E

u estava me sentindo tão bem. No começo eu não entendi porque era. Mas, se aquilo fosse a morte, era muito melhor do que a vida que eu andava levando nos últimos tempos.

Havia um som muito relaxante. Não era como se uma música clássica estivesse tocando por lá, e não era nada parecido com a música das minhas bandas preferidas; mas era algo ótimo. A temperatura também estava ideal: quente, mas não do tipo que incomoda e faz suar, pois uma brisa soprava o tempo todo.

Eu estava com medo de abrir os olhos e descobrir que as coisas continuavam ruins. Eu me lembrava perfeitamente de ter sido engolido pela escuridão junto com John e os Madison e sabia que aquilo não era um bom sinal e que algo estava errado. Por mais relutante que eu estivesse, eu abri os olhos devagar para ver o que é que tinha acontecido com a gente.

Eu me encontrava deitado ao ar livre. A prova disso era que o sol forte me fez fechar os olhos imediatamente. Incomodado, eu rolei para o lado e acabei esbarrando em alguma coisa; em outra pessoa, mais especificamente. Eu teria achado que era apenas um dos caras se essa pessoa não tivesse dado uma risadinha, uma risadinha feminina. Esbugalhei os olhos porque ter uma garota ali era totalmente inesperado!

Ela riu mais uma vez ao ver meu olhar espantado. Minha visão ainda estava meio embaçada, então a imagem dela foi se formando aos poucos: primeiro eu vi o cabelo ondulado, longo e castanho, o sorriso grande e bonito e depois os olhos escuros. Em resumo: tinha uma garota linda deitada ao meu lado. Eu tinha muitas perguntas para fazer, mas a única coisa que eu consegui falar foi:

- É...Oi.

- Oi! – ela sorriu ainda mais depois disso. – Como está se sentindo?

- Nunca estive melhor! – exclamei imediatamente, mas depois tentei conter o meu entusiasmo. – Quero dizer, estou bem. Um pouco confuso, na verdade. – eu me sentei.

- Confuso por quê? – ela fez o mesmo.

- Bom, porque...Aconteceu uma coisa comigo e com uns amigos meus e eu não sei como eu vim parar aqui. Eu nem sei que lugar é este. – olhei em volta: eu estava numa praia, sentado sob uma esteira na areia, e havia uma mata atrás de mim.

- Não sei quanto aos seus amigos, mas eu encontrei você dormindo aqui mesmo. Então eu trouxe uma esteira para te deixar mais confortável.

- Hã...Obrigado. Então você mora aqui?

- Sim. O meu povo vive nessa ilha desde os tempos mais remotos.

- Uma ilha. Legal. Bem, e isso aqui é muito grande?

- Eu nunca saí daqui. Não posso fazer comparações.

- Nesse caso, acho que é melhor eu ir andando. Preciso encontrar os caras, sabe como é. – na verdade, eu precisava ficar longe daquela garota porque ela me deixava completamente desconcertado com aqueles sorrisos e a voz bonita! Não pude deixar de notar que ela lembrava muito Hannah; tanto no quesito aparência como no de comportamento também. Mas ela era mais velha do que eu; devia ter uns vinte e cinco anos.

- Não se preocupe com isso. – ela me puxou de volta quando eu tentei me levantar. – Se seus amigos também estiverem na ilha, minhas amigas vão acabar encontrando com eles. Nós dois podemos procurá-los mais tarde. – eu sabia que ela estava mentindo. Eu sabia disso porque ela realmente era muito parecida com Hannah, e quando ela disse "Nós dois podemos procurá-los mais tarde" eu tive um dèjavu do dia em que Hannah me fez entrar no chalé dela dizendo que só queria que eu ficasse mais um tempinho e no final das contas ela não me deixou sair de lá até o outro dia. Mas é óbvio que eu não achei isso ruim. Eu disse:

- Tudo bem.

Ela deu risada.

- Você tem namorada? – antes que eu respondesse, ela já emendou outra pergunta: - Ou você não gostou de mim?

