N
ós caímos pesadamente sob um chão de pedras. Estávamos todos tão exaustos que ficamos deitados ali mesmo por algum tempo. Sam perguntou, olhando ao redor:- Cadê o Sínis?
- Não se preocupe com ele; deve ter ido para qualquer lugar e as Fúrias o capturaram. – eu respondi. – Hades não permitiria que ele escapasse da punição.
- Então você sabia o tempo todo que ele não poderia sair daquele lugar? – John perguntou, surpreso.
- Eu suspeitava.
- Muito esperto, Nico!
- Como está se sentindo, Hector? – perguntei.
- Eu vou ficar bem. – ele se levantou com dificuldade. – Só espero que, seja lá que tipo de coisa queira nos matar agora, demore para chegar para que a gente possa descansar um pouco.
- Apoiado. – me levantei também e observei o novo lugar para o qual havíamos sido enviados.
Parecia uma espécie de clareira, com uma casinha, bancos e uma fonte, tudo de pedra cinzenta. Em volta, só plantas.
- Não parece o tipo de lugar que abriga monstros. – disse Sam.
- Mesmo assim. Vamos dar uma olhada na casa e dormir em turnos para evitar qualquer surpresa. – John determinou.
A casa era bem aconchegante, apesar de muito pequena. Havia um banheiro e um armário com comida na cozinha. Nós nos instalamos e jogamos nossos sacos de dormir ali na sala. Hector pegou no sono imediatamente. John e Sam ficaram acordados tentando encontrar uma maneira de nos tirar de dentro do lençol negro; eu até ouvi as primeiras coisas que eles disseram, mas minha cabeça estava uma bagunça, eu não conseguia me concentrar em um único pensamento.
Saí da casa para tomar um pouco de ar fresco. Eu estava com uma sensação muito ruim; não tinha a menor idéia do que poderia ser, mas parecia que alguém estava me chamando insistentemente ou algo assim. Eu não escutava nenhuma voz, era apenas uma sensação. Fiquei andando pelo bosque em volta da casa na esperança de que um pouco de contato com a natureza fizesse com que eu me sentisse melhor, mas eu só fui piorando com o passar do tempo: fiquei tonto e fui tomado por uma dor de cabeça insuportável.
Cambaleei de volta para a casa, mas precisei me sentar na beira da fonte para não cair. Assim que eu me sentei, ouvi a voz de uma mulher dizendo "Por favor, deposite um dracma.". Aquilo só podia ser brincadeira! Mensagem de Íris a cobrar num momento como aquele?! Joguei a porcaria do dracma na fonte só para descobrir quem tinha tanta cara-de-pau para fazer esse tipo de coisa.
Quando a água começou a ganhar cores na minha frente e eu estava pronto para começar a xingar a pessoa, eu me detive porque quem apareceu foi Eve e Hannah. Elas estavam andando pela floresta do acampamento. Eve estava puxando Hannah pela mão.
- O que é que você quer tanto me mostrar, Eve? – Hannah estava aborrecida. – Já está escurecendo e eu não estou a fim de ficar enfrentando monstros hoje.
Eve parou e se virou para Hannah.
- Hannah, você confia plenamente em mim? – ela perguntou, bem séria.
- É claro que sim.
- Então, por favor, ouça o que ele tem a dizer. – implorou.
- Ele quem?
- Eu sei que isso vai ser muito difícil para você, mas lembre-se de que você confia em mim, e eu nunca faria nada de mau para você.
- Eve. Você está me assustando.
- Não tenha medo. Vamos. – ela pegou a mão de Hannah outra vez e a conduziu para um lugar que eu conhecia muito bem.
As duas subiram em direção à beira do desfiladeiro e, conforme subiam, eu pude ver uma pessoa de costas para elas. Um cara, para ser mais exato. Mais precisamente ainda...
- Eve! – Hannah arfou e lutou para se desvencilhar de Eve. – O que isso significa?Por que você me trouxe até aqui?Como você pôde confiar nele?!
- Apenas confie em mim, certo? Vá até lá. – enquanto Hannah estava prestes a entrar em colapso, Eve estava absurdamente calma.
Hannah caminhou devagar e relutantemente até onde ele estava. Ela se virava para Eve o tempo todo. Ela parou a um metro de distância dele, respirou bem fundo, como se estivesse reunindo coragem, e finalmente disse:
- O que você está fazendo aqui?
Tobey ficou de frente para ela. E quando eles se olharam...Caramba! Havia tantos sentimentos diferentes misturados entre aqueles dois que ficava impossível determinar a expressão inicial de cada um.
- Eu preciso esclarecer algumas coisas. – ele respondeu.
- Eu não acho que o fato de você ter se juntado a um grupo de semideuses que matam os outros para conseguir uns itens mágicos estúpidos exija muitos esclarecimentos. Você é cruel, simplesmente. – disse Hannah, cheia de desdém.
