CAPÍTULO #6

LOCAL : BEACON HILLS HIGH SCHOOL, QUADRA DE LACROSSE


Stiles sabia que Scott estava certo. Não poderia ajudá-lo com os federais se estes descobrissem que eram amigos. Mais que isso, melhores amigos. Se é que já não sabiam. Bastaria perguntarem para qualquer um do colégio. Não só do colégio. Qualquer um da cidade. Beacon Hills é uma cidade pequena e era menor ainda quando os dois eram crianças e viviam grudados.

Desde que Scott lhe contara o que descobrira dos federais, Stiles não parava de pensar numa forma de ajudar Scott a se safar de mais essa enrascada. A primeira coisa a fazer era convencer os federais que Scott não era um lobisomem perigoso.

Como poderia convencê-los? Claro, da mesma forma que se convence alguém que um pitbull é um cãozinho adorável, que pode perfeitamente andar solto por aí, sem morder ninguém. E é possível afirmar que o pitbull não vai morder ninguém porque ... porque ... porque ... Droga, não conseguia pensar num único argumento razoável.

O folclore e o cinema sempre mostravam lobisomens agindo como feras irracionais nas noites de lua cheia. Homens que são mordidos, e que, na lua cheia, são surpreendidos pela transformação sem estarem psicologicamente preparados. Desorientados e acuados, agem de forma violenta, matando e transformando outros. Enquanto não são abatidos, vagam solitários em regiões pouco habitadas, fugindo de qualquer forma de convívio social, numa tentativa de proteger inocentes da própria fúria. Sabia agora que misturaram os perfis padrão de lobisomens alfa e ômega. Poderes de alfa e psicologia de ômega.

Descobrira também que existem lobisomens que fogem a esse estereótipo. Com o que aprendera no último ano, poderia escrever um tratado sobre verdades e mitos relacionados a lobisomens. Mas, se o fizesse, era provável que Derek invadisse a noite de autógrafos e rasgasse sua garganta com os dentes como tantas vezes ameaçara.

Lobisomens podiam manter o controle mesmo nas noites de lua cheia. Podia não ser fácil. Mas, era possível. E não apenas alfas. Derek mantinha-se controlado mesmo antes de tornar-se um alfa. Scott e Isaac eram betas e aprenderam rápido a se controlarem. Faltava Erica e Boyd. Quanto antes eles aprendessem, melhor para todos. Talvez pudesse ajudá-los usando a técnica de controle da raiva que usara com Scott.

Talvez fosse também uma questão de índole. Afinal, pessoas também se descontrolam e matam. Scott era protetor por natureza. Ele nunca seria capaz de matar alguém. Ou seria? Ele por pouco não matara o melhor amigo na sua primeira lua cheia.

Lembrar que pessoas também se descontrolam e matam não é um bom argumento para deixar um lobisomem solto por aí. Muitas destas pessoas que se descontrolam e matam acabam condenadas à morte por esses crimes. As outras são condenadas a viverem encarceradas. Os federais estavam em Beacon Hills porque aconteceram mortes e não porque na cidade vivem lobisomens. Eles estão caçando assassinos. O problema é que acreditam que todo lobisomem é um assassino em potencial.

A maior prova que um lobisomem pode manter-se perfeitamente controlado é .. vejamos ..

.. Peter Hale? Ele não matou ninguém nos anos em que ficou catatônico. É verdade que depois ele matou a própria sobrinha, matou a enfermeira psicótica que era sua cúmplice, matou todos os envolvidos no incêndio criminoso da Mansão Hale. Bem, quase todos. Não matou o único que realmente deveria ter matado: Adrian Harris, o maldito professor de química cujo prazer supremo é infernizar a minha vida. Sem falar que foi Peter quem transformou Scott e, com isso, transformou a vida de todos num Inferno. E, como se tudo isso não bastasse, ainda atacou Lydia.

Não. Peter Hale definitivamente não era um bom exemplo de lobisomem controlado.

Derek Hale? Derek transformara Isaac Lahey, Erica Reyes e Boyd. Se eles já eram problemáticos antes, agora ..

- Stiles!

- Quem?

- Está aí, pensativo. Está achando o jogo chato?

- O quê? IRINA? O que está fazendo aqui? O técnico Finstock não gosta quando o pessoal do banco se distrai conversando.

- Desculpe. Então, você ESTAVA prestando atenção no jogo?

- Claro! Estava! Super concentrado. Não perdi nenhum lance.

