If we had this night together

If we had a moment to ourselves

If we had this night together, then we'd be unstoppable

Unstoppable – The Calling


– Então isso é tudo de que precisa? – Draco perguntou olhando para os quadros pendurados no quarto.

– Eu os tiro quando for embora – prometi. – Não vou ficar por muito tempo.

Ele entrou no quarto em que ele me hospedara. Analisou todos os quadros que eu pintara durante minha vida, com uma expressão indiferente. Eu não me preocupava com a opinião dele sobre minhas habilidades artísticas, mas percebi que ele tinha muita coisa para dizer. Seus olhos demoraram num quadro em que eu havia pintado e que era relacionado à guerra. Era desfigurado, escuro, e muitas vezes quis jogá-lo fora, rasgá-lo, queimá-lo. Por fim, Draco disse com a voz baixa:

– Não precisa ter pressa.

E saiu, respeitando minha privacidade.

Desde que decidi ficar na mansão, ele não se preocupou em querer falar sobre o que gostaria de ter em troca da sua ação. Nunca imaginei que ele pudesse ceder um lugar para alguém, ou para uma mulher, sem nenhuma intenção. Mas achei que uma hora iria descobrir. Passei o dia inteiro respirando o ar novo de uma mansão milionária, e a sensação de que eu era uma intrusa nunca me abandonou, mas eu a ignorei.

Era um lugar silencioso e, durante a noite, me dava calafrios. Eu ficava feliz que tivesse banheiro no quarto, assim eu não teria que andar pelos corredores obscuros na madrugada. Draco me deixava tocar no piano, e essa era a parte preferida do meu dia. Ele me observava da poltrona sempre evitando transparecer o interesse. Chamei a atenção de Narcisa, a mãe dele, enquanto tocava The Heart Asks Pleasure First, uma de minhas músicas preferidas. Ela sentou-se ao lado do filho para me assistir. Quando acabei, demorei um pouco para olhar para eles. Não esperava comentários, mas tive um súbito orgulho quando a sra. Malfoy levantou-se e se aproximou do piano.

– Faz tanto tempo que não toco. Mal me lembro do som dessas teclas. – Ela fez uma pausa. – Deixe-me tentar.

Eu cedi, claro, o lugar para ela tocar o piano. Senti meu braço ser segurado. Draco me puxou para que eu me sentasse ao seu lado.

– Você a inspirou – ele disse, e percebi que sua mão estava pousada em uma de minhas coxas. Inclinei meus lábios num sorriso, enquanto a sra. Malfoy tentava voltar a tocar o seu piano. Eu me senti bem naquele dia. Sem contar que há tempos não recebia a aparição de Sebastian.

Desde então, passei a ficar mais confortável dentro da mansão. A sra. Malfoy me aceitava de uma maneira impressionante. Além disso, tínhamos gostos em comum, como a música clássica. No entanto, havia o problema do sr. Malfoy, um homem frio e de olhar duro. Ele não conversava com ninguém. Isso me intrigava. Durante o jantar, sua presença era desconcertante. Era difícil não olhar para ele sem deixar de notar como seu passado o afetava agora.

– Acho que seu pai não gosta de mim – falei, uma vez, quando estávamos sentados numa mesa exposta ao jardim, apenas eu e Draco. Ele estava usando óculos escuros, olhando para o céu ensolarado daquela tarde.

Ele levantou os óculos ao ouvir o que eu disse.

– É o jeito dele. Nada pessoal. Você se sente desconfortável?

Eu olhei para minha coxa; a mão direita dele estava pousada casualmente nela.

– Não. Apenas fico intrigada. Ele ainda deve estar sofrendo.

– Algumas pessoas dizem que nós merecemos o que estamos passando – contou Draco, voltando a tomar o seu sol. – É uma vida difícil, mas pelo menos estamos vivos.

Eu fiquei calada. Ainda sentia sua mão na minha perna. Eu não a tirei dali; não era como se eu me sentisse ruim quando ele me tocava.

