Disappear
Jamais fiquei tão desesperada como naquele dia. Todos os medos que já senti não se compararam a aquele. Nem quando Sebastian tentou me matar; nem quando os Malfoy quase foram presos. Nem mesmo quando descobri minha complicação na gravidez. Nenhum medo jamais teve o efeito que este deu naquele dia.
Foi na comemoração dos doze anos de Vitória contra Voldemort. Nunca tiveram tantas pessoas reunidas e aglomeradas na grande Praça de Londres. A idéia de irmos até lá foi de Rachel. Ela tinha insistido para que eu e Draco fossemos, pois garantia que Scorpius iria se divertir bastante. Eu não duvidava, mas relutei, por causa de Draco. Ele nunca gostava da idéia de rever seus antigos conhecidos.
Só que, para nossa grande surpresa, ele perguntou se eu gostaria de fazer alguma coisa naquela tarde de sábado.
– O que quer dizer com isso? – perguntei surpresa.
– Sabe, podemos ir – ele disse. – Eu não quero me esconder, eu não preciso. Porque não faço isso por mim, mas pelo Scorpius. Ele só vive nessa Mansão, e ele já está começando a achar meu pai entediante, então...
Eu sorri.
– Fico feliz que queira ir – admiti.
– Ótimo. Vou chamar Scorpius e nós já vamos.
Eu achava que teríamos uma tarde perfeita. Não estive duvidando disso em nenhum momento, depois que chegamos à festa. Ninguém nos condenou. Na verdade, alguns vendedores das barraquinhas foram até receptivos. Eu tinha certeza de que era por causa de Scorpius, uma criança de quatro anos arrancava simpatia em qualquer pessoa. Além disso, não era como se Scorpius fosse desagradável. Ele era tão quietinho, apenas observando as pessoas, falando pouco e assentindo toda vez que perguntávamos se ele queria alguma coisa. Não significava, porém, que ele não estava se divertindo. Agarrava o braço de Draco, pedindo para levá-lo em algum brinquedo ou comprar sorvete de chocolate. O tempo todo apontava para as coisas ao seu redor, impressionado.
– Pai, vamos ali! – pediu, segurando com força o braço de Draco, enquanto tentava puxá-lo. Estava apontando para uma aglomeração de pessoas. Espreitei e fiquei admirada por não ter reparado antes de Scorpius que havia um grupo de jogadores de Quadribol apresentando-se e fazendo manobras na vassoura pelo ar.
Era incrível ver Scorpius tão animado, mas tive o deslumbre da cena por meio segundo. Aprendi naquele dia a nunca tirar os olhos dele, nem por dois segundos. Eu havia olhado para o céu, assim como Draco. No próximo segundo, quando fui dar a mão a Scorpius para levá-lo até lá ele simplesmente havia desaparecido, sumido.
Meu sangue começou a ferver, enquanto eu o procurava com o olhar por todos os cantos. Draco estava dizendo com os olhos ainda para o céu: "Olha só, Scorpius, nós vamos..." mas parou assim que notou a minha agitação.
– Cadê ele? – perguntou Draco, como se não acreditasse, mas eu já havia corrido em direção à aglomeração, pois vira seu corpinho entrando lá.
– Scorpius! – gritei, empurrando as pessoas a minha frente. – Scorpius! Sai da frente! Scorpius!
O pior de tudo era que estava anoitecendo. As pessoas estavam agitadas e eufóricas com a apresentação dos jogadores que mal escutavam meu desespero. E eu mal enxergava o lugar onde estava pisando, onde Scorpius poderia ter se enfiado ali. Talvez as lágrimas estivessem ofuscando a minha visão, mas realmente estava ficando escuro.
– Scorpius! Scorpius! – eu nunca havia gritado tanto, minha voz ficou trêmula e rouca. Comecei a xingar tudo ao meu redor; a raiva de mim mesma por ter deixado aquilo acontecer. Todas as imagens ruins vieram a minha cabeça, a pior sensação da minha vida, daquela que eu não sabia onde meu próprio filho havia parado, ou se alguém o pegara naqueles dois segundos que desviei meus olhos para o céu.
Eu havia atravessado toda a aglomeração. Fechei meus olhos com força, apertando minha testa com a mão. Quis me arranhar, meu coração parecia prestes a explodir, e não de um jeito confortável. Não adiantava nem usar magia, devido à quantidade de gente.
– Scorpius – murmurei, caindo de joelhos no chão, respirando pesado, olhando ao redor de um jeito frenético. Nenhum sinal dele. – Nunca vou ser perdoada, nunca vou ser perdoada...
Naquele momento é difícil pensar em algo concreto ou tentar entender como aquilo foi acontecer. Draco correu até mim e me ajudou a levantar. Nem vi de onde ele havia aparecido.
– Nós vamos encontrá-lo, ele... ele deve estar por lá... – disse. – Deve ter ido em direção aquelas pessoas que viam as vassouras voando. Para onde mais ele iria?
