CAPÍTULO #26


LOCAL: BEACON HILLS HOSPITAL

IMEDIATAMENTE DEPOIS

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Stiles respira fundo e pousa a mão sobre a maçaneta. Não podia deixar seu pai naquele quarto à mercê de dois assassinos. Para falar abertamente o que estavam falando é porque tinham certeza absoluta que seu pai não estava escutando. Que não podia escutar. O que esses miseráveis fizeram .. ? Exasperado, Stiles gira a maçaneta. Gira mais uma vez. Outra. Trancada. Bate algumas vezes na porta com a mão aberta..

- PAI? O QUE ESTÁ ACONTECENDO AÍ DENTRO? O SENHOR ESTÁ BEM?

Stiles elevara o tom da voz. Se precisasse, GRITARIA até atrair a atenção de todo o hospital. Entraria naquele quarto para resgatar o pai nem que fosse preciso derrubar a maldita porta. Stiles toma distância disposto a lançar seu corpo de encontro à porta e arrombá-la.

Não foi necessário. A porta é destrancada e um homem sai apressado, forçando a passagem, tentando não mostrar o rosto. Ele meio que esbarra, meio que empurra Stiles de forma brusca e segue em frente, passo apressado, sem olhar para trás e sem um pedido de desculpas.

- Ei! Um pouquinho de educação não ia matar você, sabia?

O homem dobrou o corredor e sumiu de vista. Se Stiles não o tivesse visto antes não seria capaz reconhecê-lo deste segundo breve encontro. Mas, era até bom que o homem pensasse que conseguira se safar.

Stiles faz menção de entrar no quarto, mas dá de cara com uma barreira intransponível: a enfermeira Gertrud Hauser que, com seu volumoso corpo, obstruía completamente a passagem.

- O horário de visitas acabou faz tempo, garoto. Volte amanhã.

- Eu passei mal quando cheguei. Fui liberado só agora. Quero ver meu pai.

- Não me surpreende que tenha passado mal. Vê-se logo o quanto você é um garoto .. FRÁGIL. DE-LI-CA-DO, eu diria. Destes que a gente desmonta com um sopro. Aposto que foi muito mimado pela MA-MÃE.

- Eu tive a melhor mãe do mundo.

- Pena que ela não tenha criado você para ser um HOMEM de verdade. Mas, talvez você tenha sorte e encontre uma mulher FORTE que o ponha no rumo certo. Supondo que GOSTE de mulheres. Bem, não posso ficar aqui jogando conversa fora. Tenho muito trabalho a fazer. Portanto, me dê licença. Não estamos no horário de visitas. Ela faz menção de que vai fechar a porta.

O sangue sobe à cabeça de Stiles. Que ódio que estava sentindo daquela mulher horrível. Sentiu vontade de partir para cima dela e esganá-la. Só não fazia isso porque .. bem, porque ela era GRANDE, FORTE e ASSUSTADORA. Mesmo assim, não ia deixar-se intimidar por ela. Era a vida de seu pai que estava em jogo. E ela não era mais assustadora que Peter Hale ou que Gerard Argent. Bem, .. talvez fosse.

- Enfermeira, não me interessa nem um pouco a opinião que tenha sobre mim. Eu vim aqui para ver meu pai e VOU VER. Nem que tenha que voltar aqui com o DIRETOR do hospital, um velho AMIGO do meu pai. E aí aproveitamos para conversar sobre o quê a senhora enfermeira fazia trancada aqui neste quarto com seu amigo mal-educado de branco.

- Está me AMEAÇANDO, garotinho? Você tem uma mente muito SUJA, sabia? Mas, até entendo que tenha imaginado coisas LI-BI-DI-NO-SAS a meu respeito. Uma mulher como eu provoca esse tipo de pensamento nos homens. Os homens me veem e logo imaginam SEXO. É natural. Afinal, quem não gosta de uma mulher FARTA?

A enfermeira fez a afirmação - disfarçada de indagação - num tom sensual ao mesmo tempo em que erguia os seios descomunais com as mãos, exibindo-os. Em seguida, molhou lentamente os lábios com a língua chamando a atenção para a sua boca e fechou-os num beijo molhado.

- Para resistir a mim, só sendo muito gay. Mas, mesmo caras gays me acham atraente. Ou não me acha atraente, rapazinho?

