A/n:
Nota da Aiyumi: primeira atualização do ano e já estamos na metade da fic!
Feliz Ano Novo!
Megaman X: Real Life
Por Harupyuia & Aiyumi
Disclaimer: tanto Rockman/Mega Man, quanto qualquer outra marca registrada que possa vir a ser referenciada nesta fan fiction, são propriedades de seus respectivos donos. Este trabalho não tem relação alguma com tais proprietários/empresas.
Capítulo 21: Tragédia
O dia estava nublado. Era aula de Geografia. Zero esfregou os olhos, como se as nuvens o impedissem de ver os desenhos e esquemas que o professor passava na lousa.
- No começo do século passado (não era do meu tempo ainda). - todos riram com o comentário de Signas. Todos, menos Zero, que não parecia captar uma única palavra - Havia muitas ofertas de empregos na cidade. Então várias pessoas vinham dos mais diversos países para tentar a sorte. Eram os tais de "imigrantes". - escreveu a palavra bem grande no quadro - Eles trabalhavam mais na agricultura e ajudaram muito a fazer crescer o mercado agrícola do país. Uns quarenta e bolinhas anos depois (quase do meu tempo), o país já não era mais tão agrícola assim e a industrialização já tomava conta de muitas coisas. Ainda tinham uns que diziam "Trabalhar na cidade dá dinheiro". Bem, dá mesmo, mas quando chegavam nos principais centros econômicos, descobriam que não tinham estudado o suficiente e todos empregos que tentavam arranjar, exigiam muitos conhecimentos. Daí, adivinha o que acontece! - como ninguém falou nada, ele teve de continuar - O indivíduo fica perdido, não tem onde morar, não tem dinheiro para nada (exatamente por isso resolveu trabalhar). Mas não consegue nem trabalhar, acaba indo parar numa favela ou algo assim. Isso acontece com várias pessoas e a população da cidade vai aumentando, aumentando, aumentando...
O professor não percebeu, mas o tempo foi passando, foi passando, foi passando... Ouviu-se um barulho de sinos tocando. O que era aquilo mesmo? Ah, o sinal. A aula havia acabado e Zero continuava sentado na carteira, de braços cruzados. Lá no fundo pôde ouvir o sinal tocar, mas era como se não conseguisse se mexer, como naqueles breves momentos de lucidez durante um sono profundo. Apenas "acordou" quando um aluno timidamente o chamou avisando que acabou a aula. Levantou-se, suspirou e foi para a outra sala.
Muitos colegas tinham receio de falar com Zero, por sua posição como filho de alguém que foi rico e importante, e também por sua posição como representante de sala e presidente do grêmio... Tudo isso somado à expressão séria que sempre mantinha em seu rosto e suas atitudes. Sempre. Sempre, tirando aquele dia...
Acabou a aula. Xis andava em direção ao portão. No meio da barulheira dos alunos, pôde reconhecer a voz de sua amiga Palette o chamando.
- Você viu o Zero? - ela perguntou.
- Hoje não.
- Não! Então quer dizer que até agora nada?
- Tudo bem, daqui a pouco ele aparece. Ele vai pra base, com certeza... - consolou Xis.
- É mesmo. Hmm... Então, mudando de assunto... Que tal se a gente fosse fazer uma visitinha ao Chill na prisão?
- Vamos! Vamos agora mesmo! Eu também quero saber como ele está. - concordou Xis.
Os dois saíram do colégio e foram diretamente para a delegacia. Xis ativou sua Skill e entrou como Maverick Hunter_X. Palette não precisava de disfarces, afinal ninguém podia vê-la nas missões.
Na ala de prisioneiros menores, estava Chill, escondido em um canto. Xis e Palette iam perguntar se estava tudo bem, mas deixaram a pergunta de lado. Ele Estava pálido, com lágrimas escorrendo.
- ...O que foi? - perguntou Palette
- ... Eu fa fa fa... Falheiii... - gaguejava Chill, chorando - Se eles s... O... Uberem disso... Vão me matar... Na...Hora! - depois, ficou mais horrorizado ainda quando percebeu que estava diante dos Maverick Hunters - Ahhh ah ah ah ah...! Ãhãhãhãhãhããã!
- Calma, não vamos deixar te fazerem mal. - disse o Hunter, com um olhar amigável - Só fizemos aquilo porque você estava agindo como um Maverick. Mas só queremos ajudar, entenda isso.
Chill não sabia o que fazer. Continuou chorando até descarregar tudo. E aí foi uma das missões mais difíceis dos Hunters: enxugar as lágrimas. (=P)
Tudo normalizado, conversaram um pouco com Chill e depois foram para a base. Signas, Alia, Layer e AXL já estavam lá, mas nada do Zero.
