CAPÍTULO #13

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LOCAL: BEACON HILLS FASHION MALL

INÍCIO DA TARDE DO MESMO DIA


- Não acredito que nunca tenha vindo ao shopping antes! Você está na cidade desde o semestre passado. Como sobreviveu tanto tempo sem fazer compras?

- Eu fiz compras. Só não fiz compras AQUI. Aqui é lindo, mas é tudo muito mais caro.

- Essa é a graça. Gastar MUITO. De preferência em coisas absolutamente dispensáveis.

- Americanas! Porque alguém ia querer comprar algo de que não precisa?

- Russas! Essa é a coisa mais comunista que já escutei na vida. Tem certeza que não é comunista, Irina?

- Na Rússia não circula tanto dinheiro quanto na América. Aprendemos desde cedo a viver com menos.

- Não é à toa que todos têm tanto medo que os comunistas cheguem ao poder. Você deve ter sofrido lavagem cerebral. Deve ser horrível isso de viver com menos.

- Lydia, não exagera. Irina, ninguém em Beacon Hills gasta tanto no shopping quanto Lydia Martin. Na semana que a Lydia fica de cama resfriada ouvimos na TV os comentaristas de economia dizendo que os níveis de consumo despencaram.

- Bem, estamos aqui para comprar um boné ou uma jaqueta para a Allison. Melhor um boné e uma jaqueta. Aliás, estou precisando de uma jaqueta também. E uma saia. E botas, naturalmente. E uma bolsa nova. E trocar de tablet. Ouvi dizer que saiu um modelo novo.

- Lembrei de algo! Lydia, você fica com a Irina uns minutinhos? Aquela loja tem sapatos maravilhosos. Porque vocês duas não vão na frente? Encontro vocês lá. Tem uma coisa que quero comprar e que está fora da lista de compras da Lydia.

- Jura que existe algo que esteja fora da lista de compra da Lydia?

- Senso de humor. Gosto disso numa garota. Vamos, então, Irina.

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Allison aguarda Lydia e Irina entrarem na loja de calçados, olha em volta disfarçadamente e apressa o passo na direção do garoto moreno de roupas surradas que se mantinha à distância.

- Scott, o que está fazendo aqui? Você odeia vir ao shopping.

- Não é que eu odeie vir ao shopping. Eu só não tenho paciência para acompanhar você e a Lydia fazendo compras.

- Esse me parece um bom motivo para a gente permanecer separados. Temos incompatibilidade de gostos.

- Quanto a isso acho que posso dormir tranqüilo. Duvido que você encontre um namorado que curta esse programa de índio. A menos que você arranje um namorado GAY. Não! Acho que nem mesmo alguém como o Danny teria paciência para uma tarde no shopping com vocês duas.

- O Danny! Quem sabe ele não seria um bom candidato a namorado? Não, bobagem. Só se eu estivesse maluca! O Danny não seria um candidato e sim um concorrente forte. Estou me lembrando da vez que você tirou o Danny para dançar no baile. E de você sair correndo para salvá-lo do kanima na boate gay. Acho que você nunca fez algo tão romântico assim comigo.

- Viu o quanto você está se arriscando em me deixar solteiro? E se eu resolver trocar você pelo Danny?

- Eu te mato e uso a desculpa de você ser um lobisomem.

- Ainda está com muito ódio do Derek? De todos nós, lobisomens?

- Eu não odeio você, Scott. Você sabe que não. Quanto ao Derek, ..

- Ele só fez o que fez para me salvar, Allison. Eu ia morrer se ele não detivesse a sua mãe. O Derek não fez de forma premeditada, nem para atingir a sua família.

- Scott, eu sei de tudo isso, mas ela ainda é a minha mãe e ainda está morta. Não dá para simplesmente passar uma borracha e seguir em frente. Não é tão fácil assim. Eu preciso de mais tempo, Scott.

- Tudo bem. Eu espero o tempo que for preciso.

- Longe do Danny, ok?

- Prometo.

- Você não me respondeu. O que está fazendo aqui no shopping?

- Eu sabia que eu ia te encontrar aqui. Sei que prometi que daríamos um tempo. Mas, depois de te ver ontem no jogo, eu senti ainda mais saudade. Precisava te ver. Falar com você. Pensei até em implorar para a gente voltar a ficar junto.

- Scott, .. eu já disse. Ainda não estou pronta para isso.

- Tem também um outro motivo. Se algo me acontecer .. Eu não queria que estivéssemos brigados.

- Não vai acontecer nada com você, Scott. Eu não vou deixar acontecer.

- Eu não estou falando da sua família. É que ..

- Scott, eu preciso me desculpar com você. Eu devia ter te avisado sobre os caçadores.

- Você SABIA?

- Sabia.

- E porque não me avisou?

- Você vai me odiar por isso! Eu não queria que você alertasse o Derek. Eu queria que os caçadores acabassem com ele e com o Peter.

- Queria ou QUER?

- Uma parte de mim ainda quer. Mas, existe uma parte que está em dúvida.

- Talvez se vocês conversassem ..

- Nós conversamos.

- Sério? Quando foi isso?

- Ontem à noite. Depois do jogo. Ele apareceu na minha casa.

- E não adiantou de nada essa conversa?

- Eu o tive sob a mira da minha arma. Pensei que quando o visse, eu o mataria sem hesitar. No entanto, .. eu abaixei a arma e escutei o que ele tinha a dizer.

Scott abraça Allison de forma protetora. Allison deixa-se abraçar. Scott sente o odor acre da lágrima solitária que escorre pela face da ex-namorada e que acaba absorvida pela blusa de flanela que ele está usando. Mas, Scott interpreta errado o significado daquela lágrima.

'Espero sinceramente que um dia você possa me desculpar pelo que vou fazer a você, Scott.'