- Não é nada disso, eu...

- Ou você tem medo de mim?

Aquela pergunta foi tão esquisita que eu fiquei sem reação quando ela fez com que eu deitasse outra vez e se inclinou por cima de mim, prendendo os meus braços.

- Hum...você até que é bem forte! O que você é? Um guerreiro?

- Semideus, na verdade. – eu respondi, praticamente sem fôlego com aquela beldade alisando meu peito.

- É mesmo? Filho de quem?

- Hades. – eu quase não consegui responder porque ela havia começado a beijar o meu pescoço de um jeito totalmente...uau!

- Eu sabia que você era especial! – e aí ela me beijou bem perto da boca. - Dá para ver que você é diferente dos seus amigos só de olhar.

- Espera. – eu me sentei. – Então você os viu? Você disse que não tinha visto!

- E que importância isso tem agora? – daí ela ficou tentando me beijar, mas eu me esquivei.

- Onde eles estão? – eu exigi, tentando me levantar, mas ela era forte e não deixava.

- Sabe... – por um momento ela afrouxou um pouco o aperto, então eu também parei de relutar para ir embora. – Esse é o problema de vocês homens: - de repente ela me atirou no chão com força e começou a gritar, furiosa. – tudo é mais importante do que nós! Os amigos, as festas e até mesmo as batalhas são mais importantes para vocês do que ficar ao nosso lado! E o pior de tudo são as suas traições! Vocês não se contentam em fazer apenas uma mulher sofrer; vocês precisam fazer mal a pelo menos duas! E é por isso... – ela estreitou os olhos para mim de um jeito maléfico. – que você e os seus amigos vão MORRER!

E então, de uma forma absurdamente rápida, ela sacou um punhal prateado e só não me matou logo depois porque Hector apareceu e foi mais rápido com sua espada, atingindo-a em cheio, fazendo com que ela explodisse em uma nuvem de areia.

Fiquei imóvel, só olhando a nuvem se dispersar. Precisei de um minuto inteiro para me recuperar de tudo aquilo.

- Nico, você está bem? – John, que tinha chegado junto com Hector, me perguntou.

- Acho que sim. – eu respirei fundo. – Ela era um monstro?

- Algo assim. Você já ouviu falar da ilha de Lemnos?

- Você explica no caminho John. Precisamos encontrar o Sam. – Hector saiu andando apressado.

Antes de segui-lo, eu peguei o punhal prateado do chão e o guardei. John começou a me contar a história quando eu os alcancei:

- Quando Jasão estava viajando em busca do Velocino de Ouro, ele e seus companheiros pararam na ilha de Lemnos e foram recebidos por um grupo de mulheres bonitas que queriam seduzi-los e depois matá-los.

- Por que?

- Porque elas estavam cansadas de serem traídas pelos seus maridos e decidiram matar todos os homens da ilha como forma de vingança.

- Acho que eu me lembro dessa história. Mas como viemos parar aqui?

- O lençol negro de Klaus. Os aliados de Maureen devem ter me seguido. Mas eu não sei porque eles precisaram nos mandar para cá para sermos assassinados por mulheres.

- Talvez eles não soubessem usar o lençol direito. Não tenho certeza absoluta, mas acho que o Klaus não estava com eles. – disse Hector. Ele estava uma pilha de nervos porque ainda não havia nem sinal do Sam. – Como vamos sair daqui?

- Eu sei algumas coisas sobre a Dádiva do Klaus; uma delas é que nós só podemos sair de dentro do lençol se quem o possui quiser nos tirar daqui, mas nós podemos ir para outros lugares do próprio lençol através de portas. – disse John.

- Que portas?

- Isso eu não sei. Mas com certeza há uma por aqui.

- E como vamos saber que é o que estamos procurando? – Hector quis saber.

- Provavelmente é algo que não se encaixa nesse ambiente.

