Kiss and Control

Capítulo 11: Amor.

Apesar de detestar sua incumbência e sentir que estava arrastando uma tonelada em direção ao aeroporto, o dever impulsionava Neji muito a contragosto, sendo contragosto eufemismo para descrever seu estado.

Na área de espera sua mente se ocupava em arquitetar desastres dos mais variados que poderiam acometer aquele famigerado avião. Mas quando o monitor do hall de desembarque avisou que a nave havia pousado, ele teve que acordar para a realidade. Coisa ruim não se quebra fácil.

Todos os olhares convergiam, como mosca para coco, em direção a Naruto. Além de ter aquele cabelo canário, ainda trajava uma roupa alaranjada. Típico. Quando Neji enfim foi visto pela peste, este pareceu hesitar e contente Neji mal conteve seu esgar cruel.

- Onde está Nata 'tebayo? – o insolente tinha o despeito de alcunhar Hinata-sama sem honorifico e pior, usar um apelido? Neji não poderia assegurar que Naruto estaria com a cabeça no lugar certo antes de encontrar sua prima.

- Ocupada.

- WAH! Precisa ser tão ruim assim? Sua mãe nunca te ensinou boas ma... – Naruto engoliu em seco, fechando a boca antes de terminar sua frase quando Neji sinistramente lhe encarou.

O que não lhe rendeu muitos minutos de sossego. Neji precisava aprimorar suas táticas de intimidação.

- Então... Para onde vamos?

Inferno com certeza.

- Nata disse que tem um restaurante aqui perto em que você come no escuro e se adivinhar qual prato foi servido, você come de graça.

- Não levarei você a lugar algum.

Como se não bastasse a tagarelice, ainda havia mais essa. Neji não conseguia se imaginar jantando no breu. Hinata-sama tinha interesse em coisas do tipo?

- Ahh então eu venho com Hina-chan mais tarde, me parece um ótimo ambiente para um encontro, heh?

Neji estava aborrecido antes, porém a situação ainda era tolerável. Sendo alguém naturalmente inclinado a ser lacônico, sua raiva o forçava a um silêncio maior. O que não se poderia dizer depois de ter ouvido essa. Mantendo sua aparência concisa ele adentrou o automóvel, trancou as portas, girou a chave na ignição e partiu enquanto Naruto tentava entrar, ora se pendurando na maçaneta, ora correndo desesperadamente atrás do carro.

Passado certo tempo, uma hora ou mais talvez... Neji teve que deixa-lo entrar, um dos guardas de trânsito reclamou que Naruto estava atrapalhando o tráfego.

Este fim de semana seria longo.


Uma pilha de documentos dos mais variados tipos se acumulava sobre a mesa de Neji, seus gestos se alternavam entre lê-los, assiná-los e computa-los no notebook a sua frente. Pela ruga entre suas sobrancelhas era algo irritante, pois o demovia de sua fachada impassível.

Com a bandeja de chá em suas mãos Hinata absorvia o que presenciava.

Neji era, sem sombra de dúvidas, muito bonito.

Sua decisão irradiava poder durante qualquer ação que executava. Difícil não nota-lo. Como se tudo dobrasse ao seu desejo, ela se sentia atraída a ele como uma mariposa à luz.

Quando o ouviu pronunciar seu nome por um triz não deixou a bandeja ir ao chão. Desajeitada pelo seu descuido e má educação em não se anunciar, aproximou-se da mesa, sentindo seu sangue esquentar lhe a face e vibrar seu tímpano. Estava nervosa antes que pudesse controlar.

- Trouxe seu chá – ela abaixa seu olhar, não ousando se permitir passeá-lo pela figura diante de si, receando que dessa forma facilitasse para ele ler o que se passava em sua mente.

Enquanto que Neji parecia muito confortável não desviando sua atenção dela, agora que fora descoberta, e prolongando o silêncio para aumentar seu incomodo.

- Outra pessoa poderia ter feito isso – enfim ele se pronunciou, provocando em suas vísceras uma competição de contorcionismo.

- Eu q-queria trazer – Hinata respondeu num murmúrio, como que pedindo desculpas por fazer algo errado.

Neji se pôs de pé e retirou a bandeja da posse de Hinata, roçando seus dedos nos dela levemente.

- Por que? – a pergunta surtiu o mesmo efeito que uma vaporada borbulhante, as bochechas de Hinata poderiam cintilar no escuro.

