CAPÍTULO #44
LOCAL: RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA STILINSKI
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- HALE? O quê diabos está fazendo nu na cama do meu filho?
Derek, intimidado, puxa de volta as cobertas de forma a esconder sua nudez. Como se a situação já não fosse suficientemente constrangedora, fora acordado no meio de um sonho molhado e estava .. duro. Como aquilo pudera acontecer? Até por uma questão de sobrevivência, estava sempre alerta, mesmo dormindo. Tinha o sono leve. Nunca que em condições normais o xerife poderia tê-lo surpreendido. O sono profundo significava que ainda não estava 100% recuperado. Seu organismo ainda precisava recompor as forças.
- Eu não vou prendê-lo APENAS por invasão de domicílio, Hale. Você vai ter que explicar direitinho o que estava fazendo nu na cama de um menor de idade. O que pensava fazer com o Stiles, seu pervertido?
- Xerife, eu JURO que não é nada do que parece. Não era para o senhor me encontrar aqui assim.
- Ah! Quanto a isso, eu tenho certeza de que está falando a verdade. Você realmente não esperava que eu viesse mais cedo para casa. O que esperava, então? O que esperava que acontecesse se fosse o MEU FILHO a encontrar você na cama dele como veio ao mundo? Quais eram as suas intenções?
- Não era para NINGUÉM me encontrar nem assim nem de nenhuma outra forma. Tem que acreditar em mim, xerife.
- ESTÁ PRESO, SR. HALE! O senhor vai me acompanhar até a delegacia e só vai sair de lá se conseguir convencer o juiz da sua inocência, coisa que duvido muito. Eu vou fazer o possível e o impossível para mantê-lo trancafiado. Tem o direito de permanecer calado. Tudo ..
- NÃO!
O xerife é meio pego de surpresa quando Derek num movimento brusco se desvencilha das cobertas e se põe de pé, o que deixa os dois cara a cara e força o xerife a recuar dois passos. Os olhos do lobisomem brilham em vermelho vivo e, de sua boca, onde presas afiadas já são bem visíveis, sai um rugido baixo, intimidador, como o de um cão acuado. Seu corpo assume postura de ataque. Seu rosto começa a ganhar traços animalescos e garras começam a se formar em suas mãos e pés. O xerife dá mais três passos para trás, ao mesmo tempo em que saca o revolver do coldre e o aponta para o meio da testa do lobisomem. Tivera um dia péssimo e não ia ser condescendente com quem quer que o ameaçasse ou a seu filho. Sem se deixar intimidar, as mãos firmes, o xerife destrava o gatilho e seu corpo assume a postura que prepara o corpo para absorver o tranco do disparo iminente.
Quando parecia que tudo ia acabar da pior maneira possível, o lobisomem dá um passo para trás e a transformação começa a reverter-se.
- Desculpe, xerife. Não era para isso ter acontecido. Foi uma reação instintiva de defesa. Só aconteceu porque estamos na primeira noite de lua cheia e eu acordei assustado. Num dia como o de hoje, é preciso muita força de vontade, mas estou novamente sob controle. Eu não quero feri-lo. Prometo que, aconteça o que acontecer, não vou deixar que se repita. Não vou atacá-lo em nenhuma hipótese. Tem a minha palavra. Pode baixar a arma.
Bem antes de completar a frase, Derek já tinha novamente a aparência totalmente humana. Numa tentativa desesperada de se mostrar menos ameaçador, ele cai de joelhos de forma a que o xerife o veja de cima para baixo, em condição de superioridade. Com as mãos, cobre como pode o sexo, que só agora começava a perder a ereção. Olhos nos olhos, o coração acelerado, o lobisomem reza para que o xerife reconheça a sinceridade de suas palavras e deixe de vê-lo como uma ameaça.
O xerife é um policial experiente. Já viveu muitas vezes a situação em que o suspeito reage à voz de prisão com violência. Foi graças a isso que não entrou em pânico nem saiu atirando às cegas quando Derek iniciou sua transformação. Também já passou por situações em que o suspeito finge cooperar para depois pegar o policial desprevenido. E, portanto, em nenhum momento, desviou a arma da cabeça do lobisomem. Um bom policial tem que estar preparado para tudo.
