- N
ico! Nico, levanta logo! – Eve estava me sacudindo feito louca.- Hum... – tudo que eu queria era dormir, não estava nem aí para o que tinha acontecido. – O que você quer? – disse, ainda sem abrir os olhos.
- Nico, você precisa acordar. – John sacudiu meu ombro e eu já o conhecia bem o suficiente para saber que aquele era o seu tom de voz de "Temos problemas".
- Hannah? – me sentei abruptamente, esperando pelo pior.
- Estou aqui. – ela respondeu.
Ela estava sentada ao meu lado, comendo Ambrosia enquanto Hector cuidava dos seus ferimentos. Parecia extremamente cansada, mas bem.
- O que houve? – perguntei olhando em volta, tentando descobrir o que tinha acontecido.
Nós estávamos agrupados no meio dos Campos Elíseos, uma vez paradisíacos, mas naquele momento eram um terreno devastado. Não dei por falta de ninguém do grupo; não havíamos tido baixas, só feridos. A maioria de nós estava sentada, enquanto gente como o John ficava andando de um lado para o outro. Todos pareciam ter tido tempo o suficiente para aceitar o fato de Eve ter ressuscitado, já que falavam com ela normalmente, como se nada tivesse acontecido. O ferimento na minha barriga havia sumido completamente graças a Dádiva do Hector. Então o que podia ter dado errado?
- Maureen não conseguiu dominar o mundo inferior e o seu pai; - disse John. - ele está se recuperando e tentando consertar a bagunça que ela causou.
- Eu soube que o pessoal dos Campos Elíseos deu a maior surra nos que fugiram dos Campos de Punição! Quem diria que gente morta é tão revolucionária? – Sam interrompeu.
- Sim, esse foi um dos problemas. – John retomou a palavra, impaciente. – Mas o grande problema, Nico, é que...Maureen ainda não foi derrotada.
Meu queixo caiu.
- Como assim "Maureen ainda não foi derrotada"?! E a explosão? E as Dádivas sendo destruídas?
- Nada disso fez muita diferença. – John disse, com pesar. – Maureen já havia absorvido o poder dos outros deuses, as Dádivas eram só um detalhe. Ela pode não ter conseguido absorver os poderes de Hades, mas já é bastante poderosa sem eles. A explosão afetou todos nós. Ficamos desacordados durante um bom tempo e Maureen teve tempo de sobra para fugir.
Eu respirei fundo, tentando conter um ataque de fúria.
- Ela está no Olimpo agora. Pedimos ao pessoal do Plaza para não interferir. Precisamos de uma nova estratégia e...
- Eu estou tão cansado de planos e estratégias! – me levantei. - Quantas vezes nós nos preparamos para acabar com Maureen e não conseguimos? Todas as vezes! Eu não vou suportar mais nenhum dia de espera! Eu quero atacar com todas as forças imediatamente! Agora é tudo ou nada!
Todo mundo parou diante daquilo. Por um momento me senti muito idiota; John sempre fez tudo da melhor forma possível, não era culpa dele se a situação sempre era muito mais grave do que imaginávamos. Mas de repente o pessoal começou a sorrir para mim com aprovação. Estavam todos cansados, machucados e confusos, mas pareciam cem por cento dispostos a me seguir. John me encarou surpreso por alguns segundos, mas depois disse:
- Eu não podia ter dito coisa melhor. – e sorriu. - Vamos para o Olimpo! Essa guerra acaba hoje!
Nuvens de tempestade se formavam a partir do topo do Empire State Building. O céu estava vermelho e raios imensos iluminavam a cidade inteira. Nossos amigos estavam em volta do prédio, encarando aquele cenário assustador.
- Ela passou destruindo tudo. – alguém relatou ao John quando chegamos. – Estávamos recebendo os prisioneiros de vocês e de repente ela se materializou no meio da rua e começou a mandar raios para cima da gente. Não pudemos nem chegar perto para impedi-la!
Outras pessoas disseram que grandes explosões estavam acontecendo lá em cima desde que ela chegou. Ninguém precisava ter dito nada; cada um de nós podia sentir que as energias estavam completamente descontroladas por ali: as plantas do Central Park haviam murchado e estava nevando um pouco, mesmo que estivéssemos em pleno verão. Thalia tentou controlar os raios, mas não conseguiu. Foi algo parecido com o que estava acontecendo comigo no mundo inferior: seus poderes oscilavam, às vezes funcionavam perfeitamente e outras vezes desapareciam.