– Não o acho – minha garganta estava seca. – Ele sumiu, ele sumiu... e se alguém o viu sozinho e o levou?
Minha voz havia voltado a subir e eu estava gritando de novo, chamando por Scorpius, como se ele fosse responder, como se eu realmente fosse receber alguma mensagem ali naquele turbilhão de pessoas estranhas. Tentamos pedir ajuda, mas ninguém havia realmente visto ele.
Rachel também começou a procurá-lo e ela não obteve resultado algum. Eu estava chorando como se alguém tivesse arrancado meu coração fora, e o exagero não era exagero quando se tem a idéia de nunca mais ver aquilo que te fez completa e feliz por tanto tempo. E eu nem tive tempo de tentar ser otimista. Não naquele momento.
Quando pensei que não adiantaria nada o otimismo, eu vi Scorpius. Ele estava ao lado de um homem que também assistia a apresentação. Draco e eu corremos até lá. Aqueles definitivamente foram os cinco minutos mais longos e eternos da minha vida.
– Scorpius – eu exclamei aliviada quando o virei para mim e o abracei com toda a minha força. Eu havia até batido os joelhos no chão quando me abaixei para fazer isso. Nem vi as pessoas que estavam ao seu lado, mas todos olhavam para mim. Eu sentia os olhares, mas nada importava.
Ironicamente, ele sorria alegre, sem ter a idéia do medo que ele causara em mim ao ter sumido tão de repente.
– Olha, eles estão voando e aquele cara lá girou a vassoura no ar! – ele olhou para o céu e apontou. Quando voltou a olhar para mim, franziu a testa: – Mãe... por que está chorando?
Enxuguei o rosto depressa.
– Por nada, meu amor, por nada – falei, sorrindo e tirando o cabelo de seus olhos. Ele era tão lindo.
Uma voz soou ao meu lado antes que eu tivesse tempo de me levantar para irmos embora dali:
– Então esse é o pequeno Scorpius?
Eu encarava um homem ruivo, da idade de Draco. Não demorou a entender que eu estava em frente a um Weasley. Na verdade, em frente a dois Weasley. Em seu colo, uma garotinha de cabelos ruivos acastanhados e cacheados olhava para nós, saboreando seu sorvete. Acabei pegando Scorpius em meu colo e fiquei feliz que ele não tivesse recusado, pois eu prometi a mim mesma que não me desgrudaria dele.
– Ele apareceu do nada – contou o Weasley. – Imaginei que estivesse mesmo perdido.
– Não foi culpa nossa – a voz de Draco estava estranha. Os dois se encaravam de forma estranha. Aquele momento era estranho.
– Não, definitivamente não – Weasley respondeu, olhando para mim. – Crianças são mesmo sorrateiras. É só piscar os olhos e... – Depois voltou a encarar Draco. – Um filho, então, Malfoy? Quem diria.
– É – Draco concordou e seu maxilar trincava, mas só eu reparava nisso de tantas vezes vê-lo assim. – Quem diria.
– Bem, Rose e eu temos muito que fazer ainda, não é, Rosie? – Ele olhou para a filha, sorrindo. – Vamos achar sua mãe agora. Não entendo porque ela não gosta de ver essas coisas com a gente...
A menina ainda nos encarava. Ela ofereceu o sorvete a Scorpius, estendendo-o em sua direção. Ele ia pegar, mas ela voltou a lamber o sorvete, rindo como se fazer meu filho de bobo fosse a coisa mais divertida do mundo. Só que depois o sorvete caiu de sua mão e dessa vez Scorpius quem deu risada e a menina começou a chorar. Mesmo assim, não senti nada além de uma enorme gratidão por ele, por aquele Weasley. Talvez fosse o alívio de ter Scorpius em meu colo de novo que fez com que eu dissesse em voz alta:
– Obrigada.
Eu estava agradecida, pois tive a concreta sensação de que houve uma ajuda ali. Quero dizer, ele sabia que Scorpius era nosso, mas mesmo assim continuou perto dele até o encontrarmos. Claro que, sendo um Weasley, não iria atrás de nós dizer que achara nosso filho. Ia esperar encontrarmos ele. Pensei que poderia ter sido pior, que Scorpius não aparecesse ao lado de alguém aparentemente confiável. Sim, um Weasley era confiável, era inadmissível negar tal coisa. Ele fez um aceno na cabeça, como se entendesse pelo que eu estava agradecendo, como se confirmasse a intenção que teve.
Assim que sumiram, Scorpius virou para mim:
– Quero um sorvete.
– Oh, querido – eu disse. – Tudo bem, vamos comprar...
– De chocolate! Quero um de chocolate, igual o daquela menina lá...
Eu o levei até lá, mas Draco ficou calado o caminho todo. Não disse nada enquanto eu e Scorpius saboreávamos o sorvete. Apenas quando voltamos para casa que ele não esperou um segundo para perguntar:
– Por que o agradeceu?
