CAPÍTULO #35
LOCAL: RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA ARGENT
POUCO DEPOIS DE AMANHECER
.
- Bom dia, querida.
- Pai?! O que está fazendo? Essa injeção ..
- É apenas um reforço do sedativo com um duplo reforço de wolfsbane. Hoje é a primeira noite de lua cheia. Mesmo desacordado, o Scott estará mais forte e mais resistente. Inclusive à ação do sedativo. Talvez seja preciso uma segunda injeção quando a lua estiver visível no céu.
- Tem certeza que essa dosagem de wolfsbane é segura?
- Filha, confie em mim. Ele vai ficar bem. Já tomou café?
- Não. Eu acordei, troquei de roupa e desci direto. Estava preocupada com o Scott aqui sozinho. Cada vez que lembro daquele travesseiro pingando sangue ..
- Até eu que já vi seu avô usar inúmeras vezes uma espada para cortar ao meio o corpo de ômegas fiquei chocado. Os Winchester nos deram um grande susto. Mas, foi só isso. Um susto. Acabou que eles não se mostraram tão brutais quanto imaginamos.
- Para mim, eles foram brutais o suficiente. Enquanto eles estiverem na cidade, o melhor é mesmo manter o Scott aqui, sedado. Mas, pai .. eu preferia ver o Scott lá para cima, num dos quartos.
- Não, Allison. No momento, isso é impossível. Temos que estar preparados para, a qualquer momento, recebermos a visita do xerife Stilinski. O Juiz Murray telefonou para me avisar que atendeu ao pedido do neto, o jovem policial que é auxiliar do xerife, e concedeu um mandato de busca e apreensão para que o xerife vistorie a nossa propriedade. No pedido, saiu expressamente que o mandato visa descobrir o paradeiro do menor Scott McCall.
- Ele concede um mandato e liga para avisar?
- O juiz deve muitos favores à nossa família. Assim ele fica bem com o neto e o xerife e mantém a aliança conosco.
- Não acha mais seguro tirarmos o Scott daqui?
- Não é apenas com o Scott que temos que nos preocupar. Aliás, o Scott é a menor das nossas preocupações. Afinal, ele está vivo e mesmo as marcas de balas já desapareceram. O problema maior é o cadáver com que os Winchester nos presentearam. Seu ex-colega de turma Verner Boyd.
- Meu Deus, é verdade. Ia ser muito difícil explicar o corpo.
- O xerife não pode encontrar esse lugar. Apesar da entrada do bunker ser muito bem disfarçada, não podemos nos fiar apenas nisto. Eu vou precisar da sua ajuda para uns retoques. E não podemos deixar que suspeitem que fomos avisados. Mas, antes de tudo, suba e tome seu café.
- Está bom, mas .. Pai, eu queria uns minutinhos a sós com o Scott.
- Já terminei aqui. Mas, rápido com isso. Não temos muito tempo.
- Obrigado.
- ah! Filha, está pensando em ir ao colégio hoje?
- Não. Viu as mensagens nas redes sociais? Todo mundo vai estar falando do Scott. Se está morto ou não. Se é ou não um lobisomem. Não. Não tem a menor condição de eu ir. Todos sabem que fomos namorados e que estávamos rompidos, mas, ao mesmo tempo, tanto ele quanto eu estamos sozinhos e meio que existe uma torcida para que a gente volte a se entender. Todos os amigos do Scott vão querer vir falar comigo e eu não estou forte o bastante para enfrentar as perguntas.
- O videofone. Parece que tem alguém no portão.
- Tão cedo? Quem pode ser?
- Parece que as perguntas vieram até você.
- Lydia? E eu conheço essa expressão. Quando ela faz essa cara é porque não vai desistir até obter respostas convincentes.
.
LOCAL: STARBUCKS COFFEE, BEACON HILLS
POUCO ANTES DO INÍCIO DAS AULAS NO BEACON HILLS HIGH SCHOOL
.
- Jake e Clay? Foi bom encontrar vocês aqui, rapazes. Clay, sabe do Danny?
- Espera! Porque acha que o Clay saberia algo sobre o Danny?
- Então o Jake não estava sabendo? Ah! Desculpa, Clay. Acho que falei demais. Pensei que, como são parceiros e GAYS, não guardassem esses segredos um do outro.