- Maureen ainda está ligada aos outros deuse tentativa deles de recuperar seus poderes que está causando isso. – Daniel explicou.
- E quais são as nossas chances? – René perguntou.
Daniel suspirou, deixando todo mundo apreensivo.
- Há uma boa chance. – disse com sinceridade. – Mas vamos precisar de sorte. Muita sorte.
- Como assim? – Karen quis saber.
- Os deuses vão precisar colaborar também, assim como Hades; vocês não teriam conseguido muita coisa lá em baixo sem ele. Se os nossos pais conseguirem resistir à Maureen vocês vão ter maior controle dos seus poderes.
Vi Dione abaixada com a mão em concha em volta de uma flor quase morta; ela devia estar tentando recuperá-la, como teria feito com facilidade no passado, mas naquele momento não conseguiu.
John já havia concordado plenamente com o que eu havia dito antes, mas ainda estava nos mantendo lá em baixo para determinar quem ia subir primeiro, já que teríamos que usar o elevador. Por isso eu estava andando de um lado para o outro sem parar e foi nesse meio tempo que eu vi Hannah encostada em uma parede, me encarando com um olhar aflito. Fui até ela e perguntei:
- Está tudo bem?
Ela balançou a cabeça e parecia estar se esforçando para não chorar.
- A minha família, Nico...Eles estavam lá em cima.
Eu havia me esquecido completamente de Peter e dos avós de Hannah no Olimpo. Hera os havia levado para lá para mantê-los seguros. Mas, se Hera foi capturada...
- Hannah, eu... – eu não podia dizer o que eu pensava de verdade. Não mesmo. – Hera deve ter feito algo para protegê-los de Maureen. Talvez ela os tenha mandado de volta para Del Rio e...
- Não, não, não...Ela foi pega de surpresa, assim como os outros deuses; não deve ter tido tempo de fazer nada. Se Maureen os encontrou lá...Tenho certeza que deve ter se vingado neles.
- Não pense assim...
- E o que mais eu posso pensar?! Nico, ela encontrou todos os deuses e os capturou! Por que não encontraria três mortais no Olimpo?! – ela escondeu o rosto com as mãos e começou a chorar.
Eu a abracei e refleti por um momento: eu teria ouvido um zumbido se eles estivessem mortos, mas, com os meus poderes falhando o tempo todo, eu podia ter perdido o momento, se é que aquilo tinha mesmo acontecido. Eu tinha que admitir que as chances de Maureen não os ter encontrado eram mínimas, quase nulas, mas se eu aprendi algo com aquela guerra foi que nem mesmo a morte era algo definitivo; Eve era a prova disso.
- Ei, para com isso. – eu afastei o cabelo dela do rosto. – Você não pode subir lá se sentindo derrotada. Precisa ter esperança. Não dá pra ganhar a guerra sem ela.
- Tem razão... – ela enxugou as lágrimas. – Mas, se Maureen tiver feito alguma coisa com eles, eu juro que...
- Vamos subir! – Owen gritou.
Hannah se recompôs e não completou a frase.
- Pode fazer isso? – perguntei a ela.
- Você pode?
- Eu preciso fazer.
- Eu também.
Nós nos abraçamos apertado e seguimos para o Olimpo sem dizer mais nada.
A porta do elevador do Empire State Building, deformada em razão dos últimos acontecimentos, se fechou com um ruído. Eu, Hannah, John, Hector, Eve, Daniel, Sam, Owen e Karen nos apertamos ali dentro. Não havia nenhuma música ridícula tocando, só o silêncio. No final das contas, não organizaram grupos. Quem estava por perto simplesmente embarcou. Os demais viriam em seguida; nós esperaríamos por eles até que todos estivessem lá em cima. Ninguém imaginou que só um grupo fosse conseguir chegar lá.
Percebemos que havia algo errado quando o elevador praticamente se arrastou até o sexcentésimo andar; cheguei a pensar que ele fosse despencar lá do alto, mas não aconteceu. Eve foi a primeira a sair correndo quando ele parou.
