CAPÍTULO #41


LOCAL: BEACON HILLS HIGH SCHOOL

.

- Danny? Fui até o seu apartamento hoje cedo. Você não estava. Você estava .. com a Irina?

- Pois é. Sei que parece inesperado, mas eu e Irina já vínhamos nos reparando. E, depois desta noite, decidimos ficar juntos.

- Você .. passou a noite com a Irina? Uau! Danny, você tem que me contar como esse milagre aconteceu.

- Jackson, lembre-se que você e o Danny não estão trocando figurinhas no vestiário masculino. Eu, a Allison, e, principalmente, a Irina estamos aqui presentes. A sua curiosidade pode esperar.

- Vai me dizer que também não está curiosa? Logo você, Lydia? E nunca ouviu dizer que quem não troca figurinhas, não completa o álbum?

- Lydia, está tudo bem. Eu entendo que o Jackson esteja curioso. Que estejam todos curiosos. Eu explico. Jackson, você nunca ouviu dizer que certas coisas só acontecem porque você ainda não encontrou a garota certa. Pois é. Eu acabei de encontrar a garota certa. A Irina. Ela fez de mim um novo homem.

- Se fez!

- Irina, eu entendi que você estava interessada no Stiles.

- A Irina? A Irina interessada no Stiles? Allison, você consegue imaginar um casal mais esdrúxulo que a Irina e o Stiles?

- Danny, eu fiz a pergunta à Irina. Mas, respondendo a você .. Eu consigo sim. A Irina e você.

- Essa doeu, Allison. Você não está sendo justa. Não há comparação possível entre eu e aquele esquisitão virgem. Só você que não vê isso. Eu sou muito melhor que o Stiles. Eu sou muito melhor que o Scott. Porque você insiste em não reconhecer as minhas qualidades, Allison?

- O Danny que eu conheço não precisava provar nada para ninguém. Não ficava se declarando melhor que os outros. O que é isso agora? Insegurança?

- Insegurança? Eu tenho o amor da Irina. Eu não preciso de mais nada. Porque eu iria me importar com o que você pensa a meu respeito? Sabe o que mais? Eu acho que você está com INVEJA. Inveja do nosso amor. Você teve a chance de ficar com quem realmente gostava de você. Mas, não. Você preferiu apostar no Scott. Apostou e perdeu.

- Se você está falando de quem eu acho que está, saiba que quem perdeu foi ELE. E sabe porque? Porque ele é - ou melhor: FOI - um perdedor nato. Ele se foi e não fez falta para ninguém.

Danny, descontrolado, agarra Allison pelo braço, mas se desvencilha dele e se afasta, caminhando de costas. Olhos nos olhos. Ódio encarando determinação.

- Lydia, vem comigo. Vamos deixar o Danny e a Irina se curtindo. Eu preciso de você para terminar uma pesquisa.

- Pesquisa?

- Vem, Lydia. Jackson, a gente se vê depois. E, Danny, muito cuidado para não tropeçar no seu ego e cair na piscina. Ou você já aprendeu a nadar?

.


LOCAL: DELEGACIA DO CONDADO DE BEACON

.

- Eu não disse, Clay? Eu posso ter mudado de time, mas ainda sei conquistar uma mulher. Uns galanteios, uns sorrisos e elas dão todo o serviço.

- Parabéns! É bom saber que pelo menos ISSO não mudou. E aí? Valeu o sacrifício? Descobriu algo interessante?

- O xerife Stilinski fez contato com um agente do FBI, conhecido dele e também da Cindy, a policial assistente. O xerife pediu que ela, Cindy, fizesse a ligação, mas não especificou o motivo. Quando ela ligou, o agente não estava no escritório e ela deixou recado. Cerca de duas horas depois, o agente retornou a ligação e ele e o xerife se falaram. A conversa não foi longa. Não mais de quinze minutos. E temos agora um xerife ansioso à espera que o agente lhe passe a informação que pediu. Já perguntou duas vezes à Cindy se o agente voltou a ligar. A policial fez um comentário em off. Ela achou estranho que o xerife tenha feito contato justamente com esse agente. Parece que os dois não se bicam e há muito tempo não se falavam. O tal agente é daqui, de Beacon Hills. Ele se chama .. Rafael McCall.

- Alguma relação .. ?

- Pai. O agente McCall é PAI do lobisomem teen.

- Será que ele sabe deste pequeno detalhe da vida do filho?

- Parece que não. Ele saiu da cidade logo após ter se divorciado da mãe do garoto. Segundo a Cindy, ele praticamente não fez contato com a família esse tempo todo. A Cindy sabe porque a própria enfermeira mãe do lobisomem comentou numa das vezes que esteve aqui na delegacia.

- Sabíamos que o xerife e a enfermeira são chegados. Acha que rola algo entre os dois? Seria esse o motivo do estranhamento entre o xerife e o agente?