- Xerife, eu não sou seu inimigo. Eu fui ferido e precisava de um lugar seguro para me recuperar. Eu entrei aqui sem ser visto e esperava acordar e sair sem que ninguém me visse. Não pretendia fazer nenhum mal ao Stiles. Ele nem ficaria sabendo que eu estive aqui. Me desculpe também por essa condição constrangedora. Eu estava sonhando e, sabe como é, simplesmente acontece. Não depende da nossa vontade.
- O homem que deu entrada ontem no hospital entre a vida e a morte e que horas depois atacou um enfermeiro e desapareceu misteriosamente da UTI era você?
- O enfermeiro era um homem plantado no hospital por Gerard Argent. Ele pretendia me matar com uma injeção letal. Mesmo assim, eu não o feri. Tive que fugir e me esconder ou estaria morto neste momento.
Um longo minuto se passa enquanto o xerife avalia tudo aquilo que o lobisomem tinha dito.
- Vista-se. Vou preparar um café. Terminamos essa nossa conversa na cozinha.
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- Com licença!
- Sente-se, Hale. Seu café.
- Obrigado, xerife. Confesso que não esperava ter essa chance de uma conversa civilizada depois de todo esse mal entendido.
- Talvez não se lembre, mas conheci você ainda garoto. A imagem que guardo é a de um garoto alegre e inteligente. Um garoto de boa índole. Mas, depois de tudo que aconteceu, .. sua volta a Beacon Hills logo após a morte de sua irmã .. Tive medo que tivesse escolhido o caminho da vingança.
- Não, xerife. Acho que já dei provas de que escolhi confiar na justiça dos homens. Voltei porque essa é a minha cidade. É aqui que estão as minhas raízes. Voltei porque Peter estava internado aqui sem ter ninguém que olhasse por ele e eu me sentia culpado por sua condição. Minha intenção sempre foi ser um bom cidadão de Beacon Hills. Apesar de ser diferente em alguns aspectos, quero o mesmo que qualquer outro cidadão de bem desta cidade. Quero viver a minha vida em paz.
- Quero muito acreditar nisso, Hale.
- Xerife, não pareceu surpreso com o que aconteceu minutos atrás.
- Está se referindo à sua .. transformação? Não, Sr. Hale, não fiquei. Sou policial em Beacon Hills há muitos anos. Conheci sua mãe. Conheço bem o seu tio Peter. Esse é um dos motivos porque não aprovo sua proximidade com meu filho.
- Eu nunca faria nada que machucasse o Stiles. Acredite quando digo que eu gosto muito do seu filho e que ele é importante para mim.
- Esse é o segundo e principal motivo porque quero você BEM LONGE dele.
O xerife pega a própria xícara vazia e a leva até a pia, ficando de costas para Derek. Isso impedia que o lobisomem visse seu rosto e analisasse sua expressão. Confuso, Derek se pergunta se entendeu correto a última afirmação do xerife. Será que o xerife suspeita .. ? Não, não é possível. Sempre foi algo que escondeu até de si mesmo. Será que quando disse que gostava do Stiles errou no tom e acabou se entregando?
- Mas, vou dar a você a chance de provar o quanto ama meu filho.
Derek engole em seco e fica vermelho, o rosto em fogo. Aquilo era a última coisa que esperava ouvir da boca do xerife. Felizmente, já tinha acabado de tomar o café. Se estivesse bebendo, com certeza engasgaria. Se estivesse com a xicara na mão, o mais provável é que sua mão tremesse e acabasse derramando o líquido.
- Stiles está correndo risco de vida. Ele foi sequestrado.
- SEQUESTRADO? QUANDO?
O xerife mostra ao lobisomem a selfie de Stiles com os agentes Jake e Clay.
- O homem que se apresentou a mim como agente federal Clay Miller enviou essa foto do celular do Stiles para me obrigar a tirar o FBI da cola deles. O nome real dele é ..
- Samuel Winchester. E o outro é o irmão mais velho dele, Dean Winchester.
- Você sabia? Ah! Claro! Foi Peter Hale quem deu a dica que me levou à verdadeira identidade dos dois. Sabe então que os dois são perigosos assassinos seriais.