– Vou me encontrar com uma mulher hoje – disse Draco instantes depois.

– Um encontro?

– Basicamente.

Agora suas mãos pareciam aço em minhas pernas. Eu as tirei, indiscretamente. Draco começou a rir.

– Veja só, ficou com ciúmes.

– Não. Você tem o direito de fazer o que quiser. Quantas vezes nos beijamos? Duas? Não há nenhum compromisso entre a gente.

– Não me lembro do segundo beijo. Você sonhou com ele?

– Pare com isso – eu disse nervosa. Mais nervosa por estar aparentando os ciúmes do que pelo fato de que ele ia passar a noite provavelmente transando com uma vadia.

– Se você não quiser que eu vá, basta dizer, Astoria.

– Já disse, eu não me importo.

– Ok. Vou me trocar então.

Ele se levantou, deixando-me ali sentada no sol com algum tipo estranho de arrependimento.

Chegara o fim da tarde, e eu resolvi tomar banho, colocar um vestido bonito e me aprontar para sair. Eu não fazia maquiagem há um tempo. No banheiro, havia tanta coisa que provavelmente nem usei metade delas, mas as que eu usei deixaram Draco desconcentrado, porque ele parou de andar quando nos esbarramos pelo corredor. O quarto dele ficava de frente ao meu, não que um dia nós dois nunca pensássemos em dividir o mesmo aposento, pelo menos por uma noite. Mas aquela noite, pelo visto, não iria ser essa.

– Você também vai sair? – ele perguntou, erguendo uma sobrancelha. Ele estava usando uma calça jeans e uma camisa preta. Era tão simples para alguém como ele que tentei fingir que não o estava achando lindo, principalmente com o cabelo que caía desajeitado em seus olhos.

– Sim.

– Um encontro?

– Vou descobrir quando eu conhecer o cara. Tchau tchau.

– Espere, Astoria.

– Sim? – perguntei, desinteressada, antes de voltar a andar. Ele se aproximou de mim. Estava usando um perfume incrível.

– Sei que está fazendo isso para me provocar.

– Isso o quê?

– Fingindo que vai sair com alguém só porque eu vou sair com alguém.

– Não estou fingindo.

– E você está conseguindo me provocar.

– Aposto que gostou do vestido – eu olhei para os olhos dele, fazendo-o sorrir.

– Não é o vestido que me interessa, na verdade.

– Nunca é. Mas isso te faz imaginar coisas, não faz? – Eu me virei, dando as costas a ele. Senti todo o seu olhar por mim, enquanto eu descia as escadas prendendo meu cabelo em um coque. Sorri por dentro. Era como se eu tivesse ganhado alguma coisa. Meu orgulho estava intacto. Talvez o de Draco estivesse se desmanchando aos poucos, mas ele não deixou isso acontecer.

– Bem, se é assim... – ele disse passando por mim. – Tenha uma boa noite, Astoria.

A sra. Malfoy estava na sala quando entramos. Ela viu que estávamos bem vestidos e perguntou:

– Vão sair?

– Vamos – respondeu Draco.

– Tchau, sra. Malfoy – eu disse quando Draco me deu passagem para sair da Mansão. De repente, enquanto atravessamos o jardim, ele segurou a minha mão. – O que está fazendo?

– Ela pensa que estamos saindo juntos. É bom fazê-la acreditar, ela gosta de você.

Estávamos saindo e a mão de Draco começou a se soltar da minha. Mas algo me fez agarrar seus dedos de novo. Ele franziu a testa, mas não protestou.

– Agora o que você está fazendo? – perguntou.

Discretamente, comecei a puxá-lo para mim.

– Adiantando o inevitável, Draco. Vamos parar com essa brincadeirinha.

E ele se aproximou, disposto a qualquer coisa.

