Kiss and Control
Capítulo 4: Mudanças.
Não dando valor a reação da mulher que lhe abrira a porta, muito pelo contrário, se aproveitando disso para adentrar, Naruto, desta vez, não precisou escalar paredes.
- Ual! – com as orbes do tamanho de pratos e mesmo assim incapazes de registrar toda a grandeza e beleza do interior da mansão, ele exclamou admirado.
Todo aquele luxo... Hinata era humilde, ele não seria se morasse ali. Faria Sasuke-teme ajoelhar-se aos seus pés todos os dias!
- Ela 'tá lá em cima, 'tebayo? – ele perguntou com os dois pés no primeiro degrau da escada e as mãos no corrimão para se apoiar – Ual! Até o corrimão é macio 'tebayo!
Mizuro saiu de estado de espanto e acorreu para o lado de Uzumaki, antes que ele quebrasse alguma coisa ou pior, Neji-sama o visse.
- Você não pode entrar, eu não disse isso? – empurrando-o para a porta, ela se esforçava para movê-lo dali se visualizando sem emprego e passando fome assim que Neji descesse por aquelas escadas.
- Mas eu vim ver Hinata-chan – ele respondeu num muxoxo e se abraçando ao corrimão ferrenhamente.
- Quer me fazer perder o meu trabalho menino? Saia já daqui! – ela puxou com mais força.
- Não saio! Não saio 'tebayooo!
Os segundos que seguiram eram compostos de meia bravatas murmuradas ranzinzamente pelos dois que lutavam por seus ideais. Barulho suficiente para atrair a atenção do grupo que outrora se divertia na cozinha.
"Bonito trabalho, hein Mizuro? Para quem não queria chamar a atenção de Neji-sama", ela se repreendeu agarrando Naruto pelos cabelos enquanto ele a empurrava pelas bochechas.
- O que está acontecendo aqui? – Jiraiya escancarou a porta da cozinha com ímpeto, desarmando e paralisando Mizuro e Naruto, sua postura e carranca exalando todo o aborrecimento que tinha por ter seus contos sobrepostos pela gritaria e alvoroço dos dois.
- Ero-sennin! – gritou Naruto, porque a barulhada até o momento não tinha sido o bastante, soltando-se involuntariamente do corrimão e pegando Mizuro desprevenida, ambos voaram para o outro lado do corredor, batendo numa das mesas do canto e espatifando um vaso com flores.
Mizuro não levou muito tempo para se recobrar das dores e do susto – Tirem esse moleque daqui!
Ambos seguiam em silêncio pela estrada que ligava a pequena cidade ao resto do país, seus passos produzindo um som engraçado ao amassar a neve pelo caminho.
"Tunk", Jiraiya-sensei desceu um coque na cabeça de Naruto.
- Pra quê isso ero-sennin? – o alvo da reprimenda impôs uns gordos metros de distância entre eles e cravou sua expressão ofendida em seu agressor.
- Você merecia muito mais por estragar meu momento.
- Momento de que? De lorotas 'tebayo? – graças a sua esperteza, Naruto estava fora do alcance dos punhos de Jiraiya.
- Não espere mais contar com minha ajuda e ensinamentos, seu moleque ingrato – retorquiu o homem de cabelos brancos e tomou um atalho.
- Para onde você vai, ero-sennin? – ainda mantendo-se longe, Uzumaki não conteve sua curiosidade.
- Não é da sua conta Naruto, vá, vá brincar com as outras crianças – enxotou-o com as mãos, para depois adentrar a parca floresta que um dia fora mais densa e gloriosa.
- Que outras crianças? Não tenho nada para fazer, já que Sakura-chan não tem coração e fui impedido de ver Hinata-chan – murmurou em desolação ao chutar um monte de neve e areia a esmo.
- Hinata? Quem é Hinata? – ao se virar para questionar Naruto, este pode notar uma enorme clareira adiante e um muro todo feito de bambu, enorme em seu comprimento e cercado por singelos e pequenos arbustos.
Era uma casa de banho!
- Ero-sennin! Seu pervert...! – antes que as exclamações estridentes de Uzumaki despertasse a confiança de quem banhava-se do outro lado do muro, Jiraiya tapou-lhe a boca.
- Shii... – com a mão livre sinalizou pedindo calma e cooperação – Essa Hinata é bonitinha?
- Muito! Nunca vi ninguém mais bonita que ela 'tebayo – respondeu orgulhoso por conhecê-la, pego nas falcatruas do seu sensei – Heeey!
- Mais bonita que a sua Sakura-chan? – não ligando para o olhar de repreensão que recebia, Jiraiyra prosseguiu, aperreando-o.
Todo o rosto de Naruto parecia ter entrado em ebulição, tamanho seu desconforto, ele dera às costas para seu interlocutor e coçava sua própria nuca, tentando pensar em outra coisa para que seu embaraço desaparecesse, ele não poderia deixar esse Ero-sennin pervertido falar essas coisas.