- Não? Nem aquele em que o Scott e o Isaac se chocaram feio. Coitado, ele precisou ser carregado para fora do campo.

- O Scott saiu carregado do campo?

- Não. O Scott foi expulso do jogo por ter discutido com o juiz que marcou a falta. O Isaac é quem saiu carregado do campo.

- Ah!

- Ah? É só isso que tem a dizer: 'Ah!'? São seus amigos. Não está preocupado com eles?

- Não. O Isaac logo logo vai estar bem.

- Ele estava sentindo a perna. Talvez tenha quebrado.

- Tenho certeza que não é nada sério.

- O técnico bem que podia ter convocado você para substituir o Scott. Fiquei desapontada quando ele chamou o Morales.

- Eu substituindo o Scott? Logo o Scott, o melhor jogador do time? Só em sonho. O Finstock não vai me tirar do banco enquanto existirem outras opções. Qualquer opção. Acho que ele seria capaz de convocar até mesmo o Greensberg antes de me chamar.

- Porque ele é um idiota. Na vez em que ele te deu uma chance, você marcou o ponto decisivo. Você foi o herói da partida. Foi incrível. Fiquei tão empolgada que parecia até que fui eu quem fez o ponto. Eu procurei você no fim do jogo para te cumprimentar. Pensei que talvez pudéssemos sair para comemorar. Mas, você desapareceu. Ninguém sabia de você.

- Você assistiu? Você me .. procurou? Para comemorarmos? Juntos? Maldito Gerard.

- Quem é Gerard?

- Um desgraçado que está agora queimando no Inferno.

- O segundo tempo já vai começar. Depois do jogo, você podia, quem sabe, me acompanhar até minha casa.

- Você .. quer que eu, STILES, acompanhe você, IRINA, .. até sua CASA? Jura que quer?

- Eu moro quase no limite da cidade, bem perto do rio. E, você sabe, é perigoso para uma garota andar sozinha de noite naquela parte da cidade.

- Super perigoso. Eu estou de carro. Acabando o jogo, é só o tempo de eu tomar uma ducha e a gente se encontrar na entrada do estacionamento. O carro é um jeep azul, de capota preta. 'Que eu devia ter mandado lavar no fim de semana passado. Droga!'

- Te espero lá. E, Stiles, não que eu queira que alguém mais saia machucado, mas adoraria ver você jogando hoje.

Stiles acompanha com o olhar Irina se afastar com um sorriso congelado no rosto. Parecia que ele estava vivendo um sonho. A garota mais bonita de todo o colégio querendo que ele a acompanhe até a CASA DELA. Isso e mais as coisas que Scott dissera mais cedo. Claro, tudo isso só podia significar que ...

- Yeah!

Stiles, empolgado, se levanta do banco e faz o gesto clássico de erguer vigorosamente o braço esquerdo dobrado com o punho fechado, num gesto de clara inspiração fálica. Mais ainda porque o gesto foi reforçado pelo movimento simultâneo do quadril. Os olhares de reprovação das pessoas em volta fazem com que ele volte a sentar e baixe a cabeça. Estava envergonhado, mas não tanto. A maior prova é o sorriso não deixou os seus lábios até o final da partida.

.

- Oi. Esperou muito?

- Quase nada. Você foi rápido.

- Tive medo que você desistisse de esperar. Depois, eu nem estava suado. O Finstock mais uma vez me deixou mofando no banco de reservas.

- Não liga. Ele vai acabar reconhecendo o seu valor. Você é tão esforçado.

- Acha mesmo?

- Eu vi muitas vezes você treinando com o Scott. Legal da parte dele te dar essa força.

- Eu e o Scott somos como irmãos. A gente se conhece desde criança.

- Jura que não se importa de me acompanhar? É um pouco longe. Não vou atrapalhar nada?

- Não, eu não tenho nada programado. E, mesmo que tivesse, eu desmarcava na hora.

- Então, se não tem problema para você, vamos indo. A gente aproveita e vai conversando no caminho. Fazemos tantas matérias juntos e mal trocamos algumas palavras. Cheguei a pensar que estivesse me evitando. Você podia estar pensando que eu fosse - sei lá - uma perigosa espiã comunista e que o melhor era ficar o mais distante possível.

- Nãaaao. Claro que não. De onde tirou essa idéia? Essa de eu estar evitando você?

- Bem, talvez porque eu veja você falando sem parar com todo mundo e, na minha frente, você ficando mudo. Sabe que tem gente que acha que, só de conversar com uma russa, vai passar a ser vigiado pelo FBI?