Mesmo que nós estivéssemos em uma ilha, eu estava me sentindo meio claustrofóbico com a idéia de que aquilo era parte de um lençol mágico. Tínhamos concordado em não gritar o nome de Sam para não chamar a atenção das assassinas, mas isso só tornava a busca muito mais demorada. Aquele sol forte já estava me deixando meio tonto, e andar afundando na areia fofa era muito cansativo.

- Sam conhece a história da ilha de Lemnos, Hector? – perguntei. – Porque, se ele conhecer, não vai estar na mesma situação em que eu estava.

- Ele conhece. Mas só é possível se proteger do encanto dessas mulheres se estivermos comprometidos com outra garota. E ele só tem doze anos; tenho certeza de que ele ainda não pensa em garota nenhuma. É por isso que eu estou preocupado...

O que Hector disse me fez pensar um bocado: eu não sabia que Hector estava comprometido com alguém; quero dizer, todo mundo achou que ele tinha alguma coisa com a Karen Leroy e ele ficou mesmo deprimido quando descobriu que ela estava do lado de Maureen, mas ele nunca comentou nada. E eu também não sabia que John tinha namorada; mas era aceitável não saber disso porque o John era a pessoa mais focada na missão e nunca falava sobre qualquer outra coisa. Aparentemente, eu era o único do grupo que era incapaz de parar de pensar na ex-namorada, se é que eu podia chamar Hannah disso. Mas, do jeito que Hector falou, deu a entender que ele e John não tiveram problemas em dispensar aquelas mulheres porque estavam altamente comprometidos com suas respectivas namoradas; ao contrário de mim que quase morri porque não consegui resistir ao charme da assassina. Isso significava que eu não estava tão emocionalmente comprometido com Hannah como eu achei que estava?

Comentei isso com eles e Hector me respondeu:

- Mas você estava resistindo, pelo menos no final. Se você tivesse se entregado completamente já estaria morto muito antes de a gente chegar. Você resistiu porque se lembrou da Hannah.

É verdade que eu pensei em Hannah o tempo todo, mas mais porque a mulher era muito parecida com ela. E o que me fez voltar à razão foi o fato de ela ter confessado sua mentira a respeito dos meus amigos, mesmo sem querer. Eu estava cheio de perguntas para fazer, mas Hector não estava com cara de quem estava no seu melhor momento para me dar conselhos amorosos. Então eu deixei para lá e nós continuamos andando por dentro da mata em busca de Sam.

- Eu tive uma idéia. – John declarou depois de algum tempo de busca. – Vamos procurar o cemitério.

- O quê? – Hector ficou branco feito osso.

- Só estou dizendo que é lá que pode estar a tal "porta". E...sei lá. – John com certeza ia sugerir que Sam podia estar lá também, mas a cara de Hector o impediu de continuar.

Encontramos o cemitério perto da praia. Nos aproximamos, cautelosos, e o fato de não haver nenhuma mulher lá meio que serviu para acalmar Hector, já que isso significava que elas não haviam conseguido matar nenhum homem recentemente, então não estavam ali para "celebrar" nenhum funeral. Mas, por outro lado, também continuávamos sem nenhuma pista de onde Sam poderia estar. Começamos a sugerir várias coisas, tipo que ele poderia ter sido mandado para outro lugar. Até que, no meio do falatório, John disse "Silêncio!". E nós ficamos quietos enquanto John olhava em volta com atenção. Até que ele suspirou de alívio e disse:

- Ele está ali! – e correu por entre os túmulos enquanto os seguíamos.

Sam estava sentado olhando fixamente para um dos túmulos. Estava tão concentrado que demorou um pouco até ele se dar conta da nossa presença.

- Ah, oi, galera!

- Sam! – Hector o abraçou aliviado. – Você está bem? Não encontraram você, encontraram?

- Quem me encontrou? – Sam perguntou, de um jeito inocente.

- As assassinas da ilha de Lemnos!

- Ilha de Lemnos? Então é aqui que nós estamos? – ele se levantou e olhou ao redor.