– O quê?
– Ele não salvou a vida de Scorpius, salvou? Não fez nada! Só estava lá coincidentemente ao lado desse garoto que, a propósito, deveria avisar quando vai sumir! – a voz dele estava alta. Scorpius tinha a cabeça baixa, enquanto Draco explodia com ele: – Você não devia ter saído de perto! Eu ia levar você para lá, está bem, Scorpius? Eu ia te levar! Você não precisava desaparecer ou ter soltado a minha mão!
– Draco, não-
– Não quero ouvir, Astoria! – gritou. – E o que você fez é imperdoável, Scorpius, imperdoável! E ainda me fez encarar o Weasley...
Draco falava com desprezo e Scorpius se encolhia atrás da minha perna, como se quisesse se esconder.
– Pare de gritar com ele, Draco – eu disse. – Ou agir como se a culpa fosse do seu próprio filho, porque não foi... Ele é só uma criança, não tem a mínima idéia do que fez.
– A culpa não foi nossa também! Eu estava segurando a mão dele, eu estava...
– Draco, por favor – implorei, percebendo que Scorpius estava assustado com a voz dele. – Ele está aqui agora. Não aconteceu nada...
– E quando eu achava que não ia ter que pagar nenhuma dívida, você me vem agradecendo, como se aquele Weasley fosse um herói e...
– Pare – eu pedi. Não aumentei o tom de voz, não queria discutir com ele na frente de Scorpius. – Draco, sei como está se sentindo agora, mas não é certo. Estamos bem. Foi só... um deslize. Scorpius está aqui agora, ouviu?
Ele piscou e passou a mão no rosto. Assim que se aproximou de nós dois, murmurou:
– Eu sei, Astoria, eu sei... é que a última vez que fiquei tão apavorado...
– Shh – fiz, segurando seu braço. – Foi só um deslize... não vai mais acontecer, ok?
– Não consigo ver minha vida sem ele. Eu precisava dizer isso, e não gritar. Não quis gritar com você, filho – falou completamente arrependido. De repente se abaixou para abraçar Scorpius com muita força.
– Pai, vamos ver as peças quebrarem. – Scorpius apontou para o tabuleiro de xadrez quando Draco o soltou. – Chama o avô Lucius! Ele gosta de jogar também...
– Viu? – eu disse, num suspiro. – Ele não tem a mínima idéia.
Draco deixou Scorpius puxá-lo até a sala e enquanto eles preparavam o jogo, eu tive certeza de que tudo estava bem então segui meu caminho até o quarto para tomar banho. Eu me afundei na banheira, fechando os olhos.
Eu não podia deixar de me sentir agradecida também por Scorpius. Ele era o melhor filho que eu poderia desejar ter, ajudava-me como ninguém a ser uma mãe. E não digo apenas na tarefa de ser mãe, Scorpius ajudava bastante quando eu ficava pintando nos meus tempos livres. Aprendeu a distinguir todas as cores porque ele gostava de me ver pintar, entregando-me os pinceis que eu pedia. Às vezes, até dava sugestão de cores para o quadro que eu estava pintando. Houve um dia que não agüentei e deixei ele pintar.
– Assim fica bonito, não acha? – perguntei, enquanto manuseava seu pulso esquerdo, que apoiava o pincel cheio de tinta na extensão do quadro todo colorido e rabiscado. Ele era canhoto, uma característica distinta da família Malfoy, porque nenhum de nós escrevia ou segurava alguma coisa freqüentemente com a mão esquerda. E, diferente de Draco, Scorpius era um bom aluno e não tentava me fazer parar de ensiná-lo.
– Vou pintar você – Scorpius falou de repente. Antes que eu ficasse animada com a idéia, ele se virou para mim e raspou o pincel bem na direção do meu nariz, só pra fazer gracinha.
– Muito bonito – ironizei, torcendo o nariz. Como vingança, passei o dedo indicador na tinta do meu rosto e sujei o dele.
– Ah, mãe – reclamou. Depois ele sorriu. – É gelado. Passa mais!
– Quê? Não vou te sujar, e você dá trabalho para querer tomar banho!
– Passa, passa, passa – implorou, inclinando o rosto na minha direção. Tirou o cabelo dos olhos com a mão, mania que fazia sem perceber.
– Seu cabelo está cumprido, precisamos cortá-lo.
– Passa a tinta nele!
– Você é maluco, Scorpius – eu decidi, mas não vi qual era o problema de nos divertirmos assim. Comecei a passar a tinta em seu rosto e ele dava algumas risadinhas como se sentisse cócegas.
– O que você está desenhando em mim? – quis saber.
– Estou só rabiscando – falei concentrada.
– É gelado – ele disse de novo e apontou para a própria testa. – Passa aqui também!
Girei os olhos, tendo certeza que ele estava ficando maluco, mas obedeci. Arrastei seu cabelo para trás e assim que pintei sua testa, ele estava lindo. Todo verde.
