I don't care

A festa de sexta-feira não era a que Draco Malfoy provavelmente achou que encararia. Não era aquelas baladas em que as pessoas vendiam e usavam drogas, dançavam até o amanhecer e se agarravam até transarem em algum lugar escuro. A festa era desanimada. Havia um pequeno palco em que alguns caras iam lá falar sobre a merda de vida deles. Era tão cômico que acabou virando algum tipo de show de piadas, porque eu me acabava de rir com todas as histórias daqueles homens bêbados.

Eu estava rindo atrás do balcão, quando meu tio apareceu com a testa franzida:

– Por que você está rindo? Tenho certeza que aquilo o fez sofrer muito.

Girei os olhos.

– Vamos, tio, deixe-me divertir um pouco.

– Isso é uma coisa triste. Você se divertindo com o sofrimento alheio!

– Tenho certeza que o fato da mulher dele tê-lo traído com um elfo doméstico não é um sofrimento de verdade. Ele está contando piada. E eu não sou a única que estou rindo.

Meu tio olhou para as pessoas que assistiam ao relato do homem e ele se surpreendeu ao ver que todo mundo se acabava de rir, mas não porque estavam se divertindo. Era porque estavam bêbados e achavam tudo engraçado.

– Você bebeu? – perguntou, olhando feio para mim. Apesar de vender bebida, ele não admitia que eu bebesse, principalmente quando estava trabalhando.

– Não.

– Então pare de rir e atenda os fregueses.

– Eu já parei – exclamei meio nervosa e me levantando para atender o freguês do outro lado.

Sorri ao ver que era o freguês simpático que conversava comigo. Lenny Johnson. Ele viva contando que tinha dois filhos e que nunca os conheceu, então eu o deixava inventar histórias sobre eles.

– Oi, sr. Johnson – o cumprimentei com um sorriso. – Como vão seus filhos?

– Oi, Astoria, me vê uma garrafa de whisky de limão.

– Parece que o senhor não teve um dia muito bom – comentei, pegando a garrafa no estoque ali perto. – Por que não compartilha o que aconteceu com as outras pessoas? Hoje o dia é especialmente para isso.

– Eu sei, mas tenho vergonha de falar em público. Além disso, as pessoas aqui agem como se nossa vida fosse uma piada.

– Hum, e ela não é? – eu disse ironicamente. – Mas não importa, sei que o senhor vai ficar bem logo.

– Sabe – o sr. Johnson me encarou. – Você me lembra a minha filha...

Enquanto ele começava a contar como eu era atenciosa do jeito que sua "filha" era, alguém sentou, apoiou os cotovelos no balcão e interrompeu dizendo:

– Que porra é essa? Eu achei que ia ter uma festa aqui.

Eu parei de prestar atenção no sr. Johnson, que continuou falando, e olhei para Draco Malfoy. Ele não parecia nada contente e me olhava como se eu fosse culpada por ele estar ali.

– Vai querer alguma coisa? – eu perguntei desinteressada.

– Você disse que ia ter mulheres aqui – ele observou ao redor, procurando alguma.

– Bem, na metade do tempo estou mentindo.

– Você mentiu a mim?

– Não tecnicamente. Você disse que mulheres vinham aqui, e eu sou uma mulher. Só não te contrariei.

Ele me olhou com desprezo.

– Você não é uma mulher. Você é uma criança.

Eu ia xingá-lo, mas ele agiu como se não tivesse me ofendido e disse:

– Vamos, me dê logo um copo de whisky.

Então só dei as costas a ele, fervendo de raiva, ignorando aquele pedido.

– Aonde você vai, Astoria? – perguntou meu tio quando passei por ele.

– Vou me divertir um pouco.

E mostrar a mim mesma que não sou nenhum tipo de criança. Como ele se atrevia...?

– Mas seu horário ainda não acabou.

– Eu recompenso amanhã.

Ele não disse nada, apenas consentiu. Eu ia sair do bar, mas ouvi uma voz atrás de mim.

– Eu estava te esperando.

Era Sebastian. Não parei de caminhar, mas ele entrou na minha frente.

– E então... vamos?

Eu estava tão estressada por ter sido chamada de criança por um cara derrotado como Draco Malfoy que pensei "Foda-se" e fui com Sebastian. Mesmo que ainda não tivesse atingido nenhum prazer sexual com ele, a adrenalina por estar fazendo isso em um lugar qualquer com um cara qualquer era o que me excitava. Mas quando eu senti meus olhos se encherem de lágrimas, notei que não importava o que eu fizesse... nada ia mudar o fato que eu estava tão derrotada quanto Draco Malfoy.


N/A: Olá! Escrevi a fic até o capítulo onze, exatamente. Mas... vou postando os caps de acordo com os comentários. Obrigada Tathiana pela primeira Review :)