Learn how to fall

– É seu? – Dimitre já sabia dialogar, embora atropelasse as palavras. Com quase dois anos completos, estava deitado na minha cama, observando enquanto eu vestia um macacão verde em Scorpius. Essa passou a ser uma tarefa complicada desde que ele descobriu o quanto era divertido rolar no colchão.

– Sim, ele é meu – eu respondi a Dimitre, sorrindo. – E é seu primo também.

Ele olhou para mim, sem entender o que "primo" significava, mas deve ter deduzido que era algo importante, pois colocou um dedo nos lábios, de modo pensativo. Começou a contar alguma coisa para mim, que eu não entendia nada exceto algumas palavras jogadas, daquele jeito que me lembrava Dafne quando ficava falando coisa que a gente não se interessava em saber. Mas, sendo Dimitre uma criança fofa, a gente acabava querendo saber. Scorpius não parava de virar o corpo de um lado para o outro, e toda hora que eu tentava fazê-lo parar com isso, reclamava e deixava a tarefa ficar mais difícil ainda. Eu ficava "É?" e "Que legal" toda vez que Dimitre parava de falar, mas na verdade eu estava perdendo a paciência porque fazia meia hora que eu tentava colocar aquele macacão em Scorpius.

– Scorpius, deixe-me colocar isso! – eu meio que ordenei cansada. Dimitre observava a cena, rindo. Esse era um bebê que ria de tudo. De algum jeito que eu não sabia como, Scorpius conseguiu ficar com os joelhos e as mãos apoiadas no colchão e eu simplesmente desisti de colocar a roupa nele, para admirar quando ele engatinhava sozinho. Dimitre fazia caretas para ele e sons horripilantes com a boca. Eu sabia que sua tentativa era fazer gracinha, ou demonstrar que ouvia histórias de terror, mas Scorpius não teve muita reação, exceto a de ficar olhando para ele tentando compreender de onde ele viera.

– Ah – Dimitre fez uma cara de decepção, percebendo que não fazia Scorpius rir. – Que chato!

O garoto aprendeu a dizer essa frase então usava para qualquer ocasião. Pulou da cama, emburrado. Scorpius olhou até Dimitre sair do quarto, que gritava a todos os quadros da parede que Scopis era chato. Eu estava rindo quando voltei a encarar meu filho.

– Você não é chato – garanti gostando de ter seus olhos azuis sobre mim, naquela expressão que eu conheci tanto durante todos aqueles nove meses de vida dele, e os meus como mãe. Scorpius parecia gostar de olhar para minha boca, o que me obrigava naturalmente a sorrir sempre que lhe dirigia as palavras. Ele movia os lábios e alguns sons escapavam de sua voz e algo me dizia que ele gostava do meu sorriso... que não queria que eu parasse de sorrir para ele.

Tirei do meu bolso a minha varinha e entreguei em sua mão. Não era algo muito responsável, eu sabia, mas aquele objeto em suas mãos sempre o fazia sorrir. E eu amava o seu sorriso.

Admito que era preciso ser muito criativo para fazê-lo gargalhar, mas aquele sorriso era tão incrível que todo o estresse que ele me fazia passar valia a pena, e já parecia ser o suficiente. Não que Scorpius me deixasse estressada da maneira que Dimitre deixava qualquer um estressado, mas ele não era nenhum pouco bobo. Quando tentei tirar a varinha de sua mão para guardá-la, foi tão difícil que eu tive de ter mais uma sessão de paciência. Então, tecnicamente, eu cometia meus erros por acostumá-lo a não devolver as coisas quando lhe entregava.

Ele movia os braços, como se estivesse brincando de soltar algum feitiço. Por ficar tanto tempo com Narcisa enquanto Draco e eu precisávamos sair, provavelmente havia aprendido aqueles movimentos por observá-la. Scorpius era muito observador e sempre imitava o que as pessoas faziam a sua frente, chamando-lhe atenção.

– Ele não quer devolver a varinha – eu disse quando Draco apareceu no quarto.

– Então tire a varinha dele – sugeriu como se não houvesse segredo.

– Se fosse tão simples! Mas ele fica berrando toda vez que eu tento. – Para mostrar que eu estava certa, tentei tirar delicadamente a varinha da mão de Scorpius, mas ele apertou os dedos com força, puxando contra mim, e fez um som de choro irritado quando comecei a insistir e demonstrar que eu podia ser mais forte.

Draco se aproximou de nós dois, olhando Scorpius com um rosto nada contente.

– Devolve – pediu, a princípio, calmo.

Scorpius olhou para a varinha. Seu cabelo loiro estava um pouco cumprido e caia-lhe aos olhos quando abaixava a cabeça, sabendo que estava fazendo alguma coisa errada. Era tão lindo que dava vontade de deixá-lo segurar a varinha até cansar. Mas eu não podia amolecer!

