CAPÍTULO #31


LOCAL: BEACON HILLS HOSPITAL

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O Chevy Tahoe com Christian Argent e Dean Winchester não demorou a chegar ao hospital. A enfermeira Gertha os aguardava, mas não foi ao encontro deles. Aguardou que saíssem do carro e, tendo certeza que a seguiriam, caminhou em direção a uma entrada lateral, exclusiva para funcionários.

Frau Gertha conduziu os dois homens ao vestiário dos enfermeiros, onde encontraram uniformes de cor verde claro, o modelo usado na ala de tratamento intensivo. Paramentados, além de poderem circular com menor risco de serem interpelados, tinham suas identidades resguardadas pelo gorro, máscara facial e luvas cirúrgicas.

O inconveniente do uniforme era a dificuldade de esconder armas sob o tecido fino. Decidiram levar apenas as lâminas curtas de prata sem empunhadura que Chris trouxera. Chris tivera treinamento de luta com aquelas lâminas e sabia como transformá-las em armas letais. Nas mãos de Dean, até uma caneta estereográfica virava uma arma mortal.

Dean preferia facas de lâmina longa, mas a de lâmina de prata que tinham ficara com Sam. A lembrança disso fez com que um fiapo de suspeita passasse pela mente de Dean. Não, bobagem. Sam não ousaria.

Frau Gertha não voltara a ter contato com o enfermeiro O'Connor desde que ele seguira para realizar a sua parte da missão. Isso fazia parte do protocolo de segurança. Era importante que os agentes não tivessem contatos regulares para que não fossem vistos como associados se houvesse uma investigação.

Na entrada do corredor que levava à ala de tratamento intensivo, Frau Gertha se detém e, com um movimento dos olhos, indica a direção para os caçadores. O trabalho dela estava concluído. Agora era com eles.

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Menos de cinco minutos depois de Chris e Dean adentrarem no prédio sem serem vistos, o Chevy Spark de Marin Morrell faz companhia ao Tahoe no estacionamento do hospital. Com Marin, Alan Deaton. Ela entra sozinha pela porta da frente. O primeiro passo era obterem informações. Fora tudo muito repentino. Não houve tempo para formularem um plano nem para discutirem estratégias. Teriam que improvisar. Precisavam resgatar Derek, mas não tinham uma ideia clara de como fazê-lo.

Seria tudo muito mais fácil se pudessem contar com a ajuda de Peter Hale. Mas, fora muita ingenuidade da parte deles achar que Peter se disporia a ajudar Derek. Peter dera um sorriso encantador, desejara a eles boa sorte na empreitada e, simplesmente, fora embora. Deviam saber que não podiam confiar no bastardo.

Apesar de tudo, continuavam convencidos que tinha sido uma medida acertada retirar de cena Isaac Lahey e Erica Reyes. Não importa que isso servisse aos planos de Peter de deixar Derek enfrentando sozinho os caçadores. Peter estava certo quanto a acabarem mortos pelos caçadores. Assim como Boyd, eles não teriam qualquer chance enfrentando caçadores experientes.

Deaton, atento à movimentação na frente do hospital, se surpreende ao ver Peter Hale aproximar-se da entrada principal depois de ter se recusado a acompanhá-los. O que ele de fato pretendia? Ele estava na forma humana e andava de forma displicente, como quem não tem nada a dever ou a temer. Provavelmente estacionara nas redondezas e estava fazendo um reconhecimento do terreno. Um sinal de que não pretendia sair da mesma forma que entrara. Ou melhor, que entraria se não fosse impedido.

Deaton queria acreditar que, apesar de tudo, Peter viera salvar o sobrinho. Mas, não podia arriscar. Além disso, Peter sempre seria o alvo preferencial dos Argent e o ataque a Scott no shopping mostrara que os Argent resolveram partir para o ataque sem medir as consequências. Reconhecera o Tahoe de Christian Argent estacionado. Não podia permitir que o hospital se transformasse em um cenário de guerra.

Peter ainda não o farejara. Não por coincidência, estava contra o vento e protegido por sombras. Mas, Peter ainda podia ser alertado pela audição. Precisava abrir a porta de trás do carro e retirar o rifle de dardos sem ser notado. O rifle era o mesmo que Peter usara para capturar Isaac e Erica e estava carregado. Mas, a dosagem daqueles dardos era a especificada para derrubar Erica. Para Peter, seriam necessários pelo menos dois dardos. A quantidade de tranquilizante de um único dardo não era suficiente para derrubar instantaneamente um alfa. Ou ex-alfa.

Deaton empunha o rifle, mira com calma e atira. Peter sente impacto contra sua coxa direita e, ao virar o rosto buscando seu atacante, suas feições não são mais humanas. Peter exibe seus muitos dentes pontiagudos num rosnado silencioso. Em sua expressão, fúria assassina.

Peter, olhos de um vermelho vivo e garras afiadas, avança na direção de Deaton em velocidade sobre-humana. Com agilidade, agarra o segundo dardo em pleno ar. Mas, com o tranquilizante do primeiro dardo começando a fazer efeito, ele não é rápido o suficiente para deter o terceiro dardo, disparado à queima-roupa. O dardo o acerta no peito, próximo ao coração.