E todas as dúvidas e medos que a sufocavam antes de estar ali, deixaram de estrangular sua garganta e pesar em seu estômago. A sensação de liberdade aqueceu seu amago.

Talvez... Talvez Neji ainda a quisesse. Comprimindo os olhos perante sua conjetura e criando coragem, ela procura pelo par de orbes tão semelhante ao seu e se policia para não afundar ali – Queria ver... você.

Neji lhe sorri, tão confiante que uma porção é transmitida a ela, a fazendo se sentir tão leve como um balão. A verdade é libertadora.

Ele passeia seus dedos entre os fios de cabelo dela, soltando-os de seu coque baixo, a trazendo para si e fazendo-a esquecer de respirar, ele estava tão perto que podia sentir sua respiração acariciando lhe a bochecha. Porém, se mantinha longe o bastante para tortura-la, para impor-lhe uma dolorosa espera.

- Hinata-sama, já lhe foi ensinado a controlar seus desejos - ele parecia se divertir em brincar com o que provocava nela, ora atiçando-a, ora desestimulando-a.

Hinata não tinha mais dedos para contar o número de vezes que esperara por algo assim acontecer entre eles e antes de filtrar sua resolução pela censura e razão, em um segundo puxou a mão dele de suas mexas e a repousou em um dos seus seios, anulando a distância entre seus lábios. Tomando o de surpresa com seu comportamento excepcional.

No próximo instante estava deitada sobre a mesa e Neji não consegui se manter distante dela.

Hinata acordou como se tivesse se engalfinhado com alguém. Tentando se retirar da cama estava se provando mais difícil do que o aceitável, seu corpo estava enroscado no edredom de uma forma artisticamente intricada. Mais vergonhoso ainda foi notar o fundo de sua calcinha umedecido e o desconforto em sua pelve. Ter sonhos eróticos com quem lhe rejeitara quintuplicava sua humilhação. A cereja do topo do bolo foi lembrar que isso foi há tanto tempo...

Toda essa tensão precisava ser sanada, ela tinha que encontrar uma maneira de se distrair.

Ela tinha tempo antes de seguir para o trabalho, voltar a dormir não era uma opção. Ir para a área de treinamento espairecer era uma boa ideia. Revigorada, tomou um banho rápido e pôs uma de suas vestimentas mais confortável.

Ao se aproximar do local, o ruído de alguém treinando se tornava mais e mais nítido. Por mais que seu subconsciente tivesse noção de quem estava ali, seus pés não vacilaram em interromper seu trajeto.

Ver o legítimo Neji relegava o de seu sonho ao irreal e evidenciava sua falsidade, fazendo com que ela se sentisse pior e, permitia que a culpa e o negativismo se infiltrassem em seu coração. Seu dia estava começando muito bem.

O suor manchava sua camiseta branca, a veia de seu bíceps estava mais proeminente, assim como o músculo, um exercício simples e comum despertando sensações que deixavam Hinata insatisfeita.

- Hinata-sama.

- Bom dia Neji – ao vê-lo se retirar, ela se pegou pedindo – Não podemos treinar juntos?

- Claro – ele retornou para perto dela.

Hinata o imitou ao ficar descalça, assim como sua posição de ataque. Após ser analisada por seu adversário, a um sinal iniciou o combate, respeitando o curso de sua respiração e o que ele havia lhe ensinado no passado. Usar a diferença de estatura a seu favor.

Ao terminar sua sequencia tendo como alvo pés, tronco e pescoço, Neji elogiou sua instancia, a ajudou a se levantar e antes de acrescentar algo mais Hanabi os interrompeu – Nee-chan você me prometeu ensinar esse golpe.

Hinata enxergou a presença da irmã como uma saída, o treinamento não estava lhe ajudando.

- Neji que me ensinou – Hinata limpou uma sujeira inexistente de seus trajes ao se aproximar da irmã e beijou-lhe a testa – Preciso que otoo-san assine uns documentos para mim.

Hanabi encarou Neji.

- Sim, eu lhe ensino – ele respondeu à sua pergunta silenciosa e Hinata abafou uma risadinha, antes de se retirar por completo da área.

- Ela não vai esperar para sempre, sabe? – Hanabi sorri tolamente para Neji e ele tenta mascarar seu desgosto com a intromissão.

- Você quer aprender ou não? – ele a relembra do motivo para estarem ali e tenta apagar de sua retina a imagem de Hinata rindo.