– Sem chorar – Draco falou, tentando tirar a varinha da mão dele. Scorpius teimou mais um pouco. Ele fez careta, quando fica zangado por tirarem alguma coisa da mão dele. Antes que os dois começassem a brigar, a varinha escapou dos dedinhos de Scorpius e foi em direção a testa de Draco formando uma marca vermelha pouco acima da sobrancelha. Com certeza nenhum de nós esperava por isso. Eu olhava estupefata, sem saber se ria ou o ajudava. Depois de gemer de dor, Draco olhou zangado para Scorpius, mas Scorpius começou a gargalhar tanto que nós dois não tivemos outra reação a não ser ficar olhando e ouvindo.

– Não tem graça – reclamou Draco, embora ele também estivesse rindo e massageando a testa. Era impossível não acompanhar aquele som tão delicioso do bebê. – Não vou mais devolver essa varinha. – Tinha algo em Scorpius que fazia a gente falar direcionada a ele, porque ele sempre prestava atenção. – Bem, posso comprar uma de brinquedo para ele, o que acha?

Aquela idéia foi ótima... na nossa cabeça. No dia seguinte, Draco trouxe uma muito diferente da minha, e de plástico. Podia ser frescura infantil, mas Scorpius não gostou. Como eu não queria chegar a mimá-lo ou algo assim, decidimos deixá-lo com a mesma de plástico, a qual Scorpius apenas usou para ter o que morder ou tentar jogar em Draco.

Mas logo mais tarde eu acabei descobrindo que eu não era exatamente a culpada por fazê-lo se apossar de um objeto, quando vi Narcisa entregar a ele sua varinha, deixando-o feliz novamente. Ela viu minha expressão e não entendeu.

– Por que está me olhando assim? – perguntou-me.

– Nada, só acho que não é legal ficar entregando varinha na mão dele. Scorpius nunca devolve.

– Claro que devolve – ela sempre agia como se soubesse lidar com aquilo melhor do que eu. E, para falar a verdade, ela sabia. Foi tentar tirar a varinha da mão de Scorpius e ele não deu nenhum pio, muito embora tivesse tentado pegar de novo, mas não reclamou quando Narcisa falou que não ia devolver.

– Como você consegue? – perguntei impressionada. Ter um filho era absorver tantos detalhes que os fatos mais idiotas tornavam-se os mais significantes para mim. Eu nem me lembrava da última vez que tive preocupações mais urgentes do que tentar fazer um bebê me obedecer.

– Não sei, pois Draco nunca me obedeceu nessa idade. – Olhou Scorpius e colocou o cabelo dele para o lado com os dedos. – Seu filho é um bom menino, Astoria. Mas você não é mãe há vinte e seis anos.

Ela tinha razão. Não que eu achasse que estava fazendo tudo errado, eu não estava. É que era uma responsabilidade fora dos meus limites e mesmo assim nunca achava ser o suficiente. E embora eu acabasse errando muito, eu podia ter a desculpa de Scorpius ser meu primeiro – e único – filho. Não era uma coisa muito fácil, mas podia ter sido pior.

Havia dias que Scorpius não fazia nada, exceto dormir, engatinhar pelo chão e babar. Mas havia dias que ele fazia algo diferente, como se apoiar em algum móvel e principalmente em seu berço, e tentar andar. Outros, ele continuava dormindo, chorando, e sorrindo toda vez que sorriamos para ele. Às vezes ele não fazia nada de novo, só ficava sentado no sofá olhando para a lareira e tentando ficar em pé. Uma vez ele caiu e bateu a cabeça. Provavelmente até o décimo mês ele já tinha caído um monte de vez. Ele chorava de susto, mas depois parava, voltando a tentar como se nada tivesse acontecido.

Descobrir o que ele gostava era a melhor parte de ser mãe, talvez, porque assim eu aproveitava e escutava sua gargalhada. Ele podia ser o remédio para dias ruins, quando o único desejo é de ouvir aquela risada de novo. Até mesmo Draco sabia disso.

Uma noite ele havia voltado à Mansão com a cara emburrada. Achei que eu tinha feito alguma coisa para ele, porque nem me cumprimentou com um beijo. Como eu estava pintando um quadro com Scorpius ali do lado, ele entrou, não me olhou, tirou o pincel da boca de Scorpius e o levou para fora.

– Boa noite? – eu tentei confusa, mas Draco não disse nada. Saiu do quarto e andou pela mansão com Scorpius balbuciando um monte de coisa, provavelmente achando ruim por ter sido tirado do seu canto favorito, que era pegar os pinceis e pintar o chão, embora eu tenha tentado com muito afinco fazê-lo parar, desde que lambeu um que estava cheio de tinta vermelha.

Como eu não tinha feito nada para deixar Draco irritado, não quis nem perguntar. Provavelmente devia ter encontrado alguém importuno durante o trabalho, e não queria descontar a raiva em nós. Se essa minha intuição estivesse certa, eu estava feliz que ele realmente não tivesse tentado discutir comigo.

Somente mais tarde, quando voltei ao quarto, nem mesmo nos meus desejos de mãe ou de esposa, eu veria Draco e Scorpius numa situação tão maravilhosamente parecida. Draco estava deitado, dormindo daquele seu jeito estático. Mas não era o único, porque ele envolvia Scorpius sobre sua barriga, apoiando a cabeça dele em seu peito, que descia e subia conforme a respiração de ambos. O pequeno corpo de Scorpius cabia perfeitamente no peito de Draco, e os dois dormiam tão tranquilamente que invejava.