A mera sugestão de sexo com aquela mulher faz Stiles sentir-se nauseado. Nem que sua vida dependesse disso. Sabia que muitos homens gabavam-se de não dispensar mulher alguma, mas também sabia que não era um desses homens. Era mais seletivo. Isso não fazia dele menos homem, fazia? Tinha uma inteligência acima da média. Isso deveria significar que suas escolhas eram mais inteligentes que as da maioria. Não era qualquer mulher que o atraía. Precisava ser bonita, elegante, culta, inteligente, divertida e interessante. Alguém como Lydia ou Irina.

A enfermeira dá um passo à frente e começa a desabotoar o vestido expondo o sutiã tamanho monstro. Stiles dá um passo atrás, depois outro, outro, até dar com as costas na parede oposta do corredor e ficar ali grudado. O pânico domina Stiles e ele fica sem ação. A expressão de horror em seu rosto denuncia seus sentimentos.

A enfermeira Hauser sorri satisfeita. Ela cultivava no hospital uma fachada de alguém com fortes convicções religiosas e elevados padrões éticos. Uma mulher rígida e moralista, de moral inatacável. Ninguém ia acreditar naquele moleque quando ele contasse que ela se insinuara sexualmente para ele. Isso ia desacreditar qualquer coisa que ele dissesse sobre ela estar com um homem que ele nem saberia identificar trancados fazendo sabe-se lá o que no quarto de um paciente. Mesmo que ele tenha escutado falarem sobre matar o lobisomem e resolvesse contar o que escutara, quem acreditaria?

A enfermeira volta a abotoar o vestido, ajeita os seios e o cabelo e já recomposta e com uma expressão séria e profissional, segue pelo corredor na direção oposta à que o auxiliar de enfermagem O'Connor tomou.

Stiles fica ali um tempo parado de boca aberta, ainda confuso.

O que fora aquilo tudo? O que tinha acontecido ali afinal? Primeiro aquela mulher diz coisas horríveis, depois se insinua para ele, ameaça tirar a roupa – neste momento, Stiles faz novamente a expressão de horror – e, de repente, simplesmente vai embora ?

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Stiles entra cauteloso no quarto, aproxima-se lentamente do pai adormecido e, ao confirmar que ele está bem, que realmente está apenas adormecido, se debruça sobre ele e o abraça, aliviado.

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Stiles traz uma cadeira para próximo da cama onde está o pai e finalmente relaxa. Estava tudo bem. E, então, uma onda de desânimo o domina. Não, não estava tudo bem. Seu pai estava bem, mas Scott estava morto. Morto como em breve Derek também estaria.

- Você vai estar morto e minha vida vai voltar ao normal. Acabou. Chega de perigos, chega de machucados, chega de humilhações. Você vai colher o que você mesmo plantou.

Imagens de Derek passam por sua mente. Derek, seus olhos verdes e seu sorriso cínico. Derek, seus olhos vermelhos e suas presas à mostra.

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- Derek, por favor. Pensei que fôssemos amigos.

- Amigos? Nós dois? Boa piada.

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- (..) apesar do que eu disse, saiba que eu me considero um bom amigo seu. Eu não matei você, matei? Nem mordi. Nem o retalhei com as minhas garras. Nem o machuquei .. muito. Isso prova que sou seu amigo.

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- Eu vim avisá-lo para ficar BEM LONGE da Irina. Ou posso deixar de considerá-lo meu amigo. E coisas ruins podem acontecer com você. Estou sendo claro, Stiles? Ou será que eu vou precisar desenhar? Se quiser que desenhe, arranje também uma caneta vermelha. Sabe, meus olhos.

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- Stiles .. eu não estaria sendo um cavalheiro se comentasse o que aconteceu entre as quatro paredes do quarto da Irina ontem à noite.

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- Porque você não segue a gente? Ah! Esqueci que alguém muito mau furou os seus pneus.

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Stiles estica a cabeça para trás e fica olhando para o teto como se houvesse uma mensagem oculta na superfície uniformemente branca.

- Sem você no meu caminho, talvez eu tenha uma chance com a Irina. Minha vida vai ser muito melhor sem você me atrapalhando.

