CAPÍTULO #29
LOCAL: RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA ARGENT
IMEDIATAMENTE DEPOIS
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- Aqui é Christian Argent! O que sabe de um homem que deu entrada no hospital no início da noite de hoje seriamente ferido?
- (..)
- O QUÊ? Tem certeza disso?
- (..)
- E estava esperando o quê para informar? Devia ter me avisado assim que soube.
- (..)
- Isso foi há quanto tempo?
-(..)
- Estamos indo para aí. Me espere no estacionamento.
- O que houve? O homem morreu?
- Vocês não vão acreditar. O homem atacado .. é Derek Hale.
- Como é que é? DEREK HALE? E somos informados somente agora?
- Frau Gertha sempre foi um de nossos agentes mais confiáveis. É enfermeira do hospital distrital. O problema é que a lealdade dela é para com meu pai. Em situações com essa, ela segue os protocolos que ele implantou. Sei dos protocolos, mas não os conheço em detalhes. Cada homem só conhece a parte do protocolo que está incumbido de realizar e age sem necessidade de confirmação de ordens. O único pré-requisito é a certeza de tratar-se de um lobisomem.
- E o que isso significa neste caso específico?
- Acredito que vão matar Derek Hale com uma injeção de nitrato de prata.
- Cáustico lunar. Eficiente. É uma ideia que podemos aproveitar. Não é fácil reunir prata suficiente para fabricar uma bala. E não podemos ficar na dependência de uma única. E, aliás, é o que me sobrou: uma bala.
- Meu pai chamava essa injeção de bala de prata líquida.
- E o que a sua agente está esperando?
- Na verdade, nada. Temos um segundo homem no hospital. Na verdade, temos ao todo quatro homens. Esse segundo homem, um auxiliar de enfermagem, já está em ação. Talvez até já tenha dado cabo de Hale.
- Ele é confiável?
- O pai dele foi morto por um lobisomem. O difícil seria convencê-lo a não matar Derek Hale.
- Estamos perdendo tempo aqui. Vamos!
- Dean, eu gostaria de ficar com o Impala.
- Por quê? Está pensando em não irmos juntos para o hospital?
- Eu não sou necessário lá. Você é perfeitamente capaz de cuidar sozinho de um lobisomem moribundo. Que, pelo que entendi, já pode até estar morto. É melhor que eu me concentre em nosso próximo alvo: a rusalka. E você não vai estar sozinho. Tem o Chris e os homens dele dando cobertura.
- Ainda assim .. Tem mesmo certeza que não quer vir conosco?
A voz de Dean deixa transparecer a sua decepção. Parecia que tudo conspirava para afastá-los cada vez mais. Os seis meses que ficara preso no Inferno. O ano inteiro que Sam caminhou pelo mundo sem alma. O ano que ele, Dean, passou no Purgatório. A desavença sobre Amy. Depois, Benny. E, agora, Danny.
- Separados podemos atuar em mais frentes. Não é só a rusalka. A lua cheia está próxima. E, mesmo que Derek Hale esteja morto, não podemos esquecer dos membros de sua alcateia que estão à solta: o antigo alfa Peter Hale e os dois adolescentes transformados. .. Não se preocupe, cuidarei direitinho do Impala. Prometo.
E completou mentalmente: 'Mas, primeiro cuidarei de seu amiguinho hawaiiano Daniel Mahealani'.
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LOCAL: PRÉDIO ONDE MORA DANNY MAHEALANI, NA REGIÃO CENTRAL DE BEACON HILL
IMEDIATAMENTE DEPOIS
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Não foi difícil para Sam Winchester conseguir o endereço de Danny Mahealani. Afinal, todo mundo paga contas. Obter a informação do banco de dados da empresa local de distribuição de energia não levou nem dez minutos. Em quinze, Samuel estacionava o Impala a um quarteirão do prédio de dois andares em que Danny morava.
Abriu o porta-luvas e retirou de lá a faca de caça com lâmina de prata. Admirou por alguns segundos a beleza da arma antes de prendê-la num suporte especial sob a jaqueta. Suspirou esperançoso. Logo teria seu irmão de volta. Não duvidava que a primeira coisa que Dean faria seria seguir para algum inferninho e tirar o atraso com alguma vadia. Dean ia ficar bem. As coisas entre eles iam voltar ao normal.
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Como imaginara, o prédio não tinha porteiro. A porta lateral era destravada pelo morador via interfone após confirmar a identidade do visitante pela câmera do sistema. Qualquer um no prédio podia estar vendo seu rosto naquele momento sem que soubesse. Torcia para que não. Olhou em volta, nenhuma outra câmera à vista. Beacon Hills ainda não estava completamente integrada à paranoia global.
Sam usou uma chave mestra para entrar no prédio sem chamar atenção. Tinha a esperança de poder entrar, fazer o serviço e sair sem ser visto. Danny ia engrossar as estatísticas de homossexuais assassinados em casa por supostamente terem se envolvido com a pessoa errada. Um tipo de crime banalizado pela repetição. Se sentiu desconfortável por reforçar um comportamento que sempre condenou. Mas, não era o fato de Danny ser ou não gay. Era o controle que exercia sobre inocentes distorcendo suas vontades.
