Kiss and Control
Capítulo 7: Ousadia.
Um mês antes...
Era uma manhã ensolarada, perfeita para um piquenique lá fora. E por mais tentadora e gostosa que fosse a idéia, ela não seria nada mais do que era: uma idéia. Desapontada, Hinata encarou sua pilha de deveres como quem deseja ter o poder mágico de fazê-la desaparecer ou se auto resolver.
Não adiantava ficar observando, ela tinha que por as mãos na massa para cumprir com suas obrigações e quem sabe, no fim da tarde, quando tivesse terminado seu treino com Neji convenceria Mizuro a se juntar a ela num lanche, no jardim.
Revigorada abriu um de seus livros e com a caneta entre os dedos puxou para si seu caderno. Que inocência da parte dela acreditar que depois de um treino com Neji teria ânimo ou ao menos seus ossos e músculos no lugar para fazer um piquenique. Desanimou instantaneamente. Tão logo sua caneta voltou a repousar sobre a mesa um barulho estranho lhe chamou a atenção.
Era constante e a origem parecia vir de seu aposento. Olhou em volta, não registrando nada de peculiar para em seguida, levantar-se e notar um vulto de algo pequeno sendo atirado contra sua janela. Eram pedrinhas.
Intrigada entre abriu a janela e uma das pedras acertou-lhe a testa em cheio, produzindo um estalido e provocando uma ligeira dor no local.
- Gomen ne Hinata-chan! – com uma das pálpebras vedadas, ela viu Naruto abaixo de sua janela, oferecendo-lhe um sorriso de desculpas e antes que ela pudesse lhe dizer que estava tudo bem, ele estava mais uma vez escalando as paredes e em menos de um minuto estava pulando por sobre o batente, era impressionante.
Curvou-se preocupadamente na direção dela e estendeu a ponta dos dedos na direção do local que ela mantinha a mão sobre, inconscientemente – Daijobu ka?
- S-Sim, não foi nada – ela lhe mostrou sua pele, evidenciando que não havia sido nada demais.
- E então, como vai?
- Vou bem, obrigada Naruto-kun.
- Isso são deveres 'tebayo?! – ele olhou abismado para a pilha de cadernos e livros sobre a mesa de estudos de Hinata, provocando nela uma risada devido ao exagero com que ele reagira perante ao monte.
- E pausa para lanche, você não tem? – ele lhe lançou um olhar que misturava revolta, compaixão e descrença – Isso parece muito injusto! – ele estava assumindo fatos sem ter certeza sobre, o que não incomodava Hinata, só era um pouco difícil acompanhar seu ritmo.
- N-não, é que estou a-atrasada com meus deveres, prefiro pular m-m-meus intervalos – contra argumentou e Naruto sacudiu a cabeça em compreensão.
- A mim parece que você precisa de um pouco de sol Hina-chan – ele lhe disse, vasculhando compenetradamente algo dentro de seu casaco absurdamente laranja, enquanto sua inter locutora continuava a observá-lo, calmamente.
Mal ele sabia que ela era banhada pelo melhor dos sóis quando ele a visitava, há quanto tempo não o via? Desde seu período doentio. Parecia que fora há anos...
- Podemos tomar um ramen 'tebayo! Eu conheço a melhor taberna de ramens do mundo, você vai adorar Hina-chan! – ele estava com um pé debaixo da porta arrastando Hinata pela mão, muito provavelmente em direção à saída da mansão, a outra mão sacudia uma bolsa de moedas em formato de sapo, o objeto que anteriormente procurava avidamente dentro de seu casaco alaranjado.
- Ero-senin me diz que ramen não faz bem para o meu cérebro e eu disse que não me importava, um bom ramen é um bom ramen 'tebayo! – ele prosseguia no seu monólogo completamente alheio às tentativas de sua companhia em se desvencilhar do seu aperto.
- N-Naruto-kun... – ela tentava atrair sua atenção, em vão.
- Até Sakura-chan se juntou aquele pervertido, escondendo minhas economias para que eu não pudesse ir à minha barraquinha de ramen preferida, foi pura maldade, Sakura-chan é bem malvada quando quer 'tebayo – ele admitiu depressivo.
Hinata adoraria se deixar levar por ele, Naruto era uma das poucas pessoas que tagarelavam pelos cotovelos e não a faziam se sentir pressionada a falar algo em troca. Talvez Naruto não a deixasse, ele parava de falar por um curto espaço de segundos quando respirava e ela não confiava que teria coisa interessante que pudesse dividir com ele durante esse intervalo de tempo. Além de não falar rápido, faltavam acontecimentos atraentes e coloridos o bastante para entreter seu novo amigo.
- Naruto-kun! – ela obtivera sucesso em articular seu nome sem gaguejar e usando de um volume que o fizera parar de falar e enfim, impedi-lo de sair do quarto – Não p-posso sair – completou timidamente, quase num sussurro.
- Como assim?