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O'Connor mantinha, em seu armário no hospital, um vidrinho com nitrato de prata, substância conhecida por muitos como 'cáustico lunar', um nome bem apropriado ao uso que teria. O produto concentrado é usado em hospitais para cauterização da pele após a remoção de tumores cutâneos e verrugas. O produto, quando muito diluído, tem ação antisséptica. A solução concentrada é incolor como água. Injetado na corrente sanguínea mata. Mata um homem. Mas, o efeito é ainda mais fulminante em lobisomens.

Aplicara a substância num ômega a mando de Gerard Argent. O velho comparara o produto a uma bala de prata derretida se espalhando em segundos por todo o corpo da criatura, queimando-a por dentro, sobrepujando a capacidade regenerativa do lobisomem. Uma forma rápida e eficaz de dar cabo destes monstros. O ômega estremeceu e travou, enrijecido. Morto. Mais rápido e eficaz que uma bala de prata. E muito mais barato.

Hale dera entrada no hospital com ferimentos seriíssimos. Tudo devidamente registrado no prontuário. Ninguém que o vira chegar ao hospital esperava que sobrevivesse. Ninguém ia estranhar se morresse. Morto, o processo de cura do monstro ficaria interrompido. A morte seria atribuída aos ferimentos. Ninguém ia suspeitar de envenenamento.

O'Connor pega uma seringa descartável no estoque, enche a seringa com o líquido venenoso e a esconde no amplo bolso de seu jaleco com a agulha protegida pela bainha de plástico. Segue apressado para ala de emergência do hospital.

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Hale já tinha sido transferido para a UTI. Um enfermeiro estava monitorando seus sinais vitais. As primeiras 24 horas são sempre as mais críticas. É nelas que o destino do paciente é decidido.

- Esse é o homem que chegou quase morto?

- É ele. Os ferimentos eram horríveis. Eu ajudei na antissepsia. É um verdadeiro milagre que o estado dele esteja estabilizado.

- Estabilizado? Rápido assim?

- É. O organismo dele está reagindo de forma surpreendente. A pressão sanguínea já está na faixa normal. Eu estava observando esse corte no braço. Era um corte feio, profundo; e agora o corte mal é visível.

- Estranho mesmo. Bem, pode deixar ele comigo. Eu assumo daqui para frente. Bom descanso.

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- Agora somos só eu e você, monstro. Meu pai foi morto por um lobisomem e cada lobisomem que eu mato é uma homenagem que eu presto a ele. A sua vez chegou, Derek Hale.

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NO PRÓXIMO CAPÍTULO: SCOTT LITERALMENTE PERDE A CABEÇA (CORTESIA DOS WINCHESTER)


CURIOSIDADES:

A inspiração para algumas das situações deste capítulo vieram de piadas. Não sou bom em contar piadas, mas vamos lá:

1) Um motorista é parado por um policial por excesso de velocidade. O policial pergunta de forma sarcástica se ele está correndo tanto por estar fugindo depois de matar uma pessoa. O motorista responde que estava muito acima do limite de velocidade porque tinha matado a sogra depois que ela descobriu que ele era traficante de drogas. Que tinha matado, esquartejado e estava transportando o corpo da sogra e também as drogas no porta-malas. O policial fica horrorizado. Chama pelo rádio equipes da divisão de homicídios e da divisão antidrogas e, para se promover, chama a toda a mídia para que testemunhasse a prisão daquele perigoso criminoso. O circo é armado e logo chegam ao local dezenas de policiais e equipes de vários jornais e estações de TV. O policial pede então ao motorista que confesse seus crimes na frente de todos como fez antes para ele e o motorista diz que não sabe o que está acontecendo e que aquele policial surtou. Que o policial o fez parar sem nenhum motivo e começou a gritar que ele era um assassino, um traficante. Logo ele, um pacato chefe de família. O policial, desconcertado e já preocupado, pede então que ele abra o porta-malas. Ele abre e todos constatam que o porta-malas estava vazio. E aí o motorista completa: esse policial maluco ainda me acusou até de estar dirigindo acima do limite de velocidade.

2) Um rapaz solteiro explica que continua solteiro porque nunca encontrou a mulher certa para ele. Ele só se casaria com uma mulher que fosse bonita de corpo e de alma, elegante, culta, inteligente, alegre, divertida, interessante e independente. Uma mulher que, ao mesmo tempo, fosse uma profissional de sucesso e uma esposa dedicada. Que tocasse divinamente piano e falasse fluentemente várias línguas. Já se fosse para casar com um homem, .. bastava que fosse homem que já estava bom.


18.01.2014