enquanto isso garantiria que Draco poderia confiar nele.

Claro que não era tarefa fácil. Sua personalidade forte detestava ser dominada. Mas estava tão sobrecarregado por conflitos que apenas deixou ser cuidado. Era fortalecedor, admitira. Poderia gerar bons resultados ceder um pouco, pelo bem comum.

–Essa comida está melhor do que eu esperava. Comentou, tentando quebrar o próprio ambiente pesado interno.

–Eu sabia que ser tão bom nas aulas de poções me traria benefícios a mais. E permitiu-se rir um pouco. –Acho melhor a gente subir, você precisa descansar. E digamos que eu não seja a pessoa mais disposta no momento também.

Subiram e deitaram-se juntos. A cabeça de Harry doía muito e a tristeza esmagava seu peito. A cena da briga se repetia sem parar em sua cabeça e precisava fazer um esforço muito grande para não prantear sem controle outra vez. Agarrou firme a mão de Draco, que no mesmo momento percebeu o que se passava e o abraçou, fazendo com que as suas costas encostassem-se ao peito dele. A mão pálida percorria por seus cabelos e sua voz anormalmente macia sussurrou:

–Você está muito tenso... Deixa eu te relaxar...

E então a boca desceu de sua orelha para o pescoço, com leves beijos que faziam todo o corpo se arrepiar. As mãos percorriam o peito nu de Potter muito devagar, como se quisessem coletar informações minuciosas para um mapa. Em resposta, jogava a cabeça para trás deixando ser beijado. Era quente, envolvente, arrebatador. E então a mão do outro desceu até suas calças e começou a masturba-lo. Fechou os olhos e se concentrou na sensação maravilhosa que o percorria. E então a voz de Malfoy novamente o trouxe à sua órbita:

–Abra os olhos. Você vai gostar de ver isso. E, antes de se inclinar, sorriu maliciosamente para ele.

Era curioso como os gemidos e a intensidade aumentaram. Não conseguia ouvir, ver, perceber nada além daquele momento. Todo seu cérebro fora limpo de tudo que estava acumulado previamente. Sentiu ascender-se aos céus quando o orgasmo chegou. Sentiu-se mais enérgico e extremamente excitado, fora com extrema sede até as calças do rapaz, que o segurou e reprimiu:

–Devagar, Potter. Sua voz era dominante, transmitia poder e autoridade em seus olhos, mas ao mesmo tempo uma ternura extremamente sensual. Contrariando a vontade que tinha de agarrá-lo e matar violentamente seus desejos, atendeu à ordem. Não deixara nenhum lugar sem o toque de seus lábios. Era recompensador ouvir os gemidos ecoando em seus ouvidos e conseguiu controlar seu instinto agressivo. Fora lento, porém intenso. Malfoy sorrira majestosamente ao atingir o orgasmo e deitou por cima dele, sussurrando novamente:

–Quer que eu vá em frente? E mordiscou sua orelha.

Por mais que tentasse, não conseguiu formular nenhuma resposta verbal. Ele queria, claro que queria, seu corpo todo implorava e tremia. Era óbvio que o outro sabia disso e o provocava como que para força-lo a falar. Não conseguindo mais conter-se, agarrou-o pelos quadris e o puxou para perto.

–Eu prometo que vou devagar. E beijou-o.

Draco sabia bem o que estava fazendo. Conseguia excitá-lo em segundos e fazê-lo suplicar. Duvidava de que encontraria alguém melhor. O loiro separou-se do beijo e então um pulso forte de dor o abateu.

Aquilo doía mais do que ele esperava. Mas estava sendo respeitado, e isso só lhe dava mais impulso para aguentar a dor e continuar. O incômodo diminuiu gradativamente até que não estivesse mais ali. E então o pálido rapaz tomou uma expressão tão lasciva que até o assustou um pouco. Mas logo o susto fora dando lugar a mais satisfação. A força e a rapidez aumentaram, e os gemidos eram mais vorazes, violentos, libidinosos. E bem mais altos. Ambos explodiram em gozo e desabaram pesadamente. Tremores e espasmos tomaram o corpo dos dois. Impossibilitado de continuar acordado, Harry apagou.