- É verdade que o fato de eu ter me juntado à Maureen no início faz de mim cruel, como você disse, e também mais um monte de coisas. Mas eu nunca estive cem por cento ao lado dela.
- Sei. Você era um agente duplo.
- Nunca deixei de ser. Mas...
- Não venha me falar das coisas que você fez para nos ajudar. – Hannah falou, enojada. – Eu nãoconfio em agentes duplos; eu nem mesmo acredito nessa coisa de agentes duplos. Está perdendo seu tempo se veio aqui para tentar me convencer de que você está mais voltado para o nosso lado. Ninguém aqui precisa de você! – ela deu as costas para ir embora, mas ele segurou o braço dela.
- Não vim aqui para convencer você de que eu estou mais voltado para o seu lado. Vim aqui para dizer que eu escolhi o seulado. – Tobey soou diferente. Não era como antes quando tudo que ele dizia vinha em tom de implicância; naquele momento ele soou firme.
Hannah, que antes estava arisca, ficou completamente mansa depois do posicionamento de Tobey. Ela abaixou a cabeça e, lentamente, tirou a mão dele do seu braço.
- Já faz algum tempo que eu fiz essa escolha. – ele continuou. – Mas eu não podia, ou melhor, não posso chamar atenção. Eve me ajudou nos últimos tempos.
Eles olharam para Eve, encostada em uma árvore, longe deles.
- Ajudou em quê? – Hannah perguntou.
- A proteger você, principalmente. Você já deve saber que Maureen quer te capturar; e ela queria que eu fizesse isso. Na verdade, ela acha que eu vim aqui hoje para fazer isso.
Hannah o encarou, apreensiva.
- Ela mandou outros antes de mim, mas eu consegui afastar você quando eles estavam por aqui. Com isto. – ele tirou uma coisinha roxa do tamanho de um Pager do bolso.
- Não me diga que... – Hannah tirou a bússola roxa do seu próprio bolso, perplexa. – era para isso que essa bússola servia!
- Acertou. Eu sabia quando os asseclas da Maureen vinham e eu te guiava para longe deles com esse controle.
- Ah... – Hannah conseguiu dizer. O que já era muito, porque eu acho que estava um pouco menos chocado do que ela e mesmo assim não tinha palavras.
- Eu sei que é tarde para voltar, Hannah, mas eu passei esse tempo todo tentando encontrar uma forma de enfraquecer Maureen. Ela sempre desconfiou da minha lealdade e eu apareci só agora porque eu não posso mais inventar desculpas para ela. Eu cheguei ao meu limite, mas tem mais gente me ajudando e eles vão ajudar vocês também.
- Quem são essas pessoas?
- Não posso dizer. É arriscado. Tenho certeza de que Maureen deu um jeito de me observar agora.
- Bom...E o que você vai fazer daqui pra frente? Vai se esconder dela?
- Quanto a isso eu... – Tobey hesitou por alguns segundos. Ele pareceu triste, mas passou logo. – Eu vou fazer algo que vai salvar a vida de uma pessoa. É o mínimo que eu posso fazer por você depois do que eu lhe causei.
- Então...é da minha vida que você está falando? Eu vou...morrer? – Hannah ficou pálida.
- Espero que não, Hannah. Mas, se algo acontecer com você, você estará salva. E se não for você, você vai poder salvar outra pessoa.
- Eu não entendo.
- Essa coisa de "salvar uma vida"? Você vai entender depois, não se preocupe.
- Não é isso. Eu não entendo por quê você mudou de lado. Achei que você gostasse da Maureen.
- Você quer saber a verdade?
- Claro que sim.
- Eu mudei de lado duas vezes. Na primeira foi porque eu pensei que você gostava do Di Angelo; e na segunda foi porque eu descobri que eu gosto de você. Ou melhor, que eu am...
- Não diga isso! – Hannah ficou furiosa de repente.
- Por que não? – Tobey se surpreendeu com a reação dela.
- Porque eu não quero mais sofrer por sua causa ou por causa do Nico. Vocês já causaram estragos demais na minha vida. – Hannah desviou o olhar dele e ficou encarando o horizonte. Eu sabia que quando ela fazia isso era porque estava tentando segurar as lágrimas.
Tobey deu um tempo e depois disse:
- Acho que você tem razão. Sinto muito pelo que aconteceu com a gente. Sei que foi tudo culpa minha e eu juro que entendo porque você quis ficar com o Di Angelo. Eu fui muito idiota com você.
Ela olhou para ele e apenas assentiu de leve.
- Eu preciso ir, Hannah. Fique com isso. – ele lhe entregou o controle da bússola.
- Mas...
- Não vou mais poder ajudar você e isso não pode cair em mãos erradas, então destrua os dois imediatamente. E a partir de agora tome muito cuidado no acampamento. Maureen não vai descansar até conseguir capturar você. Não fique perambulando sozinha por aí e peça proteção ao Quíron; e, principalmente, não confie muito em ninguém. Eve é a sua verdadeira aliada aqui dentro.