Dessa vez, quando o beijei, seus lábios estavam quentes. O beijo em si estava quente. E havia muitas expectativas naquele momento. Nossas bocas se moviam de uma forma urgente. Ele apertou minha cintura e me colou contra ele. Enquanto minha língua era explorada, eu agarrei seu pescoço. Ele mordeu meus lábios, antes se afastar alguns centímetros para dizer:

– Isso vai me atrasar...

Mas voltou a colocar sua boca na minha, sem dar tempo de que eu dissesse alguma coisa. Só que ao em vez de voltar a beijar ali, ele arrastou os lábios pela minha bochecha, descendo até o pescoço. Apertei seus cabelos e disse, rigidamente:

– Não se atreva.

– A quê?

– A achar que depois de me beijar vai sair com outra.

– Você quer sair comigo, então?

Eu o encarei.

– Quero – disse, sem acreditar que fui tão decidida ao responder.

– Por que não me disse antes?

– Porque sou estupidamente orgulhosa.

Draco abriu um sorrisinho.

– Quer dizer que agora está com medo de perder o que você pode ganhar só estalando os dedos? – ele indagou. – Eu estou realmente com fome, talvez devêssemos jantar antes.

– Antes do que? – ergui uma sobrancelha. Ele não me respondeu, sendo que eu já sabia a resposta. Soltou-me e recomeçou a andar na minha frente, aquele sorrisinho irritante ainda em seu rosto.

Ajeitei meus cabelos e o segui, ainda um pouco inconformada que ele fosse mesmo me levar para jantar. Será que ele não se importava em dar um bolo na mulher que estava esperando sair com ele? Ou, talvez como eu, ele estivesse fingindo que ia sair só para me colocar ciúmes.

Fomos até um restaurante bonito na cidade. Era confortável e sentamos em uma mesa com dois lugares. Draco sentou-se a minha frente e pediu uma garrafa de vinho ao garçom. O homem ficou olhando para ele, com uma visível duvida em sua expressão.

– Qual é o seu nome, senhor?

– Draco Malfoy. Por quê?

– Malfoy? – o homem franziu a testa, mas não disse mais nada. Olhou para trás como se alguém tivesse o observando e então deu as costas, sem realmente anotar o pedido.

– Excelente – Draco ironizou, jogando os braços atrás da cabeça e me olhando. – Talvez devêssemos ir embora, esse lugar é-

Foi interrompido quando o mesmo garçom apareceu outra vez, acompanhado por um homem elegante, alto e velho, que disse diretamente:

– O senhor não pode entrar aqui.

Ao ouvir aquilo, Draco se levantou, mas não para ir embora.

– Não posso?

– Mostre o seu pulso, por favor.

Hesitante, Draco arrastou a manga da camisa até que a sua marca negra estivesse a mostra.

– Foi o que imaginei – analisou o homem, desprezando claramente. – Não aceitamos Comensais da Morte neste restabelecimento. Há famílias por aqui, com crianças.

– O quê? Acha que vou matar elas?

– O senhor ainda é uma ameaça. Por favor, peço que se retire.

– Senhor, com licença – eu o interrompi antes que Draco retrucasse qualquer coisa. Disse com paciência e educação: – Não pode fazer isso, é inadmissível! Malfoy não é mais um Comensal da Morte. A tatuagem não revela nada e...

– Mas ele seguia as ordens de Você-Sabe-Quem. O senhor está assustando as pessoas do meu restaurante.

– Estou assustando? Eu estou fantasiado de monstro, por acaso, Astoria? – perguntou a mim. Depois deu uma risada fraca, mas começou a elevar o tom da voz, na direção dos homens do restaurante: – Não posso comer aqui só porque fui a porra de um Comensal da Morte, então é isso? O velho Lorde foi destruído e vocês ainda acreditam que eu queira tacar fogo nesse lugar, só porque eu seguia ordens daquele miserável?

– Senhor, não-

– Esquece. Eu já entendi – Draco deu as costas e foi em direção a saída, com passos pesados.

Eu não pude conter o meu desgosto ao encarar o dono do restaurante. Ele tinha uma postura exemplar, mas parecia um cara muito nojentinho.