- Que segredo, Jackson? O acha que o Clay está escondendo de mim?
- Vai em frente, Jackson. Eu ia contar ao Jake. Só não tinha tido uma oportunidade ainda.
- É. Não precisa ficar constrangido, Jackson. Você está certo quanto a não termos segredos. Eu e o Clay sempre trocamos confidências. Melhores amigos, você sabe como é. Melhores amigos GAYS. É inevitável que falemos de HOMENS. É o nosso assunto favorito, sabe? HOMENS! Falamos deles o tempo todo. Quem é mais bem dotado que quem .. essas coisas.
- Pois é. Eu achei mesmo que fosse assim. Eu só não entendo o porquê do Danny estar sempre fazendo jogo duro comigo. Eu conto as coisas para ele e ele não me conta NADA. Eu fico insistindo, mas é uma dificuldade para arrancar dele uma informação por mais boba que seja. Só sai a fórceps.
- Não acho justo. Já que vocês são tão amigos ..
- Pois é. Não é justo. Eu fico curioso. Quem não ficaria? É natural, não é? Querer saber como é. Afinal, eu não tenho nenhuma experiência do tipo. E olha que eu recebo muitas cantadas de homens. Não fico chateado quando escuto. Eu até gosto. Eu costumo dizer que sou o tipo de qualquer um.
Dean e Sam trocam um olhar cúmplice numa tentativa de segurar o riso. Jackson se achava. Se lhe fosse perguntado, Dean daria sua opinião sincera sobre aonde a curiosidade de Jackson acabaria por levá-lo. Já Sam lembrou com nostalgia do velho Dean. Das inúmeras vezes que Dean expressou a mesma confiança de ser o tipo ideal de qualquer mulher. Agora, ameaçava Dean repetir Jackson e dizer que também ele era o tipo ideal de qualquer um.
Dean sorria, mas estava incomodado. Aquele papo estava beirando o surreal. E o pior que fora ele próprio que começara tudo com a infeliz ideia de ir naquela maldita boate. É claro que no disfarce de agentes federais já tinham muitas vezes se defrontado com a curiosidade e a imaginação fértil de policiais de província que acreditavam que o distintivo de federal equivalia a um passe livre para sexo com mulheres gostosas. O que não era de todo falso. De qualquer forma, as perguntas ficavam no terreno conhecido e seguro de mulheres gostosas. Falar de homens bem dotados seria sempre algo constrangedor. Decidiu partir para o ataque e cortar de vez o assunto.
- E você pretende perguntar ao Danny .. de mim?
- Na verdade, .. eu JÁ perguntei. Mas, acredita, Jake, que ele não quis me contar se você é ou não é bem-dotado.
Dean ficou vermelho, algo muito raro de acontecer. Ao fazer a pergunta, imaginou que fosse deixar Jackson constrangido. Que ele gaguejaria umas desculpas desajeitadas e mudaria rápido de assunto. Não esperava tamanha cara de pau. Acabou que foi Jackson quem o deixou constrangido. Mais do que nunca, Dean queria mudar rápido de assunto.
- Sim, mas .. Jackson, o que exatamente você queria perguntar ao Clay?
- Ah! É que eu passei agora de manhã no apartamento do Danny. Eu costumo dar carona para ele. Não todo dia. É mais quando estou curioso com alguma coisa. E eu estava curioso .. bem, deixa para lá. A questão é que ele não estava lá. Até aí tudo bem. Nós não combinamos nada e ele podia ter saído mais cedo. Eu só fiquei preocupado porque ele saiu deixando chave, carteira e até mesmo o celular. Mesmo que tenha saído só para comprar pão, é estranho. Eu esperei um pouco, mas ele não apareceu. Passei na padaria e nada. E aí vim para cá e dei a sorte de encontrar vocês.
- É realmente estranho. Mas, e o Clay com isso?
- É que eu achei que eles tivessem passado a noite juntos. Na verdade, eu passei cedo na casa do Danny porque achei que flagraria os dois acordando.
- Me conta direitinho essa história, Jackson.
- Essa sua cara fechada já diz tudo. Já saquei que eu devia ter ficado de boca fechada. Mas, não pensei que fosse ficar assim tão chateado porque o Danny ficou com o seu amigo. Eu não sabia que você tinha se ligado no Danny. Eu sei que os gays gostam de variar. Não que o Danny seja assim. Ele não é de ficar com dois caras ao mesmo tempo.