O impulso da corrida faz com que Peter atropele Deaton e caia sobre dele com dentes e garras à mostra. Peter se esforça para morder Deaton no pescoço, mas o veterinário não é tão indefeso quanto aparenta. Tinha experiência de sobra com cães de grande porte e, embora poucos soubessem, já enfrentara lobisomens antes.

Com a mão direita, Deaton aperta a garganta do lobisomem no ponto em que são mais vulneráveis. Com a outra, segura firmemente o punho direito de Peter, mantendo afastadas as garras do homem lobo. O giro no corpo para a direita forçara o lobisomem a manter a mão esquerda no solo para ter equilíbrio. Mas, os segundos passam e a fúria do lobisomem não dá sinais de estar cedendo. Deaton começa a ficar realmente assustado. Peter era muito forte. Não sabia por mais quanto tempo conseguiria manter-se a salvo. Estava chegando ao seu limite.

Foram menos de trinta segundos, mas para Deaton pareceu uma eternidade. O tempo pareceu se arrastar até que a segunda dose de tranquilizante finalmente fizesse efeito. A formulação era específica para lobisomens e incluía wolfsbane. Tinha ação rápida, mas a adrenalina retardara a ação. Peter sucumbe ao sono e a transformação reverte. Sua aparência era novamente 100% humana.

Deaton respira fundo e certifica-se que não fora arranhado. Levanta-se, as pernas ainda bambas, e olha em volta. Ninguém à vista. Tivera sorte. Abre a porta traseira do Spark e arrasta o adormecido Peter para dentro. Peter não merecia, mas seria mantido a salvo, assim como Isaac e Erica. Eles só acordariam quando os caçadores deixassem a cidade. Esperava que na ocasião Peter se mostrasse mais razoável. E menos rancoroso.

Deaton entra no carro e segue para o galpão nos limites da cidade onde Isaac e Erica eram mantidos sedados. O lugar era uma das muitas propriedades dos Hale espalhadas pela cidade. Passara anos abandonado. Peter mandara reformar o lugar há pouco mais de um ano. Contratara uma empresa de fora da cidade e mandara instalar o que era para ser uma câmara frigorífica para conservar pescado. A câmara era como um cofre. Era forte o bastante para conter um lobisomem enfurecido. A principal diferença é que existiam aberturas para ventilação e exaustão. As aberturas eram pequenas, não permitindo a passagem de uma pessoa, nem mesmo uma criança pequena. Na entrada de ventilação, um sistema de filtragem do ar. Isso garantia a qualidade do ar em seu interior.

Voltaria assim que possível para pegar a irmã. Não podia arriscar ser pego por Christian Argent com Peter Hale desacordado em seu carro.

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Marin chegou na recepção fingindo desespero com a possibilidade do homem que dera entrada no hospital horas antes, horrivelmente ferido, ser seu namorado, Dean Forester. Esse era o nome de um personagem que adorava de um antigo seriado romântico de temática feminina. Era fã do seriado quando mais jovem. Não perdia um episódio. Mas, não saberia dizer porque aquele nome lhe veio à cabeça quando a recepcionista perguntou o nome do tal namorado. O que poderia ser o homem ferido.

Marin, como boa psicóloga, devia saber que o inconsciente às vezes nos prega peças. Dean Forester lembrava muito Clay Miller numa versão adolescente. E lembrar de Clay ao ter dar o nome de um namorado devia significar alguma coisa.

Sua representação foi tão convincente que logo uma enfermeira estava lhe ministrando um calmante leve, que ela apenas fingiu tomar, e todos na recepção estavam mobilizados em conseguir notícias sobre o homem ferido e empenhados em conseguir uma autorização para que ela pudesse vê-lo.

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Chris e Dean entraram na ala de tratamento intensivo a tempo de ver O'Connor levantando da maca de hospital onde fora colocado após ser encontrado desacordado ao lado da cama vazia onde deveria estar o paciente que poucas horas antes debatia-se entre a vida e a morte. O'Connor ainda estava grogue depois de ter sido derrubado por um potente murro do paciente não identificado. Pelo menos, foi isso que ele declarou aos colegas.

Chris busca com os olhos e localiza a seringa com nitrato de prata caída no chão junto à parede, meio que escondida pelo monitor cardíaco. Aquela seringa precisava desaparecer.

Dean não precisava de nenhuma explicação. Estava tudo muito claro. O lobisomem derrubara o enfermeiro e fugira. Mas, não podia ter ido longe. Ele ainda não devia estar totalmente recuperado. Os ferimentos foram muitos profundos. O processo de cura não podia ter-se completado em tão pouco tempo. O monstro ainda estava vulnerável.

Derek Hale devia estar escondido em algum dos quartos daquele andar. Ia encontrá-lo nem que tivesse que vasculhar o hospital inteiro. O monstro o fizera de bobo uma vez. Não deixaria que o enganasse de novo. O revólver com a bala de prata ficara no vestiário. Mas, não precisava dele para enfrentar um lobisomem ferido. Dessa vez não ia ter fator de cura que resolvesse. Queria ver se Derek Hale se recuperaria depois de ter a cabeça separada do corpo.

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NO PRÓXIMO CAPÍTULO: DEREK & STILES: OLHOS NOS OLHOS


ESCLARECIMENTOS:

Quem não reconhecer os nomes pode checar no Google as imagens de DEAN FORESTER e CLAY MILLER (Sam Winchester) e conferir a semelhança. E aproveitar para conferir a aparência de JAKE GRAY (Dean Winchester).


04.03.2014