Scorpius não era de dormir em colo, e podíamos contar nos dedo quando a situação foi com Draco. Não porque Scorpius nunca conseguia, mas porque Draco raramente tentava. Aprendi a não questioná-lo, pois sabia que não era nada relacionada a alguma falta de amor. Eu não sei como teria sido a nossa vida de casado sem um Scorpius ali, por exemplo. Então não queria dizer que Draco não se importava com Scorpius, porque ele se importava sim. Talvez ele ainda fosse muito inseguro como pai, ou tivesse medo de ser rejeitado pelo próprio filho, o que isso era um absurdo, olhando a forma como estavam lindos naquele momento.

Tive a verdadeira sensação de que éramos uma família. Talvez eu estivesse na TPM ou algo assim, mas me emocionei. A cena era tão singela, tão inesperada, que me partia o coração pensar que teria de levar Scorpius ao berço. Antes disso, enrolei o máximo que pude, tomei banho na banheira, lavei os cabelos, fiz qualquer coisa até voltar ao quarto e ainda vê-los ali, juntos. Como pai e filho.

Eu me sentei na cama. Draco havia acordado, mas não ousara se mexer, mesmo que Scorpius tivesse um sono muito mais pesado que o dele, o que era uma sorte para nós.

Draco franziu a testa ao olhar para mim.

– Você está chorando?

– Não aconteceu nada – falei, abanando a cabeça. – Quero dizer, é de felicidade.

– Por quê?

Às vezes ele era tão irritantemente tapado.

– Não acha que a resposta está no seu colo agora? – rebati, passando os dedos pelos fios lisinhos e loiros de Scorpius, que nem se mexeu com meu toque.

– Está no meu lado da cama também – ele disse baixinho, sorrindo. Aquele sorriso me deu confiança e eu segui em frente com a pergunta.

– Aconteceu alguma coisa hoje?

Draco voltou a ficar sério. Enquanto pensava no que dizer, Scorpius abriu os olhos, mas voltou a fechá-los. Paramos de respirar nesses dois segundos.

– Eu estava andando pelo beco diagonal... – sussurrou. – Esbarrei em Potter. E a família toda dele. Levavam os filhos. E todo mundo de lá parou só para olhá-los. Essas crianças não têm nem idéia de quem elas são, e as pessoas já idolatram. Fico pensando em Scorpius, como as pessoas irão tratá-lo...

Arrependi de ter entrado no assunto.

– Draco, não precisamos falar sobre isso agora...

– Ele não merece pagar o que nós fizemos – ele me ignorou, como se só quisesse desabafar. – Só é um bebê que se diverte jogando varinha na minha cara. – Ele soltou uma risada pelo nariz como se aquela fosse sua lembrança favorita. – Às vezes fico assustado, mas pensar que estou fazendo isso com a mulher certa... é o que me faz continuar andando pela rua, independente do que dizem sobre mim. Mas não vou deixar dizerem nada sobre Scorpius. Ele não será idolatrado, mas também não será desprezado.

Eu não soube o que dizer então apenas me inclinei para beijá-lo. Tudo isso bastava. Aproveitei e depositei um beijinho na testa de Scorpius.

Nenhum de nós teve a iniciativa de levantar para colocá-lo no berço. Ficamos ali, absortos, até cairmos no sono juntos.

Acordei na madrugada, obviamente, com Scorpius jogando a mão no meu rosto. Ele estava engatinhando ao meu lado e fazia barulho com a boca, até que saiu alguma coisa parecida com "maaae..." na sua voz e aquele foi outro dos melhores momentos da minha vida. Senão o melhor.


Um dos mais marcantes foi quando ele aprendeu a andar. Acho que ele fez isso para tirar satisfação de Draco, porque toda vez que tentava se aproximar dele engatinhando, Draco não o segurava. Nem quando ele caía, Draco sequer ajudava. Na última tentativa, Scorpius caiu nos pés de Lucius na poltrona, de joelhos. Não sei o que Scorpius pensava sobre o avô, mas ele sempre ficava estranhamente quieto quando o via. Dessa vez, no entanto, estendeu seus braços a ele pedindo ajuda, mas Lucius apenas apoiou a mão sobre sua cabeça e garantiu:

– Vai conseguir, Scorpius.

Draco e eu estávamos discutindo por um motivo que foi completamente esquecido quando vimos Scorpius em pé ali ao nosso lado, equilibrando-se com suas duas pernas. Ele andava de um jeito engraçado, como um pingüim, mas mantinha-se mais firme e seguro quando eu segurava sua mão. Mas isso foi só no comecinho. Ele ficou muito satisfeito quando aprendeu andar de vez e tropeçar menos. Com isso, fazia sons que eu consideraria exibicionistas se ele não tivesse só dez meses! Eu olhava Draco e sorria, garantindo: "Sua miniatura quer um elogio, querido" e Draco o fazia, sabendo que gostaria que tivesse recebido elogios quando criança.

