CAPÍTULO #11
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LOCAL: MANSÃO HALE
POUCO DEPOIS
- Meu querido sobrinho! Voltando para casa depois de mais uma noite em claro velando o sono do filho do xerife?
- Não enche. Eu não estive lá.
- Sobrinho, sabe que não pode mentir para mim. Lobo, esqueceu? Sentidos aguçados.
Derek suspirou derrotado. Detestava ter que passar por esse constrangimento quase que diário. Esse era apenas mais um dos muitos momentos em que preferia que o tio tivesse permanecido catatônico. Ou morto.
- Ele está correndo perigo.
- Todos estamos. Sua alcateia está em perigo. PERIGO MORTAL. Os caçadores estão na cidade. AQUELES. Conhece a fama deles. Sabe que são implacáveis. Do tipo que atira primeiro e NÃO pergunta depois. E o que você já fez a respeito? NADA.
- Os caçadores estão aqui por causa das mortes. Primeiro, o ciclo de mortes que começou com Laura e terminou com Kate. Depois, aquele psicopata usando o kanima para exterminar toda uma equipe de natação. Ontem, a polícia encontrou um braço humano no rio. É questão de tempo para descobrirem que há uma nova série de mortes em curso. Se acharem que fomos nós ...
- Com ou sem estas mortes, os caçadores viriam atrás de nós. Saiba que eu não me arrependo de ter matado todos os que massacraram nossa família e que me transformaram num vegetal por cinco longos anos. Exceto por Laura, faria tudo outra vez. Não pretendo me penitenciar deixando os caçadores acabarem comigo.
- Ninguém está pedindo isso. Perguntou o que ando fazendo. Buscando o responsável por estas novas mortes. Quero parar com as mortes antes que isso complique ainda mais as nossas vidas. E, finalmente descobri.
- A russa?
- Você sabia? E não fez nada para impedir?
- A criatura age segundo sua natureza. Quem somos nós para condená-la? Ela tem sido discreta. Atacou somente párias. Gente que ninguém se importa que esteja viva ou morta.
- Ela matou o Mike Maluco. Ele geralmente ficava da região do rio, mas tinha vezes que vagava pela floresta. Algumas vezes dormiu aqui na Mansão. Lembro de uma vez - acho que eu tinha dez anos - que eu parei e fiquei olhando para uma torta de chocolate na vitrine da confeitaria da praça. O Mike me viu, entrou, comprou uma fatia da torta e me deu. Isso foi antes da noiva dele morrer e dele virar o Mike Maluco. Mas, eu não me esqueci disso e me importa saber que ele está morto e que ela o matou.
- Sei de quem se trata, mas não sei de toda a história. Aconteceu no período em que fiquei afastado. Sabe se a noiva dele morreu afogada?
- Não lembro dos detalhes. Faz muito tempo. Por quê?
- Por nada. Mas, deixe que a polícia - ou os caçadores - cuidem da russa. Ela não nos ameaça. Não existe nenhum motivo para comprarmos briga com ela.
- Ela tentou atrair o Stiles ontem.
- Verdade? Deixe-me adivinhar. Você foi até ela e a ameaçou. Aposto que ela riu da sua cara de mau.
- (..)
- Sobrinho, você não pode com ela. Principalmente se ela estiver próximo de um curso de água. Nós lobisomens somos ainda mais suscetíveis à sedução dela que os humanos.
- Estive frente a frente com ela e ela não tentou seu truquezinho comigo.
- Duvido que não tenha tentado. Não é algo que ela possa controlar. Não sei se fico menos ou mais preocupado por não ter funcionado com você. Mas, até imagino o porquê do interesse dela pelo filho do xerife.
- Então, me diga. O que ela quer com o Stiles?
- Sobrinho, você que o conhece tão bem devia ser o primeiro a saber. Se não sabe, não sou eu quem vai contar.
- Não sabe como me arrependo de não ter RETALHADO sua garganta uma segunda vez. Mas, acho que não é tarde demais para isso.
- Sobrinho, você sabe que PRECISA de mim. Agora mais do que nunca. Mas, voltando à ameaça dos caçadores: o que pensa fazer quando estiver cara a cara com eles?
- Acabei de ficar cara a cara com eles. Eu diria que foi inesperado para ambas as partes.
- Onde?
- (..)
- ONDE?
- Em frente à casa do xerife.
- Pensei que tinha dito que não tinha ido lá.
- Pensei que tinha dito que SABIA que eu estava mentindo.
- Primeiro, um confronto com a russa e, depois, um cara a cara com os caçadores. E sobreviveu. Está no lucro.
- Não achei os dois grande coisa. Posso dar conta deles.
- Traduza. Pretende atacá-los e matá-los antes que nos matem?
- Não sei. Se for preciso.