- Ok. – Hannah apenas assentia, assustada.
- Espero que eu não tenha me esquecido de nada. – ele refletiu um pouco.
- Tobey?
- O quê?
- Quando a gente vai se ver de novo?
- Eu...eu não sei. – a pergunta o deixou desconfortável. – Eu preciso mesmo ir embora. Se cuida, Hannah. – ele deu um beijo rápido na bochecha dela e foi andando até a beira do desfiladeiro.
Hannah fez menção de se virar e ir encontrar com Eve, mas mudou de idéia e falou com Tobey:
- Mas você vai voltar, não vai? – ela teve que falar um pouco mais alto porque ele já estava longe, desdobrando o lençol negro de Klaus.
Ele não respondeu. Apenas lançou um olhar triste para ela.
- Tobey...! Não faça nada estúpido! – ela ameaçou, com as lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Tobey estava prestes a deixar o lençol negro cair sobre ele, mas Hannah foi mais rápida e chegou até ele em um piscar de olhos. Foi tudo tão rápido que eu não pude ver quem tomou a iniciativa, mas o negócio é que rolou um beijo.
Eles se separaram logo e se encararam, muitíssimo surpresos.
- Tem que ter outro jeito... – disse Hannah.
Ele a envolveu e a beijou. Sabe, uma coisa era ver Tobey e Hannah se agarrando enquanto eles ainda namoravam e ela nem se dava conta da minha existência; nesse caso eu podia simplesmente não olhar para eles e ir embora. Outra coisa era vê-los se agarrando depois eu ter terminado com ela contra a minha vontade e depois de ele tê-la traído com Maureen; aquilo parecia tão errado e eu não podia interromper a mensagem porque era mais uma daquelas misteriosas, sem remetente, e que Hector havia dito que eram importantes. Acontece que Hannah nunca me beijou daquele jeito. Eu sei que nós passamos pouco tempo juntos e que não dava para ter tanta intimidade assim, mas eu estava morrendo de inveja de Tobey. A coisa estava tão intensa que Eve estava olhando para eles de olhos arregalados e queixo caído. Bem, acho que ela não esperava que isso fosse acontecer quando levou Hannah até Tobey.
- Não tem outro jeito. – Tobey interrompeu o beijo subitamente e se afastou para ser transportado pelo lençol negro.
- Tobey, não... – Hannah estava chorando muito, ainda o segurando pelo pulso.
Eve veio e tentou afastá-la delicadamente.
- Vamos, Hannah.
- Não faça isso... – ela pediu ao Tobey.
Ele deu mais um beijo nela e disse:
- Preciso fazer. Porque eu te amo. – e foi levado pelo lençol.
Hannah desabou de joelhos no chão e abraçou Eve enquanto se acabava em lágrimas.
O meu mal estar passou. A mensagem de Íris se desfez. E eu não conseguia sair dali. Porque eu estava tendo muita dificuldade para absorver tudo que eu vi: Tobey dizendo que era fiel a nós, Eve tendo ajudado ele há sabe-se lá quanto tempo, o lençol negro de Klaus, o beijo. Minha mente estava tentando se estabilizar para que eu pudesse juntar todas as peças e assim conseguir respostas para a maioria das perguntas que estiveram me atormentando nas últimas semanas. Antes disso, Sam apareceu ao meu lado:
- John teve uma idéia. Ele está te chamando lá dentro.
Demorei um minuto inteiro para processar o que Sam havia dito.
- Hã...Certo.
- Você está bem? – Sam me olhou como se de repente meu cabelo tivesse ficado verde ou coisa parecida.
- Não...Aconteceu uma coisa... – e aí eu tentei contar uma versão resumida do que eu tinha visto, mas eu ainda estava confuso, então Sam não entendeu quase nada.
- É melhor você entrar e se acalmar um pouco e depois você explica isso direito.
Eu me levantei e já estava indo em direção à casa quando Sam exclamou:
- O que é aquilo?!
Me virei para ver o que era e tudo que eu pude ver foi uma abertura do tamanho de um espelho, bem ali no meio da paisagem. Hector pôs a cabeça para fora da janela no mesmo instante, querendo saber se estava tudo bem, e quando ele viu aquela coisa estranha do lado de fora ele chamou John, aflito. Tudo isso aconteceu em alguns segundos, porque Sam e eu fomos sugados por aquilo e logo não estávamos mais naquela clareira.
Pela segunda vez naquele dia nós ficamos contundidos por cair no asfalto. Só que eu não tive tempo para ficar deitado me recuperando porque eu vi logo a faixa branca ao meu lado: nós estávamos no meio de uma pista! Peguei Sam pela camisa e o arrastei até a calçada, correndo.
- Meus deuses! O que foi?! – ele me empurrou, provavelmente assustado com o meu ataque.