Pouco depois de seu aniversário de um ano, Scorpius já estava tentando correr pela Mansão, mas sempre caía. Diferente de Dimitre, ele não derrubava muitas coisas, talvez porque Lucius e Narcisa meio que se preparam para isso. Mas acho realmente que Scorpius não gostava de levar nenhuma bronca dos dois. Uma vez Lucius ficou irritado com ele por ter amassado seu jornal e Scorpius veio correndo até mim e escondeu o rosto no meu peito quando agachei a sua altura para entender o que acontecera; ele estava claramente envergonhado. Lucius olhava para nós discretamente, também não parecia muito orgulhoso por ter estourado, assim, sem motivo, com uma criança que só queria se divertir.

– Está tudo bem – eu dizia baixinho só para Scorpius ouvir. – Você não vai mais fazer isso de novo, então seu avô não vai brigar com você.

Era como se ele entendesse tudo o que falássemos agora. Ele assentia com a cabeça, chacoalhando seus cabelos loiros, que brilhavam a luz do sol. Seus olhos haviam adquirido um tom cinza de acordo com o tempo, mas eu jurava que às vezes ficavam azuis muito escuros.


– Oh! Ele está tão lindo! – exclamou Tanya quando eu o levei para ela conhecê-lo. Toda vez que Scorpius batia os olhos em uma pessoa nova, ele ficava olhando para ela, com os olhos parcialmente arregalados. Era de admiração, surpresa, confusão, susto, até mesmo curiosidade. Era engraçado como que com o tempo, as pessoas iam perdendo a capacidade de demonstrar tantas expressões. Na infância, a gente não tem motivo para esconder nada, e eu só voltei a "vivenciar" isso depois que tive um filho. – E ele dá muito trabalho?

Todo mundo perguntava aquilo, e eu adorava o efeito da minha resposta.

– Não muito – eu disse com sinceridade. – Scorpius é um tanto quieto, comparado ao meu sobrinho quando tinha essa idade.

As pessoas adoravam falar sobre "filhos", porque sempre tinham alguma história interessante para contar. Além de contar as minhas, eu ouvia, podendo usar a dos outros como um jeito de não cometer as mesmas besteiras com o meu.

Diferente das expectativas de Draco, toda vez que Scorpius era visto na rua, as pessoas sorriam para ele. Principalmente algumas mulheres histéricas exclamavam o quanto ele era uma gracinha, sem nem ao menos conhecê-lo, sem nem ao menos desejar saber quem era o pai ou a mãe dele. Passavam por perto, olhavam para ele em meu colo e comentavam para alguém do lado: "Viu que menino mais lindo? Quero ter um desses!". Às vezes, eu mesma recebia elogios. Antes de perguntarem meu nome.

Mas o que eu mais gostava de observar eram os espantos ao verem quando Draco andava com ele no colo. Nós fomos comprar alguns ingredientes de poções para curar uma gripe forte que Scorpius havia pegado no segundo inverno de sua vida, e dava para ouvir os sussurros e cochichos na loja do Beco Diagonal: "Aquele é o filho de Draco Malfoy? Que graça!" Infelizmente havia comentários como "É uma pena que um menino tão lindo venha dessa família." Mas essas pessoas não mereciam nossa atenção.

– Melhoras para o garotinho – desejou a recepcionista, dando um tchau para Scorpius, toda simpática. Scorpius fez tchau porque ele estava em fase de imitar todo mundo, até repetir o que as pessoas diziam. Draco, por exemplo, tentava o máximo não falar palavrão perto dele.

Gostaria de ser capaz de descrever a voz de Scorpius, principalmente quando ele falava que queria ir brincar. Durante o verão eu o levei em um parque no Beco Diagonal, sozinha enquanto Draco estava fora, e sem querer esbarramos com Dafne e Dimitre. Eu não os via durante um tempo necessariamente longo para notar o quanto eles haviam mudado. Minha irmã, com os cabelos novamente cumpridos, segurava dois sorvetes de casquinha, embora um estivesse sem a bola. Ela estava ralhando com Dimitre, que chorava pelo sorvete inteiro. Ele estava mais alto e seu cabelo castanho era tão cacheado que não parecia ser um filho de Dafne. Ele era muito parecido com o pai.

– Não vou dar – dizia Dafne, irritada. – Vai ficar sem! Quem mandou derrubar?

– Sua chata!

– Se me xingar de novo eu vou...

Ele tampou os ouvidos e começou a dizer "sua chata" sem parar. Só parou quando eu me aproximei com Scorpius.

– Ah, oi, Astoria – falou Dafne, parecendo muito cansada. Ela olhou para Scorpius em pé ao meu lado, que não tirava os olhos do sorvete dela. – Veio para mostrar o quanto seu filho é perfeito?

Não estava de bom humor, pelo visto.

– Não, definitivamente – eu disse, percebendo que era inútil discutir. – Nem esperava encontrá-los aqui.

– Desde que Dimitre descobriu esse lugar, não quer parar de me pedir para trazê-lo. Acho que ele até fez alguns amigos. Não é mesmo, meu amor? – ela sorriu para o garoto, passando a mão na sua cabeça de um jeito carinhoso. Ele cruzava os braços emburrado e empurrou a mão dela, correndo de volta para o parquinho com as outras crianças da mesma faixa etária entre dois a quatro anos.