- Sei. Eu mesmo já escutei um cara falando a sério esta besteira. Eu não sou um desses idiotas. Só não imaginei que você fosse prestar atenção em mim. Você é tão bonita ..

- Os caras me elogiam, dizem que sou linda, mas preferem não se aproximar. Eu tenho poucos amigos. É difícil quando se está sozinha num país estranho. Mas, você não devia se surpreender por ter chamado minha atenção. Você também é bastante atraente.

- Uau! Jura que me acha atraente?

- Porque eu mentiria? Você até pode ser meio desengonçado, mas eu gosto deste seu jeito tímido. Prefiro o tipo intelectual.

- Jura?

Os dois interrompem a caminhada e vão, pouco a pouco, aproximando seus rostos, a atenção de cada um deles voltada para os lábios do outro. Suas testas se tocam com suavidade e eles tomam consciência da adrenalina que resulta deste primeiro contato físico. Stiles nem percebe que prendeu a respiração. Aquilo parece um sonho. Ele. Irina. A brisa fria da noite. O céu estrelado sobre eles, naquele trecho pouco iluminado do estacionamento. Tudo parecia absolutamente perfeito. Stiles fecha os olhos e avança o rosto mais alguns centímetros, os lábios se tocando. Estava prestes a explorar a boca da garota quando uma voz rouca ecoa, quebrando aquele clima perfeito de romance.

- Estou atrapalhando alguma coisa?

Aquela voz .. Sabe quando você está se aproximando da melhor parte de um sonho molhado e o despertador toca lembrando que você tem uma prova de química logo na primeira aula e o que Sr. Harris só está esperando um vacilo seu para te ferrar. Algo ainda pior. O maldito sourwolf.

- DEREK? O que está fazendo aqui?

- Nada especial. Estava passando, vi você e pensei em dar um alô. Quem é a sua amiga?

- Uma colega de turma.

- Não vai nos apresentar?

- Não. Você parou para dar um alô e já deu. Que tal agora dar meia volta e esquecer que me viu aqui?

- Você eu até poderia esquecer. Mas, eu nunca esqueceria uma garota tão linda como a sua .. colega de turma.

Stiles fuzila Derek com o olhar. O alfa olhava para Irina usando seu melhor sorriso. Aquele que fazia até estátuas de pedra sorrirem de volta. Naquele momento, Stiles desejou que Derek fosse um vampiro e não um lobisomem. Uma estaca de madeira era algo que poderia obter com facilidade. Já uma bala de prata impregnada de wolfsbane era um pouco mais difícil. Fácil ou não, mataria Derek se ele atrapalhasse sua chance com Irina.

- Derek, esta é Irina Shaykhlislamova.

- Irina Shaykhlislamova. Adoro a sonoridade dos nomes russos. E me rendo à beleza das mulheres russas. Diga-me, Irina. O que faz com que as russas sejam tão naturalmente sensuais?

- É muito .. qual é mesmo o termo americano? .. garateador?

- Galanteador. Mas, não. Não costumo sair por aí elogiando qualquer garota que passe na minha frente. Tem quem diga até que eu vivo de cara amarrada. O Stiles pode confirmar esse ponto. Se eu fiz esse elogio é porque achei você realmente muito bonita. E simpática. E dona de um sorriso de tirar o fôlego de qualquer homem.

- Derek, CHEGA. Você deve ter mil outras coisas para fazer. Porque não escolhe uma e segue seu caminho?

- Não antes de você me apresentar à sua amiga.

Derek recosta-se contra o muro, cruza os braços e sorri de forma maliciosa para Stiles, como que dizendo que podia esperar a noite inteira. Stiles nunca odiou tanto alguém quanto Derek naquele momento.

- Irina, este é Derek Hale. Ele costuma ser antipático e antissocial 99% do tempo. Nos outros 1% do tempo, ele prega peças de mau gosto nos conhecidos fingindo ser um amigo simpático e agradável.

- Stiles, não brigue com ele. Seu amigo só está querendo ser simpático.

- Derek, meu grande amigo, você não está atrasado para o seu compromisso na floresta.

- Na verdade, não. Eu estava mesmo buscando algo para fazer. Vocês estão indo para onde?

- Eu ia .. quer dizer, .. eu VOU acompanhar a Irina até a casa dela. Porque ela QUER que EU a acompanhe, e, como você muito bem sabe, Derek, essa cidade é perigosa à noite. Alguém pode ser - sei lá - mordido por um cão raivoso.