Foi um ataque desnecessário: não havia carro nenhum passando por ali. Na verdade, não havia pessoas nem mesmo pássaros ou cachorros de rua. O lugar estava completamente deserto.
- Eu conheço esse lugar... – era estranho vê-lo sem nenhum carro passando ou sem pessoas andando pelas calçadas, mas era mesmo o que eu estava pensando – É o centro de Los Angeles!
- Parece mesmo com Los Angeles. Mas por que não tem ninguém aqui?
- Estou com um pressentimento horrível. Vamos sair daqui.
- Como?!
Não havia sinal de Hector e John e aquilo me preocupava muito. Eram sempre eles que tinham idéias. Infelizmente, nossa solidão durou pouco tempo. Grandes rochas pontiagudas começaram a brotar do chão, não nos atingindo por muito pouco. Quando eu e Sam desabamos tentando recuperar o fôlego, alguém começou a rir muito.
- Divertido, não? É apenas uma das muitas coisinhas que eu andei praticando desde o nosso último encontro. – Raphael Young estava de pé sobre uma espécie de trincheira feita de pedras.
- O que é que você quer? – perguntei.
- Advinha? Maureen me deixou encarregado de capturar você!
- Hum, boa sorte tentando.
- E o detalhe é que ela não ficou toda: "Eu o quero vivo, então não o machuque tanto.". Ela disse que eu posso machucar você o quanto eu quiser. Eu posso até deixar você com uns membros faltando.
- Como eu disse: boa sorte tentando.
Ele me fuzilou com o olhar e estalou os dedos. Imediatamente, as vigas dos edifícios a nossa volta se soltaram e vieram na nossa direção como se fossem lanças, e junto com elas também veio vidro. Nós corremos, escapando precariamente de sermos atingidos pelas vigas, mas sendo bastante atingidos pelos cacos de vidro.
- Vocês querem um conselho? Desistam agora. De qualquer forma, eu ainda preciso que você esteja vivo quando for entregá-lo à Maureen; e vai ser complicado fazer isso se eu for te mostrar o que mais eu aprendi.
- Desça aqui e me enfrente, seu covarde!
- Esse tipo de apelação não funciona comigo, filho de Hades. Eu reconheço as minhas deficiências e, principalmente, aquilo em que eu sou bom. E é claro que eu vou sempre usar o que eu tenho de melhor.
- Que seja. Aliás, valeu pelo conselho. Acabei de me lembrar que eu também sou bom em mandar otários como você para o mundo inferior.
- Está falando dos seus "poderes"? – ele riu em zombaria. – Que eu saiba você nem consegue controlá-los.
- Observe. – só precisei me focar em certos pontos da trincheira e várias fendas se abriram sucessivamente, até Raphael não ter mais espaço e cair no chão.
Ele resmungou um palavrão e se levantou meio tonto. Ele me encarou furioso; finalmente estava levando aquilo a sério. Não disse mais nada, apenas fez um gesto de erguer e uma nova trincheira se formou sob os seus pés. Eu não perdi tempo e criei uma grande fenda que foi partindo ao meio todo o espaço entre nós e estava prestes a acabar com a nova trincheira de Raphael quando algo fez com que sua extremidade explodisse e ela não se expandiu mais.
- Finalmente! – Raphael se queixou para alguém que estava oculto na fumaça da explosão.
Eu não sei exatamente o que eu senti quando a fumaça se dissipou e eu pude ver com quem Raphael estava falando. Há poucos minutos atrás eu teria me enchido de ódio, mas depois de ouvir o que Tobey disse à Hannah eu fiquei apenas esperando o que iria acontecer.
Tobey estava de pé sobre uma pilha de destroços, com o seu arco e suas flechas especiais. Foi ele quem atirou na fenda que eu criei. Se não fosse por isso, acho que eu teria acreditado de imediato que ele estava ali para nos ajudar a derrotar Raphael. Mas eu fiquei desconfiado porque Raphael estava bem ao lado dele; Tobey podia acabar com isso se apenas pegasse sua espada e esticasse o braço, mas ele continuava me encarando seriamente.
Eu estava tão atordoado que não me mexi quando Tobey puxou uma flecha de sua aljava, pôs no arco, mirou em mim e atirou. Eu só despertei desse transe quando Sam gritou:
- Nico, cuidado! – e se jogou em cima de mim fazendo com que nós dois caíssemos. Mas só isso não teria nos salvado; o que nos protegeu foi o muro de pedra que surgiu diante de nós e absorveu o impacto na explosão.
Cobri o rosto para me proteger das pedras que choveram em cima de nós. Quando as coisas se estabilizaram, eu me sentei e dei de cara com um Sam muito perplexo.
- Eu...eu... – ele balbuciou, tremendo.
Estávamos escondidos por trás do que restou do muro; Tobey e Raphael deviam achar que estávamos apagados. Eu puxei Sam para um beco e disse:
- Isso tudo está muito esquisito. Raphael acabou de nos proteger ou o quê?