– Mãe – Scorpius puxava a manga da minha blusa. Depois apontou para o sorvete de Dafne. – Queo um.

– Quanto custa isso aí? – perguntei a Dafne, em tom de conversa séria.

– Você poderia trocar a sua mansão e ganharia o estoque inteiro – ela lambeu o sorvete e deu as costas. Viu que Dimitre tentava comer areia da terra e correu dar uma bronca nele, expulsando as outras crianças de lá, rispidamente. Isso irritou as mães que viam a cena e elas foram tirar satisfação.

Enquanto Dafne gritava com outra mãe: "Ele obrigou meu filho a comer terra, sua vadia!", eu pagava a casquinha de sorvete, fingindo que nunca a vi em minha vida. Na verdade, agachei na altura de Scorpius e coloquei uma colher de sorvete de chocolate em sua boca, sabendo que era a primeira vez que ele experimentaria algo tão saboroso. Então decidi só dar atenção aquilo.

– Gostou? – perguntei, sorrindo, tentando ignorar a voz da minha irmã, que havia chamado atenção de todos. Scorpius abriu a boca, esperando a outra colherada, sem se importar com o que estava acontecendo ao redor. Nos afastamos dali e sentamos num banco, enquanto eu terminava de lhe dar o sorvete de chocolate.

Alguns minutos depois, Dafne apareceu com Dimitre de novo e ela se sentou ao meu lado, bufando. Eu fiquei estática, tentando entender porque ela havia parado ali depois de ter brigado com todas as mães do parque.

– Fica aqui, agora, ouviu? – mandou a Dimitre, que tinha o rosto cheio de lágrimas e assentia, soluçando.

– O gosto de areia não é muito bom, não é? – comentei, torcendo a boca.

– O menino disse que... que... que era gostoso... e mamãe não queria me dar o sorvete! – Ele não disse de um jeito perfeito, principalmente porque chorava, mas deu para entendê-lo muito bem. Ele enxugou os olhos e ficou encarando Scorpius, que já havia terminado o sorvete. De repente Dimitre perguntou a mim: – P-possobincar com ele?

Dafne interrompeu minha resposta.

– Não! Não vai brincar com ninguém agora! Vai ficar bem quieto aqui.

Dimitre ia começar a berrar, então ela mudou de idéia.

– Só se a sua tia Astoria deixar, está bem?

Ela parecia mais cuidadosa agora que havia feito todas as mães afastarem seus filhos de Dimitre, por sua causa.

– Claro que deixo – falei, animada. Scorpius estava sentado ao meu lado, com a boca melada. – Não disse que queria brincar, Scorpius? Vai lá.

Não que eu achasse que minha permissão fosse mudar alguma coisa. Dimitre começou a pular feliz, quando Scorpius saiu do banco e pisou na grama, tropeçando com as mãos contra a terra. Mas ele se levantou depressa e riu, pronto para brincar com primo.

– Vamos apostar corrida! – exclamou Dimitre, disparando a frente dele. Scorpius foi atrás. Dimitre ficava satisfeito toda vez que chegava perto de uma árvore antes dele, se gabando e dizendo que ele era lerdo, mas nunca deixando de rir também.

Eu não presenciava cenas tão singelas e inocentes há tanto tempo que me vi sorrindo enquanto assistia Scorpius e Dimitre pisoteando as formigas da grama.

– Ele precisa de um pai – Dafne falou de repente, a voz tentando ficar firme. – Não posso fazer isso sozinha minha vida inteira.

– Você falou mais alguma vez com Markus nesses últimos anos?

– Não confio nele, Astoria – ela respondeu.

– Mas ele é o pai dessa criança – eu disse séria, finalmente encarando-a.

– Dimitre perguntou uma vez, sabe? Eu estava lendo uma história para ele e ele perguntou por que ele não tinha pai.

– O que você respondeu? – quis saber.

– Não respondi. Fingi que não tinha escutado a pergunta.

– Então... Dimitre nunca conheceu Markus.

Ela negou.

– Acho que deveria encarar isso uma hora – eu aconselhei, embora não entendesse nada daquilo. – Dimitre não pode não conhecer quem é o pai dele.

– Mas Markus não é pai do Dimitre, entende? Disse que queria ficar com Dimitre uma vez, eu só não deixei porque ele tem mais dois filhos. Ele nunca ia ligar para Dimitre, que é louco por companhia. Nem sei como a assistente social não o tirou de mim ainda.

– Você deve estar fazendo o melhor que pode – eu garanti. – Para alguém que está sozinha.

Ela notou que o que eu dissera não foi da boca para fora, nem mesmo era uma tentativa de elogiá-la. Era a verdade do que eu via. No entanto Dafne só deu de ombros e disse:

– Diga isso para aquelas mães que me odeiam agora!

