Kiss and Control
Capítulo 6: Fogo.
Dois meses antes...
Era como se tivessem usado seu corpo para saco de pancadas, ou tivessem testado a durabilidade de tacos de beisebol contra seus ossos e músculos. Tudo doía, tudo mesmo! Inclusive locais que aparentemente Neji-nii-san não havia tocado, ou ela tinha um déficit visual para não ter enxergado os golpes, ou seu primo tinha super poderes.
- Aw... Aw! – pouco isso importava agora, como ela conseguiria se levantar da cama? Se arrastando? Rolando?
Languidamente lançou o olhar sobre a cabeceira de seu leito e o pousou no seu relógio em formato de pingüim, estava tarde. Já deveria ter terminado seu desjejum e estar na ante sala aguardando sua sensei. É, a rotina estava sendo retomada, tendo sido curada já não havia motivos para permanecer no seu quarto, trancada, longe de todos... Que idéia mais burra essa fora a dela, adoecer para se esquivar de suas responsabilidades, ela não era assim.
Suspirando e abafando seus gemidos de dor, ergueu-se e seguiu para o banheiro. Poderia pular o café da manhã e assim não se atrasar para as aulas de Kurenai-sensei, estava sem apetite de qualquer jeito.
Antes de vedar a porta do toalete, um som semelhante ao de algo de porcelana sendo quebrado e vozes alteradas chegaram aos seu ouvidos. Como um cauteloso felino, Hinata se esgueirou até a entrada do seu quarto, nas pontas dos pés delicadamente se aproximou das escadas e esticou seu pescoço para poder visualizar o que acontecia lá embaixo, nas imediações do hall.
Uma mulher esguia, de cabelos tão acastanhados quanto seus olhos discutia com Mizuiro movendo seus braços com elegância e de queixo levantado, mesmo estando possessa demonstrava uma segurança e charme que atraía Hinata como urso é atraído por mel. Enquanto Mizuiro estava vermelha de raiva e de tanta força para se manter no controle e não bater na outra, muito provavelmente, devido a forma em que apertava os punhos ao lado do corpo e se inclinava toda vez que esperneava algum contra argumento para a mulher.
Hinata soltou uma risadinha, Mizuiro parecia um pimentão prestes a...
- Muito engraçado para você? – até a voz de Neji lhe congelar as costas.
Ela virou tão rápido e sem cuidado que tropeçou nas próprias pernas, não caindo porque o corrimão estava rente ao seu corpo. Entretanto, ela não sabia dizer se preferia ter ido ao chão em vez de ter batido suas costelas, já corroída por dores, de contra ao corrimão.
- N-Não – ela negou, percebendo que contara a mentira mais deslavada e idiota, pois ele havia presenciado ela rindo anteriormente.
Poucos segundos ele permaneceu diante dela sem mudar sua expressão ou posição, enquanto para ela pareceram minutos, mil e uma coisas passavam pela sua mente Hinata, uma mais mirabolante que a outra sobre o que ele faria e o que estava pensando. Chamar-lhe a atenção por estar se metendo de modo indigno para a futura herdeira do clã? Por mentir? Ou friamente repreendê-la com o silêncio? Contudo, em nenhum momento imaginou que ele se curvaria sobre ela e audaciosamente suspenderia a parte de cima de sua camisola para analisar seu flanco esquerdo.
Seus dedos tocaram levemente a pele macia e um arrepio percorreu como ondas de choque toda a superfície do corpo da Hyuuga, a derretendo por dentro e a forçando, inconscientemente e sem permitir-lhe evitar, a fechar os olhos e entreabrir os lábios para ventilar seus pulmões sedentos por oxigênio – Ficará roxo.
Kami-sama...!
- É-é – e sem mais nenhum interesse na cena escandalosa no andar de baixo da mansão, Hinata embarafustou de volta para seu quarto.
O que ele acabara de fazer? O que ela acabara de fazer?
Neji cerrou as orbes, percorrendo do ponto onde sua prima estava há meros milissegundos passando pela porta do quarto da mesma, para pousá-las sobre seus dedos, em seguida esfregando-lhe as pontas com o polegar da mesma mão. Era uma sensação diferente da passada.
Ignorando a parte insana de si que clamava por mais toque e contato com aquela pele sedosa como pétala, por despertar aquela reação de inocente e total entrega com um singelo toque, ele se aproximou da porta e avisou – Não vá se atrasar para o nosso treino de hoje à tarde.
Surpresa por ele ainda estar ali, Hinata pulou, como um gato assustado, distanciando-se da porta, a qual estava usando para se manter de pé, e colocando a mão sobre o peito como se isso fosse impedir seu coração de sair pela boca, anuiu – Sim N-Neji-nii-san.
Não encontrando algo mais para mantê-la ali numa conversa, ou fazê-la abrir a porta para ele, Neji voltou para o escritório se achando patético por ter almejado isso em primeiro lugar, esquecendo o que o fizera ir parar lá.
Ela batia o pé impacientemente no piso de madeira e Kiba se perguntava como uma pessoa tão parecida fisicamente com Hina-chan era tão distinta? Aquela garota era... Perturbadora!