- Nico, eu...Eu não acho que foi aquele cara que levantou o muro... – eu não entendia porquê Sam estava tão chocado.
- O que você quer dizer?
- A-acho...acho que fui eu...
Foi a minha vez de ficar perplexo. Eu só o encarei, esperando uma explicação.
- Eu sabia que a flecha ia nos atingir em cheio e eu...apenas desejei muito que houvesse algo no caminho. Talvez eu tenha feito isso. Aquele cara é meu irmão, não é? Ele é filho de Ares também. E se eu puder fazer o que ele faz?
Eu não podia me dar ao luxo de filosofar no meio de uma batalha, mas sugeri:
- O que Raphael faz é uma Dádiva, Sam. Um tipo diferente de Dádiva. Eu não sei se dois semideuses, mesmo sendo irmãos, podem receber a mesma Dádiva.
- De qualquer maneira... – uma outra flecha explodiu bem perto de nós. Eles haviam nos encontrado. – Precisamos fazer alguma coisa!
Se fosse Hector ou John, eu diria logo: vamos nos separar. Mas, apesar de o Sam ser um ótimo guerreiro, eu não me sentia seguro em deixá-lo lutar sozinho com aqueles caras; porque eu me sentia responsável por ele e Hector me mataria se algo acontecesse. Por outro lado, que escolha eu tinha? Não estava parecendo que íamos conseguir sair dali sem que houvesse um vencedor na luta e eu não ia conseguir dar conta de Raphael e Tobey ao mesmo tempo.
- Escolha um deles, Sam. Nós vamos ter que dividir.
- Fique com o Tobey. Dê uma lição naquele grande falso! Bem que eu gostaria de esfregar o chão com a cara dele por ter mentido para Hannah, mas acho que a melhor maneira de acabar com o Raphael é fazendo ele provar do próprio veneno!
Uau! Quero dizer...uau! Eu sempre achei Sam muito menos agressivo que os seus outros irmãos de Ares, mas naquele momento ele demonstrou tanta confiança que eu nem hesitei:
- Ok. Tome cuidado. – e saí do beco em direção ao Tobey.
Raphael fez surgir um tipo de jaula ao nosso redor assim que aparecemos. Os blocos de pedra foram se aproximando uns dos outros, mas Sam impediu que ficássemos presos quando afastou os braços e assim mandou os blocos para longe, inclusive lançando um deles na trincheira de Raphael. Ele se atirou para a outra extremidade para não ser atingido. Eu quase dei risada diante da cara de surpresa dele, mas Tobey agiu rápido e mandou uma flecha na nossa direção. Eu segurei o braço de Sam e nos tirei do caminho viajando pelas sombras.
- Garoto, acho que você vai mesmo ter que lidar com ele sozinho. – eu disse.
Vi quando Sam avançou para Raphael, mas não prestei atenção ao que aconteceu depois porque eu fiquei cara a cara com Tobey Grant. Não sei como eu pude ser tão estúpido a ponto de acreditar, mesmo que apenas por alguns minutos, que ele iria mudar depois de tantos anos sendo um imbecil; mas olhar para ele depois de tudo que aconteceu fazia com que eu me sentisse mais forte. Finalmente eu havia percebido que o meu pai me disse a verdade naquele sonho: eu era movido pelo ódio. E não era apenas o ódio por Tobey Grant; era o ódio por Raphael e Sam, dois irmãos, estarem numa batalha mortal; ódio por Maureen e sua ambição sem limites pelo poder; ódio por Eve, que sempre foi tão esperta, ter ajudado Tobey; ódio por Hannah nem mesmo ter sido forte para suspeitar mais dele e por ter sentido a falta dele provavelmente durante todo o tempo em que esteve comigo; por fim, eu sentia ódio dos deuses por eles deixarem o futuro de sua própria existência unicamente nas mãos de nós semideuses: mais fracos, mais vulneráveis e, acima de tudo, humanos. Foram todos esses pensamentos que me deixaram cheio de energia; eu me sentia capaz de qualquer coisa.
- Sabe, Grant, eu sempre esperei golpes baixos de você. Mas ter mentido tão descaradamente para Hannah foi cruel demais até para você.
Ele não disse uma palavra e investiu contra mim com sua espada. Tobey havia melhorado muito como espadachim desde que nos vimos pela última vez; ele estava quase tão ágil quanto Hector. Mas eu também estava melhor: meus golpes estavam mais certeiros e potentes. A luta ficou de igual para igual; revidávamos todos os ataques e ninguém estava dando sinal de que ia cair tão cedo. Resolvi ser o primeiro a ousar e abri pequenas fendas no chão, mas Tobey desviou de todas elas. Como resposta ele mandou duas flechas seguidas; não me acertou, mas destruiu vários prédios de um lado da rua. Eu estava torcendo para que aquela cidade fosse só uma ilusão do lençol negro de Klaus; não tinha como Maureen ter conseguido esvaziar a cidade de Los Angeles inteira só para servir de campo de batalha! O negócio é que a devastação que nós quatro estávamos provocando era absurda!