– Vou assustar a vovó – ele disse, saindo correndo da sacada, então não tive tempo de impedi-lo. Mas esbarrou em Draco antes de passar pela porta.
– Oh, me salvem – Draco disse ironicamente desesperado ao olhar para ele. Scorpius sorria com as sobrancelhas juntas, mostrando os dentes, como se fosse um monstro assustador e cruel. – Quantas vezes eu já disse para você não soltar o trasgo das masmorras, querida?
– Não sou trasgo! – protestou indignado.
– É assim que se fala.
Quando Scorpius saiu, Draco se aproximou de mim, com cara de quem ia me contar uma novidade. Mas na verdade, abraçou minha cintura e me puxou para perto dele.
– Estou com as mãos sujas de tinta – avisei, com os braços levantados.
– Quer sair hoje? – perguntou e eu ergui uma sobrancelha.
– Está me convidando para sair?
– O que mais eu estaria fazendo? Na verdade, minha mãe foi convidada para a festa de bodas de ouro de uma velha amiga dela. E quando eu digo "velha", quer dizer velha mesmo, daquelas muito entediantes. E no convite estava escrito: "Narcisa e família". Então eu não posso ir sem você. Não posso e não quero.
– Eu seria uma esposa muito má se deixasse você morrer de tédio sozinho – falei.
– Ótimo, e use aquele vestido azul, gosto dos seus ombros aparecendo – ele disse, beijando-me ali.
– Se eu deixasse tudo o que você gosta aparecendo, eu iria pelada – retruquei, girando os olhos.
– Tem razão, mas dizem que bodas de ouro é um jantar sério. Cinqüenta anos de casado.
– Credo, como alguém agüenta?
– Não consigo nem imaginar vivendo tudo isso com a mesma pessoa.
– Nem eu.
Começamos a nos beijar, mesmo assim. Ele me empurrou contra a parede, ainda me beijando. Achei que íamos transar ali, mas antes que Draco sequer pensasse em levantar minhas pernas para entrelaçarem sua cintura, ouvimos a voz de Scorpius e nos separamos imediatamente.
Ele entrou desesperado na sacada, com o rosto verde contraído em susto. Esperava sinceramente que ele não tivesse visto a cena.
– Que foi, Scorpius? – perguntou Draco, de um jeito indiscretamente frustrado. Nunca havíamos sido interrompidos para nada, mas nada mais digno do que o próprio filho fazer isso, sem ter noção de alguma coisa.
– Eu fui no vovô e assustei ele e ele estava dormindo e agora está bravo comigo – contou meio ofegante, como se tivesse subido quinhentas escadas na maior velocidade.
– Vamos tirar essa tinta da sua cara – eu disse e, dessa vez, Scorpius não protestou. – Seu pai vai nos levar a um jantar hoje e você tem que ficar bonitão.
– Eu sou bonitão – Scorpius concordou, abrindo um sorriso que mostrava seus dentinhos brancos.
– Sério, ainda tem alguma dúvida de que ele é seu filho? – indaguei a Draco, rindo.
– É, minha mãe vivia comentando comigo que eu era um empata-foda também! – exclamou irônico, em resposta e eu bati em seu braço enquanto ele gargalhava.
O jantar que fomos era elegantíssimo. Por incrível que pareça, eu acabei reconhecendo algumas pessoas, embora a maioria delas eu não fizesse a menor idéia de quem era. Meus pais costumaram falar muito sobre aquele casal que completava cinqüenta anos de casados. Era uma família tão aristocrata quanto os Malfoy, de sangue-puro e frieza até o último fio de cabelo. No entanto, eram absolutamente respeitados pela sociedade. Únicos de sangue-puro que não ficaram nem contra nem a favor das ações de Lord Voldemort. Eram ricos e tinham a moral de manter um restaurante belíssimo reservado apenas para a família e convidados.
Era em jantares como este que eu me sentia deslocada, porque eu não me interessava em nada do que eles falavam. Eram assuntos tão grotescos que eu apenas preferia ouvir a ter de dar minha opinião sobre livros que eles julgavam ameaçadores para o futuro, devido ao excesso de tolerância que o mundo estava dando aos trouxas. Mesmo que se julgassem nada preconceituosos, preferiam falar sobre a decadência do Ministério e das famílias de sangue puros que não tinham mais nenhuma dignidade.
Poucas vezes realmente saímos em família. Quando digo "família" quero dizer que Lucius estava também. Era um jantar que exigia roupa formal. Narcisa meio que me obrigou a colocar um terninho em Scorpius. Ela parecia preocupada com aquele jantar, como se muitas coisas dependessem dele. Por exemplo, antes de entrarmos no restaurante, ela pediu com veemência para que Scorpius se comportasse. Scorpius sempre se comportava, não precisavam pedir isso a ele.