- Odeio elevadores! – ela estremeceu.
Assim que Owen, o último a sair, tirou o pé do elevador, ele despencou com tudo. Simples assim: em um segundo ele estava lá e no outro havia caído de volta para Manhattan, levando parte da estrutura que o abrigava junto.
- O QUE VOCÊ FEZ?! – Karen gritou e correu para olhar o vão.
- Eu...eu não fiz nada! – Owen se virou para olhar também, parecendo não acreditar que aquilo tinha acontecido.
- Ah, meus deuses! Estamos presos aqui em cima! – disse Karen.
- E sem reforços, vale a pena mencionar. – Sam deu de ombros, fazendo pouco caso da situação.
Não sei porque, mas eu dei uma risada discreta. Felizmente, ninguém percebeu. Sam não achava que teríamos muito trabalho pela frente; para ele Maureen havia dado início a sua própria queda e ia terminar isso com um empurrãozinho nosso. Mas eu sabia muito bem que não seria fácil assim. Acho que eu estava rindo porque achava que não havia como as coisas ficarem piores.
- Cala a boca, Sam. – Hector mandou.
- Eu estava brincando! Eles vão dar um jeito de chegar aqui em cima; não vamos ficar presos aqui para sempre.
- Claro que não. Vamos morrer! – disse Daniel, desesperado, tirando um monte de celulares do bolso e tentando fazer um deles funcionar.
Hannah ficou pálida e começou a chorar como um bebê.
- Seu idiota! Olha o que você fez! – Karen empurrou Daniel e foi tentar acalmar Hannah.
Owen ainda estava parado diante do que costumava ser um elevador, chocado.
- Não foi minha culpa...Eu juro que não foi minha culpa... – ele ficava balbuciando.
- SERÁ QUE DÁ PRA VOCÊS PARAREM DE AGIR COMO UNS BEBEZÕES?! – John gritou, nos encarando com severidade. Todo mundo parou o que estava fazendo imediatamente. – Sam, eu coloquei você nessa missão porque achei que você era maduro o suficiente para lidar com isso, não faça com que eu me arrependa; Karen, eu não gosto quando você fica agindo como uma histérica; Daniel, as pessoas te dariam mais atenção se você não fosse tão pessimista e medroso; e Hannah, EU NÃO AGUENTO MAIS VER VOCÊ CHORAR! Era de se esperar que você percebesse, depois de tantos anos, que isso não resolve coisa nenhuma. – eles ficaram encarando John com a expressão mais surpresa de todas. – E, tudo bem, eu sei que as pessoas não me detestariam tanto se eu não falasse esse tipo de coisa, mas vocês precisam se ligar! Nós realmente nunca vamos derrotar Maureen e sair daqui vivos se vocês agirem desse jeito toda vez que as coisas ficarem difíceis. Fiquem a vontade para serem essas pessoas fora do campo de batalha; mas aqui vocês têm que ser heróis! E heróis não fazem piadas, principalmente as que envolvem a própria morte, não têm surtos e nem choram. Fui claro?
Todos, até eu que não recebi nenhuma crítica, assentiram boquiabertos.
- Ótimo. – John respirou fundo. – Agora tentem encontrar uma solução para aquele problema ali. – e apontou para o Olimpo atrás de nós.
O Olimpo não era mais aquele amontoado de palacetes bonitos, fontes de água e estátuas. Ainda era um amontoado com mais ou menos o mesmo formato, mas definitivamente não era algo bonito. Não dava para dizer o que era olhando daquela distância. E era algo tão fora do comum que eu me surpreendi por não ter percebido logo que saí do elevador.
- Não fiquem só olhando. Vamos aproveitar enquanto as escadas ainda estão estáveis. - dito isso, John foi o primeiro a seguir para as escadas.
Ele apenas caminhou nos primeiros lances, mas quando já estávamos bem perto do fim ele começou a correr; isso porque os últimos degraus estavam se desmanchando. John agarrou o braço de Eve no exato momento em que o degrau em que ela estava se partiu em mil pedaços.
- É...Parece que daqui não tem volta. - disse Owen, encarando o vazio imenso entre nós e o que restou da escada.