– A senhorita pode fazer o seu pedido. Mas sinto muito, a culpa não é nossa – ele disse. – São princípios do restaurante. Há famílias importantes aqui e não queremos briga.

Dei uma olhada ao redor. Com um leve susto, encontrei os Potter numa mesa afastada. Mas estavam tão entretidos, rindo e conversando, que nem repararam que havia um ex-comensal da morte no mesmo lugar que eles. Como se agora fossem se importar com isso!

– E vocês acham que a culpa é dele, então? – indaguei antes de sair do restaurante também.

Lá fora, perto de uma praça escura e medonha, encontrei Draco sentado num banco velho e devastado, enquanto tirava um objeto pequeno e cilíndrico dos lábios. Aproximei-me, um tanto hesitante, quando ele expeliu a fumaça do cigarro no ar. Sentei-me ao seu lado. Ele não se mexeu, ficou olhando para um monumento a nossa frente como se estivesse hipnotizado.

– Eu nem estava com tanta fome assim mesmo. Além disso, há tantos restaurantes melhores por aí.

– Queria ter uma noite agradável – ele disse. – Mas acho que vou ter que ser mais criativo para isso.

Ele levantou os dedos que seguravam o cigarro e fez um gesto na minha direção. Eu entendi que ele estava me oferecendo. Já fumei uma vez e posso dizer que não gostei da experiência. No entanto, eu não me incomodava de dividir aquilo com ele. Foi uma rápida tragada sem causa, com ele me observando; havia um leve interesse em seus olhos. Ele deu uma risada quando eu quase engasguei com a fumaça.

– É a primeira vez?

– É a última. Esse negócio é terrível.

– Eu sei – ele disse, colocando-o de volta na boca.

Mas com delicadeza para que ele não se zangasse, tirei o cigarro entre seus lábios.

– Tem coisa melhor do que isso, Draco – falei. Antes que reclamasse, eu segurei seu rosto para beijá-lo, intensamente. Nossas línguas se entrelaçaram quando ele passou a mão pela minha coxa, embaixo do vestido, puxando apenas esta perna para cima de seu colo. Era intenso, fácil e esquisito. Mas muito gostoso. Suas mãos pararam em meu cabelo, tirando-o do coque em que eu o havia prendido. Não importava se havia pessoas passando por ali. Nos beijávamos como se quiséssemos roubar a dor e a raiva um do outro. Foda-se o mundo, era o que pensávamos à medida que perdíamos o fôlego.

Quando paramos de nos beijar, observei seus lábios vermelhos e sorri, passando um dedo pela mecha de cabelo loiro que às vezes caía em seus olhos.

– Acho que devemos voltar para a casa – ele disse.

– Talvez você possa cozinhar para nós dois – eu falei, achando graça na improvável cena. Apesar de ele estar considerando as "aulas" de culinária que eu dava enquanto me hospedava em sua mansão, ele nunca acreditou que aquele fosse seu dote. Nunca poderia ser, já que berrávamos mais um com o outro do que cozinhávamos quando estávamos na cozinha.

– Sou péssimo nisso. Mas tem uma coisa em que sou muito bom – ele disse, baixinho, pressionando os lábios no meu pescoço várias vezes. – Se você puder ir ao meu quarto esta noite, vai descobrir o que é.

– Talvez eu faça uma visita.

Ele se afastou um pouco e sorriu, satisfeito. Era quase meia-noite quando voltamos para a Mansão. Estava silenciosa, vazia. Sempre estava assim. Mas às vezes era bom apenas o silêncio e a calma. Andamos pelo corredor até chegarmos a nossos respectivos quartos. Ficamos nos encarando até decidirmos que não havia o que esperar. Eu dei um passo em sua direção, voltando a beijá-lo, puxando-o para dentro do seu quarto.