A luta de Sam e Raphael não estava tão equilibrada como a nossa: depois que o susto inicial passou, Raphael começou a achar empolgante a idéia de medir forças com alguém igual a ele; e Sam, por ainda não ter muita noção da extensão dos seus poderes, não estava se virando tão bem assim. Eu o vi saindo de baixo de uma pilha de tijolos e cogitei em interferir, mas aí dei uma boa olhada em Raphael e vi que ele tinha um talho gigantesco no braço e estava guardando sua espada, o que significava que Sam havia conseguido chegar até ele e combatê-lo diretamente; ele estava fazendo a coisa certa, então eu dei um voto de confiança.
Tobey sacou mais uma flecha, mas eu convoquei quatro esqueletos para me ajudar. Eu queria que eles se livrassem daquelas malditas flechas. Eles cercaram Tobey e um deles conseguiu jogar a aljava dele longe, enquanto os outros três foram destruídos por um único arranhão de uma flecha. Isso não adiantou muita coisa porque Tobey conseguiu ficar com quase todas as suas flechas na mão. Mas, por outro lado, o fato de ele ter que ficar carregando as flechas o deixava praticamente impossibilitado de lutar com sua espada. Porém ele era muito esperto e não me deu oportunidade de tentar um ataque próximo, foi logo mandando flechas para todo lado. As explosões foram tantas que eu não tive escolha a não ser correr e tentar me proteger. Sam também ficou acuado e veio para perto de mim, erguendo muros ao nosso redor. Quando Tobey não nos viu mais, ele parou de atacar.
Sam se esgueirou pelos escombros, provavelmente tentando chegar perto de Raphael. Experimentei essa coisa de ataque sutil e localizei Tobey através da poeira. Procurei me aproximar o máximo possível sem ser notado e, quando achei que a distância estava boa, fiz com que uma onda de terra engolisse Tobey. Eu estava quase me vangloriando por aquele ataque infalível quando uma grande rocha veio voando e explodiu bem perto de mim. Eu me deitei no chão, me protegendo precariamente dos pedaços, e quando olhei para cima vi Tobey, intacto, mirando mais uma flecha em mim. Mandei outra onda para cima dele, mais como distração para eu fugir do que como um ataque. Ele escapou, mas eu aproveitei as rochas que ficavam voando da batalha de Sam e Raphael e mandei todas para cima de Tobey, sem parar. Ficamos um bom tempo fugindo dos fragmentos, até que Tobey soltou um gemido de dor. Por mais que eu fosse contra atacar alguém que estava caído, eu simplesmente não ia deixar isso me impedir de fazer o que era certo e necessário.
Caminhei até onde Tobey estava sentado, pressionando a perna devido a um grande corte. Ele não tinha mais nenhuma flecha; a única que havia restado estava na aljava jogada a uns três metros de distância. Ele olhou para a flecha enquanto eu me aproximava e deve ter concluído que não conseguiria alcançá-la. Eu desembainhei Stygian e disse:
- Levanta.
Não sei o que me fez fazer aquilo. Tobey estava perdendo tanto sangue que morreria sozinho pouco tempo depois. Mas eu quis fazer. Naquele momento eu sentia como se aquele fosse o meu desejo da vida inteira, apesar de eu nunca ter me considerado tão perverso.
Tobey se levantou com dificuldade. Não havia medo em seu olhar; ele parecia confiante de que podia me vencer num combate direto. Acho que foi isso que me impediu de ver o quanto aquilo era errado. Ele sacou sua espada e me atacou de forma memorável; eu pensei por alguns instantes que Tobey havia se tornado o melhor espadachim que eu conhecia. Foi uma luta semelhante à anterior: nós estávamos no mesmo nível. Achei que o objetivo dele era alcançar sua flecha e promover um ataque de grandes proporções como forma de desempate, assim como da última vez. Mas quando eu ergui a minha espada em um certo momento, Raphael atirou uma pedra na mesma, lançando-a para bem longe. Foi algo tão inesperado que eu levei algum tempo para voltar a me ligar na luta. Tobey aproveitou a deixa, me empurrou e estava a meio caminho de pressionar minha garganta com a lâmina de sua espada. Eu agi tão rápido que mal me lembro de ter feito isso: quando eu dei por mim, eu já havia pegado o punhal da mulher que tentou me assassinar na ilha de Lemnos e tinha atravessado o abdome de Tobey com ele.
Raphael e Sam pararam a luta e encararam aquela cena, pasmos. Raphael pôs as mãos na cabeça, desesperado, e cambaleou em volta. Antes que Sam pudesse tirar proveito da distração dele, ele sacou o lençol negro de Klaus e desapareceu.