– Se está preocupada com a presença de uma criança, podíamos deixá-lo com meu tio – eu disse. Era arriscado, já que meu tio não tinha muito tato com crianças, mas era melhor do que dar a chance de ele quebrar um dos pratos banhados a ouro puríssimos nas mesas, algo que Narcisa estava com medo que acontecesse.
No entanto, Narcisa apenas disse:
– Não, eu quero que ele vá. Aqueles bruxos foram grandes amigos da família, mas depois que... depois da guerra, nunca mais nos enviaram convite algum para festas. Provavelmente o fizeram pois querem conhecer o filho de Draco.
– Ele só tem cinco anos! – eu protestei. – Não quero que ele passe por um tipo de teste ou julgamento, isso é ridículo.
– As coisas funcionam desta maneira na família, Astoria. Nós temos que mostrar que somos dignos. – Ela deu a mão a Lucius e os dois entraram primeiro do que nós.
Até as crianças daquela família eram duras como pedras. Frias como gelo. Não falavam quando não era para falar. Ao ver que uma menina usava o garfo e a faca perfeitamente, como uma adulta, eu olhei com pena a Scorpius, que ainda usava colher. Aquilo era uma contaminação, pois até o final do jantar, tentei fazê-lo usar o garfo. Mas, decidindo que isso era ridículo, só por rebeldia eu o deixei pegar um pedaço de carne com a mão. Achei que ninguém ia reparar, mas enquanto Scorpius mastigava com a boca aberta, uma bruxa elegante e loira ao meu lado, perguntou:
– Então há quanto tempo está casada com Draco?
– Cinco, seis anos, acho – respondi. – Nós não contamos exatamente.
– Hum – ela disse. A sobrancelha dela ficava erguida, e não de um jeito natural. – Oh, eu jurava que nunca o veria assim. Você sabe, casado e com filho. Tudo bem, eu imaginava. Mas não imaginava que ele estaria gostando dessa vida. Não é do feitio dele.
Tive a breve sensação de que ela o conhecia há muito tempo. Olhei Draco no outro lado do restaurante, na mesa dos homens. É, aquela era a festa mais estranha em que já fui. Havia cadeiras e mesas específicas apenas para mulheres e apenas para os homens. E só as mães ficavam com suas crianças. O casal de cinqüenta anos ficava sentado em uma mesa, isolado. Os dois não falavam com ninguém. As pessoas é que iam lá falar com eles. E, acredite, ninguém parecia muito a fim de fazer isso.
– Você o conhece? – perguntei a mulher. Ela riu.
– Se eu o conheço? Oh, claro que sim. Draco Malfoy. Quem não o conhece?
Minha garganta ficou um pouquinho seca. Eu fui pegar a taça de whisky, mas não encontrei na mesa. Desesperada, vi que estava na mão de Scorpius e eu tirei dele quando ele já estava com a borda nos lábios. Só que ao em vez de lhe dar uma bronca, eu perguntei a mulher, tendo o pressentimento de que já a vira em algum lugar:
– Por acaso... nós já nos vimos?
– Oh, eu nunca vi você, mas eu tenho certeza que você já me viu.
Eu fiquei olhando para ela, até que entendeu que precisava se apresentar.
– Sou Katherine.
Um flashback passou pela minha cabeça, aquela noite chuvosa em que vi pela janela da mansão Draco apoiando uma mulher em seu colo, enquanto eles se serviam de vinho e eu tomava chuva querendo voltar para ele naquela época caótica do nosso relacionamento.
Minha reação foi olhar novamente a Draco. Estava rindo secamente de alguma coisa que outro bruxo falava para ele ao seu lado da mesa. Nossos olhos se encontraram e ele colocou a mão no pescoço, fingindo que queria se matar. Eu riria com ele, se eu não estivesse ao lado de Katherine.
– Você é uma prostituta – eu disse, de repente, sem me conter.
– Oh, certamente isso não é um elogio – comentou Katherine, as sobrancelhas ainda mais erguidas. Ela era, definitivamente, mais bonita quando não olhávamos para o seu rosto.
– Ele disse que você é uma prostituta – falei tentando não parecer alterada.
– Devo dizer que ele mentiu a você, querida. Sou de uma família respeitada! Nós certamente íamos nos casar, porque nossas famílias queriam, se ele não fosse completamente insano por uma tal de Astoria. Suponho que você seja a Astoria.
Odiei ela me chamando de querida. Scorpius cutucou minha mão.
– Mãe, o que é postituta? – perguntou.
Fingi que ele havia perguntado onde era o banheiro.
– Vamos, eu te levo ao banheiro – falei, querendo sair dali. Narcisa viu que eu estava saindo da mesa. Achei que ia me impedir, mas na verdade nos acompanhou até o banheiro do restaurante. Ela abanava a mão perto do rosto, como se estivesse sufocada.
– Parecem estranhos para mim – ela comentou. – Oh, perdi completamente minha dignidade com essa família. Eles estão tão entediantes.