Usar seus poderes para ser mais facilmente aceito pelos colegas não era em si algo condenável. A princípio, não prejudicava ninguém. Mas, no momento, que passou a usar esses poderes para arranjar parceiros de cama, criou uma situação não essencialmente diferente de um estupro.
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Em segundos estava em frente à porta do apartamento de Danny, o 205. Já era tarde da noite, todos os moradores já deviam estar em casa. Escutou sons de movimentação vindos de apartamentos vizinhos. Vozes de criança num deles. Precisava redobrar os cuidados. Não podia arriscar a vida de inocentes. Precisava ser discreto. Não podia arriscar que os vizinhos fossem atraídos pelo barulho. Para dar certo, não podia haver testemunhas. A verdade é que não estava acostumado a agir em área urbana. Ou, pelo menos, não em áreas residenciais. Pela primeira vez, sentia falta de uma pistola equipada com silenciador.
Sam toma um susto quando a porta é subitamente aberta e ele dá de cara com Jackson Whittemore, que aparentemente estava de saída do apartamento de Danny. Quase fora flagrado com a chave mestra enfiada na fechadura.
- CLAY? O que está .. Ah! Agora entendi o porquê de você estar me despachando tão rápido, Danny. Não precisava esconder de mim que tinha um encontro. Se tivesse dito de uma vez, eu teria saído bem antes.
- Não é nada disso, Jackson. E eu não estava despachando você. Acho até .. que você podia ficar um pouco mais e .. nos fazer companhia.
A expressão no rosto de Sam mostrava inequivocamente o que ele pensava daquela sugestão. Jackson tinha se voltado para Danny e não viu o olhar assassino que Sam dirigiu ao hawaiiano. Havia um aviso muito claro naquele olhar. Mas, quando Jackson voltou seu olhar para Clay, este já ostentava o mais amigável dos sorrisos.
Danny cogitara segurar Jackson ali por um tempo enquanto pensava numa saída para a sua situação. O olhar que Clay lhe dirigiu o fez mudar de ideia. Não tinha o direito de arriscar a vida de Jackson dessa forma. Clay era um assassino. Não tinha a menor dúvida sobre o que o trouxera ao seu apartamento. Ele viera matá-lo. Vira o vídeo de Ankeny. Não podia arriscar a vida de Jackson nem a de seus vizinhos.
- Vou fingir que acredito que querem mesmo alguém empatando o lance de vocês. Vou indo, Danny. Mais uma vez, obrigado pelo apoio. Eu estava precisando desabafar. Até mais, amigão. Nos falamos amanhã. Quero riscar o dia de hoje do calendário. Clay, cuida bem do meu amigo. E saiba que estou torcendo para que vocês se acertem. Juízo rapazes.
Sam respira fundo. Tudo que não precisava era ter Jackson de testemunha. Logo ele, que podia identificá-los pelos nomes que estavam usando na cidade. Mas, quanto a isso, não havia mais nada que pudesse fazer. Jackson era humano. Não podia matar o rapaz. Restava a possibilidade de também Jackson estar sob a influência de Danny e que, com Danny morto, Jackson já não se considerasse mais tão amigo da criatura. E, depois, já eram procurados por inúmeras mortes. Uma a mais não ia fazer diferença. O problema é que poderiam ter que fugir da cidade sem terminar a missão.
- Sr. Mahealani, é hora que resolvermos nosso assunto pendente. Saiba que sou bastante hábil com essa faca. NÃO. TENTE. NADA. Não queremos atrair a atenção dos vizinhos, não é mesmo?
Não passou despercebido de Sam o olhar de esgueira que Danny deu para o computador. O que a criatura não queria que ele descobrisse?
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Atento a cada movimento de Danny, Sam se aproxima do computador, mexe no mouse para tirar do modo economia de energia, maximiza o ícone e faz rodar o vídeo. O vídeo do massacre de Ankeny? Suspirou irritado. Será que tudo que é monstro ia esfregar esse maldito vídeo na sua cara.
- Esses não somos nós.
DROGA! Não tinha que ficar se explicando para cada monstro que encontrasse. Danny conhecia suas verdadeiras identidades. Mais um motivo para matá-lo e rápido.
Sam empunha a faca de caça e caminha na direção de um assustado Danny.
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LOCAL: BEACON HILLS HOSPITAL
NÃO MUITO TEMPO ANTES
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Stiles olha para o pai adormecido e se sente envergonhado. Era filho de um homem da lei e não aprendera NADA com ele. Seu pai nunca cruzaria os braços e deixaria um homem ser assassinado, por mais que ele tivesse feito por merecer. Mesmo que fosse um assassino. Mesmo que fosse o pior dos assassinos. Seu pai colocaria suas próprias convicções de lado e faria cumprir a lei. Ele sabia que era apenas um policial. Não um juiz. Não cabia a ele decidir quem merecia viver.