Eu reagi inicialmente como se tivesse sentado sem querer em cima dos óculos de alguém: eu achava que se eu tirasse aquele punhal dali e pedisse desculpas tudo ficaria bem. Mas o que tinha acontecido não era nem de longe tão simples. Tobey desabou ao meu lado. Eu me ajoelhei e olhei para ele ainda procurando uma maneira de voltar no tempo. Mas Tobey partiu logo. Ele olhou para mim de um jeito diferente: sem raiva, sem desejo de vingança, sem medo, sem sofrimento; apenas o olhar sereno da morte. Quando a aura de vida dele desapareceu, eu me levantei e caminhei para trás lentamente. Sam ainda não havia movido um músculo.
E quando eu parei, simplesmente por não ter forças, e olhei a cena à minha frente, eu me lembrei. Eu me lembrei do sonho que tive: o corpo de Tobey estendido no chão de uma cidade devastada em ruínas, o céu ardendo em fogo.
Escutei um grito à direta. Eu já sabia o que era antes mesmo de olhar: Hannah e Eve assistiam àquela cena através de uma mensagem de Íris. Foi Hannah quem gritou. As duas ainda estavam na floresta do acampamento, onde Tobey as havia deixado pouco tempo antes. Hannah estava com o rosto vermelho e inchado por causa do choro histérico, ela mal conseguia respirar. Eve também estava chorando. Elas se abraçaram e, quando Hannah ergueu o olhar, ela me viu. Ela estreitou os olhos para mim e ia dizer alguma coisa, mas outra voz chamou minha atenção.
- SAM! – alguém gritou à minha esquerda.
Hector surgiu através do lençol negro e correu até onde Sam estava. Ele o abraçou, muito nervoso, mas aliviado. E aí ele deu uma boa olhada em volta e seu rosto perdeu toda a cor.
Só faltava mais uma coisa para completar a cena de que eu me lembrava, e ela não demorou a acontecer. Antes que Hector pudesse me encarar em busca de explicações, um grande espelho se materializou na minha frente e logo eu estava vendo a minha imagem horrível: esfarrapado, sujo, machucado e com o mesmo olhar louco do meu pai. Eu era a imagem perfeita de um psicopata assassino. Infelizmente, não era só a imagem. Meu pai surgiu junto ao meu reflexo, me lançou um olhar severo e depois me empurrou contra o espelho.
Eu tropecei para dentro de um lugar totalmente diferente de uma cidade destruída: a grama era verde e bem cortada, o ar era puro, e estava claro, apesar de o sol não estar lá; estava silencioso e uma brisa agradável soprava. Eu me lembrava daquele lugar: eram os Campos Elíseos. Já estive lá algumas vezes procurando por Bianca. Eu só não entendia o motivo de eu estar ali; eu não estava morto e, mesmo que estivesse, eu não seria mandado diretamente para o Elíseo. Mas então por que...Ah, não! Um pensamento tomou conta da minha mente "Tobey foi mandado para o Elíseo?!".
Enquanto eu olhava para os mortos à minha volta, procurando por Tobey, alguém me cutucou no ombro. Eu virei e dei de cara com...
- Peter?!
O cara deu risada e disse:
- Peter? Não. Ele continua vivo, felizmente. E eu espero que ele viva bem por muitos anos.
A risada dele me fez perceber logo que não se tratava de Peter, irmão mais novo de Hannah, porque Peter não tinha o sorriso dela.
- Então você é...o pai da Hannah. – falei, um pouco nervoso. Era um momento meio inoportuno e uma forma estranha de se conhecer o ex-futuro sogro.
- Pode me chamar de Eric. – ele estendeu a mão para que eu a apertasse. Eu estava tão chocado que foi ele, um fantasma, quem deu o aperto mais forte. – Eu gostaria de conversar com você sobre algumas coisas. Vamos dar uma volta.
Enquanto nós caminhávamos pelos Campos Elíseos, ele foi dizendo:
- Foi difícil convencer o seu pai a me deixar ter esse momento com você. Ele não gosta de desobedecer regras, mas tem um bom coração.
Resisti ao instinto de falar "O quê?!".
- Eu chamei você aqui, Nico, porque os tempos que virão serão muito difíceis; não só para você, mas para todos os semideuses. E você vai precisar de um tipo de ajuda. Isso aqui. – ele me entregou uma espécie de medalhão de bronze redondo e maior que a minha mão.
- Hã...obrigado. Mas o que isso faz exatamente?
- Você é o tipo de pessoa que precisa de provas concretas para acreditar em alguma coisa, certo?
- Acho que sim.
- Esse medalhão vai dar essas provas a você e a quem mais precisar delas. Mas ele só vai abrir nos momentos certos.
- Ok.