Abri a torneira e limpei a boca de Scorpius, que tirou minha mão, protestando que não queria ir ao banheiro, mas eu meio que fiquei segurando ele ali. Narcisa reparou e perguntou:
– Aconteceu alguma coisa, Astoria?
– Nada – menti. – Fica quieto, Scorpius.
– Bem, vou voltar – disse Narcisa. – Precisava de um pouco de ar, mas agora tenho que fingir que ainda sou alguém interessante.
Assim que o banheiro ficou vazio, outra pessoa entrou. Era Dafne e Dimitre.
– Vocês também aqui? – exclamei.
– Também não estou feliz! Mas me convidaram e eu não ia deixar de vir nessa festa tão cara e elegante – ela disse brava, chacoalhando a taça de vinho. Quem trazia taça de vinho para o banheiro? Tive a impressão de que ela ia guardá-la na bolsa e não contar para ninguém ao sair. – Estamos nos escondendo agora que Dimitre quebrou o terceiro prato. Credo, essas pessoas agem como se não houvesse o feitiço Reparo para concertar as coisas!
Essa foi a melhor notícia da noite. Dimitre era o capeta comparado às outras crianças daquele lugar e eu fiquei estranhamente contente por ele estar ali, deixando aqueles bruxos irritados.
– Lembra que a mãe sempre dizia que adoraria ir a uma festa dos Buckingham? Ela iria morrer de inveja se soubesse que nós duas-
Dafne parou de falar.
– Você seria engraçada se não fosse tão importuna, Dafne – falei indignada. – Quem você conhece que está aqui? – perguntei enquanto saíamos do banheiro. Dimitre e Scorpius estavam se empurrando a nossa frente. Às vezes era meio difícil entender se estavam brigando ou brincando, porque um ficava rindo do outro.
– Bem, tem a Junne, a Lidya, lembra dela? Aquela vadia. Enfim, conheço a Veronica e, claro, Pansy está por aqui também. Sabia que ela se divorciou? Achei o máximo! Depois... quem mais? Hum... – ela olhou ao redor. – Nossa, aquela mulher ali. A mãe a odiava. E a Stacy está aqui também, acredita? Espero um dia quebrar a cara dela.
Stacy foi amante de nosso pai. Eu nunca tive tanta vontade de sair dali como naquele momento. Estava vendo pessoas que nunca quis encontrar novamente.
Mas Dafne ficou numa situação muito pior do que a minha, quando Dimitre esbarrou em um homem alto assim que saímos do banheiro. Ele caiu com o traseiro no chão e levantou a cabeça para o homem, irritado.
– Ei, sai da minha frente, velho chato! – exclamou Dimitre.
Mas o homem olhava para Dafne que, delicadamente, deixou a taça de vinho escorregar de seus dedos e espatifar no chão. Aquele homem, como Dimitre, tinha os cabelos ondulados e castanhos. Era Markus. Por que toda vez que nos encontrávamos eu tinha a sensação de que o mundo era menor do que um formigueiro?
– Olá, Dafne – ele disse.
– Eu vou lhe dizer onde você deveria enfiar esse olá – Dafne rosnou sem se mover.
Markus desviou o olhar para Dimitre, ainda caído no chão.
– Eu ajudo você, rapazinho. – Agachou e estendeu a mão para ajudá-lo a levantar. Mas Dimitre empurrou a mão dele.
– Não preciso de ajuda. – E se levantou sozinho. – E eu não sou rapazinho. Eu sou homem.
– Certamente você é – Markus sorria. – Todo filho meu é um homem, antes mesmo de completar sete anos. Acho que nunca fomos apresentados, não é?
Dimitre olhava para Markus com as sobrancelhas juntas, como se não entendesse porque aquele homem estava falando com ele. Markus estendeu a mão na direção de Dimitre.
– Sou seu pai. Markus.
– Vamos embora, Dimitre! – disse Dafne agarrando o pulso de Dimitre com muita força. O garoto estava tão assustado que deixou a mãe arrastá-lo para fora. Só quando eles estavam no centro do restaurante que o garoto começou a exclamar.
– Mãe, mamãe! Ele disse que é meu pai! É meu pai? Ele disse!
– Não, ele está mentindo pra você, querido. Esse homem nunca vai ser seu pai!
– Mas ele disse! Me solta, sua chata. Pai!
Dimitre se soltou de Dafne e correu em direção a Markus. Não sei o que se passava na cabeça de Dimitre, mas quando abraçou Markus, sem ter a mínima idéia de quem ele realmente era, eu achei que ele sempre quis ter um pai. Então ele não importava se era mentira. Dimitre acreditaria em qualquer um que contasse que era seu pai.
– Você cresceu tanto – exclamou Markus, correspondendo ao abraço.
Dafne olhou para mim, como se pedisse ajuda. Eu estava tão petrificada com a cena que mal reparei que Scorpius havia se afastado até a mesa em que Draco se sentava. Eu me aproximei de Dafne.