- Talvez. Mas, seja qual for o motivo, parece não impedir que os dois se falem por motivos profissionais.

- Acha que o xerife pediu ao agente McCall que nos investigasse?

- Da forma como ele está estranho, é a hipótese mais provável.

- Não podemos ficar aqui parados correndo o risco de a qualquer momento recebermos voz de prisão.

- Que acha de grampearmos o ramal do xerife?

- Boa ideia. Com o aparelhinho do Frank fica fácil. Mas, temos que ter em mente que o FBI pode mandar uma equipe para nos prender sem comunicar previamente o xerife. Cada minuto que ficamos nesta cidade mais arriscado fica para nós.

- Não poderíamos deixar a cidade neste momento nem que quiséssemos. Esqueceu que deixamos o Impala na oficina mecânica? Estamos a pé.

- Nada impede que tiremos neste minuto o carro da oficina. Só precisamos que troquem os pneus e, isso, eles já devem ter feito. Damos uma desculpa qualquer para adiarmos o reparo do capô.

- Você quer que eu ande por aí com o capô rasgado?

- Dean, o importante é estarmos livres. O resto se ajeita.

- Os rasgos no capô vão chamar muita atenção. E depois vai ser ainda mais arriscado mandar consertar. O FBI vai passar a monitorar as oficinas mecânicas.

- Então, grampear o telefone da delegacia passa a ser nossa única proteção. Isso e desaparecermos de vez dos olhos do xerife. Para começar, precisamos mudar de hotel.

- O aparelhinho está com você?

- Está. Só preciso de três minutos na sala do xerife.

- Eu tiro o xerife da sala. Ah! Sam, tenho que concordar com o que você disse a respeito do policial Chad. Essas calças apertadas que os policiais usam são muito sexy. Essa que o policial Chad usa então .. faz a minha imaginação disparar. Se eu não estivesse tão apaixonado pelo Danny ..

Sam fecha a cara e Dean tem que se controlar para não soltar uma gargalhada. Tudo aquilo começara como uma brincadeira. Por muito pouco não terminara em tragédia. Só agora, com Danny a salvo da ira de Sam, Dean se permitia retomar o espírito original da piada. E depois, em momentos de tensão como aquele, nada como uma alfinetada no irmão para desanuviar o clima.

- Xerife, teria um minutinho? Queria fazer umas observações sobre o relatório do homem atacado ontem. Que acha de tomamos um café enquanto conversamos?

.

- Jackson?

- Jake? Liguei para avisar que o Danny apareceu.

- Fico aliviado em saber que ele está bem.

- É, ele está bem. Bem até demais. Eu diria que melhor, impossível.

- O que quer dizer com isso?

- Você não vai acreditar. Nem eu estou acreditando. Eu achando que o Danny passou a noite com seu amigo Clay e ele estava com a Irina. E agora estão os dois aqui aos beijos, no maior love. Dá para acreditar? O meu amigo Danny comendo a Irina, a garota mais gostosa do colégio. O Danny é mesmo um cara cheio de surpresas.

- Danny e Irina? A russa? A aluna de intercâmbio?

- A própria. Quem diria, né? Mas, eu vou obrigar o Danny a me contar tudo o que rolou. Tintim por tintim. Agora, desculpa, mas tenho que desligar.

Uma ligação de Jackson só podia significar notícias de Danny e isso colocou Sam em alerta. Sam conhecia Dean melhor que a si mesmo. E as reações de Dean ao telefone não davam margem a dúvidas. Ele ficara pálido e seu coração acelerara. Dean nunca daria as costas a alguém em perigo. Mas, a forma como Dean reagia indicava que aquilo o afetava a nível pessoal.

- O que houve, Jake?

- O Danny está em perigo. Ele está sob o controle da rusalka.

- Aonde você vai.

- Pegar o Impala. Tenho que salvar o Danny.

- Jake, espera. Droga. Pensei que já estávamos livres desse .. Danny. Isso parece um pesadelo do qual eu não consigo acordar.

.


LOCAL: BEACON HILLS HIGH SCHOOL

.

- Eu nunca vi o Danny assim tão agressivo. Parecia ser algo pessoal com você, Allison.

- E era.

- Vocês estão brigados? Desde quando?

- Faz tempo, mas a minha desavença não foi com o Danny.

- Você parece estar falando por enigmas. E não só você. Também o Danny. Juro que não consegui decodificar o diálogo de vocês.

- Aposto que não.

- Que tal começar me explicando o que de fato está acontecendo? Você entendeu essa do Danny com a Irina?

- Entendi bem mais do que gostaria. Lydia, aquele não era o Danny.

- Também achei o Danny diferente, mas às vezes as pessoas nos surpreendem.

- Não foi isso que eu quis dizer. Aquele não era o Danny .. porque aquele .. era o Matt.

