CAPÍTULO #24
LOCAL: BEACON HILLS HOSPITAL
MINUTOS DEPOIS
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Os paramédicos tinham se comunicado com o hospital e quando a ambulância chegou já havia toda uma equipe a postos para realizar os procedimentos médicos de emergência num quadro de politraumatismo, ferimentos generalizados e perda acentuada de sangue.
Os médicos tinham sido informados que o quadro do paciente era delicado e que havia ferimentos de todas as classificações dependendo de para onde se olhasse. Havia ferimentos incisivos, contusos, perfurocortantes, escoriações e lacerações, muitos deles profundos e com grande probabilidade de contaminação. Também foram informados que os cortes e ferimentos estavam concentrados na cabeça e na parte superior do corpo. Havia suspeita de traumatismo craniano e os médicos sabiam que ferimentos na cabeça sempre envolviam o risco de sequelas neurológicas.
Por sorte, o Hospital de Beacon Hills era bem equipado e contava com uma equipe de profissionais qualificados. Essa excelência era mantida com verbas regulares recebidas da Fundação Hale e por doações de particulares, principalmente da família Argent.
A natureza e a extensão dos ferimentos faziam supor que o homem sofrera acentuada perda de sangue, mas o quadro não parecia tão grave quanto o que seria esperado. Os paramédicos estavam monitorando a pressão arterial, a pressão no pulso, a frequência cardíaca e a frequência respiratória do paciente e o quadro parecia estar evoluindo surpreendentemente bem. O indivíduo não entrara em choque, a hemorragia cessara em praticamente todos os ferimentos externos e a pressão arterial não estava na faixa crítica. Na verdade, parecia que a pressão arterial estava estabilizada e em recuperação.
A ambulância parou em frente à entrada no hospital e enfermeiros se apressaram em retirar a maca com o paciente imobilizado e conduzi-lo à ala médica. Numa situação como aquela, de risco iminente de morte, os procedimentos burocráticos ficavam em segundo plano.
Dean perdeu tempo estacionando e quando entrou na recepção do hospital, Derek já havia sido encaminhado para a ala de emergência, de acesso restrito ao quadro médico.
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Derek relaxou momentaneamente quando viu que o caçador fora impedido de acompanhá-lo na ambulância. Ele com certeza não atribuiria uma rápida evolução do seu quadro clínico a um milagre divino. Ia somar dois e dois e concluir que a licantropia era a verdadeira causa do aparente milagre. E agir de acordo com seu código pessoal de justiça. Um código que justificava o extermínio de tudo que caísse na categoria "monstro".
Derek nunca parara para pensar em como se dava a transformação de homem para lobisomem. Ao que parecia, o caçador pensava no processo como o resultado de uma infecção. A mordida transmitindo algum tipo de substância ou um vírus que desencadeava a transformação. Mas, nascera lobisomem. Filho de lobisomens. Havia um fator genético. Lobisomens não são humanos. São espécies diferentes. Mas, era fato que uma mordida podia transformar um humano num lobisomem. Como era possível? Talvez Peter tivesse a resposta.
Esses pensamentos passaram por sua mente, mas não de uma forma tão linear e coerente. Sua mente divagava buscando fugir das dores intensas e do medo de ser morto naquele momento de total vulnerabilidade. Ainda estava muito fraco. Sonolento. Exausto. Mesmo o esforço de abrir os olhos lhe parecia excessivo. Embalado pelo movimento do veículo e o ruído monótono do motor, Derek se deixa envolver pela escuridão. Mesmo que momentaneamente, sentia-se seguro com os enfermeiros.
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LOCAL: BEACON HILLS PRESERVE LODGE
VINTE MINUTOS DEPOIS
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- Como está o homem?
- Está sendo tratado no hospital distrital. Eu segui a ambulância, mas até estacionar, ele já tinha sido levado para a ala de tratamento de emergência.
- Não podemos perder esse homem de vista. Pesquisei sobre licantropia e parece que o processo infeccioso costuma ser rápido e irreversível. Você disse que os ferimentos foram graves, mas que ele não chegou a ser mordido. A equipe do hospital deve começar pela limpeza e antissepsia dos ferimentos. Isso nos permite alimentar uma esperança. O mais comum é o ataque acontecer em áreas de mata e as vítimas dificilmente recebem tratamento médico a tempo hábil. Os que não morrem, acabam transformados.
- Temos um problema mais imediato. Vou precisar de ajuda para me livrar do corpo do lobisomem morto.
- Estava pensando uma coisa. Tínhamos mesmo que procurar os Argent . Eles podem nos ajudar a dar um destino ao corpo.
- Não tínhamos combinado não procurar os Argent até sabermos exatamente o que está acontecendo?
- A situação agora é outra. Esta tarde, enquanto você estava AQUI no hotel se REDESCOBRINDO, muita coisa estava acontecendo na cidade. Ficou sabendo do tiroteio no shopping?
- Não, o Danny e eu estávamos ..
- SEM DETALHES, POR FAVOR. Aliás, não abra a boca para pronunciar o nome deste sujeito na minha frente.
Dean achou melhor não responder. Não queria deixar Sam ainda mais irritado do que ele já estava. No fundo, sabia que o que estava fazendo era pura infantilidade. Estavam no meio de um caso. Pessoas estavam sendo mortas. Havia lobisomens à solta. A lua cheia estava próxima. Deviam estar focados no caso e não discutindo. Aquela história começara como uma peça que pretendia pregar no irmão. E já perdera toda a graça que poderia ter. Não havia porque levar aquilo em frente. O melhor era confessar logo que fora apenas uma brincadeira. Era para eles estarem rindo do mal entendido e não naquele clima pesado.