Ele me analisou em silêncio por algum tempo e depois perguntou:
- Como você está, Nico? – naquele momento ele me lembrou um pouco Quíron e sua preocupação constante comigo. Eu nunca dei valor a isso; na verdade, me incomodava um pouco que Quíron me perguntasse isso a todo instante. Mas foi aí que eu percebi como é bom ter alguém que se preocupe com você.
- Nesse exato momento? Muito confuso.
- Eu imagino. Você acabou de fazer uma coisa muito difícil.
- Antes, quando você disse que o meu pai tem um bom coração...Você está muito enganado. Isso é tudo culpa dele.
- Não é. Você está sendo injusto. A culpa é sua.
- Caramba! Muito obrigado mesmo! – eu fui irônico e mal educado. Me arrependi imediatamente e comecei a dizer: - Sr. Pope, me desculpe por isso, eu não...
- Está tudo bem, Nico. Você tem todo o direito de expressar a sua frustração. – gente morta era interessante: eles não tinham mais os sentimentos comuns para os vivos. Era como se eles achassem tudo isso uma grande besteira. – Por falar nisso, você sabia que frustração e ódio são duas coisas completamente diferentes?
- Hum...Sabia, eu acho.
- O seu pai, apesar de ser um deus, não é infalível. Ele errou quando disse que você é movido pelo ódio. O que aconteceu agora há pouco foi resultado das frustrações que você vem acumulando e não do ódio. Mas é verdade que o ódio já esteve muito presente na sua vida, há alguns anos atrás.
- Então você está dizendo que os meus poderes só funcionaram tão bem por causa de "frustração"?
- Seus poderes não funcionaram tão bem assim, você já teve dias melhores. Mas, sim: a frustração ajudou você em combate hoje. Apesar de você ser movido por outro sentimento.
- Qual?
- Isso você precisa descobrir sozinho.
Não pude deixar de ficar um pouco decepcionado com aquela conversa; ele nunca me dizia as verdades completas e aquilo era meio irritante. O Sr. Pope riu:
- Você não é o único que está perdido dentro de si mesmo, Nico. O seu caso nem é o pior de todos.
- Não?
- Não. Hannah não sabe que caminho seguir. Ela nunca soube. Passou todos esses anos tentando se adaptar aos rumos que a vida dela tomou sem nunca apreciar nenhum deles por completo.
- Por quê?
- Porque Hannah é diferente de todos os outros. Só o fato de ser filha de Hera faz dela uma contradição. Pode não parecer, mas viver sob esse estigma é uma tortura diária. Tenho muito medo de que ela nunca se encontre.
- Então você não sabe o que vai acontecer no futuro?
- Sei algumas coisas. Mas o futuro de Hannah é totalmente incerto.
- Sr. Pope... – reuni toda a coragem do mundo para dizer estas palavras. – Eu realmente nunca tive a intenção de fazer Hannah sofrer. Mas parece que quanto mais eu me esforço para deixá-la segura, mais eu a magôo. Eu sou mesmo desajeitado para essas coisas e admito que sou especialista em decepcionar as pessoas que se importam comigo, mas eu não faço de propósito. Eu gosto mesmo da sua filha.
O Sr. Pope sorriu, e aquele sorriso me trouxe tantas boas lembranças de Hannah que meu coração até doeu.
- Eu sei que você gosta, Nico. O que está acontecendo entre você e Hannah é uma fase ruim, mas extremamente necessária para que vocês amadureçam e possam ter certeza do que realmente sentem um pelo outro. E isso vai ser ótimo no futuro, porque assim vocês estão construindo laços indestrutíveis.
- Isso quer dizer que...Hannah e eu vamos ficar juntos?! – meu coração estava batendo tão rápido e tão forte que eu mal conseguia respirar.
- Bom, eu sinceramente não sei se vocês ainda serão um casal. Mas com certeza serão grandes amigos. – ele falou como se aquilo fosse muito bom, mas não era. Eu não queria ser o melhor amigo de Hannah; eu queria ser o namorado dela! – Mas fique sabendo que eu torço para que vocês sejam um casal.
- É bom saber disso. – corei até a raiz dos cabelos.
- Nosso tempo está acabando, Nico. Só tenho mais uma coisa a dizer: confie nas suas escolhas, nas suas decisões, nas suas habilidades, enfim...confie em si mesmo. Você está prestes a se tornar um grande herói. – fiquei sem palavras diante daquilo. – E lembre-se: sempre há outro caminho; quando as coisas parecerem impossíveis de serem resolvidas sem grandes danos, pense melhor e você vai encontrar uma saída.
- Sr. Pope, eu agradeço muito por tudo...Foi muito bom poder conhecê-lo.
- Também gostei de conhecer você, Nico. Agora eu preciso mandar você embora. Não é muito agradável, mas... – daí ele me deu um grande empurrão e eu comecei a ser sugado lentamente para fora dos Campos Elíseos. – Continue cuidando de Hannah! – foi a última coisa que ele me disse.