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LOCAL: DELEGACIA DO CONDADO DE BEACON, BEACON HILLS


- Stilinski?

- O que faz aqui?

- Sou cidadão de Beacon Hills. Nada mais natural que procure as autoridades constituídas quando minha família é ameaçada.

- Esse é um direito qualquer cidadão. Mesmo de quem foi declarado desaparecido, presumivelmente morto.

- Esse equívoco é um dos motivos que me trouxe aqui. Mas, não parece surpreso de receber na sua delegacia um cidadão presumivelmente morto.

- Não em se tratando de você, Hale. Eu sempre soube que vaso ruim não quebra.

- Lembro que esteve na clínica pouco depois da morte de Laura.

- E você me enganou direitinho com sua representação de catatônico.

- Eu realmente fiquei catatônico por seis longos anos. Quebrado de corpo, mente e alma.

- E agora não há nem mesmo sinal das cicatrizes que você ostentava até há pouco tempo.

- Engano seu. As cicatrizes ainda existem na minha alma.

- Hale, apesar de todas as nossas diferenças, acredite que eu fiquei sinceramente revoltado com o que fizeram com a sua família. E com você. Saiba que eu realmente me empenhei em levar os responsáveis à justiça.

- Imagino que fosse difícil considerando que o antigo delegado era homem de confiança de Gerard Argent.

- Ele criou dificuldades, mas isso não impediu que as investigações avançassem e que o relatório pericial fosse isento. O problema foi a falta de testemunhas e de provas consistentes da responsabilidade dos Argent.

- A justiça acabou sendo feita. Os responsáveis diretos foram punidos.

- E com isso novos crimes foram praticados. Sabe que posso a qualquer momento reabrir a investigação sobre a morte da sua sobrinha. Fatos novos, como sua milagrosa recuperação.

- Laura morreu em conseqüência de um ataque de animal.

- Eu sei exatamente que tipo de animal matou a sua sobrinha.

- Stilinski, mesmo os Argent estão de acordo que a justiça foi feita. Acabou.

- Eu sei que os Hale e os Argent seguem seus próprios códigos. Mas, eu também sigo um código. As leis do Estado da California.

- Respeito sua integridade. Sempre respeitei. É por isso que estou aqui. Estamos novamente ameaçados.

- Pretende formalizar uma queixa?

- O homem que se encontra neste momento na sala de interrogatório. O que realmente sabe dele?

- É um agente federal. Veio investigar as mortes na cidade.

- Agente Clay Miller, do FBI? Ele está usando aqui a mesma identificação FALSA que usou em Cody, Wyoming.

- Falsa? Como assim, FALSA? Lembro dele falar alguma coisa a respeito de Cody. Algo a respeito de uma investigação sobre ataques de lobos que ele teria feito no Wyoming. É isso mesmo. Lembro que ele comparou Cody a Beacon Hills.

- Não foi simplesmente uma investigação. Ele exterminou toda uma alcateia. Um alfa e quatro betas.

- Esta falando de .. lobisomens?

- O que acha, xerife? Só acho estranho que até agora não tenha feito a associação. A menção a CODY não lhe faz lembrar alguém? Alguém MUITO PRÓXIMO?

O xerife Stilinski sente seu coração acelerar e sua vista escurecer. Se ele não estivesse sentado, certamente cairia. Seus olhos ardiam, mas de forma alguma podia permitir que as lágrimas escorressem. Não ali, no seu ambiente de trabalho. Não na frente de Peter Hale. Não na frente do responsável por seu parceiro ter se transformado num monstro.

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Quando o policial Chad entrou na sala, Peter estava de pé, a mão pousada sobre o ombro do xerife num gesto de apoio. Já o xerife mantinha a cabeça baixa. Ainda estava visivelmente abalado pelo choque da revelação que o antigo parceiro e compadre, o homem que um dia foi seu melhor amigo, estava morto.

O policial pareceu não notar o clima estranho. O que ele tinha a relatar não podia esperar.

- Xerife! Estão chegando à central telefônica da delegacia diversas ligações relatando um tumulto seguido de tiroteio no shopping.

O dever mais uma vez falou mais alto. Não importava que a dor em seu peito fosse comparável à da perda da esposa. O que quer que estivesse sentindo, teria que ficar para depois. Já acontecera. Gen estava morto. Não podia ser mudado. Tinha que focar no agora. Havia civis em perigo. Havia um trabalho a ser feito. E ele o faria, mesmo que morrendo por dentro.

O xerife Stilinski se levanta num salto, busca sua arma e põe no coldre. Depois, leva a mão ao distintivo buscando forças. Isso sempre funcionava para ele. Lembrava a quem havia jurado servir.

- Que tipo de tumulto? O que aconteceu?

- Parece que um rapaz ficou descontrolado. Ele invadiu lojas e quebrou vitrines enquanto perseguia duas garotas.

- E precisavam dar tiros? A segurança do shopping não conseguiu dar conta do arruaceiro?

- Disseram que o tal rapaz tinha garras e feições animais. Alguém falou em LOBISOMEM.

O xerife e Peter Hale trocaram olhares que o policial Chad mais uma vez pareceu não notar. Continuou seu relato.

- E não foram os seguranças que atiraram. Foi um homem alto de cabelos claros curtos e óculos escuros ainda não identificado.

- Alguém ferido?

- O tal rapaz lobisomem. Foi atingido por diversos tiros. Parece que o mataram.

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Agora sabemos a identidade do alfa morto no PRÓLOGO da fic e também do seu assassino. Esclarecida também a relação entre o lobisomem assassinado e Stilinski pai.


NO PRÓXIMO CAPÍTULO: OS ARGENT E A MORTE DO SCOTT


10.06.2013