- Onde é que tá o Zero? - perguntou AXL.
- Não sei. Não encontrei o Zero hoje. - respondeu Xis.
- Eu também não! Será que ele tá doente e faltou? - perguntou Palette.
- Eu o vi, mas ele estava de costas. Chamei, mas não consegui falar com ele. - disse Layer.
- O que será que aconteceu...? - foram as palavras de Signas, antes de ouvir a porta se abrindo.
- Zero! Você demorou demais! - a Navigator ABC123 foi correndo ao seu encontro. Levou um susto ao olhar para a parte do rosto que a armadura não cobria - Ze... Zero? O que aconteceu?
O Hunter de armadura vermelha olhou para baixo sem dizer nada.
- Você não parece bem! - falou Xis - Não adianta dizer que Não aconteceu nada, porque aconteceu e você não pode nos negar!
- Zero, anime-se! - sugeriu AXL.
- Não parece o mesmo Zero de sempre... - comentou Palette.
- Por favor, conte-nos o que houve, Zero. - Signas disse com voz acolhedora.
- ... ... ... ... O que eu temia finalmente aconteceu. O pesadelo começou... - ele finalmente falou - Os capangas do Sigma obrigaram o secretário da casa a revelar todos os números de contas em banco que a família tinha. Levaram tudo... Tudo! Não sobrou nem pra pagar as contas e os custos da casa. Todos os empregados foram embora... E o pior de tudo... O secretário. Depois de tudo, eles... Ainda tiveram a coragem de matá-lo!
Todos ficaram espantados.
- E... E você, Zero? Como está fazendo agora? - perguntou Alia.
- Por enquanto eu tô morando na vizinha... A casa é bem pequena e tem várias pessoas. Todo o mundo lá me trata bem mas... Acho que é só por respeito... Porque eu sou filho do Wily... Só isso. Parece que eles não vão muito com a minha cara. Tem tanta gente lá, mas estou sozinho...
De repente Zero percebeu que tinha uma mão encostando em seu ombro.
- Sozinho? Corta essa, Zero! Você tem a gente, não tem?
- X! ...
- É, Zero. Você nunca vai estar sozinho. Estamos do seu lado. - outra mão pousou no ombro de Zero.
- ... AXL!
- E não é por respeito ao filho do Wily. - continuou Xis - É por respeito ao Zero. Mas não ao Maverick Hunter Zero. E sim ao Zero, o nosso amigo! Não importa se você tem um poço de dinheiro ou um poço vazio. Nós continuaremos sendo seus amigos.
- Zero, se quiser você pode ficar lá em casa. - convidou Layer, sabendo com toda certeza que a mãe deixaria - Você será muito bem vindo!
- ... Obrigado. Muito obrigado, gente! - Zero falou emocionado - Confesso que é a primeira vez que eu tenho amigos de verdade!
No dia seguinte, Zero foi chamado à sala do diretor. Tentou não despertar suspeitas de que desconfiava que o Professor S se tratava de Sigma.
- Zero, eu fiquei sabendo do que aconteceu. Todos da escola sentimos muito que você tenha perdido tudo. Estamos dispostos a ajudá-lo. Vamos fazer um acordo.
- Um... Acordo? - Zero só queria saber onde o diretor queria chegar.
- Poderemos desembolsar uma quantia para pagar as despesas e conseguir um lugar para você ficar. Nós te daremos poder, muito poder! Você se tornará uma pessoa temida e respeitada por todos e terá tudo o que quiser! Tudo isso com a condição de que nos retribua, usando suas habilidades para uma simples missão... Para você, é coisa fácil. Depois de fecharmos o negócio eu direi qual é.
- Eu não quero. Não preciso dessas coisas.
- Como? - o diretor não estava muito acostumado a ouvir uma recusa de trato.
- Não preciso disso, não preciso de mais coisa alguma. Tudo o que tenho é mais que suficiente para mim. Tenho amigos que sempre me apoiam e a quem eu posso apoiar, sendo rico ou pobre. Mesmo perdendo o que eu perdi, continuo sendo a mesma pessoa, com a mesma dignidade. Se alguém tiver que me respeitar, que o faça do jeito que sou, independente da minha posição ou do meu poder. Obrigado, mas não posso fechar o trato. Com licença. - Zero levantou-se e saiu.
- ... Se essa é sua escolha, nada posso fazer. Se mudar de ideia é só falar, ajudaremos no que for necessário... - o Professor S disse, aparentemente decepcionado.