Ele fechou a porta com os pés, enquanto me ajudava a abrir os botões de sua camisa. Jogando a peça no outro lado do quarto, deitou-me no colchão delicioso e macio da cama. Rocei os dedos em seu peito nu, ele estava entre minhas pernas e eu o apertava com força, querendo prendê-lo. Achei frustrante estarmos apenas nos beijos, rolando pela cama, sendo que podíamos e queríamos tirar a roupa um do outro. Mesmo assim, eu não tinha motivos para me apressar.

As mãos de Draco exploravam minha coxa outra vez. Fiquei de joelhos na cama e levantei os braços quando percebi sua intenção de tirar o meu vestido. Quando me viu livre do tecido, ele inclinou-se para beijar meu abdômen. Deslizou a boca por cima da minha calcinha. Passei a mão em seus cabelos e o empurrei até ele se deitar e eu conseguir ficar sobre ele.

Beijei seu peito, subindo com os lábios até seu queixo, logo passando a ponta da língua em sua boca. Nossas línguas se tocaram no ar e voltamos a nos beijar, enquanto meus dedos abriam o zíper da sua calça. Apertei levemente sua ereção por cima da cueca, depois com um pouco mais de força, querendo causar um gemido nele. Ele ficou duro, mas não reagiu do jeito que eu esperava. Ao em vez disso, pegou meus dois braços e me jogou de lado. Estávamos colados um no outro, sem parar de nos beijarmos.

Queria tocá-lo, mas ele me impedia disso, como se brigasse silenciosamente por dominação. Mas não era o único. Quando nos acalmamos, deixei que seus dedos longos roçassem pelas minhas costas, até chegarem ao fecho do meu sutiã, abrindo-o. Antes que eu me descolasse dele para tirar o sutiã do corpo, eu disse automaticamente:

– Apague a luz...

Eu estava acostumada a fazer isso às escuras. Mas Draco tinha idéias diferentes da minha. Entendi porque não fiquei surpresa quando ele não me obedeceu. Sem dizer nada, ele se deitou outra vez em mim, deslizou os lábios quentes até o meu peito, à medida que arrancava o sutiã do meu corpo. Tentei achar um jeito de me concentrar em não ficar corada, quando ele encontrou meu mamilo e o lambeu, apertando meu outro seio com a mão. Era um aperto forte, bom o suficiente para que eu soltasse um gemido.

– Maravilhosa – sussurrou e, assim, não precisei mais que a luz fosse apagada.

Ele tirava minha calcinha, sem muita pressa. A última peça do meu corpo caiu ali do lado, e antes mesmo que eu pudesse me preparar, Draco desceu novamente entre minhas pernas... Quando dei por mim eu já estava me contorcendo, apertando os lençóis ao meu redor.

A língua de Draco era maravilhosa. E o que ele fazia com ela... explorava o meu clitóris com calma... e frieza, no início. Mas a exploração deixou de ser só uma exploração quando ele elevou minhas pernas para que ficassem uma em cada lado de seus ombros e, assim, dando-lhe mais espaço, mais vulnerabilidade, para acomodar a língua em movimentos leves. Agora era provocação, era enlouquecedor. Ele lambia, chupava, até beijava. E toda vez que eu respirava, eu gemia, alto, forte, descompassada, agarrando o travesseiro. Mas eu ainda estava longe de chegar ao orgasmo e ele não queria insistir, pelo visto, porque as investidas de sua língua pararam gradualmente.

Olhei para ele, respirando pesadamente. Eu não queria que ele parasse com aquilo. É irritante quando não fazem o que queremos, mas no caso de Draco ele apenas surpreendia. Ele substituiu o que fazia com a língua pelo dedo, deixando-me tão molhada e excitada que quis gritar. Apertou dentro de mim um terceiro dedo, frustrando-me.

– Eu estou pronta – gemi com impaciência.

– Não para mim – provocou, introduzindo outro dedo. Puxei o cabelo dele, querendo causar dor, como uma vingança. E quando ele mesmo tirou a calça juntamente com a cueca, fingi que não dei atenção a revelação de seu pênis. Eu o empurrei ao meu lado, para poder me sentar sobre ele. Eu queria tê-lo dentro de mim, e queria ter algum poder sobre isso.