- Bem vinda, Hannah. - uma voz alta e desagradavelmente familiar ecoou por todo o lugar.
- Maureen... - Hannah murmurou e olhou para todos os ângulos, tentando não se mover muito. Sua mão deslizou para a espada, discretamente.
- Que bom que você chegou; estou precisando de um favorzinho seu. - disse Maureen, com um tom falsamente amigável.
- Que favor? - Hannah apertou o cabo da espada, nervosa.
- Ah, nada demais. Só algo para me ajudar a tomar o controle do mundo.
- E por que eu ajudaria você?
- Porque você é a única que pode fazer isso. Não é irônico? É tão irônico que tudo isso começou porque eu tentei matar você e agora eu só posso chegar ao fim com a sua ajuda. Acho que só podemos agradecer ao Nico por ter te salvado naquela noite, nada disso seria possível sem ele. Mas agora eu acharia maravilhoso se todos vocês desistissem logo de qualquer tentativa de heroísmo, já que há tanta coisa em jogo; não vamos arriscar nada, certo, Hannah?
E aí uma poeira dourada soprou em cima de nós, como uma pequena tempestade de areia. Quando se acalmou e nós abrimos os olhos, uma mensagem de Íris imensa estava diante de nós. Eu praticamente pude ouvir o coração de Hannah falhar ao ver Peter e seus avós presos em uma jaula dourada. O avô andava inquieto de um lado para o outro; Peter cuidava da avó, sentada em um canto parecendo estar doente.
- O QUE VOCÊ FEZ COM ELES?! - Hannah gritou.
- Eu não fiz nada. Não pude fazer.
- O que você quer dizer?
- Foi Hera quem os colocou aí. Na verdade, Hera é essa proteção em volta deles; ela usou suas últimas forças não para proteger o Olimpo, mas para protegê-los. E isso compromete os meus objetivos: não posso tomar conta do Olimpo sem os poderes de Hera. E só você pode desfazer isso.
Hannah ficou surpresa com a atitude de Hera, e eu mais ainda. Quem iria imaginar que Hera, depois de tantos atos tortos, iria fazer algo bom por alguém sem que isso necessariamente a beneficiasse?
- As coisas vão funcionar da seguinte forma, Hannah: - continuou Maureen. - quero que você venha até onde sua família está, sozinha e desarmada. Eu vou guiar você até o lugar. Seus amigos podem ficar aí, se quiserem. Você liberta sua família e todos podem ir embora. Mas...Se você ou qualquer um dos outros tentar alguma coisa...Eu não garanto o bem estar da sua família. Entendidas?
Hannah demorou para responder. Ela ficou encarando a mensagem de Íris, como se estivesse procurando uma alternativa.
- Entendidas. - disse, por fim.
- Ótimo. Não demore.
A mensagem de Íris desapareceu e atrás dela uma passagem se abriu no meio de um muro de tijolos grandes. Hannah se precipitou para lá imediatamente.
- Hannah, espere! - John a puxou de volta. - Vamos pensar em alguma coisa; tem que haver uma maneira de...
- Não há outra maneira. - ela cortou. - Acabou e... Por favor, não façam nada. Se tudo der errado, eu quero que pelo menos a minha família fique bem.
Sem dizer mais nada, ela largou sua espada, seu arco e a aljava no chão e entrou. O muro se fechou atrás dela.
- Ela não pode fazer isso... - Eve encarava o muro, perplexa. - Ela ficou maluca, só pode.
- Maureen vai matá-la. Mesmo sem motivo; ela nunca perderia uma oportunidade como essa. - disse Karen.
- Você não precisava ter me lembrado disso, Karen. - falei.
- Vamos entrar. - Hector falou, determinado. - Vamos acabar com Maureen, salvar o Olimpo e sair daqui vivos. O plano não era esse?
- E pôr em risco Hannah e a família dela? – perguntou John. – Ela pediu para que a gente não fizesse nada.
- E como é que isso vai ser melhor para qualquer um de nós? Estamos presos aqui! Mesmo que Maureen liberte a família de Hannah, eles também ficarão presos junto com a gente! Se ficarmos parados vamos todos morrer! Nossa única chance é lutar com Maureen!
- Concordo. – eu e Eve falamos ao mesmo tempo.