- De qualquer forma, se ela for bonita ou não e você quer vê-la, não existe nada... – tão concentrado estava ao procurar algo entre os arbustos, Jiraiya detinha uma compleição obstinada e séria - ... o impedindo – findou seu conselho com um ar vitorioso e rindo como um bobo, tarado é lógico, ao encontrar um discreto buraco de formação oval na parede de bambu.
- Está sugerindo que eu fure um buraco na parede dela também? – interpelou Naruto ironicamente.
- Isso não é um mero buraco na parede Naruto! É uma brecha para o paraíso, veja e aprenda – puxando-o pela porção posterior do pescoço, acomodou Naruto na posição ideal para visualizar o que tão bem guardara durante um mês de árdua pesquisa para seu próximo livro.
Após várias hemorragias nasais que jogaram o pobre e inexperiente Uzumaki ao chão e inconsciente, porém absurdamente incomodado com as risadinhas constantes do velho safado que espiava as mulheres na termal, ele recobrava o controle sobre seu corpo aos poucos.
- Você ainda vai ser pego Jiraiya-sensei e não peça minha ajuda quando isso acontecer... – espanando o adicional de terra que grudara às suas vestes, já não tão limpas, ele se ergueu e acrescentou, mais para si – Desta vez vou ver Hina-chan, tem algo muito errado com aquela mansão.
Enquanto Jiraiya anotava alegremente em seu caderno de bolso, mais observando pela brecha paradisíaca do que realmente escrevendo, um fino rastro de sangue escorria por uma de suas narinas, ressaltando a sua obstinação taradesca.
- Não deveria tê-lo deixado voltar para lá... – seu lado responsável se manifestou, não durando muito, pois a dona do estabelecimento o havia descoberto a espiar e estava em seu encalço o espantando para longe dali.
Hinata estava feliz. Na verdade, feliz é somente um mero adjetivo para aquela sensação mais aconchegante do que o abraço de uma mãe, mais calorosa que uma caneca de chocolate quente numa noite de inverno. A doença não lhe incomodava e pela primeira vez desde que chegara ali, não achava de todo ruim. Naruto se lembrava dela!
Ela, a garota sem graça e sem segurança nenhuma. E mais, ele lhe prometera, assim que melhorasse da gripe (ou resfriado, ou o que quer fosse), que a levaria num passeio.
O sangue correu com um novo impulso por suas veias perante a lembrança do encontro e promessas. Óbvio que teria que sair às escondidas... O que não seria nada para a nova Hinata, a qual obtinha sucesso com louvor em se manter doente e longe de Neji.
Mal sua mente vacilou ao rememorar o outro Hyuuga com o qual vivia sob o mesmo teto, todas suas esperanças, planos e alegria sumiram, como se nunca tivessem sequer existido.
Naruto poderia deixar-se acreditar que ela estava doente por qualquer causa que não fosse a auto infligida. Porém, para sair com ele teria que cumprir a condição de estar saudável e isso significava, retomar uma por uma de suas obrigações e o pior, rever Neji.
Era impossível.
Impossível e simultaneamente tão almejável. Seria bom se ver livre dessa doença e conhecer a cidade, correr por aí sem estar presa por regras e regras, poder agir como qualquer pessoa livre, fazer amigos como todos fazem, ver Naruto mais vezes e conversar até não agüentar mais...
Não que ela não tivesse desejado algo assim antes. Contudo, ela também não se encontrara nesse regime cruel e rígido antes. Ela tinha amigos, seu direito de ir e vir não havia sido arrancado de si. Em nenhum momento cogitou a possibilidade de que seria isolada de tudo e de todos para poder assumir a liderança do clã.
Não havia refletido sobre o que sofria com cuidado até agora. Sempre fora uma pessoa que se resignara com facilidade diante das exigências de seu pai. Só que depois de conhecer Naruto, uma parte de si se debatia impaciente quando pensava sobre a imposição de seu genitor.
Isso era justo?, ela se reservava perguntar. A bem de quem ela estava sofrendo e se sacrificando? Ela não devia pensar mais em si? Em sua própria felicidade?
Tão rápido os questionamentos se formavam em sua mente, uma onda de remorso a engolia, deixando-a sufocada e repleta de arrependimento. Que espécie de filha e futura líder do clã ela era em agir egoisticamente? Hiashi-oto-san depositara seu orgulho e confiança nela, apesar de ser indigna e era assim que ela retribuía?
Não poderia trazer mais vergonha para seu pai e quão mais cedo colocasse isso em sua cabeça, mais cedo estaria pronta.
Então por que usando todos esses argumentos a parte de si que não desistia em abrir a janela todas as noites não desaparecia? Por que ao ver Naruto a vontade de fugir surgia com tamanha persistência em seu cérebro que podia jurar que lhe gritavam nos ouvidos para fugir, correr dali e nunca mais voltar?
Ela estava confusa.
- Boa tarde Hinata-sama – Mizuro a saudou da porta do quarto.
Hinata respondeu ao cumprimento, pesando a possibilidade de aproveitar que Mizuro estava ali para perguntar sua opinião, não aberta e claramente. E sim de um jeito que não fosse possível perceber que a pessoa envolvida na situação fosse a própria Hinata. Afinal, não poderia envolver Mizuro-chan em seus problemas.