Derek se posiciona de forma que apenas Stiles veja seu rosto. Os olhos mudam de cor para um vermelho vivo e os caninos se tornam visíveis.

- É verdade, Stiles. Mas, os cães nem precisam estar raivosos para MORDER. Basta que fiquem ENRAIVECIDOS. Você deve saber que cães não reagem bem quando alguém tenta tomar algo deles. Eles ficam enraivecidos e podem morder. Alguns até rasgam a garganta do adversário com os dentes. Acho que uma vez eu já tinha contado uma história assim para você, Stiles. Esqueceu?

Ao terminar a frase, suas feições eram novamente humanas e Derek sorri com uma expressão divertida no rosto.

- Vamos, Irina. Está ficando tarde. Tchau, Derek. A gente se vê por aí.

Stiles pega Irina pela mão e segue com ela na direção do jeep, com os passos apressados. A raiva que sente é tanta que nem se preocupa de estar sendo um tanto bruto com a garota.

Derek balança a cabeça e segue os dois sem apressar o passo. Em seus lábios, um sorriso confiante.

.

- Stiles! Veja! Os pneus do seu carro ..

- Oh my God! Não acredito. Dois pneus furados. Isso não podia ter acontecido. Não hoje.

Derek pousa a mão no ombro de Stiles, que se desembaraça dela, e o olha com a expressão fechada.

- Que coisa chata, Stiles. Você ficou sem carro. Mas, não se preocupe. Eu levo a Irina em casa enquanto você espera o reboque. Vamos, Irina. Como o próprio Stiles disse, está ficando tarde. Não se preocupe que eu sei me comportar como um perfeito cavalheiro. Depois, o pai do Stiles é o delegado da cidade e eu não quero me encrencar. O que me diz? Meu Camaro está um pouco mais na frente. Eu te dou uma carona.

Novamente, Derek exibe seu sorriso sedutor.

Stiles estava com tanto ódio do lobisomem que mais um pouco ia começar a chorar. Chorar de ódio. O alfa não tinha o direito de acabar com a sua vida sexual antes mesmo dela começar. Queria espancar o desgraçado. E só não o fazia naquele exato momento porque .. bem .. Derek era mais forte. Pior que ser humilhado na frente da ex-futura namorada, era primeiro ser humilhado e depois espancado. E depois, caído no chão, cheio de dores, ainda ficar escutando as risadas dos dois.

'Porque o mundo tinha que ser assim, tão injusto'. Derek era um maldito lobisomem grande, forte e mau e ele era apenas um adolescente magrelo, desengonçado e hiperativo que, sem a proteção de Scott, teria passado o colegial apanhando dos valentões da escola todos os dias.

Não. Não podia acabar assim. Não podia perder essa chance. Se não enfrentasse Derek, Irina ia achar que ele era um covarde e aí então é que nunca mais lhe daria outra chance. Bem, enfrentar talvez não fosse a melhor estratégia. Talvez se apelasse para seus sentimentos, Derek se apiedasse de sua triste condição de nerd virgem.

Enchendo-se de coragem, Stiles pede licença a Irina e chama Derek para uma conversa reservada.

- Derek, por favor. Pensei que fôssemos amigos.

- Amigos? Nós dois? Boa piada.

Derek abriu a boca numa gargalhada muda, desconcertando e irritando Stiles

- Bem .. talvez amigos seja um pouco de exagero, mas .. entenda .. essa é a minha primeira grande chance com uma garota. Você entende, não é? Por favor, Derek. Me dá essa força.

- Stiles, eu ESTOU ajudando você. Na verdade, eu estou SALVANDO você. Já pensou? Você e ela sozinhos, e ela se aproximando de você cheia de más intenções. Ela é russa, não se esqueça. Acredite em mim, Stiles. Você não está preparado para uma russa. Pior, só se fosse uma brasileira. Stiles, você é só um garoto. O melhor a fazer é ir para casa e dormir.

- Nãaao. Vamos fazer assim: você dá uma carona para mim e para a Irina e nos deixa na porta da casa dela. Você faz isso e eu fico agradecido pro resto da minha vida.

- Se é isso que você quer, vamos lá. Eu levo vocês dois.