Acordou com o outro lado da cama vazio. Um pouco zonzo, levantou-se e desceu para encontrar Draco na sala. Estava arrumado e lia uma matéria no Profeta Diário. Era sobre a prisão de seu pai. Estivera concentrado demais pensando em como resolveria a situação com Weasley e Granger e ler aquilo não tornava as coisas muito melhores. Estava feliz em estar livre, é claro, mas revoltava-se por não ter um pai normal como os outros, que não usava magias para torturar o filho por motivos de disciplina. E quebrar mais uma de suas barreiras estava sendo incrivelmente difícil. Desistir de seu orgulho próprio para pedir desculpas. Encarar o que fez a vida inteira achando que era o certo, e o pior: reconhecer que estava errado. O trauma da guerra o atingira fortemente, mas a vergonha de assumir e ser humilde era a parte ruim de tudo. E ainda fazia isso em função de um sentimento, de se importar de verdade com outra pessoa. Aquilo era muito longe do que ele achava seguro para si. Expor-se demais poderia leva-lo a ruína, essa certeza sempre esteve fixa em sua mente.

Por outro lado, sabia que tantos grilhões apenas o sufocavam. Tamanha vigilância sobre si o enlouquecia. Precisava aprender a confiar. Potter tocou seu ombro e o tirou do seu estado de foco:

–Está tudo bem? E aconchegou-se na poltrona ao lado dele para ler também.

–Está. Eu só não achava que um dia chegaria a esse ponto. Meu pai, precisando ser preso pra não me fazer nenhum mal. E fechou o jornal, indagando:

–No que está pensando?

–Em Ron e Hermione. E em como essa situação vai se resolver.

–Céus, nem ontem fez você relaxar?

–Oh, acredite, você fez um ótimo trabalho. Mas... O torpor não dura pra sempre.

–Eu andei pensando. Bolando um plano, eu diria. Vou trazer suas amizades de volta.

O olhar de surpresa foi inevitável. E a próxima pergunta também.

–Você? Tem certeza disso?

–É claro, você nunca vai parar de falar disso enquanto não estiver tudo bem. E eu achei a noite de ontem boa demais pra não ser repetida várias e várias vezes. Ironizou.

–Então... Qual é o seu plano?

–Logo é ano-novo. Talvez eles estejam mais calmos. Mande uma carta, minta, diga o que eles querem ouvir. Não deixe de frisar o quanto estava errado. Certeza que pelo menos a Granger é sensata e convencerá Weasley a vir. Sim, Potter, eu acabei de elogia-la. Não me olhe assim, nós temos que começar por algum lugar, não é?

–Mas, e depois?

–Eu irei... Pedir desculpas.

Os braços de Harry penderam ao lado do corpo e sua boca se abriu num enorme O.

–Não comece. Eu acho que é a hora. No fim das contas, eu mudei de lado. Não faz sentido continuar com esses conflitos estúpidos.

–Eu acho que não vai funcionar. Não seria melhor dizer a verdade?

–Você ao menos analisou a situação? Eu não deveria estar surpreso, sua capacidade de manipulação é menor que a de um trasgo montanhês. Por favor, confie em mim, eu sei o que estou fazendo. Francamente, dizer a verdade... Tsc tsc.

–Às vezes eu sinto que só perdoo seu comportamento estúpido porque você é excepcionalmente bom no sexo. Concluiu bufando.

Draco explodiu em risadas e acariciou a bochecha do outro. Ouvir aquilo lhe provocava tantos sentimentos bons... Gostava de ser bom, de ser o melhor.

–Eu estou tentando, ok?

Harry então o puxou para outro beijo.

Os quatro dias que restavam para o ano novo passaram relativamente depressa. Tinham muita distração um com o outro e evitavam ao máximo até o ato de pensar nas situações que os incomodavam. O sexo era compulsivo e cada vez melhor, além da grande vantagem de evitar conversas que levariam a possíveis conflitos. E quando o dia 31 finalmente chegou, todas as tensões reprimidas se afloraram. Draco tentou demonstrar-se tranquilo. Sabia que os dois viriam e não havia escapatória. O único que duvidava era Harry, e não parava de deixar aquilo claro.

–Quer ficar quieto por um segundo? Você está me dando nos nervos. Eles vão aparecer.

E então, às 20h, o horário marcado na carta que fora enviada, chegaram os dois. Harry atendeu a porta e o seguinte diálogo se travou:

–Ei, Harry. Feliz ano novo. Hermione dissera, em sua voz costumeiramente doce. Mas carregava suspeita no olhar, que ele não conseguira notar pelo nervosismo que insistia em consumi-lo.