- Pessoal, isso... – John balançou a cabeça. – Isso não vai dar certo. Eu quero ajudar Hannah, mas entrar lá agora sem ter a menor idéia do que vamos encontrar...Não acho que Maureen estava blefando quando disse para nós não tentarmos nada. Quer vocês gostem ou não, ela tem o controle do Olimpo e pode acabar com a gente com facilidade.
- O que aconteceu com toda aquela sua coragem? – perguntei.
- Ainda está aqui. – ele respondeu calmamente. – Eu apenas sei reconhecer quando não estou a altura do meu oponente; sei quando é a hora de me render.
- Hora de se render?! – Eve explodiu. – Como você pode falar em "rendição" depois de tudo que nós passamos?! Eu morri, e não voltei à vida para me render no final!
- Eve, escute... – John tentou falar.
- Não! Escute você: desde que você apareceu tudo que nós fazemos é usar nossos amigos como escudos para que você possa chegar ileso até Maureen! Mas vou dizer uma coisa, cara: você não é páreo para ela! Você teve um milhão de oportunidades de acabar com ela e não conseguiu! Então saia do caminho e deixe quem pode lidar com isso assumir o controle!
Acho que John só não partiu para cima dela por dois motivos: primeiro porque Eve era uma criança e segundo porque ela estava coberta de razão. Ele respirou fundo, pareceu pensar em algo para dizer e no final só falou:
- Não sabia que estava atrapalhando. Façam o que quiserem.
John deu de ombros e caminhou para longe de nós, desaparecendo na neblina alguns metros depois. Karen hesitou; me encarou por alguns segundos e foi atrás de John.
- Uau... – Sam ficou encarando Eve, boquiaberto. – Você é bem durona para uma garota de Deméter! Se um dia se cansar do Hector...
- Ei! – Hector fingiu estar ofendido, mas estava todo orgulhoso de Eve.
- Certo, pessoal, vamos trabalhar agora. – Eve falou, bem séria, mas vi que ela ficou vermelha. – Nico, você está no comando.
- Espera aí. Como é que é?! – me distraí com a brincadeira dos Madison e pensei ter ouvido errado.
- Você está no comando. – ela repetiu.
- Eve, não me diga que você estava falando de mim quando disse aquilo tudo para o John...
- E de quem mais eu estaria falando?
- Do Hector, de você...Sei lá!
- Nico, é você. Sempre foi você. Não se lembra da profecia? "O príncipe dos mortos escreverá certo por linhas tortas". Pode parecer que você cometeu uma porção de erros esse tempo todo, mas tudo acabou nos ajudando! Por que você acha que não vai saber como agir justamente agora que a garota que você ama está em perigo?
Hector, Sam, Owen, Daniel e Eve me olhavam de um jeito, no mínimo, encorajador. "Encorajador" era o mínimo porque, fala sério, se eu tinha alguma confiança em mim mesmo era por causa deles! Hector era o líder do acampamento, o braço direito do Quíron e, mesmo assim, não fez nenhuma objeção quando me nomearam líder da missão; mais que isso, ele escolheu a minha liderança em momentos em que nós tínhamos opção. Uma vez Sam havia me dito que eu era o semideus mais poderoso do acampamento e ele continuou dizendo isso mesmo depois de ter recebido sua Dádiva e eu achar que ele era o mais poderoso. Eu sempre achei que Owen e eu não éramos exatamente amigos, sempre soube que ele e John eram unha e carne; mas se havia algo que ele podia ter feito para provar que confiava em mim, mais até do que no John, esse algo foi ter ficado do meu lado mesmo depois de o John ir embora naquela noite. Daniel acreditava em mim antes mesmo de tudo começar; foi ele quem me envolveu naquela história. E Eve, minha melhor amiga, esteve do meu lado cento e um por cento das vezes. Se essas pessoas confiavam tanto em mim, por que eu não deveria confiar em mim mesmo?
- Bem...Eu ainda não tenho muita certeza do que eu vou fazer...Mas é como Capture a Bandeira: o primeiro passo é entrar no território inimigo. Sam? Pode fazer as honras?
Sam deu uma risada como resposta e, com um aceno discreto, fez uma cratera no muro a nossa frente.