Ele tateou com as mãos para o lado, até encontrar a gaveta do criado-mudo e tirar de lá um pacote de camisinha. Ele o entregou para mim, como se estivesse me perguntando se eu faria essa honra. Girando os olhos, mas excitada, abri o pacote e, lentamente, vesti a camisinha, meus dedos entrando em contato com sua ereção. Ele estava indiscretamente duro, tive de me conter para não provocá-lo. Quando terminei, ele começou a levantar o corpo, louco para me colocar embaixo dele e tomar conta de tudo, mas o prendi contra o colchão outra vez, prensando minhas unhas em seu peito, fazendo-o se deitar de novo.

– Não se mova – eu sibilei entre os dentes.

Draco parecia curiosamente surpreso com aquela ordem. Oh, claro, não estava acostumado a cumpri-las, principalmente na cama com uma mulher, eu pensei. Ele até tentou se levantar outra vez, teimosamente, para mostrar que não se importava, mas apertei ainda mais minhas unhas em sua pele. Ele me encarou, nervoso e zangado, agarrando meu pulso. Quase começamos a brigar de novo, mas suas exclamações indignadas foram abafadas por um arquejo forte, quando nossos sexos entraram em contato pela primeira vez. Os dedos dele agarraram minha cintura com força, fazendo com que minha vagina deslizasse contra seu membro, fácil e lentamente. Ele gemeu prazeroso. Ignorei a dor no momento em que o senti completo dentro de mim. Não pude deixar de sorrir.

– Onde foi parar o orgulho agora, hein, Malfoy?

O palavrão que ele sussurrou, inclinando a cabeça para trás, soou como uma lamentação.

Uma vez acostumada com a invasão, fiz um movimento com o quadril. Ele gemeu outra vez, apreciando o fogo que nossos corpos expeliam. Suas mãos subiram até apertarem meus seios. Aquilo deu continuidade aos movimentos que eu fazia contra ele. Às vezes meu corpo subia e descia, e me inclinava até Draco, capturando seus lábios, mesmo que não houvesse nenhum fôlego para sustentar beijos.

Na maioria das vezes, eu não sentia como se fizesse parte do sexo. Alguns homens apenas se preocupavam com o próprio prazer, e usavam meu corpo para atingirem isso. Eu estava cansada de me expor assim. Draco tinha algo que me deixava livre, ilimitada, com o desejo de atingir o mais profundo orgasmo, não apenas por ele, mas por mim mesma. Poucas vezes senti aquela sensação, na verdade eu nem sabia se já havia sentido aquela sensação. Eu precisava buscar, descobrir se o sexo podia valer mais à pena, e não apenas para usá-lo como algum tipo de droga.

Tirei meu cabelo do rosto, jogando-o para trás. Draco levantou seu tronco para capturar meu pescoço com os lábios quentes. Ele fazia seus movimentos embaixo de mim. Intensifiquei seu corpo contra o meu, necessitando de mais aperto e movimento. Eu gemia, ele também. Ele disse alguma coisa, mas não ouvi. Por isso fui surpreendida quando ele me jogou para trás, dando a chance de ficar em cima do meu corpo, prendendo minhas costas no lençol macio, e voltando a me penetrar. Estávamos no pé da cama, não havia onde me agarrar, então arranhei as costas e os braços dele. Draco manejava as estocadas com força e luxuria. Sua respiração estava no meu ombro, nos meus ouvidos.

– Isso pode durar... a noite toda... – eu disse, sem saber como eu ainda conseguia formular alguma palavra.

– Não estou nem chegando perto do fim, querida...