- Sam, eu queria te confessar ..
- Se for mais alguma VIADAGEM, eu prefiro NÃO SABER.
'Ah, então é assim?' A resposta atravessada faz o sangue de Dean ferver. Sam não tinha o direito de ditar o que era melhor para ele. Ele tinha todo o direito de ir para a cama com quem bem entendesse. Até mesmo com um homem. Não que tivesse qualquer intenção de fazê-lo, mas estaria no seu direito. Era uma questão de princípios.
- Sam, não me faça ter que escolher entre você e o Danny. Sei que tudo aconteceu muito rápido, mas eu não tenho nenhuma dúvida. EU AMO O DANNY E VOU LUTAR PARA FICAR COM ELE.
Sam escuta aquilo estupefato. O controle mental da criatura sobre Dean era muito maior que imaginara. Devia ter matado a criatura quando tivera a oportunidade. Agora, Dean ficaria de sobreaviso. Não duvidava que Dean pudesse até mesmo atacá-lo para defender a criatura. Era preciso fazer Dean acreditar que não tentaria nada contra Danny.
- Se você está assim tão certo sobre os seus sentimentos .. acho que só resta me conformar. Você é um adulto e tem todo o direito de tocar sua vida como bem entender.
Dean dá um sorriso satisfeito e abraça o irmão. Parecia que finalmente Sam recobrara a razão. Finalmente dissera o que ele esperava escutar. Sam só precisava de um pouco mais de tempo para se acostumar com a ideia de ter um irmão gay. Era importante para Dean saber que tinha o amor e o apoio do irmão independentemente de suas escolhas. Amava o irmão de forma incondicional. Queria de ver esse amor retribuído na mesma intensidade.
Sam hesita num primeiro momento, mas acaba correspondendo ao abraço. Dean não tinha culpa do que estava acontecendo. Ele estava sendo controlado. Não era a primeira vez que passavam por isso. Mataria Danny e tudo voltaria ao normal. Sam sorri satisfeito. Em pouco tempo, teria seu irmão de volta.
'A primeira coisa a fazer é descobrir exatamente que tipo de criatura Danny é e qual a natureza dos seus poderes. Conhecer suas fraquezas. Mas, pelo medo que demonstrou, aposto que basta cravar uma faca no coração. Essa com lâmina de prata para garantir. Isso deve quebrar o encanto e libertar Dean. E aí meu irmão você vai me agradecer pelo resto da vida por salvá-lo das garras deste monstro corruptor.'
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LOCAL: BEACON HILLS HOSPITAL
NAS HORAS SEGUINTES
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Derek foi despido e teve o corpo lavado com diferentes produtos de antissepsia conforme o tipo de tecido e o tipo ferimento: água, iodóforo, clorohexidina ou solução aquosa de permanganato de potássio. O combate externo a agentes infecciosos aliviava a demanda sobre seu sistema imunológico e acelerava bastante no processo de cicatrização.
Sua pressão arterial estava estabilizada e com isso os médicos descartaram a necessidade imediata de transfusão. Felizmente, porque teriam que coletar uma segunda amostra de sangue e refazer todos os exames. A primeira amostra, tirada assim que o paciente dera entrada no hospital, dera um resultado estranho quanto à determinação da tipagem sanguínea. Provavelmente sofrera contaminação.
Depois de lavado e feita a antissepsia dos ferimentos externos, foram feitas suturas e aplicada uma injeção de antibiótico para afastar o risco de infecção generalizada. Os médicos estavam esperançosos. Alguns dos ferimentos que, à primeira vista, pareciam extremamente sérios, mostraram-se menos graves depois de limpos. Muitos cortes que pareciam profundos agora mostravam-se um pouco mais que arranhões.
Tratados os ferimentos, era a vez dos traumatologistas e dos neurologistas entrarem em ação. Duas horas após ter dado entrada no hospital, Derek é levado à sala de tomografia computadorizada.
Derek não estava em coma ou inconsciente, apenas profundamente adormecido. O processo de cura demandava muito do organismo. O sono era fundamental para acelerar o processo de regeneração em curso no seu organismo.
Seu rosto já não estava tão inchado. Quem o conhecesse já conseguiria reconhecê-lo. Alguém como o auxiliar de enfermagem TC O'Connor, um dos muitos homens de confiança de Gerard Argent, plantados em funções e cargos onde poderiam ser úteis. Ou a enfermeira Gertrud Hauser, no momento responsável pelo xerife Stilinski. Se um deles descobrisse que Derek Hale estava internado no hospital lutando pela vida, avisaria imediatamente Chris Argent e pediria instruções. Ou talvez não. Sabiam exatamente o que Gerard Argent, quem realmente viam como chefe, ordenaria numa situação como aquela.
O processo de cura prosseguia e uma costela já voltara para seu lugar. Naquele ritmo, Derek estaria completamente recuperado em quatro horas.
Restava saber se esse tempo lhe seria dado.
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ESCLARECIMENTO:
O que define espécies diferentes é a impossibilidade de cruzamento gerando descendentes férteis. Talvez afinal os lobisomens não sejam uma espécie diferente de nós.
NO PRÓXIMO CAPÍTULO: STILES EM ESTADO DE PÂNICO
30.12.2013