- É. Por que ficou aqui no cemitério?

John respondeu no lugar dele:

- Aparentemente ele ficou muito fascinado com a nossa "porta".

Ninguém entendeu nada, então fomos ver de perto o que é que John estava olhando: uma TV de plasma grandona bem ali no meio dos túmulos!

- Isso não devia estar aqui. – estranhei.

- Exatamente. É a nossa porta. Como eu disse, é algo que não se encaixa. – John explicou.

- É a TV mais esquisita que eu já vi. – disse Sam. – Os canais são todos estranhos.

John deu risada.

- Muito bem, Sam. Depois eu explico tudo a você. Mas agora você precisa nos dizer como isso aqui funciona.

O que Sam chamou de esquisito eram os "canais", que na verdade eram os lugares para os quais podíamos ir. Nenhum deles me pareceu atrativo: eram vulcões, oceanos com tempestades e outros lugares mortais. Ficamos um tempão apertando os botões da TV, mas nada acontecia. Já estava escurecendo quando Hector decidiu que era melhor passarmos a noite ali e tentaríamos outra vez pela manhã.

Nós montamos uma espécie de acampamento nas proximidades do cemitério; isso porque John ficava indo até a TV de plasma a cada meia hora para tentar nos tirar daquele lugar. Fizemos uma fogueira e jantamos biscoitos Oreo. Hector ficou furioso com Sam por ele ter trazido só biscoitos para a viagem, mas eu não achei tão ruim assim. Ficamos conversando, já que parecia que ninguém estava com sono a ponto de termos que escolher alguém para ficar de vigia. John nos disse que foi perseguido pelos aliados de Maureen praticamente desde que nós o deixamos, e por isso ele não pôde colocar nada do que ele tinha em mente em prática. Até o outro dia quando Quíron mandou uma mensagem de Íris para ele contando sobre o seqüestro de Percy e sobre o que havíamos descoberto. Foi quando ele veio até nós para nos dizer qual é o próximo passo.

- E qual é? – eu quis saber.

- Lembra que eu te contei a respeito das outras pessoas que estavam trabalhando junto com a gente? Bom, nós devíamos nos reunir com esse pessoal em algum lugar para decidir isso.

- Então deve ter sido para nos impedir de encontrar com eles que nós fomos mandados para cá. – Hector adivinhou.

- Provavelmente. E acho que, se ainda não pegaram os outros, vão pegar muito em breve.

Esse pensamento "feliz" fez com que a conversa morresse logo. John e Sam foram testar a TV mais uma vez e eu fiquei sozinho com Hector. Era engraçado como aquela missão havia nos aproximado. Antes eu e Hector nunca trocávamos mais que duas palavras no acampamento e, com o passar do tempo, ele só olhava para a minha cara e perguntava:

- Está preocupado com o quê?

Eu só me dei conta de que estava pensativo demais quando ele falou.

- Com um monte de coisas. – eu disse.

Outra prova de que nós já nos conhecíamos bem demais era que ele não disse "Ah, eu sei. Também estou preocupado com a missão."; ele disse:

- O que foi que Eve disse a você no acampamento?

- Não foi exatamente o que ela disse; foi mais...o comportamento dela.

- Como assim?

- É que Eve nunca foi de chorar. E ultimamente ela tem chorado o tempo todo. Ela me contou que estava preocupada com Hannah e que se sentia inútil ali no acampamento. Não duvido disso, mas eu sei que tem mais alguma coisa perturbando ela.

- Ela me pareceu bem diferente. Em todos os aspectos.

De fato, Eve tinha mudado. E em pouquíssimo tempo, inclusive. Eu reparei que ela havia deixado o cabelo mais curto (antes ele ia até a cintura). Mas também não pude deixar de notar que ela deu uma...como posso dizer?Uma "encorpada"? Pois é, ela não parecia mais uma pirralha. Era muito estranho para mim até mesmo pensar no assunto, mas Eve tinha ficado muito bonita mesmo! Quero dizer, ela sempre foi bonitinha com os olhos verdes e as sardas e o cabelo escuro, mas naquele momento era como se eu tivesse começado a reparar nela como garota.