– Nem eu – e gemi. Quando nossos olhos voltaram a se encontrar, eu vi que seus lábios inclinaram num pequeno sorriso arrogante. Mas depois ele voltou a ficar sério, para aumentar o ritmo das investidas. Por que nos provocamos tanto? Por que tanta ironia? Entrelaçando minhas pernas na cintura dele, percebi que estávamos sincronizados. Isso era raro. Ele aumentava o ritmo de seu quadril contra nossos sexos, e eu o acompanhava, nunca com tanta vontade de gritar antes. Seu cabelo loiro estava caído na testa. Estávamos suando. Estávamos deslizando um ao outro.

– Mais rápido! – comecei a implorar.

Ao mesmo tempo em que eu não queria que acabasse, eu precisava explodir. Era como se todo o meu corpo estivesse entrando em erupção a cada investida que eu recebia. Não me recordava de sentir coisa igual antes. Fechei os olhos, com força, agarrando-o pelo pescoço... O corpo magro dele, a pele quente, o cheiro, a sincronia... ah, e o desejo. Sim, havia muito desejo... eu precisava chegar ao fim, eu insisti para que ele fosse mais rápido... eu precisava saber como era isso... verdadeiramente e... agora.

Draco parecia saber exatamente do que eu precisava.

– Oooh! – o grito saiu do fundo de minha garganta, quando ele estocou forte. Meus dedos prensavam os fios do cabelo dele, enquanto eu tremia. Se o que eu sentira foi um orgasmo, aquela definitivamente foi a primeira vez. Porque a sensação de prazer, de alívio, de total perfeição, jamais havia me atingido antes como naquela noite. Draco beijou minha boca, cessando os movimentos, gradualmente, dentro de mim, gozando. Era terrivelmente incrível.

Estávamos ofegantes, obviamente, mas ainda parecíamos cheios de vida.

– Você me surpreendeu, Astoria – ele disse enquanto eu o abraçava. – Quase me fez derrubá-la da cama...

– Quase... – concordei, dando uma risada exausta. Olhei ao redor. Se tivéssemos nos movidos mais alguns centímetros, estaríamos no chão.

Ele ainda ficou olhando para mim. Afastou uns fios de cabelos em meus olhos, distraidamente, depois deitou a cabeça no meu peito, tentando voltar a respirar normalmente.

– Devíamos ter feito isso há muito tempo... – comentei.

Meu corpo ainda estava em estado de torpor, estava trêmulo e... ah, e extasiado. Mesmo assim, não reclamei quando ele voltou a beijar levemente meu ombro. Mordi os lábios, passando as mãos no cabelo. E ri, achando-me boba por pensar que iríamos dormir até o amanhecer. Quero dizer, aquele era Draco Malfoy. Dormir era a última coisa que ele iria querer fazer até o amanhecer.

– Temos a noite toda ainda, e não estou nem suando – ele disse, contrariando-se enquanto arrastava o cabelo molhado para trás. – E você não está cansada, está?

– Cansada? Eu já estava começando a me perguntar se iria ser só isso – ergui uma sobrancelha, gerando um gosto por provocá-lo. Ainda não entendia porque tanta ironia. Mas só assim que faríamos a coisa se incendiar e eu esperava por isso.

– Pegou pesado dessa vez, Astoria – ele disse sério, afastando-se para pegar outra camisinha na gaveta. Ele me deitou de bruços, meu peito apertando-se contra o lençol. Sua língua deslizava pela minha coluna... voltando a me arrepiar. Depois apoiou o cotovelo ao meu lado no colchão e eu senti seu peso me invadir novamente.

Ele beijou meu rosto de um jeito delicado, enquanto prendia meus braços com suas mãos, como se ele não quisesse que eu escapasse. Aquela posição em que estávamos era uma novidade para mim. E a noite só estava começando para a gente. Por que eu iria escapar? Nos beijamos fervorosamente, nossas cabeças de lado. Sempre quis aquilo. Sempre quis gostar do sexo. Ser impossível de parar. Ah, e por mais que eu tenha tentado resistir, foi impossível chegar até o fim daquela noite sem ter ficado literalmente ajoelhada aos seus pés.