- O que você quer? – ele enfim resolveu se anunciar, após minutos de ponderação sobre o que deveria fazer, optando por permanecer encostado no espaldar de uma das cadeiras da sala de jantar.
Hanabi não se intimidou ou demonstrou surpresa pela falta de educação e cortesia que lhe foram dirigidas – Encontrar minha onee-chan – disse sem rodeios.
Ele estava certo em não se apresentar, eles se conheciam de longe, quando fora visitar Hinata ou quando saiam juntos... Mas ter a pirralha debaixo do teto da sua casa era incômodo, no mínimo.
- Seu pai sabe que está aqui? E o que pretende? – Kiba devolveu, coçando a nuca ao se aperceber dos problemas que aquela simples visita poderia lhe trazer.
- Eu sei cuidar de mim – ela cruzou os braços e sustentou o olhar duvidoso de Kiba com uma auto afirmação tão não-Hinata.
Gaah! Como essa garota doía no seu calo, dava-lhe ganas de expulsá-la. Por consideração à irmã dela ele estava se policiando o quanto agüentava.
- Eu sei que você gosta dela, vai me ajudar ou não? – acrescentou o desafiando a negar ao mesmo tempo que o pressionava a dizer qualquer coisa.
- C-Como? Qu...? Arg! – toda a compostura e orgulho de Inuzuka Kiba perdidos em menos de um minuto, restando somente um rapaz vermelho da cabeça aos pés – Isso não é da sua conta... – balbuciou, para que servia orgulho mesmo?
- Sabia que você era um covarde, vou achá-la sozinha então! – Hanabi juntou sua mochila e num ímpeto de maldade, com um pé fora da casa, continuou – Nunca gostei de você, não é a toa que onee-chan também não, você é um maricas! – e dando-lhe a língua correu.
- Volta aqui! – e Kiba a perseguiu, colocando o pé na porta antes que a mesma fechasse com estrondo tamanha fora a força usada por Hanabia para impedi-lo de estar no seu encalço - Sua pirralha nojenta!
Hina-chan que o perdoasse.
Sua aula de inglês com Kurenai-sensei havia terminado e Hinata rumava para seus aposentos com os braços apinhados de livros e muitos deveres de casa. Mais uma penosa conseqüência do seu período de enfermidade. Por quanto tempo mais ela teria que pagar pelos efeitos colaterais? Suspirando e tendo que fazer malabarismo para não deixar nada cair, ela repousou a pilha sobre sua escrivaninha.
Desmotivada checou o relógio da cabeceira e soltou mais um suspiro. O treino com Neji-nii-san começava em menos de meia hora. Era alarmante a freqüência com que checava as horas, sempre temendo o horário do treino.
Todo seu ser se rebelava perante a simples lembrança do que sofrera ontem. Talvez ela devesse ir mais cedo, aquecer um pouco, quem sabe teria mais chances de impedir Neji de lhe dar uma surra. Com esse pensamento menos pessimista, ela encontrou forças para prosseguir para a área de treino.
Todavia, seu primo já estava treinando e a julgar pelo arfar de seu peito e rosado do seu rosto, era há um bom tempo.
Idéia boba de aquecer, aborrecida consigo Hinata cruzou as pernas ao sentar e aguardou que o horário de sua tortura chegasse, como uma estóica e boa garota japonesa.
- Hinata-sama.
Como quem caminha para sua sentença de morte, ela seguiu cabisbaixa até o centro da área. Inacreditável como a mão que a afagara mais cedo estava prestes a imprimir hematomas no mesmo local.
- Hoje faremos diferente – ele iniciou e Hinata o encarou entre confusa e esperançosa – Amanhã retomaremos o treino de ontem – isso provavelmente teria sido um balde de água fria nas expectativas de outros, porém, não para a Hyuuga, vindo de Neji e por mais que ele usasse uma justificativa plausível, ela teve que se segurar para não abraçá-lo e agradecer.
- Comece o aquecimento – ele instruiu, impassível e saiu do quadrado, dando espaço à prima.
Hinata poderia se perguntar o motivo que levara Neji a postergar o exercício massacrante, dar-lhe falsas esperanças? Era um novo método de tortura? Ou a tornaria mais forte para satisfazer o gosto de seu genitor? E isso importava? Afinal, ele estava simplesmente mostrando quem sempre fora, o garoto carinhoso e cuidadoso com ela durante a infância.
Ela deveria dar o seu melhor e deixar todos contentes, era o mínimo que devia aos que estavam sendo prejudicados por esse isolamento. Com essa nova resolução fixa em sua mente, ela continuou o aquecimento até não ter mais atividades para prosseguir em sua espera pelo retorno de Neji. Após muito protelar, por temer desagradá-lo, se retirou do aposento e adentrou o corredor em busca do primo.
Mizuiro vinha na sua direção – Hinata-sama, Neji-sama me mandou avisá-la que terá que treinar sozinha por hoje.
- O-oh obrigada Mizuiro-chan – levemente surpresa com a notícia, não se permitindo perguntar em voz alta a razão, retornou para seu lugar de origem.