– Vocês precisam conversar – eu disse. – É o melhor que pode fazer.
Antes que ela pensasse na minha solução idiota, Markus voltou até nós, segurando Dimitre no colo. Ele tirou do bolso uma carta e entregou a Dafne.
– Não, não vamos conversar. Isso vai ser resolvido devidamente. É hora de lutarmos pelo garoto, no julgamento.
– Você não tem o direito! – gritou Dafne. – Não, você não tem! Eu sou a mãe dele! E você nem se importa e você só pensa em si mesmo e...
– Somos tão parecidos, querida – disse Markus como se sentisse pena de Dafne. – Mas esse garoto é meu filho também. Eu posso tirá-lo de você.
– Não, não pode.
– Eu tenho uma condição de vida muito melhor do que a sua – retrucou Markus. – Você tem sorte de ainda mantê-lo vivo. Mas agora eu vou fazer dele uma criança feliz.
– Seu filho da puta! Dimitre não quer você! Ele nunca vai querer você, Markus, nunca! Eu cuidei dele durante sete anos, eu dei comida a ele, eu sou uma garçonete para sustentá-lo! Eu fiz tudo o que nunca quis fazer por causa dele, e você não vai tirá-lo de mim só porque você é mais fodidamente rico!
Todos olhavam para eles agora. Inclusivo o casal que completava cinqüenta anos de casado.
– Vamos resolver isso. Apareça no julgamento ou vão tirar o garoto de você, sem muita conversa. E você me conhece. Consigo tudo o que quero.
– Nem tudo – deixei escapar, lembrando-me da mansão em que eu morava. Markus resolveu me ignorar, mas ainda havia aquele sorriso mesquinho em seu rosto. Não soube entender sua expressão... como se eu estivesse errada.
– Devolva meu filho – sibilou Dafne. Markus ainda segurava Dimitre no colo.
– Ele vai gostar de brincar com esse relógio. – Markus tirou o relógio de ouro do pulso e entregou a Dimitre que quase babou na jóia quando a pegou. Havia um sorriso tão grande em Dimitre, um sorriso que nunca vi em seu rosto. Ele escorregou o relógio pelo braço e exclamou todo alegre:
– Mãe, quero brincar com o papai! Ele me deu esse relógio que brilha!
Os lábios de Dafne tremiam.
– Traidor – disse. E eu não soube dizer se era para Markus ou para o próprio filho. – Pois brinque com seu pai, Dimitre. Eu devia ter abortado!
Ela correu para o banheiro de novo. Dimitre pareceu nem ter ligado para isso, voltou a olhar para o relógio enquanto Markus ainda sorria e prometia os melhores brinquedos para o filho. Eu fiquei encarando Markus, com desprezo. Colocou Dimitre no chão e pegou seu bracinho enquanto eles andavam juntos. Não, ele não ia tirar Dimitre de Dafne. Era inadmissível, injusto.
Eu voltei ao banheiro e vi Dafne agachada no toalete. Estava vomitando.
– Dafne – eu ofeguei, indo até ela, que tossia exageradamente. Seu rosto estava pálido e os cabelos caíam nele. Delicadamente, eu os arrastei para trás. – Você não está... não está grávida de novo, está?
Ela negou, com os olhos cerrados.
– Não... – sua voz estava rouca. – Eu não precisava vomitar.
– Então por que... – Não terminei a pergunta. Compreendi imediatamente qual era o problema dela. Achei que ela havia parado com aquilo há muito tempo, mas pelo visto ainda insistia em enfiar o dedo na garganta só para chamar atenção. – Oh, Dafne, não continue fazendo isso.
– Minha vida é uma merda, Astoria – ela falou, fraca. – Uma... merda! Meu filho me odeia.
– Não, ele não odeia...
– Odeia sim! Ele vai preferir o pai. Eu o conheço. Eu faria a mesma coisa se eu fosse ele! Markus pode dar tudo o que ele quiser...
– Você também pode...
– Mas eu tenho que me esforçar para isso, e você sabe que eu odeio me esforçar.
– Vamos, levante – eu disse com firmeza, levantando ela pelos braços. – Essa festa é muito sofisticada para ficar sentada com a cara na privada.
– Cale a boca – Dafne bufou pelo nariz. – Eu não sou mais sofisticada. Esqueci de passar delineador!
– Não importa, agora você tem que se concentrar naquilo que você quer. Dimitre só está ofuscado pelo relógio, mas ele ama você, entendeu? Ninguém tem o direito de tirar isso, muito menos Markus, que não te ajudou em nada. Tudo será considerado e ele não vai conseguir o que quer.
– Seu otimismo me irrita, Astoria.
– E o seu pessimismo me deixa muito contente – exclamei irônica. – Vomitar não vai fazer Dimitre querer você. Talvez isso até piore a situação entre vocês dois.
– Não sei o que fazer.
– Se esforce.
– Dá muito trabalho – reclamou.