- Não p-podendo – insistiu, tornando-se rubra da cabeça aos pés e evitando corresponder ao olhar dele.
- Mas você já é bem... – ele pausou para escolher as palavras e Hinata prendeu a respiração, temendo algum comentário depreciativo, será que até ele seria capaz de denegrir as pessoas? Estaria ela errada sobre ele? - ... grandinha – ele findou após desviar desconcertadamente sua visão do corpo dela, percebê-lo sem jeito triplicou o constrangimento dela.
- Não p-podemos f-ficar a-aqui? – ela sugeriu, com receio de que ele resolvesse ir embora.
- Ou eu posso trancar a porta e ensiná-la a descer pela janela 'tebayo! – oh por Kami-sama, ele estava muito empolgado, erguia seu pulso no ar ao dar pulos curtos – É muito fácil Hina-chan e comigo lhe ensinando, não poderia haver melhor professor 'tebayo! Vamos, vamos, não podemos perder mais um minuto 'tebayo – e agora ele a arrastava para o outro lado do quarto.
Magistralmente pulou o batente e se segurou no mesmo, virou o rosto para Hinata com um sorriso traquinas enorme despertando uma onda de arrepios por toda a cútis dela. O que ela estava prestes a fazer era quebrar uma regra e ela se perguntava internamente se estava apta para tal atitude irresponsável e arriscada.
Uma parte dela pulava em antecipação para se juntar a Naruto, enquanto outra a grudara ao piso do quarto, impedindo-a de segui-lo. Ela estava confusa e apavorada. E se Neji descobrisse? E se contasse para o seu pai? E se seu clã a renegasse? Tamanho era o número de "e se..." que a estavam deixando tonta.
- Você tem razão Hina-chan, não podemos fazer isso – o comentário de Naruto a despertou de seu debate mental e acomodou um tijolo sobre seu estômago, ela não queria que ele desistisse dela e muito menos decepcioná-lo, e ao abrir sua boca para implorar-lhe que a ensinasse e levasse com ele, o próprio estava de volta ao quarto e rumando para o closet.
- Vamos acabar rasgando seu vestido no processo – admitiu, pensativamente e continuou – Precisamos de algo que a permita se mover livremente 'tebayo.
Após terem escolhido uma vestimenta adequada e ela ter se trocado, ambos rumaram para a janela, insegura ela fitou o chão, diante da probabilidade de cair e estatelar-se lá embaixo a distância parecia bem maior do que realmente era. Indiferente ao que se passava com ela, Naruto a envolvera pela cintura e a puxava por sobre o batente, junto consigo. Se ela não desmaiasse de medo, desmaiaria pelo contato entre os dois.
- Segure aqui – ele parecia ter muitas mãos ao guiá-la pelos lugares certo, com o rosto pegando fogo e mal conseguindo se concentrar Hinata tentava obedecê-lo, tarefa muito árdua – Deixe o seu pé esquerdo lá, não, não, não desça ainda Hina-chan!
Quando eles enfim alcançaram o solo Hinata não lembrava como o fizera, a sensação do toque de Naruto a havia cegado e impedido de registrar qualquer fato que acontecia ao seu redor e consigo própria.
- Pronto, não foi fácil? – ele lhe sorriu mostrando todos os dentes, parecia cansado ao respirar ruidosamente, a levando a se perguntar quanto trabalho havia dado a ele.
Ela anuiu a cabeça em afirmativo, envergonhada demais para articular em palavras uma resposta.
- Agora vamos à cidade 'tebayo! – ele não estava menos empolgado que antes e tomando a frente, não parou de falar sobre como o ramen era delicioso, como Hinata iria adorar, como ninguém conhecia as redondezas melhor que ele, como eles se divertiriam, que ele iria apresentar todos a Hinata e etc.
Ela foi aos poucos relaxando toda a tensão do embaraço num singelo sorriso, era impossível não sentir o abdômen repleto de borboletas esvoaçantes ao lado dele.
Com um atraso de quase uma hora Hinata enfim chegou à área de treinamento. Se as emoções tivessem cores e pintassem o local que seu ocupante estivesse, ela tinha absoluta certeza que não seria capaz de enxergar um palmo diante de seu nariz naquele breu sufocante.
O sol havia se posto deixando um rastro róseo-alaranjado num céu cujas nuvens pareciam areia à beira da praia, um paraíso com o clima mais agradável que pudera presenciar até o presente, tudo perfeito excluindo Neji da cena, obviamente.
Ela estava certa, não haveria de forma nenhuma um grama da indulgência de ontem, elevando suas últimas preces a Buda antes de se curvar e pedir perdão pela falta, aguardou a resposta do primo.
Foi presenteada com o silêncio, mais uma vez, e sem coragem o suficiente não ergueu os olhos para presenciar a fria decepção, ou repreensão que ele estaria reservando a ela durante esses longos sessenta minutos de espera. Imaginando que teria que permanecer nesta posição por igualmente uma hora como castigo, desejou ter alongado previamente afim de preparar os músculos para a tarefa dolorosa.