Outra coisa que seu pai jamais faria era usar seu posto para resolver questões pessoais. Quando estava fardado era o xerife e se fosse desacatado daria voz de prisão. Quanto estava à paisana, tratava dos assuntos como qualquer outro cidadão prejudicado em seus direitos.
Seu pai era um grande homem. Sentiu orgulho de ser filho dele. Queria que o pai também se orgulhasse do filho que tinha. E, para isso, ele também tinha que fazer o que era certo. Não o que lhe era conveniente.
Derek o ferira, o humilhara, frustrara seus sonhos de levar Irina Shaykhlislamova para a cama, mas nenhum destes atos era punido com pena capital no estado da California.
O mundo seria certamente um lugar mais justo se um bastardo arrogante como Derek Hale fosse condenado à morte por impedir que alguém menos agraciado em aparência e força tivesse uma noite de amor com a garota mais desejada de Bracon Hills. Teria sido a sua primeira noite de amor. E com a garota mais desejada de Beacon Hills. Não era algo que pudesse esquecer e perdoar.
Dera a Derek todas as chances de serem verdadeiros amigos. Arriscara a própria vida para salvá-lo. Mais de uma vez. Sem ter um fator de cura que o protegesse. Derek estaria morto se ele não o tivesse tirado do fundo da piscina e mantido seu rosto fora d'água. Por que então Derek insistia em tratá-lo com tanto desprezo?
Se Derek morresse, jamais teria a resposta. Não passara horas lutando para evitar que Derek se afogasse para permitir agora que um FDP o executasse friamente. O mesmo FDP covarde que o espancara depois do jogo em que fora o herói do time. Aquele homem o espancara sem dó. O largara quebrado, cheio de hematomas e sentindo dores que mal permitiam que ficasse em pé. Já Derek .. Derek aprontara diversas contra ele, mas, a bem da verdade, nunca o ferira de verdade. Nunca ficara com hematomas e a dor desaparecia em minutos.
Alguém com a força que Derek tinha faria um estrago enorme se quisesse realmente ferir. Isso significava .. que Derek sempre controlara a força do golpe para não feri-lo de verdade. Como nunca vira isso antes? COMO PUDERA SER TÃO BURRO? Derek estivera o tempo todo representando um papel para ele. O papel do big bad wolf que não se importa com ninguém. Não era verdade que Derek o desprezasse. Ele só não queria deixar transparecer seus sentimentos. E QUE SENTIMENTOS SERIAM ESSES? O QUE DEREK SE ESFORÇAVA TANTO PARA ESCONDER?
Derek devia estar muito ferido para ser trazido para um hospital. Incapaz de se defender. Mais uma vez Derek dependia dele, Stiles. Precisava fazer algo. Mas, o quê?
Como poderia deter o enfermeiro? O sujeito era maior e mais forte que ele? Seus olhos se detêm na pequena lata de lixo do quarto. Stiles encontra a seringa descartável e um vidrinho para produto injetável de uma substância que ele não sabia exatamente o que era, mas parecia ser o sossega-leão que, com certeza, aplicaram em seu pai.
Stiles olha e volta e encontra na gaveta da mesinha do quarto uma embalagem com várias seringas descartáveis fechadas e um vidrinho exatamente igual ao que encontrara na lata de lixo.
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Stiles segue apressado em direção à ala do hospital onde ficam internados os pacientes em tratamento intensivo. Stiles sabia se deslocar no hospital sem ajuda. Tinha estado na UTI do hospital inúmeras vezes durante a longa agonia de sua mãe. Sabia como era a rotina do lugar. Os pacientes ficavam ligados a aparelhos de monitoração e os dados eram enviados em tempo real para uma espécie de sala de controle onde eram acompanhados o tempo todo por enfermeiros. Ao menor sinal de problema, um enfermeiro ia avaliar pessoalmente o problema. Algo mais sério fazia que chamassem um médico de plantão.
Os pacientes em estado mais crítico eram observados também por câmeras. Com isso, um número grande de pacientes podia ser permanentemente assistido sem que fosse necessário um número grande de enfermeiros.
Ninguém melhor que o enfermeiro para conhecer a rotina do lugar. Ele não ia arriscar-se a ser visto aplicando uma injeção num paciente e, imediatamente após, os aparelhos acusarem que os sinais vitais do paciente caíram a zero. Isso atrairia a atenção de outros enfermeiros. O homem não era burro. Ele ia precisar antes criar uma distração e neutralizar, além da câmara de monitoração do quarto, também as câmeras de segurança do andar.
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Ao entrar na ala da UTI, Stiles escuta o bip estridente que acusava que a curva que acompanhava os batimentos cardíacos de um paciente assumira a forma de uma linha plana. Um paciente acabara de morrer.
Stiles sente o coração esmagado com a possibilidade real de Derek Hale estar morto.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO: O MOMENTO DA VERDADE PARA SAM WINCHESTER
16.02.2014