- Derek, você é o alfa. Pense como um. Eles são profissionais. Já enfrentaram e mataram lobisomens antes. E não somente lobisomens. Todo o tipo de criaturas. São especialistas em matar demônios. Não pode enfrentá-los sem estar decidido a matá-los. Não pode hesitar. Se estiver em dúvida, o melhor é não enfrentá-los. Fuja. Esconda-se. Só não se esconda embaixo da cama do filho do xerife ou vai virar a piada preferida das rodinhas de pôquer dos caçadores.
- É esse o seu conselho? Que eu devo atacá-los de peito aberto?
- É CLARO QUE NÃO. Você não terá a menor chance numa luta limpa. Qual foi a parte de 'ELES SÃO PROFISSIONAIS' que você não entendeu? Terá que pegá-los desprevenidos. De preferência, quando estiverem dormindo. Vá ao hotel à noite e rasgue suas gargantas.
- Por que tipo de covarde você me toma?
- O tipo que escolhe permanecer vivo. Mas, se prefere arriscar-se, pode tentar emboscá-los. Mas, deve atacar somente quando estiverem afastados um do outro. Ou pode usar sua alcateia para fustigá-los. Com sorte, um dos nossos terá ferido um deles. Só então atacamos.
- Os garotos não estão suficientemente treinados. Podem acabar mortos.
- Em toda guerra, é a infantaria, os soldados rasos, que travam os primeiros embates. A cavalaria - os nobres a cavalo no passado ou os soldados de elite nos dias de hoje - ataca somente depois que os inimigos estão enfraquecidos. É nossa melhor chance. Pense nisso, sobrinho.
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Próximo à Mansão, ouvidos sensíveis escutam a conversa dos lobisomens puro-sangue.
- Eu sabia. Para eles, somos todos descartáveis. Nos transformaram para lutemos e morramos no lugar deles. Mas, ninguém vai me usar como bucha de canhão.
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LOCAL : DELEGACIA DO CONDADO DE BEACON, BEACON HILLS
UMA HORA DEPOIS
- Seis desaparecidos e um morto?
- A certeza é que existe um morto. No caso dos desaparecimentos, ainda são especulações. Mas, pelo menos três destas pessoas dificilmente deixariam Beacon Hills de uma hora para outra. Nasceram aqui e até então nunca tinham se afastado muito ou tanto tempo da cidade.
- Ninguém deu por falta deles? Ninguém fez um registro de desaparecimento?
- São andarilhos, desvalidos, alcoólatras ou têm algum tipo de problema mental. Isso meio que se aplica a todos eles, em maior ou menor grau. Só ontem o Chad, meu auxiliar, me deu ciência desses desaparecimentos. Ele trouxe os nomes de quatro possíveis desaparecidos. Acionando outras fontes, chegamos a seis nomes. Em outros tempos, eu seria o primeiro a saber. Nada acontecia nesta cidade que eu não soubesse. Agora o trabalho burocrático me toma todo o tempo. Sinto falta dos meus tempos de ronda.
Jake e Clay se entreolharam. O xerife estava na força policial da cidade há mais de vinte anos. Como alguém que afirma que um dia soube de tudo o que acontecia na cidade podia ignorar a presença de um clã de lobisomens e de um clã de caçadores de lobisomens estabelecidos há décadas na cidade? O xerife SABIA. Talvez até agisse ativamente para esconder as evidências. Restava saber a qual dos lados ele estava associado.
- E quanto ao morto? O que sabemos dele?
- Por enquanto, nada. Apenas que se trata de um homem. Já fizemos o pedido de teste de DNA para identificação do corpo. As impressões digitais foram destruídas pelo tempo que ficou submerso. Vamos comparar o DNA do morto com o de cada um dos desaparecidos. O Chad foi até o trailer do velho Nicholas, uma das prováveis vítimas, em busca de fios de cabelo ou algum material orgânico que permita realizar um teste de DNA. Mike Maluco, outra provável vítima, fez um exame de sangue há coisa de dois meses e pode ser que ainda haja uma contraprova guardada. Já pedi que a enfermeira Melissa McCall verifique e me informe.
- Esse nome - McCall - é o mesmo do jogador que fez uma falta violenta no jogo de ontem.
- Ah! Foram ao jogo? É isso mesmo. O nome do garoto é Scott McCall. Melissa é a mãe dele. Eu fiquei sabendo que ele foi expulso do jogo. Uma pena. É um excelente jogador.
- Foi uma falta feia. O rapaz me pareceu ser uma pessoa violenta. Ele é do tipo encrenqueiro?
- Encrenqueiro? Pode-se dizer que sim. O Scott vive se metendo em problemas. Mas, é um bom rapaz.
- Não entendi. Ele é encrenqueiro ou um bom rapaz?
- As duas coisas. Conheço o Scott desde menino. É um garoto de boa índole.