Ron o puxou para um abraço:

–Ainda bem que você se livrou dele, Harry, não sabe como fiquei alegre ao ler aquela carta. Feliz ano novo!

A felicidade de Ron só servira para deixa-lo mais nervoso. Malfoy estava na sala de jantar, cerrando os punhos e andando de um lado para o outro. Muitas manias que ele tinha foram adquiridas de seu pai. Sentou-se ao ouvir o trio de ouro se aproximar e teve que controlar o próprio pé para não batê-lo insistentemente.

O choque atingira Rony como um soco no estômago. Nunca esteve tão enfurecido na vida.

–Puta merda, eu não consigo acreditar nisso... Por Merlin, me diga que isso não está acontecendo.

–Calma Weasley, eu estou aqui pra acertar tudo.

–Você? Você?! Que piada. Vamos embora, Hermione.

Hermione o segurou pelo braço.

–Ron, espera, talvez...

–Espera aí. Interrompeu Malfoy. –Você não reagiu mal. Você já sabia, não é? É Granger, você é mais esperta do que eu jamais pensei.

–Ora, cale a boca, imundo.

–Por Merlin, Weasley, seja sensato pelo menos uma vez na vida. A Granger foi com quem eu fui mais baixo e desprezível e ela confiou em mim. No Potter, em mim, tanto faz. Acrescentou quando Hermione levantou o braço para protestar. –O que importa é que ela deu uma chance pra isso, pelo menos. Eu juro que estou tentando, que quero fazer isso dar certo.

–Não confio na sua laia, já pode parar com as mentiras.

Draco dera um tapa na própria testa e recomeçou:

–Voldemort já morreu, eu não tenho mais razão pra continuar com essa estupidez de pureza. Eu quase fui morto por uma ideologia que eu nem tive chance de escolher. E o fato do merda do meu pai tentar me torturar e ser preso por isso não me faz crescer mais nenhuma simpatia pelo lado das trevas. Não faz mais sentido algum continuar com aquelas ideias. Não vou dizer que não foi culpa minha porque isso me tornaria um covarde. E sei lá se isso adianta pra vocês, mas eu peço desculpas. Toda a fala terminou num suspiro de alívio, como se mil quilos de chumbo fossem retirados das costas do rapaz.

–Ok, agora eu tenho certeza que estou delirando. O que você está ganhando com isso, Malfoy?

–Por favor, Ronald, chega! Vamos dar uma chance e por um fim nisso. Hermione interviu.

–Não vai me dizer que vai aceitar esse discurso como desculpa depois de tudo, não é? Vamos lá, Hermione, você é melhor que isso.

–Você sabe que é a pessoa mais inadequada do mundo pra me dizer isso, não é? Disse, com alta acidez na voz e em um riso sarcástico. –Se você não quer seu amigo de volta eu não me importo, pode ir. E apertou Harry em um abraço.

Profundamente contrariado, Ronald resolveu ficar. Malfoy então estendeu a mão até os dois cordialmente:

–Então... Desculpas aceitas?

Hermione apertou a mão do rapaz com satisfação. Ron também o fez, mas extremamente irritado e hesitante. Teria que aceitar, afinal, ou então perderia os dois amigos.

A noite se seguiu tranquila, após tudo haver se resolvido. Os flocos de luz rodeavam o casal e ninguém se lembrava de brilharem de um jeito tão bonito antes. Houve certos impasses como o mau humor de Weasley, que nem muito álcool conseguiu dissolver. Draco e Harry estavam finalmente livres para seguirem juntos como quisessem. O tempo voou e de repente já estavam perto da meia noite. Um visco se formou num canto da sala. Os dois rapazes envolveram-se num dos beijos mais carinhosos que já trocaram. Os flocos de luz emitiam uma luz quente e estonteante. Ron torceu o nariz e se decepcionou ao ver Mione emocionada. Aproximou-se dela e em questão de segundos ela recuou:

–Nem pensar.

–Ora, a gente já se beijou uma vez, quão estranho isso pode ser?

–Se você não fosse tão irritante isso talvez pudesse ter dado certo. Foi algo momentâneo, além do mais, você já sabe que estou com outra pessoa.

–Mas que droga Hermione, por que não me conta de uma vez quem é? Todo esse mistério me faz duvidar que você esteja falando a verdade. Replicou em uma pose desafiadora, que Hermione treplicou com a mais pura dose de sarcasmo encharcando sua face e voz:

–Jura Ronald? Que pena que pense assim. Sua cabeça deve estar cheia de nargulês.