- O Matt? O Matt .. Daehler? Aquele que está .. morto e enterrado? Allison, você está insinuando que o Danny está POSSUÍDO pelo espírito do Matt?

- Lydia, acho que agora posso falar abertamente com você de assuntos como esse. Você sabe que existem lobisomens. Sabe do kanima. Sabendo disso, fica mais fácil acreditar que outras criaturas sobrenaturais também possam existir de verdade.

- E?

- A Irina é uma destas criaturas. Segundo o Derek, a Irina é uma rusalka e ela seria a responsável por diversas mortes que aconteceram recentemente aqui em Beacon Hills.

- E quando foi que o Derek contou isso a você?

- Duas noites atrás. Ele invadiu meu quarto e pediu minha ajuda contra a rusalka.

- E porque justamente você?

- Talvez por ser mulher. E pela minha habilidade com um arco.

- Sei de uma ópera chamada A Rusalka, mas não conheço o enredo.

- Quando o Derek saiu, eu fiz uma pesquisa rápida. Rusalkas são seres aquáticos do folclore russo que, como as sereias gregas, cantam para atrair homens para a água e fazê-los afogarem-se. Em algumas regiões, acredita-se que elas se alimentam de carne humana.

- E você acredita que a Irina é uma destas criaturas?

- A evidência que o que o Derek disse é verdade é a aparência sempre molhada dos cabelos da Irina. Lembra que ela nos disse que usa um tipo de loção hidratante que dá aos cabelos essa aparência molhada. E que a fórmula é um segredo de família. Segundo as lendas, uma rusalka morre se seus cabelos secarem totalmente. Elas teriam uma espécie de pente mágico que mantém o cabelo sempre molhado. São ruivas como a Irina em algumas versões, embora, na versão mais tradicional do mito, se apresentem com os cabelos cobertos pelas algas verdes que crescem no fundo dos rios da região.

- Então a melhor arma contra elas é um bom secador de cabelos?

- Mas, teria que ser alimentado por baterias ou ter um fio muito longo.

- Não consigo pensar em nada mais ridículo. Nós duas correndo atrás da Irina empunhando secadores de cabelo. E onde o Matt entra nesta história?

- O Matt morreu afogado no Beaver Creek. Assassinado por meu avô, segundo o Derek. O Peter teria testemunhado a morte. Não duvido que tenha sido assim. Isso explica como meu avô ganhou controle sobre o kanima. Matando quem detinha antes o controle.

- E você acredita que o espírito do Matt ficou vagando por aí até ontem quando possuiu o corpo do Danny?

- Vagando, não. Acho que o espírito do Matt ficou preso nas águas do Beaver Creek. São inúmeras as histórias de pessoas que se suicidam ou sofrem morte violenta em rios ou lagos que voltam como espíritos vingativos. Você conheceu o Matt. Vivo ele já era descontrolado e vingativo. Sabemos o que ele foi capaz de fazer por vingança com quem quase causou sua morte. Pessoas que foram irresponsáveis, mas que não tinham a real intenção de prejudicá-lo. Dizem que a morte exacerba as emoções. Imagine o que Matt - ou o seu espírito - faria com quem causou intencionalmente a sua morte por afogamento? Com quem o fez reviver seu trauma, o seu pior pesadelo? O Matt sempre agiu como se o mundo inteiro estivesse contra ele. Lydia, se for realmente o Matt, estamos todos em perigo.

.


LOCAL: BEACON HILLS HOSPITAL

.

- Dr. Deaton?

Boa tarde, Sra. McCall. Eu soube que o Scott estava internado e vim ver como ele está. Todos esses boatos, essas histórias absurdas circulando nas redes sociais, o Scott desaparecido .. Tudo isso me deixou preocupado. Foi um alívio saber que reapareceu. Gosto muito do seu filho, Sra. McCall. Ele é um excelente garoto. Queria me oferecer para ajudar no que for possível.

- Obrigado. Sei que meu filho também preza muito o senhor. Ele ainda não acordou, mas creio que não demora. Ele já está se mexendo mais. Isso é sinal que o efeito do sedativo está passando.

- Sei que preferia não deixar por um minuto que fosse a sua cria sozinha, mas se quiser aproveitar que estou aqui para fazer alguma coisa .. estou às suas ordens. Não tenho outros compromissos hoje.

- Obrigada. Estava mesmo precisando ir ao toillete. Com o senhor aqui, posso ir tranquila.

Alan Deaton vê a porta fechar e se apressa a injetar o conteúdo da seringa que trouxe na bolsa de glicose presa ao braço do adormecido Scott.

- Peter Hale podia ter segundas intenções, mas ele está certo na sua análise do quadro geral. Para a sua própria segurança, Scott, é melhor que você durma até amanhã. Essa batalha Derek tem que ganhar ou perder sozinho.

.


NO PRÓXIMO CAPÍTULO: QUEM DISSE QUE NÃO EXISTE EX-GAY?


09.05.2015