Voltamos a observar nossos filhos brincando e não dissemos nada durante um tempo. Já estava escurecendo quando olhei para o céu. Os dois voltaram até nós e Dimitre não parava de falar quando se aproximou com a calça cheia de terra. Ele trazia uma planta e entregou a Dafne, abraçando seu colo. Para um filho de Dafne, pareceu bastante carinhoso. Era como se não se lembrasse da discussão entre eles. Scorpius veio até mim e tudo o que mostrou foi na verdade o joelho que estava ralado, contando que havia caído, mas ele estava muito feliz.

– Bem, acho que já vou – falou Dafne, levantando-se. – Tchau, vocês dois. Vamos, Dimitre.

Eles deram a mão e se afastaram, com Dimitre contando que ganhara de Scorpius na corrida um monte de vez. Quando foram embora, eu sorri para Scorpius e o levantei.

– Vamos voltar para casa – eu lhe disse. Scorpius apontou para o chão e exclamou:

– Pisei na fomiga! – ainda em meu colo ele se virou para mim e agarrou meu rosto subitamente. Bebês eram tão imprevisíveis. – Mãe!

Eu olhei para ele, encantada.

– E o seu pai? – experimentei.

Ele olhou para todos os lados e encolheu os ombros, numa clara demonstração de que não sabia onde ele estava. Quando voltamos a Mansão, então, assim que viu Draco no sofá lendo o Profeta Diário, correu até se sentar ao seu lado. Eu me aproximei atrás de Draco e o beijei no rosto, passando meu braço em seu peito.

– Voltamos – avisei caso ele ainda não tivesse notado. Ele notou e virou sua cabeça para mim, num sorriso. Eu beijei seus lábios. – Como foi seu dia?

Draco parecia um pouquinho surpreso, enquanto deixava Scorpius amassar o jornal. Geralmente eu nunca lhe fazia essa pergunta, mas eu realmente queria saber.

– Hum, foi chato, como sempre. Não via hora de sair de lá. E onde vocês estavam? – Ele olhou Scorpius todo sujo e cruzou os braços.

– No parque – respondi.

– Foi lá que ele ganhou esse machucado no joelho? – indagou.

Scorpius ficou em pé no sofá.

– Eu caí assim – contou ele, caindo de joelhos na almofada numa demonstração exagerada, mas muito boa. Ele adorava contar sobre isso. – Mamãe não viu!

Ele sorria na direção de Draco, esperando algum tipo de comentário. Mas Draco apenas sorriu de volta.

– Agora vem, você precisa tomar banho, Scorpius – chamei indo pegá-lo.

Não! – reclamou, enfiando a cabeça entre o sofá e as costas de Draco como se assim ele nunca fosse ao banheiro. Como se ele quisesse se esconder de mim porque essa era a pior hora do seu dia. Estava sendo difícil levar ele para cima ultimamente.

– Ainda estou vendo você – falei e ele se colocou ainda mais lá dentro.

– Tudo bem, tudo bem – Draco apressou-se a dizer, segurando o braço de Scorpius e tirando-o de suas costas. – Não vou deixar ela te levar, Scorpius.

– Ei, você devia supostamente me ajudar numa hora dessas! – exclamei, indignada.

Queo ler jonal!

– Ele quer ler jornal agora – traduziu Draco e eu fechei a cara para ele.

– Tudo bem, então você leva ele para cima depois. Eu vou tomar o meu banho, vou descansar, porque eu fiquei o dia inteiro com ele. Agora é sua vez, Draco.

Para mostrar que não ia discutir comigo, desamassou o jornal e abriu na página de Quadribol, deixando Scorpius sentar em seu colo para eles verem juntos. Scorpius sempre fora tão quieto e falava tão pouco, mas Draco descobrira o que o fazia tagarelar: olhar para a coluna de Quadribol do Profeta Diário. Ele observava os jogadores se movimentando nas fotos como se aquilo fosse à coisa mais fascinante do mundo. Scorpius adorava apontar o dedo para a imagem que mais lhe chamava atenção, e dizer o que um jogador estava fazendo. Dizia algo como "ele está voando" e aproveitava para pedir uma vassoura como aquela. Mas Draco prometia algo diferente.

– Vou levá-lo para assistir um jogo de Quadribol quando ficar mais velho, Scorpius. Só vou lhe dar uma vassoura se entrar em algum time.

Mesmo que fosse demorar vários anos ainda, Scorpius mantinha seus desejos. Em seu aniversário de três anos, que também era véspera de Natal, ele quis uma vassoura. Implorava e implorava tanto que Draco e eu fomos visitar a loja no Beco Diagonal. Não levamos Scorpius, porque sabíamos que ele ia querer todas se olhasse para as vassouras, então ele estava na Mansão com Narcisa, enquanto eu andava com Draco a procura de um bom presente.

– Você vai mesmo comprar? – perguntei, observando o perfil de Draco. Ele olhava para uma linda vassoura, a última versão da Nimbus. Havia nostalgia em sua expressão. – Sabe, ele só tem três anos de vida e não de treinamento!

– Faz tanto tempo que não vôo numa dessas – ele disse baixinho, tocando-a como se fosse uma escultura de vidro. – Acho que vou levá-la.

– O quê? Mas... não é uma boa idéia. Ele não tem idade para isso.