- Deseja alguma coisa Hinata-sama? – interpelou Mizuiro antes que Hinata ficasse totalmente fora de seu campo visual.
- Não, obrigada – a herdeira forçou o seu mais convincente sorriso falso e se trancou no próprio mundo de conjecturas.
Ela precisava conversar com alguém, ou enlouqueceria naquela prisão de silêncio e mistérios.
Curiosidade é um dos piores impulsos, dependendo da situação. Pelo menos nos filmes de terror é o que causa a morte dos personagens. Contudo, ela não estava em um, ou estava? Depois de ter treinado sozinha e tomado um bem vindo banho, seu cérebro ainda cismava em querer fazê-la se mover até os aposentos de Neji e perguntar-lhe o que havia acontecido. Ela estava ficando muito ousada e isso não era bom.
E se Neji tivesse adoecido? Contraído a doença dela? Era sua obrigação cuidar dele, sua responsabilidade! Sem pensar ou discutir consigo por mais um segundo, decididamente rumou para a ala da mansão em que o quarto de Neji ficava.
As luzes por todo o percurso estavam apagadas e Hinata se maldizia por não ter preparado nada para oferecer a Neji afim de amainar os sintomas da sua enfermidade, se é que ele realmente estava doente.
Caso ele não estivesse ela pediria desculpas e voltaria para seus aposentos. Nada complicado, ela podia fazer isso.
Okay, ela estava ali, em frente a porta dele, agora era só levantar a mão e bater na porta. Também muito simples, muito fácil. Ela era capaz de bater a porta de Neji-nii-san, ele era seu primo, uma pessoa pela qual ela se importava e gostava, perfeitamente natural estar ali, prestes a fazer o que faria. Então por que ela não conseguia bater na infeliz da porta? Seu punho congelado no ar e uma ruga, de concentração e aborrecimento consigo, se materializara no meio de sua testa.
Relaxou os ombros e o braço, expulsou todo o oxigênio de seus pulmões e fechou os olhos, ela iria embora. Não, ela não iria. Com renovada motivação voltou a erguer o punho e a meros centímetros de encostá-lo na porta, a própria se entreabre.
Hinata mergulhou para a esquerda, silenciosa o bastante para não alarmar outros da sua presença ali e usando de uma técnica que possuía alto potencial para evadir dos golpes impiedosos de Neji, entretanto ganhando mais um roxo em seus antebraços para sua bela coleção.
A iluminação do quarto, parcamente banhou a área adiante em formato de trapézio e para vislumbre da Hyuuga, duas sombras na semi penumbra se juntaram a frente do quarto. A mulher elegante de cabelos acastanhados estava bem ali, sem ter mudado o porte seguro e soberano com o qual andava, a diferença era que andava com um sorriso vitorioso nos lábios.
Uma coisa Hinata poderia ter certeza, tudo que envolvia Neji era uma fonte infindável de surpresas para ela.
Ela não deveria estar ali. A curiosidade matou o gato, repetiu para si. Estava invadindo a privacidade de outra pessoa, ela não tinha esse direito. E se ela se revelasse e pedisse desculpas? Estava ficando louca, que burrice tamanha seria se mostrar. Deveria ficar calada e escondida. Deveria tapar os ouvidos e os olhos para o que quer que acontecesse a partir deste minuto.
- Tenten não venha mais aqui e não me envolva mais nisso.
Kami-sama! Não escute, não escute, não escute... Suas sinapses travaram no comando, enquanto que suas mãos apertavam suas orelhas e suas pálpebras estavam cerradas.
- Anda muito ocupado para nós, é? Pois bem, lhe deixarei em paz... – ela se inclinou e sussurrou algo inaudível, com a taxa de bisbilhotice atingindo níveis perigosíssimos Hinata já estava se esticando para perto do casal, concentrando toda a sua habilidade na audição para discernir o que havia sido dito.
Não captou lhufas.
Sem mais a tal da Tenten foi embora e seu primo fechou a porta com a usual expressão indiferente, provocando frustração na única que permanecera no local por não conseguir desvendar o que se passava no seu interior e o que significava o que acabara de presenciar.
Essa fora a causa dele não ter aparecido no treino? Dele ter pego leve com Hinata? Por que teria um encontro amoroso? Contudo, por que proibira sua amante de retornar? Se a própria era a justificativa da sua felicidade? Não fazia sentido. Cansada de tentar entender, ela se levantou e quase voltou ao chão de tão adormecida que suas pernas estavam.
Se Tenten fosse ou não a namorada de Neji com o fim que o reunião dos dois teve, Hinata não podia esperar a mesma indulgência de hoje para o treino de amanhã.
N/A: Esse casal é tão triste, quero dizer, Kishimoto-sensei melhorou as coisas para eles depois que Naruto cruzou o caminho do Neji, mas mesmo assim. Isso me fascina e eu acho que NejiHina precisa de mais amor em português, se alguém tiver uma fic porreta para me indicar, sinta-se à vontade ;)
Desculpem pela demora, por mais que eu seja apaixonada por esse shipper, como é difícil escrever heheh.
Obg pelas reviews meninas, de coração, por v6 vou agilizar os próximos caps, prometo!
Bjin'