Contudo, antes que formasse as palavras em sua boca, notou a outra se portar estranhamente. Sem sorrisos, o rosto pálido, os olhos tão inquietos quanto suas mãos.
- Hinata-sama... – seu timbre soara fino e quebradiço, como se Mizuro fosse se partir em pedaços a qualquer instante –... estamos todos muito preocupados com sua saúde.
E aí ela entendeu. Estavam ali para levá-la para o hospital, ou pior, fora descoberta.
Hinata sentiu as paredes e teto se fechando sobre si, o ar se tornando rarefeito, assim como a iluminação se infiltrava mais e mais parcamente por sua janela. Mizuro articulava frases mudas, sua expressão indicava uma mistura de pena e remorso, embaralhando os medos no estômago de Hinata, tornando para ela impossível notar que foi deixada sozinha, até que uma desconhecida adentrou o aposento.
Catatonicamente atendeu aos pedidos da médica, "diga ah", "respire fundo", etc., e respondeu-lhe as perguntas em monossílabos, não as gravando em sua memória.
O que ela esperava? Viver assim para sempre? Deveria se envergonhar de recorrer a esse método escuso e covarde. Trazia desonra para os Hyuuga agindo assim...
- Por enquanto não é necessário interná-la – Shizune informava Neji, diante do quarto da enferma, no corredor – Recomendo repouso e alguns sintomáticos – entregou-lhe a receita – Nesse clima é comum que alguns adoeçam, incomum é ela estar assim por tanto tempo... – fixou o olhar de volta para a porta do quarto da Hyuuga, refletindo.
- Obrigado Shizune-sensei – ele não precisava que lhe repetissem o que já sabia, assim também como cultivar desconfianças sem necessidades em terceiros – Acredito que depois de sua visita ela ficará curada.
- Bem... – Shizune ajeitou desconcertada a maleta em mãos... O que ela iria dizer mesmo? – Caso ela piore não hesitem em me chamar – alertou.
- Tenho certeza que não – disse somente para si e acompanhou-a até a saída.
- Mizuro-san – ele chamou pela serviçal e deu-lhe a receita, numa ordem tão silenciosa quanto os seus passos dados em direção aos aposentos da prima.
Estava na hora de dar um basta naquela brincadeira infantil.
- Hinata-sama – por mais que uma difícil vontade de ser contida lhe urgisse a invadir o local e torturar sua prima, Neji mantinha uma paciência e educação louváveis.
Na terceira batida e ainda sem resposta. Resolveu entrar.
As cobertas estavam reviradas sobre a cama, janelas vedadas e um rastro de roupas terminando no banheiro. Antes que pudesse se impedir, se ajoelhara e levantava uma das peças. Rosa claro, rendada, ínfima e bem feminina.
... Como ela cabia nisso?
Provavelmente a finalidade da vestimenta fosse mostrar e não vestir. Como a herdeira do clã possuía algo desse tipo? Era... Era...
- N-N-Neji-nii-san?
Seus olhos saltavam para fora de suas orbes, os fios negro azulados que escapavam do coque grudavam sinuosos pela sua testa e alvo pescoço, algumas gotas escorriam sobre a pele cremosa desaparecendo pela curva dos robustos seios, já encobertos pela toalha verde musgo felpuda.
Um bicho pareceu rosnar atrás da garganta de Neji, lhe causando aborrecimento e rugas surgirem entre suas sobrancelhas, discretamente.
Ele pousou a delicada e pequena camisola sobre as mãos dela, absorvido e centrado na raiva que sentia enquanto Hinata estremecia, antecipando coisas terríveis que ele diria e sendo tomada por uma onda infindável de arrepios. O momento neste mesmo dia que almejara que ele tivesse interesse por ela parecia ter ocorrido há anos.
- Você não é mais uma menininha para tamanha desorganização – observou sua prima desesperadamente tentar esconder seus trajes, já não conseguindo sustentar o olhar, as maçãs reluziam mais ainda, a umidade não ajudando a disfarçar a vergonha.
A essa situação ele estava acostumado.
- Eu ia a-a-a-arrumar – ela contra argumentou, fitando os próprios pés.
Ele retomara a frieza de costume.
- Assim como deve afirmar que não abre suas janelas todas as noites – o resultado foi instantâneo, ela encolheu os ombros e o encarou entre abismada e assustada.
- Hinata-sama, para o seu próprio bem não volte a abrir essa janela – ela anuiu, cabisbaixa novamente – Não me faça vir checá-la todas as noites.
E tendo dito isto, Neji se retirou.
N/A: Desculpem-me pela demora, desculpem-me meeeeeeeeesmo! Pedi ajuda até do meu namo para fazer esse capítulo, ele me perguntou se eu queria que o Neji gostasse da Hinata pelo o que ela é ou pela beleza dela, que já chega de cena ecchi -''
Mas a parte de mim sedenta por smut é insaciável e indomável, fazer o que, né? Daqui pra frente só piora -ê!
Sugestões? Algo que vc caro(a) leitor(a) gostaria de ler nessa humilde fic?
Review ;)