– Não percebe? Essa é a última linha Nimbus, a última geração, não haverá nenhuma outra – ele contou. – Pode ser a última chance de comprá-la.

– Tem certeza?

– Tenho.

Ele tirou os galeões da carteira depois que descobriu o preço. Então pagou a vassoura, e a levamos para casa, embrulhada, sem comentar com ninguém sobre ela.

Na noite do aniversário de Scorpius, porém, as coisas não saíram como eu esperara.

Eu me sentava em uma das pernas de Draco na poltrona da sala, assistindo Scorpius abrindo os presentes de um jeito quase selvagem, tão animado em ver os brinquedos mais incríveis a sua frente. Ele rasgava os embrulhos e fazia diversas expressões, demonstrando claramente se gostara ou não dos presentes. Tinha vez que ele jogava o pacote longe.

Cruzei as pernas, quando Scorpius terminou de abrir todos. Ele segurava uma pequena estátua que meu tio havia dado a ele, seu presente favorito da noite. A estátua era movida a magia, então ele não parou de pedir para que Narcisa "acendesse" o feitiço no objeto, para o homem de estátua começar a andar. Às vezes até voava, e essa era a parte que fascinava Scorpius. Ele também gostava do xadrez de bruxo, presente que Lucius havia lhe dado. A princípio subestimamos a inteligência de Scorpius, achando que ele não entenderia o jogo, mas na primeira partida que assistiu entre Lucius e Draco, Scorpius ficou eufórico pelas peças se estraçalhando, ria toda vez que um bispo ou um peão caía aos pedaços. Repetia as jogadas para ver as peças se moverem e quebrarem.

Faltava, então, o do Draco e o meu. Scorpius se aproximou de nós, com expectativa naqueles olhos brilhantes.

– Está embaixo da árvore – disse Draco, calmo, cutucando a aliança de meu dedo, uma mania que adquirira desde que nos casamos. Eu tinha meus braços ao redor do seu ombro, observando enquanto Scorpius ia até a árvore de Natal e pegava o último embrulho.

Mas não era a vassoura. O embrulho era diferente e o formato era, na verdade, retangular. Scorpius sorria e nem saiu do lugar para arrancar o pacote e revelar o que havia lá dentro. Ele pediu tanto uma vassoura... sempre nos decepcionamos quando não ganhamos o que ficamos esperando durante tanto tempo. Eu olhei para Draco, depois de ver o sorriso de Scorpius desaparecer ao notar que, definitivamente, aquilo não era uma vassoura.

Realmente havia acreditado que Draco comprara a vassoura para dar a ele. Mas por que Scorpius não estava vendo uma ali a sua frente?

– Draco, achei que...

– Quero uma vassoura – Scorpius se levantou e correu até nós dois. Ele havia ignorado o kit de lápis de cores. Eu não sabia que Draco realmente ia comprar o presente que eu queria para o nosso filho. Scorpius adorava pintar também, mas não adorava tanto quanto adorava uma vassoura de corrida. – Pai, cadê minha vassoura?

– Não tem idade ainda, Scorpius – explicou Draco, a voz neutra. – Talvez quando crescer.

Scorpius não entendia. Deu um passo e bateu na perna de Draco com suas mãozinhas, irritado.

– Eu quero uma vassoura! Eu pedi uma!

– Não comprou a vassoura para ele? – perguntou Lucius. – O garoto pede isso desde o ano passado e você não comprou?

– O que ele vai fazer com uma nessa idade? Ficar olhando? Não, Scorpius, não vai ganhar sua vassoura.

Eu me desvencilhei de Draco e me levantei para tentar segurar Scorpius. Ele começou a espernear e sair de minhas mãos, para continuar implorando a Draco por uma vassoura de Cadribol. Draco não se mexeu.

Lucius ficou nervoso com a gritaria de Scorpius e se levantou bruscamente, dirigindo-se indignado a Draco:

– Compre uma vassoura a ele, Draco! Vai deixá-lo sofrer dessa forma?

– Ele não está sofrendo, pai. Só está fazendo birra. Vai esquecer daqui a pouco.

– Faça-o parar de chorar agora, por Merlin!

– Scorpius, querido, por favor – eu tentei, agachando-me a sua altura e segurando seus braços, mas ele nem sequer ligava para mim agora. Só queria a vassoura e me deu as costas.

– Dá a vassoura, pai! – choramingou. Draco se levantou da poltrona. Ia sair da sala, mas Scorpius correu atrás dele, voltando a bater em sua perna. – Dá a vassoura! Eu quero... uma vassoura... pai!

– Pare com isso – eu disse com a voz alta e clara, segurando seu braço com mais firmeza para fazê-lo me encarar. – Pare de bater nele, Scorpius. Ou eu tiro todos os seus brinquedos se continuar!

Dessa vez ele entendeu. Enxerguei traços de Draco em Scorpius, quando ele fez uma careta de desgosto, entortando a boca e franzindo o nariz, para tirar seu braço da minha mão e se afastar, com raiva. Ainda me olhava com aquele desgosto.