- Eles são, na verdade, caçadores de monstros. Eles vieram a Beacon Hills atrás da minha alcateia. Eles acham que fomos nós lobisomens os responsáveis pelas mortes dos membros da equipe de natação do BH High.
A expressão do xerife muda. Ele esmurra a mesa e lança um olhar colérico a Derek, que o encara intimidado.
- Claro! A primeira coisa que fizeram ao chegar foi perguntar de você. É por isso que esses assassinos estão na cidade. É em função disso que Stiles talvez acabe morto. VOCÊ é o grande responsável. Eu vou responsabilizar VOCÊ se algo de mal vier a acontecer ao meu filho ou a qualquer outro cidadão de Beacon Hills.
- NÃO! Que culpa eu tenho de ter nascido lobisomem? Eu não ando por aí matando pessoas. Eu já disse: tudo que eu sempre quis foi viver a minha vida em paz. Eu ..
Derek respira fundo. A quem queria enganar? De quem mais seria a culpa? Parecia até uma maldição. Até quando continuaria a trazer a morte a todos que amava? Seria o primeiro a se culpar se algo de mal acontecesse a Stiles. Se culparia mesmo que ninguém mais o fizesse.
- O senhor está certo, xerife. Se não fosse por minha causa, o Stiles não estaria agora correndo perigo. Mas, eu vou consertar isso. Eu vou trazer o Stiles de volta são e salvo. Ou morrer tentando.
O lobisomem sai e deixa o xerife pensativo. Era pai e, como todo pai, fizera muitos planos para o futuro do filho. Sonhara vê-lo bem casado e cheio de filhos. Nesta etapa de sua vida, seu maior desejo era ser avô. Mas, se não fosse para ser assim, que pelo menos Stiles tivesse a sorte de ter ao seu lado alguém que realmente o amasse.
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Nada realmente mudara. Não podia ficar parado sabendo que Stiles corria perigo. Precisava agir. Tinha uma grande vantagem sobre os Winchester. Conhecia a cidade melhor que ninguém. Já eles eram forasteiros. Começaria a busca pela região do rio, onde havia muitos armazéns abandonados. Outra possibilidade eram os casebres em ruínas em pontos não muito afastados da interestadual. Conhecia pelo menos 5 do lado oeste e 3 do lado leste.
O xerife já tinha reunido e estava conferindo os itens que usaria na busca quando é surpreendido com a porta se abrindo.
- Oi, pai! Já jantou?
- STILES? Você está bem?
O xerife larga tudo de qualquer maneira. Corre em direção ao filho e o abraça apertado. Tão apertado, que Stiles se sente até meio sufocado. A emoção é tão grande que o xerife não consegue deter as lágrimas que escorrem por seu rosto.
- Eu também te amo, pai. Posso respirar agora?
- Filho, que bom que você está aqui. O que aconteceu? Como conseguiu escapar deles?
- Deles quem?
- Dos irmãos Winchester. Os homens que se passavam pelos federais Jake e Clay.
- Sério que eles não são federais de verdade? Eles estiveram hoje no colégio. Eles até me pediram para fazer uma selfie com eles.
- Eu vi essa selfie. E o que eles fizeram com você depois?
- Nada. Eles não fizeram nada. Eles se despediram e foram embora. Não sei para onde foram.
- Eles não sequestraram você? Não estavam mantendo você preso em algum lugar?
- Não que eu tenha percebido.
- E onde você estava até agora?
- No hospital. Fui para lá assim que terminou a última aula. A Melissa tinha me pedido que olhasse o Scott durante o turno dela. Eu estava a caminho quando encontrei os agentes, quer dizer: os falsos agentes.
- Eles sabiam? Você contou a eles que pretendia visitar o Scott no hospital?
- Não lembro bem o que eu disse. Mas, tenho certeza que não falei nada de hospital ou do Scott.
- E o seu celular? Você o perdeu?
- Não, está aqui comigo. Mas, está sem carga. Ficou sem carga um pouco depois que eu fiz aquela selfie.
- Já entendi o que eles fizeram. Vamos colocar a minha bateria no seu celular para fazer ele funcionar.