– Escuta – eu segurei os braços dela com força, chacoalhando-a. – Se você não quiser perder alguém que te ama, você tem que se esforçar. E isso significa tirar o dedo da goela, ouviu?
Ela olhava para mim, intrigada. Aos poucos, soltou-se das minhas mãos e deu as costas. Mas eu ainda podia vê-la pelo reflexo do espelho.
– Às vezes – contou – eu queria ficar sozinha. Eu queria voltar a ter a vida que eu tinha. Dormia com os caras mais gostosos do mundo, sabe? Toda noite era noite de balada e festa. Eu aproveitava do dinheiro, seduzindo os caras a pagarem as coisas para mim. É tão fácil, tão simples. Tudo por causa do meu corpo. Você sabe que sempre preservei meu corpo – ela acrescentou, como se não tivesse sofrido bulimia a sua adolescência inteira. – Enfim... eu queria voltar a ser a Dafne Greene.
– Então esse é o seu sobrenome falso para todos os caras?
– Aham – ela disse. – Boa idéia, não é?
– Eu nunca ia desconfiar – disse esforçando-me para não girar os olhos.
– Olha, eu estou intrigada, entende, Astoria? Eu não quero que Dimitre queira Markus, mas tem tantas vezes que eu queria que Dimitre simplesmente...
– Não diga isso – protestei antes de ouvir a última palavra. – Não diga que quer que seu filho suma! Isso é um afronto contra todas as mães que se preocupam com suas responsabilidades. Você não usou camisinha e agora vai ter que arcar com as conseqüências para o resto da sua vida, e daí? Que vida você tinha, Dafne? Que vida? Querendo ou não, Dimitre tornou você uma pessoa melhor! Você sabe disso! E não estou dizendo como mãe, mas também como uma irmã. Sua vida erauma merda. Agora ela tem significado e se você deixar isso desaparecer... céus, ainda bem que você diz que seu sobrenome é Greene, e não Greengrass. Sinceramente, eu também nunca me orgulhei de ter você na família. E nem pense em me atacar, você sabe que é verdade, você reconhece as besteiras que você fala!
Dafne virou-se indignada. Achei que ela realmente ia me atacar, mas na verdade falou:
– Eu só ia dizer que queria que Dimitre simplesmente tivesse um pai. Você sabe, do jeito que Scorpius tem. Um pai que ama a esposa. Mas é sempre bom ouvir sermão da irmã mais nova, então suas palavras não foram totalmente desperdiçadas – acrescentou sarcasticamente, antes de sair do banheiro segurando a carta para o julgamento entre ela e Markus.
Torci por ela. Não apenas para conseguir ficar com Dimitre, mas para encontrar alguém que a ame. Acho que aquilo que menos merecemos é sempre o que mais precisamos. Depois dessa conversa, não a encontrei em nenhum lugar da festa, nem mesmo Dimitre. Eles deviam ter ido embora, mas Markus ainda perambulava pela festa e decidi ignorá-lo.
Eu achei que ia ficar zangada com Draco por ter encontrado sua "prostituta", mas acabou que aquilo não significou nada no final das contas. Aquilo era passado. Eu me aproximei da sua mesa, cumprimentei educadamente os bruxos por lá e não precisei dizer nada, pois Draco havia levantado.
– Quer ir embora? – perguntou.
– Quero. Não precisamos aturar isso até as três da manhã, precisamos?
Ele deu um sorriso de lado.
– Não, claro que não. – Pegou a minha mão e chamou Scorpius. Animado por ter que ir embora, ele pulou da cadeira. Só que ao fazer isso, sua mão enroscou na toalha da mesa e ele foi levando todos os pratos e comidas em cima dela para o chão, estrondosamente. Achei que o barulho de ouro, prata e macarrão colidindo-se contra o piso de mármore nunca fosse terminar. E, quando acabou, eu senti os olhares de todos, inclusive do casal que se agüentaram por cinqüenta anos, em nós três. Scorpius me encarou, assustado, como se perguntasse: "Eu causei isso?"
Lucius se levantou da mesa imediatamente. Scorpius se encolheu atrás de mim, achando que ia levar uma bronca, mas Lucius apenas desejou boa noite a todos e andou apressadamente até Narcisa, que já se dirigia a saída do restaurante, tentando esconder o rosto atrás da bolsa. Draco não pareceu tão desesperado assim; decidiu suspender a tensão diante daquele silêncio gélido. Na verdade, ele levantou a taça de vinho, saudando:
– Meu filho, senhores.
Voltou a andar com as mãos no bolso como se nada tivesse acontecido. Ajeitou o paletó com um certo orgulho antes de sair, rindo descaradamente. Eu estava era morrendo de vergonha, enquanto puxava Scorpius para fora do restaurante o mais rápido que eu podia.
Houve um trecho especial para os amantes de Rose e Scorpius que passam por aqui :P
Agora faltam mais dois capítulos. O próximo será o penúltimo. Aguentam?