– Você nem olhou seu presente – eu disse, voltando a manter a voz equilibrada. – Sei que gosta de pintar, Scorpius. Por que não faz como a mamãe...? Pega esse lápis vermelho e-

Ele se aproximou do kit de pinceis e o chutou, derrubando os lápis na minha direção. Aquilo me deixou tão sem reação que eu não tive voz para ralhar com ele. Ele nunca havia agido assim antes, nunca havia sido tão agressivo, principalmente comigo. Eu olhei para Draco, numa expressão de "Por que você não dá logo a vassoura para ele?", mas no fundo eu entendia o que ele queria fazer. No fundo, Draco estava fazendo a coisa certa. Scorpius não precisava de uma vassoura. Não naquele momento.

– Se não quiser ficar sem os outros brinquedos, venha me ajudar a guardar – eu pedi. Não consegui olhar Scorpius, enquanto colocava de volta os lápis na caixa. E, não, eu não era rígida, eu não sabia dar bronca, eu não estava acostumada com aquilo. Será que sou vulnerável demais com meu filho? Será que sempre que ele não conseguir o que quiser agirá dessa forma tão grosseira e insuportável? Era tudo isso minha culpa?

Ao em vez de me ajudar, Scorpius foi chorar no colo de Narcisa, escondendo o rosto como faz quando está envergonhado ou arrependido de alguma coisa.

Draco se agachou e me ajudou a guardar os pinceis.

– Sempre tive tudo o que quis em minhas mãos, e nunca mereci – ele disse em explicação a sua atitude. – Ele não vai crescer assim.

Narcisa estava acalmando Scorpius, passando a mão em seus cabelos, afirmando que um dia ele ganhará uma vassoura, tentando lhe explicar que era só preciso ter paciência. Não que uma criança soubesse o significado de "paciência", mas Narcisa obtinha resultados triunfantes. Quando o jantar acabou, Scorpius não chorava mais. Agora parecia chateado e emburrado, e sempre que via Draco, ele dava as costas e não queria conversar.

Nós dois fizemos as pazes imediatamente quando o levei para dormir. Scorpius não pediu desculpas pelo seu comportamento, mas não queria me soltar para se deitar. Ele deitou a cabeça em meu ombro, querendo dormir em meu colo. Tentei colocá-lo na cama, mas ele acordava e reclamava baixinho, agarrando meu pescoço. Acho que foi esse seu modo de dizer que estava arrependido. E eu o perdoei. Sempre o perdoaria.

Quando finalmente dormiu e eu consegui sair de lá, fui encontrar Draco. Ele estava na banheira, mas não parecia estar tomando banho, pois mal se mexia. Sorriu assim que me aproximei, mas não disse nada quando me sentei na margem da banheira.

– Qual é o seu plano agora, Draco? – perguntei, sentindo a água aquecida nos dedos.

– Quando ele estiver em Hogwarts, vou dar a vassoura, e as pessoas vão perguntar onde ele conseguiu o último modelo da marca. E vai dizer que eu comprei e guardei durante dez anos para entregar para ele e...

Passei a mão em seu ombro e dei uma leve risada, interrompendo-o.

– Não quis dizer um plano futuro para ele – expliquei. – Quis dizer sobre fazê-lo não ficar mais chateado com você amanhã, por exemplo.

– Não sei, ele é só um bebê, certo? Vai esquecer e voltar a achar graça em tudo.

– Ele ficou pedindo tanto. Não vai esquecer tão fácil assim.

– Você acha? – agora parecia preocupado.

– Acho. Mas garanto que você está fazendo a coisa certa, e é isso o que vai importar, não é? Para quando ele crescer...

Ele olhou para mim e eu tirei o cabelo molhado de seus olhos. Enquanto isso Draco segurava minha mão.

– Feliz Natal, Astoria – desejou.

– Feliz Natal, marido – falei com um sorriso, inclinando-me para lhe dar um beijo. Mas ele pegou minha cintura e me puxou a seu colo dentro da banheira, e o gritinho que soltei foi abafado pela boca dele na minha. Pelo visto, não íamos dormir tão cedo naquela noite.

Eu não conseguia nem imaginar quantas noites nós já tivemos, contando desde o dia em que fiquei na Mansão pela primeira vez. Eu já nem tinha idéia de quanto tempo estávamos juntos. Mesmo assim, não me lembrava da minha vida antes dos dezoito anos, quando o conheci verdadeira e unicamente. Eu só sabia que não queria um futuro sem ele. Draco foi uma parte essencial da minha vida... agora simplesmente era a minha vida. E o resultado disso tudo estava dormindo no outro lado do corredor, tentando entender porque não conseguira o que tanto desejava em seu próprio aniversário. Mas eu acreditava que Scorpius um dia iria entender e, com mais paciência, agradeceria ao pai dele.


Eu sei, eu sei, esse capítulo ficou gigante! É que é o seguinte, pessoal... a partir desse capítulo faremos contagem regressiva, pois acho que a fic está em sua reta final. Obrigada a todos que chegaram até aqui comigo, principalmente aqueles que sempre comentam. Obrigada mesmo :') Continuem comentando, digam o que acharam, e seguiremos em frente com os próximos, os últimos. Beijos :*