- É...Acho que ela está crescendo. – Hector falou, por fim. – Ouvi dizer que as garotas ficam muito sensíveis nessa fase.

- Acho que é verdade. Deve ser por isso que ela ficou tão chateada por você ter meio que ignorado ela.

- Foi sem querer. Eu fiquei nervoso. – achei que ele estava ficando nervoso outra vez naquele instante.

- Por que?

- Hã...Por nada. Mas, se liga, Quíron me disse umas coisas sobre Hannah também.

- O que ele disse?

- Que ela estava agindo de maneira estranha. Sabe, primeiro ela ficou completamente debilitada por causa da doença misteriosa e de repente ela se curou e começou a mandar super bem nas atividades do acampamento. Eu contei a ele que havia dado umas aulas para ela, mas ele disse que não eram as táticas que eram estranhas, mas sim a força que ela havia adquirido de uma hora para outra. Você sabe do que eu estou falando, Nico: Hannah sempre foi frágil. Ela era ótima no arco e flecha, mas qualquer um era melhor do que ela em combates diretos.

- Eu sei. Isso é mesmo muito estranho.

- Quíron também me disse que Argos a encontrou perambulando pela floresta sozinha diversas vezes.

Eu imaginava o que ela estava fazendo: seguindo a bússola que encontrou na caixa que Tobey deixou para ela. Mas eu não disse isso ao Hector.

- O mais preocupante é que as barreiras do acampamento têm sido ultrapassadas ultimamente. E Quíron desconfia de que Hannah esteja se comunicando com algum espião de Maureen...

- Não me diga que... – eu fiquei sem ar. – Tobey?

- Calma. Ele não tem certeza de nada, é só uma suposição. Mas convenhamos que isso explicaria os passeios pelo bosque.

- Isso não é possível, Hector. – tentei fazer minha voz soar confiante, mas eu estava tremendo. – Hannah não seria tão ingênua.

- Não acho que seja por ingenuidade. Talvez ela simplesmente não conheça a gravidade da situação, porque eu sei que Quíron relata muito pouco aos campistas por medo de que os espiões descubram.

Hector não disse mais nada. Mas eu sabia que ele queria falar por causa da sua testa franzida e sua boca apertada.

- O que foi? Em que você está pensando? – eu exigi.

- É uma besteira.

- Mas eu quero saber.

Ele pensou um pouco e depois disse:

- Você sabe que eu nunca aceitei o que você fez com Hannah; sabe que eu acho que o mais correto seria ter dito a verdade a ela.

- Sim?

- Acho que ter sido magoada duas vezes seguidas foi mais do que ela podia suportar. Eu não acharia impossível se ela tivesse mudado de lado.

- O quê? – aquela foi a coisa mais idiota que eu escutei nos últimos tempos. – Hector, acorda: Maureen foi terrível com Hannah a vida toda. Hannah jamais se juntaria a ela.

- Claro que não. Mas nem todos que seguem Maureen estão de acordo com tudo que ela pensa, Nico. Existem vertentes.

- Isso é ridículo! Hannah não destruiria os deuses só porque foi dispensada por dois caras.

- Nico, você sabe tão bem quanto eu que Hannah passou por muitas coisas mesmo antes de chegar ao acampamento. Na verdade, ela foi obrigada a ir para lá quando o pai dela foi morto por um gigante. Eu não me surpreenderia se ela estivesse cheia disso tudo.

Foi aí que eu comecei a entender onde Hector queria chegar. Não era como se Hannah fosse se juntar a Maureen e começar a chicotear Percy e Thalia enquanto eles esfregavam o chão; mas ela podia simplesmente...esquecer que tudo isso existia. Tipo, fugir. Eu não tinha argumentos para contestá-lo. Acho que Hector percebeu que eu havia entendido porque não disse mais nada e pegou no sono.