Estava se tornando muito ousada mesmo, em vez de sentir vergonha estava se preocupando com as dores nas costas!
- Vai ficar aí durante o treino todo? – ela o encarou sorrateiramente por míseros segundos e fixou as orbes em um ponto qualquer no chão, em postura ereta e com as mãos inquietas.
Neji gostou disso.
- N-Não – sua resposta não foi mais que um sussurro e assim como seu monossílabo inseguro, Neji percebeu seu corpo ondular não sabendo exatamente o que fazer.
- Não sou bom o bastante para ser seu professor Hinata-sama?
A reação dela não se deu um milímetro distante do que ele previra e Neji permitiu minutos demoradamente excruciantes escorrerem para que ela, com suas frases se atropelando e a face ansiosa explicasse como ele estava errado. Talvez seu ego precisasse de um agrado ou talvez ele se deliciasse com a aflição dela em negar o fato, o que importa é que no fim ela terminou seus argumentos sem esclarecer muita coisa e com uma frase embaraçosa acompanhada de bochechas rubras e olhos apreensivos.
Sem demonstrar como havia se divertido e não prestado real atenção a nada que provinha de suas sentenças desconexas, além do desconforto que causara, ele a convidou a treinar e se Hinata achava que havia apanhado o bastante na primeira vez, ela mudaria de opinião em parcos segundos.
- Hinata-chan, como vai? Fez seus deveres...? – a pergunta animada de Kurenai morreu antes de se completar, com um andar estranho a menina adentrava o aposento junto com o cheiro característico de emplastro para baques – O que aconteceu?
Condoendo-se a professora adiantou-se para arrumar o assento da forma mais confortável que podia e acomodar sua pobre aluna, pelas caretas e muxoxos parecia que a garota havia levado uma surra descomunal.
Acostumada a nunca ser vista de fato e sim ignorada, ouvir e sentir a preocupação de outra pessoa era o melhor dos bálsamos, já que os empregados da casa pareciam estar sob um poderoso feitiço e sempre que notavam que ela os estava fitando desviavam-se rapidamente para um lugar que ela não os pudesse alcançar. Apesar de não amainar o que sentia fisicamente sua guarda perante seus sentimentos falseou e com um esforço que necessitava ser direcionado para o plano material e, como se lhe custasse a própria vida ao conjurá-lo Hinata limitou-se a negar movimentando a fronte e debilmente arrastou seu material de estudo por sobre a mesa, como uma criança que fora assustada para ser calada.
Resolvendo não insistir no momento Kurenai começou a aula, não passando despercebido cada oscilação que aparentava ser custosa demais para sua aluna, reservando para o fim sua intervenção mais enfática, quando imaginava que teria Hinata mais tranqüila e senhora de suas fragilidades perante a ela.
Fingindo não perceber o olhar mudo de Hinata para que lhe ajudasse a levantar, a professora lhe segurou ternamente uma das mãos e acariciando-a, indagou – Quem fez isso com você?
Sempre soubera que Hinata era especial, especial não por sua condição de herdeira de um dos conglomerados mais poderosos do oriente, porém por sua personalidade. Raras as pessoas que chegavam à essa idade mantendo a natureza de Hinata, a vivência e maldade do mundo as remodelava fornecendo-lhes uma carapaça protetora. E Hinata simplesmente se expunha, sem refletir sobre proteger-se, ou revidar.
A adolescente baixou o olhar como se temesse revelar algo que não deveria e aproveitando para esconder sua vergonha também.
- Posso ajudá-la. Posso levá-la comigo – acrescentou a mulher delicadamente, aproximando-se como se o temor de Hinata estivesse se abatendo sobre ela, sua entonação calorosa envolvendo como o mais macio dos veludos sua ouvinte.
Hinata sentiu algo no meio de seu peito derreter e ao redor de suas pálpebras se infiltrava um ardor imensurável a obrigando a fechá-las. Estava prestes a chorar quando não devia. Ela tinha uma obrigação para com seu clã. Para com sua família. Para com seu pai. Não poderia desiludi-lo. Não mais uma vez.
- Podem não acreditar em você, mas eu acredito – Kurenai assomou e lágrimas brilharam em formato de pérolas, caindo suavemente sobre o colo de sua aluna.
Como se tamanha gentileza e compreensão a queimassem, Hinata custosamente se ergueu e mais uma vez sinalizou em negativa, sua cortina de cabelos negros cobrindo seu lacrimoso rosto – Sumimasen Kurenai-sensei.
E andando de maneira que parecia não haver agonia, ela deixou os aposentos da aula.
N/A: Poxa, que demora né? Desculpem, de verdade. E vai mais um capítulo!
Obg pelas reviews (:
Kah, sim vc me incentivou e cá está o cap moça.
Lovett, quem disse q eles estavam tendo um caso? Heheh...
Bjin'