- Já está funcionando, mas parece que perdi a agenda de contatos e todos os registros. Sumiu tudo. Como isso pode ter acontecido?
- Eles trocaram o chip e devem ter trocado também a bateria. Você não podia ligar e também não recebia ligações. Com isso, eles me fizeram acreditar que estavam mantendo você preso em algum lugar. Graças a Deus que eles não sequestraram você de verdade.
- Mas, sequestraram meu chip. Isso quer dizer que eles podem ler todas as mensagens que eu troquei com os meus amigos. Oh! My God. Eu estou nas mãos deles. Será que eles também vão tentar me chantagear?
- É importante que me conte tudo. Sabe o que eles foram fazer no colégio?
- Não. Sei que conversaram com a Allison e a Lydia, mas não sei o assunto.
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LOCAL: ESTRADA VICINAL PRÓXIMA À RESERVA
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- O GPS na mochila acusa o Stiles chegando em casa. Sorte nossa ele ter passado a tarde inteira no hospital. Mas, agora, não há nada que impeça o xerife de ligar para o agente McCall. O FBI montou barreiras considerando que deixamos Beacon Hills no início da manhã e que isso nos dava uma vantagem de 300 a 400 km. Esses policiais não têm condições que estar aqui em menos de três horas.
- Acho que consigo ganhar mais algumas horas.
- Como?
- Primeiro, vou usar o tablet para acessar a câmera que instalamos no quarto do Stiles. .. Beleza!
- Vai ligar para o xerife?
- Silêncio! .. Boa noite, xerife Stilinski.
- Agente Clay? Ou prefere ser chamado pelo seu verdadeiro nome: Samuel Winchester?
- Pode me chamar como quiser. Estou ligando para voltar a pedir que não entre em contato com o FBI.
- Meu filho está seguro comigo. Vocês não têm mais como me chantagear.
- Sabemos que o Stiles chegou a salvo em casa depois de passar a tarde no hospital fazendo companhia ao amigo Scott McCall. Ele chegou exatamente às 18:22. Exatos 12 minutos atrás. Ele agora está no quarto dele e parece que planeja tomar um banho.
- Como sabe disso, desgraçado?
- Eu podia dizer muitas coisas. Podia dizer que meu irmão tem seu filho neste momento na mira de um rifle de longo alcance. Que estamos bem mais perto do que imagina. Ou podia dizer que seu filho pode estar a salvo hoje, mas quem garante que não vá acontecer algo a ele amanhã? Mas, a verdade, xerife, é que não precisa temer pela vida do seu filho. Não fizemos nem pretendemos fazer nada contra ele nem contra qualquer outro cidadão HUMANO de Beacon Hills. Sabemos que viu o video onde supostamente massacramos civis inocentes. Infelizmente, lobisomens não são as únicas criaturas sobrenaturais que existem. Aqueles no video não éramos nós. Não matamos pessoas.
- Houve uma investigação que incrimina vocês pelas mortes. Espera que acredite na sua palavra? Que diga ao FBI que aqueles não eram vocês e sim algum tipo de criatura sobrenatural?
- Sabemos que seria inútil. O FBI não acredita no sobrenatural. Como não acredita que existam lobisomens. Mas, sabemos que SABE que eles existem e esperamos que nos dê o benefício da dúvida. Mantenha o FBI afastado essa noite e, ao amanhecer, receberá a informação sobre onde estão enterrados o xerife lobisomem de Cody e seus dois auxiliares. Rapazes transformados por seu antigo parceiro em novos lobisomens. Xerife, fui atrás dos lobisomens de Cody porque acreditava que assim estaria salvando vidas humanas. É isso que fazemos. Os túmulos estão sinalizados por cruzes, mas duvido que sejam encontrados sem a minha cooperação. Tudo que peço são algumas horas. Deixaremos Beacon Hills antes do amanhecer. Assim que matarmos Derek Hale.
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- Acha que o xerife fará o que pedimos?
- Não sei. Vamos ter que arriscar. Ah! Veja isso. Talvez ache interessante.
- O Stiles .. pelado? Está achando engraçado, não é? Pois saiba que vou dar o troco.
- oK, desculpe. Simplesmente não pude resistir.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO: OU MORRER TENTANDO
01.06.2015