Hinata não estava satisfeita com o que via no espelho. O penteado, vestido longo e a maquiagem a deixavam desconfortável. As fotos e o escrutínio pioravam o cenário, ela se resignava a baixar os olhos quando tudo se tornava esmagador, e procurava por uma memória que a acalmasse. Ela lembrava que fazia isso por sua família e assim, os segundos escorriam em minutos e minutos em horas.

Quando sua habilidade em manejar as conversas e entende-las havia se esgotado e ela acreditava que havia feito seu papel social, estava na hora de pedir licença da mesa de jantar. Ela procurou por seu primo, o qual não estava muito longe. Encostado no bar conversando com um dos convidados, um copo de whiskey em mãos.

- Neji... – ela lhe tocou o ombro, terno macio sob a polpa de seus dedos.

Ele estava charmoso vestido desse jeito. O cabelo solto reluzia num tom marrom mais claro à luz dos inúmeros ilustres rebaixados. Por que ele raramente deixava os fios livres?

- Você está bem? – ele se inclinou sobre ela, segurando-a próximo pelos cotovelos como que temendo que Hinata fosse se desfazer diante de seus olhos.

Seu perfume inundou seus sentidos e ela precisou se esforçar para encontrar as palavras, o burburinho das pessoas conversando ao seu redor não a ajudava a se concentrar. Essa era a terceira vez consecutiva que ela se via obrigada a comparecer a essas comemorações de fim de ano, sem que sentisse prazer ou resultado em estar ali. Pelo menos Neji parecia entretido.

- Um pouco de dor de cabeça... – Hinata poderia imaginar que não estava com uma boa aparência, Neji nunca foi uma pessoa afeita a contato e ele estava cada vez mais próximo, como que desconfiando da sua afirmação.

Ele disse algo para a pessoa com quem conversara previamente a chegada de Hinata, e depositou seu copo na bancada. Com uma das mãos na porção nua de sua costa, a guiou para o hall de entrada do salão. Hinata focava sua atenção em contar o número de ladrilhos a sua frente em vez do calor de seu firme toque e de seu corpo rente ao seu.

Ele lhe pediu para aguarda-lo sentada enquanto ele chamaria Kou e assim eles poderiam sair, antes que ele a pusesse num dos estofados e soltasse seus braços ela lhe segurou a mão – Não podemos ir logo?

- Não é uma boa...

- Por favor? – longe da comoção da festa, Hinata conseguia distinguir melhor o que estava precisando, que era não permitir que ele se afastasse dela.

Seus dedos apertavam o casaco em seu colo e seu rosto estava voltado na direção de Neji, não desgrudando seu foco da face dele. Isso pareceu demovê-lo de qualquer outra decisão que fosse tomar.

- Sim, vamos – ele a ajudou a abrigar-se no calor de seu casaco, evolveu-lhe a cintura e rumaram para a garagem.

Ela se deixou ser guiada, com o passar do tempo eles pareciam mais e mais confortáveis na presença um do outro. Ela não tinha escolha quanto a forma de ficarem juntos, contudo do jeito que estavam também era agradável. Não era o ideal, mas quem era ela para ditar sobre o coração alheio?

Estava tão perdida em seus pensamentos que Neji a sobressalta ao enrijecer e tomar sua frente. Em seguida tudo acontece extremamente rápido, que seus olhos mal acreditam no que presenciam.

Uma vã preta derrapa diante dos parcos convidados, que estavam ao seu redor também deixando a festa, e um grupo de pessoas em vestes negras e capuz salta para fora do veículo com armas em mãos.

O tumulto se transforma em gritos e desespero quando todos viram alvo de tiros, Hinata não sabe dizer quem começou a troca de balas, pois seus ouvidos a alertaram de que havia alguém às suas costas também armado. Tudo se resume a um borrão em sua visão, principalmente depois que Neji atirou-se sobre ela. Com a adrenalina vibrando em suas veias ela precisa de alguns segundos para notar algo morno e molhado se infiltrando sob seu vestido, na região de seu quadril.

Ignorando sua dor de cabeça, agora extremamente real, ela nota Neji imóvel ainda estirado sobre metade de seu corpo e ao levar a mão ao próprio flanco, ela sente seu coração impulsionar-se por sua garganta, tão rápido e forte sua frequência.

Aquilo era sangue e não pertencia a ela.


N/A: Sinceramente não era p/ o fim ser desse jeito, era para ser uma coisa mais Personal taste com Minho, mas affs. Fica desse jeito, essa fic tem pernas próprias. E eu estou em falta c v6 e extremamente envergonhada por tê-la largado, então ela tá livre.