- Jackson, eu não estou chateado. Não com o Danny. Eu só .. fiquei surpreso. Eu esperava um pouco mais de consideração .. do meu parceiro. Continue, por favor.
- Como eu estava dizendo .. Eu tinha passado no apartamento do Danny para conversar e quando eu abri a porta para sair dei de cara com o Clay chegando. Aí eu entendi o porquê do Danny estar inquieto, querendo me despachar. Eles tinham um encontro. Acho que se eu não tivesse encontrado o Clay, eu nunca ia ficar sabendo. O Danny é assim. É legal que ele seja discreto. Mas, somos amigos. Eu realmente não entendo porque o Danny me esconde essas coisas. Já estou até imaginando o quanto vai ser difícil fazer ele me contar qual de vocês dois é o melhor na cama.
Parecia que Dean ia fuzilar Sam com os olhos. Sam não podia estar se sentindo mais desconfortável. Errado, ele podia. Se tivesse realmente feito a burrada de matar o rapaz.
- Jackson, me passa o número do seu celular. Se o encontrarmos o Danny antes de você, a gente liga. E, se for você a encontrá-lo, por favor nos dê o retorno.
- ok. E .. me desculpem a indiscrição.
- Na boa. Ah! Jackson! Só para matar a sua curiosidade: eu sou extremamente bem-dotado. Qualquer um que veja fica impressionado. O Danny pode confirmar. Ou, se você quiser conferir ..
- NÃO! NÃO QUERO! Eu acredito.
Dean só espera Jackson sair de vista, para agarrar Sam pelo braço e puxá-lo para onde pudessem conversar sem testemunhas. Sam engole em seco imaginando como faria para justificar as besteiras que fizera.
- Agora, Sam. Nós dois precisamos ter uma conversa MUITO SÉRIA.
- Dean, NÃO É o que você está pensando. Eu não MATEI o Danny.
.
LOCAL: DELEGACIA DO CONDADO DE BEACON, BEACON HILLS
.
- Pai! Eu passei no hospital. Me disseram que o senhor nem esperou o médico dar alta. Que acordou, se vestiu e saiu pela porta da frente, ameaçando prender quem tentasse detê-lo.
- Eles não tinham o direito de me dopar e me manter contra a minha vontade naquele hospital. Eu devia processar o hospital por cárcere privado.
- Pai, o Dr. Jeffrey é seu amigo de muitos anos. O senhor teve uma crise hipertensiva. PRECISAVA de um tempo de repouso para a medicação agir. SABE que precisava. Mas, isso de dopar o senhor foi coisa daquela enfermeira dos Infernos.
- De qualquer maneira, esse é um assunto pessoal e estou no horário de expediente e, portanto, vai ter que esperar. Mais tarde, eu penso em como tratar deste assunto. Agora, a prioridade é o tiroteio no shopping. E descobrir o paradeiro do Scott.
- Pai, o senhor nem passou em casa para trocar de roupa ..
- Na hora do almoço eu passo em casa, tomo um banho e troco de roupa.
- E aposto como nem tomou seu café da manhã ainda.
- Filho, muita coisa aconteceu ontem na cidade. Eu acho que não preciso enumerar para você tudo que aconteceu. A Mellissa está sedada. Mas, ela vai querer notícias do Scott quando acordar. Ela não vai aguentar saber .. que não temos notícias sequer do paradeiro do corpo dele. Não precisa se preocupar comigo. Eu estou bem.
- Pai, a sua saúde vem primeiro. Eu simplesmente não posso perder também o senhor. Vamos para casa. Um banho, o café da manhã, roupas limpas e o senhor volta para a delegacia. Por favor.
- Filho ..
- POR FAVOR, pai. Sei que está aguardando a volta do policial Chad com um mandato de busca assinado pelo Juiz Murray. Mas, eu não sou da polícia e não preciso de um mandato algum para tocar a campainha da casa dos Argent e pedir explicações. Pedir, não. EXIGIR explicações. O senhor é meu pai. Nada mais natural que me dê carona até lá e fique me esperando no portão. Que aguarde o policial Chad no portão dos Argent. Não podemos permitir que os Argent se safem.
.
NO PRÓXIMO CAPÍTULO: LYDIA VIRA O JOGO
21.06.2014