Jake e Clay voltam a se entreolhar. Talvez o xerife ainda guarde a lembrança do garoto asmático, sem perceber que ele se transformou num adolescente agressivo. Num lobisomem assassino.
- Algum suspeito?
- Por enquanto nenhum. O primeiro passo é identificar o corpo e descobrir o que aconteceu com os desaparecidos.
- Algum indício de que tenha sido resultado de ataque de animal?
- Não de lobos, se é o que de fato está querendo saber. O braço não apresenta marcas de garras ou de presas. Fora o fato de ter sido arrancado, não apresenta nenhuma marca.
- Xerife, eu gostaria de examinar o lugar onde foi encontrado o braço.
- Eu pretendia mesmo ir ao local para ter certeza que o Chad não deixou escapar algo. Podemos ir então?
- Xerife, eu gostaria de manter a programação original e examinar os registros das mortes que aconteceram ano passado.
- Sem problemas. Eu já tinha separado as pastas de todos os casos. Eu deixei as pastas na sala de interrogatório. Ninguém costuma entrar lá e o isolamento acústico da sala deve ajudá-lo a se concentrar no trabalho. Quando eu voltar, posso tirar as dúvidas que ainda tenha.
- Obrigado, xerife. Boa caçada.
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LOCAL : BEACON HILLS HIGH SCHOOL, TURMA DE LITERATURA INGLESA
CINCO MINUTOS ANTES DO INÍCIO DA AULA
- Oi. Posso sentar aqui com você?
- Claro. Só estou estranhando. Você e todas as garotas sempre fizeram questão de manter distância.
- Desculpe, Irina. Mas, é justamente por isso que estou aqui falando com você. Eu nasci nessa cidade, mas passei muitos anos fora. Quando voltei, não conhecia mais ninguém e me senti meio perdida. A Lydia foi muito legal me enturmando com o pessoal. Acho que é a minha vez de fazer o mesmo com uma novata. E a novata aqui agora é você.
- Parece que as garotas não foram muito com a minha cara.
- Não liga. Pura inveja. Você chegou e chamou logo a atenção de todos os garotos do colégio. Era até difícil transpor a barreira humana impregnada de testosterona que cercava você em todos os lugares. As garotas ficaram inseguras. Ficaram com medo que você roubasse os namorados delas.
- Sei que fui causa de muitas brigas de namorados, mas essa nunca foi a minha intenção. A maior prova que é estou aqui, sozinha. Acho que eu intimido os rapazes.
- Eu até entendo o lado dos rapazes. Você é realmente linda. Sempre vai ter alguém olhando mais do que devia. Sempre vai ter um mais atrevido que vai dar uma cantada. Sabe como é. O rapaz se sente na obrigação de marcar território e de manter os concorrentes afastados. Existe muita cobrança para que ajam assim. A própria garota cobra isso. Isso sempre acaba em brigas. É natural que isso assuste alguns.
- É a maldição das garotas bonitas. Todos nos querem por uma noite, mas quando é para assumirem um compromisso sério ..
- Rapazes são muito inseguros mesmo.
- Você tem muita sorte. O Scott é completamente apaixonado por você.
- Não estamos mais juntos.
- Isso significa que não se importa se eu investir nele?
- ?!
- Estava brincando. A sua cara já me disse que você se importa E MUITO. Mas, se gosta dele, porque ficarem separados?
- É complicado. Tem algumas questões de família também. Mas, notei que você tem uma quedinha pelo Stiles e o Stiles é o melhor amigo do Scott. Ele é um cara muito legal. Posso ajudar a aproximar vocês, o que acha?
- Acha que o Stiles é diferente dos outros? Ele não vai se intimidar?
- Duas coisas que posso afirmar sobre o Stiles: que ele é diferente dos outros e que ele não é alguém que se deixe intimidar fácil.
Allison sorri ao pensar que DIFERENTE é o adjetivo mais apropriado para descrever Stiles. E que se ele não se deixou intimidar por Derek Hale e enfrentou Peter Hale para salvar Lydia, não vai ser qualquer idiota do colégio que vai fazê-lo desistir de Irina.
- Aceito, então. O que eu tenho a perder?
- Amigas?
- Amigas!
- Sabe que o que mais me impressiona em você são os seus cabelos. Eles estão sempre com a aparência de molhados. Como você consegue que esse efeito dure por tantas horas?
- Uso um creme para manter meus cabelos hidratados. A fórmula é um segredo de família. Que me foi passado pela minha avó. A região da Rússia de onde eu venho tem um vento que resseca muito a pele e faz um estrago terrível nos cabelos. Aqui onde não é tão seco fica esse efeito de cabelo molhado.
- Interessante.
ESCLARECIMENTO: Pode não parecer, mas existe no diálogo entre Irina e Allison uma pista importante sobre que tipo de criatura é Irina. Algo que é parte da mitologia dessas criaturas. Existem pistas também no diálogo entre Derek e Peter.
26.05.2013