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Derek abre a porta do carona do Camaro para Irina, fechando-a antes que Stiles possa entrar. Irina baixa o rosto talvez para esconder um sorriso. Ela só podia mesmo estar rindo dele. Existia alguém mais patético que Stiles? Neste ritmo ainda seria virgem aos vinte anos. Porque o maldito alfa tinha que dar em cima justamente da Irina? Justo no dia em que estavam se acertando. 'Bastardo insensível'. Como queria poder arrancar aquele sorriso debochado a socos.

- Desculpe, Stiles. Esqueci que fica apertado com três pessoas. Você não ia querer ir sentado no meu colo. Ou será que ia?

- Derek, você não pode fazer isso? Você tinha concordado. Eu é que devia acompanhar a Irina.

- Porque você não segue a gente? Ah! Esqueci que alguém muito mau furou os seus pneus.

- Se eu pegar o desgraçado que fez isso .. Espera! Foi VOCÊ?

- Deseje-me sorte, Stiles.

Derek pisca para Stiles e o arranca com o Camaro, que sai cantando pneus.

- Não espere que eu o salve da próxima vez. Devia ter deixado você se afogar.

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Mais tarde, ao entrar em seu quarto e desabar vestido sobre a cama, Stiles não conseguiu mais segurar o choro. Um choro sentido e silencioso. O choro de alguém que viu seus sonhos mais loucos quase sendo realizados para, em seguida, ver esses mesmos sonhos serem impiedosamente reduzidos a cinzas.

Doía quase como uma dor física, embora não conseguisse identificar exatamente a fonte de tanta dor. Só tinha certeza que não merecia aquilo. Não conseguia entender o prazer que Derek tinha de humilhá-lo. De fazê-lo sentir-se um lixo. O porquê do lobisomem odiá-lo tanto.

Naquele exato momento, Irina e Derek deviam estar juntos, felizes e esgotados, e Derek já nem mais lembrava que ele existia. Se lembrasse seria para fazer piada da possibilidade dele estar chorando na solidão de seu quarto. Não podia culpar Irina. Como alguém poderia resistir ao charme do lobisomem? Derek sabia ser adorável e sabia ser detestável.

A visão de Derek e Irina suados na cama, os olhos do lobisomem vermelhos de prazer, doía como uma faca sendo girada no coração de Stiles.

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Quando Stiles finalmente conseguiu adormecer, foi de pura exaustão.

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LOCAL : RESIDÊNCIA ALUGADA DE IRINA SHAYKHLISLAMOVA, NOS LIMITES DA CIDADE DE BEACON HILLS


Derek abre a porta do Camaro e oferece a mão para ajudar Irina a sair do carro.

- Chegamos. Como eu prometi, entregue sã e salva em sua residência.

- Pode parar com seu teatrinho, lobo. Diga de uma vez o que quer.

Derek faz uma meia rotação com a cabeça e quando volta a olhar para Irina Shaykhlislamova seu rosto já não é humano. Olhos injetados, dentes e garras bem visíveis, ele rosna para a garota, de forma assustadora. E então fala num tom alto e intimidador.

- ESSE É MEU PRIMEIRO E ÚNICO AVISO. TEM TRÊS DIAS PARA DEIXAR ESSA CIDADE OU EU VOLTO AQUI E ARRANCO ESSA LINDA CABECINHA DO SEU PESCOÇO. E NEM PENSE EM VOLTAR AO COLÉGIO. DÊ UMA DESCULPA QUALQUER E DESAPAREÇA.

- Imagino que isso seja uma tentativa ridícula de me assustar. Sabe muito bem que não há NADA que possa fazer contra mim.

- Não seja idiota, garota. Aproveite a chance que estou lhe dando. Eu não pretendo me conter da próxima vez.

- Isso tudo é por causa do humano?

- AFASTE-SE DELE. Se tocar num único fio de cabelo ...

- Vou fazer bem mais que tocar no cabelo dele. DESISTA. Você perdeu, lobo. STILES STILINSKI JÁ É MEU.

Derek volta à aparência normal, encara com ódio a garota mais uma vez, entra no Camaro e segue em frente. Sabe que o que Irina disse é a mais pura verdade. Sozinho, não teria qualquer chance contra ela. Para salvar Stiles, ia precisar de aliados. Ou melhor, de uma aliada.

Derek ia precisar da ajuda de Allison Argent.


Saiu muito maior do que eu esperava. Se tivesse um bom ponto de corte, teria dividido o capítulo.

Espero ter agradado aos fãs de Derek & Stiles.


NO PRÓXIMO CAPÍTULO: Jake e Clay na Jungle Dance Club


13.04.2013